A Década das Redes Sociais:

Este texto foi (ou vai ser) publicado no semanário Primeira Mão e foi escrito no passado dia 29 de Dezembro. Porém, ao ver ontem o programa Eixo do Mal da SIC Notícias, cuja escolha foi idêntica, decidi partilhar com o Aventar esta minha opinião de facto mais relevante da década finda. E já agora: qual foi, para vocês, o facto mais relevante?

Quando se olha para trás e se pensa em tudo o que passou de 2000 até 2009 podemos sempre procurar fazer uma escolha, subjectiva, daquilo que foi mais relevante. O 11 de Setembro e o terrorismo Islâmico, a eleição de Obama, a campanha pelo ambiente e nesta a forte componente mediática de Al Gore, a China e as restantes potências emergentes (Índia, Brasil, etc.), o Iraque, o Euro e o alargamento da União Europeia, a crise internacional dos últimos anos, entre tantos outros factos relevantes.

A ter de escolher um e apenas um, não posso deixar de sublinhar a força adquirida por um dos mais relevantes fenómenos da Era Digital: as Redes Sociais. Basta pensar num dado impressionante: o número de utilizadores das redes sociais na internet é de tal grandeza que, se todos habitassem no mesmo país, este seria o 3º mais populoso do planeta. O Myspace, o Facebook, o hi5, a blogosfera, o Orkut, o YouTube, o Twitter, o Flickr, o Second Life ou o Linkedln, fazem parte do quotidiano de milhões e milhões de pessoas, instituições e empresas. No caso português, somos o 3º país europeu com maior penetração das redes sociais (fonte: Comscore).

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Youtuibe

Mordeu-me uma mosca, carago

Não sei se é o chinês ou o caralho!

Erros médicos

Espírito natalício

Na noite de consoada, a TVI exibiu o filme “Transformers”. No dia de Natal, a SIC passou o “Homem Aranha 3”.

Belas referências para a quadra natalícia…

E cinema para todos

Se, nesta época de Natal, a cada um fosse dada a possibilidade de pedir um presente que beneficiasse a todos, e estando certa de que haveria muita gente a encarregar-se da paz no mundo, da igualdade de direitos e oportunidades, de governantes honestos e competentes, e por aí fora, eu pedia filmes antigos na televisão pública.

E quem achar que isto é supérfluo pode parar agora de ler que isto não vai melhorar, aviso já. [Read more…]

A máquina do tempo: lixo televisivo e lixo político?

 

Definamos telelixo, palavra que tenho utilizado, mas que (ainda) não vem nos dicionários. Diria talvez assim:

 

«Telelixo, s. m. – Forma de fazer televisão que se caracteriza por explorar a morbidez, o escândalo, os crimes, os aspectos mais sórdidos da natureza humana, tais como o sensacionalismo e outras aberrações, utilizando-as como instrumentos do aumento de audiências. O telelixo caracteriza-se ainda pelos temas que aborda, pelas personagens que coloca em primeiro plano, pela visão distorcida a que recorre para tratar esses temas e personagens.»

 

Um recente caso ocorrido num canal privado de televisão traz, quanto a mim, ao primeiro plano da actualidade nacional a questão do telelixo, pois reúne tudo o que de nocivo existe naquele conceito tabloidizado de informação e, a ser verdade o que consta sobre a causa próxima subjacente, põe a nu a fragilidade moral das estruturas do poder no nosso País. Lixo televisivo, eventualmente misturado com lixo político. Uma mistura explosiva.

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  Todos estão ao corrente – uma jornalista foi suspensa das suas funções, facto que provocou indignação e mobilizou a solidariedade de alguns colegas de profissão e de consideráveis sectores de opinião. Diz-se que essa suspensão teria sido motivada pelo facto de se preparar para denunciar ilegalidades cometidas por uma alta figura da política. Se foi esse o motivo é de facto intolerável em regime democrático, pois configura uma acção censória ao mais puro estilo salazarento.

 

Porém, a tal senhora foi, ao longo da carreira, uma activa promotora de telelixo, realizando entrevistas sob o figurino de julgamento sumário, em que as perguntas continham já a resposta condenatória. O que se diz na definição do conceito de telelixo, acrescentando-lhe um desprezo absoluto pelo respeito devido às pessoas, pela veracidade e pela presunção de inocência, se aplica à dita senhora que, além da capa da «liberdade de expressão» se defende também com um falso conceito de «saudável agressividade».

 

Esta prática continuada de um jornalismo prostituído, ainda mais agrava a suspeitada intervenção política – fazendo há anos a senhora este tipo de jornalismo marginal a qualquer código deontológico, só foram tomadas medidas quando uma pessoa politicamente importante foi atingida. Enfim, repito, se foi despedida por lesar interesses obscuros de uma alta personalidade, isso é condenável. No entanto, deveria há muito ter sido despedida em nome do código deontológico da carreira jornalística. Em suma, estamos aqui perante três casos não miscíveis:

 

1 – Por um lado deveria averiguar-se se existiram pressões políticas sobre a administração da empresa para a despedir. Se as houve, deveria ir-se até às últimas consequências – a demissão do político em causa. Não podemos aceitar que, 35 anos depois de Abril, se silencie quem, com razão ou sem ela, incomoda o poder.

 

2 – Por outro, há muito que a senhora deveria ter sido sancionada, irradiada, pela sua organização de classe. É uma má jornalista, que envergonha os profissionais dignos desse nome.

 

3 – Finalmente, a estação em questão há muito também que deveria ter sido proibida pelo organismo competente, a ERC, de exibir conteúdos que configuram todas as formas possíveis de telelixo do mais tóxico. Por pressões factuais ou tentando evitá-las, tomou tardiamente e pelas piores razões uma medida que há muito se impunha. Umas coisas não desculpam as outras. A eventual pressão política, sendo extremamente condenável, não pode servir para branquear a recorrente desonestidade da jornalista e o tardio despedimento desta não iliba a administração da empresa das suas responsabilidades na contínua emissão de programas lesivos da saúde cultural e social do País.

 

Lixo cultural, lixo empresarial, lixo político – há aqui muita sujidade a limpar. Não continuemos a esconder este lixo sob o tapete do nosso comodismo e da abdicação dos nossos mais elementares direitos de cidadania.

 

*

 

Em Espanha onde, pelos vistos, as coisas não vão melhor, circula um manifesto exigindo a aplicação de medidas contra a emissão de telelixo. Assumindo-se como uma «Plataforma para uma televisão de qualidade», é apoiada pela Associação de Utentes da Comunicação, pela União Geral de Trabalhadores, pelas «Comisiones Obreras», pela Confederação Espanhola de Mães e Pais de Alunos, pela União dos Consumidores de Espanha e pela Confederação das Associações de Moradores de Espanha.

 

Muito do que aqui digo a seguir, não sendo uma tradução literal, foi inspirado naquele manifesto. E não seria mau que fôssemos pensando numa iniciativa semelhante, concitando o apoio de associações de pais, organizações de defesa dos consumidores e dos ecologistas, porque o telelixo é extremamente poluente. Enfim, teria de ser uma amplo movimento de opinião dirigido, sobretudo, aos cidadãos em geral, porque, antes de mais, o telelixo e sua proliferação coloca um sério problema de cidadania, minando e pondo em perigo os próprios alicerces da Democracia.

 

*

O objectivo dos promotores do telelixo é encontrar um mínimo denominador comum que permita atrair um grande número de espectadores. Para tal, utilizam qualquer tema de interesse humano, seja um acontecimento político ou social, como mero pretexto para desencadear aquilo que consideram ser os elementos básicos para a atracção da audiência – sexo, violência, sentimentalismo, humor grosseiro, superstição, muitas vezes de forma sucessiva e recorrente dentro do mesmo programa. Sob uma hipócrita aparência de preocupação e denúncia, os programas de telelixo deleitam-se com o sofrimento, com as demonstrações mais sórdidas da condição humana, com a exibição gratuita de sentimentos e de comportamentos íntimos.

 

O telelixo, conta também, com uma série de ingredientes básicos que o transformam num factor de aculturação e de desinformação, bem como um obstáculo para o desenvolvimento de uma opinião pública livre e devidamente fundamentada. Segue-se uma lista desses ingredientes.

 

O reducionismo, com explicações simplistas dos assuntos mais complexos, facilmente compreensíveis, mas parciais ou contendo orientações determinadas. Uma variante deste reducionismo consiste no gosto das teorias da conspiração de não se sabe bem que poderes ocultos, que muitas vezes servem de álibis a determinadas personalidades e grupos de pressão no seu trabalho de intoxicação.

 

A demagogia, que consiste em apresentar todas as opiniões como equivalentes, independentemente dos conhecimentos ou dos fundamentos éticos sobre os quais se apoiam. Para tal, contribuem a realização de supostos debates, entrevistas e inquéritos, que mais não são do que simulacros de verdadeiros debates, entrevistas e inquéritos, e que longe de lançarem luz sobre os problemas apenas contribuem para consolidar a ideia do «vale tudo».

 

A demagogia tem uma variante: o desenvolvimento de mensagens esotéricas, milagreiras e paranormais, apresentadas de forma acrítica e num mesmo plano de realidade que os argumentos científicos. O desprezo pelos dir
ei
tos fundamentais, tais como a honra, a intimidade, o respeito, a veracidade ou a presunção de inocência, cuja infracção não pode em nenhum caso ser defendida sob a capa da «liberdade de expressão». Este desprezo desemboca na realização de «juízos paralelos», no abuso do sensacionalismo e do escândalo; na apresentação de testemunhos supostamente verdadeiros, mas que na realidade provêm de «convidados profissionais».

 

E, claro, na apoteose de uma televisão de trivialidade, baseada no protagonismo das personagens do mundo cor-de-rosa, cujas insignificâncias e conflitos sentimentais, tratados descaradamente de forma sensacionalista, são outro dos ingredientes deste molho infecto. O problema é ainda mais pungente quando este tipo de conteúdos são difundidos através do canal de serviço público, cuja obrigação moral e legal é o de fornecer produtos, ética e culturalmente, solventes. O telelixo nada inventou: a lisonja fácil ao espectador, o gosto pelo sensacionalismo, vêm muito de trás. Porém, na actualidade, a enorme influência social dos meios de comunicação de massas, aumenta de forma exponencial os efeitos negativos deste tipo de mensagens.

 

O telelixo encontra-se num momento ascendente do seu ciclo vital, como um cancro cujas metástases invadem todo o tecido social, impedindo que grelhas de outros modelos de informação mais respeitadores da verdade e do interesse colectivo surjam e se expandam.

 

*

Tudo o que no referido manifesto se alega para mobilizar esforços que combatam este tipo de negócio e todos os seus agentes é válido no nosso País. Num próximo texto esboçarei um manifesto para cujo aperfeiçoamento solicito a ajuda de quantos estejam de acordo em que é preciso fazer alguma coisa para que a televisão, factor tão importante de informação, cultura, entretenimento, mude em Portugal.

 

Uma ERC para os Estados Unidos da América

“A ERC, agência governamental encarregue de supervisionar a comunicação social norte-americana, sancionou hoje a Fox News por alegado incumprimento da deontologia dos jornalistas. Na sua decisão, alegam os elementos da ERC que a necessidade de punir a Fox News deriva do facto de esta não estar a tratar de forma imparcial o presidente Barack Obama. Em particular, alertam os membros da ERC que a circunstância de a Fox News se limitar a explicar as implicações da reforma do sistema de saúde apenas pela voz de elementos afectos ao Partido Republicano prejudica o seu zelo e rigor jornalisticos, o que legitima esta sanção, ao abrigo da al. d) do art. 7º do Estatuto da ERC.”

 

 

A gravata

Eu sei que há coisas mais importantes para pensar – mas, isto não me sai da cabeça: porque é que os políticos que desfilam no carnaval fedorento orientado pelo FANTÁSTICO RAP não usam gravata?

gravata

Comentário ao Telelixo

Muito bem aventado Carlos Loures. O telelixo é, com efeito, um dos grandes cancros desta nossa “magnífica democracia”. Não faltará quem comente dizendo que a democracia não tem culpa! Uma verdadeira democracia não teria culpa, pois simplesmente, pelo facto de ser uma verdadeira democracia, nunca tal abandalhamento permitiria. Tem toda a culpa e mais alguma, esta merda e esta fossa, este nojo de sistema podre, corrupto, telelixo-dependente, a que têm o descaro de chamar democracia.

A máquina do tempo: «O telelixo é uma droga pesada!»

Todos temos horas, mais ou menos certas, para despejar o nosso lixo – a televisão também – chama-lhe prime-time ou horário nobre – vai desde as seis da tarde até às dez horas da noite. Hoje a nossa máquina fica pelo presente para mais uma vez falarmos do telelixo que a televisão generalista (e não só) nos despeja diariamente em casa. Para nós, a importação e a produção de lixo televisivo, de uma forma consciente e industrializada, começou há cerca de dez anos. Até então, já tínhamos lixo no pequeno ecrã, mas eram detritos domésticos, artesanais, ingénuos, se comparamos com o que hoje recebemos. Aliás, o conceito de telelixo aprofundou-se ao longo desta última década – há tratados, há filósofos (como Gustavo Bueno) que se especializaram na abordagem do tema. Na rede, circula alguma matéria interessante sobre o assunto.

Precisamente com este título – «O telelixo é uma droga pesada» – encontrei um magnífico texto de Ramiro Marques, do qual já havia lido algumas peças relacionadas com a questão dos professores. Começa por nos lembrar que a Holanda é o maior entreposto europeu de fabrico e distribuição de drogas sintéticas, para depois afirmar que o mesmo país é a sede do maior grupo europeu de produção de concursos, reality shows, novelas da vida real – ou seja o telelixo com que os canais generalistas preenchem os seus horários nobres. Refere-se à nossa bem conhecida Endemol.

Ramiro Marques enuncia depois a composição do telelixo – conteúdos que imbecilizam as pessoas, as tornam insensíveis à dor, à violência e à crueldade, lhes cria falsas necessidades, lhes transmite versões distorcidas da realidade e lhes inculca contravalores. Os próprios noticiários, começam a ser moldados por esta visão perversa do negócio televisivo, abrindo com notícias de crimes, explorando exaustivamente os delitos de natureza sexual, bem como assaltos à mão armada e homicídios.

Recorda que as crianças portuguesas vêem, em média, três horas diárias de televisão, cinco nos fins-de-semana, ficando expostas, com a vulnerabilidade própria da sua inexperiência, a toxicidade do telelixo. A esta exposição, acrescente-se o tempo que crianças e adolescentes dedicam à navegação em websites e salas de chat (também distribuidores de lixo ou de veneno para a mente). Como diz, os efeitos devastadores da absorção e dependência do telelixo, não são menores que os do consumo de drogas pesadas, atingindo um universo muito maior. E, continua, do mesmo modo que os pais lutam por afastar os filhos do ice ou do ecstasy, da cocaína ou da heroína, o mesmo devem fazer contra o viciante consumo do telelixo.

E, conclui dizendo que, infelizmente, ao contrário do que acontece com os narcotraficantes e com os passadores, os proprietários, editores e directores de programas dos canais de televisão que promovem a subida das audiências à custa do telelixo, não são nem punidos, nem sequer alvo da censura social, transformando-se em celebridades e empresários de sucesso. Contudo, os efeitos do telelixo na mente, no carácter e na vida dos jovens podem ser devastadores, tal como o consumo de drogas pesadas – o telelixo, veneno da mente, é uma droga pesada. Belo texto, que deve, o mais possível, ser divulgado.

Em Espanha corre um manifesto ou abaixo-assinado contra o telelixo – tvbasura@arrakis.es – definindo primeiro o que é telelixo e pontualizando depois os seus efeitos nefastos, comparando-o a um vírus informático ou a um cancro, cujas metástases têm tendência para tudo invadir e destruir. Exigem os signatários que os Poderes Públicos responsabilizem os canais de televisão, os anunciantes, os programadores e os profissionais, sem descartar a responsabilidade dos cidadãos que se deixam enganar pela falácia do «espectador soberano» que, segundo os «dealers» televisivos, é quem exige cada vez mais lixo. O que até é verdade, pois os tóxico-dependentes, induzidos ao vício, ficam totalmente dependentes do consumo das drogas que os destroem. Também eles exigem a sua dose diária, facto que não inocenta os traficantes. Penso que deveríamos pensar num amplo movimento semelhante ao dos nossos vizinhos.

O silêncio é cúmplice do crime. Penso, por isso, que seria útil desencadearmos uma iniciativa semelhante.

O pseudo caso Portugal-Brasil visto por Ferreira Fernandes

O Pingo Doce contratou um famoso publicitário brasileiro para a campanha que começou nas televisões na semana passada. Vai daí, começou outra campanha no Twitter, esta semana: abaixo–assinados de portugueses (já vão em 1600) contra o anúncio do supermercado. (…) Porquê os 1600 e o frenesim, que já apela até a um encontro de indignados? Eu explico: cherchez la femme. O que, traduzido para a circunstância, é: alguém ficou sem a conta choruda que o supermercado tinha para publicidade e que foi parar ao brasileiro. A dor de corno na bolsa é das que mais doem. Espero que sem relação, mas também esta semana, alguém ressuscitou um vídeo da actriz brasileira Maitê Proença, onde ela é grosseira sobre os portugueses.

Para mim a relação entre um estória e outra existe. Chama-se marketing viral, a técnica que passa precisamente por criar um caso sem paternidade aparente, e deixá-lo espalhar-se pelas redes sociais (dantes chamava-se boato, e já foi uma arma da reacção).

Existe porque sou devoto da lei das coincidências significativas, o profissionalismo da causa no Facebook é evidente (e apanhou vários incautos desprevenidos), e profissionais não brincam em serviço.

Condições favoráveis a uma campanha de chauvinismo contra o Brasil, infelizmente estamos cheios delas. E o que já se leu e ouviu por aí em questões desportivas, Rio 2016b e Liedson, por exemplo, demonstra que o  terreno social é favorável.

Hoje quero uma grande abada aos pobres malteses. Golos de Pepe, Deco e do levezinho, claro. Os outros podem fazer assistências que não me importo.



Video humoristíco português escandaliza o Brasil

Um vídeo  datado de 2007 mas que circula na net, está a escandalizar o Brasil, por alegadamente demonstrar a incapacidade da actriz Maitê Proença em falar português europeu e dissecar as telenovelas brasileiras, candidatas a património imaterial da humanidade.

Num abaixo-assinado é exigido um pedido de desculpas. Sectores mais radicais pressionam Lula para que corte relações diplomáticas. Maitê pediu protecção policial depois de sofrer ameaças de morte, e admite pedir o estatuto de refugiada à ONU.

Gato Fedorento – Telenovela Brasileiramaite-proenca

Agora a sério: não há pachorra. A Maitê como escritora é uma desgraça, como humorista uma anedota, como actriz capaz do melhor e do pior, mas nunca precisou de photoshop para posar nua.

O que só demonstra a qualidade e empenho dos portugueses na reprodução da espécie e no espalhar dos genes lusitanos – sim, acabo de piscar o olho ao macho nacionalista luso, porque é tão burro que nem percebe quando está a ser gozado. Os mesmos que ainda há umas semanas e perante a ameaça de uma subida eleitoral da esquerda já se preparavam para voltar a fugir para o Brasil, e que logo  à noite não vão comemorar os golos do levezinho. Emigrem canalha, emigrem.

Maitê Proença de Saia Justa e agora numa camisa de forças

Conheço algo sobre o Brasil e os brasileiros. Não tudo, o Brasil é um continente, não é um país. Já vi de tudo. De pessoas muito inteligentes, cultas, até muito ignorantes e uns tantos estúpidos. Daqueles que já trazem o carimbo a quilómetros de distância. Lá como cá. É natural que em cerca de 180 milhões haja mais parvos que nos nossos 10 milhões. Maitê Proença é gira mas deve fazer parte do lote de alguns milhões de parvos que por lá existem.

O caso do vídeo onde a actriz e escritora fraquinha, muito fraquinha, goza com os portugueses e Portugal é uma irrelevância, que não merece muita atenção. Nem será caso para nos espantarmos. Os portugueses há muito que são alvo de anedotas por parte dos brasileiros. Algo que não espanta. Faz parte dos preconceitos. Como nós os temos, aliás. A maior parte dos portugueses vê os brasileiros como completamente estúpidos e burros.

A própria Maitê colobora para essa ideia, ao cometer erros absurdos, demonstrando que não fez os trabalhos de casa e fala do que não sabe.

 

P.S. Consta que um grupo de tugas indignados começou a inundar de mensagens o site / blog da actriz, onde Maitê fez questão de dizer que não quis ofender “Portugau” e os “portuguezess”. Deve ter sido bem tramado porque há muito que o site está em baixo. É caso para dizer que depois do programa “Saia justa”, a senhora, no que a Portugal diz respeito, ficou numa camisa de forças.

Gatos dão de caras com fedorento!

Marinho Pinto esteve à altura do que pensamos dele, sem papas na língua, distribuiu mimos por tudo o que é Justiça em Portugal e terminou em grande estilo. Fujam !

Fujam dos Juízes que não têm competência para o serem, dos magistrados políticos e sindicalistas, dos processos que não andam nem coxeiam, morrem nas gavetas.

Diz-se jornalista e advogado que sempre quiz ser, não olha a nomes nem a lugares, todos são iguais perante a Lei.

Não receia o Ricardo fedorento porque se trata de um profissional que não humilha os seus convidados, ao contrário da Manuela MG que acusa sem provas.

Tem outra paixão que é ser professor e  conseguiu acabar o programa sem gritar, o que é, convenhamos, uma vitória  e peras!

Marques Mendes no «Gato Fedorento»

Foi uma entrevista divertida, a de Marques Mendes ao «Gato Fedorento».
A frase que se segue diz tudo: «Às vezes é das coisas pequenas que vêm as maiores surpresas». A pergunta estava relacionada com a sua estatura, mas a forma como a frase foi dita foi muito divertida. A assistência riu muito, Ricardo Araújo Pereira riu-se, Marques Mendes também se riu, vendo aquilo que acabara de dizer. Penso que todos pensaram no mesmo, a menos que eu seja muito tarado.
De resto, o político pareceu retraído no início. Mas à medida que o tempo foi passando, ganhou desenvoltura. Tanta que, por diversas vezes, deixou Ricardo Araújo Pereira sem palavras.
A última piada de Marques Mendes deve ter sido a melhor de todas, tal foi a risota na audiência. Infelizmente, a minha filha começou a fazer barulho e eu não consegui ouvir. Teve graça certamente.

A diferença entre Herman José e Ricardo Araújo Pereira

(A propósito da submissão e nervosismo do humorista na entrevista a Mário Soares)

Os tempos são outros. O Herman teve de os “lamber” porque levou muito no coiro. Suspenso em 1988 no Humor de Perdição, perseguido pela Igreja em 1994 por causa da Ùltima Ceia (com o aplauso do inefável Marcelo que acorreu a defender a posição dos “Diáconos Remédios” de serviço), arrastado para a lama pedófila pelas mãos de um MP salazarista baseado em balelas não investigadas nem provadas, o Herman percebeu que “ou aliviava” ou sucumbia.
O Ricardo é um caso diferente. É indiscutivelmente genial como o mestre, está bem escudado pelos seus três Mosqueteiros, não tem que dar explicações ao mundo cinza por “não ter esposa e meninos”, tem clube de futebol (e logo o Benfica – lobby mais poderoso que a Maçonaria) e é simpatizante do PCP (tal como 50% da inimputável magistratura mais ligada a Stalin que a Salazar). Pode portanto dar-se ao luxo de ser independente e de não “lamber” ninguém.
Por isso não tem desculpas. Exigimos-lhe uma coluna de titânio. O aço – como constatamos no caso do Herman e das Torres Gémeas – têm limites para a sua resistência.

Filipa M

Elisa Ferreira no «Gato Fedorento»

Gosto de Elisa Ferreira, tenho de admiti-lo. E penso que daria uma excelente Presidente da Câmara do Porto se tivesse sido candidata no momento certo, ou seja, em 2001. Teria ganho e Rui Rio nunca teria existido. Agora, é tarde.
Não obstante, penso que a candidata do PS esteve muito bem na entrevista com Ricardo Araújo Pereira. Muito desenvolta, muito à vontade, confirmou aquilo que se tem vindo a verificar: a prestação das mulheres no «Gato Fedorento» é claramente superior à dos homens.
Foi também muito convincente. Quem ouviu Elisa Ferreira a falar até terá ficado convencido que ela acredita na vitória. Deu para rir quando disse que tinha muitos seguidores no Twitter e no Facebook – como se isso significasse votos.
Esteve muito bem quando separou as águas do FC do Porto e da rivalidade entre Porto e Lisboa. Já quanto à gamela do Parlamento Europeu, não conseguiu explicar. Talvez porque seja mesmo inexplicável…

Pedro Passos Coelho no «Gato Fedorento»

Araújo Pereira esteve mais calmo do que na véspera – continuo sem perceber a razão de tamanho nervosismo por estar a entrevistar Mário Soares. Deve ser a costela Herman José das «lambidelas a quem manda» a vir já ao de cima. Começou mais cedo, o humorista.
Desta vez, Pedro Passos Coelho é que me pareceu mais nervoso. Ou não tem sentido de humor, ou levou tudo a sério, ou tentou e não conseguiu ter graça – a verdade é que foi uma prestação bem fraquinha. Felizmente que não há-de ganhar a liderança do PSD, que assim não corremos o risco de o ter como primeiro-ministro.

Cavaco seria capaz de ir aos Gatos?

Alguns amigos meus insistem para que eu, aqui no Aventar, avance com esta proposta. Uma espécie de leilão para saber se somos capazes de levar Cavaco aos Gatos Fedorentos. Uma onda de apoio à proposta e Cavaco teria dificuldade em dizer que não.

É, claro, que isto não tem pernas para andar. Desde logo porque Cavaco não tem razão nenhuma para aceitar. Não anda em campanha, é Presidente da Republica e não está à vontade num programa de humor. Mas que seria um furo, lá isso seria.

Parece que a prestação de Soares entusiasmou muitos dos seus apoiantes, mas a verdade é que Soares é capaz de dizer que “Deus não é Deus” com o mesmo à vontade com que depois vai ao Vaticano prestar juras de fidelidade eterna. Gostaria mais que se intranquilisasse com a situação do país que não lhe tira o sono, como já teve ocasião de dizer quando da crise de há vinte anos. Nada lhe tira o sono, e o pobre do Ministro das Finanças acordou-o às três da manhã, para lhe dizer que o país estava à beira da bancarrota e Soares mandou-o à vida, dizendo que na hora do expediente tratariam do assunto.

São duas pessoas completamente diferentes e o que sobra de à vontade em Soares falta a Cavaco numa grande dimensão.

Mas aqui fica, que aqui no Aventar não temos razões para ter medo de propostas tipo “Gato Fedorento”!

Mário Soares no «Gato Fedorento»

Não sei se foi impressão minha, mas Ricardo Araújo Pereira pareceu-me nervoso no início. Aliás, durante toda a entrevista mostrou-se subserviente para com o «monstro sagrado» que tinha à frente e no fim até lhe agradeceu.
Passando ao lado do número de netos do ancião, que ficámos muito bem sem saber quantos são, notei que Mário Soares conseguiu dizer, sem se rir, que não é um home de intrigas. Disse também que não é forte em reformas e isso é verdade, como se verificou sempre que ocupou o lugar de primeiro-ministro.
Disse ainda que não gosta que lhe chamem Presidente, quando se sabe que continua a ter à sua volta uma «corte» que o trata como tal. Mais uma vez, conseguiu não se rir quando disse que o PS está numa fase socialista e que esta República está bastante boa.
No final, ficámos a saber que, para Soares, são todos uma tristeza: Blair, Bush, Berlusconi, ele próprio… Ah não, espera aí, dele não falou.

Monty Pyton, 40 anos.

O dia 5 de Outubro tem inspirado a humanidade. Fez hoje 40 anos que pela primeira vez surgiram na TV. Eles, os pais de metade do humor que ainda hoje televemos, e ainda de uma boa parte da outra metade.

Duas amostras, legendadas em português.

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World Forum Communist Quiz

A máquina do tempo: ZIP-ZIP e «Big Brother», dois programas que mudaram a televisão

Talvez que o mais evidente sinal de abertura dado pela chamada «primavera marcelista» de 1969 tenha sido o programa Zip-Zip transmitido pela RTP. A censura de Salazar não o teria autorizado e Marcelo que se converteu também em estrela de televisão com as suas «Conversas em família», quis dar um sinal de que os tempos tinham mudado. Como não me canso de repetir, mudou alguma coisa para que tudo ficasse na mesma. O Zip foi uma das pequenas mudanças – a Guerra Colonial, as prisões, a tortura, a repressão, a miséria, continuaram. Isto a par de uma crise económica que nada ficou a dever à actual. Como Raul Solnado, Carlos Cruz e Fialho Gouveia disseram depois, a ideia foi mesmo essa – ajudar Caetano a democratizar, comprometê-lo com a democratização que prometera. Chegaram mesmo a convidá-lo para ir ao programa, convite que Marcelo Caetano declinou, embora agradecendo.

Não irei pormenorizar como nasceu o programa, pois tudo isso está suficientemente documentado e historiado. Direi apenas que naquelas 32 semanas que o Zip durou, passaram pelo palco do Teatro Villaret, onde o programa era gravado, escritores, actores, cantores, artistas plásticos, personalidades que o grande público conhecia mal ou que mesmo desconhecia – um taxista referindo-se a Almada Negreiros, que foi o convidado do primeiro programa, comentava »Não sabia que havia pessoas tão importantes em Portugal.» Essa revelação de uma face do seu país que a maioria dos portugueses ignorava, foi uma das chaves do sucesso. Ás segundas-feiras à noite, quando o programa era transmitido, parava tudo – «Que surpresa haverá hoje?» – perguntava-se. Como disse Adelino Gomes em «Zip-Zip: Os sete meses que marcaram a televisão em Portugal» (Público, de 25 de Setembro de 2009): «As ruas ficavam vazias. As casas de espectáculos sem público. Pela primeira vez, um programa de televisão marcava a agenda das conversas dos portugueses. Aconteceu durante o segundo semestre de 1969. Em plena “primavera marcelista”». Esta é uma pequena amostra do que era o Zip-Zip, inserida numa homenagem a Raul Solnado quando da sua morte. Acrescente-se que constou que um Conselho de ministros convocado por Marcelo para uma segunda-feira, teve de ser adiado porque a maioria dos ministros não abdicava de ver o Zip:

http://tv1.rtp.pt/noticias/player.swf?image=http://img1.rtp.pt/icm/noticias/images/af/afd48a81db68840971eaccb6ca9f7395_N.jpg&streamer=rtmp://video2.rtp.pt/flv/RTPFiles&file=/informacao/raulzipzip_38506.flv

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Já vos contei como, vindo para casa, com o rádio do carro sintonizado na TSF, pois o presidente Sampaio ia fazer uma comunicação ao País, o programa que estava a ser transmitido, foi interrompido e o locutor anunciou que o Marco tinha dado um pontapé na Sónia. E aconselhava a ligarmos para a TVI. Intrigado, pois não fazia ideia de quem seriam tais pessoas, logo que cheguei a casa, foi a primeira coisa que fiz e passados momentos lá passaram a gravação do pontapé. Nunca tinha visto o «Big Brother» e, atónito, assisti durante uns minutos ao que agora vos mostro:

Este tipo de cenas foi ocorrendo quase diariamente, desde que entre 3 de Setembro e 31 de Dezembro de 2000 a TVI lançou o «Big Brother. Tal como mais de trinta anos antes perante o Zip, as pessoas interrogavam-se – «O que acontecerá hoje?» Judite de Sousa refere-se num depoimento que acompanhava esse meu texto anterior, ao facto de a tabloidização da televisão corresponder a um gosto do público que «quer sobretudo mais emoção», preferindo conteúdos «que façam apelo à emoção», insistiu. Disse também que «a vida vai estar cada vez mais presente na televisão». Talvez se referisse ao facto de pessoas comuns, como o Zé Maria, a Susana, a Célia ou o Marco, se transformarem personalidades públicas. Mas será que a amostragem reflectia o conceito de «pessoas comuns» – os portugueses são de facto assim? Será que a vida no nosso país tem muito a ver com o que se passava na «casa»?
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Porque comparo estes dois programas tão diferentes? Parece-me óbvio – porque ambos mudaram a televisão. Tal como acontecera com o Zip, depois do «Big Brother» a televisão mudou também, impondo em três dos canais generalistas a moda dos reality shows. Zip-Zip e «Big Brother» deram lugar a debates sociológicos, a estudos académicos. De notar que, de série para série, o concurso foi perdendo popularidade até que, à 4ª, a TVI suspendeu o programa (embora anuncie uma 5ª série para breve). A única semelhança entre os dois programas é no nível de impacto produzido.
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Olhando estes dois fragmentos e não levando em conta questões acessórias, circunstanciais, epocais, como o facto de a emissão ser a cores ou a preto e branco, as roupas, a linguagem, o que terá mudado na sociedade portuguesa para que em 31 anos o gosto do público tenha mudado de tal forma. Em 1969 o índice de analfabetismo era elevado. Hoje será residual. Nessa altura tínhamos cerca de 30 mil estudantes nas universidades – hoje, esse número mais do que decuplicou. O poder de compra subiu e o acesso aos bens culturais é mais fácil. E no entanto um programa como o Zip-Zip fazia parar o país, tal como trinta e um anos depois aconteceu com o «Big-Brother». É evidente que o poder da televisão era grande e que actualmente também o é. As circunstâncias históricas são diferentes, mas, apesar de tudo, são melhores, mais favoráveis, menos constrangedoras.

Contudo, verifica-se que o gosto dos telespectadores, embora estatisticamente o índice de literacia seja muito mais elevado, se deteriorou. Não acreditando que as pessoas sejam piores do que eram os seus pais e avós, o que é que aconteceu? Já ouvi diversas explicações. Numa delas, dizem-me que as pessoas pareciam mais educadas, porque eram obrigadas a ser mais contidas e que adoraram o Zip porque era diferente da programação-tipo dos dois canais então existentes – «uma pedrada no charco», como Mário Castrim, o mais conhecido dos críticos de televisão da altura, o classificou. Talvez, de algum modo, todo isto seja verdade. E talvez mesmo que aquilo que eu mostro com a intenção de acentuar o abismo cultural entre duas maneiras de fazer televisão, se vire contra o meu argumento – o preto e branco face à cor, o ar formal dos apresentadores, a linguagem correcta em comparação com o paleio vulgar, ordinário, podem levar quem vê, a optar pela segunda amostra, achando-a mais «realista». Agora que se anuncia uma quinta série do «Big-Brother» é altura de reflectir – pedradas no charco ou o regresso do charco?. Que televisão queremos?

Esmiuçar…

site da rtp

Os Gatos Fedorentos não esmiúçam nada! Esmiuçar é com a RTP.

O site da RTP tem tudo sobre os resultados das Legislativas. Mas mesmo tudo. Consegue-se ver o número de votos ao pormenor. Por zona, por hora, por partido, tudo! Dá, por exemplo, para ver que alguém na freguesia de N. Sra. da Graça Póvoa e Meadas, no concelho de Castelo de Vide, no Distrito de Portalegre, votou no Partido Operário de Unidade Socialista (POUS). Apenas e só, uma única pessoa num Concelho inteiro! Este dado deixa-me curioso. Quem será?

A máquina do tempo: a televisão do futuro

Numa intervenção no Festival Internacional de Televisão realizado este mês em Edimburgo, Vint Cerf, com 64 anos, um dos cientistas que há trinta anos criaram a Internet e actual vice-presidente da Google, além de presidente da organização que administra a rede, assegurou que a televisão se aproxima de um momento crítico semelhante ao que a indústria discográfica enfrentou com a chegada do sistema áudio digital MP3. Anunciou que está a trabalhar, com outros especialistas, num sistema para a utilização da rede nas comunicações espaciais. Em determinado ponto da sua intervenção, disse Cerf: «85% de todo o material de vídeo que vemos foi pré-gravado, pelo que cada um pode preparar o próprio sistema para fazer oportunamente as descargas que entenda» (…)«Vamos continuar a necessitar da televisão para certas coisas, tais como para as notícias, para os acontecimentos desportivos e para as emergências, mas cada vez será mais como um iPod, no qual se pode descarregar o conteúdo para o ver mais tarde». Dirigindo-se aos executivos da indústria da televisão, Cerf, incentivou-os a que deixassem de ver a Internet como uma ameaça à sobrevivência do meio, devendo encará-la como uma janela de oportunidade: «No Japão já é normal descarregar o conteúdo de uma hora de vídeo em apenas dezasseis segundos». E concluiu afirmando »Quero mais Internet, quero que cada um dos 6000 milhões de habitantes do planeta possa ligar-se à Rede, pois considero que podem contribuir com saberes que a todos beneficiariam.

Portanto, do ponto de vista tecnológico, a televisão tal como hoje a conhecemos, tem os dias contados. Para além da televisão digital, que já é uma realidade, projectam-se inovações que transformarão radicalmente a «caixa que mudou o mundo» que, logo para começar, deixou de ser uma caixa. Anunciam-se novidades tais como o aumento do visionamento da televisão através da Internet e do telemóvel e o desenvolvimento de uma nova tecnologia, a 4K, que permite ver filmes com uma definição de oito megapixéis (em vez dos dois que os actuais televisores de alta definição proporcionam). Além de muitas outras novidades que, surgindo em catadupa, irão tornando obsoletos equipamentos acabados de comprar iremos, por exemplo, ter ecrãs de visão dupla, verso e reverso.…

http://www.youtube.com/watch?v=3SGU6VZk3kY

Anuncia-se a televisão holográfica e em 3-D. A holografia, que se prevê há muito tempo, é a técnica que permite criar imagens tridimensionais em movimento, com a utilização de raios laser. Desde 1947 que se investiga esta tecnologia. Um professor da Universidade do Texas é da opinião que dentro de 10 anos teremos os primeiros televisores holográficos. Nunca irá parar este tsunami de inovações tecnológicas que, já num futuro próximo, transformarão a televisão num «iPod» gigante. Quem quiser (e souber) poderá construir a sua própria grelha de programas, seleccionando-os no vasto leque de oferta que o cabo já oferece. Quem souber, insisto, poderá (pode já hoje) ver televisão de grande qualidade, incluindo serviços de notícias.
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Mas pondo de parte todas estas inovações que assim, ou de outra maneira, irão ocorrer, há um aspecto que me interessa mais do que as inovações tecnológicas, as que se vão dar no imediato e aquelas com que a nossa imaginação não consegue sequer sonhar. De algum modo, pela positiva e pela negativa, os três excelentes jornalistas que vimos no vídeo com que iniciei este post, abordaram a questão que me parece central – a dos conteúdos que os novos meios irão servir. Mário Crespo pôs o dedo na ferida ao assinalar a degradação dos conteúdos que a diversidade de canais generalistas trouxe consigo, a «era da tabloidização» a que deu lugar. Judite de Sousa preferiu desculpabilizar essa descontrolada produção de incultura – com o equivalente à celebre frase de Pessoa – primeiro estranha-se, depois entranha-se. (no fundo, Pessoa e Judite falam de lixo – da Coca-Cola o grande poeta e dos programas televisivos campeões de audiências a jornalista). Porque não se trata de emoções aquilo por que grande parte do público anseia. Trata-se de fuga ao quotidiano descolorido ou mesmo negro que a maioria das pessoas vive. Porque não me diga a Judite que as telenovelas, por exemplo, reflectem a realidade. E não se trata de hipocrisia, como ela diz.
Eu conto a minha experiência: vinha no carro para casa e estava sintonizado na TSF para ouvir uma comunicação ao País que o presidente Sampaio ia fazer quando, como quem anuncia um acontecimento de grande importância, o programa que estava a ser transmitido, foi interrompido e o locutor anunciou que o Marco tinha dado um murro na não sei quantas. E aconselhava a ligarmos para a TVI. Quando cheguei a casa, foi a primeira coisa que fiz e passados momentos lá passaram a gravação do murro ou do pontapé. Nunca tinha visto o «Big Brother» e, atónito, lá assisti durante uns minutos àquele espectáculo deprimente de seres humanos a comportarem-se ao nível mais rasteiro que se pode imaginar. Será a isto que Judite de Sousa chama «emoções»?
Mário Zambujal faz uma referência importante ao carácter educativo que a televisão (pelo menos o serviço público) nunca devia perder de vista e Crespo, lucidamente, afirma que a RTP «terá de mudar de formato, pois no actual formato híbrido não tem futuro». É uma realidade, querendo proporcionar ao grande público as tais «emoções» de que fala a Judite de Sousa (e que mais não são do que concessões à estupidez), mas não o fazendo da forma totalmente despudorada com que a TVI actua, perde nas audiências e trai absurdamente o seu dever para com os contribuintes – o de ser um serviço público de televisão – educando, esclarecendo, informando, divertindo. Servindo.

O REGRESSO DE MANUELA MOURA GUEDES?

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ONGOING COMPRA PARTE DA MÉDIA CAPITAL
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Trinta e cinco por cento da Média Capital vão passar a ser pertença da Ongoing.
TVI é pertença da Média Capital.
O marido da sra manda na Ongoing.
A sra foi afastada da TVI no início de Setembro, segundo as más línguas, por causa da pressão do sr Sócrates.
A sra regressa ao jornal de sexta-feira brevemente.
Vamos voltar a ter um programa anti José Sousa?
Bastou o desaparecimento da maioria absoluta do PS para se efectivar a compra.
Que jeitaço fez ao sr Pinto de Sousa este afastamento temporário. Será para pagar alguma coisita depois? Este afastamentozinho terá custos? MMG voltará a ser a mesma?
Esperam-se novos desenvolvimentos.

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Manuela Moura Guedes regressa à TVI via OnGoing

Então é assim: no dia seguinte às Eleições Legislativas, e venham agora dizer que é coincidência, a OnGoing, de José Eduardo Moniz, compra ao Grupo Prisa, de Espanha, uma parte significativa da Media Capital, a proprietária da TVI.
Não tarda nada, estará José Eduardo Moniz de novo a mandar na TVI. E Manuela Moura Guedes de novo no ecrã a martirizar o minoritário primeiro-ministro por causa do Freeport.
Há coisas fantásticas, não há?

TVI boazinha, sem maledicência…

Repararam que José Sócrates abriu o telejornal da TVI? Que bonito, acabou o castigo de não falar para aquela estação, uma estação decente, sem aquele telejornal das sextas-feiras “travestido” , cheio de ódio e maledicência .

Isto é o PS a elevar a “elevação” da campanha e da comunicação social, dizem o que ele quer que digam, se não é campanha negra.

Este político é muito perigoso!

Dirce Migliaccio (1933 – 2009) e o Sítio do Picapau Amarelo


Dirce Migliaccio foi a boneca Emília do Sítio do Picapau Amarelo. Morreu ontem. Preencheu uma grande parte das minhas memórias de infância. Soube hoje o seu nome.