Pensão Flor, onde há noite todas as noites

Os mistérios da música em Coimbra não sendo insondáveis, perturbam. A cidade que nos anos 60 soltou um Adriano e formou um Zeca foi perdendo comboios. Será simbólico que no ano do Chico Fininho o seu grupo de baile com mais original e potencial para gravar (a Banda do Arco da Velha) tivesse acabado de se dissolver, que o punk nos tenha chegado retardado, e por aí fora; os nossos dois músicos mais conhecidos, JP Simões e Paulo Furtado emigrados para o capitalismo, tinha de ser.

Mas uma cidade que parece adormecida não tem de dormir. Discretamente vai cerzindo as suas cumplicidades musicais, guardando os seus segredos baixinho, entre voltas da nossa guitarra e da mundial viola, muitos cantos numa diligência eternamente na malaposta, ataques frontais à música tradicional portuguesa sob, por exemplo, a forma de gaita de foles, até que um dia alguém diz: acordámos, estamos de volta.

A volta agora chama-se Pensão Flor (um local que é um sonho) e já se nos apresentou. Vão ouvi-los, ai se vão, juntaram-se a família Brigada Victor Jara com a dos Belle Chase Hotel, a nossa guitarra, a do Carlos Paredes, regressa pelas unhas do filho Portugal (tinha de ser Manuel), tudo isto com um moço que desconhecia (e como é bom ter surpresas na nossa aldeia) de seu nome Tiago Almeida. Vai uma aposta?

 

Obrigado, Passos Coelho

25aruaDesde a década de 70 que o 25 de Abril deixou de ter manifestação em Coimbra. Desde a década de 80 que nem sai à rua, o convívio da noite de 24 para 25 começou a fazer-se no espaço mais reduzido de uma colectividade.

Tenho pois que agradecer a Pedro Passos Coelho: este ano voltamos a ter manifestação, entre outras iniciativas. Obrigado: quem consegue unir e reunir o meu povo merece os mais rasgados elogios. E é sempre bom saber que assim vai cavando a sua própria sepultura.

Aventar nas Casas do Bragal

Almoço

O Aventar completou, ontem, quatro anos e resolveu comemorá-los à mesa, que é um dos hábitos mais saudáveis que pode haver, mesmo com o aumento do IVA e do colesterol. [Read more…]

Lavadeiras do Mondego

lavadeiras mondego
Sem data, autor desconhecido

Fecha uma escola pública em Coimbra

rede escolar margem esquerda
Os professores do Agrupamento de Escolas Coimbra Centro foram ontem informados do encerramento da EB 2,3 Silva Gaio.  Ao que parece a câmara, proprietária do terreno onde se encontra a escola, vê o assunto com bons olhos (a entrega do edifício à Universidade para ali instalar a Faculdade de Ciências do Desporto e Educação Física é há muito falada).

Não tenho grandes dúvidas de que este Agrupamento (completamente absurdo e sem qualquer ligação geográfica entre as escolas que o compõem) é uma espécie de comissão liquidatária de escolas, o encerramento da Secundária Jaime Cortesão, colocando no mercado um apetecível espaço no centro da cidade.

Como também me parece óbvio que a rede escolar da margem esquerda de Mondego, que vos deixo na imagem, sofre as consequências de conter o Colégio de S. Martinho, que tem contrato de associação com o Ministério da Educação. Enfim, mais umas dezenas de professores para o desemprego.

Em Coimbra acabou assim

Moção popular de censura ao governo, e a Grândola cantada por quem mais ordena.

Texto da Moção: [Read more…]

A Grândola em Coimbra terá mais encanto

grandola coimbraA poucos metros da casa onde onde o Zeca viveu, será um prazer redobrado dar a Grândola a quem prefere tunas. Vamos cantar à saúde.

Um condenado presumivelmente inocente armado em virgem impoluta

aacA maior vergonha da história da Associação Académica de Coimbra chama-se José Eduardo Simões, presidente do seu Organismo Autónomo de Futebol.

Manchando o nome de uma instituição centenária, que não é um clube de futebol mas aceitou ter no seu seio um clube de futebol profissional, acumulou esse cargo como a direcção autárquica das obras e urbanismo. Junte-se o fogo com a estopa (responsabilidade política de Carlos Encarnação) e temos licenciamentos de obras a troco de dádivas para o clube.

Vem isto a propósito da sua última tirada: uma queixa na ERC contra o blogue O Sexo e a Cidade, onde habitualmente é referido como José Condenado Simões, que se registou como publicação periódica precisamente porque o dito cujo o impedia de aceder às actividades do clube reservadas à imprensa, coisa que nem a Câmara nem os tribunais fazem, baseando-se nesta espantosa argumentação: [Read more…]

Mau tempo em Portugal

tempestade coimbraPonto da situação em Coimbra:  a pátria segura-se, em Coimbra uma bandeira resiste, a Europa foi a primeira a virar-se ao contrário.

Esta tempestade adverte que o uso do governo vai causar ainda mais prejuízos.

Fotografado com o alto patrocínio do pessoal do Café Montanha, gosto muito de vento mas com tanta água na cara já não vejo nada.

Eles que habitam nas paredes (10)

matematicas

Coimbra – Fotografia Paulo Abrantes

Eles que habitam nas paredes (9)

boavista 1

Rua da Boavista, Coimbra – Fotografia Paulo Abrantes

Eles que habitam nas paredes (8)

boavista 2

Rua da Boavista, Coimbra – Fotografia Paulo Abrantes

Eles que habitam nas paredes (7)

visconde-da-luzR. Visconde da Luz, Coimbra – Fotografia João J Cardoso

Eles que habitam nas paredes (6)

beco-st-maria

Beco de S. Maria, Coimbra – Fotografia João José Cardoso

Eles que habitam nas paredes (5)

r cabido 2Rua do Cabido, Coimbra – Fotografia Paulo Abrantes

Eles que habitam nas paredes (4)

r cabido
Rua do Cabido, Coimbra. Fotografia Paulo Abrantes

Eles que habitam nas paredes (3)

eles que habitamCoimbra – Fotografia: Paulo Abrantes

Eles que habitam nas paredes (2)

R direita
Rua Direita,Coimbra – Fotografia João José Cardoso

Eles que habitam nas paredes (1)

2012_c2a9paulo-abrantes
Coimbra – Fotografia: Paulo Abrantes

Panteão Nacional

panteao nacional jjc

O Esteves Coelho

coimbra-passos-coelho

Salazar, depois do atentado infelizmente falhado, deixou de ter agenda, nas poucas visitas governamentais que lá tinha de ir fazendo. Ganhou com isso a alcunha de o Esteves, já que os jornais noticiavam que o chefe do governo (como se dizia e desde Cavaco se voltou a dizer) esteve ontem aqui ou esteve ontem a inaugurar acolá.

Passos Coelho, ao visitar a cidade onde nasceu em quase clandestinidade como hoje faz, começa a merecer o mesmo epíteto, o Esteves Coelho.

Salazar sobreviveu muitos anos assim, as ditaduras conseguem manter no poder alguém que teme o seu próprio povo. Quanto a este seu herdeiro, chegado a este ponto, assunto encerrado: é um fantasma do seu próprio cadáver político quem ainda nos governa. Em democracia não precisaremos de esperar por uma abençoada cadeira para nos livrarmos deste emplastro.

Coimbra,1969, os fascistas


28 de Maio: “Assembleia Magna que decidiu a greve. Votação “contra” – 190 votos.” Onde estão?

Imagem Secção Fotográfica da AAC.

Desengordurar o estado no ensino em Coimbra

Constatando-se mais uma vez que o estado gasta mais quando subsidia o lucro dos privados, agora é cumprir o memorando da troika e limpar estas banhas.

A verde: colégios subsidiados em Coimbra que de um modo geral não fazem falta nenhuma considerando o número de alunos existentes. A amarelo, a rede pública que está na maior parte dos casos subutilizada (e que precisamente por causa disso inclui uma das escolas públicas mais caras do país).

Vamos lá deixar de viver acima das nossas possibilidades na capital do ensino privado em Portugal. Não sendo assim, e já no próximo ano lectivo, constata-se que a austeridade quando nasce não é para todos.

postal de uma cidade que poderia ser Coimbra

Catalogamos as coisas pelo pouco que vimos delas, ou pelo que intuímos. Por isso, para mim, e embora nada tenha a ver com o que dela se conta, Coimbra é uma cidade exótica e descarada. Imagino que estes homens de pele tão morena que vieram abrir uma mercearia nestas ruelas podem ser descendentes dos mercadores de Samarkanda, a cidade onde até a morte se passeia pelo mercado. Ruelas de mercearias que podiam ser bazares, a transbordar laranjas e tecidos para a rua. Largo da Maracha, rua das Azeiteiras, rua do Almoxarife, beco dos Esteireiros, travessa dos Gatos.

Um senhorio velhote, invariavelmente chamado sr. Marques, conduz-nos pelo labirinto de ruas até ao prédio em ruínas que o seu pai lhe deixou, para mostrar-nos a casa sombria, com lixo amontado aos cantos, portadas de madeira carunchosas na janela, uma cama onde morreram gerações, uma banheira onde corre um rio de cobre.  Tem orgulho na casa e pede um bom dinheiro por ela. Que ninguém lhe diga que a casa é velha e suja, que a humidade alastra nas paredes e que há um cheiro a bafio que nos deixa nauseados.  Para os senhorios de Coimbra, os tais homens chamados Sr. Marques, que têm montado um “escritório de papelada” ou se dedicam à venda de atoalhados, nenhuma casa se compara à que têm para alugar e nenhuma cidade supera Coimbra. [Read more…]

Em Coimbra o governo já caiu

A ignorância capitalense sobre a minha aldeia é a única desculpa para que este título não ande pelos jornais. Não falo da manifestação de sábado, que em termos relativos é capaz de ter sido a maior do dia.

Pedro Dias, que foi o mais jovem catedrático da UC, militante do PPD desde a fundação, ex-director da Torre do Tombo e farto de o ser da Biblioteca Nacional, escreveu ao governo em termos que Maomé utilizaria para descrever um presunto.

Ontem o Reitor fez um magnífico discurso numa cerimónia solene, entre outras críticas propondo a taxação das transições financeiras. João Gabriel Silva é militante do PSD.

Hoje Carlos Encarnação, outro fundador do PPD, para todos os efeitos quem ganhou as eleições para o Município, escreve que “há um limite”:

O desastre continuou com o Ministro das Finanças. Mais austeridade, para os mesmos, e um pouco, poucocinho, para os outros.

Oficialmente no PSD dissonâncias é um tal de Capucho. Por estes lados o PSD bem podia ir a votos amanhã. Era capaz de disputar a eleição do último deputado. e não, não estou a pintar a realidade com a cor dos meus desejos. Sou de cá, e agora vou ver a Académica a jogar a bola.

Obviamente, demitam-se

Deixemos de lado o quantos fomos. Não me lembro de uma manifestação em Portugal (e não apenas em Lisboa) sem guerras de números. Chega.

coimbra 15 setembro 2012, manifestação

Das muito poucas fotografias que fiz hoje, fica esta (não editada, depois substituo): Coimbra – 15 de Setembro de 2012, nunca tantos estivemos na ruas, desde 1 de Maio de 1974. Estimativa da PSP: 20 000. Não contei.

15 de Setembro, também em Coimbra


E era bom que numa qualquer praça de todas as cidades também.

Evento no facebook

António Ferreira – Respirar debaixo de água

Coimbra filmada por quem a sabe, provavelmente pela primeira vez sem um único plano-postalinho com torre ao fundo. Aliás Coimbra sem universidade, só nós, os coimbrinhas, e como a gostamos. [Read more…]

Coimbra é uma lição

Coimbra tem sempre encanto


José Manuel Correia