Olha a uniformização ortográfica fresquinha! (5)

Acepção (Bras.)/Aceção (Port.)

Nota: antes do AO90, escrevia-se da mesma maneira no Brasil e em Portugal. É ou não é uma uniformização ortográfica fresquinha? É, pois!

Olha a uniformização ortográfica fresquinha! (4)

Acadêmico (Bras.)/Académico (Port.)

Olha a uniformização ortográfica fresquinha! (3)

Abstêmio (Bras.)/Abstémio (Port.)

Olha a uniformização ortográfica fresquinha! (2)

abiogênese (Bras.)/abiogénese (Port.)

Olha a uniformização ortográfica fresquinha! (1)

Abdômen (Bras.)/Abdómen (Port.)

Convite:

O Pedro Correia é um dos melhores bloggers portugueses. O Pedro Correia é um bom amigo. O Pedro Correia vai lançar o seu novo livro, “Vogais e consoantes Politicamente Incorrectas do acordo ortográfico” no próximo dia 21 de Maio, pelas 18h30 na Bertrand Picoas Plaza (Lisboa). Fica aqui o convite a todos os leitores do Aventar:

 

CONVITE_vogais_Picoas

O Factóide

No Brasil, as palavras ortografadas nem sempre são o que deveriam ser.

Ata. Otimo. Egito. Deceção. Batismo. Contracetivo.

Pronto, eu calo-me. Era só para chatear o Francisco. Já agora, Calabote ainda se escreve Calabote?

Como vai ser a tradução do WordPress para português?

Participe na sondagem para não ficar indiferente  sobre este desacordo que nem pára nem arranca.

A oposição ao Acordo Ortográfico vista pelos melhores desacordistas

J. Silva
Embora em fase de rescaldo, o tema AO teve entre nós debate aceso. Tal deveu-se, por um lado, ao atavismo da sociedade portuguesa, bem visível na nossa história nos últimos duzentos anos. Por outro lado, nós, portugueses, temos esta propensão para a querela, como as longas discussões em torno do futebol fora das quatro linhas demonstram. Não me revendo eu no primeiro defeito, revejo-me certamente no segundo, pelo que não poderia desperdiçar a oportunidade que me foi oferecida pelo JJCardoso, que agradeço, e publicar algo sobre o tema no Aventar.
***
Todas – rigorosamente todas – as objeções ao AO90 já foram exaustivamente desmontadas. No entanto, sendo o desacordismo um fenómeno para-religioso, ele impede os crentes de ler fora da vulgata, pelo que tudo se resume a recitar suras desacordistas e outras coisas absurdas. O desacordismo,pela sua natureza, impede o desacordista de ler um único argumento contrário, e assim se explica porque motivo os “debates” sobre o AO promovidos por desacordistas não incluem acordistas. Os desacordistas mais facilmente batem uns nos outros do que debatem com outros.
Então, como podemos nós ultrapassar esta impossibilidade de levar luz à caverna lúgubre do desacordismo? Como vencer esta dificuldade de fazer o desacordista ler fora da sua área de conforto emocional e intelectual? Talvez pedindo ao desacordista para atender apenas à opinião de outro desacordista. É o que farei aqui.

Esta é a recepção merecida

Em Braga, adopta-se a ortografia portuguesa europeia. Recepção. Óptimo. Ah! No Brasil, também… Pois. Mas com o AO90, em português europeu, não… Exactamente.

RTP 1442013

Obra completa do Pe. António Vieira

Segue o chamado acordo ortográfico. No Brasil, será publicada exactamente a mesma edição?

“hoje ficou também claro que o Governo não houve ninguém. Não houve parceiros sociais, não houve o PS, não houve a Igreja, não houve a academia e não houve o Presidente da República”

Como é possível?

Que raio de AO é este?

Com profissionais destes, mais vale que acabe de vez.

Acordo Ortográfico Para Quê?

[youtube http://youtu.be/6EYmKAs7mzc]
Há, afinal, alguma dificuldade em perceber o que nos dizem os brasileiros?

E terá sido contactado?

Lippi não foi contatado pelo Real Madrid. Mais uma mutação, nascida de um cruzamento entre a  iliteracia reinante e o chamado acordo ortográfico.

Nado morto

A prepotência de quem acha que uma língua muda por decreto continua.

E agora?!

acordo_ortografico1

 

 

Segundo o dicionário Infopédia, da Porto Editora, nado-morto, tomado como adjectivo, significa: “que foi dado à luz sem vida”. O mesmo dicionário dá como definição complementar, em sentido figurado: “que fracassou logo no começo”.

Nada melhor para classificar, mais uma vez e depois de todas as polémicas, o mais recente (des)acordo ortográfico.

Segundo o editorial da “Sábado”, “o Brasil anunciou que pretende adiar a aplicação desse acordo de 2013 para 2016”. Fosse só um adiamento, e compreender-se-ia que nem todos os países de língua oficial portuguesa cultivem as alterações à escrita ao mesmo ritmo. Mas não foi isso que aconteceu. Segundo o ministro da educação brasileiro, “esses três anos não vão servir para preparar a aplicação do acordo – vão servir para o contrário”, porque a norma, já em vigor em Portugal, ficou “muito aquém do que se poderia fazer”. [Read more…]

Outro fato para o facto

De facto, de fato é outra coisa. O chamado acordo ortográfico é a caixa de Pandora da ortografia portuguesa.

O impacto do acordo ortográfico é tão grande…

… que o Expresso já lhe chama “impato”.

Para quê?

Se o país não tiver apoio externo para quê, professor Miguel Beleza? Para quê? Desembuche, homem! Para quê? Deixa as frases a meio? Ah! Não deixou… Peço desculpa. Pois, o Acordo Ortográfico de 1990. É a base IX, eu sei. Claro que V. Ex.ª não tem culpa. Peço desculpa pela precipitação.

Eugénio Lisboa sobre o chamado acordo ortográfico

Acham, a sério, que se pode confundir uma uniformização ortográfica com a “unidade essencial da língua”?

A RTP deixou de adoptar o acordo ortográfico? Óptimo.

Cá temos a RTP a desperdiçar um potencial de quase duzentos milhões de falantes para a difusão da língua portuguesa no mundo, através de um país que, além do elevado número de habitantes, «tem uma literatura potentíssima, é um potentado económico e tem uma capacidade de difusão cultural magnífica».

Ainda bem.

O Acordo Ortográfico através do monóculo

Ega entalara vivamente o monóculo para examinar esse lendário tio do Dâmaso…

– Eça, Os Maias

A edição de Outubro da revista internacional Monocle foi amplamente divulgada pela comunicação social portuguesa. Segundo a Fugas, trata-se duma “publicação mensal de culto para muitos e a marcar tendências em todo o mundo desde 2007 “. Confesso que nunca tinha comprado esta revista e só o tema de capa me levaria a adquiri-la. Como esta edição estava à venda no quiosque do Parlamento Europeu, acabou por vir para casa.

Vejamos com atenção aquilo que nesta publicação a marcar tendências em todo o mundo desde 2007 se pensa sobre Portugal, no contexto da língua portuguesa e do Acordo Ortográfico de 1990.

Aguardemos igualmente por uma reacção de Carlos Reis, pois é evidente que o senhor Steve Bloomfield, além de  “uma concepção da Língua Portuguesa como património exclusivo dos portugueses”, tem “um complexo”, “traumas por resolver” e “o medo das ‘cedências’”. Obviamente que as leituras de artigos do Dr. Santana Lopes e de entrevistas do Dr. Pinto Ribeiro terão ajudado ao arranque em falso. O Dr. Carlos Reis que explique, quando reagir ao artigo.

Once upon a time, the Portuguese spelt the word “fact” F-A-C-T-O. The Brazilian spelt it F-A-T-O. It was one of many words that had changed in the journey across the Atlantic.
Yet the influence of Brazilian popular culture has become so pervasive from Porto to Lisbon that most young people use some form of Brazilian Portuguese – and now it has become formalized. An orthographic agreement between the two countries has seen Portugal accept a whole raft of Brazilian spellings.
There are many ways to highlight Portugal’s relative decline and the meteoric rise of Brazil and, to a certain extent, Angola. Hundreds of thousands of Portuguese have moved to to other Lusophone countries (see page 037); Angola is now investing billions of oil-fuelled dollars in Portugal. But few factors sum it up as perfectly as the language changes. Imagine the UK agreeing to spell “centre” the American way

– Steve Bloomfield, “Something in common”, Monocle, Issue 57 , volume 06 , October 2012, p. 33

Com o AO, vamos todos escrever da mesma maneira, certo?

Acordo ortográfico com caldo verde e fubá

A deriva

Aproveitando o ponto 5 do comunicado da CPN do PSD, também “dou nota” da minha “preocupação relativamente à deriva”. De facto, é uma deriva e é constante.

Más-línguas

José Cândido
Porto, 18-09-2012
– Tenho lá uns livros na estante que estão bons para ser trocados por uns bonitos, com cheiro a novo, onde assino?
– Olha, e eu estou farto de colocar letras que não servem para nada! Ainda bem que estamos de acordo…
– E sempre fazemos um sainete com os falantes próximos da nossa língua, até conheço um…mas isso agora não interessa!…
A ditadura encapotada de um governo já extinto, mas com estranhos reacendimentos no actual, ditaram que para escrevermos bem, teríamos que abdicar de um conjunto de letrinhas, acentos e demais acessórios, para que pudéssemos apresentar ao Mundo como uma grande comunidade falante e escrevente, com notáveis vantagens económicas para o país. Em vez de se editar um livro do Saramago em Português de Portugal e outros tantos nos portugueses diversos que se espalham pelo Mundo (e dos quais, por ignorância, só conheço o «brasileiro»), seria possível, com algum corte e costura, e por meio de uma manobra de reengenharia linguística (talvez mais gráfica), editar massivamente milhões de cópias do dito autor (ou de qualquer outro, entenda-se), e todos ficavam felizes.
Cega de tanta felicidade, a ditadura estabeleceu que não haveria espaços a qualquer contestação e obrigou logo logo as nossas criancinhas – o futuro do país – a tragar aquela coisa que tão bem dormia, e alguém quis acordar. Os dicionários, bafientos, que os pais das crianças tinham nas prateleiras e que serviram os seus pais, e quiçá os seus avós passavam a peça de museu. Portugal é um país moderno, cheio de autoestradas vazias, e demais infraestruturas sem manutenção ou aproveitamento, e como tal, necessitava também de renovar toda a frota de livros.

Desidério Murcho sobre o acordo ortográfico

Cristalino: O acordo ortográfico outra vez.

PEN Internacional condena por unanimidade o Acordo Ortográfico

Uma óptima notícia:

Foi aprovada por unanimidade no 78.º Congresso do PEN Internacional, que reuniu na Coreia delegações de 87 Centros de todo o mundo entre 9 e 15 de Setembro de 2012, uma resolução do Comité de Tradução e Direitos Linguísticos (CTDL) que manifesta uma evidente preocupação pela ameaça à língua portuguesa representada pelo Acordo Ortográfico de 1990 (AO/90). Tal resolução, traduzida na íntegra a seguir, inclui anexos explicativos de todo o processo. A incredulidade manifestada pela maioria dos escritores presentes, que se interrogavam como se teria chegado a tal situação, justificou a posteriori tal inclusão.

A redacção, o *ato e os actos

 

A Redacção, o *Ato, os Actos ou a escrita adutada/adotada/adoptada/adaptada/atapetada pela TVI. Como diria o Peter Greenaway (em inglês, claro): The Cook, the Thief, His Wife & Her Lover.

As aftas de Ronaldo

Afectado [ɐfɛˈtadu]. Adj. (Do part. pas. do v. afectar). Perturbado por qualquer coisa que lhe aconteceu; assaltado por um sentimento. «Ronaldo não chega afectado à selecção» (Danny, jogador de football, em declarações à TSF).
Afetado [ɐfɨˈtadu]. Adj. (Do part. pas. do v. aftar, de origem obscura, com um ‘e’ epentético, de origem também ela obscura: pace, D. Carolina Michaëlis de Vasconcellos). Indivíduo que sofre de úlcera superficial, dolorosa, em geral, na mucosa da boca ou da faringe. «Ronaldo não chega afetado à [ilegível]» (Danny, jogador de football, em declarações à TSF, segundo a transcrição que chegou à nossa mesa de trabalho).