Postcards from Greece #50 & #51 (Lagkadás)

It is all Greek to me

 

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é o que penso hoje, durante uma parte da manhã. Que para mim é tudo grego, literalmente, porque não percebo nada do que diz o meu segundo entrevistado. É uma sensação estranha esta, fazer perguntas numa língua e responderem-nos noutra, absolutamente diferente e incompreensível para mim. É difícil a conversa fluir, desta maneira como é evidente, mais a mais porque as respostas do entrevistado são depois traduzidas pela R, não em inglês, mas em francês. Ou seja, eu coloco as questões em inglês, a R. traduz quase todas para grego (porque ele percebe um bocadinho de inglês e algumas não é preciso traduzir) e a R. traduz as respostas depois para francês, porque apesar de entender bem o inglês não se sente tão à vontade para falar. Portanto, aqui estou em Lagkadás, uma pequena cidade a noroeste de Salónica, completamente perdida na tradução. Antes tínhamos feito outra entrevista em Salónica, em que praticamente se dispensou a tradução, porque a senhora falava inglês razoavelmente. Mas agora, agora é mesmo tudo grego para mim.

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Postcards from Greece #48 & #49 (Edessa)

A Cidade das Águas

 

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É assim que é conhecida esta pequena cidade a nordeste de Salónica, distante desta 95 quilómetros e, de autocarro ou comboio, aproximadamente uma hora e meia. Edessa é a capital da região de Pella, naturalmente localizada na Macedónia central. É uma cidade extremamente sossegada, com aproximadamente 18 mil habitantes e onde se concentra uma boa parte dos serviços administrativos da região. Atualmente Edessa vive essencialmente do turismo mas foi, até meados do século XX, um importante centro industrial, com muitas fábricas de têxteis, aproveitando a abundância de água.
Antiga capital da Macedónia central, Edessa foi uma cidade sempre disputada, devido à sua localização geográfica, por Búlgaros, Sérvios, Bizantinos e Otomanos. Tal como toda a Macedónia, a cidade esteve sob ocupação Otomana mais de 400 anos, tendo sido anexada pela Grécia em outubro de 1912 durante a primeira guerra dos Balcãs. Edessa era, na época, como é ainda hoje (explica-me o D. durante as viagens de carro de sábado entre as aldeias dos arredores) uma cidade multicultural. A cidade esteve sob ocupação alemã durante a segunda guerra mundial. Foram, aliás, os alemães que construíram grande parte do que é hoje o Museu da Água e os jardins perto das cataratas de Edessa, para fins turísticos. Conta-me o D. que no final da guerra, os ocupantes queriam destruir as construções, mas tiveram a oposição, bem sucedida dos habitantes da cidade. E os canais e canaizinhos que abundam pela cidade, os jardins e as infraestruturas associadas à grande queda de água (Karanos, com 70 metros de altura) e às cataratas mais pequenas que a rodeiam, alimentadas todas pelo rio Edessaios, ali permanecem, sendo hoje uma das maiores atrações da cidade e da região de Pella.

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Clima: do negacionismo a Trump

Publicado no Esquerda.net

Dados National Centers for Environmental Information

O ano 2017 foi o quinto mais quente desde que se regista a temperatura global. O mais quente foi o ano de 2015, seguido de 2013, de 2010 e de 2004. Durante os 10 anos precedentes, em 7 destes registaram-se temperaturas médias globais que os colocam no top ten dos anos mais quentes (ver figura). O mês de dezembro de 2017 foi o 396.º mês consecutivo cuja temperatura média foi superior à média de temperaturas registadas durante o século XX. Obviamente, a temperatura global está sempre sujeita a oscilações à escala anual. A este período de acentuado aquecimento, poderá seguir-se um período de temperaturas globais mais baixas. No entanto, à escala de décadas, a tendência da evolução da temperatura global não engana. Nas últimas quatro décadas registou-se um período de acentuada subida da temperatura média global.

Durante anos assistimos a discursos em que se negava o aquecimento global pelas mais variadas razões. Em 2008, João Corte-Real, professor catedrático da Universidade de Évora acusava os modelos de simulação do clima de estarem a “ser forçados para aquecer”. Na mesma altura, Delgado Domingos, professor catedrático do IST, assegurava que a temperatura não subia desde 1998 e que os cientistas não conseguiam explicar a descida de temperatura da Terra… Outros produziam discursos mais enviesados pela fé no ultra-liberalismo. Em 2014, Alexandre Homem Cristo garantia no Observador que “o aquecimento global estagnou” que se tratava de “uma derrota política da corrente ideológica que usou a ciência para legitimar o seu radicalismo contra o capitalismo”. Ainda em 2014, Henrique Raposo ia mais longe e afirmava no Expresso que o “aquecimento global está parado desde 2000”. O deputado do PCP Miguel Tiago, ilustrando o desnorte da CDU sobre questões ambientais, apoiava no Avante o discurso negacionista. [Read more…]

Postcards from Greece #46 & #47 (Edessa, Aridaia, Nótia, Foústani, Perikleia, Archaggelos)

As cerejeiras de Archaggelos, dentro de uma nuvem e a verdadeira Macedónia

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Ontem ao princípio da tarde viajei com a S., uma muito jovem estudante de Agronomia, entre Salónica e Edessa. A viagem é curta (uma hora e meia) e a rapariga é uma excelente companhia, apesar de ter apenas 18 anos. Responsável, prestável e extraordinariamente simpática. A S. é filha do D., um antigo estudante de doutoramento da AUTH, com quem a M. me põe em contacto para encontrar pessoas que tenham regressado às aldeias desta parte da Grécia nos últimos anos. Como seguramente quase nenhuma destas pessoas falará inglês muito bem e o meu grego é inexistente, a S. ofereceu-se gentil e entusiasticamente para me ajudar a traduzir a conversa. Sinto-me um pouco estranha porque as entrevistas anteriores foram feitas em inglês e agora as pessoas falam e eu não percebo nada do que me dizem. Se não fosse a jovem estudante estaria completamente perdida. É de facto estranho. Embora tenha feito entrevistas noutras línguas na minha vida, incluindo, como disse ali atrás, aqui mesmo na Grécia, foi sempre em línguas que conhecia razoavelmente. Assim, vi-me naturalmente grega. Ou ter-me-ia visto se não fosse, uma vez mais, a jovem e entusiasmada S.

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A tempestade, perdão, a bonança perfeita do Salgado

img_818x455$2017_09_15_22_13_10_668135Depois do Marcelo a PR, do Costa a PM, Rio a líder da oposição é, claramente, a vitória do, efectivamente, DDT.

 

Postcards from Greece #44 & #45 (Thessaloniki)

«Como me tornei sociólogo» ou «My first job»

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É o título, respetivamente, em Português (do livro ‘Histórias de Verão, Contos de Inverno’, editado pela Asa) e em Inglês (do livro ‘The Man who wouldn’t get up & Other stories’, editado pela Vintage) de um conto de David Lodge, de quem nada leio há imenso tempo, embora tenha lido quase tudo (exceto os ensaios sobre estudos literários e a sua autobiografia saída mais recentemente). O conto é sobre um sociólogo marxista que recorda o seu primeiro emprego, ainda estudante, como vendedor de jornais na estação de Waterloo e a competição pela venda de mais jornais com dois colegas da classe trabalhadora. O aumento da venda de jornais, por causa da competição entre os três, apenas fez com que o patrão aumentasse os seus lucros, sem que os vendedores tivessem tido qualquer compensação. Quando o verão acaba, o estudante deixa o seu trabalho como vendedor de jornais, deixando aos colegas a tarefa interminável de aumentar as vendas. Nessa altura, ele reconhece, como se tivesse tido uma revelação: «eu vi como o capitalismo explora os trabalhadores» e decide tornar-se sociólogo e professor universitário, tomando a decisão com base no facto de a universidade ser um contexto menos afetado «pela ética protestante e pelo espírito do capitalismo», para usar o título de um livro que todos os estudantes de sociologia do mundo lêem, de Max Weber. Mal sabia o estudante ficcional de que algumas décadas mais tarde já não é bem assim… mas adiante.
 

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Finalmente assumiu-se!

Ora aí está o verdadeiro fanático ditador do Porto!

Postcards from Greece #43 (Thessaloniki)

«Valeu a pena ter vivido o que vivi…»*

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… cantava ontem a Maria da Fé, depois do primeiro brinde ao meu aniversário, no Portogalo**. Achei a circunstância adequada à ocasião, apesar de não gostar por aí além de fado. Ou melhor, eu explico, há fadistas que gosto de ouvir e letras e músicas de gosto bastante. Mas em geral, o fado só me faz sentir alguma coisa especial, quando estou fora de Portugal e o ouço assim de repente. «Valeu a pena ter vivido o que vivi/ valeu a pena ter sofrido o que sofri/ valeu a pena ter amado quem amei/ ter beijado quem beijei… valeu a pena», ora bem, pareceu-me como já disse, adequado à celebração do meu 51º aniversário. Apesar de nunca me ter sentido com uma idade específica (pode ser-se ‘ageless’?) e de sempre ter gostado muito de fazer anos, a verdade é – convenhamos, também não sou propriamente desprovida de bom senso – que já vivi mais do que aquilo que poderei esperar viver, mesmo que tenha uma vida longa. E portanto, depois do meio século, parece uma boa altura para fazer os balanços e balancetes deste fado. E concluo, pois, como no fado, valeu a pena ter vivido o que vivi, sofrido o que sofri, amado quem amei, beijado quem beijei, passado o que passei, sonhado o que sonhei, conhecer quem conheci, ter sentido o que senti, cantado o que cantei e chorado o que chorei, nos meus 51 anos sobre a terra. E acho que não é preciso dizer mais nada, embora ao extenso rol cantado pela Maria da Fé pudessem ser acrescentadas imensas outras coisas que, naturalmente, só fazem com que os meus 18 268 dias tenham valido mais a pena.

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Postcards from Greece #41 & #42 (Galátista)

É também uma manifestação de resistência…

 

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… explica-me a R., a propósito da ‘Kamila’, uma festa traditional que, ao contrário do que eu pensei quando me falaram dela inicialmente, dada a data (6 de janeiro), nada a tem a ver com o natal. Estávamos em Galátista, onde vive a minha outra colega, exatamente para que eu assistisse à Kamila. Ontem esteve mais um dia maravilhoso, cheio de sol, e quando chegámos à aldeia, devia ser meio dia, já o cheiro da carne grelhada, tão típico da Grécia, enchia o ar. Fomos subindo a rua, passámos a pequena igreja e entrámos no largo principal da aldeia. Estava muita gente, mesmo muita, numa confusão de cumprimentos, risos, música e o cheiro mais evidente que nunca da carne a grelhar em assadores à volta do pequeno largo. Encontrámos a M. e a filha e o marido e mais umas quantas pessoas. No meio do largo, três cavalos entravam deslumbrantes, faziam umas piruetas e desapareciam. Depois entraram 3 músicos, dois flautistas e um tocador de bombo e os dançarinos, muitos, homens e mulheres, vestidos de trajes tradicionais. Os homens com as camisas brancas compridas atadas à cintura com uma faixa preta e, por cima, um lenço vistoso. As mulheres com os mesmos lenços vistosos à cabeça ou aos ombros, saias compridas e blusas a condizer, bem maquilhadas e bonitas para a festa, pois então. Todos, homens e mulheres traziam pequenas garrafas de ouzo ou tsipouro e dançavam com elas nas mãos. E bebiam delas, pois claro! O barulho era intenso, como só os sul europeus sabem fazer, em dias de festa, ou em outros, vá, quando se junta muita gente alegre.

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Postcards from Greece #40 (Néoi Epivátes)

‘It’s a different kind of happy…’

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Estive muito tempo sem escrever postais, o Natal e isso e o facto de não ter sempre histórias para contar e, por incrível que pareça a quem me conhece, não ter sempre alguma coisa a dizer. De qualquer maneira o postal número 39 foi há imensos dias e hoje é um dia tão bom para escrever o postal 40 (que, na verdade deveria ser o 59) como qualquer outro. Foi bom reencontrar Salónica onde a deixei, seja como for, ontem, após uma viagem cansativa, como quase todas. A única coisa de que não gosto muito quando viajo é da deslocação de um lugar para o outro. Já o disse de outras vezes, noutros postais de outras viagens, que deveríamos ter acesso ao tele-transporte, a uma lâmpada de Aladino, a um anel especial ou um botão em que carregaríamos quando nos apetecesse mudar de ares ou quando tivéssemos de visitar outras paragens. Perde-se muito tempo entre aviões, comboios, táxis autocarros. E, na maior parte dos casos, é isso mesmo que sentimos: que perdemos tempo.

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Postcards from Greece #38 to #39 (Thessaloniki)

‘T’as dejá tout vu’

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disse-me a minha colega (que fala comigo sobretudo em francês, respondendo-lhe eu numa misturada de inglês e francês, formando uma língua bastante original, devo dizer) há três dias, enquanto nos dirigíamos para o instituto onde eu fui dar outro seminário sobre turismo rural, o ATEI, a uns poucos quilómetros de Salónica. Já íamos atrasadas, o Seminário estava marcado para as quatro da tarde e ela tinha-me vindo buscar aqui em baixo, perto de casa. O que ela não sabia, nem eu até ter descido à Agios Dimitrios, era que o trânsito estava um caos. Mal cheguei ali abaixo apercebi-me da estranha calma e da ausência de carros, olhando lá para o fundo, dois quarteirões à frente, vi duas grandes carrinhas azuis, da polícia, que bloqueavam a rua. Estavam junto ao edifício – muito bonito por sinal – do Ministério da Macedónia e Trácia. O que se passava não sabia ainda, mas a calma da rua devia-se então ao bloqueio da polícia. Ainda assim, esperei no sítio combinado. Passaram muitos minutos e liguei à minha colega que me disse que estava a chegar. Passaram mais uns minutos e nada. Ligou-me. Que não podia passar e que fosse ter com ela depois do Ministério. Fui andando depressa, ou tão depressa quanto podia. À porta do ministério muita polícia e muitas carrinhas grandes, quase autocarros, a bloquear pelo menos dois quarteirões. Muitos elementos do corpo de intervenção, armados até aos dentes, e uns cinquenta (se tanto) manifestantes (vim depois a saber, desempregados) que protestavam. Passei por eles e mais à frente, metida numa confusão de carros, lá encontrei a minha colega.

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Postcards from Greece #35 to #37 (Thessaloniki)

אמא של ישראל

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ou ‘mãe de Israel’ ou ainda ‘madre de Israel’, em ladino, como era chamada até à II Guerra Mundial a cidade de Salónica. Desde finais do século XV Salónica recebeu milhares de judeus sefarditas, ou seja, oriundos da Península Ibérica, e especialmente espanhóis, em consequência da sua expulsão pelos ‘reis católicos’ Fernando e Isabel. Trouxeram com eles a língua, o ladino, e diversos saberes e ofícios, como a cartografia, impressão, medicina, entre outros. O seu conhecimento de armamento constituiu à época uma mais valia para os otomanos. Rapidamente se multiplicaram em Salónica, agrupando-se em comunidades e fundando sinagogas que tomaram o nome dos seus países de origem: Espanha, Portugal e Itália, ou das suas cidades principais. Salónica foi durante muitos séculos a cidade com maior número de judeus na Europa.

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Postcards from Greece #34 (Thessaloniki)

‘Thessaloniki: many stories, one heart’

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vi escrito ontem num camião que recolhia o lixo. Gostei da frase, porque é isso mesmo. Uma cidade múltipla, com mil histórias, ou 2300 anos de história(s), mas um só coração. Pesquisei e trata-se de um projeto (http://manystoriesoneheart.gr) desenvolvido por um habitante da cidade – Theodoros Ploumis – em 2016 para o concurso Apps4Thessaloniki – Tourism edition. A ideia era ser uma app de tourism, um guia, com informações úteis, às quais Theodoros resolveu juntar histórias dos habitantes e dos visitantes da cidade. Um projeto bonito, portanto, feito de histórias e coração.

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E novidades?

Isto provocou alguma “intifada” na CS tuga?

Postcards from Greece #33 (Galatistá)

Todas as aldeias têm o mesmo cheiro

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especialmente no inverno. A frio e a lareira. Uma mistura que para mim é como voltar a casa dos meus avós, nas aldeias em que nasceram os meus pais. Hoje cheirava assim, tal e qual em Galatistá (Γαλάτιστα), a aldeia onde vive uma das minhas colegas, a uns 40 quilómetros de Salónica. Mas é absolutamente o campo. As montanhas imponentes e a seguir os vales ora verdes, ora carregados de oliveiras. As azeitonas na Grécia são, provavelmente, as melhores do mundo. Quanto ao azeite tenho dificuldades em decidir entre o nosso, o italiano e o grego. De qualquer maneira é bom, tal como é boa a comida grega, especialmente a que comemos hoje ao almoço na pequena taverna da aldeia, onde toda a gente fuma, pois claro. A refeição, abundante, composta por diversos pratos gregos, muito queijo feta (com tomate, no forno), souvlaki de galinha, carne de porco frita em azeite e regada com sumo de limão, salada com molho doce, barriga de porco grelhada, regada com mais sumo de limão, batatas fritas caseiras como já não há, uma espécie de salsicha enorme grelhada de que não sei o nome. Tudo bem acompanhado com retsina, um vinho branco ao qual é adicionada resina de pinheiro durante o processo de fermentação. Depois, café grego e uns bolinhos de mel tradicionais nesta altura do ano. Os bolinhos, tal como o é, geralmente, a sobremesa aqui na Grécia, foram oferecidos. Outro dia também me ofereceram o café no Zythos. Filoxenía, portanto, já sabemos.
 

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Tão ladrão é o que vai à horta, como o que fica à porta*

E novidades Sra. Deputada?

*Provérbio popular português

Postcards from Greece #32 (Thessaloniki)

Não sei onde vão os pássaros ao por do sol, em grandes bandos

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que avisto daqui da minha breve varanda em Salónica. Todos os fins de tarde em que estou em casa assisto à dança dos pássaros, centenas deles, voando em grupo ao por do sol, dirigindo-se não sei bem para onde. Nunca soube onde vão os pássaros, nesta azáfama ao por do sol, em parte alguma. É, no entanto, uma coisa digna de ser vista, sobretudo por cima da igreja de São Demétrio aqui em frente e, sobretudo, recortando-se contra o céu que se tinge de cor de laranja ao mesmo tempo que as antenas de televisão.

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Postcards from Greece #31 (Thessaloniki)

Tudo estava calmo esta manhã, após a agitada noite de ontem

 

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Não se via nada que indicasse os confrontos entre manifestantes e polícia (ver postal #30) na Agios Dimitrios, mesmo junto à Universidade. Apenas 3 soldados armados até aos dentes, mas em pose relativamente informal, por mais paradoxal que isto possa parecer, se encontravam em frente ao consulado turco, como sempre. A visita de Erdogan à Grécia que se iniciou hoje* parece também não ter tido grandes efeitos em Salónica. Nem uma manifestação convocada, nem uma concentração agendada, informa-me a página da embaixada dos Estados Unidos que, aprendi ontem, tem separadores especiais para estes eventos, em Atenas e em Salónica. em Atenas parece que houve algumas manifestações, especialmente de curdos protestando contra o terrorismo de Erdogan, chamando-lhe evidentemente ditador. Parece que as conversas entre Erdogan e Tsipras não correram muito bem, com muitas tensões. São séculos de tensões acumuladas entre a Grécia e a Turquia. Relembro que nenhum presidente turco visitava a Grécia há mais ou menos 65 anos. Não sei se é bom sinal que o primeiro presidente turco a visitar a Grécia em 65 anos tenha sido justamente este. Mas adiante. Voltemos a esta manhã, que estava calma. Bebi o café do costume no bar ‘Os Piratas’ e apanhei um táxi porque tinha de imprimir umas coisas antes do Seminário sobre turismo rural em Portugal, aos alunos da Olga, da Maria e da Eleni. Os táxis, já o disse outras vezes, são extraordinariamente baratos na Grécia.

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Postcards from Greece #30 (Thessaloniki)

Potentially violent demonstrations

(fotografias tiradas daqui e daqui)
era o que estava aparentemente anunciado para hoje, embora eu não o soubesse antes de a Giota me ter vindo bater à porta do gabinete, por volta das 3 da tarde. Disse-me que devia sair antes das cinco porque ia haver manifestações e muito provavelmente confrontos entre os anarquistas e a polícia. Perguntei-lhe porque razão. Explicou-me que hoje se assinalava o aniversário da morte de Alexandros Grigoropoulos, um jovem estudante de 15 anos que foi morto em 2008 pela polícia.
 
A área da Universidade era, uma vez mais, uma zona a evitar depois das cinco horas, disse-me a Giota, coisa que confirmei com o segurança do edifício da faculdade, embora ele me tivesse dito que a partir das quatro fechava tudo. Arrumei as coisas e vim para casa. Apanhei o autocarro 16, o que dá uma volta bestial pelo centro e enquanto estava na paragem reparei na enorme quantidade de pessoas que saiam apressadas da Universidade. Reparei igualmente na escassez de trânsito, numa cidade que tem muito tráfego dia e noite. Saí uma paragem antes da Agios Dimitrios, à procura de uma papelaria específica que acabei por não encontrar e fui a pé para casa, depois. A rua estava estranhamente calma.
 

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O pesar do ministro e a morte do artista

Fernando Relvas morreu no passado dia 21 de Novembro. Esperava, há mais de dois anos, por um “subsídio de mérito cultural”, que nunca chegou. Em vez disso, recebeu, a 23 de Novembro, uma inútil e descabida “nota de pesar” do ministro da Cultura. Uma atitude que, enquanto amigo de quase 40 anos de Fernando Relvas, agradeço, por boa educação, mas declino, por indignação. E foi isto mesmo que fiz questão de dizer ao sr. ministro, na carta que a seguir se reproduz e lhe foi enviada no final da semana passada. Porque palavras amáveis quando morrem os artistas de pouco servem, se quem as profere deles não fez caso enquanto vivos.  [Read more…]

Postcards from Greece #28 & #29 (Thessaloniki)

‘We are not lucky, it is a right…’

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disse-me o jovem estudante de Economia Agrária, quando eu referi que tinham sorte em não pagar propinas, nem na licenciatura, nem no mestrado nem sequer no doutoramento. Evidentemente fiz o comentário apressadamente e evidentemente o rapaz tinha (tem) absoluta razão. O ensino, em qualquer nível, deve ser gratuito. A educação deve ser gratuita. Ponto. Não é sorte, de facto, é um direito que todos deviam ter. A conversa teve lugar numa sala de aula pequena e pouco equipada da AUTH (Aristotle University of Thessaloniki para os mais esquecidos ou para os que só agora chegaram a estes postais) onde fui terminar o Seminário que aqui há uns dias havia dado noutro edifício, afastado da cidade – a quinta da Faculdade de Agricultura onde, supostamente – porque nada vi nesse sentido – os estudantes terão as aulas práticas de Agronomia. Portanto, eu estava ali na sala pequena da AUTH para terminar a discussão havida nesse outro dia. Quando entrei na sala, a Maria conversava com os estudantes sobre uns seminários e defesas de teses de mestrado e doutoramento a que deviam assistir. Os estudantes, aparentemente – porque a discussão era em grego – estavam incomodados por ter de assistir a cerca de 10 desses eventos.

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Postcards from Greece #27 (Mount Olympus & Litochoro)

The house of the Gods and Goddesses

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Hoje o dia amanheceu glorioso, sem rasto nem gota da abundante chuva que caiu antes de ontem e especialmente ontem. Também acordei muito cedo para os meus hábitos. Ás 9h20 já estava na paragem do 23, na Kassandrou, aqui em cima, para ir para a estação dos caminhos de ferro de Salónica. O meu destino era (e foi) Litochoro, uma cidade pequenina aos pés do Monte Olimpo, ou melhor (que o Monte Olimpo é grande) a porta de entrada para a casa dos deuses e das deusas gregas. Na estação comprei um bilhete de ida e volta para a pequena cidade. Disse qualquer coisa em português, ou murmurei, e a senhora da bilheteira perguntou-me se era portuguesa, num português quase perfeito, aprendido no Porto onde, disse, viveu alguns anos. Obrigada e adeus.
 

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Postcards from Greece #25 & #26

Uma missa ortodoxa e um dia perdido

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o dia perdido foi hoje. A missa ortodoxa também. E não há qualquer relação, entre uma coisa e outra, mesmo porque a missa ortodoxa terá sido, provavelmente, a melhor parte do meu dia (e é uma agnóstica que vos escreve o postal).

Ontem fui dar um seminário/aula ao Alexander Technological Educational Institute of Thessaloniki, na Escola de Agricultura onde trabalha a Roula. Choveu todo o dia, tal como hoje, embora não esteja frio. O seminário correu bem, com estudantes muito interessados e participativos. O instituto é ainda mais antigo que a AUTH, ou pelo menos parece, porque tem um ar mais degradado. Ou então foi por causa da chuva que fez com tudo parecesse um pouco mais desolador e triste. Refiro-me aos edifícios e ao campus em geral, não às pessoas. No fim, quase duas horas depois, os estudantes agradeceram-me e um deles, vejam bem, ofereceu-me, assim ‘out of the blue’, uma garrafa de sangria grega. Tinha experimentado e gostado e resolveu trazer-me, ainda que não me conhecesse de lado nenhum, nem nunca me tivesse visto. A φιλοξενία (filoxenía ou amizade aos estranhos, sobre a qual já escrevi noutro postal). Outro estudante disse-me, enquanto fumávamos um cigarro no hall as escadas, dentro do edifício (‘pode-se fumar aqui, sim, e em todo o lado. Na Grécia somos democratas, se queres fumar, porque é que não hás de fazê-lo?’. Pois, nada, a mim parece-me bem) que tinha feito Erasmus em Portugal, no IP de Santarém. Sabia dizer ‘bem vindos’, ‘obrigada’ e ‘de nada’. Disse-me ainda que os portugueses também têm φιλοξενία e eu concordei. Talvez não tanto como os gregos, mas sim, somos hospitaleiros que chegue e os estranhos despertam a nossa simpatia.

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Postcards from Greece #22 to #24 (Thessaloniki)

«e uma vontade de ir, correr o mundo e partir, a vida é sempre a perder…»

 

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Este é um postal (ou três, porque não tenho tido vontade de escrever ou nada de especial para contar) de Salónica, mas podia, na verdade, ser de qualquer parte, incluindo de casa onde me tem apetecido regressar bastantes vezes nos últimos dias. Em Salónica, há um bocado, leio a notícia da morte do Zé Pedro dos Xutos e Pontapés. Devo ter gostado muito de Xutos há umas boas décadas, depois passou-me como me tem passado muita coisa nestas cinco décadas de existência. Passou-me, quer dizer, continuei a gostar, mas não, por assim dizer, ativamente. Pode ser-se velho demais para gostar de Xutos ou pode-se ser velho demais para ir deixando devagar de gostar de músicas, cidades, pessoas, coisas. Não sei qual das situações é o meu caso, mas creio que também não interessa muito, até porque as duas não são sequer contraditórias. E mesmo que fossem, é disso que somos feitos.

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Até sempre…

RIP Zé Pedro…

Postcards from Greece #21 (Thessaloniki)

«Se um dia alguém perguntar por mim…»

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ouvi hoje, passava pouco das 10 da manhã, no café ‘Os Piratas’, aqui na esquina da rua de São Nicolau com a Rua de São Demétrio. Chovia torrencialmente e mal saí de casa fui beber um café antes de apanhar o 16, por causa da chuva, para ir para a AUTH. Lá dentro estava quentinho e o café era menos mau. A senhora ao balcão estava com cara de poucos amigos e bebericava qualquer coisa. A música estava baixa e era variada. Vi um cinzeiro em frente da senhora do balcão e pedi um para a mesa. A senhora tira o vaso das flores de dentro de um potezinho verde alface, que estava a enfeitar a mesa e diz-me para por a cinza ali.

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Postcards from Greece #20 (Metéora)

Suspended between the earth and the sky

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ou, simplesmente, no meio do céu. Eis o que quer dizer Metéora, uma área formada por rochas gigantes e nuas, uma paisagem com mais de 60 milhões de anos por acção do vento e da chuva e de diversos fenómenos geológicos e, talvez seja apropriado, pelo desejo de algum deus. Uma paisagem que deve ser única no mundo. Nunca vi nada assim e creio ser difícil que volte a ver alguma coisa assim. Metéora fica na Grécia central, 237 km a sul de Salónica, quando a planície de Tessália acaba e, provavelmente, o céu começa. A área serviu de refúgio contra os invasores, serviu de lugar de oração a muitos ermitas, nas cavernas e fissuras das rochas. A partir de meados do século XIV foi construída a maior parte dos 24 mosteiros que existem até hoje, embora alguns em ruínas. Hoje apenas 6 dos mosteiros são habitados, 4 por monges e 2 por freiras*.
 

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Postcards from Greece #19 (Thessaloniki)

Πόλη / Póli/ Cidade

 

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Há uma estátua, que eu considero muito bonita, na praça Agias Sofias, chamada Cidadãos. Ou Πολίτες/ Polítes. É do escultor Manolis Tzobanaki e mostra três pessoas que lêem o mesmo jornal. A estátua homenageia os cidadãos de Salónica, uma cidade que é grega apenas há 105 anos. Antes era turca e isso nota-se muito, nos monumentos, nos mercados, nos jardins, entre outros aspectos que por serem resultado de uma observação mais subjetiva, não vou mencionar, à exceção do estilo de vida que me parece mais descontraído do que o da generalidade das outras cidades europeias que conheço. De qualquer modo, voltando à estátua dos Cidadãos, ela ergue-se mesmo em frente ao portão da igreja de Agias Sofias, ou Santa Sofia que muitos dizem ser anterior à sua homónima de Constantinopla ou Istambul, conforme preferirem. Não conheço (ainda) esta última. A de Salónica conheci-a hoje, apesar de já a ter visto ao longe muitas vezes, quando passava na Egnatia, uma das principais avenidas da cidade. Gostei da igreja, que é, aliás, património mundial da humanidade, mas confesso que preferi a estátua aos cidadãos. Agias Sofia não é muito diferente de muitas outras (e são realmente muitas outras) igrejas de Salónica e como muitas delas tem claramente um estilo bizantino e foi convertida em mesquita, depois da conquista da cidade pelos turcos. A estátua de que gosto muito apenas existe desde 1987.

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O Ministério da Ciência das Boas Intenções

(Publicado no Esquerda.net)

Se há ciência neste ministério, é a ciência das boas intenções. É a ciência de gerar elevadas expectativas de mudança, de recuperação da dignidade e da justiça laboral entre os investigadores, mas que na realidade não tem correspondência na prática governativa. Após a tomada de posse, o Ministro Manuel Heitor pautou os primeiros meses por declarações de rutura com as políticas de Nuno Crato. A transição das bolsas de posdoc para contratos, a luta contra a precariedade e a contratação de 1000 doutores até ao final de 2016, foram algumas das variadas declarações que geraram enormes expectativas entre bolseiros, investigadores e centros de investigação.
Dois anos volvidos, apenas um reduzido número de concursos individuais foi aberto ao abrigo do regime transitório. Atualmente, o ensino superior e a ciência comportam mais de 14 mil trabalhadores precários. Pior, os bolseiros, investigadores e professores convidados não foram incluídos no Programa de Regularização Extraordinária dos Vínculos Precários na Administração Pública. Persiste o impasse na abertura de concursos para dar cumprimento à norma transitória (artigo 23.º) do diploma que entrou em vigor em 1 de setembro de 2016, temperado por um clima de passa-culpas entre reitores e ministério. Os reitores queixam-se de o ministério exigir mais contratações para a mesma ou inferior dotação orçamental. O ministério acusa as universidades e os centros de má vontade em contratar novos investigadores. Como ambas as partes têm parcialmente razão, cruzam os braços e quem paga o impasse são os investigadores e todo o sistema científico. Este impasse afeta dramaticamente os bolseiros e as respetivas famílias que continuam a aguardar a abertura de concursos. Para muitos, as bolsas anteriores findaram e os meios de subsistência aproximam-se do fim. [Read more…]

Postcards from Greece #17 & #18 (Thessaloniki)

Salónica sob o sol e φιλοξενία (filoxenía)

 

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Salónica com sol torna-se uma cidade francamente mais bonita. A começar pela paisagem das minhas janelas, que é, como já se sabe, basicamente a lindíssima igreja de São Demétrio. Quando está sol, como tem estado nos últimos dias, a torre dos sinos, que hoje por exemplo tocaram duas vezes, por coincidência e para meu prazer, enquanto eu fumava à varanda, torna-se mais bonita ainda, sobre o céu azul. Também o fórum romano parece mais interessante, e o plátano que se ergue no centro da pitoresca praça Athonos parece mais verde, apesar de conter já todas as cores do outono. A Praça Aristóteles fica mais povoada e os navios, no golfo, logo ali, parecem preparar-se para entrar pela praça adentro, como se fosse natural. E o mercado Karpani, onde fui hoje, parece explodir ainda mais em todas as cores, nas frutas, nas flores, nas especiarias, nas roupas, em tudo o que organizadamente se vende e se compra por ali.

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