TDT – Televisão de Todos*

Estamos no ano de 2016 D.C. e toda a Europa tem uma política para a Televisão Digital Terrestre (TDT) que garante a distribuição universal de televisão a toda a população. Toda? Não. Há um país, povoado por irredutíveis portugueses, que resiste aos ganhos de cidadania, de coesão e de integração social, assim como à dinamização do mercado audiovisual, resultantes de tal solução.

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fonte: Observatório Europeu do Audiovisual

Com 5 canais na TDT, olhamos para o quadro acima e espantamo-nos com os 118 canais da Itália (67 dos quais sem custos para o espectador), 85 da Inglaterra (81 são gratuitos), 43 da Alemanha (41 não são pagos), 40 da França (31 em acesso livre) ou com os 27 em Espanha (só um é pago). E verificamos que podem existir 39 canais na TDT austríaca (13 em aberto), 26 na checa (todos de acesso livre), 25 na eslovaca (13 free-to-air), 17 na cipriota (11 grátis), 13 na búlgara e na grega (esta com apenas 2 canais pagos), ou mesmo 10 na belga ou na irlandesa (todos de acesso livre), para falar de países com população e dimensão de mercado semelhantes ou inferiores ao nosso.

As razões para esta discrepância são, no entanto, muito claras: as políticas públicas para a comunicação social têm sido sucessivamente negligenciadas e a regulação sectorial encontra-se, nesta área crucial, capturada pelas conveniências do sector das comunicações e pelos interesses dos operadores de televisão instalados. Nunca é demais lembrar que a ERC não tem, como devia ter, competências decisórias em matéria de reserva e utilização do espaço hertziano pela comunicação social.

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Serviço público e TDT

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Como é do conhecimento público, a transição para a televisão digital terrestre (TDT) em Portugal não foi exactamente exemplar. Depois de um falso arranque em 2001, o modelo que viria a ser lançado em 2008, contemplando uma componente gratuita irrisória face à oferta paga, continha os ingredientes certos para falhar. Falhanço anunciado não só pela experiência estrangeira (a falência dos modelos pagos em Espanha e em Inglaterra e a sua rápida substituição por bem sucedidos modelos de TDT gratuita, verdadeiramente atractivos e alternativos às implantadas plataformas de satélite e de cabo) como pela ausência de autênticos incentivos à migração ao nível da oferta básica. [Read more…]

Tese de Doutoramento de Sergio Denicoli está online

A tese de Doutoramento   de Sergio Denicoli (Universidade do Minho) acaba de ser integralmente publicada pelo Centro de Investigação em Comunicação e Sociedade da Universidade do Minho:

Este estudo doutoral analisa o processo de implementação da Televisão Digital Terrestre (TDT) em Portugal, desde o início da sua introdução definitiva, a partir de 2007, até o fim das transmissões dos sinais analógicos, em 2012.

O Investigador Sergio Denicoli, autor do blogue TV DIGITAL, verificou “a fundo um processo que sacrificou sobretudo os mais pobres e os mais idosos.”

Segundo a comunicação social a investigação terá levado a PT e a ANACOM a avançarem com uma acusação em tribunal contra Sergio Denicoli, que continua a dizer que não sabe de nada:

Li hoje reportagens que dizem que a PT já impetrou uma ação judicial, no entanto, até o momento, não recebi qualquer intimação. O presidente da empresa refere, segundo a agência Lusa, que eu acusei o grupo de corrupção, o que não é verdade.

Sergio Denicoli disse e reafirma que [Read more…]

Petição: Pela liberdade de investigação académica

Pode um trabalho académico colocar em causa um negócio de grandes empresas com o aval do estado? pode uma Universidade trocar princípios por parcerias económicas? Será que alguém acredita na bondade do processo da TDT?

Leia e pense em assinar esta petição. A tese “A implementação da Televisão Digital Terrestre em Portugal

A televisão que nos tiraram

Luís António Santos, investigador no CECS – Universidade do Minho

Na pequena localidade onde costumo passar parte dos meus tempos de descanso, numa zona interior do distrito de Braga, há uma senhora de idade que, nos últimos meses, adotou uma nova rotina de vida. Depois de jantar, todas as noites, a Srª Augusta, lá arruma a cozinha, veste um agasalho, fecha a porta e percorre a pé umas quantas dezenas de metros a caminho da casa da vizinha para ver televisão.
Antes que surja a dúvida, não, este não é um qualquer texto repescado de um jornal da década de 1970. Hoje, em 2012, apesar de lhe terem vendido (no sentido figurado, mas também no sentido mais concreto) as “maravilhas” do novo serviço de TDT, a Srª Augusta, está mais mal servida do que estava antes.
O país, que somos todos nós, não devia ter permitido que isto acontecesse, sobretudo a pessoas como ela. Mas permitiu. Permitiu o país político – com responsabilidades repartidas por igual entre os dois principais partidos do chamado “arco da governação” – e permitiu quem, em nosso nome, tinha por missão principal assegurar que a (natural) ambição de uma empresa monopolista não se sobrepusesse ao interesse comum.
A Srª Augusta não está sozinha nesta sua mudança de rotinas. Está, aliás, na companhia de muita e muita gente a quem não adianta coisa nenhuma ouvir os responsáveis da ANACOM dizer que tudo foi feito dentro do estrito cumprimento da lei.
Isso sabe ela, coitada. E sabe também que as leis, “são eles que as fazem, para melhor se governarem”.
Que a Srª Augusta pode ser analfabeta, mas é “bem fina”, como só mulheres da sua idade conseguem ser.
O processo de implementação da TDT em Portugal foi um embuste social. E teve – na elaboração das leis, dos regulamentos, dos concursos, das adjudicações e das alterações subsequentes – a cumplicidade de dois grandes partidos com enormes responsabilidades. Tudo aconteceu como estava previsto. Mas tudo aconteceu da pior forma (do ponto de vista do planeamento da oferta, das responsabilidades financeiras pela transição e da negociação do que ficou a “sobrar” no espectro).
Há dias, uma tese de Doutoramento defendida na Universidade do Minho provou isto mesmo; provou, no fundo, o que a Srª Augusta sabe há muito.
Mas, em vez de ter despoletado reações de políticos ou de entidades com responsabilidade na investigação despoletou – por parte da empresa beneficiada, a PT, e só depois por parte da entidade reguladora – ameaças de processo crime contra o autor do detalhado estudo.
Dizer que ‘o rei vai nú’ ainda é muito difícil em Portugal. Deve ser porque somos uma ‘democracia jovem’. Só pode.
A Srª Augusta lá resolveu o seu problema da melhor forma que soube – sem a ajuda do Estado, como se habituou a fazer durante toda a vida.

Texto publicado originalmente aquiPetição pela liberdade de investigação académica.

Mais do mesmo

A RTP tem agora este slogan.  Mesmo que fosse verdade (confrontar aqui e aqui), de que valeria isso se o conteúdo continua o mesmo?

A TDT e o fim do mito do Portugal tecnológico e inovador

“A imagem parada, a olhar para nós sem dizer nada” diz uma pessoa do Sardoal. São retratos de quem foi aconselhado pela PT a comprar o descodificador mas que não funcionou, acabando por comprar o conjunto de recepção por satélite. Testemunhos de quem quer ver a televisão para a qual paga mensalmente uma taxa mas que, à noite, não funciona.

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Hoje acabou a televisão que funcionava

8% da população não tem cobertura TDT. Bem vindo ao país falhado.

TDT, som e imagem perfeitos

TDT aos quadradinhos, a inovação depois dos livros aos quadradinhos

Há dias estive pelo Baixo Mondego onde vi in loco a nova televisão digital. Uma miséria. Com a TDT, todos nas aldeias para os lados do Pranto se queixam do mesmo: a imagem fica parada aos quadradinhos. Ainda bem que com a TDT, como diziam na publicidade, o som e a imagem ficam com maior qualidade. E posso confirmar. De cada vez que esses quadrados aparecem, posso comprovar que têm as arestas perfeitamente definidas. E a falta de som decorre maravilhosamente ausente de interferências. Viva o progresso.

TDT: Tirar Dinheiro a Todos

Em Alcácer, muitos perderam a companhia da televisão e um reformado de Setúbal considera um roubo a obrigação de comprar um descodificador.

Num ano em que os preços sobem, em que os salários continuam a diminuir, em que o desemprego aumenta, enfim, num ano em que os cidadãos vêem as despesas a aumentar e as receitas a diminuir, acrescentar a tudo isso a necessidade de comprar um descodificador para poder ver televisão é só mais um sinal da insensibilidade que caracteriza mais um governo que se limita a fazer o que lhe manda o poder económico. Seja como for, a decisão de não adiar a implantação da TDT, obrigando os cidadãos a pagar mais e garantindo lucros a empresas, é uma afirmação de coerência. Estranho seria que gente sinistra como Passos Coelho ou Miguel Relvas começasse, agora, a preocupar-se com os portugueses.

A filha da PuTice digital terrestre

O caso TDT é muito fácil de explicar: em Portugal mandam as empresas e as empresas, como agora os seus criadinhos assumem, vivem para o lucro passando por cima do que for preciso.

O espectro radioelectrico faz parte do nosso património natural, digamos assim. Ao libertar o que estava ocupado pela tv analógica (que fica para os telemóveis de 4ª geração) e ao distribuir o digital (que tem capacidade para dezenas de canais) o governo onde ainda pontificava Augusto Santos Silva só tinha que garantir para os cofres do estado a renda das concessões e como contrapartida impor às empresas que ganhassem os concursos que todos os portugueses no mínimo continuassem com acesso à televisão de sinal aberto sem qualquer custo. Assim se fez noutros lados.

Aqui não. Aqui a PT ficou com a rede da TDT, e como é óbvio começou por impor que esta não lhe faria concorrência ao seu, ou seja ao Meo: nada de canais em sinal aberto, que ainda deixo de vender o cabo. Foi aprovado um a repartir entre RTP, SIC e TVI, que como é óbvio não se entenderam. E nas próximas semanas os que não têm dinheiro deixarão de ter vícios, como se sabe ver televisão é um vício, e pobre à noite que faça filhos, mesmo que já não tenha idade para isso. [Read more…]

A Década das Redes Sociais:

Este texto foi (ou vai ser) publicado no semanário Primeira Mão e foi escrito no passado dia 29 de Dezembro. Porém, ao ver ontem o programa Eixo do Mal da SIC Notícias, cuja escolha foi idêntica, decidi partilhar com o Aventar esta minha opinião de facto mais relevante da década finda. E já agora: qual foi, para vocês, o facto mais relevante?

Quando se olha para trás e se pensa em tudo o que passou de 2000 até 2009 podemos sempre procurar fazer uma escolha, subjectiva, daquilo que foi mais relevante. O 11 de Setembro e o terrorismo Islâmico, a eleição de Obama, a campanha pelo ambiente e nesta a forte componente mediática de Al Gore, a China e as restantes potências emergentes (Índia, Brasil, etc.), o Iraque, o Euro e o alargamento da União Europeia, a crise internacional dos últimos anos, entre tantos outros factos relevantes.

A ter de escolher um e apenas um, não posso deixar de sublinhar a força adquirida por um dos mais relevantes fenómenos da Era Digital: as Redes Sociais. Basta pensar num dado impressionante: o número de utilizadores das redes sociais na internet é de tal grandeza que, se todos habitassem no mesmo país, este seria o 3º mais populoso do planeta. O Myspace, o Facebook, o hi5, a blogosfera, o Orkut, o YouTube, o Twitter, o Flickr, o Second Life ou o Linkedln, fazem parte do quotidiano de milhões e milhões de pessoas, instituições e empresas. No caso português, somos o 3º país europeu com maior penetração das redes sociais (fonte: Comscore).

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Happy New Year, Feliz Ano Novo, 2010!

O ano está a terminar. Um ano e uma década que ficam para trás. Para mim foi um ano cheio e uma década activa.

Nasceu o Aventar e com ele regressei aos blogues colectivos, conheci outras pessoas e aprofundei a amizade com um dos seus mentores. Ao mesmo tempo, congelei o meu doutoramento e disse “adeus”, por uns tempos, ao jornalismo. Profissionalmente foi um ano intenso, inacreditavelmente enérgico. Um ano com três eleições, imensas inaugurações e outras tantas iniciativas de todo o género. O país, a Europa e o Mundo, sobretudo estes dois últimos, viveram uma das piores crises económicas da história e a pior para a minha geração. Quer dizer, Portugal em crise? Bem, nesta década foi sempre assim, de mal a pior. A minha região continua a bater recordes negativos para desespero de todos. O Douro continua a ser a excepção, crescendo a todos os níveis: económicos, turísticos e culturais. O Douro e o F.C. Porto, o grande vencedor da década (Taça UEFA, Champions League, Ligas, Taças de Portugal, Supertaças, Campeão do Mundo de Clubes, etc.). Nesta década nasceu a minha filha e neste ano começou, a sério, a sua vida escolar. Em termos musicais foi a década dos Sigur Rós; em termos culturais destaco o renascer do movimento cultural portuense cujo expoente máximo é, sem dúvida, a Miguel Bombarda e toda a zona envolvente. [Read more…]