ai, mísero de mi, ai, infelice

deprimido

Esforçava-me em esquecer os dramas que hoje em dia vivemos, só, sem amigos, doente e sem dinheiro, esse número de desventuras que podem cair sobre nós, quando as empresas e indústrias, também estabelecimentos de ensino de todos os tipos não cumprem o seu dever, e a pobreza nos agarra como um vento de furacão, que nem comer permite-nos.

Com que dinheiro, com que meios vivemos, qual a água que usamos para não pagar esse 40% mais que começa a ser cobrado? Voltamos as velas para nos iluminarmos e fugir dos impostos? Usamos mantas para nos sentar e agasalhar-mos-nos, fugindo do frio e dos impostos? O título do meu texto explica bem, penso eu, a depressão que o sítio causa, especialmente se o encontro é com a gestora dos meus bens, dos poucos que ficam, porque os outros foram-se com o vento da falência portuguesa e da Europa. [Read more…]

A bolsa e a vida*

Frank Paton - The Card Game 1885

Os bancos portugueses estão aflitos com a chegada da troika aos seus balanços. Afinal, o dinheiro que lhes falta para financiar a economia está nas mãos de alguns, poucos, grandes clientes que o pediram para comprar acções que agora não valem nem metade do que custaram.

Isabel Tavares in Sou tão rico, não era? Dívida supera mil milhões

Também já vi este filme, conhecido entre uns por Investir no Mercado Bolsista Através do Crédito e por outros chamado Jogas na Bolsa e Quem Se Lixa Sou Eu.

A simples ideia de um banqueiro emprestar para comprar um papel, agora nem o papel existe, arrepia-me desde que li umas coisas sobre 1929. Quem vai agora emprestadar aos bancos também sou eu, no meu vencimento anual e nos gastos de todos os dias.

Que culpa temos de as acções terem descido, se quando subiram nada ganhámos com isso?

* o título é gamado mas googlando percebe-se que aplicado o provérbio se conseguem milhões de anos de perdão, pelo menos tantos quanto a dívida privada nacional.

a crise de Portugal é a da humanidade

crise financeira, homofóbica, dos direitos humanos, não apenas da economia

Não há fim de ano que não acabe com festas e pantomimas, muto comer, entrega de presentes, gastos supérfluos em roupas novas para passar a consoada, dançar para o Ano Novo, festividades que, enquanto acontecem, parecem não ser gastos, mas sim, investimentos em relações familiares, de amigos e vizinhos. Para mal dos meus pecados, calhou passar os meus primeiros vinte e anos de vida en terras nossas, que ofereciam presentes à nossa família: pais, irmãos e até a servidumbre que realizava o trabalho doméstico. Éramos poucos para tanta euforia, que devia ser devolvida. Não era um investimento de capital, era um gasto sem objectivo, excepto esse de manter contente ao patrão e a sua família e assegurar o posto de trabalho. Era um investimento inútil. O trabalho estava assegurado pela lei, pelos sindicatos e pelos compromissos políticos dos que prometiam muito para ser eleitos para os sítios de poder que pretendiam. Essas festas e ofertas eram um desperdício de dinheiro retirado do fundo doméstico do que todos viviam. O desperdício era a loucura das loucuras. Não apenas mo havia investimento nem poupança, era um louvor às festas de fim de ano e ao patronato dos proprietários. Hábito aprendido desde a revolução industrial do Século

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Somos todos constitucionalistas…

Constituição Portuguesa de 23 de setembro de 1822

Em nome da Santíssima e indivisível Trindade

A Constituição impede o desenvolvimento do país! Mexer na Constituição é um golpe de estado!

E todos leram a Constituição, e todos arregimentam argumentos mil vezes repetidos, desde 1982 que vem aí um golpe de estado, está para chegar, se é que ainda não chegou…

Eu, que da Constituição só sei o que vou lendo por aí, fico pasmado com a opinião de certos políticos que mudaram de opinião como quem muda de camisa( são especialistas…) de constitucionalistas que não mudam de opinião como se a Constituição não tenha que se moldar aos novos tempos, (uns são pais, outros são mães, acham-na tão perfeitinha que não deve ser mexida…) e a maioria está à espera de ouvir a opinião oficial do partido!

A mudança que mais atemoriza é a do “despedimento”, choca-me, eu que andei nas empresas e tive que despedir centenas de pessoas, para salvar os postos de trabalho de outras centenas, se não fosse assim fechava-se a porta e andou, que os accionistas até eram dos States, fico estarrecido quando há pessoas que acham que é a constituição que impede o despedimento arbitrário, que eu nunca fiz, mas que é feito todos os dias.

Há os contratos a termo certo, por tarefa, por recibos verdes, tudo com esta constituição, não muda nada para os trabalhadores, para os sindicalistas talvez, mas para quem trabalha a garantia que passa a ter é a mesma que já tem. Trabalhar numa empresa viável e cumprir! Acho que se devia avançar com a “flexisegurança” que tão bons resultados tem dado noutros países bem melhores e com melhores empregos e com mais  garantias.

Mas pronto isso sou eu que tive essa experiência várias vezes e que se calhar durmo mal com ela (embora seja um acto de gestão como outro qualquer) mas a verdade é que o país não pode ficar agarrado a um tempo que já não é este. Ainda hoje vi a notícia de vários investimentos ( tudo hóteis e campos de golfe) com o estado a “entrar” com 50% do investimento, estamos a pagar a constituição que temos, porque assim, o investimento bom não vem para cá, e os hóteis são uma prova disso, fábricas não há…

levanta-te e anda!

a luta contra o desgoverno do país

Para os pais das crianças que hoje vivem a nova História de Portugal.

Para Francisco Castelo

O título é uma frase referida pelo evangelista Mateus, no seu texto do Século I, capítulo IX, versículo 5, conhecido entre os membros da cultura cristã. Nele narra a história de um paralítico, a quem, um dia, o seu Senhor Jesus mandou andar. História metafórica para os tempos que vivemos de crise económica, causada pelos investidores que transferem o dinheiro para países ou empresas que dão lucro sediadas no estrangeiro… falta de solidariedade e de patriotismo. Mas, continuemos com a metáfora.

E o paralítico, da história, andou. Tal, como diz outro Evangelista, João, no seu texto do mesmo Século, Capítulo XI, versículos 33 a 44, manda Lázaro sair do seu sepulcro, levantar-se e andar. Metáforas, senhor leitor, que nós, agnósticos, precisamos acudir, quando um povo, definido pelo seu saber e práticas como cristão, apesar da Constituição (de 2001) definir no Artigo 1: Portugal é uma República soberana,

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Presente e futuro da Advocacia: uma questão de República (10)

Continuando o que escrevi aqui.

Temos de saber o que queremos: ou investimos em equipamentos ou transportes de rentabilidade duvidosa, ou nas instituições republicanas. Ou pomos o Estado a funcionar ao serviço da cidadania e pelo cumprimento da Lei, ou, definitivamente, dedicamo-nos aos investimentos sem retorno.

Investir na Justiça é investir em algo com retorno: transmite confiança aos agentes económicos – principalmente a quem é de fora quer investir cá -, assegura a paz social e, ainda, promove o regresso ao investimento – por exemplo, daqueles que deixaram de investir no imobiliário para arrendar, pois não estão para correr o risco de terem de recorrer aos tribunais para uma acção de despejo e a mesma arrastar-se por anos.

Atente-se, ainda, para um facto que há muito denucio e que nos últimos tempos tenho visto alguma gente a defender o mesmo: todos os dias milhares de pessoas perdem manhãs ou mesmo um dia completo de trabalho pelos corredores dos tribunais sem qualquer proveito para a causa. Milhares de pssoas não convocadas, perdem horas nos tribunais, para depois virem embora sem terem sido ouvidas.

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O governo é um fingidor! (mas não é poeta)

Álvaro Santos Pereira, economista e docente na Simon Fraser University, analisa assim, o PEC:

Sinal mais : As privatizações e previsões económicas realistas!

Sinal menos: Este é um PEC fingidor. Finge-se que o investimento público baixa, mas mentêm-se as parcerias público-privadas. Finge-se que as despesas com o pessoal descem, mas esquece-se que estas têm baixado principalmente porque se transformaram os hospitais em  empresas do Estado. Finge-se que se atacam os problemas estruturais da despesa pública, mas a consolidação orçamental é conseguida sobretudo com o aumento da carga fiscal efectiva e com as receitas das privitizações.

Acima de tudo, este é um PEC que adia mais uma vez a resolução dos problemas estruturais das contas públicas nacionais!

A propósito de “Mudar – a Justiça”

Por natural interesse, segui a leitura feita pelo Luís Moreira aqui e aqui no Aventar, do livro “Mudar” de Pedro Passos Coelho quanto à Justiça.

Não li o livro, pelo que sobre o mesmo não me posso pronunciar directamente. Mas li o que em sede de Justiça, Pedro Passos Coelho conversou, defendeu, segundo o que o Fernando Moreira de Sá aqui relatou.

Falarei, pois, do que Luís Moreira escreveu acerca da Justiça segundo o  teor  do livro. E tentarei ser sucinto, pois nem quero tornar-me repetitivo em relação a futuros textos que viso publicar em breve.

A qualificação técnicas dos magistrados, principalmente dos magistrados judiciais, não penso que cause empeno à Justiça. Estou certo, até, que hoje estão muito melhor preparados para iniciar a carreira do que estará um advogado – por culpa do modelo perpetuado na Ordem dos Advogados que a actual Direcção está atentar adequar às exigências de hoje.

O que faltará, sim, é a perspectiva humana da consolidação e do amadurecimento a quem se entrega o poder de, efectivamente, julgar os outros. A culpa não é dos magistrados, é do actual modelo permitir que alguém com vinte e poucos anos seja juiz. Lamento, mas não acredito que tenha a maturidade suficiente para tal, com o devido respeito por eventuais honrosas excepções. Ainda para mais, face ao progressivo enraizamento da lógica sindical dentro de ambas as magistraturas.

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MUDAR – investimentos não estratégicos #4

(Continuando a análise ao livro “Mudar” de Pedro Passos Coelho)

Após termos tratado os investimentos estratégicos com primeira prioridade, temos:

Não são estratégicos os projectos de multiplicação de linhas ferroviárias de alta velocidade (Lisboa-Porto, Porto-Vigo, Évora-Faro,Huelva) nem a maioria das novas sub-concessões de autoestradas incluídas no Plano Rodoviário Nacional.

Atendendo às pequenas distâncias, às inúmeras paragens, a alternativa de velocidade elevada tem inúmeras vantagens em relação ao TGV, já que a velocidade elevada permite médias de 250 Kms/hora.

A diferença de custos é de um para três; a solução TGV impõe uma dependência tecnológica superior aos produtores europeus, enquanto a velocidade elevada já é nossa conhecida e permite o desenvolvimento de um cluster ferroviário; ao nível de projecto o TGV funciona no modelo chave- na -mão e funciona com elevados custos de exploração. Nestes termos o TGV deve ser convertido em velocidade elevada e serem reescalonados no tempo. [Read more…]

Obama – isto aplica-se cá…

Nada deverá ficar como antes no que diz respeito à banca! O dinheiro dos contribuintes andou a salvar bancos e banqueiros mergulhados em falcatruas que merecem prisão, mas parece que nem o dinheiro querem devolver, apesar de já estarem a ganhar milhões.

Paraísos fiscais – prémios milionários de gestores – grandes negociatas especulativas – as bolhas – impunidade de corruptos e corruptores, tudo isto deve ser severamente atacado e ainda o que Obama já anuncia:

Regulamentação do sistema bancário; separação entre bancos comerciais, abertos aos depósitos públicos e que não devem especular com eles, e bancos de investimento ou de negócios ; impedir o gigantismo por forma a evitar o poder sistémico dos bancos ;

As desigualdades pronunciadas são outro factor que impede o desenvolvimento e que levam a crises cíclicas. Esta é a única área onde estamos “muito bem” posicionados, em 3º lugar logo a seguir aos US e a Singapura! Extraordinário! Um país que há 30 anos é governado por governos socialistas e sociais – democratas, tem como resultado ser o terceiro país mais desigual no mundo!

E os banqueiros a ameaçarem que se vão embora! Para onde? Infelizmente nos US e em Singapura ninguem os quer, para os outros países menos desiguais ganhariam menos, fogem para onde?

Até o governador do nosso “banquinho” de Portugal ganha mais que o poderoso Banco Central Americano!

Orçamento: governo não mostra o jogo

Constâncio já veio dar o pontapé de saída. O déficite tem que ser dominado já em 2010. Isto traduzido quer dizer que o governo vai tentar  a) controlo das despesas b) o investimento sabemos que não c) aumentar impostos,d) vender património e empresas

O a) sabemos qual é o resultado, não é controlado nada, pelo menos ao nível que seria necessário. o b) investimento, sabemos que pelo contrário, o governo não desarma dos mega-investimentos, o que virá aumentar a dívida e com taxas de juro cada vez maiores. Resta o c) aumentar impostos, e para ser rápido e pouco doloroso vai ser o IVA, o d) já pouco há a vender e os tempos não estão para compras.

Isto é o habitual, o Estado precisa de dinheiro vai buscá-lo ao bolso dos contribuintes!

Andou a utilizar o dinheiro dos contribuintes para fechar buracos na banca, resultantes de negócios especulativos e , a mais das vezes, fora da lei, mas com governos destes a música é sempre a mesma.

Hoje, na imprensa, já apareceram as vozes do costume, é preciso estabilidade, deixar passar o Orçamento, a Oposição não pode cair em tentação…

Ora, o que resta da margem de manobra política, tem que ver com a dívida, e esta tem que ver com os mega-investimentos, e estes têm contra, o Presidente da República e o PSD e, a favor, com nuances, o PS e o PCP e o BE.

O CDS está numa embrulhada quer investimentos mas para as PME, vai dar uma no cravo e outra na ferradura?

E o PCP e o BE com a dívida monstruosa, vão escolher o quê? Mais dívida? É por tudo isto que o PS e o governo não mostram o jogo!

Pelo menos atrasar os mega investimentos em TGVs, manda o bom senso que seja a a medida a tomar, mas contra o bom senso temos a fome insaciável das grandes empresas e dos gabinetes de advogados e consultores, e a Banca!

Hoje, já se fala sem rebuço, no congelamento de salários na função pública como única forma de conseguir suster a despesa. Milagres não há e, no nosso caso, também não há mérito, pelo que vamos assistir a trocas entre investimentos que não se fazem já, e cortes nos salários dos trabalhadores.

Como todos previam e que só Sócrates e o seu séquito, negavam. Mas o que tem que ser tem muita força, e o momento da verdade mais tarde ou mais cedo, chega. Vai chegar com o Orçamento!

Trabalhar e continuar pobre

Devem as empresas que não asseguram o salário mínimo continuar a operar? Se não lhes for exigido um pagamento mínimo, nada as fará mudar. Não haverá investimento em melhores equipamentos, nem em formação, nem em melhor organização e gestão.

E se o salário mínimo for mesmo o factor que leva algumas empresas a fechar , lançando no desemprego os trabalhadores? Uma resposta é a “flexisegurança,” repartindo entre o patronato e o Estado, os custos da decisão.

Neste caso, o objectivo é tornar a empresa competitiva, introduzindo mais e melhores factores de competitividade, assegurando os postos de trabalho e a continuação da empresa, agora com novos equipamentos, novos produtos, melhor competitividade.

Se assim não for, é bem pior, manter artificialmente as empresas e os postos de trabalham que não asseguram uma vida digna a quem trabalha e um retorno de capital a quem investe.

Não só porque a manterem-se, essas empresas não permitem a renovação do tecido empresarial e, para o trabalhador, é bem melhor receber o apoio do Estado, porque não precisa de ter as despesas inerentes a quem trabalha, como sejam as de transportes, de alimentação, dos infantários…

Uma política determinada e dirigida a este tipo de empresas ( que têm como melhor argumento, não suportarem o pagamento do salário mínimo,) tendo em vista a sua renovação, substituição ou retirada do mercado, é uma medida salutar para as empresas, para os trabalhadores e para a competitvidade global da nossa economia.

Não podemos é continuar a ter empresas que sobrevivem à conta da pobreza dos seus trabalhadores.

O tabu de Sócrates

Não fala, ofende-se se lhe falam no assunto, não quer saber, não existe. É assim que Sócrates encara o endividamento externo.

 

Quanto é? Como vai pagar ? Quanto custa ?

 

É que se respondesse a estas perguntas teria que dizer como é que vai pagar os megainvestimentos. Não tem dinheiro, paga como ? Com mais endividamento ? Muito dificilmente arranjará quem lho empreste em condições razoáveis. Esconde dívida com "contabilidade criativa" ? De certeza!

 

Uma forma são as parcerias público/privadas. Os privados investem e depois exploram, com o Estado a pagar ou os contribuintes , como é o caso das SCUTS. Se os contribuintes não pagam tudo porque o investimento não é lucrativo, paga o Estado, isto é, nós!

 

Só que sendo os privados a investir, não deixa de ser um compromisso do Estado, que devia estar relevado nas contas públicas, mas que não está, assim escondendo dívida, mas que não desaparece, alguem vai pagar.

 

São as chamadas "marteladas" nas contas, quem vier atrás depois arranja um "constâncio" e põe aquilo "à vela"…

 

Quem não escapa é o "pagode" esse paga e paga tudo!