A miséria da política

O acontecimento – Passos Coelho fez hoje o mais repelente e imaturo discurso de que me lembro por parte de um primeiro-ministro do Portugal democrático. Depois de afirmar, com ar beato e bem comportado, a sua obediência às deliberações do Tribunal Constitucional, gastou o resto do discurso a ameaçar precisamente o contrário.

Num patético espectáculo de vitimização, procurando, como um garoto, culpados para os resultados da sua desgraçada governação, atribuiu todos os males que nos afligem e virão a afligir ao dito Tribunal, o qual se limitou, fundado em princípios perfeitamente básicos de qualquer estado democrático – nenhuma democracia deixa de ter nos seus fundamentos os princípios da igualdade e da proporcionalidade -, a confirmar a inconstitucionalidade de normas que consensualmente se sabia que o eram – até Cavaco Silva que, por isso, pediu a sua apreciação (como tal, implicitamente, o PR não se livra de estar incluído no sujo e injusto ataque ao TC).  [Read more…]

Partidos do arco da governação

Estando no plural, além do PS devem chamar o PPM. Ou será desta que convocam o PNR?

Ontem vi um grupo morto…

O texto foi escrito pela Maria João, uma guerreira como há poucas.

A Anabela já trouxe o texto para a blogosfera, mas não resisto a partilhar o que vai na alma da Professora Maria João:

“Na apresentação dos manuais da […], onde estavam cerca de 200 professores de EVT, respirava-se desespero, desânimo e pessimismo. Eu, nos meus 41 anos, deveria ser das mais novas, mas todos tínhamos o mesmo cheiro: a depressão, a stress psicológico, a Burnout (palavra tão na moda…). [Read more…]

Os sítios do costume

O primeiro-ministro, num rasgo brilhante de imaginação, anunciou hoje que o Governo vai cortar nos sectores da segurança social, educação e saúde. Isto é, três das áreas onde tem feito cortes sucessivos desde o momento em que o fulano jurou defender a Constituição.

Ah, a Constituição, aquele documento chato e incómodo que impede a tropa que lidera Portugal de dar cabo da população do país ainda mais depressa. Esse mesmo papelucho que serviu de escapatória aos malvados do Tribunal Constitucional para não avalizarem as justas medidas de um Governo inspirado em fazer cortes sempre aos mesmos.

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Sócrates na oposição é brilhante

Só aldrabou na parte do PEC: tivesse o PEC IV seguido o seu caminho, e teria sido ele a fazer hoje o discurso da tarde.

Era este o temido Cavalo de Troia?

Um Sócrates dividido entre a  justificação do seu recente passado e o ataque ao governo que repete tiques dos anteriores governos.  Falou do ataque à decisão do TC mas haja memória. Houve monólogo e irritou-se. Mais vale a missa do Marcelo, que dá menos sono.

No escuro e aos tombos

Há sempre entre intelectuais quem se recuse a aceitar e ver o mundo multicolorido, e a pluralidade de ideias que caracterizam a sociedade humana; sobretudo, na essência da chamada convivência democrática.

O Sr. Vasco Correia Guedes que, na adolescência, resolveu mudar o nome para Vasco Pulido Valente  é dos diversos míopes militantes a pronunciar-se de cátedra através de artigos de opinião em jornais – redige com fluidez e versatilidade, estando em causa não como, mas sim o que escreve.

Este fim-de-semana, o ‘Público’ divulga um artigo de VPV (ou VCG, se preferirem), intitulado ‘No escuro’. O texto, como é recorrente no autor, é um arrolamento de frases de escárnio e encontrões nos “loucos furiosos deputados de 1975 que cometeram o topete de inscrever a defesa do direito de igualdade dos cidadãos”, alastrando a fúria e os epítetos contra “senhores juízes” do Tribunal Constitucional, a quem acusa de “não saberem com certeza uma palavra de filosofia ou de história (nomeadamente na revolução francesa e na revolução russa)” – certamente esqueceu-se do nacional socialismo que igualmente elegia a igualdade como objectivo sagrado da luta da raça ariana.

Como VPV me deu o mote, e o conteúdo do texto o reitera, foi fácil chegar a um título apropriado para este ‘post’: ‘No escuro e aos tombos’. O uso da expressão ‘tombos’ fundamenta-se na sinuosidade da retórica agressiva do autor – longe a ideia de pensar em desvios de ortolexia de VPV em prestações televisivas. [Read more…]

Como cortar nos gastos

Porta dos Fundos explica, e apresenta em exclusivo a última reunião do Conselho de Ministros. Força Passos Coelho, vamos conseguir.

Seguro espera por amanhã para reagir ao discurso do PM

Ou quer esperar pela orientação do novo comentador ou teme o que ele dirá. Qual é a pressa?

O Primeiro-ministro fal(t)ou ao país

Passos Coelho anunciou que precisa de  ir buscar a outro lado o dinheiro que previa sacar ilegalmente aos portugueses. Sabia à partida que o orçamento não seria constitucional. Disso não há dúvidas, face à anterior decisão do TC.  Mas optando pelo mesmo caminho torna-se óbvio que o chumbo do TC foi um instrumento, jogado em antecipação,  para atingir um objectivo. Ficou com um pretexto para prosseguir a política que tem levado a cabo desde que foi eleito e completamente em oposição ao que prometeu enquanto oposição e em campanha eleitoral. Alega que tem a legitimidade da eleição mas só a teria se estivesse a cumprir o que disse que faria.

O Primeiro-ministro deste país faltou novamente à palavra e anunciou mais cortes na  segurança social, saúde, educação e empresas públicas. Podia ter anunciado que iria fazer um esforço para recuperar o dinheiro do BPN, cortar nas rendas do estado à EDP e às PPP, que iria mesmo fechar os governos civis e que iria impor contenção às obrinhas eleitorais das próximas autárquicas. Mas não era a mesma coisa, pois não?

Resumindo o discurso de Passos Coelho

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Estou no pote, agarrado ao pote e não largo o pote.

Almada Negreiros

Faz hoje 120 anos que nasceu este senhor maior da cultura portuguesa

Eu ficava diante das primeiras linhas como um peru a quem se traça um traço a giz no meio do chão e ele não passa para o lado de lá

 

Choque, mentiras e o fim do mundo (em cuecas)

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Depois de André Macedo, e não só, ter feito as contas:

A decisão do TC limita-se a elevar o défice público para um pouco acima dos 6,3%, mais 0,8 pontos percentuais do que está negociado com a troika para este ano, talvez um pouco mais. Dramático? Nada. O ministro das Finanças está habituado a derrapagens superiores.

Acrescentando a boa nova:

Mais de mil milhões de euros voltam à carteira dos funcionários públicos e dos reformados. É dinheiro, é consumo, é IVA, talvez seja menos recessão

Preparem-se para o anúncio do apocalipse. Esses 0.8% já exigem um novo resgate. Certificados de aforro (o consumo é um exclusivo dos Antónios Mexia deste reino) por subsídio de férias.  Tudo menos o óbvio: a demissão de quem em dois anos aplicou a eutanásia a uma economia moribunda. Ora não tendo nada contra a eutanásia, muito pelo contrário, a economia somos nós. E estamos vivos, chateados mas vivinhos da silva. Apanhados no meio da rua em trajes menores foram os que nos governam. E agora nem isso: é oficial, o rei vai nu.

Ilustração: Katarina Vavrova

A Cena do Ódio de José de Almada Negreiros

Parabéns Mestre. 120 anos e sempre jovem. Poema dito por Mário Viegas.

Ganhem vergonha

Plataforma de denúncia de empregadores sem vergonha.

Pelo sim, pelo não, vou passar pelo Multibanco.

Passos faz declaração ao país este domingo, às 18h30

A minha amora preta não funciona

O que me ri com estes tipos. Coisas de geek.

 

My Blackberry is not working [amora preta]
….
It’s frozen [bloqueou]
….
Have you try it on Orange? [Orage: operador de telecomunicações]

I’m unable to insert my dongle [dongle: Pen USB mas também serve para piadolas]

I’ll try a date. Put it in my diary [date: fruto/encontro]

The Apple crashed [bloqueou]

Reiterações

Ilustração: Alex Gozblau

Dúvida   governamental

Um governo que pretendia governar com outra constituição será constitucional, ou foi sempre um governo provisório?

A explicação da dívida e de porque não a vamos pagar

A prova de uma evidência, passe a expressão: nunca pagaremos a dívida, e também por isso deve ser denunciada e renegociada, também porque esta política económica não a faz descer. Este gráfico foi publicado por Francisco Louçã, e fica aqui juntamente com a sua explicação: previsao divida publica fmi

No último “Tabu”, na SicN, usei este gráfico, que aqui fica para ser estudado por quem quiser. A vermelho está a previsão da evolução da dívida pública portuguesa, segundo a folha Excel que o FMI utiliza (e que foi descoberta e revelada pela Iniciativa para a Auditoria Cidadã), e a azul o efeito nos cálculos do FMI se introduzirmos as previsões do Banco de Portugal para 2013 e 2014 (e uma versão optimista de evolução posterior em estagnação se a mesma política se mantiver). [Read more…]

Timing errado

Até nisso somos uns tristes. Uma semana atrás e seria uma inspiração quase divina – sexta feira santa o Tribunal Constitucional matava o Governo, no sábado acontecia a visita ao sepulcro e no Domingo de Páscoa o Passos falava ao país.

Cavaco reitera. Mas não entende.

O Presidente da República reitera o entendimento de que o Governo dispõe de condições para cumprir o mandato

O que vai Passos dizer a Cavaco

– E agora a Angela vai-me dar com a palmatória e ainda acabo de castigo no canto da sala…

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Recomendações para presidentes que não querem ser vistos

Passos Coelho está a caminho de Belém e quer esclarecimentos.

 

Sonhando com botas cardadas

O Tribunal Constitucional levantou as lebres fascistóides.  Pode ser que sejam caçadas, pela sua própria geração.

Nêsperas

Enredados no embrulho dos dias, tendemos a esquecer-nos que existem coisas verdadeiramente importantes que nos parecem menores.

Mas não, nem menores, nem dispensáveis, bem pelo contrário. A nespereira que tenho no quintal está vergada sob o peso delicioso das nêsperas. Eu vou-as comendo com parcimónia, apenas porque não consigo resistir-lhes. É que gosto mesmo, mesmo, quando começam a enrugar ligeiramente e a enegrecer suavemente por fora. Então sim, é estender a mão, descascá-las e comê-las imediatamente, ali mesmo, debaixo da árvore.

Menores? Neste caso as menores são as melhores, mais doces e com os perfumes mais concentrados. Sabem que mais? Que se lixe a Troika, diria Pessoa, se tivesse conhecido a nespereira do meu quintal, e acrescentaria:

Come nêsperas, pequena;
Come nêsperas!
Olha que não há mais metafísica no mundo senão nêsperas.

E eu, que não o deixaria sozinho a acabar-me as nêsperas do quintal, responderia com a boca cheia, cuspindo caroços:

-No tempo delas, Fernando, no tempo delas!

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E que tal mudarem de povo?

A extrema-direita que nos governa, eleita com uma campanha que em poucas semanas virou um chorrilho de mentiras, chora agora a maldita Constituição. Compreende-se: na Assembleia Constituinte eleita com a maior participação eleitoral de sempre o então PPD ainda tinha gente que acreditava na social-democracia, e mesmo o CDS que votou contra ainda continha um ou outro democrata-cristão.

Assaltados esses partidos pelos herdeiros da União Nacional, e agora disfarçado de um liberalismo que tenta esconder como no séc. XIX teriam sido absolutistas, a Constituição, e a democracia, são aborrecidos entraves à restauração plena do regime anterior: destruição do estado social, dos direitos conquistados por quem trabalha, regresso aos bairros de lata e aos baixos salários inversamente proporcionais aos enormes lucros.

Como já uma vez por aqui escrevi, só têm uma coisa a fazer: saírem da sua zona de conforto, deixarem-se de pieguices, e partirem para a conquista de dois terços dos deputados. Não dá? olha que chatice, emigrem.

Mala

Desta vez é no prato

Governo vai promover o polvo.

A Montanha Pariu um Ratton

Um nefelibata Ratton. É uma vitória de Pirro. Um grupo hirto e obsolescente de jogadores de xadrez move as peças, fazer xeque ou não fazer xeque?, meses para excretar finalmente um xeque-mate, placidamente, em plena invasão, a cidade a arder, homens e mulheres trespassados, muros que se desmoronam. Há quem cante e celebre o Ratton que a montanha pariu, mas a derrota nacional decorre e virá, em todo o seu esplendor, lá mais para diante, não parecidos, mas iguais, os mesmos que gregos, cipriotas, pobre gente vitimada a quem nenhuma Constituição enche a boca e mata a fome.

E o burro sou eu?!

A política tornou-se a arte da mentira, generalização – ou sublimação – da arte de enganar. É por isso que, quando Teresa Leal Coelho diz que o PSD ficou perplexo com a deliberação (o acórdão) do Tribunal Constitucional, eu apenas verbalizo: “E o burro sou eu”?!