hoje nem sequer é um de maio

Tinha uma coisa alusiva  para vir aqui contar.

Uma conversa com um casal de trabalhadores

(trabalhadores é para dizer como diz o zé mário branco no fmi, discretamente soletrado e a ressoar cada sílaba)

onde aprendi como uma pequeno-burguesa trabalhando por conta própria puxa por um operário que não pede aumento ao patrão porque o patrão responde tenho 1500 inscritos para entrar na fábrica, queres ir embora?

uma cabeleireira e um fiel de armazém classificado no privilégio do quadro dos efectivos da fábrica como operário geral, muito mais barato, foi ela que falou com o patrão na única vez em que foi aumentado, ele não queria ouvir aquela parte dos 1500 inscritos para entrar para a fábrica, queres ir embora? mas a ela o patrão não disse do mercado de trabalho, uma flexibilidade que falhou na parte dos tomates, patrão também é homem,

a ele, uma vez em que pediu para mudar para outra secção onde podia ganhar mais tinha respondido para o teu lugar precisava de 2 ou 3, nem nas penses, deve ser a isto que chamam uma relação

  • empresário / colaborador, que substituiu
  • o patrão / trabalhador do antigamente,

estive com eles e achei que era o 1º de maio de 2010,

em cores alternativas, ela quer ter outra criança, ele espera por melhores dias, tipo só haver 150 inscrições na fábrica à espera de uma vaga, a vaga de um deles,

isto ilustrado com umas imagens da conversa e tudo, isto numa fábrica muito visitada pelo governo, tá no youtube e tudo, achei bem alusiva, bués mesmo. Vinha aqui contar.

Não conto. Ia pôr em risco alguns postos de trabalho, e hoje é dia mundial do mesmo.

Vilar de Viando

Trabalho duro!

Imagens de Abril: O poder a quem trabalha

Quem quer um cemitério nuclear ?

O governo central Espanhol com um problema nas mãos – que tem resolvido enviando os resíduos para França – propôs aos munícipios a instalação de um  cemitério de resíduos a troco de investimentos que criem postos de trabalho e riqueza.

Yerba uma aldeia de 567 habitantes está a lutar para conseguir essa instalação. Já têm uma central nuclear em laboração a 12 kms (Zorita) e os defensores do cemitério acreditam que não houve qualquer mudança, quer na saúde dos habitantes quer na capacidade de vender os seus produtos hortícolas.

Para os convencer, o munícipio levou alguns dos habitantes a França visitar  os depósitos nucleares, é só jardins, diz um dos visitantes e dá trabalho a muita gente, o que é contrariado por outros que estão contra a ideia. Só há trabalho enquanto durar a construção depois fica tudo na mesma pasmaceira.

O que é curioso é que aqui como no resto, são os mais fracos e menos utilizadores dos serviços prestados pela indústria que sofrem as consequências. Não são as grandes cidades e a grande indústria que ganham com a instalação da indústria nuclear? A indústria nuclear não é limpa?

Se não é limpa é um crime o que o governo propõe, se é limpa instalem-na no centro de Madrid ou de Barcelona!

Laurinda Freitas: um depoimento

Neste pobre país é proibido ser bom trabalhador mas honesto, isto desde o escriturário ao administrador.

Trabalhei como 1ª escriturária durante 35 anos numa empresa do ramo automóvel, pertencente a um Grupo Económico deste País. Neste espaço de tempo exerci algumas funções onde fui muito bem sucedida, mas por inveja dos meus chefes e porque à empresa não interessava trabalhadores que não lhes mereciam confiança para exercerem manobras contabilísticas /  corrupção, nunca me deram a oportunidade de subir na carreira.

Nos últimos dez anos que trabalhei na empresa procuraram todos os meios possíveis para me desgastarem, para que eu tomasse a decisão de sair da empresa, pois fui marginalizada, realizavam-se reuniões com os trabalhadores dos sectores a que eu pertencia e eu era proibida de participar.

Excluída, todos os trabalhadores tinham formação de informática e eu não, eram colegas que me explicavam depois o mínimo necessário para eu trabalhar. Era a única trabalhadora que não tinha impressora, pois tinha de me deslocar a gabinetes de colegas, para retirar os documentos que punha a sair nas impressoras delas.

Humilhada, enquanto os restantes trabalhadores tinham um gabinete digno, o meu mais parecia uma entulhada de papeladas, com caixotes cheios de papéis acima da superfície e pastas de arquivo no chão.

Torturada, trabalhava num gabinete onde estava uma máquina de grandes dimensões que alimentava todo o sistema informático das empresas do Grupo de toda a Região Norte; essa máquina trabalhando normalmente já fazia um ruído incomodativo, como eu me queixava desse ruído resolveram pôr a máquina a fazer um ruído insuportável, a porta da máquina trepidava por causa do mesmo. Estive assim durante uma semana, nesses dias quando à noite ia dormir parecia-me ouvir esse ruído, só colocaram a máquina com o ruído normal, quando um dos meus filhos foi lá para ver a minha situação.

Resisti a todo o desgaste psicológico que os corruptos me aplicaram, mas em Dezembro de 2008 fui despedida, porque a lei de trabalho em vigor favorece os corruptos que só estavam interessados em trabalhadores do sistema.

Portugal jamais poderá prosperar enquanto as empresas agirem como aquela aonde trabalhei, pois preferem ter trabalhadores medíocres, mas que cooperem com a corrupção. Os bons trabalhadores, mas honestos que podem ajudar as empresas e o País a prosperar são tramados.

Oferece-se ordenado

Motorista TIR precisa-se. Oferece-se ordenado, regalias compatíveis, empresa bem conceituadaO que nos tempos que correm me parece um luxo. Não é com estas extravagâncias que se combate a crise. Este tipo de comportamento leva os empresários à falência, o que no caso de uma empresa bem conceituada é uma pena. Ainda por cima também oferecem regalias, ou seja privilégios, mesmo que compatíveis. Está mal. Não podiam oferecer só o trabalho?

Sem trabalho não há emprego

João César das Neves dixit:

(…) Os empregos primeiro criam-se, só depois podem ser ocupados. Muitos desempregados deveriam lançar o próprio negócio, sem acreditar na geração expontânea de tarefas. Trabalhar é ser útil, criar valor. O mal está na opinião pública, que começa por desprezar empresários e gestores, tratando-os como exploradores, parasitas ou pior. Depois, o Governo persegue-os com impostos, regulamentos e fiscalizações. No final, todos se surpreendem por faltarem postos de trabalho. (…)

(…) A quinta tolice é pensar que, porque o montante de trabalho é fixo, os empregados tiram empregos aos desocupados. Esta velha falácia é persistente, apesar de sempre negada. É trabalhando que se gera a necessidade de mais trabalho. Aqui não há partilha, mas crescimento. Ou queda se, em vez de aumentar o bolo, se lutar pela sua divisão.

Isto leva à estupidez suprema de considerar obsoletas e fora de prazo pessoas de certa idade, ainda com décadas de capacidade e eficácia à sua frente. Usar a reforma para promoção do emprego é um infame crime nacional, que estrangula empregos e paralisa a economia. (…)

PS : Aventado ao Blasfémias

Pergunta básica

Vamos imaginar que eu não percebo nada de economia. Não deve ser assim tão complicado porque se trata de algo absolutamente verdadeiro.
O PIB de Portugal não tem crescido, certo?
Escrito de outro modo…
Vamos imaginar que Portugal é uma família com duas pessoas: as Empresas (entenda-se Capitalistas) e os Trabalhadores.
Ora, se o que esta família (Portugal) ganha tem sido sempre o mesmo (para ser simpático) e o lucro das empresas aumenta, quem é a parte que está a ficar sem o que é seu?

Se calhar esta ideia é demasiado elementar, mas alguém poderá ajudar a esclarecer?

Modesta proposta para combater o desemprego

Vi numa reportagem um senhor panificador que resumiu o grande problema nacional assim: as pessoas querem emprego e isso não temos, temos é trabalho mas isso  não querem.

Fez-se-me luz. O desemprego tem aumentado porque as pessoas andam à procura de trabalho das 9 às 17, como dizia o panificador, e não estão dispostas a trabalhar noite fora a troco de um mínimo da salário e um saco de carcaças.

O trabalho induca, liberta, é saudável. A mania de alguns, insistindo em serem remuneradas, terem um contrato, e outras mariquices, é que estraga tudo, já para não falar na questão semântica: temos mais de 10% de desempregados, mas é falso que abundem os desemtrabalhados.

Mesmo os poucos empregos que foram criados não podem chegar para todos porque os todos são muitos. Vamos lá baixar o número dos muitos: limite-se o acesso ao trabalho, sobretudo ao emprego, às mulheres – enfermeiras, telefonistas, professoras e assistentes de bordo, vá que não vá. Admito ainda meia-dúzia de excepções para profissões pouco masculinas como as de mulher-polícia, costureira, mulher-a-dias e vendedora de sardinhas na praça.

Não se trata de um regresso ao antigamente salazarista: dispenso as senhoras da obrigatoriedade de autorização superior para contraírem matrimónio, como se usou nesses tempos.

Resguardadas no remanso do lar, as portuguesas não só libertavam ocupações laborais para os homens como asseguravam a perpetuação da família, essa nobre instituição vilmente ameaçada nos dias de hoje. As que não quisessem casar com homens sempre podiam ser freiras, há sempre solução para tudo, o que é preciso é boa vontade, não acham?

Rendimento mínimo dos patrões

Querem os apoios, mas querem saltar fora do acordo para aumentar o salário mínimo. Será que o Paulo Portas não terá nada para dizer sobre isto?

Ou também é moderno dar dinheiro a patrões incompetentes que ficam com os descontos dos empregados?

Nota: distingo patrões de empresários. O da CIP é Patrão. Negar o direito a alguém que vive do seu trabalho o acesso a um miserável salário de 490 euros é do mais reaccionário e conservador. Até incomoda ouvir tal homem a falar.

Manifesto pelo fim da divisão na carreira III

Boas, se me permite car@ leitor@, vou insistir na minha tese de que não faz sentido haver qualquer divisão na carreira docente. E volto ao tema tendo como ponto de partida o texto do Luís (Trabalho igual, salário igual). Numa resposta a dois tempos:

 

 

Karl Marx

 

E o primeiro comentário vai no sentido de rebater um pré-conceito menos declarado, mas sempre muito presente, contra "O" sindicalista, como se os problemas do nosso país fossem estes e não outros. Sem qualquer tipo de Pré-conceito afirmo que a culpa dos problemas estruturais do nosso país está nas elites dirigentes e não nos trabalhadores. Temos patrões a mais e empresários a menos. Temos gatunos a mais e governantes a menos. Temos uma minoria dirigente interesseira, nada interessada nos interesses da maioria dirigida.

Há sindicalistas conservadores? Com visões do passado? Claro…

 

Mas, quando me dizem que hoje é preciso voltar a jornadas de trabalho de 60h / semana, quando me dizem que talvez seja preciso voltar a trabalhar mais do que oito horas por dia por causa da competitividade… quem é que é reaccionário e conservador?

Será moderno o incompetente Albino Almeida, o pai de todos os pais, vir dizer que quer as creches e escolas das 7h30 às 19h30?

E seria conservador, se por exemplo, exigisse dos empresários um maior apoio aos trabalhadores com filhos em idade escolar, para que estes podessem ajudar os filhos?

 

Nunca na história da humanidade houve tanto dinheiro disponível, nunca como hoje Portugal e os Portgueses foram capazes de gerar tanto dinheiro – porque é que alguns têm que ficar com "ele todo" e outros com nada?

 

Porque é que os lucros de uma empresa, pública ou privada não importa, são para os accionistas na sua totalidade? Porque é que o trabalho é visto como um custo de produção e não como parte essencial ao lucro? Porque é que as empresas não dividem por exemplo, parte dos seus lucros, numa proporção igual, entre accionistas e trabalhadores?

 

Já sei, isto é ser conservador e ter uma visão do passado. O que é moderno é ter gente a ganhar milhões quando temos portugueses a passar fome.

 

Repito – a questão central é mesmo a da distribuição da riqueza.

 

E com isto me perdi no que queria escrever, mas certamente vão ter a paciência de me acompanhar no próximo post…