Tradução do relatório do FMI no Parlamento Europeu

O eurodeputado Rui Tavares recorreu, ontem, à tradução do relatório do FMI patrocinada pelo Aventar e teve, ainda, a simpatia de agradecer no facebook.

Este facto é, decerto, motivo de orgulho para toda a comunidade que participou nesta obra colectiva, um verdadeiro monumento ao exercício da cidadania.

Em nome de todos, o Aventar agradece a Rui Tavares ter dado ainda mais sentido a esta tradução.

Para verem que não estamos aqui para enganar ninguém, aí ficam as provas.

rui tavares

A extorsão (1): o novo presidente do “Parlamento” Europeu

O novo presidente do Parlamento Europeu, evoca os acontecimentos de há duzentos anos para caracterizar uma Europa padronizada sob um rolo compressor e ao arrepio da vontade dos seus povos. Este é um caso de uma antiguidade bem recente, recordando-nos todos dos tristes episódios dos referendos “até que sim”, das pressões chantagistas utilizando o eterno argumento monetário e as ameaças cada vez menos veladas, consagradas através de telefonemas exigindo a expulsão de primeiros ministros eleitos democraticamente. Esta é a Europa do Directório Continental de corte bonapartista, sempre lesiva e de uma extrema ameaça aos interesses de Portugal e da sua existência como Estado independente e de pleno Direito internacional. O pior de tudo, consiste no insistir da propaganda mentirosa e abusiva das “inevitabilidades” que cavam ainda mais fundo, se é que isto é possível, o caviloso buraco de extorsão em que nos precipitámos. Sem qualquer menosprezo relativamente a húngaros, checos, letões, romenos, suecos, dinamarqueses, holandeses e quase todos os outros compagnons de route comunautaire, a rápida leitura da nossa história e a presença cultural de facto no mundo, possibilitam-nos a alternativa que todos sabem existir mas alguns teimam em alijar como coisa sem préstimo. Esta teimosia apenas tem um móbil: o interesse pessoal dos membros da oligarquia e do seu nefasto e prescindível Euro.
Pois aqui vos deixamos esta inabalável certeza, velha de séculos: não há outro caminho senão olharmos para Sul e para o Oriente. Nenhum outro.

Um deputado nacional-inglês, com certeza

Nigel Farage é um deputado da direita inglesa mas o que diz está certo. Estranhos tempos em que um deputado nacionalista (não confundir com fascista, sff) inglês, anti-europeísta convicto é porta-voz de todos os europeus que se opõem ao nacionalismo alemão e à técnico-incompetência que reina em Bruxelas. Eu também não quero viver numa Europa dominada pela Alemanha.

Rui Tavares afasta-se do BE mas mantém poleiro

“É-me impossível manter confiança pessoal e política no Coordenador Nacional do BE e, em consequência, continuar a fazer parte da delegação no Parlamento Europeu do partido por ele liderado, passando simplesmente à condição de deputado independente, integrado no grupo dos Verdes europeus.”

Rui Tavares gosta de afirmar que se move em nome da honestidade e da boa-fé. Não seria honestidade e boa-fé, uma vez que não confia no coordenador e não quer continuar na delegação, pôr o lugar à disposição do BE, já que foi eleito como representante (independente) do BE, nas listas do BE, num lugar do…BE?

O deputado dos morangos com açúcar gosta de viajar em 1ª classe

Há coincidências espantosas. José Manuel Fernandes, ex-presidente da Câmara de Vila Verde, foi eleito deputado europeu nas listas do PSD. Apostado em dar nas vistas, além de ter levado uma concertina para Bruxelas pensando tratar-se de um instrumento tradicional português, deu nas vistas quando decidiu levar também os “Morangos com Açúcar” para o PE, à custa do orçamento, é claro, e garantindo a sua participação em alguns episódios.

Na altura afirmou que teria de meter  dinheiro do seu bolso. Como a crise aperta e o bolso tem limites, foi responsável pelo relatório que aumenta o orçamento parlamentar em 2,3%, abaixo da inflação, diz ele, o que inclui um aumento de 0,9% nos seus salários e a manutenção de regalias parvas, como a de viajar em executiva entre Lisboa e Bruxelas.

Como já aqui referi, este episódio deu origem à canalhice de plantar num pasquim castelhano uma fotografia de Miguel Portas, dormindo num avião, em executiva, e omitindo que se tratava de uma viagem para Moçambique, logo fora do alcance da propostas que tanto contrariaram os mais parolos dos nossos deputados. Viagem que ocorreu em 2009, onde “na qualidade de observadores às eleições gerais daquele país africano” se deslocaram 3 deputados portugueses, a saber Miguel Portas, Vital Moreira e José Manuel Fernandes. Vital Moreira é conhecido como jurista e político, e menos conhecido como um bom fotógrafo amador. A fotografia canalha que por aí circula, além da falta de ética revela também uma imensa falta de jeito para lidar com máquinas fotográficas. E além disso Vital Moreira votou contra a continuação desta mordomia que tanto encanta o deputado minhoto.

Os meus agradecimentos ao leitor Paulo Pita por ter deixado um comentário que me fez luz sobre esta estória.

A canalhice

Segue o esclarecimento de Miguel Portas sobre uma foto canalha publicada na imprensa porno castelhana. Confesso que também gramava saber quem plantou a foto no dito pasquim. Quando à autoridade moral dos canalhitas que a têm espalhado por aí, está ao nível dos deputados portugueses que votaram contra a alteração ao regime de viagens dos parlamentares europeus.

1. A fotografia publicada por um jornal electrónico espanhol de mentideros, “el confidencial”, começa a chegar a alguns órgãos de comunicação social em Portugal.

2. O jornalista que colocou essa notícia não teve, sequer, o cuidado de me contactar previamente, ao contrário de outros profissionais espanhóis de radio e imprensa escrita. Esses tiveram observaram a regra deontológica de não publicar uma imagem tirada por um eurodeputado que, segundo o pasquim em causa, terá sido movido por “motivos de vingança pessoal”.   [Read more…]

Uma mala de cartão e um posto dos correios

Cansado da dura labuta, como a de todos os que passam o dia a usar o CU*, perdão, o CC** para mandar currículos por mail digitalmente assinado, coisa que impressiona de sobremaneira todo e qualquer empregador disposto a pagar até 800 euros (ilíquidos) por um licenciado, dizia, cansado dessa vida, decidiu-se Antomílio Pinto de Sousa (o nome é apenas uma coincidência) por uma vida melhor.

Ainda a mala não estava toda desmanchada e já tinha um emprego de prestígio, dizia-lhe o patrão, onde “todos os que eram alguém em Bruxelas acabavam por passar”, facto que ele atestava de cada vez que levantava os olhos da louça para olhar através da janela da copa.

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A Grécia e a crise explicada aos peixes por Cohn-Bendit

Intervenção de Daniel Cohn-Bendit no Parlamento Europeu (legendada em português).  Tudo muito bem explicadinho mesmo para quem não quer perceber. Num aparte confunde Durão Barroso com Cavaco Silva, mas bem vistas as coisas o partido é o mesmo.

Impressionante como os gregos têm sido acusados de tudo e mais alguma coisa, e ninguém se lembra da particularidade de terem 100 000 soldados num país de 11 milhões de habitantes.

O jargão político

Existe um instrumento linguístico, de comunicação, usado pela classe política, que se sustenta numa lógica já conhecida: quanto mais se falar de um assunto, mais se afasta o interesse por via da exaustão ou, pura e simplesmente, banaliza-se o que deveria ser importante. As pessoas ficam cansadas e desistem. Tanto mais que têm as suas difíceis vidas para viver.

Faz parte dos velhos manuais de táctica de guerra política, as duas principais manobras a fazer quando se quer pôr fim a um certo assunto incómodo: a par de uma outra: cria-se uma comissão de inquérito o mais complexa possível.

Nada de novo, portanto.

A isto, soma-se a manipulação de conceitos, de acordo com as conveniências.

E, assim, temos um jargão, usado e abusado.

Nos últimos 10 anos, nunca a classe política usou tantas vezes o termo “responsabilidade”, ora no singular ora no plural. Usou e usa sistematicamente o termo que define aquilo que nunca é devidamente apurado neste país: obrigação de se responder pelas acções próprias ou de terceiros, ou por aquilo que nos é confiado.

No entanto, não deve haver dia que não haja um político a falar de “responsabilidade”.

Como se pode ver num claro exemplo, partindo daquele mesmo termo, “responsabilidade”, sempre cheio de actualidade:

Aquando das eleições legislativas de 2005, o apelo do PS à maioria absoluta, para fazer face a “tempos difíceis”, foi insistente, e a fórmula era simples:

Maioria relativa = responsabilidade relativa.

Maioria absoluta = responsabilidade absoluta.

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E davam grandes passeios ao Domingo…

Em devido tempo e no local correcto, a caixa de comentários, já me pronunciei sobre este «post» do Tiago Mota Saraiva: acho vergonhoso que um Partido político, como é o caso do Bloco de Esquerda no Parlamento Europeu, ande a pagar viagens a bloggers para que eles possam visitar gratuitamente Bruxelas e possam ver, «in loco», como se vive bem na Europa.
Soube na altura, por fonte que me solicitou sigilo, que Fernanda Câncio também esteve presente nessa passeata, a par de outros que o assumiram, como Maria João Pires, também do Jugular, ou um tal de Paulo Pena. Não o revelei exactamente por causa desse pedido, mas agora que o Nuno Ramos de Almeida o tornou público, fui libertado do compromisso.
Não sei, nem me interessa, se o convite partiu de Rui Tavares ou de outro Deputado europeu do Bloco de Esquerda. Também não me interessa muito o súbito amor entre Fernanda Câncio e o Bloco. O que me interessa, isso sim, é que o meu dinheiro – sim, o meu e o de todos os contribuintes – seja desperdiçado por Partidos políticos que julgam que na Europa se pode gastar à tripa-forra. Nem que seja para convidar pessoas para darem grandes passeios ao Domingo – pessoas cujo interesse é completamente nulo para Portugal no contexto do Parlamento Europeu.
Um discurso, o do Bloco de Esquerda, que contrasta muito com a prática que acabamos de ver. Começo a pensar que, um dia no poder, o Bloco acabaria por ser mais do mesmo.

Os chico-espertos voltaram a atacar

Há uns meses o assunto foi falado. A reacção negativa de muitos sectores levou os paladinos detentores da moral legalista a enfiar a viola no saco. Agora, como quem não quer a coisa, pela calada e de forma até algo envergonhada, o Parlamento Europeu e o Conselho Europeu chegaram a um acordo para que as autoridades administrativas dos Estados-membros poderem cortar o acesso à Internet aos utilizadores que façam downloads de ficheiros protegidos por direitos de autor sem uma ordem judicial prévia. Sem ordem judicial, reforço.

 

O centro da questão é mesmo este. É claro que quem efectua downloads piratas comete uma ilegalidade e pode ser punido por isso. A questão é não ser necessária a intervenção do poder judicial. Basta um fulano sentado a uma secretária assinar um papel e pronto, está feito. Não sei se haverá muitas infracções punidas assim, de forma tão leviana.

Isto não acontece por acaso. É fruto das pressões dos detentores económicos dos direitos, sobretudo editoras musicais, que ainda não perceberam como reagir ao fenómeno da Internet.

 

Há uns dias, um estudo, mais um, veio confirmar que os “piratas” compram mais música que os não “piratas”. Esta é uma certeza que tem anos. Os génios que administram o mundo da edição musical é que ainda não perceberam isto. Ou não querem perceber.

Não me interpretem mal. Não defendo os piratas. Mas também não defendo os administradores e gestores das empresas editoras que se aproveitam da criatividade de outros para ganhar mais dinheiro com as suas criações do que os próprios criadores.