Mario Draghi, um homem da Goldman Sachs, logo acima de qualquer suspeita

Em termos de currículo, nada há, contudo, a apontar a Mario Draghi.

Escreve hoje no Público Ana Rita Faria. Há lá agora alguma coisa a apontar ao novo presidente do BCE. Conhecido por Super Mario vai agora trabalhar com Vítor Constâncio, o Super Ceguinho.

. Entre 2002 e 2005 esteve na Goldman Sachs, sendo vice-presidente da sua filial europeia. Não estava lá quando antes disso a mesma Goldman Sachs auxiliou a Grécia a aldrabar as suas contas para poder entrar no euro, mas assinou um artigo com Robert C. Merton, onde se justificava o recurso a este tipo de práticas legais. E consta que andou a vender as mesmas falcatruas enquanto lá esteve. Tudo legal, é claro, dizem os mercados.

O facto de a relação de Mario Draghi com a Goldman Sachs se ter iniciado em 1990 quando “facilitou” a entrada da empresa nos processos de privatização italianos, não é de estranhar já que passava férias com um dos seus dirigentes.

Nada a apontar, portanto. Mario Draghi  é um trafulha à altura do BCE. Estamos entregues à bicharada e a jornalistas ceguinhos de todo. Belmiro manda.

Já agora: além do BCE a  Goldman Sachs tem homens seus à frente do Banco Munical e do Banco Central do Canadá, sendo representada no governo português pelo impagável Carlos Moedas. Vivemos em democracia, é claro, infelizmente não elegemos os bancos.

(informações recolhidas no Le Monde)

É exactamente ao contrário

Carlos Costa, governador do Banco de Portugal, afirmou ontem que “os técnicos do Banco de Portugal trabalham no Banco Central Europeu (BCE) e são altamente reconhecidos no BCE“.

Falando do BdP convém relembrar que estas instituição perdeu a maior parte das suas funções com a entrada no euro, e não emagreceu o seu quadro de pessoal, nem como é óbvio o vai fazer agora.

E quanto à afirmação de Carlos Costa, é exactamente ao contrário: serem reconhecido pelo BCE como competentes é a prova mais próxima da incompetência do BCE, à vista de todos na crise actual. A nomeação de Vítor Constâncio para vice do BCE seria uma anedota, não fosse um drama. Se os homens que deixaram chegar o BPN e o BPP onde chegaram e passaram anos a falhar previsões económicas são exemplo, só pela incompetência.

Excepto numa coisa: Constâncio era o terceiro governador de um banco central mais bem pago do mundo. Suponho que Carlos Costa não lhe fique atrás.

Mil Milhões para os Bancos

Os bancos já têm garantidos mil milhões até ao fim do mês. Se os políticos que temos estivessem interessados em ter uma campanha eleitoral para informar os cidadãos, então este seria seguramente um dos pontos em discussão – dadas as circunstâncias, talvez o único ponto em discussão. Em vez disso perderam-se em agitar bandeirinhas, pequenos insultos, chicanas políticas e outros jogos de crianças, tratando o cidadão eleitor como débil mental. O PS/D + PP tentou a todo o custo iludir esta questão. Afinal que interessa para umas eleições a política económica e social dos próximos anos? – Para os políticos, absolutamente nada.

Assim, porquê tanta pressa em disponibilizar o dinheiro aos bancos? – que ainda há pouco diziam estar perfeitamente capitalizados. – O motivo é simples, os bancos portugueses estão falidos, e não sou eu quem o diz, é o próprio governo. Se lerem o Memorando de Políticas Económicas e Financeiras, ontem divulgado pelo FMI, mas que já era do conhecimento público há muito tempo, poderão ler:

 

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3 décadas, 3 x bancarrota, 3 x FMI

Além do rasgar de toda a mentirosa  propaganda impingida ao longo de tantos anos – duas gerações de incompetência do PS, PSD e CDS, PC e BE à parte, porque ensimesmam-se num regime de Apatheid – e já conhecido o pretenso “acordo” que nos espera e que há muito tempo o país espera, apenas há para recordar, a impiedosa resposta de um dos três Regentes, quando questionado acerca da “necessária” assinatura do Presidente da República, lapidarmente respondeu:

 – “Temos o acordo e o compromisso das principais forças políticas partidárias”.

 Ficou assim bem visível a inutilidade do regime imposto em 1910.

Vai anunciar que se vai demitir…

ups, isso já ele fez.

 

o pecador calimero

(imagem republicada)

As perversas receitas da troika

Ainda recentemente,  9 de Abril, Stiglitz escrevia aqui o seguinte:

Com efeito, o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Central Europeu (BCE) estão exigindo por norma a trabalhadores irlandeses e aos cidadãos a suportar o fardo de erros que foram cometidos pelos mercados financeiros internacionais. Mas é importante reconhecer que estes erros sejam, pelo menos em parte, atribuíveis à sequência da desregulamentação e das políticas de liberalização que foram defendidas pelo FMI e pelo BCE e que estas políticas proporcionaram benefícios significativos para o sector financeiro.

Sem esquecer, deixemos, por instantes, as cedências à direita de Sócrates (código do trabalho, isenção de tributação fiscal de mais-valias avultadas e privatizações em sectores estratégicos), assim como as propostas neoliberais de Coelho (redução ao mínimo do Estado Social). Olhemos o longíquo horizonte, do mundo e dos poderes dominantes. Só por incapacidade visual ou falsa fé, é concebível aceitar que este género de receitas, também divulgadas aqui (embora rapidamente desmentidas desta forma: Governo
diz que FMI não propôs trocar subsídios por certificados
),  não são sejam perversas e duras para a economia portuguesa.

Talvez fosse escusado salientar que os significativos efeitos da quebra de rendimentos do funcionalismo público, mediante a conversão do pagamento de Subsídios de Natal e de Férias em  certificados de aforro ou títulos do tesouro, se repercutirão muito negativamente no consumo privado. Com a inevitável intensificação de falências no comércio e pequena indústria, bem como a consequente quebra de receitas do Estado em  encargos sociais, impostos directos e indirectos.

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Falar com agiotas? Nunca!

O BE e o PCP resolveram não brincar. Patrioticamente, não falam com agiotas, tal como miúdos que fazem uma birra. Dizem que só faz falta que está e acrescento que não vejo em que medida podem os interesses dos portugueses virem a ser defendidos por quem decide colocar-se de fora. Eu sei que o cheiro a eleições manda mais forte do que a racionalidade mas, neste caso, nem me parece que estes partidos venham a facturar votos com esta atitude. Demissionários já temos que baste.

Os troca-tintas e a troika-tintas

Em adição aos troca-tintas internos – por culpa de alguns destes, diga-se –  outros de fora vêm ao nosso encontro com idêntico ímpeto. É o caso, por exemplo,  de Olli Rhen, comissário europeu, e de Dominique Strauss-Khan, director-geral do FMI, ao pronunciarem-se sobre a ‘ajuda externa a Portugal’. Quase em simultâneo, Rhen afirma: “Apoio deve estar concluído nas próximas semanas””; Strauss-Khan, por sua vez, garante: “Não vai ser rápido, nem fácil”.

Afinal em que  ficamos? A pergunta é legítima.  Talvez fosse útil esclarecer junto do terceiro comandante da troika, o Sr. Trichet do BCE. Ou talvez não; correríamos o risco de levar com uma resposta do tipo: “Não vai ser lento nem rápido, nem fácil, nem concluído”.

Quanto aos homens de terreno da troika, lá andam por Lisboa. A ver documentos, contas e broncas  armazenados em computadores. Que se saiba, já chegaram à brilhante conclusão de que as casas em Portugal devem ficar mais caras, porque 76% dos portugueses vivem em casa própria. Como não tivemos bolha imobiliária – por enquanto – há que providenciar o seu enchimento artificial e promover o mercado de arrendamento. [Read more…]

Podemos ir para default (bancarrota) e islandarmos-nos?

Três economistas convidados pelo Expresso respondem a algumas questões, incluindo se irmos para bancarrota (decidir-se não pagar aos credores) é ou não uma opção.

A troika quer tornar Portugal um exemplo

DESTAQUES

“Dadas as condições a que chegámos nos últimos meses, o pedido de auxílio foi a solução mais adequada. Um default – total ou parcial – seria impensável nos dias de hoje.” (Nuno Fernandes)

“Enquanto estivermos dentro da União Económica e Monetária temos de fazer o que a União quer.” (Nuno Garoupa)

“O modelo de default de 1892 não é muito abonatório para solucionar os nossos problemas atuais. Isto não quer dizer que não vai haver reestruturação ou renegociação das nossas dívidas. Sinceramente, acho que há uma grande probabilidade que tal venha a acontecer.” (Álvaro Santos Pereira)

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Nas mãos dos ‘filhos das jotas’, é bué Fitch!

A pedagogia é um bem precioso. No meu caso, aprendi e viciei-me na metáfora (ou metonímia?) ‘partidos do arco do poder’. Não a dispenso. De uma assentada, refiro-me ao CDS, PS e PSD e toda a gente entende.

Aplicada a demais componentes dos aparelhos partidários, a metáfora é muito útil. Um outro exemplo é a expressão ‘os filhos das jotas’ – José Sócrates, Paulo Portas e Pedro Passos Coelho, uma vez que passaram os três pela JSD, até poderiam ser designados por ‘filhos da jota’. Mas apenas o último permaneceu fiel às origens e optemos pelo plural.

Nas ‘jotas’, os mais destemidos e arrasadores da concorrência vencem. Não é por mero acaso que  os três dirigem os famigerados ‘partidos do arco de poder’ e, mais precisamente, um deles (des)governa o País da maneira que sentimos; os outros dois preparam-se para lhe suceder em próximas eleições, sem sabermos o que (nos) farão.

Em síntese, como os partidos do poder arqueado, Portugal está nas mãos dos ditos ‘filhos das jotas’. Bué Fitch! Então não é? Caíram para níveis muito baixos as notações de ‘rating’ a seis bancos portugueses, três deles com ‘BB’ equivalente a “lixo”. Bué Fitch mesmo pá!

Como nem sequer lhes interessa saber o que dizia Nouriel Roubini (e outros) há meses, concentram-se em debates, entrevistas e falatórios. Os pífios discursos também abundam. Entretanto, o País vai-se degradando às mãos de um obstinado prepotente e no vácuo das tiradas inconsequentes dos outros dois “jota-descendentes”.

Com a anunciada subida da taxa de juro de referência do BCE, a Irlanda já teme ficar mais debilitada. Os nossos jovens políticos  do arco desvalorizam  essas coisas – carreirismo é a força propulsora dos ‘loopings’ que vão executando nesse maldito arco, o arco do poder.

Demitiu-se

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Título: Portugal sob pressão
Título 1º gráfico: juros da dívida pública a 10 anos
Título 2º gráfico: aumento do risco associado à dívida pública (spreads em relação às dívidas públicas a 10 anos)
Fonte: Frankfurter Allgemeine Zeitung (tradução do Google)

O discurso de Sócrates em resumo:

«Bla bla bla bla bla está tudo a correr bem bla bla bla bla o défice de 2010 não vai ser nada 10% do PIB bla bla bla bla este PEC não veio ditado pela Merkel bla bla bla bla.

Bla bla bla este PEC não precisava de ir a votação bla bla bla e não foi a votação para forçar a queda bla bla bla contem comigo para trazer mais do mesmo bla bla bla bla.

Eu quero o melhor para o País. E o País sou eu.»

Umas notas a ter em conta:

  • desde Maio 2010, o BCE já comprou cerca de 77.5 mil milhões de euros da dívida portuguesa
  • para todos os efeitos, a ajuda externa já cá está há quase um ano
  • apesar do fogo de artifício sobre o “bom” desempenho dos primeiros dois meses, afinal no fim de Março nem um tostão sobrará

E viva Espanha

A notícia de que para evitar efeitos bola de neve o BCE pode vir a ajudar Portugal e a Irlanda (e bastaria que em vez de emprestar a 1% aos bancos portugueses que depois nos roubam a 7%, o fizesse directamente) pode ser uma boa notícia. Má j+á começa a ser difícil.

É fantástico como com os 3 leitões os alemães brincam, gozam, vendem submarinos e depois acusam o despesismo de quem os compra.

Quando a seguir estão porcos mais anafados, a Espanha e na sombra a Itália, ai jesus que lá vou eu. Fala-se em perda de soberania, mas não percebo como se pode perder o que já há muito não se tem.

É a construção europeia à imagem da suinicultura. Uma pocilga.

FMI prevê a falência de Portugal

As notícias para Portugal não poderiam ser mais negativas e preocupantes. O ‘Económico’, por exemplo, apresenta o seguinte título:

FMI aponta falência “quase certa” de Portugal

Económico  
05/11/10 09:21

Reconhece o FMI que Portugal está ser empurrado para o abismo pelos mercados – sempre os tais mercados – onde operam investidores e especuladores. No caso concreto, não consigo descortinar o que distingue os primeiros dos segundos. Os resultados para o país, vindo de uns ou de outros, não são exactamente os mesmos? Ou seja: os juros da dívida pública a subir em flecha, atingindo 6,715% ao princípio desta manhã.

O FMI até reconhece que as medidas introduzidas no orçamento são significativas, dando a ideia de ser incoerente a reacção dos mercados. Eu tenho opinião diferente: a incoerência é da União Europeia e do BCE, sob a batuta da Sra. Merkel e do Sr. Sarkozi, que impedem a intervenção directa do banco central do ‘euro’ no auxílio à dívida pública de países em dificuldade. Mas também há responsabilidades do FMI que, não agindo, é cúmplice da espúria intervenção dos tais investidores. Ao invés, encoraja. Sim encoraja, porque sabendo da inevitabilidade de  Portugal ter de recorrer ao ‘Fundo de Emergência Europeu’ e ao FMI, os tais investidores e especuladores estão certos de ser reembolsados com o benefício de juros elevados. É a conhecida prática da agiotagem.

Por tudo isto e toda a série de desgraças que por aí vêm, aproveito para expressar cínicos, sinceramente cínicos, agradecimentos, em particular, ao Prof. Cavaco Silva, ao Eng.º António Guterres, ao Dr. Durão Barroso e ao Engenheiro Técnico José Sócrates. O processo da degradação da situação económica e financeira de Portugal desenvolveu-se ao longo de quase 4 décadas. Obrigado, pois, pelas obras de fachada: CCB, Expo98, Mercados Abastecedores, 10 Estádios de Futebol, cerca de 3.000 km de auto-estradas e por aí fora. Obrigado por tudo isto e ainda pelo enriquecimento de ex-governantes: Armando Vara, Jorge Coelho, Dias Loureiro, Arlindo de Carvalho, Oliveira e Costa, Mira Amaral e não sei quantos mais. Obrigado por toda esta trampa. O povo, o bom povo por vós amestrado, já começou a pagar a conta da vossa irresponsabilidade e incompetência. Que se vai agravar. Mas esse bom povo também tem que vos repudiar, em vez de eleger.    

O albergue Banco de Portugal protegido pelo BCE

Observo a primeira página do ‘Expresso’. Sinceramente não é a declaração de Cavaco Silva:

Sinto tristeza com a situação que vivemos

que me sensibiliza. Talvez tenha sentido vontade de substituir “tristeza” por “vergonha”, em função das políticas do consulado cavaquista causadoras da desindustrialização do país, do abate de unidades da frota pesqueira, do dizimar da agricultura e da frota da marinha mercante.

Da referida página, o que mais me perturba é o título da notícia tratada como secundária:

BCE não deixa cortar salários no Banco de Portugal

Do texto, infere-se que o Governo português ainda não consultou o BCE sobre o corte de salários do Estado e que, por norma, o dito BCE impede esse corte em situações semelhantes.

Por imposição da imaculada Merkel, sabe-se que o BCE, ao contrário do FED, está impedido de emitir obrigações de dívida pública para valer a países da ‘zona euro’ com dificuldades. Agora, dá-se conta de mais esta ingerência conducente a dispêndio de dinheiros públicos de um estado-membro do ‘Euro’. Ingerência, no mínimo, ignominiosa para os cidadãos portugueses, em particular para as centenas de milhares de funcionários públicos, beneficiários de prestações sociais e trabalhadores dependentes e independentes coagidos à redução dos respectivos rendimentos; seja por redução de salários e prestações sociais, seja pelo aumento da carga fiscal sobre o que lhes restará.

O Banco de Portugal, é necessário dizê-lo bem alto, tem-se constituído no albergue que já denunciámos aqui; mas atenção, não se confina a ilustres nomes conhecidos na praça pública. Os benefícios de tal albergue são usufruto da maioria de mais de 2.000 funcionários e, pelos vistos, permanecerão intocáveis e pagos com os parcos recursos da maioria dos portugueses.

Trichet, Constâncio & Cia. voltam a revelar a falta de sentido de justiça e de equidade. O actual governador, Carlos Costa, com os apelos à contenção salarial, afina pelo mesmo diapasão. Oxalá, um dia, toda esta gente se…trinche.

Os bancos que paguem a crise

1, 2 , 3, uma elegia à arte do carteirista, um hino às subtilezas do gamanço.

Infografia do Expresso