O Banco Central Europeu

incentivou o governo cipriota a fornecer liquidez ao BES lá do sítio. O resultado foi o que se viu…

Apagar fogos com combustível…

Várias vezes aqui tenho criticado a intervenção do Estado na economia. Esta funciona quando o Estado se remete ao papel de legislador, permitindo que o mercado funcione, deixando aos Tribunais o papel de corrigir eventuais erros ou punir os prevaricadores. Desafiado há dias pelo João Mendes a emitir opinião sobre a Reserva Federal, sobre esta digo que é um banco central, braço governamental que tudo distorce, funcionando ao serviço de políticos e empresas privilegiadas, ou seja as que financiam campanhas ou mantêm alguma proximidade com os corredores do poder. Não existem almoços grátis e há sempre algum retorno do investimento. [Read more…]

Afinal não foi um pedido de resgate

Foi chantagem.

«Se a Europa deu consigo a criar uma moeda sem Estado em 1992

(…) foi porque esta resolução internacional foi concebida (…) no momento em que se pensava qe os bancos centrais tinham por única função a de ver passar os comboios (…). Foi assim que criámos uma moeda sem Estado e um banco central sem Governo. (…)» Thomas Piketty, O capital no século XXI

Enquanto a Europa definha, os dividendos aumentam

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© Jacques Demarthon

Uma parte importante dos recursos públicos destinados aos cuidados em saúde, à educação, à criação e fruição cultural, enfim, ao desenvolvimento numa perspectiva larga e de longo termo, foram já subtraídos aos orçamentos dos Estados como consequência de decisões políticas que privilegiam outras prioridades – mesmo se anunciadas em nome de pacotes reformistas ou do «rigor orçamental». É certo que as Constituições ainda asseguram, mesmo se nessa letra pequena de lei que a actual classe de governantes tem relutância em ler, os princípios democráticos que servem uma ideia de sociedade em que a desigualdade extrema não cabe – mas também que as leis fundamentais perderam relevância no quadro das actuais políticas dos Governos, ligados entre si pelos contextos obscuros de uma economia global cujos primeiros grandes embates justamente sofremos por estes dias.

A desigualdade atinge em 2014 níveis jamais sonhados pelas gerações nascidas na Europa e na América depois das guerras do século XX. Por todas estas razões, é sempre bom ir tendo notícias do paradeiro da riqueza que ainda ontem servia a vida de muitos mais, designadamente sob a forma de direitos adquiridos por contrato social, mais do que hoje empenhado na qualidade da vida e na mobilidade social dos cidadãos. Em França, um índice recentemente publicado por uma empresa de gestão de activos chamada Henderson Global Investors (HGI) acaba de revelar o aumento exponencial dos dividendos pagos pelas grandes empresas aos seus accionistas. Incidindo no segundo trimestre do ano, o referido índice dos melhores retornos mundiais em dividendos emergiu no espaço mediático francês no exacto momento em que as ajudas públicas às empresas privadas (em nome da retoma económica e da criação de emprego) atingiram um patamar de investimento jamais conhecido.

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INE – a triagem da informação publicitada

Os jornais, ‘Público’ e ‘Jornal de Negócios’ por exemplo, divulgaram a informação do INE de que o indicador de ‘actividade económica’ atingiu o máximo desde Abril de 2011.

A notícia é positiva. Todavia, impõe-se fazer um juízo rigoroso. Comecemos por lembrar o conceito de ‘actividade económica’:

A expressão Actividade Económica designa o conjunto de relacionamentos e de tarefas realizadas pelos diferentes agentes económicos com vista à obtenção dos bens necessários à satisfação das suas necessidades através da utilização racional e eficiente dos recursos produtivos disponíveis. Neste conceito de actividade económica estão incluídas actividades como a produção (incluindo a transformação, a distribuição e a prestação de serviços), o consumo, a regulamentação, a repartição do rendimento, a exportação, a importação, entre outras.

Teoricamente e como se prova no documento ‘Comportamento Conjuntural da Economia’, acessível através do Google, o próprio INE não se afasta do conceito descrito. [Read more…]

Sétima Revisão da Troika: documentos traduzidos para português

Introdução

AVISO: Este trabalho ainda não foi revisto. Penso no entanto que é importante este material estar o mais cedo possível disponível para discussão. Agradeço que deixem um comentário caso encontrem gralhas ou omissões.

Esta é a tradução dos documentos publicados pelo FMI no dia 12 de Junho (PDF). Como é normal, tanto para este governo como para o anterior, a tradução destes documentos para português parece não ser considerada urgente. A menos que, naturalmente, haja alguma pressão dos meios de comunicação social. A página do governo onde se encontram os documentos das sucessivas revisões da Troika contém traduções para os memorandos relevantes, infelizmente essas traduções costumam aparecer três a cinco meses depois de serem publicados os originais, ou seja quando já não são necessários, quando são irrelevantes.

Assim, mais uma vez, a tradução destes documentos recai sobre os ombros dos próprios cidadãos. Estes documentos são talvez mais importantes que o próprio Orçamento de Estado dado que são eles que, em última análise, ditam as políticas, estabelecem os objectivos e, de uma forma geral, norteiam a acção dos governos.

Do comunicado à imprensa do FMI, podemos ler: [Read more…]

Actualização: onde pára o dinheiro que nos roubam

BPN: 8.3;  buraco da Madeira: 6.3;  comissões do empréstimo da tríade para BCE e banca nacional:  2.3; escândalo dos Swaps : até 3; PPP e submarinos: nós não sabemos! Mais de 19.9 mil milhões de euros.

BCE deve devolver lucro…

feito com a dívida portuguesa (1%), diz Seguro. E os lucros feitos pelos amigos da banca portuguesa (1% a 2%) são para esquecer?

Zona Euro, o frenético desatino

Por imperativos de ordem familiar, mas profissionais, lembro-me do relato de comportamentos de doentes mentais hospitalizados. Um dos que me ocorre é o desassossego intenso e colectivo, despoletado subitamente por um único dos internados – na altura seriam no mínimo 40, por enfermaria.

Toda aquela gente é atacada por violenta perturbação. Os incidentes fundavam-se, é evidente, em razões patológicas mentais: o grupo era, pois, atormentado a partir de um pesadelo, de alguém que gritava, gesticulava, ofendia e chegava a agredir os companheiros, incluindo os enfermeiros e outros profissionais.

Tudo isto vem a propósito das declarações de Jeroen Dijsselbloem, novo presidente do Eurogrupo, ao assegurar que ‘o modelo aplicado em Chipre de confisco de 30 a 40% de depósitos acima dos 100.000 se tornará regra para outros países com bancos em situações semelhantes’ – a D. Merkel para escaldar a polémica, e em clara defesa dos investidores alemães, valeu-se do argumento de falsa solidariedade com os contribuintes… enfim, disparates e desconchavadas justificações mal sintonizadas. [Read more…]

Chipre só desobedeceu a Merkel

Cyprus parliament rejects the proposed tax on bank depositsA fotografia de Merkel ‘hitlerizada’ é já um ícone.

Agora foi a prestigiada revista alemã ‘Der Spiegel’ que a publicou, para ilustrar o artigo Chipre Der Spiegel de 20-03-2013.

Uma primeira ideia que me ocorre relaciona-se com os apoiantes de Merkel, na blogosfera ou fora dela, que colocam sistematicamente em causa qualquer crítica e autor, pouco ousado que seja, capaz de censurar a autoritária chanceler.

Essa gente, cingida ao trivial da comunicação portuguesa e respectivos estereótipos, por muito respeito que parte dos profissionais me mereçam, se quisessem ter-se-iam apercebido há imenso tempo que, de facto, quem  dá ordens e põe os órgãos da UE ou da Zona Euro a funcionar ou paralisados é a filha do pastor luterano alemão. E nem sequer ponho de lado que, tais apoiantes, no íntimo guardem a verdade que não exprimem.

A reunião e a deliberação do Euro Grupo, onde estiveram envolvidos Gaspar e outros ‘office boys’ comandados pelo lugar-tenente Schäuble, a refulgente Lagarde (FMI), o alemão Asmussen (BCE) e o comediante Rhen, constituíram uma peça (ou cagada?) em três actos, escrita, encenada e coreografada por Merkel. [Read more…]

Chipre: a russa Gazprom pode substituir a UE

Da União Europeia, demonstrado à exaustão, sobra uma instituição destroçada, se é que algumas vezes existiu em estado saudável. Segundo os ideais de entusiastas impulsionadores da agregação iniciada com a CECA – Comunidade Europeia do Carvão e do Aço,  os franceses Schuman e Monet, os princípios e objectivos começaram por ser económicos (o carvão alemão + o aço francês). Com um manancial de tratados, inconsequentes e/ou desrespeitados, e uma moeda, euro, que apenas 17/27 adoptaram, a UE foi-se dilatando, estendendo-se da fria e fleumática Suécia ao cálido e temperamental Chipre.

No fundo, o objectivo supremo da citada UE,  tal como nos primeiros tempos da CECA, jamais deixou de ser o benefício económico dos fortes, a quem, entretanto, a desregulação financeira e o ‘sistema financeiro internacional’ ergueram alguns obstáculos, resolvidos a seu contento.

A beligerante Alemanha, em 1952, beneficiou de 50% de dívida perdoada.  Graças à conivência das potências ocidentais, EUA, França e Reino Unido, aproveitada pelo hábil chanceler Konrad Adenauer, os germânicos retomaram a força do poder na sociedade internacional; em especial na UE, que é aquele que a chanceler Merkel, em conjugação com os sudetas actuais, Holanda e Finlândia, tem utilizado para humilhar os povos do Sul da Europa – a extorsão através do fornecimentos de equipamentos navais e militares, da adjudicação de grandes obras a empresas internacionais alemãs e uma variedade de negócios contribuíram decisivamente para as crises soberanas de Grécia e Portugal, onde os maiores sofrimentos atingem  cidadãos sem emprego, a viver sob condições intoleráveis de pobreza e miséria – junte-se-lhes Espanha, Itália e Irlanda, se se pretender. [Read more…]

Euro-confisco: lutam as oligarquias, arruina-se o povo

Creio ser positiva a ideia de lermos o artigo publicado aqui: Chipre Der Spiegel de 16-03-2013.  A generalidade da imprensa internacional que consultei refere-se de forma censurável ao confisco, por imposto súbito e criminoso, de 6,75% dos depósitos em bancos cipriotas até 100.000 euros ou de 10% a verbas depositadas acima de 100.000 euros – também foi decidido passar a aplicar uma taxa de 20 ou 25% (do género da taxa de 28% paga pelos depósitos a prazo em Portugal) e ainda aumentar o IRC de 10 para 12,5%.

Tudo isto – e provavelmente outras coisas que desconhecemos – foi deliberado pelos elementos do Euro grupo,  o fracassado Gaspar e outros ministros das finanças da zona euro, a Lagarde pelo FMI, um tal Asmussen do BCE e o inevitável Oli Rhen; todos eles aplicaram a medida de confisco pela calada da noite que, sublinhe-se, se prova ser a hora dos crimes mais hediondos, segundo os criminologistas.

Todavia, o lote de carrascos citados não foram os únicos nem os principais algozes. A Alemanha e os novos sudetas, Holanda e a Finlândia, assumiram também a concepção do criminoso acto. Veio a perceber-se que a D. Merkel, sempre ela, entrou em colisão com o Chipre, e há bastante tempo,  por aquele país se ter transformado em paraíso fiscal. Os principais depositantes são russos, britânicos e outros não-residentes perfazem perto dos 50%, sendo a restante metade, obviamente, cidadãos cipriotas. [Read more…]

O soberbo e incapaz Gaspar

Vítor Gaspar já demonstrou à exaustão ser um Ministro das Finanças incapaz – os consecutivos orçamentos rectificativos, os sucessivos desvios orçamentais e outros objectivos incumpridos preencheriam uma longa lista de falhas, a maioria das quais próprias de um incompetente.

Todavia, em complemento da incapacidade, e como é natural em incompetentes, o nosso ministro, sobretudo no ECOFIN e em outros areópagos que adora frequentar, não evita ser soberbo e ufano no discurso.

Um exemplo actual: o Ministro das Finanças irlandês, no final da reunião do ECOFIN, mostrou-se favorável a que fosse concedido a Portugal e à Irlanda um prazo de reembolso adicional de 15 anos. Gaspar replicou que tal prazo seria “inconcebível”, defendendo solução “mais modesta” em termos de tempo. Não citou valores, baseando-se apenas em conceitos “filosófico-demagógicos”, sem focar montantes e prazos – no subconsciente, ainda subsiste o desejo recalcado de “não precisamos de mais dinheiro, nem de mais tempo”.

O homólogo irlandês, Michael Noonan, em linguagem simples e aberta, não hesitou em afirmar: [Read more…]

Espanha não escapa ao resgate

Economistas espanhóis contam com ele, apesar das reticências políticas. (Fonte: Económico)

O lucro da banca

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Imagem de hoje na SIC (sem o texto à esquerda) numa reportagem sobre o paradeiro do dinheiro recebido pela banca para apoiar a economia. Este negócio da banca lucrar porque o BCE não entrega o dinheiro directamente ao estado não é novidade. Mas não deixa de ser vergonhoso e demonstrativo da seriedade da classe governativa, nacional e europeia. Todo um esquema de transferência das poupanças individuais para a banca por intermédio do BCE.  Um esquema que inclui uma justiça de aparências e ganhar eleições à conta da obra que outros hão-de pagar.

Sexta revisão ao Memorando da Troika

Eis o verdadeiro programa do governo (PDF). Em inglês, como convém.

Para além dos números tortos, da imposturice e do cadastro criminal que preocupam tantos, o que Artur Baptista da Silva disse

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  • Que os efeitos devastadores desta crise replicam os resultados do programa anteriormente aplicado noutras partes do Mundo (e designadamente no Brasil), onde apenas gerou pobreza e subdesenvolvimento.
  • Que numa economia como a portuguesa, que de si já era frágil, o ataque que está a sofrer vindo de fora (com a diminuição do rendimento do trabalho, e os aumentos do desemprego, dos impostos, dos encargos sociais, do défice, e por fim, nessa cadeia recessiva, da dívida soberana), e em total contradição com o que foi prometido pelo programa de assistência, é o responsável pelos três milhões de pobres que contabilizamos já. “Uma população que está ao nível da indigência”.
  • Que os bancos se fizeram para ajudar os Estados e não o contrário. [Read more…]

Mais vale tarde do que nunca

O Grupo Liikanen anuncia que vai recomendar à Comissão Europeia a divisão dos bancos entre banca de investimento e comercial. É muito normal que a Comissão faça ouvidos de mercador…

No Banco Central Europeu não há austeridade

O custo da nova sede em Frankfurt ultrapassa os mil milhões de euros, admitem responsáveis do banco.

Faz sentido

-Colocar na supervisão da Banca europeia quem foi em Portugal tão eficiente na última década. BPN e BPP não passaram de mera ficção…

Baratas tontas –

Pânico sem limites. – BCE anuncia programa de compra de dívida soberana.

Demasiado grandes para falharem, demasiado grandes para mudarem

Permitam-me que emita e controle o dinheiro de uma nação e não me importo com quem faz as suas leis ~ Mayer Anselm Rothschild Banqueiro

Depois da Grande Depressão, a actividade dos bancos foi dividida, isolada. Passou a haver bancos dedicados apenas a actividades de comerciais e, completamente separados destes, existiam os bancos de investimento. Com a desregulação essa diferença esbateu-se e com ela surgiram os conflitos de interesses, no fim a ganância ganhou e os cidadãos pagaram a factura.

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BCE e o risco de falência dos bancos europeus

O fútil e a polémica pela polémica – propositadamente, creio eu – ocupam tempos e espaços consideráveis nos ‘media’ e, consequentemente, no debate público, blogosfera incluída. Todavia, de volta e meia, há alguém que resolve evadir-se do superficial e da conversa para pacóvios. Um exemplo: o excelente trabalho de Ana Rita Faria no jornal ‘Público’, sob o título “BCE – o ponto de refúgio do euro está a tornar-se tóxico?”.

Do artigo, destaco o último parágrafo:

“Em momentos de crise, o banco central tem de escolher entre dois demónios. O primeiro é o colapso iminente do sistema bancário, o outro é um risco moral futuro. Um banco central responsável quererá sempre evitar o primeiro demónio”, defende Paul De Grauwe. Para o economista, o BCE devia, desde o início da crise, ter assumido o papel de “credor de último recurso”, comprando ilimitadamente dívida pública e impedindo que as taxas de juro dos países periféricos subissem acima de determinado patamar. Um papel que parece demasiado desafiador, até mesmo para o “Super-Mario”.

Devido aos motivos invocados pelo professor da Universidade de Lovaina, o sistema bancário europeu está seriamente ameaçado de falência, podendo vir a revelar-se inúteis os esforços, de certo modo desesperados, do BCE, dirigido por Mario Draghi; muito contestados, de resto, pelo líder do Bundesbank, Jens Weidmann.

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O tratamento anterior não funcionou

Praça Syntagma (2012-02-12)

O tratamento anterior aplicado à Grécia não funcionou. Por isso, vamos repetir a dose e vamos esperar que funcione. Este será o terceiro pacote de austeridade. É de doidos, é óbvio que não vai funcionar.

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Qual o dia em que a União Europeia não aguentará?

euroSugestionado pelo título de uma série televisiva americana, ‘O Dia em que a Terra não Aguentou’, ocorreu-me formular a pergunta: “Qual o dia em que a União Europeia não aguentará?” E, de seguida, coloco outra questão: “Esse dia está próximo ou nem sequer se deve imaginar como provável?”

Por muito e esmerado esforço mental, sou incapaz de responder convictamente às duas questões. Valho-me da informação avulsa, e tanto quanto possível credível, publicada em diversas fontes de comunicação social e não só, e mais atabalhoado fico. Vejamos então:

A) O “The Guardian” informa:

O FMI adverte a possibilidade de catástrofe, pelo facto da Comissão Europeia contestar a Standard & Poor’s sobre a descida dos “ratings”.

A notícia do jornal inglês é, de resto, bastante extensa e não deixa de fora outros focos da crise: “Alemanha não vê razão para reforçar o fundo de resgate da Zona Euro, apesar da descida da notação da França”; “O incumprimento da Grécia não é impossível”; “Sarkozy pede a Espanha que mantenha o lugar no BCE, apesar da Finlândia e a Holanda o ambicionarem”;”O BCE reforçou o seu programa de compras de dívida na semana passada, mesmo antes da S&P cortar o “rating” a nove países”…

B) Leio o “The Irish Independent” e fico a saber:

Joan Burton está simplesmente a dizer uma verdade óbvia sobre um segundo resgate…porquê silenciá-la?

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Mario Draghi, um homem da Goldman Sachs, logo acima de qualquer suspeita

Em termos de currículo, nada há, contudo, a apontar a Mario Draghi.

Escreve hoje no Público Ana Rita Faria. Há lá agora alguma coisa a apontar ao novo presidente do BCE. Conhecido por Super Mario vai agora trabalhar com Vítor Constâncio, o Super Ceguinho.

. Entre 2002 e 2005 esteve na Goldman Sachs, sendo vice-presidente da sua filial europeia. Não estava lá quando antes disso a mesma Goldman Sachs auxiliou a Grécia a aldrabar as suas contas para poder entrar no euro, mas assinou um artigo com Robert C. Merton, onde se justificava o recurso a este tipo de práticas legais. E consta que andou a vender as mesmas falcatruas enquanto lá esteve. Tudo legal, é claro, dizem os mercados.

O facto de a relação de Mario Draghi com a Goldman Sachs se ter iniciado em 1990 quando “facilitou” a entrada da empresa nos processos de privatização italianos, não é de estranhar já que passava férias com um dos seus dirigentes.

Nada a apontar, portanto. Mario Draghi  é um trafulha à altura do BCE. Estamos entregues à bicharada e a jornalistas ceguinhos de todo. Belmiro manda.

Já agora: além do BCE a  Goldman Sachs tem homens seus à frente do Banco Munical e do Banco Central do Canadá, sendo representada no governo português pelo impagável Carlos Moedas. Vivemos em democracia, é claro, infelizmente não elegemos os bancos.

(informações recolhidas no Le Monde)

É exactamente ao contrário

Carlos Costa, governador do Banco de Portugal, afirmou ontem que “os técnicos do Banco de Portugal trabalham no Banco Central Europeu (BCE) e são altamente reconhecidos no BCE“.

Falando do BdP convém relembrar que estas instituição perdeu a maior parte das suas funções com a entrada no euro, e não emagreceu o seu quadro de pessoal, nem como é óbvio o vai fazer agora.

E quanto à afirmação de Carlos Costa, é exactamente ao contrário: serem reconhecido pelo BCE como competentes é a prova mais próxima da incompetência do BCE, à vista de todos na crise actual. A nomeação de Vítor Constâncio para vice do BCE seria uma anedota, não fosse um drama. Se os homens que deixaram chegar o BPN e o BPP onde chegaram e passaram anos a falhar previsões económicas são exemplo, só pela incompetência.

Excepto numa coisa: Constâncio era o terceiro governador de um banco central mais bem pago do mundo. Suponho que Carlos Costa não lhe fique atrás.

Mil Milhões para os Bancos

Os bancos já têm garantidos mil milhões até ao fim do mês. Se os políticos que temos estivessem interessados em ter uma campanha eleitoral para informar os cidadãos, então este seria seguramente um dos pontos em discussão – dadas as circunstâncias, talvez o único ponto em discussão. Em vez disso perderam-se em agitar bandeirinhas, pequenos insultos, chicanas políticas e outros jogos de crianças, tratando o cidadão eleitor como débil mental. O PS/D + PP tentou a todo o custo iludir esta questão. Afinal que interessa para umas eleições a política económica e social dos próximos anos? – Para os políticos, absolutamente nada.

Assim, porquê tanta pressa em disponibilizar o dinheiro aos bancos? – que ainda há pouco diziam estar perfeitamente capitalizados. – O motivo é simples, os bancos portugueses estão falidos, e não sou eu quem o diz, é o próprio governo. Se lerem o Memorando de Políticas Económicas e Financeiras, ontem divulgado pelo FMI, mas que já era do conhecimento público há muito tempo, poderão ler:

 

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3 décadas, 3 x bancarrota, 3 x FMI

Além do rasgar de toda a mentirosa  propaganda impingida ao longo de tantos anos – duas gerações de incompetência do PS, PSD e CDS, PC e BE à parte, porque ensimesmam-se num regime de Apatheid – e já conhecido o pretenso “acordo” que nos espera e que há muito tempo o país espera, apenas há para recordar, a impiedosa resposta de um dos três Regentes, quando questionado acerca da “necessária” assinatura do Presidente da República, lapidarmente respondeu:

 – “Temos o acordo e o compromisso das principais forças políticas partidárias”.

 Ficou assim bem visível a inutilidade do regime imposto em 1910.