Crimes de ódio contra muçulmanos nos Estados Unidos aumentam 67% em 2015 [Expresso]
O estranho caso do elogiador de Trump
Uma história com contornos obscuros, em estreia na página d’Os truques da imprensa portuguesa.
Rage Against New Balance

Matt LeBretton, responsável de relações públicas da empresa de calçado e vestuário desportivo New Balance, fez as seguintes declarações:
A administração Obama fez-nos ouvidos de mercador e, francamente, com o presidente eleito Trump sentimos que as coisas vão avançar na direção certa
E o boicote começou. Por todo o lado, clientes desiludidos estão a publicar e a partilhar vídeos em que sapatilhas da marca norte-americana são atiradas pela janela, colocadas no balde do lixo ou simplesmente queimadas. De ícone de moda, as sapatilhas da New Balance passaram a alvo a abater. [Read more…]
Zona de desconforto

Miguel Szymanski
Adoramos Cohen ou Bowie e sabemos onde é a Gulbenkian. Não usamos palitos à mesa, fazemos gala em ir ao casamento de amigos gay e somos contra alimentos geneticamente modificados, porque sim. Passamos férias em cidades interessantes, onde temos amigos e conhecemos cafés e restaurantes óptimos e achamos importante que as nossas filhas e filhos aprendam violino, piano ou pelo menos flauta.
Sorrimos da gramática e ignorância da população tendencialmente obesa que ouve Ágata e se alimenta de frango industrial, bebe vinho de pacote e refrigerantes açucarados e pensa que a Teresa Guilherme e aquele senhor do Preço Certo são vultos da cultura.
Depois, um dia, admiramo-nos que as massas incultas usem a democracia para nos puxar o tapete debaixo dos nossos sapatos elegantes.
Alguém explica ao deputado Duarte Marques como funciona a democracia representativa?

Este tweet é a prova viva de que, das duas uma: ou Duarte Marques não conhece o funcionamento da democracia portuguesa, o que, apesar de não surpreender, é grave vindo de um deputado, ou então é apenas intelectualmente desonesto. A parte cómica de tudo isto é que Hillary Clinton até teve mais 140 mil votos do que Donald Trump. Alguém explique ao deputado que em Portugal ainda vigora um sistema de democracia representativa e que o que realmente conta é a distribuição de mandatos no Parlamento e não o líder partidário que recebe mais votos. Depois queixem-se que se afundam em todas as sondagens. A paciência dos portugueses para a retórica do ressabiamento tende a esgotar-se.
Imagem via Uma Página Numa Rede Social
Obamacare: o primeiro recuo de Trump?
Depois de prometer acabar com a reforma do sistema de saúde de Obama nos primeiros 100 dias de mandato, Trump parece agora inclinado para aceitar uma versão alterada da lei. Sai um chá para a mesa do Tea Party.
Grabbed by the balls

Boris Johnson, Mayor de Londres, 2015:
A ignorância estupidificante torna-o completamente inapto para ser o Presidente dos Estados Unidos
Boris Johnson, Ministro dos Negócios Estrangeiros britânico, 2016:
Foto@London Loves Business
À espera de Le Pen

O centrão político – conservadores, liberais, social-democratas, trabalhistas – anda há mais de vinte anos a liberalizar os movimentos de capitais, a desregulamentar as actividades financeiras, a promover o “comércio livre”, menorizando as consequências resdistributivas destas opções. Andaram a promover a ideia de que o mundo é mais bem gerido pela “mão invisível” dos mercados do que pelos poderes democraticamente eleitos. De que é que precisam mais para perceber que este é o resultado da sua globalização: que Marine Le Pen vença as presidenciais francesas?
Imagem via Financial Times
Trump: Era tudo a fingir
Já se sabe que um presidente não pode ser igual a um candidato.
(espero)
Trump declara vitória
Os mercados não gostam de Trump?
Por enquanto, parece que não.
Global markets react badly to prospect of a Trump victory. https://t.co/qztN9m6T1k pic.twitter.com/51mYENLpGT
— The Upshot (@UpshotNYT) November 9, 2016
Imagem: An employee of a foreign exchange trading company watching U.S. election results in Tokyo.
TORU HANAI / REUTERS
Perceber o resultado de Trump
Harry Enten @ForecasterEnten at FiveThirtyEight https://t.co/YoX1EW6ozs pic.twitter.com/7vVp3jMGBI
— Pedro Magalhães (@PCMagalhaes) November 9, 2016
Trump perto da presidência
São 5 da manhã e o inacreditável está à porta.
The quivering dials from our forecaster show Trump with a 95% chance of being president. https://t.co/E7Uy3hirai pic.twitter.com/KXGJixiAmv
— The Upshot (@UpshotNYT) November 9, 2016
Boa sorte, planeta Terra!

Estamos a poucas horas de saber em que mundo viveremos nos próximos anos. As alternativas resumem-se a mais do mesmo, com uma Hillary Clinton a representar os interesses do costume, ou à entrada em cena de Donald Trump, um personagem bizarro, xenófobo, racista e mentecapto, preparado para semear o caos e fracturar ainda mais a controversa pátria do Tio Sam. Desolador.
Foto@People
Ameaça terrorista nos Estados Unidos
milícias pró-Trump não vão deixar as armas em casa. A jihad yankee segue dentro de momentos.
Poucas declarações de apoio fazem tanto sentido como esta
Ku Klux Klan declara o seu apoio a Donald Trump. Ele diz que não quer, enquanto pisca o olho e se prepara para mais um grabbing…
A sério que há quem acredite nisto?

À beira de cavalheiros como aqueles que seguram esta bizarra faixa, os profetas da desgraça que por cá temos são autênticos meninos de coro. Existirem pessoas mentalmente sãs que acreditam que Vladimir Putin e Donald Trump podem fazer do mundo um lugar melhor, é extraordinariamente mais assustador do que a possibilidade de Trump chegar à Casa Branca, considerando que Putin ficará no Kremlin enquanto lhe apetecer e lhe for possível manter o poder. Não quero imaginar o que será viver num mundo em que as duas maiores potências militares são governadas por estes tipos. Não é que Hillary Clinton me inspire grande confiança. Mas entre uma potencial má presidente e um lunático, a escolha torna-se fácil. Resta saber se o mundo está a salvo de pessoas que acreditam em barbaridades como esta. Para maluquinhos já nos chegam os fanáticos religiosos.
Foto: Vittorio Zunino Celotto@Expresso
Bilhete do Canadá – A vindima americana

Vai atirar para Novembro, até ao lavar dos cestos é aposta. Talvez venha a dar a primeira água-pé no Natal. Só depois do Ano Novo o mosto assentará de vez e haverá vinho, talvez bom, talvez assim assim. Para já, está fechado o tempo da vindima. Segundo as sondagens, depois do terceiro debate em Las Vegas, que é terra de incerteza e jogo, Hillary ficou à frente com 52% e Trump levou 32% e foi um pau. Debate metido em baias pelo moderador: não houve palmas nem assobios, bravos ou pateada. O auditório esteve sempre de trela curta e açaime. Apesar disso, Trump estendeu-se ao comprido mais duma vez. Voltou às baixarias que são o seu natural. Ontem, com ressonância mundial, o director da poderosa Harpers Magazine, de New York, John Rick MacArthur, afirmou displicente que considera Trump “um vadio milionário”. Eu, que não sou nada, penso que o Trump se pôs a jeito para ouvir destas. Por isso, e porque a experiência aliada à inteligência faz boa mistura, Hillary brilhou. Nem sei se Trump ter dito que não aceitará os resultados eleitorais, se lhe forem adversos, terá mais importância do que o “irrevogável” dum caixeiro viajante que andou a brincar de ministro no governo de Passos Coelho. Calhando, é só garganta. O pior é o mundo e os Estados Unidos com ele estarem cobertos de nuvens negras. Tudo parece prometer borrasca. Não é garantido que Hillary, apesar de ter nos bastidores dois homens de peso, Obama e Bill Clinton, tenha altura para um sarilho destes. Mas nunca se sabe e como dizem os cauteleiros, “há horas de sorte”. Oxalá que assim seja.
Transcrição completa do terceiro debate presidencial Clinton-Trump
Depois de o Armindo de Vasconcelos ter trazido os dois primeiros debates, eis o terceiro.
A verificação dos fatos
«O povo não come ortografia»
***
Ontem (aliás, hoje: eram 3h00 em Bruxelas), antes de Trump deixar a entender que, se chegar à Casa Branca, Hillary Clinton vai para a prisão, a candidata do Partido Democrata atrapalhou-se na pronunciação de ‘fact checking’ (verificação de factos). Provavelmente, depois de ler “agora facto é igual a fato (de roupa)”, Clinton teve um inesperado momento de insegurança, pois, durante alguns segundos, parecia um daqueles autores portugueses de One *Diretion:
So, once again, go to HillaryClinton.com. We have literally Trump — you can fat-check… fat-check… fact-check him in real time. Last time at the first debate, we had millions of people fact-checking, so I expect we’ll have millions more fact-checking, because, you know, it is — it’s just awfully good that someone with the temperament of Donald Trump is not in charge of the law in our country.
Pronto, JJC. Era isto. Olha, já agora, também era isto, isto e isto.
E isto
Bilhete do Canadá – Um debate desgostante

Uma superpotência como os Estados Unidos, responsável por muito do que bom e mau vai pelo mundo, não devia ter candidatos à chefia do estado ao nível da extrema baixeza. Tinha, isso sim, de manter uma fasquia alta quanto à qualidade dos concorrentes por simples respeito ao estado. O Partido Republicano mostrou não entender essa escala de grandeza ao não cortar cerce o passo a um candidato tão ordinário como Trump. A mediocridade do Partido Republicano ficou escancarada ao só reagir, na pessoa de vários senadores, ao video de há uns anos atrás em que Trump, julgando-se muito viril, usou um palavreado de habitué de casas de passe para relatar as suas (não sabemos se inventadas) aventuras sexuais. A fraqueza actual do Partido Republicano fica demonstrada pela sua incapacidade de evitar que este energúmeno chegue à boca das urnas e, vergonha das vergonhas, tenha ainda um número razoável de pessoas a votar nele. Roberto De Niro chamou-lhe aquilo que, de facto, ele é e ficou largamente demonstrado neste debate: um rufia.
Donald Trump tem razão – são uns hipócritas
Nos últimos meses, Donald Trump disse que ia construir um muro para separar a América do México e que ia pôr este último a pagá-lo. Chamou criminosos, violadores e traficantes aos mexicanos. Queixou-se de ver negros «a contar o meu dinheiro». Disse que ia expulsar liminarmente 11 milhões de imigrantes ilegais. Que ia proibir a entrada de muçulmanos. Que os atentados de Paris só provam que a posse de armas devia ser liberalizada. Que o aquecimento global foi inventado pelos chineses para prejudicar a América. Que ia atacar o Médio Oriente para lhes ficar com o petróleo, destruindo tudo e mandando empresas americanas para fazer a reconstrução.
Defendeu o regresso de métodos de tortura mais agressivos nos Estados Unidos, atacou os pais de um militar americano morto no Iraque, expulsou uma jornalista mexicana de uma conferência, uma muçulmana de uma acção de campanha e um bebé que chorava num comício. Disse tudo e mais alguma coisa e sempre publicamente e em directo para milhões de espectadores.
Foi preciso ir buscar uma conversa privada com mais de 10 anos [Read more…]












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