Depois deste apelo (que já andava espalhado no Facebook), vem agora a boa notícia. No ano 2000 muitas aves protegidas teriam morrido. Viva o séc. XXI.
Unam-se, porra
As esquerdas representam-se por vários partidos, aos quais compete, em exclusivo, a determinação da sua estratégia. Não nos incumbe, como signatários deste manifesto e com posições diferenciadas, interferir nessas decisões. Move-nos a obrigação de contribuir para uma solução de esquerda para Portugal, manifestando a nossa opinião, porque queremos promover diálogos com resultados.
Há um manifesto onde se apela “a que os principais partidos da esquerda que recusa sem ambiguidades a austeridade, bem como milhares de independentes e activistas, se associem num pólo político, com uma resposta política clara para toda a gente”. Será eficaz? duvido, mas assinei. Não custa nada tentar.
O estrondoso crescimento da esquerda na Madeira
Não contando a família Coelho, a esquerda tinha um deputado na ARM, da CDU. Agora tem nove: dois da CDU, dois do BE e cinco do movimento Juntos pelo Povo.
O Juntos pelo Povo é um movimento de cidadania que derrotou o PSD em Santa Cruz, tem um programa simpático, de esquerda, embora não entenda a sua posição sobre o offshore. O presidente da câmara que elegeu é escriturário, vem do PS, e à boa maneira madeirense acaba de eleger o irmão, arqueólogo, e mais quatro que não estavam à espera. Nas autárquicas teve o apoio do BE.
Agora imaginem que o Juntos Pelo Povo concorre à Assembleia da República, juntando as diversas estruturas cidadãs que em várias cidades têm eleitos autárquicos…
Adenda: descubro agora que a CDU está a 5 votos do terceiro deputado, perdendo o PSD a maioria absoluta. Vamos ver a recontagem dos votos.
Paráfrases
Depois da “Pátria onde Camões morreu de fome e todos enchem a barriga de Camões” (Almada), e da “Pátria onde Pessoa morreu de bêbado e todos se emborracham com Pessoa” (parafraseio meu, já velhinho), bem vinda será a Pátria onde Herberto morreu em silêncio e todos declamamos Herberto.
Pátria assim é mesmo de poetas, e escreve-se com letra grande.
Confirma-se
Sempre achei que, aquando da distribuição universal de inteligência, Diogo Feio não foi muito favorecido. Houve ali uma falha, um deslize, uma desigualdade, qualquer coisa que correu mal.
Agora afundou-se, emergindo a prova, qual submarino.
Ainda Herberto
Quando fiz o meu teste de admissão no que viria a ser a RUC, e então se chamava Centro Experimental de Rádio, já por ali andava a colaborar com textos há mais de um ano. Achei que não valia a pena demonstrar que sabia ler e escrever, e decidi concentrar-mo no que me pareceu ser uma boa ideia para um curto programa (tínhamos uns 15 minutos para gravar).
Agarrei n’ O Humor em Quotidiano Negro, e com o ar mais sério do mundo adaptei alguns textos ao formato noticiário alargado com alguma música. Para quem não está a ver, as notícias eram como esta:
A população de Bogotá está a aumentar, e o número de mortos cresce em proporção. Já não há espaço nos cemitérios para enterrar mais gente.
Um engenheiro teve uma ideia: enterrar os mortos de pé. E justificou “Cabem muito mais cadáveres e é mais higiénico.”
A Câmara Municipal de Bogotá está entusiasmada, pondo reservas apenas a que o processo seja mais higiénico. Disse um funcionário: “É um arroubo lírico do engenheiro.”
A coisa correu bem, o problema foi depois de publicada a votação do júri, quando expliquei a um dos seus membros que me elogiava a criatividade da escrita:
– Não são meus, pá. São do Herberto Helder.
– Quem é esse gajo?
Não cheguei a ser desclassificado, mas hoje já ouvi a versão “Ah, morreu o pai do Daniel Oliveira” e poderia acrescentar que no meio docente reina alguma preocupação entre os profes de Português, menos dados à poesia sem riminhas, que não sendo todos são bastantes, agora que o homem morreu ainda os obrigam a dar mais uns textos que nunca perceberam, a falta que faz um decassílabo.
Herberto Helder, 1930-2015
O poeta não se chora, ou mesmo lamenta, mija-se-lhe os verbos, bebamos:
Lugar, lugares
Era uma vez um lugar com um pequeno inferno e um pequeno paraíso, e as pessoas andavam de um lado para outro, e encontravam-nos, a eles, ao inferno e ao paraíso, e tomavam-nos como seus, e eles eram seus de verdade. As pessoas eram pequenas, mas faziam muito ruído. E diziam: é o meu inferno, é o meu paraíso. E não devemos malquerer às mitologias assim, porque são das pessoas, e nesse assunto de pessoas, amá-las é que é bom. E então a gente ama as mitologias delas. À parte isso o lugar era execrável. As pessoas chiavam como ratos, e pegavam nas coisas e largavam-nas, e pegavam umas nas outras e largavam-se. Diziam: boa tarde, boa noite. E agarravam-se, e iam para a cama umas com as outras, e acordavam. Às vezes acordavam no meio da noite e agarravam-se freneticamente. Tenho medo – diziam. E depois amavam-se depressa, e lavavam-se, e diziam: boa noite, boa noite. [Read more…]
O rebanho
Num grupo de professores do Facebook uma colega expõe a sua dúvida: acompanhou uma visita de estudo, obviamente não deu aulas que a ubiquidade não é para todos nem a sua profissão tem equivalente na de gafanhoto saltitando de conselho de administração em conselho de administração, foi-lhe marcada falta porque a incompetência burocrática no micro-mundo das escolas existe, e exigem-lhe que a justifique, com um artigo que assim reza no maravilhoso mundo da justificação de faltas:
As motivadas por impossibilidade de prestar trabalho devido a facto que não seja imputável ao trabalhador, nomeadamente doença, acidente ou cumprimento de obrigações legais
É um artigo giro, lembro-me que apareceu no universo docente reinava Roberto Carneiro e na altura foi dado como exemplo ficar fechado num elevador, o que deu às empresas reparadoras dos mesmos um bizarro poder no mundo do absentismo. [Read more…]
Convívio com o povo
Ser jornalista ou fazer jornais
Diana Andringa explica a sua profissão aos que se calam perante o banho.
Corporativices
Pedro Tadeu entreteve-se com mais um deslize de linguagem de António Costa: capital humano, usou o líder do PS, presidente de um município onde não se trabalha, há colaboradores. A apropriação da linguagem neoliberal pelos partidos da Internacional Socialista é um facto há muito adquirido, e nada tem de coincidência, corresponde ao desabrochar, ascenção e agora queda do chamado social-liberalismo, que de Blair em diante os levará, a todos, ao ilustre destino do PASOK.
Recordo que Sócrates, entre nós, esteve na vanguarda da coisa, traduzindo o clássico NIMBY quando decidiu vingar-se da cidade de Coimbra, coisa injusta, sempre cá tirou um curso a sério.
Vai daí, um certo blogue, encanitou-se, que até Estaline teria usada a mesma expressão (como se Estaline e toda a Escola Austríaca não repousassem muito bem no mesmo panteão). [Read more…]
Sócrates, o hino
É possível uma “música” cheirar mal? não tomar banho? não respeitar quem trabalha?
É. Tapem o nariz antes de escutar.
Eles andam por aí, lá e aqui
Mentecaptos desfilando nas ruas do Brasil.
Apelo ao golpe de estado, em americano para a CIA ler. A nostalgia de um tempo que não volta para trás, foi saudada entre nós no Insurgente. Liberais, dizem-se hoje, velhos fascistas são.
Fotografia Revista Forum.
Miguel Angel Belloso leva uma sova de Pablo Iglesias
Ainda gostava de entender a necessidade que terá sentido o DN para ir contratar um neoliberal no mercado espanhol, Miguel Angel Belloso de seu nome. Parece-me injusto, há tanto religioso do mercado por cá, não havia necessidade.
Como, ao contrário das televisões portuguesas, os nossos vizinhos caíram na asneira de debater com adversários, aqui fica o Belloso (e ajudante) a levar uma abada do Pablo Iglesias. Imaginem um Carreira ou um Gonçalves em idênticas circunstâncias…
O BES foi governado por um bando de granadeiros
Ficámos ontem a saber que o BES pertencia a um bando de granadeiros. Henrique Granadeiro também demonstrou na Assembleia da República que em Portugal se pode ser gestor de topo e ignorar os mínimos de História de Portugal, transformando Egas Moniz em primo de Afonso Henriques, o que dava chumbo na antiga 4ª classe, a que ele fez, ou seja, a PT esteve entregue a um analfabeto.
Já desconfiava.
É o capitalismo, estúpido
Já tivemos algumas experiências semelhantes no Aventar: um artigo que denuncia uma situação serve de rastilho para outras denúncias que explodem na caixa de comentários. No L’obéissance est morte desabou um verdadeiro continente sobre as práticas laborais da família Azevedo, gente que passa por honesta e honrada (e não foi bem assim que o pai Belmiro se lançou nos negócios).
Da compilação que fizeram, seleccionei alguns exemplos do capitalismo neoliberal em todo o seu esplendor. Também podia chamar a isto cambada de filhosdaputa, ou parafraseando Boris Vian, havemos de vos cagar em cima, a empresa até é do norte, mas fiquemos pelo capitalismo. Este é mesmo selvagem, ainda é ilegal, mas fica impune. Testemunhos do Homem Sonae, como lhes chamou em tempos Belmiro: [Read more…]
Caloteiro
Fernando Alvim, 1934-2015
O viola que foi de Carlos Paredes, um ribatejano e um beirão, deixou-nos.
Ofereceram-nos tudo o que de umas cordas para cima cheira e sabe a belo.
No dia em que os capitalenses se calarem com a peta do fado ser só deles, mantendo a lenda salazareira e de sua besta férrea, teremos entre outras coisas ensinado à UNESCO que leva banhadas. O Fado é nosso, do Tejo para cima, ponto final, parágrafo.
Fiquem com a homenagem no sítio óbvio, Coimbra, Santa Cruz.
A luta continua, gramática para a rua
Depois de uma, vem outra. Dizem que o Duarte Marques está de serviço à propaganda do PSD no facebook.
Outra possível explicação: se o BE dá erros (menores) na língua alemã, os alemães do PSD dão erros maiores em português.
O dia em que Zeinal Brava foi reduzido à sua insignificância
Confesso que, ao fim de tantos anos de prémios e assim, me dá um certo gozo, tipo: tás a ver, és um merdas, Zeinal Brava, reduzido a cobarde, culpado e tolinho quando agora é perguntado.
Ganda malha, Mariana Mortágua, agora só lhe falta a cadeia.
Tratam-se bem

Eu também sou a favor da legalização das drogas, mas não exactamente defensor do seu consumo intensivo, em particular quando um partido faz a sua propaganda.
Imagem da página do Facebook do PSD, via Ricardo M. Santos
Cúmulo da estupidez revisitado
O Podemos começou em 2014. Mas já era financiado pelo Venezuela antes disso. E uma direita menos idiota, não se arranja?
Ó Costa…
A afirmação da China como grande potência do capitalismo terráqueo encontrou mais uma demonstração: perante uma plateia de capitalistas chineses, António Costa teve um ataque de sinceridade, agradeceu os investimentos em Portugal, e lá se descaiu, diz ele que estamos melhor que em 2011.
Depois de Sócrates e Passos Coelho, dois mentirosos patológicos, faltava-nos no bloco central um homem sincero, honesto, que diz ao que vem. Uma excelente estratégia para conquistar o eleitorado de direita, também ele já um bocado farto de aldrabões. Agora os restantes, por sinal a maioria, postos perante a realidade, ainda têm muito por onde escolher no momento do voto.
Aguardo também, sentado, uma palavra de discernimento vinda dos lados do Tempo de Avançar.
Santos da Casa
Pedi ao Fausto Silva para me enviar uma gravação do Santos da Casa com este simples argumento: apetece-me explicar ao país que na RUC existe, faz para a semana 29 anos, um programa dedicado apenas e só à musica portuguesa. A toda. [Read more…]















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