Qual é que se acabará primeiro, o stock de medalhas ou de laranjinhas para condecorar?
Sobra-me uma dúvida
Umas pastilhas resolvem isso

Fotografia: Luís Carregã
Pelos corredores da direita circula um novo spin que procura colar Costa a Marcello Caetano. A tese? Costa foi para o YouTube falar aos portugueses, logo há base para evocar as Conversa em Família, como aqui se fez, por exemplo.
Mas se é para usar o argumentário ad dictatorem, ninguém levará a mal que recordemos o homem que teve Salazar como suporte. Pois não?
Nota: Alguém que avise o Obama que ele não inovou e que, apenas, teve mau gosto ao imitar Marcello.
Duplo pensar na política – o CDS e a propriedade privada

“CDS acusa Governo de estar a atingir o coração da propriedade privada”, lê-se na comunicação social sobre um eventual novo imposto sobre as doações. Muito bem, vamos lá defender os portugueses do papão Estado, que come tudo e não deixa nada. Imagine-se, por exemplo, se as terras, ícone da propriedade privada, ficassem na mira deste guloso mostro. O que faria o CDS, o ex-partido da terra? Discursos inflamados, cheios de um ar mais sisudo do que teriam numa segunda revolução dos cravos, seria o mínimo que se poderia esperar. O Observador e a Helena Matos fariam a reportagem sobre os abusos estatais, o Camilo Lourenço traria os números da situação e alguém com jeito para a piadola faria uma fotomontagem sobre “outro” conselho do Costa. A fórmula usada e abusada da desacreditação, forjada com a reportagem opinativa, tornada séria com números e ridicularizada com sarcasmo.
Um bom dia para tirar a máscara…
A namorada difícil
Merkel elogiou Passos Coelho numa conferência de imprensa conjunta com António Costa. Antes, quando se encontrou com Passos Coelho pela primeira vez, Merkel elogiara Sócrates. Suspeita-se que a Bundeskanzlerin é como as namoradas difíceis, que só dizem bem do anterior namorado. (O crédito da piada vai para Pedro Mexia, no último programa Governo Sombra).
Três coisas sobre o orçamento

Imagem: económico
1 – em quatro anos tivemos oito orçamentos rectificativos. Estamos falados quanto à credibilidade daqueles que agora apontam o dedo.
2 – aumentar impostos nunca é positivo. A alternativa (corte de 600 milhões nas pensões, lembram-se?) também não.
3 – irresponsável, irrealista inexequível: tem sido a adjectivação da direita. Mas ilegal não será. O que constitui um alívio depois de 4 anos de borderlines constitucionais.
4, porque não há duas sem três – Merkel transpirou hipocrisia ao elogiar um governo que não cumpriu um único orçamento e que falhou todas as metas a que se propôs. A direita do interesse nacional aplaudiu.
5 – esta série sobre o orçamento tem um claro problema na estimativa da dimensão. Ilustra como estabelecer metas que se possam aplaudir, para depois fazer algo diverso. Não me critiquem, sff, apenas estou a repetir a fórmula do anterior governo. E que o actual também aplicará, já agora.
6 – o problema orçamental resulta de se gastar mais do que se recebe. Não salvar bancos e deixar de patrocinar a iniciativa privada (p. ex. IPSS e subsídios do IEFP para contratação) era capaz de poupar uns trocos. Mas, claro, o problema está nos salários de quem trabalha, merecendo receber por isso, e nas pensões de quem já as pagou.
Um orçamento muito diferente
Já ouvi os mais díspares pontos de vista quanto a este orçamento de estado. Irresponsável, irrealista, inexequível e outras i-zices com que, especialmente a direita, tem procurado desacreditar o trabalho que ela própria não fez – apresentar um orçamento dentro do prazo previsto.
Mas há um i que a direita não usou para adjectivar o orçamento Costa. Inconstitucional. Do que se conhece até agora, e é de ver que o OE ainda não é do completo conhecimento público, não há medidas que possam ser apontadas como potencialmente ilegais.
Governar dentro da legalidade poderá ser, para alguns, um pequeno nada. Haverá quem ache que negociar com Bruxelas o melhor para o país é uma blasfémia, uma insurgência a merecer exemplar açoite. Mas é uma lufada de ar fresco num país governado durante quatro anos no limite da lei, e às vezes, mesmo, para lá da lei, com o consentimento do presidente que a jurou defender.
A loucura dos letrias deste mundo
IGAC: sites que publicam links sem autorização podem ser bloqueados [EI]
É o lobby do negócio artístico em acção (outro exemplo). Que nada tem a ver com autores.
4 orçamentos, 8 rectificativos

Imagem: Jornal de Negócios
Em termos de credibilidade, este é o saldo do governo PSD/CDS. Se tivessem uma ponta de vergonha, estariam calados, para ver se ninguém reparava na asneirada que fizeram. Portugal à frente, mas se se conseguirem fazer ruído que leve isto à implosão, melhor. A vidinha primeiro, e umas eleições é que davam jeito.
Quanto ao orçamento do governo Costa, não tenho dúvidas que será mais um a precisar de ser rectificado. O que anteriormente nunca chocou a “europa”, logo não há-de ser por aí que a porca torce o rabo, excepto se optar por dois pesos e duas medidas.
O interesse dos negócios à frente da prudência ambiental

Chumbados projectos sobre organismos geneticamente modificados. Bloco central de negócios em acção.
Presidente eleito por 25% dos portugueses, mas presidente de todos os portugueses

Declaração de vitória de MRS. Imagem: RTP3
Os 8.96 milhões de eleitores dividiram-se entre se absterem (cerca de 52%) e entre votar. Destes, cerca de 52% votou em Marcelo. Um vitória construída com cerca de 2.3 milhões de votos. São números que nos deveriam fazer reflectir sobre a representatividade dos políticos que elegemos.
Em termos de espectro político, o que é que representa o resultado conseguido por Marcelo? PSD e CDS tiveram, juntos, 2.9 milhões e 2.1 milhões de votos nas eleições legislativas de 2011 e de 2015, respectivamente. Constata-se que Rebelo de Sousa conseguiu, essencialmente, os votos da direita. A esquerda agiu de forma amadora e, ao não ter conseguido construir uma candidatura forte, foi o maior aliado daquele que vai ser Presidente da República.
Marcelo fez um discurso de vitória a apelar à inclusão. É um bom começo para quem se espera que seja o presidente de todos os portugueses.
Nota: Repare-se na bandeira monárquica presente na imagem. Além da ironia da situação, é capaz de ser assunto para o Ministério Público.
Chuva de rãs

Entre campanhas vazias, ganhou a do genuíno, o Tino de Rãs. Mas Maria de Belém não é a única a engolir sapos. Edgar Silva também tem a sua dose, à conta de Marisa Matias.
António Costa pode sorrir com este este resultado, mesmo que o seu candidato tenha ficado pelo caminho. A facção dissidente no PS perde força e Costa fica com créditos de apoios prometidos para cobrar a Marcelo.
Parabéns a Marcelo pelo resultado conseguido com anos de preparação. Não foi a minha escolha, mas agora é esperar que exerça o cargo com equilíbrio.
Maria de Belém perde, com mau fígado
Um porta voz da candidata de Maria de Belém acabou de falar. Evocou, indirectamente, o caso das subvenções para justificar o mau resultado. No entanto, ao fim da primeira semana de campanha, antes do caso vir a público, já se antecipava o mau resultado que a candidata poderia vir a ter (cerca de 8%). Depois do caso das subvenções, piorou. Não só porque é mortal alguém ter-se mexido em luta pelos seus direitos, tendo ficado caladinha quando direitos de outros já tinha sido cortados, mas também porque a campanha que fez foi, desde o primeiro momento, um vazio. Vamos lá ver se o Tino não lhe passa a perna.
Unir um país partido
As últimas eleições legislativas revelaram um país dividido. Norte e sul, distritos mais ricos versus os mais pobres, novos contra velhos, privado e público em confronto, empregados e desempregados.

2015, o ano de confirmação do país dividido
My father made him an offer he couldn’t refuse.

“A Comissão Europeia foi muito clara neste aspecto, por isso, recomendo que nem percam tempo a tentar fazer passar essas propostas.” – lê-se no e-mail enviado a Mário Centeno por Danièle Nouy, presidente do Conselho de Supervisão do Banco Central Europeu, e com o conhecimento de Vítor Constâncio. [Expresso]
Neste meandro de opacidade nunca saberemos a história completa. Em particular, se fazer diferente seria possível ou se simplesmente não seríamos esmagados como foi a Grécia.
O Cavaco é um mono. Um grandessíssimo mono.
Foi o que Marcelo ouviu hoje de uma eleitora. “Acha que sou um mono?” perguntou-lhe Rebelo de Sousa. Não percebi a resposta.
Um orçamento irrealista e que não será cumprido
É o que argumentam PSD e CDS. Os partidos que suportam o governo que falhou todos os orçamentos e metas neles contidos. Todos.
Votar em dissimulados? Não obrigado.

Marcelo, spin doctor
Marcelo Rebelo de Sousa, é público, foi declarado apoiante de Pedro Passos Coelho, Durão Barroso, Cavaco Silva e demais destacadas personalidades do PSD. Ele próprio é um destacado militante laranjinha. Mas, para fugir a uma segunda volta eleitoral, procurou reescrever o seu passado, por actos tais como o afastamento do líder do PSD da sua campanha, pela sua afirmação supra partidária e pela camuflagem da sua vida partidária.
Mas Rebelo de Sousa é, simplesmente, quem sempre foi. Uma destacada personalidade do PSD, que sempre defendeu o seu partido. Os militantes partidários não perdem o direito de se candidatarem por o serem. Mas se procuram esconder a sua natureza, não se queixem de ser apontados por tal. Num contexto onde os políticos, tão despudoradamente, têm um discurso em campanha e uma acção muito diferente no exercício dos cargos, votar em quem se apresenta dissimulado é o primeiro passo para se ter aquilo que não se antecipou. Por isso, não votarei em Marcelo Rebelo de Sousa.
Imoralidade não é ilegal
Por isso Marques Mendes tem explicação para as poucas vergonhas que fez. Mas é incompatível com a política e com debitar verborreia sobre o Estado. Além de, quanto a mim, ali existirem ilegalidades de facto.
Grandes frases
Sampaio da Nóvoa afirmou ontem que “Marcelo já negou nesta campanha mais vezes Pedro do que Pedro negou Cristo.” Com a Páscoa à porta, falta saber quem vai parar à cruz.
Almeida Santos

Semana Académica – Serenata de 2 de Junho de 1979 (foto)
Para muitos foi o político do PS que passou por diversos cargos, como ministro e Presidente da Assembleia da República.
Para alguns, foi o músico que tocou Guitarra de Coimbra com a Tuna e cantou cantou no Orfeon Académico.
Para todos, foi alguém que fez história no seu tempo. Faleceu na noite passada, aos 89 anos. Talvez tenha levado a guitarra consigo.
À séria
Começou por ser ouvida no mundo comentador, foi ganhando seguidores e hoje encontrei a expressão “à séria” num texto jornalístico.
O projecto Jovem Autarca segue os passos das eleições à séria. [P]
O artigo é sobre uma jovem de 15 anos que venceu a segunda edição da iniciativa Jovem Autarca, promovida pela Câmara da Feira. Talvez, dado este fundo de juventude, a autora tenha optado por uma linguagem coloquial. Pessoalmente, acho a expressão feia e tenho pena que vá ganhando terreno, inclusivamente na comunicação escrita.
Paralelamente a esta nota, aproveito para felicitar a jovem Margarida pelo resultado do que me pareceu ser uma campanha com toque profissional.

Imagem: Facebook da candidata
Coisas habituais e previsíveis
Uma greve da CGTP por melhores condições – já se sabe que a perfeição é inatingível – e uma não participação da UGT, porque é melhor não provocar.
Destruir foi muito pouco para um programa de governo
Passos Coelho: “Reverter e destruir é muito pouco para um programa de Governo”. Agora reverte-se o que a direita destruiu. Alguém teria que limpar o cocó.
Desigualdade e 35 horas semanais

Imagem: TSF
Da mesma mesma forma como repetidamente me manifestei por os cortes salariais atingirem mais a função pública do que o privado, também agora quando o governo se prepara para criar outra desigualdade me posiciono contra esta medida.
Acredito que o legislador tem obrigação de procurar a equidade, atendendo às especificidades que possam existir. Neste caso concreto não vejo particularidade alguma que justifique esta diferenciação, pelo que a vejo como inaceitável.
Não querendo alterar o código do trabalho para legislar para todos os trabalhadores, António Costa estará a dar argumentos aos que defendem que o governo não tem condições de estabilidade devido à acção da CGTP e do PCP. Será mais uma pedra que os defensores do “menos Estado, melhor Estado”, apesar de melhor Estado para eles significar mais transferências do Orçamento de Estado para certas empresas privadas, dizia, será uma pedra que eles não se coibirão de atirar.
Certamente que haverá muitas áreas de negociação entre os partidos que suportam o governo. Mas escolher esta em particular é um mau exemplo.
David Bowie

This is Ground Control to Major Bowie
You’ve really made the grade
1947 – 2016
São João da Madeira vai a votos. Más notícias para Marcelo.
O município mais pequeno do país em termos de área, São João da Madeira, vai a votos no dia 24 de Janeiro de 2016. O presidente da câmara, Ricardo Figueiredo, revelando-se incapaz de respeitar o mandato que os eleitores lhe emprestaram, anunciou a renúncia de todos os elementos da lista do PSD. É mais um daqueles políticos que não só precisa da ditadura de uma maioria, como ainda aproveitou o momento de indefinição governativa para mostrar serviço ao partido, ao procurar dar substância à tese de ser impossível governar sem maioria.
Essencialmente, um caso que era menor até ontem, quando Marcelo Rebelo de Sousa o usou para justificar a não participação de Passos Coelho e de Paulo Portas na sua campanha eleitoral. Disse o comentador, agora candidato, que seria para não se misturem os planos autárquico e presidencial. Para evitar, se seguirmos essa mesma lógica, o que o comentador Marcelo Rebelo de Sousa fizera meses antes ao tranquilizar os depositantes do BES quanto à estabilidade do banco.
É uma justificação válida ou trata-se de mais um facto político inventado pelo catavento mediático, como lhe chamara Pedro Passos Coelho num congresso do PSD? Não ter os líderes dos partidos que o apoiam na sua campanha é uma má notícia para Marcelo ou um suspiro de alívio?
[Read more…]














Recent Comments