Pedro, o turboprofessor

PPC

Fotomontagem via Uma Página Numa Rede Social

Segundo o Diário de Notícias, cuja peça foi amplamente citada pela concorrência, Pedro Passos Coelho irá agora dedicar-se à vida académica e dar aulas em várias universidades do país. Depois do advento do turbolicenciado, eis que é chegado o tempo do turboprofessor.

Se considerarmos a experiência profissional de líder cessante do PSD, que passou quase duas décadas na universidade para concluir a sua licenciatura, ou era isto ou regressava à JSD para colar cartazes. Ou à Tecnoforma para abrir portas. Decidiu seguir a vida de docente, depois de vários anos a tentar destrui-la. [Read more…]

Brandos costumes

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via Expresso

Um estudo que envolveu cerca de 4600 jovens revela que mais de metade dos inquiridos já foi alvo de comportamentos violentos no namoro e que dois terços vêem esses comportamentos como normais numa relação. A idade média dos participantes neste estudo foi de 15 anos. Isso, Idade Média.

O Expresso divulgou alguns números deste estudo, que se agravaram, ainda que ligeiramente, face ao mesmo estudo do ano passado. Algo parece estar a falhar na educação dos jovens portugueses, para que tantos adolescentes de 15 anos encarem a violência no relacionamento com tamanha normalidade.  [Read more…]

Transformando Zuckerberg

Tem sido acesa a discussão sobre o papel do Facebook na sociedade, especialmente depois das fake news se terem tornado assunto banal e de esta empresa, juntamente com a Google, ter capturado a quase totalidade do mercado publicitário online, se bem que este tópico não seja tão falado.

Desde a eleição de Trump que o Facebook tem estado em introspecção, uns porque querem que este seja uma melhor plataforma, onde o tempo é bem gasto, outros, cinicamente, apontado que é o medo de desaparecer que move a empresa. O receio não é infundado. Veja-se a transformação a que a Microsoft foi obrigada devido à guerra dos browsers quando a União Europeia lhe aplicou medidas de defesa da concorrência. Ou repare-se, ainda, como o próprio Facebook levou ao declínio do MySpace e de outras plataformas concorrentes. Zuckerberg tem telhados de vidro, garantidamente.

A Wired publicou um extenso e interessante artigo sobre estes e outros assuntos, realçando os tumultos que o Facebook sofreu nos últimos dois anos. É um notável artigo de análise, com muita informação interna, que coloca em perspectiva reacções e decisões da empresa. Leitura muito recomendada.

Alexandre Soares dos Santos, um comunista envergonhado?

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Fotografia: Ricardo Castelo@Jornal de Negócios

Segundo o Expresso, o patrão do Pingo Doce “considera que a atual solução governativa “não é má” para Portugal“. Analisadas à lupa da nova direita radical portuguesa, tais declarações indiciam a possibilidade de Soares dos Santos ser um perigoso comunista. E a julgar pela foto em cima, deve andar a soldo do Costa. Quem diria que o camarada dos supermercados era adepto do estalinismo?

Como tramar hipócritas, homofóbicos e palermas, por Adolfo Mesquita Nunes

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Fotografia: Orlando Almeida/Global Imagens@JN

À parte do mau estar que a revelação causou entre a ala salazarista e ultraconservadora do CDS-PP, para não falar nos seus aliados naturais como a Igreja Católica ou a Opus Dei, a saída do armário de Adolfo Mesquita Nunes, um dos mais promissores e competentes quadros dos democratas-cristãos, deixou uma série de conhecidos hipócritas, homofóbicos e palermas muito atrapalhados. E isso é sempre bonito de se ver.

Quem se lembra da entrevista da secretária de Estado Graça Fonseca, que em Agosto passado assumiu a sua homossexualidade numa entrevista ao Diário de Notícias? Lembram-se das reacções reaccionárias dos paladinos da moral, dos bons costumes e do conservadorismo labrego? Não? Pesquisem no Google, visitem os blogues e os pseudo-jornais da nossa alt-right ou procurem na sarjeta do neofascismo lusitano e rapidamente encontrarão a resposta. [Read more…]

O Monopólio da ladroagem

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A Hasbro lançou o jogo que vai revolucionar os tempos livres de ultraliberais e outros adeptos da ladroagem financeira: a versão do Monopólio para batoteiros. Não que a versão original seja a mais ética, o que não faz com que o jogo se torne menos interessante, mas um Monopólio que permite assaltar bancos, não pagar rendas e adicionar hotéis às nossas propriedades sem pagar por eles deve ser o sonho de criança de centenas de milhares de políticos, banqueiros e empresários corruptos. Estado fraco e impunidade total. Será que dá para fugir com o dinheiro fictício para o Panamá?

Postcards from Greece #63 (Corfu)*

«I want to visit Albania»

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Disse eu à rapariga que estava na ponta do pontão, sentada nas pedras, mesmo ao lado do pequeno farol. A fortaleza antiga em frente, do outro lado da baía. A miúda ouvia música com uns headphones e sorriu ao ver-me aproximar-me da beira do pontão. Vi um banco e sentei-me ao mesmo tempo que a rapariga abanava a cabeça e fazia um gesto com a mão. Mal me sentei percebi. O banco estava molhado. Levantei-me de um salto e rimos as duas com a situação, enquanto eu pensava, de rabo molhado, que sorte não estar frio e estar um solzinho bom. Pedi à rapariga – Ada, agora sei – se me tirava uma fotografia. Tirou duas ou três e perguntou-me de onde é que eu era. Disse-lhe e perguntei-lhe o mesmo. Albânia, sorriu ela. A mesma Albânia ali tão perto e que eu quero mesmo muito visitar. Disse-lhe isso mesmo. Que queria visitar a Albânia há muito tempo. Espantou-se. Era a primeira pessoa que lhe dizia tal coisa. Compreendi-a . Basicamente é o que toda a gente a quem eu digo que quero muito visitar a Albânia faz: espantar-se. Mas no caso da Ada, o espanto era positivo. Talvez este verão, disse-lhe eu. Disse-me que lhe dissesse, se isso viesse a acontecer. Seguimo-nos agora, mutuamente, no facebook. Admirável mundo novo. Estavamos no fim do pequeno pontão que sai do Anemomylos, um moinho de vento, e junto a pequenos barcos de recreio. 4 ou 5 pessoas nadavam nas águas calmíssimas do mar Jónico e eu despedi-me da miúda e voltei para trás, com as calças molhadas a pensar que hei-de ir à Albânia, sim senhora, que daqui seria muito perto e há ferries, mais a mais. De Kassiopi, no norte da ilha, seria um saltinho, se houvesse transporte direto, bem entendido. Agora, seja como for, também não tenho tempo.
 

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Não é a acusação, senhor ex-ministro investigado por tráfico de influências: é mesmo a comunicação social

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A ver se nos entendemos, senhor ex-ministro e homem forte do profissional da abertura de portas: a acusação é o que é e chegará o momento da justiça se pronunciar sobre ela. E não se preocupe, que pessoas do seu estrato social tendem a ser imunes ao encarceramento, mesmo quando o crime é feito nas nossas barbas. Veja o caso dos seus companheiros de partido que rebentaram com o BPN e com a economia nacional. Terá algum deles sido preso? Claro que não. Não só não são como ainda correm o risco de ser elogiados por um primeiro-ministro em funções, como foi o caso do seu grande amigo Pedro. [Read more…]

Uau, Expresso! Que informação dramática

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O Expresso e a sua correspondente em Bruxelas descobriram que Mário Centeno irá em dias seguidos ao Parlamento Europeu. Será que é desta que chega o Diabo? Que informação dramática!

 

Ajustes directos, o financiamento do Porto Canal e outras parcerias público-privadas

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E pronto, já era tempo de termos um caso futebolístico como manda a lei. Para quê perder tempo com favores trocados entre juizes e presidentes ou emails que revelam práticas orquestradas de manipulação da opinião pública, quando podemos olhar para o financiamento do Porto Canal, esse antro de terroristas azuis e brancos?

Ora, segundo o Expresso, onde encontrei a peça que cita o inenarrável I, onde a polémica nasceu, o Porto Canal é financiado pelas autarquias do norte do país, através de ajustes directos. Que choque! Quem diria que uma câmara municipal teria o desplante de assinar contratos de prestação de serviços com órgãos de comunicação social? Nunca tal tinha acontecido. [Read more…]

Postcards from Greece #65 to #67 (Thessaloniki)

 ‘Yasas’ Salónica, ‘Yasas’ Grécia
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Tenho andado estes últimos 3 dias, desde que cheguei de Corfu, a despedir-me de Salónica. Não de toda a cidade, isso seria impossível, mas de alguns sítios e, sobretudo, da vista da minha varanda, sobre a Agios Dimitrios, a ouvir-lhe os sinos pela última vez, a ver os gatos que costumam deitar-se ao sol nos tijolos e me conhecem já como vizinha, do por do sol sobre o golfo, uma e outra vez, de Ladadika, e, nestes locais, despeço-me também de tudo o que fiz e vivi nestes quase três meses em Salónica e noutras partes da Grécia, sobretudo no norte. 3 meses é muito e pouco tempo em simultâneo e na verdade não vi quase nada. Ausentei-me do meu país e da minha vida de todos os dias e isso faz diferença. É agradável por um tempo. Tenho de convir. Não apenas porque se vive, de facto, noutro lugar. Se tem o nosso café, o nosso supermercado, a nossa livraria, a nossa lavandaria, a nossa paragem de autocarro noutro sítio diferente daquele em que vivemos sempre. Mas também porque deixamos nos lugares onde vivemos um bocado do nosso coração. Em cada pessoa que conhecemos. E a Grécia pode ser um país encantador, com paisagens maravilhosas e tão diferentes umas das outras. Das montanhas, ao mar, das casas de pedra escura às casas brancas das imagens que estamos mais habituados a ver deste país. A Grécia pode ser um país maravilhoso. Mas o que a Grécia tem de melhor, o melhor de tudo na Grécia serão sempre as pessoas.
 

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Metallica homenageiam Zé Pedro

À atenção do morador do modesto primeiro andar, a contar vindo do céu.

Postcards from Greece #64 (Corfu)

«Maybe it’s not about the happy end, maybe it’s about the story»

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estava escrito, num grafiti muito tosco num muro velho na praça Lemonias. Só quando passei a fotografia para o computador vi que tinha cortado a palavra ‘end’. A frase ficou estranha na fotografia: ‘maybe it’s not about the happy, maybe it’s about the story’… ou, daí talvez não tenha ficado assim tão estranha, talvez faça também sentido. É o meu último dia em Corfu o dia a que se refere este postal e o dia em que ao entrar na praça Lemonias dei com o velho muro com esta frase. É também o dia antes do antepenúltimo que passarei na Grécia, pelo penos desta vez. Acordo tarde, no velho hotel e não tomo o pequeno almoço, porque já passou da hora. Arrumo as minhas coisas, tomo banho e deixo a mala na receção antes de sair para a rua. O voo para Atenas é apenas às 19h40, pelo que tenho muitas horas ainda – mas nunca as suficientes, como sempre – para me passear pelas ruas estreitas da cidade e me distraír com os seus belos edifícios de arquitetura italiana. A cidade antiga poderia facilmente ser uma cidade italiana, já o disse ontem. Apesar de terem sido os Venezianos os responsáveis pela arquitetura da cidade, a verdade é que, para mim, Corfu se assemelha muito mais a Nápoles ou a Génova do que a Veneza. Para começar faltam-lhe os canais, é evidente. Apesar de ter o mar, a configuração é completamente outra e o modo como a cidade se relaciona com a água também. Faz-me lembrar Nápoles e o Quartieri Spagnoli, nas margens do qual fiquei alojada quando estive – que saudades – na bela cidade do mezzogiorno. A roupa a secar em estendais improvisados em qualquer parte, de um lado ao outro das ruas, algumas, como disse, muito estreitas (e nisto sim, também se parece com Veneza e com Génova e com muitas das outras cidades italianas que conheço) torna tudo pitoresco, mas de um pitoresco desalinhado e imperfeito de que não posso senão gostar.

Graças a Deus, são caucasianos

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Louise e David Turpin formam um sádico casal de monstruosas aberrações, que submeteu os seus 13 filhos a uma existência de terror e tortura. Privados de liberdade e sujeitos a uma alimentação miserável, tendo apenas direito a uma refeição por dia, só podiam tomar banho uma vez por ano e eram constantemente punidos com castigos de semanas ou meses que incluíam serem acorrentados ou amarrados à cama sem poder usar uma casa de banho. Em tribunal, Louise sorriu. [Read more…]

Deixem a Legionella privada em paz!

CUF

Imagem via Diário de Notícias

Treze pacientes da CUF infectados pela Legionella depois, os partidos de direita ainda não pediram a cabeça de nenhum dos membros da poderosa família Mello, nem atribuíram a culpa ao governo, aos comunistas, aos bloquistas ou à CIG. Algo de muito estranho se passa para os lados do Caldas, da São Caetano e dos bunkers dos seus spin masters.

Entretanto, e enquanto na CUF se tentam controlar os danos e apurar responsabilidades, perante o silêncio ensurdecedor dos governantes no exílio, somos confrontados com mais um falhanço do anterior governo, que segundo António Leitão Amaro havia proibido (LOL) a Legionella. Não só não proibiu (LOL) como a sua entourage não parece muito preocupada com a versão privada do problema. Pudera! Entre a santíssima iniciativa privada e a sua liberdade de fazer o que lhe apetecer, doa a quem doer, não se mete a colher.

Postcards from Greece #62 (Corfu)

«What are you doing here? It’s winter!»

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espantou-se o dono do bar onde, eram já mais de onze da noite entrei em busca de um café. Tinha já ido a 2 ou 3 sítios, sem sucesso, ou seja, sem que tivesse encontrado o precioso líquido. O senhor era bastante falador, mas compreende-se, sendo eu a única cliente, que ele tivesse querido saber de onde eu era e o que estava ali a fazer, pois… se era inverno! Eu respondi-lhe que estava a conhecer um bocadinho de Corfu e que preferia assim, no inverno, porque no verão deve ser impossível. Confirmou que no verão os turistas são mais que muitos mas ainda assim… ‘é inverno, não há nada para fazer aqui’. Disse-lhe que gostava de tirar fotografias e de pouca gente e por isso para mim esta foi a altura ideal para visitar Corfu. Depois falou-me de tudo e mais alguma coisa. Queixou-se dos impostos, logo a seguir, e consequentemente, do governo (apesar de ter dito ‘I voted for him the 3 times!’ quando lhe perguntei o que achava do Tsipras), da juventude e até dos turistas! Fiquei um bom bocado a ouvi-lo diante da minha grande chávena de café (pedi um ‘americano’, dado o adiantado da hora), praticamente sem poder dizer nada, porque ele estava apostado em falar. É inverno. É provável que eu tenha sido a única pessoa que entrou no bar hoje.
 

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Luís Filipe Vieira e Rui Rangel constituídos arguidos

LFV

Fotografia: Pedro Cunha@Público

A manhã de hoje fica marcada pelas buscas da Polícia Judiciária à casa e gabinete do juiz desembargador Rui Rangel, antigo candidato à presidência do SL Benfica, bem como à casa de Luís Filipe Vieira e às instalações da Benfica SAD. Ambos foram constituídos arguidos, estando em causa “suspeitas de crimes de recebimento indevido de vantagem, ou eventualmente de corrupção, de branqueamento de capitais, tráfico de influência e de fraude fiscal“, e foram também detidas cinco pessoas, no âmbito desta operação conjunta da PJ e do Ministério Público. [Read more…]

Postcards from Greece #61 (Ioannina)

A cidade ao pé do lago

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O lago de Ioannina, ou lago Pamvotida, é o maior lago da região do Epirus. Está situado a 470 metros de altitude e a sua abundância de água deve-se às montanhas ali em volta, e à água que nasce delas e à neve que, na primavera, alimenta os rios. O lago, já o escrevi no postal de ontem é infinitamente belo e eu podia, também já o disse, ficar a contemplá-lo para sempre. Esta manhã o lago está coberto de uma leve neblina que faz com que tudo pareça irreal, com que tudo flutue naquela fronteira, que agora não se vê, mas se supõe, entre a água e o céu. Até eu. Fico ali a olhar para aquilo antes de subir até à praça 25 de março, onde fica o museu arqueológico. A praça é estranha, apesar de ter uma vista assombrosa sobre o lago. Mas é descuidada e está cheia de homens que andam de um lado para o outro. Não me sinto confortável ali e desço rapidamente para a Averof. Antes de entrar na praça 25 de março passei pelo relógio de Ioannina, no meio de um jardim, rodeado de obras. Ainda o vejo daqui na rua Averof que começa a descer em direção ao castelo.
É nessa direção que vou mas antes de chegar ao castelo corto à esquerda para a pitoresca rua Anexartisias. A rua está cheia de cafés bares, lojas disto e daquilo. É comprida, mas estreita e tem muitos arcos que dão para pequenas vielas ou pequenas alamedas, algumas forradas a azulejos. Entro num desses arcos que me parece bastante bonito, logo ali encontro a Route 66. Não a verdadeira, claro, mas um bar com esse nome. Admiro o edifício, mas não entro. Continuo em frente, caminhando sobre os mosaicos vistosos da Stoa Liampei até chegar a um café – Montage – forrado com fotografias de estrelas de cinema. Vejo a cara da Jean Seberg e resolvo entrar. O café é, além de muito cinematográfico, bastante bonito e o café propriamente dito é bom. Depois do café saio para a Kaniggos e volto, na esquina a seguir, para a Anexartisias. Deambulo entre lojas de tudo e de nada, e volto para trás, para ir à fortaleza. Entro nela pela porta B. Sei que à esquerda da porta, um pouco mais adiante, porque vi no mapa, há uma sinagoga. Está fechada. Mas as ruas dentro da fortaleza são bonitas e tranquilas. Não se vê praticamente uma alma e sabe-se que eu gosto disso.

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Postcards from Greece #60 (Ioannina)

The island without a name

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Dou um salto de 3 postais, porque em Salónica nada de relevante se passou. Fiz entrevistas, fui à AUTH e até houve uma defesa de tese através do Skype. Mas bom, repito, nada de relevante se passou no meu quotidiano. Tanto que nem dei pela manifestação da Aurora Dourada em que parece que houve distúrbios e um incêndio. Ainda bem que não dei por nada, é o que penso. Mas leio com tristeza estas notícias, especialmente por saber que, ao que parece, se tratou da maior das manifestações deste partido de extrema direita.
 
Além do salto de 3 postais, também vou atrasada dois dias. Ao todo deveria ter escrito 5 postais, desde o último. Tive um problema com o computador, antes de ontem. Tive de reinstalar todo o sistema. Coisas da vida. Agora parece normal, vamos ver se sim. Isto aconteceu já eu estava em Ioannina, ou Janina, onde cheguei dia 24 (o dia a que se refere este postal, portanto) às 3 da tarde, depois de uma viagem belíssima entre os montes cobertos de neve. A certa altura, já perto da cidade vê-se o lago inteiro e a pequena ilha – ou nisí , em grego – a que muitos sites se referem como a ‘ilha sem nome’, porque, de facto, não o tem. Gostei logo desta designação, é evidente. E depois de pousar a mala no muito simpático e confortável e com um pequeno almoço fabuloso, hotel Z, em frente ao lago Pamvotida, saí para a rua decidida a apanhar o barco das 16h. Tinha lido que os barcos que saem do pequeno porto para a ilha sem nome o faziam apenas de hora a hora, no inverno, pelo que esperava conseguir apanhar o das 16h. Mas o lago distraiu-me. Se já estiveram em Ioannina compreenderão, seguramente.
 

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Donald Trump gozado pelo Guggenheim de Nova Iorque

GT

Fotografia: William Edwards/AFP@CNN

Donald Trump pediu ao Guggenheim de Nova Iorque que lhe emprestasse “Paisagem com neve”, de Van Gogh, para que a pintura do mestre pós-impressionista pudesse ser exposta na Casa Branca. O museu, porém, recusou-se a aceder ao pedido do presidente, sugerindo o empréstimo de uma sanita de ouro como alternativa. A sanita integra a exposição “America”, do escultor italiano Maurizio Cattelan, que satiriza a riqueza excessiva dos Estados Unidos. [Read more…]

Confirma-se: Passos Coelho tinha razão

PPC

Fotografia via Beira News

Depois do anúncio da Google, eis que somos hoje confrontados com uma nova tragédia, que apenas vem reforçar a genialidade, clarividência e intuição do primeiro-ministro no exílio, Pedro Passos Coelho.

Segundo o Jornal de Negócios, a Amazon poderá a próxima gigante tecnológica a aterrar em Portugal. E – espantem-se – diz-se por aí que poderá aterrar no Francisco Sá Carneiro, e não no Humberto Delgado, contrariando a lógica centralista que impera no rectângulo.

A confirmar-se este rumor, podem os passistas regressar à garagem para pegar nas suas bandeiras, não sem antes remover os autocolantes de Santana, e sair à rua para festejar. O querido líder tinha razão e o processo de venezuelização em curso, que lhes permitirá um dia emergir por entre os escombros, continua imparável.

O drama, a tragédia, o horror.

 

Coisas do diabo

PPC

Fotografia: Rafael Marchante/Reuters@Dinheiro Vivo

Como explicar a instalação de um centro tecnológico da Google em Portugal, bem como o anúncio do Bispo Cosgrave de que outros gigantes do sector se seguirão, à luz da filosofia política passista que versa sobre os investidores que não investem em países governados por bloquistas e comunistas? Só pode ser coisa do diabo.

Não consigo imaginar porquê, senhor da maçã

SM

via Expresso

Canonize-se o Pedro

PPC

Fechado que está o ciclo do passismo, que teve na candidatura de Pedro Santana Lopes o seu último suspiro, é chegada a hora das exéquias. Para lá das expectáveis vénias de circunstância, do mais empedernido apoiante de Pedro Passos Coelho ao tom conciliador do novo homem forte da São Caetano à Lapa, outrora crítico do mandato do líder cessante, passando por um exótico conjunto de mulheres e homens-bomba que, a partir das redes sociais e da Fox News lusitana, choram a partida do querido líder e anunciam novos demónios, pactos e cataclismos, aqui e ali emerge um simpatizante envergonhado, que procura contribuir com os seus 5 tostões para a canonização de Pedro.

Na edição desta semana do Expresso, logo na segunda página, a habitual secção de altos e baixos, assinadas pelo director-executivo do semanário, Martim Silva. Em sentido descendente bate-se em mortos, com a mira fixada em João Rendeiro, banqueiro caído em desgraça, e Hugo Soares, protagonista de várias tragicomédias laranjas, com quem Martim Silva não deixa de ser simpático. A subir temos Rui Rio, por motivos óbvios, Hugo Vau, surfista português que conseguiu a proeza que cavalgar uma das maiores ondas que a Nazaré viu rebentar contra a sua costa, e Pedro Passos Coelho. Hein? [Read more…]

O Son Goku dos fachos

SDT

Ilustração de João Carlos Santos@Expresso

Postcards from Greece #57 (Kavála)

«Where are you from?»

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deve ser a pergunta que mais vezes me fazem, na Universidade, nos cafés, nos restaurantes, nos táxis, na rua se calho em perguntar alguma direção a alguém. Quando digo «Portugal» a reação costuma ser bastante boa, ao contrário do que acontece quando viajo para países do norte e centro da Europa. Não quer dizer que aí seja má, mas é um bocado menos entusiasmada, digamos assim. Hoje, por exemplo, perguntaram-me três vezes de onde sou. A primeira foi uma senhora que estava a tomar chá no café onde tomei o pequeno almoço. Ao ouvir-me pedir o que queria, sem mais nem menos perguntou-me de onde era. A seguir se era a primeira vez que estava na Grécia e depois mais não sei o quê. Ou seja, em vez da indiferença com que geralmente somos brindados – bom, pelo menos em geral, não quer dizer que seja sempre assim – nos países mais centrais da Europa, aqui as pessoas interessam-se. Como o rapaz do hotel – outro hoje, não o que hasteou a bandeira portuguesa ontem à tarde – que quis saber o que é que eu estava aqui a fazer, se Espanha e Portugal falam a mesma língua, qual era a equipa de futebol da minha cidade (esta é recorrente, especialmente se são homens, hoje perguntaram-me isto duas vezes), etc., etc. Ou o taxista que me trouxe da estação de autocarros aqui em Salónica, onde já estou há um par de horas, que queria saber tudo e um par de botas, me falou de Cristiano Ronaldo com enlevo e do Fernando Santos (?) que parece que é o treinador de um clube grego qualquer de que ele é adepto. E também quis, claro, saber o qual era o clube da minha cidade. «Beira Mar» respondi eu. E, mais uma vez, me espantei, como antes de outras vezes. Ele conhecia! Talvez deva aprender mais sobre futebol, mas bom, eu até há uns 4 ou 5 anos desconheia quem era o Messi, por isso, saber que o Beira Mar é a equipa de Aveiro, digamos que já é qualquer coisa.
 

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Os jornalistas avençados pelo saco azul do GES estão de regresso ao Expresso

RSalgado

Fotografia via Jornal de Negócios

Há muito muito tempo, numa galáxia longínqua, um grupo de jornalistas destemidos expôs um complexo esquema de evasão fiscal, envolvendo figuras de topo da política e dos negócios, práticas ilícitas e sociedades-fantasma offshore. O Expresso e alguns dos seus jornalistas estiveram envolvidos na investigação desde o primeiro momento.

Com o caso nos jornais e alguma indignação momentânea na sociedade civil, decapitaram-se por cá duas ou três cabeças secundárias, oferecidas em sacrifício ao Deus do dinheiro fácil obtido pela via da pulhice, até ao dia em que o Expresso abriu uma caixa de pandora ao noticiar a existência de uma lista de jornalistas avençados por um saco-azul do GES, com o propósito de comprar cobertura noticiosa e/ou opinativa favorável aos interesses de Ricardo Salgado e restantes membros da corte. [Read more…]

Postcards from Greece #54 to #56 (Kavála)

«I have to put the flag out»

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atirou-me o senhor da receção do Old Town Inn, em Kavála (um hotel muito simpático, centralíssimo e escrupulosamente limpo) depois de ter dito ‘Ah, you are from Portugal’. Fiquei a olhar para ele sem compreender e perguntei o que significava colocar a bandeira lá fora. ‘A bandeira de Portugal, ora essa’, disse-me ele como se fosse uma evidência e como se em todos os hotéis colocassem a bandeira nacional de cada hóspede. Eu confesso, já dormi em tantos e nunca dei por que hasteassem a bandeira portuguesa por mim. De maneira que quando regressei do meu passeio pela pitoresca e cheia de charme cidade, lá estava ela, a minha bandeira, ou melhor, a bandeira portuguesa, a ondular levemente ao vento, juntamente com uma bandeira turca, outra alemã e ainda outra inglesa. O hotel é pequeno. É o que lhe vale. Pois se hasteiam uma bandeira por cada nacionalidade dos hóspedes não haveria fachada que chegasse! Quando a vi, ao regressar, senti uma pontinha de alegria. Já se sabe que não sofro de patriotismo, como digo frequentemente podia ser de qualquer parte e, por isso, para quê amor desmesurado a uma pátria que nos calhou apenas por acaso? Mas apesar disto, senti então uma pontinha de alegria ao ver a bandeira portuguesa hasteada na fachada do hotel. Saudades de casa ou apenas, quer eu queira quer eu não queira, o reconhecimento de que, afinal, sempre terei algum prazer (não digo orgulho, vá, que seria demais) em ser portuguesa.

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Abaixo Donald Trump! Viva a Monsanto!

Não que a mensagem contida no novo tema e vídeo dos U2 não seja actual e relevante. É claro que é. Mas, corrijam-me se estiver errado, estes são os mesmos U2 que têm como vocalista Bono Vox, o multimilionário activista que defende o capitalismo como meio de acabar com a pobreza, apesar das desigualdades e da exploração que gera, e que anda de mãos dadas com os agro-terroristas da Monsanto, o Daesh que envenena a nossa comida, certo? Infelizmente, não há registo de cantigas de pseudo-intervenção com a mira apontada aos Trumps das sementes geneticamente modificadas. Só paleio de saco humanitário.

Não consigo imaginar porquê

DT

via Expresso