Mata a Fome, Consome, Consome
Nao sei se alguém se lembra. Lista de virtudes do idos anos 90. Repórter Estrábico.
A rotativa do República (Memória descritiva)
Em Novembro de 1961, o dia de São Martinho calhou a um sábado. Com um numeroso grupo de colegas e amigos da RTP fui festejar a data para um restaurante dos arredores. Cozido à portuguesa, vinho tinto, castanhas assadas e água pé, pois claro. Ao meu lado sentou-se um jovem, uma meia dúzia de anos mais velho do que eu, mas com menos de trinta anos, trabalhava no Lumiar enquanto eu estava na sede, na rua de São Domingos à Lapa. Falámos durante todo o almoço. Chamava-se João. João Soares Louro.
Na altura era ele um simples funcionário, embora com uma categoria superior à minha, pois trabalhava na empresa desde a sua fundação. Brincámos com a semelhança do nome – Louro, Loures – naqueles tempos se queríamos saber como funcionava politicamente um desconhecido, íamos lançando uns balões sonda para o meio de conversas banais. Embora um dos «subversivos» que trabalhava comigo e o conhecia me tivesse logo tranquilizado sobre aquele colega. Seria tudo menos um bufo. E, antes de terminarmos as entradas, já percebêramos que estávamos do mesmo lado. [Read more…]
E que tal um fuck-off-ezinho?
“Term-shit, fuck-share, lick it, private attitude, mono-play, dollar greenfield, mafia chairman, life controller, core (hard), spitware, crooks-target, free-lunch-you pay”. Se o sr. Zeinal Bava tivesse utilizado estes termos, ninguém daria pela diferença. Em suma, a linguagem perfeita para ser entendida pelos senhores Balsemões, Sampaios, Pinas Mouras, Coelhos, Cavacos e respectivos aficionados. Portugalização? Qual? Fuck-off!
Freeport : há depósitos, cartas, mails, pagamentos…
Na Assembleia da República José Eduardo Moniz não só afirmou a sua convicção que Sócrates não poderia deixar de conhecer o negócio PT/TVI, como confirmou as constantes pressões políticas que sofreu enquanto Director-Geral da estação televisa e nisso envolveu Morais Sarmento do PSD.
Indicou mesmo o nome de vários jornalistas que teriam sofrido tais pressões e que ele, Moniz, foi pressionado para afastar vários jornalistas. Quando rebentou o escândalo Freeport tudo se tornou mais dificil, com as pressões a subirem de tom e as exigências de afastamento do “Jornal Nacional” das sextas feiras.
Ouvido durante mais de três horas na mais longa inquirição, Moniz não deixou os seus créditos por mãos alheias reafirmando o envolvimento do governo numa operação de controlo da comunicação social através do seu parceiro preferencial, os espanhóis da Prisa, que muito necessitados de dinheiro, se colocavam a jeito para prestarem favores políticos. Sócrates não se fez rogado!
José Eduardo Moniz reafirma o que Manuela Moura Guedes já tinha dito, há documentação na posse da TVI sobre o Freeport que não é publicado, exemplificando com cartas e mails entre os intervenientes, depósitos e a “pirâmide” dos pagamentos!
Drª. Cavaca, como é que se chama?
Ri-me sozinho, ontem à noite, enquanto assistia, na SIC Mulher, à cerimónia Mulher Activa do Ano. Uma prémio para o qual estava nomeada a nossa aventadora Maria Pinto Teixeira.
A certa altura, foi ao palco agradecer não sei o quê uma voluntária do Banco Alimentar. Imediatamente antes, discursara Maria Cavaco Silva, mulher do Presidente da República, que ficou por ali. A tal voluntária discursou e, na altura dos agradecimentos, quis referir a primeira-dama mas… tinha-se esquecido do nome dela.
– «Queria agradecer à Drª. …, ah, ah…»
E virou-se para trás, para a Cavaca, e perguntou-lhe alguma coisa que a câmara não captou. Deverá ter perguntado «Drª Cavaca, como é que se chama mesmo?», porque voltou a virar-se para a assistência e continuou:
– «Queria agradecer à Dr.ª Maria Cavaco Silva…»
Não há dúvidas de que foi um excelente momento de televisão. Um espectáculo perfeito, a que só faltou a vitória da nossa Maria Pinto Teixeira.
Moura Guedes: há documentos que incriminam Sócrates

Manuela Moura Guedes disse para quem a quis ouvir que há documentos que incriminam Sócrates e que a TVI não publica. A TVI vem dizer “que não há peças preparadas para serem publicadas”, o que não quer dizer que não haja peças.
É mais ou menos como dizer “não sei formalmente…” e a mentira abre caminho!
Entretanto o Vitorino anda sempre lá por perto.
Manuela Ferreira Leite confirma mentira de Sócrates
Com a confirmação por Manuela Ferreira Leite de que sabia do negócio PT/TVI, fica confirmado que Sócrates mentiu ao parlamento quando disse desconhecer o negócio. Se a chefe da oposição sabia porque foi informada pelos seus boys, o que levaria os boys de Sócrates a não informarem o chefe?
Protegê-lo? Mas a única maneira de proteger um primeiro ministro é informá-lo antes do que a qualquer outra pessoa! Ou já estamos naquela fase em que mergulhou Salazar que já não mandava nada ( o presidente do Concelho era Marcelo Caetano) e os íntimos faziam-lhe crer que sim, que continuava a ser o chefe da nação?
Do que não há dúvida nenhuma é que o negócio só não se fez porque alguem deu com a língua nos dentes antes de tempo e porque havia outras hipóteses como se viu com a entrada da Ongoing. E no que não há mesmo dúvidas nenhumas é que a Manuela Moura Guedes foi calada ( o tal jornalismo travestido de que falava Sócrates) e Moniz, bem indemnizado, saiu da TVI!
Contra factos não há argumentos salvo se o assunto for com Sócrates!
Entrevista a Sócrates – a cassete era do Cunhal?
O nosso país, pela mão dos socialistas nos últimos 12 anos, ocupa o lugar desastroso, de ser o mais pobre e o mais desigual. Sócrates compara com os países mais ricos e mais capazes, como se perder competitividade na Alemanha seja o mesmo que perder competitividade em Portugal, em termos de nível de vida das pessoas, de capacidade das empresas lutarem nos mercados…
A Face Oculta é uma prova que o Estado de Direito não funciona e quando aparece alguem a referir-se a “chefe” não é ele é outro que nem ele sabe quem é, isto apesar de os “escutados” serem todos seus amigos pessoais e seus compinchas no PS!
O aeroporto da Portela, que segundo doutos estudos iria crescer acima dos 6% em número de passageiros, desceu – 2.5 % o que quer dizer que está ao nível de 2007, nunca se percebendo porque iria tanta gente sempre procurar Lisboa, cada vez mais em turismo e negócios. Alguém vai ter que fechar aeroportos face ao “desvio” de tanta gente para Lisboa…
O TGV não é por ser rentável é para ficarmos ligados à Europa…e os boys não são boys são pessoas propostas pelos accionistas das empresas do estado e nomeados pelo governo que, por acaso, nomeia os boys do PS!
Nunca, mas nunca aprenderá nada!
Já alguém viu outro alguém correr atrás do prejuízo?
A coisa nasceu há já uns bons anos. Na rádio. Primeiro surgiu devagar, depois, como os coelhos, foi-se reproduzindo de forma rápida e imparável. Generalizou-se por muitos dos relatadores e comentadores futebolísticos das rádios, das nacionais às locais, passou a ocupar espaço no léxico dos narradores e comentadores de futebol das televisões e até chegou aos jornais, num contágio fulminante.
A frase é simples e até pode soar bem: “correr atrás do prejuízo”. Sim, todos sabemos o que pretende dizer. Mas, já agora, um esclarecimento: alguém no seu perfeito juízo corre atrás do prejuízo?
Já calculava que a resposta fosse não. Então e se deixassem de usar a frasezinha parva, hem?
Diana ganhou os Ídolos

Por causa de uma brincadeira interna no Aventar, gastei algum tempo, na última semana, a observar este fenómeno dos «Idolos», de algum modo muito semelhante ao finado «Chuva de Estrelas».
E agora que acabo de saber que Diana, uma das finalistas, venceu por uma margem folgada, questiono-me que ídolos são estes que a televisão «mastiga e deita fora» à medida das suas necessidades. Ídolos com pés de barro, que vencem os concursos porque as respectivas famílias ligam milhares de vezes para o número de valor acrescentado que a televisão disponibiliza. O Facebook, onde o grupo de Diana conseguiu ter mais de 90 mil seguidores, é elucidativo quanto à forma como estas vitórias são fabricadas.
A rapariga até tem uma boa voz, a questão não é essa. O problema é que, quando chegar à vida real, a luta vai ser a sério. E dessa vez, não vai haver família e amigos a comprar todos os discos que estiverem à venda.
ADENDA: Afinal não ganhou, o que vai dar ao mesmo. O que escrevi acima também encaixa perfeitamente no Filipe.
Diana ou Filipe – o «Sol» sabe quem vai ganhar os Ídolos

O «Sol» sabe, através de escutas feitas a funcionários de «call center», quem vai ganhar os «Idolos» no próximo Domingo. José António Saraiva e Felícia Cabrita já estão a preparar uma edição extra para amanhã.
Meus senhores: ganhe a Sofia, ganhe o Filipe, ganhe o raio que os parta. Mas ganhe alguém e acabem de vez com isso. Já não posso ouvir falar da porcaria dos «Ídolos». Foda-se!
Eh já agora, a família da Sofia podia parar de telefonar aos milhares para os «call center», porque ganhar assim não é justo. Como diz um dos seus familiares no Facebook, Tiago Mendes», «Famíla. Vou-me ausentar. Logo à tarde regresso. Mas não parem de votar, porque eu também não paro. 760 300 507.»
Se é que percebem o que eu estou a dizer…
Sócrates em 2004 : é um ataque à Liberdade!
Face às pressões do governo de Santana Lopes sobre a TVI para que calasse Marcelo Rebelo de Sousa, Sócrates, então chefe parlamentar do PS, classificou o assunto “como uma nódoa que o (a ele Santana) perseguirá toda a vida, uma nódoa na nossa democracia, um ataque à liberdade de expressão a que todos temos direito ” e que ” o primeiro ministro não se pode escudar no silêncio, deve explicações ao país…”
(ver vídeo a partir do minuto 3)
Ídolos, quem vai ganhar
Quem vai ganhar o Ídolos é a Diana. Pois eu acho que vai ganhar o Filipe. Eu cá acho que deviam ganhar os dois. E tu, quem achas que vai ganhar?
Oiço estas conversas na rua, nos cafés, na padaria, no barbeiro, em todo o lado. Será que o país anda todo assim? Ou será que, morando eu no Algarve e sendo uma as concorrentes algarvia, se trata de uma febre local? Seja como for, nesta pacatez própria do inverno, o Algarve – este Algarve onde vivo – parece ter sucumbido ao programa e andar suspenso até domingo. Paulo Rangel? – Esse também canta? Liberdade de expressão? – Uma canção é escolhida pelo júri, mas a outra é escolhida livremente pelos concorrentes. Mário Crespo? – Ah, mas antes de falar nisso, o primeiro-ministro disse ao director de programas da SIC que gosta muito dos Ídolos.
Num tempo em que os meios de comunicação são cada vez mais diversos, em que os canais de televisão existem às dezenas, um único programa de entretenimento congrega as preocupações de muitas pessoas, gera grupos de fãs, movimentos de apoio, argumentos a favor desta ou daquele, torna-se o centro de discussões populares, propõem-se medidas salomónicas para que ganhem os dois concorrentes. Fãs individuais entram nos blogues e fóruns virtuais e tentam convencer os outros a votar no seu favorito, as revistas cor-de-rosa fazem capas e aumentam tiragens.
Quem vai ganhar o Ídolos? A Diana? O Filipe? Quem ganha com isso – quem já ganhou – é a SIC e seu universo editorial. E tu, quem achas vai ganhar?
O Glorioso a cores
O Benfica tem um canal televisivo que não pode transmitir as imagens de jogos de futebol nacionais. Mas isso, numa actividade em que as imagens são o negócio, não é suficiente para travar a imaginação da águia!
Os jogos são relatados!
Dois repórteres a cores, gritam e gesticulam, apalpam os “pendentes”, limpam o nariz com as costas da mão, não acreditam que alguém os esteja a ver mas nada disso impede que o “ferrenho” esteja na sua casa, no seu canal…
Noutros canais o jogo está a dar em directo e a cores, com imagens, mas porra, é preciso aumentar as audiências no que é nosso, e aqui não ouvimos nem vemos os roubos dos árbitros, temos sempre razão, o campo está inclinado a nosso favor, e mesmo na derrota não perdemos…
Isto sim, é serviço público e isento!
Diana ou Filipe, vê quem ganhou os Ídolos

Foi hoje a última gala dos «Ídolos», um dos únicos programas da SIC que vai conseguindo dar audiências decentes ao canal de Pinto Balsemão. Não é um programa que costume ver, mas o Aventar gosta de estar actualizado sobre tudo o que passa na televisão portuguesa.
Não posso dizer que gosto do programa. Ao invés, acho aquela primeira parte profundamente detestável – aquela em que o júri achincalha e humiha todos os que se atrevem a concorrer. Quanto à parte final, tem pelo menos a vantagem de dar a conhecer boas vozes que andam pelo anonimato. Lembro-me, por exemplo, do Nuno Norte, que antes dos «Idolos» andava a cantar na rua de Cedofeita, no Porto, com a sua guitarra.
Quanto à edição deste ano, vi hoje pela primeira vez. Parece que andei a perder durante semanas a fio a lindíssima Cláudia Vieira, acompanhada por um puto com qualidade, o João Manzarra, vindo directamente desse verdadeiro laboratório de apresentadores que é o Curto-Circuito da SIC Radical.
E hoje, Diana ou Fiipe, pessoas que há uma hora atrás nem sabia que existiam, quem ganhou? Sinceramente não sei, mas ouvi dizer que a Diana estava à frente nas votações.
E agora que as escutas foram escutadas?
Todos tínhamos uma ideia acerca das escutas. Os juízes de Aveiro não podem ser uns atrasados dando-se ao rídiculo, diziam uns, não há nada, ou são ilegais, diziam outros.
E agora que sabemos? As escutas podem ser queimadas? O PGR e o Presidente do Supremo não têm que vir explicar o que não ouviram? Não ouviram as vozes a urdir um plano para “desactivar” informação jornalística incómoda? Vamos todos fazer de conta que não há nada? Que já houve um ministro da propaganda que fazia a “linhagem” do telejornal da RTP e, por isso, há que relativizar mais este tropeção democrático?
E o que acontece à imagem do primeiro ministro? E à sua credibilidade? São coisas sem importância para o país, para a credibilidade junto das instituições internacionais que nos podem ajudar a sair desta situação aflitiva?
Sócrates pode continuar como primeiro ministro? O Presidente não tem uma palavra a dizer? A Assembleia da República não pode propor a substituição de José Sócrates, por outro socialista? Tem a maioria oposicionista para o fazer!
O país, mesmo quem o defende, acredita em José Sócrates?
Após a publicação das escutas nada será como dantes, agora a questão passa a ser, quando?
Liberdade de expressão é monopólio de alguem?
É preciso saber o que é liberdade de expressão. Claro que é muito importante e faz parte da liberdade de expressão os jornais e outros meios da comunicação social terem liberdade para informar, dar opiniões, revelar casos que são do desconhecimento público. Mas alto lá, não acaba aí a liberdade de expressão.
Tão importante é a liberdade dos cidadãos, onde se enquadra a liberdade de expressão, nem mais nem menos que a dos jornalistas, aos quais não reconheço nenhum privilégio neste campo, bem pelo contrário, se há alguem que tem muitas culpas que a liberdade de expressão seja vista como uma quinta de maledicência são, justamente, os jornalistas.
Tal como Sócrates e o seu governo, o grande mal da comunicação social é terem um déficite de credibilidade, já todos vimos muita notícia encomendada, muito estrume travestido de jornalismo.Dá impressão que o jornalismo não é criticável porque têm um poder enorme por serem lidos e ouvidos por milhões de pessoas. Isso não lhes dá direitos nenhuns , só deveres, de reserva, de transparência, do contraditório, não acusarem pessoas que anos depois nunca foram acusadas de nada. A não ser assim metade do país andaria às voltas com a Justiça!
O que me faz ter vómitos quanto à personalidade do primeiro ministro é o mesmo que detecto nos jornalistas, o mesmo desprezo pelo país, pelos cidadãos, pela verdade, a verborreia ao sabor dos acontecimentos, a prepotência…
Mas se tiver que escolher entre um político eleito e um jornalista assalariado escolho o político, a este posso tirá-lo do lugar noutras eleições, posso ir para a rua gritar contra, mas em relação aos jornalistas nada posso fazer, só estar atento para apoiar os poucos jornalistas dignos desse nome!
Liberdade de expressão não é os jornalistas dizerem o que lhes metem nas mãos, andarem a conspirar ao estilo socrático, não fazerem o seu trabalho. Liberdade de expressão é cada um de nós dizer o que bem entende sem difamar, reconhecer o limite onde começa o direito dos outros.
Atiramo-nos a Sócrates porque ele e o seu governo querem limitar a nossa liberdade e apoiamos os jornalistas que querem fazer o mesmo? Os mesmos jornalistas que entregam a carteira no sindicato, vão para assessores de um qualquer governo e a seguir voltam para os jornais, campeões da liberdade de expressão?
Não, obrigado!
A hipocrisia de Cavaco (ainda a propósito de Rosa Lobato Faria)

Fiz ontem a evocação de Rosa Lobato Faria, uma grande senhora. Pouco tempo depois, sucediam-se as homenagens públicas. Entre as várias que ouvi, impressionou-me a hipocrisia do Presidente da República Cavaco Silva, ainda para mais exercida no momento da morte de uma pessoa.
Se bem se lembram, foi através de pressões directas ou indirectas que o Governo de Cavaco Silva conseguiu a suspensão, em 1987, do programa «Humor de Perdição», escrito por Rosa Lobato de Faria e interpretado por Herman José. Apenas porque ali se brincava com figuras históricas como Florbela Espanca ou Fernando Pessoa.
Na altura, Cavaco não a achava uma grande mulher. Pois, a memória é curta. Depois da morte, todos são grandes. Já não chateiam.
Telejornal
O gerente do café explica o funcionamento do mesmo aos clientes. O primeiro-ministro
diz que ganhou a batalha da governabilidade. O governo mantém o aeroporto e a alta velocidade. O ministro das Obras Públicas discursa. o “pivot” do Telejornal é sério e usa gravata. O primeiro-ministro garante que o aumento do défice não foi descontrolo. O país janta e vê o Telejornal. O presidente da Junta anda descontrolado e bate uma punheta. O gerente do café continua a explicar o funcionamento do mesmo. O Orçamento é bom para o país. O ministro das Finanças admite que se engana. A deputada do CDS é boa…para o país. O défice dispara. As agências de rating controlam. O Bloco de Esquerda é bom para o país. Os deputados do Bloco de Esquerda são sérios mas não usam gravata. O gerente do café gosta de Coca-Cola. O governo já aguentou 100 dias. As garrafas estão expostas. O gerente arrota teses de doutoramento acerca do funcionamento do café. O primeiro-ministro é sério e usa gravata. Além disso, nunca se enerva. O primeiro-ministro é bom…para o país. O Presidente da República é sério e usa gravata. O líder do CDS também. O primeiro-ministro dá dinheiro aos bebés. O primeiro-ministro quer casar com a Carochinha. O primeiro-ministro e todos os ministros são bons…para o país. O gerente analisa agora a problemática da cerveja. O Presidente da República é sério e não bebe cerveja. O PPM quer referendar a monarquia. O PPM é sério e usa gravata. A autarca corrupta não vai a julgamento. O Obama continua a pregar. O gerente do café também. Todos os homens do poder são sérios e usam gravata. O Presidente da República é sério, honesto e usa gravata. Uma bombista suícida detonou explosivos em cima dos peregrinos. O México continua cheio de pistoleiros. O Presidente da República é sério, honesto, usa gravata e quer a estabilidade do país. O Leixões defronta o Marítimo. O gerente do café já resolveu todos os problemas da Humanidade. A brasileira alapa o cu ao balcão. O poeta escreve o que vê, o que ouve e o que lhe vem à cabeça. O Presidente da República é sério, honesto, usa gravata, quer a estabilidade do país e não apanha bebedeiras. O primeiro-ministro é bom…para o país e também não apanha bebedeiras. O ministro das Finanças é sério, honesto e usa gravata. Todos os homens públicos são bons…por natureza. A televisão promove os “Ídolos”. Os “Ídolos” são sérios, honestos, querem a estabilidade do país mas não usam gravata. O presidente da Câmara é bom…para a cidade. O TGV mantém-se, apesar do aumento da dívida pública. A sabedoria do gerente do café faz o meu cérebro dar voltas. O poeta é bom…mas também é mau, não quer a estabilidade do país, apanha bebedeiras e não usa gravata. O Pesidente da República é sério, honesto, usa gravata, quer a estabilidade do país, não apanha bebedeiras e só percebe de finanças. O ministro das Finanças é bom…para o país. O Presidente da República, o primeiro-ministro, o ministro das Finanças, todos os ministros, a oposição, o Orçamento, o presidente da Câmara, o presidente da Junta, o “pivot” do telejornal, o Leixões, os “Ídolos”, os pistoleiros mexicanos, a bombista suícida, os empresários dos carrosséis, o CDS, o PPM, o Bloco de Esquerda e o gerente do café são bons…para o país. A Beyoncé mostra as mamas. A Beyoncé é boa…para o país.
ANTÓNIO PEDRO RIBEIRO, Candidato à Presidência da República
A "opinião pública" de dois ou três zangados convivas

Os habituais fazedores daquilo a que abusivamente se chama opinião pública, desesperam no final de cada verão que como é regra, sempre foi a estação em notícias capazes de atrair um mínimo de atenção. Passada a fase seca, os frios que sopram do norte e do leste, fazem recrudescer o manancial para o espectáculo do entretenimento.
De facto, não existe em Portugal, uma opinião pública tal como a conhecemos em alguns grandes centros urbanos na Europa ou nos Estados Unidos. No nosso país, essa opinativa actividade, é reservada a uma dúzia de participantes no jogo político que aparentemente criticam. Os habituais amigos, filhos, primos ou amantes de “personalidades de relevo”, entram-nos em casa todos os dias, perturbam-nos a digestão e obrigam os telespectadores à maçada muito pequeno burguesa do zapping, na esperança de uma fuga às pequenas misérias que pelo passe prestidigitador desses opinion makers – é assim que se reconhecem e se comunicam, sempre em inglês -, sobem às alturas e transcendências dos outstanding events ou breaking news.
A sensualidade
Uma das mulheres mais sensuais cá do burgo é a Marta Crawford. É bonita, tem uns olhos inteligentes e uma cabeleira que não controla, mas a sua característica especial, muito pessoal, é o seu discurso e a vivacidade com que o faz.
Fala dos problemas sexuais e de relacionamento sexual (o que não é a mesma coisa) e quando não encontra a palavra certa ajuda com uns gestos bem demonstrativos, o que me vira do avessso. Tudo com um meio sorriso, entre o profissional e a candura de uma mulher que sabe que está a pisar o risco.
Recebe uns telefonemas de expectadores que estão, evidentemente, em êxtase, tal como eu, e falar com ela é uma forma de lhe tocar ( normalmente as perguntas são mesmo para encher…) e depois, aparecem umas mulheres que querem embarcar naquela fluidez e desembaraço, que nunca terão, sobre um assunto de que a maioria, nem sequer fala com o companheiro, quanto mais falar em público.
Cumplicidades…
Bem, no outro dia, vi-a a almoçar ali na Guerra Junqueiro ( a av. mais cosmopolita do primeiro mundo…) os olhos verdes fugidios conscientes que são populares e reconhecidos, coisa que levanta o ego mas que tambem se pode tornar num embaraço. Está naquela idade em que as mulheres se tornam irresistíveis, há ali uma beleza que passa por cima do Inverno e junta a Primavera com o Outono, numa mistura de cores dignas da palete de um pintor.
Agora já posso morrer descansado, como o viajante que chega ao cimo da montanha, já vi o vale de todas as promessas, muitas delas morreram porque só vivem se as mantivermos no limbo da imaginação…
Ao voto cidadãos
Neto e Falâncio no Festival da Canção
Homens da Luta – Luta Assim Não Dá
Eu já votei. Está à espera de quê?
As tardes da tia Júlia
O título é apenas um pretexto para vos dizer que vou em negócios a Angola em Fevereiro. Mas tive que ir a um hospital levar umas “picas” e, enquanto esperava, fui vendo a TVI, mesmo que não quizesse não havia mais nada para fazer e, além disso, quem é que aguenta os gritos estridentes da Júlia?
A Júlia arranja sempre uns ” indigentes mentais” que vão para ali contar histórias de fazer chorar a calçada, ter os seus quinze minutos de fama. Mas eu tenho pena das pessoas, a maioria são umas pobres, vão para ali fazer o programa a quem ganha muito com isso, sem perceber que estão a ser usadas.
Mas tambem aparecem umas “tias” a contar umas histórias de grandes amores e desamores, hoje era uma ao telefone a contar que tinha morrido com uma grande paixão, por amor, dizia ela, enquanto a estridente Júlia enchia o ambiente com os seus risos e ditos sem nexo, entre o gozo e o divertido.
Fui chamado para a “pica” contra a “amarela” o que me deixou da mesma cor , amarelo “Pombalino”, que é uma cor que faz rir muito as senhoras enfermeiras, enquanto me mandam tirar a camisa para me darem uma injeção no braço, ainda hei-de perceber como é que o meu braço chega à barriga e aos “rinholes”…
Bem, enquanto esperava pelo certificado que atesta que estou protegido da “amarela”, comecei a pensar como é que um gajo se protege de uma televisão que usa as pessoas e as põe a fazer de imbecil. Uma forma é ir para Angola, outra ir para o ” campo com lobos” sem luz e outra é desligar o televisor, que é o que eu faço. Mas isso não faz desaparecer a verdadeira questão que é haver quem se utilize da “candura” de outros e outras.
Em programas televisivos norte-americanos já vi bem pior, com os dólares a acenar, jovens e gente adulta a fazer declarações sobre a sua vida privada que me deixa estarrecido!
Por acaso eu aprendi depressa, quando cheguei ao local da reportagem é que descobri que tinha o bairro todo contra mim, eu era o gajo que atirava com o fumo da chaminé do hospital para cima da roupa a secar às janelas e nas varandas e, segundo a “tia” de serviço, bastava haver boa vontade da minha parte.
Enfim, fiz figura de besta e imbecil tudo no mesmo programa!
PS: podem começar a fazer sugestões sobre “souvenires” a trazer de Angola. Nada de diamantes nem petróleo e muito menos uma jibóia juvenil…
O Haiti visto pela tv
Como tenho a vontade de ver televisão desligada não tenho visto o Haiti. O Luís Januário viu:
Lost (Perdidos) em oito minutos
Lost (Perdidos) é uma das minhas séries de televisão preferidas. É claro que, depois de uma excepcional primeira temporada, reunindo do melhor que já se fez em televisão, entrou numa certa deriva esotérica e de intrincados mistérios.
Cada episódio trazia mais perguntas que as respostas que proporcionava. Às vezes chegava a irritar a ponto de quase nos deixarmos perder no enredo e ponto de quase a deixarmos. Mas quando isso estava para acontecer, como por magia, lá recuperava o fulgor e regressava ao essencial: as teias de complexas relações humanas.
Lost regressa aos ecrãs da televisão nos EUA no início do próximo mês. Em Portugal deve demorar um pouco mais.
Ora, após uma longa pausa de cerca de meio ano, esta parece a altura exacta para recordarmos o essencial que passou. Em oito minutos.
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Explicações presidenciais
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Todos concordamos na imperiosa necessidade de Portugal regressar a um espaço económico que durante largas décadas proporcionou a viabilidade de indústrias, garantiu o comércio, dinamizou a marinha mercante. O antigo Ultramar, onde o Brasil se torna cada vez mais numa garantia de crescimento para os investidores, é a única alternativa à completa absorção portuguesa pela Espanha. A insignificância dos nossos números e possibilidades no quadro europeu, implica encarar as realidades, não como uma fatalidade, mas como a oportunidade para prolongar a manutenção da autonomia política.
O caso angolano inclui-se neste necessário regresso ao Sul. Ninguém contesta os benefícios mútuos que são possíveis pela cooperação entre empresas, servindo os Estados para o necessário apoio legal e por vezes, financeiro. No entanto, surgem situações que são obscuras e de difícil compreensão por parte da maioria dos contribuintes portugueses. O recente “investimento de milhões” na Zon, carece do pleno esclarecimento da situação. Isabel dos Santos não é uma instituição bancária ou o nome de um país situado nos trópicos. É tão só, a filha do presidente de Angola. Nem sequer sendo necessário averiguar a proveniência de fundos aparentemente disponibilizados para uma operação daquela envergadura – conhecendo-se a politicamente normal permeabilidade entre bens pessoais dos chefes africanos e aqueles que pertencem ao Estado -, surgem algumas interrogações.









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