Filhos de uma grandessíssima luta

O portuguesinho anda sempre muito preocupado em ser bem-comportado quando se devia revoltar, ao mesmo tempo que vive obcecado por quebrar regras sem importância em nome de direitos irrelevantes, o que o leva a não respeitar filas ou a deitar lixo para chão.

Os “Homens da Luta” conseguem o milagre de herdar o espírito de revolta que nasceu com o 25 de Abril, atacando o comodismo burguês, e, pelo caminho, ridicularizam a própria imagem dos que cultivam o espírito de revolta e cultivam, na clandestinidade, o mesmo comodismo burguês. Para usar uma expressão associada ao Jel, com os “Homens da Luta” vai tudo abaixo.

É verdade que, hoje, em Dusseldorf, não vão representar Portugal. Para o fazerem teriam de tentar imitar o pior que se faz na Europa, só porque é o que se faz na Europa. Pelo contrário, os “Homens da Luta” continuam, pelo menos, a abanar o país do respeitinho, o país que vive preocupado com o que vão pensar de nós, o país que, para ser o bom aluno, chegou a um ponto em que é muito menos país do que era.

Para o ano, espero que sejam os “Ena Pá 2000” a ganhar o Festival. Luta que os pariu a todos!

 

Hoje é dia de luta, com alegria

Como e quem pode votar na Eurovisão, meia-final de hoje:

1 – Não é permitido votar no país onde se está a ver o programa. Por exemplo, quem está em Portugal não pode votar na canção portuguesa.

2 – Só podem votar na Semi-Final 1 (10 de Maio às 20 h de Portugal) os 19 paises a concurso mais a Espanha e o Reino Unido.

3 – Cada pessoa (telef) só pode votar 10 vezes.

4 – Os portugueses que estejam num dos países abaixo referido devem sintonizar o canal que nesse país estiver a transmitir o evento e votar através do número que aparecer no ecrã para votação. A canção portuguesa acaba em 16 seja qual for o país.

5 – Só quem estiver nestes países pode votar na canção portuguesa:

Polónia, Noruega, Albânia, Arménia, Turquia, Sérvia, Rússia, Suiça, Geórgia, Finlândia, Malta, Sam Marino, Croácia, Islândia, Hungria, Lituânia, Azerbaijão, Grécia, Espanha, Reino Unido.

O Farsola: Bandex volta a atacar

Cada vez gosto mais dos Bandex. Era mesmo isto que nos faltava no comentário político, em vídeo, e musicado. Acabado de publicar. Ainda cheira a baba de caracol.

Os três tristes e os Homens da Luta


– Não é uma canção para representar Portugal na Eurovisão – afirma o Calvário.

– A RTP devia “enviar canções com um cariz mais étnico” – tossica o Cid.

– Onde é que estão os poetas e os músicos do meu país? – pergunta a Oliveira, Simone.

Não há pior surdo do que aquele que não quer ouvir. Três representantes do nacional-cançonetismo* (enfim, o José Cid nem tanto) aflitos só pode ser bom sinal. A Luta é Alegria. No ano de Portugal na UEFA, vamos ver se a inteligência repete o feito na Eurovisão.

Circo já temos, e pão não vai haver. Siga para bingo.

* Nacional-cançonetismo, expressão consagrada na década de 70 para designar o que hoje chamamos pimba.

Os Homens da Luta na Eurovisão

Já dão nas vistas (ler este artigo no Guardian).

Espalhem a notícia por quem conheçam na Europa (só se pode votar neles para lá de Vilar Formoso). E deixo a conferência de imprensa, hilariante, em Mourinho’s style, diz o gajo:

parte 1

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O viúvo alegre – fantasia barroca

A Viúva Alegre, de Franz Léhar

Narra a ópera A Viúva-alegre, a história de uma mulher que, para não sentir pena pelas tristezas da vida, se diverte: pinta-se, as suas roupas são coloridas, ama sem parar nem dar por isso ou propositadamente. Como as suas roupas, os seus amores são de sentimentos trepidantes e usa a artimanha do barulho para chamar a atenção. Conforme a sociedade manda devia estar vestida de preto, a cor do martírio do luto, a quem falece um marido amado. A ópera tem um autor, Franz Lehár (Komárno, 30 de Abril de 1870Bad Ischl, 24 de Outubro de 1948) foi um compositor austríaco de ascendência húngara, conhecido principalmente por suas operetas. Ele foi um dos maiores compositores da Áustria.

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O elixir

Depois de um certo almoço, ontem, alguns comensais, incluindo eu, devem sentir mais ou menos isto que a letra descreve. Um brinde a eles.

Parabéns aos noivos

Polly Styrene – RIP

Polly Styrene, aliás Marianne Joan Elliott-Said, vocalista do X-Ray Spex, não era a Siouxie, mas andava lá perto. A morte aos 53 anos. RIP.

E para o próximo, a senha pode ser esta

Grândola Vila Morena, arranjo de Vítor Rua

25 de Abril: deixaram-no para ontem, queremos outro amanhã

Deolinda – Movimento Perpétuo Associativo

Abril pode ser no mês que um homem quiser

Uma explicação:  à revelia dos meus colegas aventadores (sim, o 25 de Abril começou por ser um golpe de estado) espalhei hoje por aqui várias cantigas que têm sido armas, excluindo propositadamente os clássicos da música dita de intervenção. Comemorar o 25 de Abril é muito bonito, ficar pelo saudosismo (que o tenho) ou pela discussão sobre o que foi ou não cumprido, é feio.

O passado de nada nos serve no presente se no presente nada fizermos pelo futuro. Quase 40 anos de governos repetidos trouxeram-nos a mais uma crise (estamos em crise desde 1973, banalizámos a crise, mas ela existe). No mundo, admito a possibilidade de o capitalismo superar esta convulsão, que passa pela transferência do imperialismo dominante dos EUA para a China, mas ensina-nos a história que nunca tal sucedeu sem guerra.

É um tempo de guerra o que vamos viver na próxima década. Pode ser, e espero bem que seja, uma guerra lenta, espaçada, de veludo mais ou menos frio. É um tempo de miséria o que temos pela frente, tal como sucedeu na década de 30 do séc. XX (e já assim tinha sido no séc. XIX). Mas é também um tempo onde aos homens e mulheres competirá decidirem do seu destino. As revoluções hoje podem não se fazer como no século passado. Podem ter mais ou menos sangue. Podem ser Tunísias, mas também podem ser Líbias ou Sírias ou Bahreins. Mas fazem-se, e vão fazer-se. A história nunca viveu sem elas e a história não acabou.

Eu fui à rua em Março – Música Rui Rebelo, Letra Miguel Castro Caldas

Esta cantiga, e outras, descobria-as no facebook, essa invenção reaccionária que por vezes vira revolucionária, num grupo que uma amiga em boa hora criou: (Banda Sonora para) Uma R E V O L U Ç Ã O. Passem por lá, para matar saudades do passado mas também para terem saudades do futuro que aí vem.

25 de Abril: tinha um defeito de fabrico, queremos um novo

Oquestrada – Se Esta Rua Fosse Minha

25 de Abril: avariaram-no, queremos um novo

Barca do Inferno – Revolução dos (es)Cravos

a menina pianista e a irmã violoncelista deram-nos um 25 de Abril

a menina pianista

Para Helena Sá e Costa, a sua irmã violoncelista Madalena, discípula de Pau Casals, e ao povo de Portugal, roubado do 25 de Abril de 2011-04-17

Por felonias dos que nos governam, o nosso Portugal entrou em falência e deve pedir esmola aos países vizinhos, que a negam. Não temos dinheiro nem para comer, festejar o carnaval, oferecer ovos de Páscoa, comprar roupa ou comer como estamos habituados três vezes por dia. Temos apenas o café do pequeno-almoço com pão sem manteiga, um almoço de abstinência, de semana santa e um chá com papo-seco à noite.

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Fernando Nobre, Bandex e a vantagem financeira

Elvis Vive em Barcelos

E prepara-se para actuar na Festa das Cruzes…!

Kanimambo, João!

Kanimambo significa ‘obrigado’ em Changane, um dos idiomas de Moçambique. Como título da canção que o popularizou, é a palavra de agradecimento eterno ao João Maria Tudela pela relação cordial que mantivemos, a despeito dos encontros espaçados e casuais dos últimos tempos. Repito o meu kanimambo, João:

A última vez que nos encontrámos foi numa estação do Metropolitano, em Lisboa. Como sempre, foste afável. Tínhamos ideias diferentes, mas respeitámo-nos sempre. Com a tolerância de quem tem a elevação de aceitar quem não pensa igual. E ao contrário da injusta e falseada opinião, de ignorantes e perversas cabeças, a diabólica censura do ‘Estado Novo’ também não te poupou; quando, em 1968, te afastou da RTP por ousares cantar ‘Cama 4, Sala 5’, de Ary dos Santos e Nuno Nazareth Fernandes. Voltaste em 1975.

Como imaginas, ao saber hoje da tua partida, por aqui e aqui, fiquei desolado. Lembrei-me dos nossos encontros no CIF, onde a tua paixão pelo ‘Ténis’ permanecerá para sempre. Como a minha admiração por ti. Kanimambo e até sempre, João.

Ex Votos, para recordar, no dia da morte de Zé Leonel

Zé Leonel, 196?/2011

Zé Leonel, fundador dos Xutos & Pontapés e dos Ex Votos. R.I.P.

*

Nota pessoal: Há alguns dias tive a oportunidade de assistir a um ensaio dos Ex Votos para o concerto de homenagem a Zé Leonel na Malaposta. Nessa altura, dado o seu estado de saúde, não se sabia se o músico poderia participar ou até assistir ao concerto. Felizmente foi possível. Os Ex Votos prepararam o seu primeiro espectáculo acústico de sempre para esta homenagem, numa atitude que chamaram de “à homem”. Ainda bem que o fizeram. Deram a Zé Leonel, estou certo disso, uma das últimas grandes alegrias. À Homem.

Dia Mundial da Voz

Hoje, é mais um dia em que o calado é o pior.

o saber das crianças e a psicanálise da sua sexualidade (IV – Bibliografia)

Beethoven Eroica Variations, op 35

Bibliografia: [Read more…]

Luta Luta, o 12 de Março pelos Bandex

O 12 de Março remixturado pelos Bandex. Sim, já havia Bandex antes de meterem Sócrates a cantar para Não Dizer Mentiras. Dedico esta à direita que se tem lambido com um vídeo em que Sócrates olha sempre para a esquerda, e não é por causa do teleponto.

E por falar nisso, já temos um Movimento 12 de Março (M12M), que a luta é contínua e continua.

Vem aí o FMI

O pimba é uma arma, e eu não sabia.

Este Jaimão, um mix de Quim Barreiros com Fernando Pereira, tem alguma piada.

Não dizer mentiras

O Zé cantaa primeira regra é não dizer mentirasmashup dos Bandex no seu novo êxito, Mentiras, um vídeo romântico com o último primeiro-ministro de Portugal.

José Sócrates e orquestra.

para elisa

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 a minha neta.

 O Senhor leitor queira desculpar, mas torno, como esse a quem estimo, o meu amigo fraterno, Daniel Sampaio, a falar de netos. O motivo é simples, a vida é um eterno retorno. Não um retorno de uma alma[1] que vai embora e volta a aparecer noutro corpo, como acreditam muitas pessoas, especialmente os Kiriwina da Nova Guiné[2].

Para os que crêem em almas, é evidente. Não tenho essa sorte, pelo que sempre os meus descendentes estão perto de nós e dedicamos, como diz o meu sábio amigo, pelo menos, um dia da semana, para sermos avós a sério. Como? Como cronista quer neste blogue quer na imprensa escrita. Não é o caso de Elisa que, brevemente, vai ser irmã. Novo ser que é, ainda, um projecto de bebé em formação pelo amor e paixão dos seus pais, os [Read more…]

O Povo é que Paga

 

Sócrates canta balada no encerramento do congresso do PS

Canta, a sério, e encanta José Sócrates:

não dizer mentiras a primeira regra é não dizer mentiras deve haver regras o que o senhor disse foi uma mentira e depois faz-se de vítima

Ouçam, tem orquestra e tudo.

Desconhecia este projecto,  e projecto continuar a gostar. Bandex. Munta bom. Amanhã há mais.

No mar os enterraremos, o mar nos espera

Parabéns Aventar, obrigado aventadores e leitores, por me lerem, aturarem e também pelo resto.

Las tierras, las tierras, las tierras de España,
las grandes, las solas, desiertas llanuras.
Galopa, caballo cuatralbo,
jinete del pueblo,
al sol y a la luna.
¡A galopar,
a galopar,
hasta enterrarlos en el mar! [Read more…]

Música para os meus ouvidos

Música para o povo, pá