Eu era uma criança.
Gostava de ter vivido aqueles momentos de apreensão mas também mágicos que acompanharam a revolução e ficaram para além dela.
Gostava de ter podido abraçar sentidamente aqueles Homens, em nada parecidos com os homúnculos que hoje por aí pululam.
De ter podido dizer-lhes «Obrigada» de rosto lavado em lágrimas e voz embargada.
De ter podido entregar um cravo vermelho a cada um deles.
De ter podido dizer-lhes que agora sim, agora é que o futuro nos ia sorrir. Agora é que iríamos concretizar a nossa grandeza, graças a eles.
De os ter acompanhado pelas ruas fora.
De ter ficado com o seu cheiro entranhado nas minhas roupas que não lavaria nem usaria jamais, de modo a perpetuar aquele odor heróico.
De ter abraçado todos aqueles com quem me cruzasse, subitamente transformados em meus irmãos na felicidade de concretizar um futuro sonhado.
De ter sentido aquele saborzinho único que fica quando a justiça impera e quando sabemos que vivemos momentos especiais.
De ter visto o povo nas ruas, cada vez em maior número, uns com olhares de medo, olhando ainda de soslaio, tentando perceber onde andaria o «bufo» mais perto de si, outros com um sorriso de orelha a orelha, sonhando já com o amanhã em liberdade.
De ter presenciado as reacções dos meus pais, de lhes ter lido o medo. De, depois, rir com eles, e construir sonhos de alegria, de igualdade, de justiça social.
De entoar lindas e frescas canções de revolução, liberdade e esperança.
Sim, o dia 25 de Abril de 1974 amanheceu especial e histórico e eu, infelizmente, era demasiado criança para o viver intensamente ou para simplesmente o viver.
Ainda assim, nunca é tarde para isto:
OBRIGADA por tudo o que fizeram pelo nosso país.
25 de Abril de 1974
O doodle do google.pt
Não faz referência ao 25 de Abril. Tá mal!!! Sinceramente, hoje quero 25 de Abril Sempre, estou-me a marimbar para os 96 anos da Ella Fitzgerald!
Pensava que gostavam de mini saias e decotes pronunciados
Mas afinal, querem é animá-los com Paulitos e Gaitas.
Votos de boa viagem e bom desempenho aos nossos manobradores de pau e tocadores de gaita.
Tenham vergonha!
Chama-se Fernanda Policarpo. É a mais recente vítima do terrorismo político em Portugal.
Enquanto muitos partilham velinhas e preces pelos caídos em Boston, poucos vejo fazer alguma coisa pelos nossos que também tombam. De fome, de sede, de desespero…
Esta senhora tombou por lutar, por se manifestar contra a Troika que está luxuosamente acomodada no Ritz para, sabemo-lo bem, nos esmifrar ainda mais.
Foi vítima de violência policial. Diz que agrediu um agente policial durante a acção-relâmpago convocada pelo movimento Que se Lixe a Troika.
É mulher e tem 49 anos. Alguém acredita que era necessária esta força para dominar tão perigosa meliante? Que ela constituía qualquer perigo para os polícias?
Ao que se sabe, estará presente esta manhã no Tribunal de Pequena Instância Criminal de Lisboa.
Calemo-nos todos e partilhemos velinhas e preces vazias de sentido pelos que sofrem noutros países. Os Portugueses não são importantes.
A menos que morram.
Talvez nem assim.
Sr. António Jorge
Os nossos caminhos cruzaram-se, que eu saiba, ontem pela segunda vez.
O nosso primeiro «encontro» deu-se num dia de Setembro, creio, estava eu a sair de casa. Tinha caminhado poucos metros e ainda na minha rua vi uma pessoa deitada no chão, no passeio, com um pé a escorregar para a estrada. Antes de mim, várias pessoas passaram por ele. Ninguém fez o menor gesto para tentar perceber o que se passava. A situação parecia facilmente explicável. Um alcoólico caído no chão. Desmaiado de tanto beber. Fazer o quê? [Read more…]
O que é Português é bom, o que é do Norte é ainda melhor
Tenho andado um pouco arredada das Aventadelas. Não porque não haja motivos de sobra para as minhas palavras menos simpáticas ou porque tenha passado a acreditar na chusma que manda nesta república dos bananas. Também não foi por ter baixado os braços. Isso, nunca!
Simplesmente, tenho feito outras coisas nos meus tempos menos ocupados. Uma delas foi comemorar a passagem de mais um aniversário. Tive a sorte de poder passar o dia rodeada de pessoas de quem gosto muito. E tive a sorte de receber alguns presentes que foram autênticas surpresas para mim, quase tudo feito em Portugal, muitas feitas por uma família de artesãs e artistas que admiro.
Uma das prendas, a mais surpreendente e inesperada, foi uma saia de uma estilista, ou designer de moda, como agora se diz. Tem loja no Porto, pois claro, mais concretamente na Rua de Passos Manuel. Será que adivinho aí já alguns sorrisinhos de reconhecimento do lugar de que falo? [Read more…]
7 de Abril, dia da 3ª Caminhada da APEE Autismo
Dia do Pai
E no meio de tanta podridão e miséria, ainda podemos celebrar o Dia do Pai.
Este é o primeiro ano em que esta data passa sem que o meu esteja fisicamente presente.
Dedico o dia de hoje aos homens na minha vida que são pais, biológicos, adoptivos, do coração. Pais-progenitores, pais-avós, pais-tios, pais-amigos…
Insónia
Pela primeira vez, ppc e a sua corja tiraram-me o sono.
Escrevo este texto às quatro da manhã, depois de ter acordado por volta das duas e não conseguir pregar olho. E por que é que isso acontece? Não, não é porque esteja a arder de desejo carnal pelo coelhito ou por algum dos seus hediondos assassinos a cobro. É porque, mais uma vez, mas hoje muito mais do que antes, me sinto soterrada. [Read more…]
Pensei que já existisse
“A criação de um consenso nacional é fundamental para o nosso futuro colectivo” – vítor gaspar
Então, o que é isto, se não consenso nacional?
Miséria de portas abertas

Não vi esta exposição quando ela esteve na Fnac, em 2011. Nem na Fnac nem em lado nenhum. Desconhecia-a totalmente.
Desconhecia-a até um dia desta semana em que lia a CAIS #180 de Janeiro e Fevereiro, comprada a um idoso sem dentes numa das muitas ruas da baixa do Porto.
Subitamente, de rompante, sem pedir licença, ela entra-me pelos olhos dentro, pela casa dentro. No conforto da minha casa, vejo o imenso desconforto de outras. Vejo a miséria encoberta, a tristeza envergonhada, a desesperança de um povo que vive cada vez pior.
Talvez cada vez mais pessoas tenham que chamar lar a tugúrios destes, não sei. Não conheço números. Não ligo a números. Fui sempre muito mais de letras. Gosto dos nomes das pessoas, gosto de ver as pessoas como únicas, indivíduos todos insignificantes e todos tão importantes à sua maneira. [Read more…]
13M – Mais um dia de luta (II)
Hoje será também um dia de luta para Myriam Zaluar que será presente a tribunal por «alegada desobediência qualificada. Terei “convocado uma manifestação não autorizada” à porta de um centro de emprego, manifestação à qual compareceram “cerca de” quatro pessoas. Os factos decorreram há precisamente um ano. No final deste mês fará quatro anos e meio que aguardo por uma decisão do Tribunal de Família em relação à pensão de alimentos dos meus filhos, de 15 e 7 anos.»
Às 11 horas, no Tribunal de Pequena Instância Criminal de Lisboa (Campus de justiça de Parque das Nações), para quem a quiser apoiar.
A justiça é célere no que toca a resolver assuntos realmente importantes, embora também se esqueça de cumprir os seus deveres.
13M – Mais um dia de luta
Conjugação do verbo Suicidar-se
Eu, pedro passsos coelho, suicido-te
Tu, aníbal silva, suicida-lo
Ele, josé socrates, suicida-te
Ela, paula teixeira da cruz, suicida-te
Nós, governantes corruptos de qualquer cor, suicidamo-vos
Vós, banqueiros gordos e desonestos, suicidais-nos
ELES, povo reles que fede a pobre, suicidam-se
ELAS, mulheres inúteis que fedem a miséria, suicidam-se
ELES e ELAS, crianças indefesas que fedem a falta de futuro, suicidam-se às mãos de progenitores desesperados
Tenham vergonha na cara! Deixem de matar inocentes! O vosso nome ficará para sempre associado a todos os nossos que cairam por não haver quem lhes desse a mão, por não verem uma nesga de luz ao fundo do túnel, por estarem irremediavelmente desesperados.
Chora, Portugal, o luto que te consome diariamente pela perda destes filhos tão desgraçadamente desaparecidos.
Indignação
Ando, desde que li sobre a última «pérola» eructada por antónio broche,s para escrever algo sobre o assunto.
Furiosa, danada, revoltada, usei a minha página pessoal do Facebook para o insultar livremente e sem qualquer tipo de pudor, mesmo sabendo que alguns dos meus «amigos» são meus antigos alunos e actuais formandas ou familiares já com alguma idade e pouco habituados a palavrões.
Mas até agora não encontrei palavras para mostrar a minha indignação aqui. Sei que o assunto já foi por cá abordado, mas preciso, ainda assim, de reflectir sobre isto. Sobre o significado de tamanha pouca vergonha.
Sendo, desde que me conheço, defensora dos direitos de todos (ou de quase todos, que neste momento não reconheço grandes direitos a certas «mentes-com-quantos-dentes-tens brilhantes»), as declarações do dito cujo, de quem não se espera nada de útil, calaram fundo na minha alma. Senti ondas de revolta, senti uma fúria pouco habitual. Se aquele ser ignominioso estivesse perto de mim, acho que seria desta que eu, uma pessoa pacífica, pacifista e pacificadora, apertaria o gasganete a alguém, tirando-lhe a tosse sem dó nem piedade.
Pensar sequer na hipótese de cortar no salário de quem ganha a côdea de 485 euros mensais com o pretexto de que assim se diminuiria o desemprego é uma ideia tão absurda que, sinceramente, não sei como a apelidar. E isto vindo de quem ganha o que ganha por ser Conselheiro do Governo.
Cada vez são maiores e mais frequentes os insultos que estes fulanos fazem ao povo que lhes paga os salários, as casas, os carros, as mordomias. Já não há decoro ou respeito. Acham-se no direito de tudo dizer, de verbalizar todo o lixo que lhes passa pelas mentes enegrecidas com tanto pensamento inútil. [Read more…]
Uma perguntinha
Estava eu aqui, sossegadinha, a escrever um post e fui repentinamente assolada por uma dúvida. Será que o António passa factura pelos broches que faz ao governo? Suspeito que não, já que o trabalho sexual não é legalizado…
Dia Internacional da Mulher
Hoje é Dia Internacional da Mulher.
Por cá, há quem use dar uma flor ou um «miminho» às mulheres da sua vida ou como campanha de promoção de alguma coisa.
E ficamos por aí. Mulheres felizes porque receberam alguma coisa, homens felizes porque deram provas de ser grandes e atenciosos para com as mulheres. Assunto encerrado.
Eu não recebo nada no Dia da Mulher. Não preciso. Recebo todos os dias aquilo que muitas mulheres nem no Dia da Mulher recebem. Tenho a sorte de ser tratada como todas as mulheres merecem ser tratadas. Mas eu pertenço a uma minoria.
Neste dia, tal como em muitos outros, mas admito que no 8 de Março particularmente, penso na infelicidade que ainda é ser-se mulher em muitos cantos do mundo, até mesmo em Portugal. [Read more…]
Insulto às mulheres
Hoje lembrei-me desta publicidade.
Porque é Dia Internacional da Mulher e porque, embora as mulheres sejam cada vez mais numerosas e mais presentes em praticamente todos os sectores da sociedade moderna dos países desenvolvidos, há ainda um longo caminho a percorrer.
Porque, apesar de todas as qualificações e de todos os esforços, uma mulher profissional é frequentemente preterida quando compete com um concorrente homem.
Porque, mau-grado toda a evolução na sociedade e as provas dadas por muitas mulheres em lugares de chefia, elas continuam a ser muito minoritárias nesses postos de trabalho.
Porque eu sou mulher e já me senti assim insultada quando um colega (tão incompetente que foi a única pessoa despedida naquela empresa) ganhava mais do que eu, trabalhando muito menos e muito menos eficazmente.
Porque, mesmo antiga e com fraca qualidade, continua a representar aquilo que diariamente se faz a muitas mulheres.
Pelo menos no Aventar ganhamos todos o mesmo, homens ou mulheres.
Te doy mis ojos – Dou-te os meus olhos
Filme Espanhol sobre a violência doméstica. Tem a particularidade de abordar ambos os lados: agressor e vítima.
Exclusivamente em Castelhano, podendo activar-se as legendas naquele idioma para melhor acompanhamento.
Ficha IMDb aqui
Por que vou ao 2 de Março
Tenho lido alguns testemunhos de pessoas importantes, umas que admiro, outras nem por isso. Todas dizem das suas razões para estarem presentes na próxima grande manifestação.
Eu sou importante apenas na minha casa e no meu ambiente familiar e social (e às vezes nem aí), mas sinto necessidade de «botar» por escrito as minhas motivações. Esta postada será também publicada no blogue das minhas filhas, para que um dia elas possam perceber o que motiva a sua mãe.
Não sei se elas serão como eu, tão críticas do que se passa em seu redor, tão revoltadas com o que está errado ou se, pelo contrário, serão seres amorfos, conformados com o que sucede. Não sei se elas serão de esquerda ou de direita. Não sei se elas se envolverão na sociedade lutando para que o mundo seja melhor. Mas sei que tudo farei/ que tudo faço para que elas sejam pessoas esclarecidas. Para que tenham na base da sua educação princípios de amor ao próximo, de solidariedade, de dignidade própria e de todos os seres vivos, de liberdade. [Read more…]
Filhas, o vosso avô morreu…
Hoje, dia 11 de Fevereiro, a vossa mãe ficou órfã de pai. Isto quer dizer que vós, minhas queridas filhas, acabais de perder o primeiro dos vossos avós. O vosso avô materno. O vosso avô Zé.
É véspera de Carnaval. Todo o dia esteve estranho, alternando entre algum sol e muita chuva miudinha. Como o pai não trabalha e não vos levámos para o infantário, decidimos ir convosco a Esmoriz, para brincarem numa sala meio ATL, meio parque de diversões fechado, que adorais.
Almoçámos lá e, quando chegámos ao tal sítio, estava fechado. Pelo que nos disseram até é possível que tenha fechado de vez, como todos os negócios têm fechado neste país.
A tarde ficou horrível, chuvosa e muito ventosa e fria, mas o vosso pai lá arranjou maneira de andar a brincar convosco. Eu vi o mar de Inverno que adoro.
Está um tempo horrível. Sinto-me chateada, aborrecida, farta. Regressamos a casa pela Estrada Nacional. É bem mais agradável do que a Auto-Estrada. Passamos a Feira de Espinho. Ao ver aquela confusão, perguntas o que é, Leonor, e lá te dizemos que é uma feira muito grande. Vais reparando em tudo o que vês pelo caminho e vais comentando tudo. Tu, Carolina, segues o exemplo da tua irmã e lá vais também falando do que vês pela janela do carro novo.
Como ainda é cedo, e entretanto estais as duas a dormir, o pai pára em frente à praia de Salgueiros, para eu poder, mais uma vez, ver aquele mar que adoro. Saio do carro, apanho aquele vento forte e frio na cara, tiro umas fotos. Não me apetece vir embora, mas são horas. Sinto-me apaziguada, como sempre, depois de ver o mar Invernoso.
Quase a chegar ao Periscópio, no cruzamento da rua por onde passa o metro no empreendimento Cidade Jovem, o meu telemóvel toca. É a vossa avó. Estranho… Ela sabe que vou trabalhar a essa hora. Comento com o vosso pai: «a minha mãe… Será alguma coisa com o meu pai?» Faço esta pergunta sem sequer imaginar a gravidade, a profundidade do que já aconteceu e eu não sei. Imagino mais uma ida para o hospital.
«Nena, o pai acaba de falecer», anuncia a voz embargada da minha mãe. Reajo: «Mamã, estou a caminho do Periscópio, vou já para aí». Desligo o telefone. Anuncio ao vosso pai: «O meu pai acaba de morrer. Vamos já para lá.»
As duas já tinham acordado. Tu, Leonor, sempre atenta, percebes que se passa alguma coisa. Perguntas o que aconteceu. O que é que a avó me disse. [Read more…]
Fotodepilação para tótós
Amplamente ilustrada. É em Finlandês, mas quem quer ouvir o que dizem? Está aqui.
Roubada do Facebook de uma pessoa muuuito informada.
Pela hora da morte
É verdade, morrer está pela hora da morte. Pelo menos neste país.
Faz precisamente hoje uma semana, vi-me confrontada com aquilo que todos sabemos que vai acontecer, mas tentamos nem sequer pensar que vai realmente acontecer: a morte dos nossos progenitores.
O meu pai morreu há uma semana. Se eu não me atrasar na redacção, fará exactamente uma semana no momento em que este post for publicado. Será mais uma das pequenas e simbólicas homenagens que lhe posso fazer. [Read more…]

























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