Puissante et incontrôlée : la troïka; Documentário de Harald Schumann, disponível em francês e alemão; ARTE / RBB; Fevereiro 2015
Expor ao vento. Arejar. Segurar pelas ventas. Farejar, pressentir, suspeitar. Chegar.
Puissante et incontrôlée : la troïka; Documentário de Harald Schumann, disponível em francês e alemão; ARTE / RBB; Fevereiro 2015
Caro Julen Lopetegui, não é “excusatio non petita, culpabilita manifesta“. Poderia ser ‘culpabilitas’, sim, com ‘s’, mas não é. “Excusatio non petita accusatio manifesta”. Assim, sim. Claro, vem nos livros.
Tenho uma visão personalista da política e da vida que, admito, ter bebido na minha formação cristã. Se por um lado o meu crescimento psicológico e emancipação individual me tornaram um liberal em matéria de costumes e de exercício das liberdades individuais, por outro lado eu nunca deixei de me definir como um católico – não como um ritualista fariseu, mas sim como um personalista, isto é, aquele que tudo subsume, a sua vida, e as suas convicções ao princípio de que acima de tudo está a dignidade da pessoa humana. A eminência da pessoa humana é para mim um dado absoluto em si mesmo. Para mim, a pessoa humana não pode ser encarada como um facto contingente, submetido às políticas, às filosofias ou às regras de conduta. Pelo contrário, estas é que têm de se submeter aquela.
Só depois de ser personalista é que eu sou um liberal. E sendo um liberal eu não sou um libertário. Porque a liberdade para mim está intrinsecamente ligada a um dever ético de responsabilidade. Um libertário acredita que a sua liberdade se basta a si mesma. Um liberal, por outro lado acredita que a liberdade só se justifica enquanto não prejudica a vida dos outros e só se realiza quando os outros também são livres. Um libertário é egoísta. Um liberal é generoso. [Read more…]
há 12 milhões e meio de pessoas no «limiar da pobreza(*)» (eufemismo onde cabe muita sobrevivência), de que os media não falam, que não votam, e que nenhuma força política representa. Só para avisar.

(*) viver com menos de 60% do rendimento médio
Perímetros de segurança… ou os fumadores que nos matam a todos, tão prematuramente, ou ainda a arte, tão delicada afinal, de ser português
londres – e não é o único lugar do reino unido ou do mundo em que senti já isto – é uma cidade que mistura a agressividade com a delicadeza. sim, é aparentemente possível ser delicado e agressivo, ao mesmo tempo. tudo é possível, já o sabemos, e as cidades e as pessoas são sempre tantas e imensas coisas que se torna difícil estabelecer perímetros em redor dos comportamentos, dentro dos quais caibam noções claras e arrumadas. as pessoas tratam-te por ‘love’ e por ‘darling’ como em mais nenhum lugar, com um tom animado e querido, como se fosses um velho amigo e, no momento seguinte, se alguma coisa não lhes soa bem no que dizes ou no que fazes olham-te com uma agressividade, ainda por cima fria, que te faz querer fugir dali. Olhas em volta, em toda a parte e as ordens gritam-te num silêncio agressivo, do asfalto – ‘look left’, ‘look right’, no metro ‘mind the gap’ , ‘keep your ticket’, ‘this side to go up’, ‘keep on the right’… – e outras vezes gritam-te mesmo, num tom de voz muito ‘cheerful’ no entanto, pelos altifalantes das carruagens, das estações, dos autocarros.
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O viola que foi de Carlos Paredes, um ribatejano e um beirão, deixou-nos.
Ofereceram-nos tudo o que de umas cordas para cima cheira e sabe a belo.
No dia em que os capitalenses se calarem com a peta do fado ser só deles, mantendo a lenda salazareira e de sua besta férrea, teremos entre outras coisas ensinado à UNESCO que leva banhadas. O Fado é nosso, do Tejo para cima, ponto final, parágrafo.
Fiquem com a homenagem no sítio óbvio, Coimbra, Santa Cruz.
“Live long and prosper”, disse ele, ao partir. Até Sheldon vai deixar correr uma lágrima.
… acha que dizer “não somos a Grécia” é o quê?
Depois de uma, vem outra. Dizem que o Duarte Marques está de serviço à propaganda do PSD no facebook.
Outra possível explicação: se o BE dá erros (menores) na língua alemã, os alemães do PSD dão erros maiores em português.

Lá estão os auto-proclamados gourmets (como eu detesto esta palavra!) a aconselhar o vinho do Porto para acompanhar sobremesas. Nunca percebi isto. Doce sobre doce. Ainda por cima com doce de ovos, o que é uma péssima ideia. A minha modesta sugestão é que o provem – um vintage decente, que não precisa de ser caro nem velho – com um bom queijo Terrincho, um Serra bem curado ou, como eu pequei há pouco, com um Parmesão de cura velha. Que diabo, temos o direito a mimar-nos de vez em quando. Se pudermos, claro…
‘what is that landscape? / it is the landscape in my head’
tenho a sensação que nada fiz senão andar, hoje. andar na paisagem. andar à chuva. subir e descer escadas. andar. na paisagem que tenho na cabeça. andar por dentro das paisagens que outros têm ou tiveram na cabeça.
revisito de manhã a tate britain. o kiefer já não mora ali. mudaram-no para a modern mas também ali não está em exibição. fico um pouco desapontada com este desarranjo na paisagem que tenho dentro da cabeça. mas visito o mar de turner, tempestuoso, esbatido, violentamente poético. o céu de turner. igual ao mar. visito o resto, também, está bem de ver. blake. moore. e os demais cujas paisagens se exibem nos meus passos. saio da tate britain já é hora de almoço. ando um pouco ao longo de millbank. apanho um autocarro embaciado até parliament square e de novo se repetem paisagens, gestos. apanho o metro para southwark. quando saio chove copiosamente. tanto que resolvo almoçar num pub mesmo ali em frente. não chove dentro do pub e por momentos até penso sol dentro da minha cabeça. [Read more…]
Mal cozinhado, como era previsível. Mas os comensais achalam muito saboloso e tenlinho. E disseram: que bom que está pato!
Confesso que, ao fim de tantos anos de prémios e assim, me dá um certo gozo, tipo: tás a ver, és um merdas, Zeinal Brava, reduzido a cobarde, culpado e tolinho quando agora é perguntado.
Ganda malha, Mariana Mortágua, agora só lhe falta a cadeia.

Eu também sou a favor da legalização das drogas, mas não exactamente defensor do seu consumo intensivo, em particular quando um partido faz a sua propaganda.
Zeinal Bava desconhecia o “investimento” 897 milhões de euros na Rioforte. Sai um prémio de super gestor para a mesa 3!
Quem paga para ouvir Durão Barroso merece o inferno, e vai tê-lo, terá de o ouvir.
Desmond Tutu, o famoso clérigo sul-africano, costumava citar em jeito de anedota uma frase que lhe houvera sido equivocadamente atribuída:
“Quando os missionários chegaram a África, eles tinham a Bíblia e nós tínhamos a terra. Então disseram-nos: “rezemos”. Fechámos os olhos, e quando os voltámos a abrir eles tinham a terra e nós a Bíblia”.
De algum modo este chiste contém alguma verdade, e presta-se mesmo a ser usado no contexto português de hoje. Se considerarmos que o Euro hoje em dia não é mais do que uma diferente designação facial do Marco alemão, e que há quinze anos a Alemanha era considerada o “homem doente” da Europa e Portugal o “bom aluno” da União, poderíamos parafrasear o bispo, dizendo:
Quando os alemães nos propuseram o Euro, nós tínhamos a soberania e eles a moeda; agora, eles têm a soberania e nós nem sequer temos a moeda.
“Portugal em vigilância apertada pela comissão europeia devido aos desequilíbrios excessivos”. E o país que está melhor, apesar das pessoas não o notarem. E a almofada financeira. E isto está a resultar e o camandro.
Depois do Observador, também o Acção Socialista passa a diário online.
O Podemos começou em 2014. Mas já era financiado pelo Venezuela antes disso. E uma direita menos idiota, não se arranja?
esta claridade obscura que escorre das estrelas*

hei-de sempre lamentar que a humanidade não tenha ainda descoberto o teletransporte, como nas séries que via em miúda, por exemplo, ‘espaço 1999’, em que as pessoas demoravam segundos a mudar de planeta. era um tempo, aquele em que eu era miúda, em que ninguém que (me) importava tinha morrido. nem sequer eu vez nenhuma ainda, e em que 1999 parecia um futuro tão longínquo, que ía demorar séculos – e não décadas – a chegar. na escola eu fazia frequentemente de doutora helen devido ao meu corte de cabelo. havia outra miúda que fazia de maya habitualmente e eu, apesar de admirar a doutora helen e de com ela partilhar o corte de cabelo, por vezes chateava-me porque, claro, quem tinha os olhos verdes era eu e não a outra miúda.
isto nada tem a ver com londres, ou terá tudo. por um lado, ainda ninguém inventou o teletransporte e tendo saído de casa às três da tarde, entrei no número 83 de gower street apenas às onze da noite. por outro lado, quando eu era miúda e via o ‘espaço 1999’ era, genericamente, feliz. tal como sempre fui em londres desde há muitos anos. a primeira vez era tão nova, ía a caminho da irlanda, com o meu cabelo muito curto, já nada parecida com a doutora helen, os meus óculos redondos e a minha solidão menos desejada que hoje, é verdade, mas ainda assim, agradável. das outras vezes tive sempre companhia. a mesma, algumas vezes. outra, diferente de muitas maneiras, da última vez, já lá vão quase seis anos. fui sempre feliz em londres. e não é verdade que não podemos voltar, ou não devemos, aos lugares onde já fomos felizes. devemos. e é bom que possamos. voltar a todos os lugares, de certo modo familiares. não digo caseiros, mas aqueles lugares onde nos movemos razoavelmente bem, como em casa de um amigo que só às vezes visitamos. [Read more…]
Depois da transmissão pública da reportagem “Puissante et incontrôlée: la troïka” pelo canal ARTE (ainda disponível no site da televisão franco-alemã) espero bem que a Procuradoria Geral da República se digne a investigar todos os elementos da Troika que estiveram em Portugal, em particular os responsáveis pela iniciativa da venda do BPN ao BIC. O que se passou foi um crime e esta reportagem dá-lhe o enquadramento que faltava para percebermos que foi de facto um crime.
Realizada pelo alemão Harald Schumann esta excelente reportagem debruça-se sobre o falhanço e as consequências sociais das políticas de austeridade implementadas pela Troïka. A reportagem demonstra também que é falso que se trata apenas de semântica quando Tsipras recusa negociar com a Troika, mais do que isso demonstra que o governo de Tsipras está bem consciente dos estragos e das negociatas ilegítimas da exclusiva responsabilidade dos burocratas da Troika. A autonomia sem escrutínio, a falta de legitimidade democrática, as decisões criminosas impostas ao sistema de saúde grego, bem como as suspeitíssimas ordens de venda urgente de bancos falidos em Portugal (BPN ao BIC), na Grécia e em Chipre provam que a Troika não passa de uma negociata, que só não é uma negociata como qualquer outra porque é responsável por mortes no sistema de saúde grego e muito provavelmente por crimes de corrupção e tráfico de influências. Entre os entrevistados nesta reportagem, estão Krugman, Varoufakis, Louçã, Elisa Ferreira e João Semedo. A não perder.
1 Foi de subserviência que se tratou quando a ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque, foi a Berlim a um beija-mão despropositado e se prestou a ser exibida como troféu de colonização moderna pelo sinistro mandarim Wolfgang Schäuble. Foi de obediência servil o triste papel que o primeiro-ministro português representou na Europa, enquanto Yanis Varoufakis lutava por uma dignidade que ele, Passos Coelho, não tem e muito menos entende. O que vai resultar da estratégia do governo grego bater o pé à Alemanha e à mesquinha empresa de negócios em que a Europa se transformou está por apurar. Mas o que resultou dos três anos que o governo português passou a abanar a cauda à senhora Merkel e aos seus capachos já está apurado e traduzido em números. Bastam algumas linhas e outras tantas colunas do Orçamento de Estado para 2015 para verificar que os 92.424 milhões de euros inscritos sob a epígrafe “operações da dívida pública” são mais que o triplo dos 29.000 milhões resultantes da soma do se prevê gastar com educação, saúde, segurança social e outras prestações sociais. Basta recordar os 300 mil emigrados forçados, o milhão e 200 mil desempregados, o milhão e 700 mil sem médico de família, os 23.089 professores, 2.107 enfermeiros, 10.842 administrativos e 21.834 auxiliares despedidos para perceber que quem com isto se sente orgulhoso jamais entenderá quem contra isto bate o pé. [Read more…]
A proposta patrocinada por alguns Institutos Politécnicos de admitir estudantes sem qualquer exame de acesso corresponde a um suicídio institucional e um recuo que. em alguns casos, não terá remédio nem remissão. Foi para isto que tanta gente tentou dar outra dimensão ao ensino politécnico, emancipando-o de perspectivas anacrónicas, malgrado todos os atropelos e atalhos duvidosos que este processo envolveu? Todos sabemos que existem profundas assimetrias de qualidade entre os diversos politécnicos e mesmo no interior de cada um entre os diversos cursos. Por outro lado, a falta de estabilidade e clarificação institucional faz com que cursos politécnicos possam ser excelentes durante algum tempo e colapsar por motivos acidentais como um despacho ministerial sobre requisições de docentes, um capricho de gestão, uma decisão como a que agora se procura aprovar e que desvalorizará irremediavelmente os Politécnicos que a ela aderirem e porá em causa o próprio sistema. O Ensino Politécnico não tem de ser o parente pobre do sistema; mas o estatuto de igualdade conquista-se com exigência, rigor e qualidade técnica e científica. Não com medidas oportunistas para encher salas abandonadas pelos alunos.
A afirmação da China como grande potência do capitalismo terráqueo encontrou mais uma demonstração: perante uma plateia de capitalistas chineses, António Costa teve um ataque de sinceridade, agradeceu os investimentos em Portugal, e lá se descaiu, diz ele que estamos melhor que em 2011.
Depois de Sócrates e Passos Coelho, dois mentirosos patológicos, faltava-nos no bloco central um homem sincero, honesto, que diz ao que vem. Uma excelente estratégia para conquistar o eleitorado de direita, também ele já um bocado farto de aldrabões. Agora os restantes, por sinal a maioria, postos perante a realidade, ainda têm muito por onde escolher no momento do voto.
Aguardo também, sentado, uma palavra de discernimento vinda dos lados do Tempo de Avançar.

Um longo monólogo, com muitos gestos e fundo musical E o colega com bichinhos carpinteiros. As perguntas que já não se fazem, colocam-se. Uma confusão de pessoas e de nomes. No afã de interromper e de falar por cima, quase saía um cinquenta por cento, em vez de trinta.

O governo da República Portuguesa publica uma nota sobre Educação utilizando uma fotografia de um suposto professor em suposto ambiente de suposta sala de aula com um quadro e giz.
Há quantas décadas desapareceram os quadros e giz das salas de aula na república portuguesa…?
Efectivamente, na KEXP.
Por acaso, já agora… Um dia, estava eu no Castle Howard, a recordar, reviver e revisitar, mas num ambiente pop, quando me apareceram de surpresa. Amanhã, em Bruxelas, voltarei a vê-los e ouvi-los. Com novidades, anunciadas há meses por Alexis Petridis, como “alien offshoot mushroom, going the gym to get slim“, “my dream house is a negative space of rock” ou “when I was a child I wanted to be a horse, eating onions, carrots, celery“. Em princípio, será isto. Veremos.

Segundo EUA e Israel, o Irão está militarmente obliterado. Na realidade, há mísseis iranianos a atingir localidades de Israel (que tem das melhores defesas aéreas do mundo), além da península arábica.
Falta pouco para Trump dizer que acaba esta guerra com um telefonema.
Subida exponencial do preço do petróleo, aumento da inflação e das taxas de juro, perda de poder de compra, perigo de incumprimento nos créditos bancários, tudo em ambiente de forte especulação e de bolha imobiliária. Onde é que eu já vi isto?!
diz Santana Lopes. Pois. Mas só uma pessoa escreveu «agora “facto” é igual a fato (de roupa)». Uma.
Vinícius Jr. “incluiu a Seleção Nacional no lote de favoritos à conquista do Mundial 2026“. Lembrete: ‘selecção’ ≠ ‘seleção’.
Efectivamente, no Expresso: “Enfermeiro nomeado para coordenador da Estrutura de Missão para as Energias Renováveis deixou o cargo quatro dias depois da nomeação ter sido publicada“.
É possível lermos, num artigo de Jorge Pinto, “um partido que defende a política assente na ciência e nos dados” e a indicação “O autor escreve segundo o acordo ortográfico de 1990“? É.
“uma constatação de factos“. Factos? Com /k/? Estranho. Então e o “agora facto é igual a fato (de roupa)“?
“o nosso sentimento e as nossas condolências para com as famílias daqueles que não evitaram a trágica consequência de perder a vida”. Sacanas das pessoas, culpadas de não terem evitado morrer.
Não é Trump always *chicken out (00:31). O verbo é to chicken out, conjugado na terceira pessoa do singular (presente do indicativo), logo, aquele s faz imensa falta. Oh yeah!
Por lá, pó branco, só se for gelo. Como sabemos, o combate à droga é a motivação destas movimentações. A libertação de Hernández foi uma armadilha extremamente inteligente para apanhar os barões da droga desprevenidos.
Oferecer um calendário ou uma agenda a Mourinho. O jogo é na terça…

« Mais vous avez tout à fait raison, monsieur le Premier ministre ! » (1988). Mas, prontos. Voilà. Efectivamente.
Existe uma semelhança entre as pianadas do Lennon no Something e do Tommy Lee no Home Sweet Home.
Moreira, mandatário de Mendes, admite que avanço de Cotrim o levou a não ser candidato a Belém. Júdice, mandatário de Cotrim, votará Seguro na segunda volta.
O “cartel da banca” termina com um perdão de 225 milhões de euros aos 11 bancos acusados de conluio pelo Tribunal da Concorrência. Nada temam!
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