Faltas

Há dias fui fazer uma TAC no Hospital da Universidade de Coimbra. A hora do meu exame foi alterada por telefone e antecipada mais de uma hora pois estavam a faltar doentes que tinham marcação para essa tarde.

Este facto, aparentemente irrelevante, esconde, na maioria dos casos, um dos dramas para que nos está a atirar este governo sádico: muitas pessoas não têm dinheiro para beneficiar de assistência médica, nem pública nem, muito menos, privada. Muitos doentes faltam a exames, a consultas, a tratamentos, por não terem dinheiro para deslocações nem para as taxas moderadoras. Depois, nem para medicamentos.

Como dizia alguém, em conversa, numa farmácia, “eu para a taxa para entrar na urgência ainda tenho dinheiro; mas não sei se tenho que chegue para, se fizer algum exame, pagar à saída”.

Há dias, numa das suas discursatas, o 1º ministro, descaradamente, ufanava-se de ter salvo o Serviço Nacional de Saúde. Não sei o que mais me revolta: se estas palavras se o facto de saber que há quem acredite e defenda isto

Aníbal, o velho

“A juventude tem condições para abrir uma janela de esperança”, disse o Velho.

“E onde está a janela”? – perguntou a juventude. O Velho conduziu a juventude à janela, abrindo-a. A Juventude compreendeu. E, iluminada pela esperança, zás! Empurrou o Velho.

Manuela e os cães

Manuela Moura GuedesManuela Moura Guedes, recebeu, recentemente, tratamento hospitalar por ter sido mordida pelos seus próprios cães.

Desejo, sinceramente, as melhoras da vítima. Mas não posso deixar de me interrogar sobre as causas de tão estranha ocorrência. Vai daí, consultei especialistas, mergulhei na bibliografia sobre casos que tais e, segundo apurei, podem ser duas as razões: ou a Manuela tinha feito mais uma intervenção no rosto (plástica, botox a mais, maquilhagem estranha ou qualquer outra razão do género), ficando irreconhecível para bichos, ou os cães assistiram ao desempenho da sua dona no programa televisivo Barca do Inferno.

Em caso de julgamento, estas são explicações que militam em favor dos caninos como sérias atenuantes.
– Nota: os animais estão bem

Info-trampolineiros

Por interesse de cidadão, decidi tentar acompanhar o Congresso do PS. RTPInf., Carlos Daniel, o futeboleiro, às alavancas. Tratando as coisas como se os diálogos com os convidados fossem painéis da bola e as entrevistas de corredor fossem aquelas inconcebíveis reportagens que se fazem à entrada e saída dos jogos. Tudo ficaria pela piada e pela incompetência, não fora a visível agenda do pivô. Reaccionarote, com um estilo francamente tablóide, conseguiu, com total desprezo por quem queria ser informado sobre o que se passava no Congresso, centrar-se exclusivamente em Francisco de Assis que, entretanto, já tinha tido a sua birra e tomado o avião.

Que pensa do abandono de Assis? E do “pensamento” de Assis? E do facto de o Assis, anulando a sua inscrição como orador, ter proposto Jaime Gama para candidato à presidência em entrevista aqui ao rapaz -(“vamos então passar, em repetição essa parte”, repetia, contente) ? E que pensa de só Assis ter uma proposta de aliança com a direita? Não acha que é a única hipótese para o país? Não acha que Assis abandonou por ver o PS numa “deriva esquerdista” (sic)? Não acha Assis um grande ausente? O que é o PS sem Assis? Assis…Assis…Assissssss. [Read more…]

Mini-drama em 1/10 de Acto.

Abre o pano; em cena, Margarida, a empregada de limpeza – licenciada em Letras e a recibo verde – de Passos Coelho, trabalha e, nesse interim, vai explicando ao primeiro-ministro:
Margarida – Numa entrevista, dizia sobre Aquilino Ribeiro, Salazar: ‘É um inimigo do regime. Dir-lhe-á mal de mim; mas não importa: é um grande escritor’
Passos – Quem é esse Aquilino Ribeiro?
Cai o pano (envergonhado)

O Cante e o secretário

Mais uma vez foi um bem cultural que prestigiou o País. Já estou a ver o secretário de estado (não consigo usar maiúsculas…) a reflectir neste facto: “Cortei, cortei, cortei na cultura; e ela acaba sempre por dar mais resultados; de onde se conclui que quanto mais cortar, melhor é. Sou tão inteligente!…O sr. presidente do conselho vai ficar contente comigo”.
E é assim…

A fonte e o mal

Agora que o poder judicial está sob desafio, era bom que não houvesse confusões quando se fala em corrupção e lixo jurídico. Não esqueçamos que é o poder legislativo, com maiorias determinadas, agentes determinados, leis determinadas, intenções determinadas, que produz as leis que permitem fazer negócios e transacções públicas e privadas que, sendo formalmente legais, podem ser abjectamente imorais e éticamente contaminantes. Confunde-se legalidade com legitimidade.

A conformidade com a lei ostentada por muita da acção e decisão dos governos, não garante nada senão uma obediência ao, em tempo, prescrito e aprovado que pode, ela própria, ser intolerável para qualquer cidadão com um mínimo sentido de decência. É política, pois, aquilo de que falo. E as leis podem ser boas, más, mas nunca neutras, pelo que a tensão entre elas traduz uma conjuntura do conflito social. Não nos espantemos, então, que também as mais brutais agressões sociais e os mais moralmente repugnantes negócios públicos se fundem e suportem nas leis da República, elaboradas e aplicadas por maiorias devidamente legitimadas pelo consentimento eleitoral.

Quem analisar, brevemente que seja, a arquitectura contratual de uma PPP à portuguesa, percebe imediatamente do que estou a falar. A corrupção está, frequentemente, na lei. É sistémica. E tem actores,autores e mandantes. É essa uma fonte do mal. Ou do Mal, se quiserem. Ou, dito de outro modo, é a luta de classes, pá.

Confusões convenientes

É confrangedor ver a ligeireza com que jornalistas e comentadores televisivos de direita (passe o pleonasmo…) manipulam os factos nas suas análises. Nem digo que seja sempre má fé; muitas vezes é pura ignorância. Não têm conta as considerações que já ouvi sobre o alegado embaraço que a corrente situação política provoca ao líder parlamentar do PS, Ferro Rodrigues, considerado próximo e até colaborador dos governos de Sócrates. Ora vão lá estudar a história, criaturas. Ferro Rodrigues foi ministro nos governos de Guterres (XIII e XIV) e não nos de Sócrates. Da sua acção – e sou insuspeito de qualquer simpatia política por tais governos – retenho uma imagem de decência e de capacidade de diálogo à esquerda que os seus sucessores nunca tiveram. Foi o líder do PS antes de Sócrates e não merecia as circunstâncias em que foi substituído por este. Por isso, parem lá com as telenovelas e ajeitem a “narrativa”.

O seu a seu dono

Há muito quem se questione sobre se a gravidade de comportamentos criminais de alguns políticos – refiro-me aos já condenados – não é muito menor que a devastação que provocaram no desempenho, dentro da lei, dos seus cargos. É sim; frequentemente. Mas são coisas de natureza distinta. Por isso, aos juízes exijo o escrupuloso desempenho do seu papel, rigor e sentido de justiça, no estrito âmbito dos seus deveres. Quanto ao resto, nós tratamos da luta política. Recuso em absoluto alienar a minha responsabilidade de cidadão na acção de juízes. Já tivemos Tribunais Plenários, não queremos mais. Não quero que o sistema judicial se encarregue de me vingar as ofensas e agressões políticas. Isso é outro plano. As respostas políticas dão-se na sua esfera própria, seja qual for a sua natureza. Pacífica ou não. Quem de direito tratará da justiça. De nós espera-se justeza.

A Felícia Cabrita já está em campo!

Pois. Em situações que tais, é natural que surjam, solícitas, as varejeiras.

Democracia doente

José Sócrates acaba de ser preso por suspeita de corrupção e crimes económicos. Não temos folga na austera, apagada e vil tristeza em que estamos mergulhados.

Demissionismo e irresponsabilidade

“O governador do Banco de Portugal não me consulta, comunica-me”, afirmou a ministra das finanças, sacudindo o capote, na Comissão Parlamentar sobre o caso do BES. Quem acredita em semelhante patranha? E se acredita, como pode tolerar? Que diabo entende o pastelão de Belém por “regular funcionamento das instituições democráticas”?

Novos tempos

Quando, há anos, se começou a agudizar esta crise e apareceram as comparações com a de 1929, logo nos garantiram que tal tragédia jamais se repetiria, pois os Estados tinham, entretanto, criado novos mecanismos prudenciais e novas soluções para os problemas. Entendo agora. Dantes (bons tempos…), os banqueiros e os especuladores falidos atiravam-se das janelas. Agora, atiram-nos a nós.

Midas e Portas

Conta o mito que o rei Midas transformava em ouro tudo em que tocava. Já Paulo Portas parece transformar em merda tudo quanto toca. Foi hoje preso o Director Geral do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras por sérias suspeitas de corrupção ligada aos “vistos dourados”. É assim. Portanto, axioma: Em água porca, multiplicam-se as bactérias. Em política porca, multiplicam-se os corruptos.

Calma aí!

Quando escrevi aqui piadas sobre as taxas de António Costa, estava no meu direito de cidadão farto ser ser taxado e lixado. Mas quando o governo, sobretudo pela voz do Portas, vem, armado em paladino do povo, atacar o autarca de Lisboa tentando criar um biombo de ruído que distraia o pagode das broncas e dos criminosos esbulhos e voraz gula fiscal governamentais, eu dou um chega p’ra lá, que não quero tal companhia.

Fico chateado quando a Câmara de Lisboa me quer cobrar a entrada no aeroporto mesmo que o meu destino seja Coimbra e nunca chegue a entrar na capital – o que é, além do mais, caricato, já que a Portela não é um apeadeiro de Lisboa. Mas é só isso. Nada tem a ver, em dimensão, com o que me vai na alma com a vampirização a que sou sujeito por este governo de celerados políticos que vão, além do mais, acumulando impunemente escândalos e grosseiros erros de incompetência e pura patifaria. Há que respeitar as proporções, que eu não alinho em cenários para distrair papalvos.

“O que é que os gestores da PT andaram a fazer?!”

– pergunta, com um ar severo, Cavaco. Bem, entre outras coisas, se bem me lembro, andaram a ser condecorados por ti, Aníbal.

Um bom homem

fernando de mascarenhas
Morreu Fernando de Mascarenhas, um homem de cultura, um democrata, uma boa pessoa. Conheci-o em Coimbra, quando veio passar aqui um ano na Faculdade de Letras sobretudo para, segundo as suas palavras, assistir às aulas de filosofia de Victor de Matos. Pessoa simples, que nunca ostentou os numerosos títulos nobiliárquicos associados ao seu nome – aos quais, de resto, não dava mais importância do que merece, como para qualquer de nós, por respeito, o nome da família – morou num andar modesto na Solum – um 4º andar sem elevador; sei disso porque morava ao lado – e convivia com os estudantes da oposição, na altura em que estavam em gestação as lutas de 1969 na Academia, processo que acompanhou e com o qual foi solidário ao ponto de dar guarida no palácio de Fronteira a estudantes que se haviam deslocado a Lisboa para, na final da taça de Portugal em que participava a Académica, fazer uma manifestação contra a ditadura. Isso valeu a Fernando de Mascarenhas a fúria de várias instâncias do regime, como se pode ver consultando os jornais da época. Perdeu-se um bom homem.

Diálogo indecoroso

Lisboa, Avenida da Liberdade, caia a noite. Ele caminhava pausadamente pela rua, com ar disponível. Ouve-se uma voz feminina dengosa e sensual: “Querido, queres companhia?” “Quanto?” – pergunta ele. “São duzentos, pagas o quarto e as novas Taxas de Turismo e de Segurança”.

Pedágio

Se o Porto nunca nos cobrou portagem, porque raio Lisboa decidiu agora cobrar-nos lisboagem?!

A mais

Scheissefüher Merkel determinou que Portugal e Espanha têm licenciados a mais. Sabendo que a percentagem de licenciados em relação à população é, nestes países, ainda muito inferior à da Alemanha e à da maioria dos outros países europeus, pergunto-me o que significa, de facto, esta declaração da megera. É que quando os fürher teutónicos decidem que há excesso de um determinado segmento social, as coisas costumam acabar mal. Até porque Herr Coelho costuma servir obedientemente a sua suserana.

Felizes para sempre

felizes sempre
Uma coisa é garantida na maior parte dos contos de fadas (com ou sem bruxas, ogres, gigantes, duendes e outra fauna diversa) desde que os seus protagonistas sejam príncipes ou princesas: no fim, casam-se e são muito felizes.

Claro que quando as personagens são plebeus arriscam-se a ser, como aconteceu com a Capuchinho Vermelho e a Avó, comidas por um lobo ou outro predador adequado o que, no caso, tem sentido moral, já que a fedelha era desobediente e atiradiça e a avó manifestava uma lamentável negligência com a qualidade da fechadura da porta. Porém, quando se trata de ser ou ascender ao estatuto de príncipe, a coisa fia mais fino. [Read more…]

Trânsito e economia

Toda a gente ri (amargamente) das declarações de Pires de Lima, segundo as quais Portugal estaria “à frente de grandes economias mundiais”. Ora, de uma certa perspectiva – em linguagem da prevenção rodoviária, por exemplo – o ministro pode ter alguma razão. Ainda há pouco dei comigo à frente de carros que circulavam na minha rua a imprudente velocidade.e, apesar de estar sobre a passadeira de peões, vi jeitos de a coisa acabar mal.

“Estamos à frente de grandes economias mundiais”? Caramba! O melhor é fugir rapidamente, não vá dar-se o fatal atropelamento.

Halloween

Confesso que não gosto do Halloween nem do que o acompanha. Mas vi. Os monstros estavam lá. Amontoavam-se em filas, olhos raiados, expressões sinistras, gestos lúbricos, goelas ávidas. Havia mortos-vivos, vampiros, múmias e seus servos menores – os monstros têm sempre servos menores. Todos ululantes, dirigindo os seus impropérios às pessoas que, em frente deles na ampla sala, apesar de inquietas, respondiam conforme as forças que tinham. Mas os monstros eram mais e avançavam. E venceram. Assim, apesar da resistência das pessoas, o Orçamento Geral do Estado foi aprovado.

Politicamente correcto…

A comunicação social e, até, alguns amigos nesta rede social, não se cansam de comentar a vitória da PresidentA Dilma. Se acompanho quem saúda a sua vitória, confundem-me os que persistem em usar substantivo no feminino, embora não ignore que a própria Dilma prefere assim – o que não é importante; ela é Presidente e não professora de português. Mas eu pergunto: se ganhasse o Aécio, seria o PresidentO? De qualquer modo, quanto ao resultado, fiquei contente (ou contento?…).

Orçamento cavalar

cavalo de troia
Saiu o Orçamento Geral do Estado. Tantas promessas! Ainda há incautos que pensam que vão pagar menos. Ainda há quem pense que a maioria dos portugueses não paga impostos, só porque lhes poupam o IRS. Ainda há os convencidos da generosidade de um governo que apresenta como dádivas generosas aquilo a que é obrigado a ceder por ordem do Tribunal Constitucional. Ainda há quem se descuide com as armadilhas fiscais que abundam naquele documento.

Finalmente, há até quem festeje aquele truque do descongelamento das reformas do sector privado. “60 anos e 40 de serviço? é justo; até que enfim que fazem alguma coisa de jeito” – dizia, há pouco, um nosso concidadão, entre dois golos de cerveja. Erro. É mais um “troiano”, um “presente grego”( a referência é clássica, nada com os actuais gregos – excepto, talvez, os seus taxistas). É que o nosso alegre cidadão não sabe ainda que a “prenda” vem acompanhada de uma penalização de 36%, fora os apêndices. Esta medidas são a cara chapada destes artistas, émulos da bruxa má da Branca de Neve. O pior é que ainda há quem se tente pela maça envenenada.

Nestes tempos de enganos, lembrai-vos prudentemente das palavras do avisado sacerdote Laocoonte, quando os troianos se aprestavam a tomar posse do famoso cavalo de madeira: “Míseros cidadãos, quanta insânia! (…) Troianos (portugueses, digo eu), seja o que for, há dano oculto: desconfiai do monstro! Temo os gregos (os governantes, na minha versão) mesmo quando dão presentes!” (Virgílio, “Eneida”).

Fiscocídio sádico

Na sua habitual estratégia de sadismo comunicacional, vários membros do governo foram alternando palpites sobre se a carga (canga?) fiscal que pende sobre os portugueses ia subir, baixar ou manter-se.

1º andamento: baixa a carga fiscal. 2º andamento: talvez suba a carga fiscal. 3º andamento: a carga fiscal mantém-se.
– Sai o OGE e o que nos dizem? Que a carga fiscal se mantém.
– O que vemos nós? Que vamos pagar mais impostos.
– Conclusão: eles disseram “a carga fiscal mantém-se; não disseram manter-se-à”.
Q.E.D.

Para reflexão

(será mesmo o fim do neo-liberalismo?)

Informação

Factos ocorridos:
– Um cidadão, cumpridor e trabalhador vai pela rua e, subitamente, é parado por uma meliante. Esta exige-lhe a carteira e rouba-lhe todo o dinheiro. Incauta, a ladra não pediu o porta moedas nem lhe roubou o cartão multibanco. Assim, feitas as contas, restaram-lhe 11.20 € no porta-moedas e 400 € na conta bancária. Todavia, para a vítima, o roubo tinha sido coisa de monta, já que acabara de fazer um levantamento. Ficou, assim, tomado de desespero.

Versão do Telejornal:
Título – “Cidadão obtém ganhos de 411.20€!

– Abordado à saída de um banco, um cidadão, ameaçado por uma alegada assaltante, viu a sua conta contemplada com 400€ e obteve 11.20€ de dinheiro de mão. A assaltante explicou à vítima que era obrigada aquela operação por o seu chefe, estrangeiro, imagine-se, a obrigar a isso. Alegou ainda que o dinheiro de que se tinha apossado se destinava a um bem maior, sublinhando a sorte do cidadão, já que ainda lhe tinham restado meios que ela, se quisesse, poderia ter incluído na importância apropriada. Logo, tais meios eram um evidente ganho. O cidadão conformou-se.”

(Qualquer semelhança com os noticiários que se seguiram à apresentação do Orçamento Geral do Estado é pura coincidência).

Tempo de Cratos

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Quantas vezes o nosso riso é uma substituição para a agressão pura e simples. Quantas vezes a ironia ou o humor sublimam a violência que nos vai na alma. Já o fiz aqui muitas vezes e sobre este mesmo tema. Não hoje.

Hoje quero outro modo. Visita que sou do canal AR, tenho visto momentos que arrastam para a lama o que devia ser dignificado a todo o custo, a casa da Democracia. Não me refiro à maior ou menor dureza dos debates. Penso, até, que há por ali almas demasiado sensíveis à crítica, como se fossem mais insuportáveis as palavras ditas que os actos que as motivam. Mas Nuno Crato, com a seu número bufo dos tempos verbais, produziu um dos momentos mais canalhas e estúpidos que jamais vi naquele lugar. Não, não me estou a esquecer das absurdas cenas da União Nacional que nos narravam os impagáveis “Factos e Documentos” da Seara Nova. Não me lembro de alguma intervenção que tanto desconsiderasse os destinatários, que em tão pouca conta tivesse a inteligência e o sentido de decência dos seus ouvintes. Um marco na história do nojo político.

Tempos verbais

Nuno Crato visita uma escola. Numa sala, fala às crianças. Pergunta, sobre tempos verbais: “fui um grande ministro, é passado; sou um grande ministro, é…?… – Mentira!” – responderam as crianças em coro.