A "Teoria do Bom Aluno" e a "Lei de Gresham"

Não é preciso fazer um grande esforço de memória para recordar a teoria defendida por Cavaco Silva, então Primeiro-ministro, de que Portugal deveria ser um bom aluno na Europa, aprendendo com quem sabe e seguir os ensinamentos que ela, civilizada, organizada, superior, tinha para nos dar. E deu-nos: milhões a rodos, com muitos a irem parar às contas da Ferrari.

Bem mais tarde, o seu artigo publicado no Expresso acerca da “Lei de Gresham” -”A má moeda expulsa a boa moeda de circulação” -, serviu de mote à metáfora política, para no fim concluir que é tempo dos bons políticos expulsarem os maus.

Num artigo em que Cavaco Silva fez aquilo que é tão só normal e corriqueiro no nosso país: pôr em cheque a honestidade ou a competência de todo um conjunto de pessoas, sem qualquer determinação de responsabilidade, mas sem deixar de criar suspeitos, à boa moda lusitana.

Ora, vale a pena lembrar os políticos que com Cavaco Silva ascenderam ao estrelato e que deram provas do tipo de moeda que são. Dois casos inequívocos são Durão Barroso e Santana Lopes, políticos de inegável ascensão na era cavaquista, sendo que um fugiu a um compromisso para com o povo português rumou a melhor pouso, e o outro limitou-se a ser aquilo que sempre foi e, provavelmente, será.

Isto para não falar em Dias Loureiro, José Oliveira e Costa ou Arlindo Cunha, que o caso BPN veio trazer à liça do apuramento do que é boa ou má moeda.

Hoje, com o país mergulhado numa séria crise económica, financeira e social, devendo cada vez mais dinheiro ao exterior, o Governo preocupa-se com o casamento gay e o Presidente da República com os mais de 500 mil desempregados que já temos.

Somos um país com valores humanos de referência no âmbito da engenharia, da arquitectura, da pintura, da literatura, da ciência, do atletismo, da medicina, das artes plásticas, etc.
Só mesmo na política, e no que esta se infiltra, é que temos maus alunos e má moeda
. E não há nada melhor do que serem os próprios políticos a lembrarem-nos disso.

Os interludios do presidente

Cavaco Silva diz que o casamento não passa de uma questão lateral. O foco deve estar nas questões económicas, de resolução da crise.

Todos concordamos que o combate da crise e’ prioritário. Mas não vejo porque todo o pais só trate, durante meses, uma única matéria. Como se não houvesse mais vida alem do orçamento.

Portanto só há duas formas de ver a coisa: o presidente acha que o casamento gay e’ uma questão de direitos e promulga a lei em dois tempos; ou o presidente tem asco só a esta ideia e nem sequer a admite. Neste caso, a resposta que deu foi de desprezo pelo tema e pela lei aprovada pelo Conselho de Ministros.

Eu desconfio de qual seja a razão. Não sei o que vocês pensam disso?

Deixem-se de mariquices, e tratem mas é das coisas sérias

Em relação à instituição casamento estou de acordo com o Ricardo Teixeira: “Não consigo deixar de olhar para o casamento como o mais balofo património da heterosexualidade e o mais tolo acto de sexismo militante.”

Em relação ao casamento gay estou-me igualmente nas tintas. Acompanhei no seu início alguns dos primeiros movimentos de defesa dos homossexuais enquanto absoluta minoria, humilhada, perseguida, causa com que evidentemente estou. Agora há prioridades e patitices. Prioridade é por exemplo isto:

Gays, travestis e transexuais condenados à prisão em Belo Horizonte ganharam uma ala especial na penitenciária masculina de São Joaquim de Bicas. Aberta há um mês, a ala permite, por exemplo, que as travestis e as transexuais mantenham os cabelos compridos, o que não podia ser feito em presídios comuns. A ala ainda está em fase experimental e já conta com 37 presos. Além de valorizar a autoestima dos presos, a ala também prevê a diminuição da violência e a preservação da saúde, já que os homossexuais são as principais vítimas sexuais das prisões.

Sucede que nestas causas também há classes. E os movimentos LGBT não parecem estar preocupados com o que se passa nas penitenciárias, lugar por excelência onde vai parar o pobre (e aliás os pobres mesmo pobres,não se casam, que custa dinheiro, juntam-se). Ainda me desperta uma vaga solidariedade contra a estupidez humana a entrada em cena da ICAR e demais reaccionários defendendo a família, dizem eles, como se esta fosse una, a tradição como se o casamento de hoje tivesse alguma semelhança com o de há 50 anos, no seu eterno absolutismo somado à abelhuda mania de meter o nariz  no sexo dos outros. Só por isso se houver referendo como pelos vistos vai haver ainda sou capaz de ir votar. Só para chatear, que bem o merecem. E sinceramente, por muito que isso me estranhe, estou com estas cavacais declarações:

Interrogado se, então, o casamento entre pessoas do mesmo sexo não é para si uma prioridade, o Presidente da República reiterou que é com os «quinhentos e muitos mil» desempregados que está preocupado.

Com esses e com os que são enxovalhados por conta da sua opção sexual também, mas isso já não se pode pedir ao homem que vai receber o Papa na condição de Presidente da República crente.

O encenador

Com os factos e as verdades que foi varrendo para baixo do tapete a virem à luz do dia, Sócrates encena factos políticos que nada têm a ver com a situação do país.

Um a um os países vão tomando consciência da situação gravíssima a que se chegou e tomam medidas dolorosas, absolutamente necessárias para enfrentar a crise, que em todos os casos subjaz à crise internacional. A crise estrutural há muito que está instalada, a crise de cada um dos países, essa, é que vem à tona, enquanto a crise internacional desaparece. Quem tem dúvidas veja como o desemprego cesce à medida que as empresas fecham.

Em Portugal, acossado pelas políticas que teimosamente implementou nos quatro anos de poder absoluto, Sócrates tenta fugas para a frente, como os faustosos megaprojectos que custam o dinheiro que não temos, e encena o casamento gay e a regionalização, com a esperança que seja essa a agenda política.

A verdade é que o casamento gay é inconstitucional, não sou eu que o digo, são os constitucionalistas “pais” da Constituição e vai morrer na praia do Tribunal Constituicional. Virão as acusações costumeiras que o não deixam governar, numa tentativa de virar a comunidade gay contra a oposição.

A seguir vai encenar a “regionalização” num momento em que não se reunem as condições políticas para tal discussão. Não só não constitui uma questão central (essas ,infelizmente, são as económicas) como a oposição não vai embarcar em mais uma “palhaçada política”, quando não se vê como se vai consultar a população, (que já disse uma vez não,) e saída de um periodo eleitoral prolongado, a que acrescem custos financeiros imensos que o país não tem .

Convem lembrar, que para além dos méritos que a regionalização traz, a sua implementação tem custos políticos e financeiros imensos, muito maiores do que qualquer outra eleição, até porque nas outras o investimento inicial já está feito.

Estamos, pois, na encenação do quadro final, sem apoteose e sem chamada à boca de cena!

O casamento «gay» na Constituição da República

Pois bem, meu caro Luis, vamos a factos.
O artigo 13.º da Constituição da República Portuguesa, «Princípio da Igualdade», refere expressamente, no seu ponto 2, que «ninguém pode ser privilegiado, beneficiado, prejudicado, privado de qualquer direito ou isento de qualquer dever em razão de ascendência, sexo, raça, língua, território de origem, religião, convicções políticas ou ideológicas, instrução, situação económica, condição social ou orientação sexual.»
Por sua vez, o artigo 36.º, «Família, casamento e filiação», refere expressamente, no seu ponto 1, que «Todos têm o direito de constituir família e de contrair casamento em condições de plena igualdade.» Não há qualquer referência na Constituição, nem nesse ponto nem em qualquer outro do articulado, que mencione a expressão «sexos diferentes».
O artigo 1556.º do Código Civil, esse sim, refere expressamente que o casamento é «o contrato celebrado entre duas pessoas de sexo diferente».
Ora, como sabes, a Constituição tem um valor mais alto do que o Código Civil. E todas as normas deste têm de respeitar a Lei fundamental do país, algo que não está a acontecer. Mudando-se esse artigo do Código Civil, fica tudo como manda a Constituição.
Não são opiniões, são factos.

Adopção por casais «gay»: Uma discriminação inaceitável

O Governo acaba de aprovar uma proposta de lei que permitirá o casamento entre pessoas do mesmo sexo. No entanto, ao arrepio das normas constitucionais, considera que há casais de primeira e casais de segunda em Portugal: os casais de primeira são constituídos por duas pessoas de sexo diferente e podem adoptar crianças; os casais de segunda são constituídos por duas pessoas do mesmo sexo e não podem adoptar.
Concordo, obviamente, com a adopção por parte dos casais «gay». As crianças ficam tão bem entregues como se o fossem a um casal heterossexual. Mas não é isso que está em questão. Estou apenas a falar de Justiça e, em última instância, de Constitucionalidade. Dizendo a Constituição que não pode haver discriminações a este nível, esta legislação, a ser aprovada pelo Parlamento, vai colocar casais que são iguais em tudo perante a Lei mas que, afinal, não têm os mesmos direitos. Contrariando aquilo que, no fundo, os nossos Tribunais já fazem no dia-a-dia, ou seja, entregar a guarda de crianças a pais que vivem em uniões de facto com pessoas do mesmo sexo.
Trata-se, pois, de uma discriminação intolerável. E de uma inconstitucionalidade. E as inconstitucionalidades são para ser removidas, como, penso, acontecerá muito em breve.
E ver que os apoiantes da causa «gay» andam todos contentes por serem discriminados perante a Lei…

O Assis aprendiz…

O Assis, deputado que diz sempre três adjectivos que querem dizer o mesmo, para qualificar a ideia que quer transmitir, anda com a regionalização em bolandas. E repete, vezes sem conta, é preciso não ter pressa, sem atropelos, maturar a ideia…

Ora, o que é interessante, é que ele que acha que não deve haver pressa é o único que fala na regionalização. De um momento para o outro, num país onde as contas públicas estão numa situação dramática, em que a dívida externa já levou a que o “rating” do país desse um trabulhão, o desemprego cresce como em nenhum outro país, porque será que o grande Assis, não tem pressa com a regionalização ? Mas fala dela, uma e outra vez?

O nosso Fernando “felgueiras” Assis, bem quer lançar a ideia a ver se os tormentos desaparecem como por encanto, olha como é giro a gente falar da regionalização, do casamento gay, das “maiorias negativas”, interessa lá estarmos a “patinar” numa situação cada vez pior?

A regionalização não tem pressa, pois não, Fernando…

O elogio de José Sócrates

José Sócrates tem uma visão modernizadora para o país. A sua aposta nas energias renováveis e na sociedade da informação, via choque tecnológico, demonstram à evidência que o rumo escolhido pelo primeiro-ministro é o de alguém com uma ideia clara do que quer para o país que ama.
Com as energias renováveis, ficaremos menos dependentes das energias fósseis e de um futuro assustador para a Humanidade.
Com portugueses escolarizados do ponto de vista informático, temos as ferramentas indispensáveis para uma sociedade mais capaz e mais apta a enfrentar os desafios de um mundo em constante mutação.
E depois há as questões ditas fracturantes, que me fazem aplaudir José Sócrates pela coragem das medidas tomadas. A questão do divórcio veio corrigir uma flagrante injustiça que se verificava há muitos anos e que, como sempre, só prejudicava a parte mais fraca.
O aborto até às 10 semanas acabou com uma das situações mais vergonhosas do Portugal democrático – mesmo sendo contra o «aborto fútil» das classes média-alta e alta, entendo que nenhuma mulher pode ser criminalizada por exercer um direito.
E depois há o casamento «gay». Duas pessoas do mesmo sexo têm todo o direito de se amarem e de constituirem família. Com papel passado e com todos os direitos dos casais ditos normais. Normais por quê?
Numa sociedade mais aberta ao futuro e menos espartilhada pelos medos, complexos e preconceitos que nos foram inculcados pela Igreja Católica, estou em crer que o primeiro-ministro daria o passo seguinte: possibilidade da adopção de crianças por parte dos casais «gay», legalização da eutanásia, legalização das drogas leves, rescisão unilateral da Concordata com a Igreja Católica.
Aí sim, Portugal estaria ao nível dos países mais avançados do mundo e José Sócrates poderia finalmente dizer que os portugueses conseguiam acompanhar o seu ritmo progressista. [Read more…]

O Primeiro Promete, O Primeiro Cumpre

SALTO PARA O FOSSO SOCIALISTA
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Sem qualquer dúvida, o nosso Primeiro promete, o nosso Primeiro cumpre.
O governo do agora Sócrates II, O Dialogador, prometeu mais emprego. Temos agora mais de dez por cento de desempregados.
Prometeu divórcio facilitado, cumpriu.
Prometeu aborto legalizado até às dez semanas, cumpriu.
Prometeu educação sexual nas escolas, cumpriu.
Prometeu déficit público controlado. Está acima dos sete por cento.
Prometeu computadores para toda a gente. Vai cumprindo.
Prometeu energias alternativas. Vai cumprindo.
Prometeu um carro eléctrico para 2011. Vai cumprir.
Prometeu o TGV, mesmo que seja ruinoso. Diz que vai cumprir.
Prometeu mais auto-estradas. Diz que vai cumprir, mesmo contra o chumbo das contas.
Prometeu novo aeroporto para a capital, mesmo que hoje se chegue à conclusão que não é necessário, sendo até um futuro elefante branco. Diz que vai cumprir.
Prometeu casamento gay aprovado antes do final de 2009. E mesmo contra a maioria silenciosa do país, que está contra essa medida, vai cumpri-la já na semana que vem.
Dificilmente se poderia encontrar um Primeiro Ministro que cumpra tanto como este cumpre, rumo à «modernidade» do nosso País.
Portugal, com este segundo governo socialista, vai dar o salto para o abismo socialista.

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Casamento gay embala o PS

TEXTO DE FRANCISCO LEITE MONTEIRO

 

 …O casamento só é admissível e possível entre duas pessoas de sexo diferente…

 

Acabou ontem a discussão do programa do governo para esta legislatura, no ensaio dos primeiros passos, dir-se-ia, a coberto da ineptocracia socialista para, arrogantemente, conduzir Portugal para uma situação de que já não havia memória. O défice das contas públicas já vai nos 8% e continuará a crescer, prevendo-se que atinja, no final de 2011, a cifra record dos 8,7%; o crescimento económico, longe de regressar à convergência que foi possível mercê das políticas dos Governos da República de 1985 a 1995, regride – Portugal vai ficando para trás e vai sendo ultrapassado por alguns dos mais recentes parceiros que aderiram à União Europeia dos 27; e, a taxa de desemprego, continua a aproximar-se dos 10%, estando já registados mais de meio milhão de desempregados.

 

Como se nada disto fossem factos, o governo do PS saído das últimas eleições, continua a comportar-se como se tivesse conseguido uma maioria absoluta, não obstante tenha sido o partido que conseguiu o maior número de votos – 2.077.695. Comparado com o total de Portugueses inscritos nos cadernos eleitorais, os votantes com direito a voto – 9.514.322 – a realidade é que não chegou a 2 em cada 10, o número de Portugueses que votaram PS, ou seja, menos de 22%. 

 

 

Ora, esquecendo a realidade dos factos e o “NÃO” dos Portugueses às políticas socialistas dos últimos 4 anos e ignorando que as circunstâncias, não só a nível nacional mas também internacional, são hoje bem diferentes, o programa de governo em discussão, insiste nos mesmos erros. Destes cabe destacar alguns mais gritantes, como é a aposta nos projectos megalómanos de obras públicas, a obstinação à volta do modelo de avaliação do professorado nacional e a necessidade premente de medidas claras em termos de política social.

 

A despeito da verdade e embalado por uma estranha determinação, quiçá doentia, sobrepondo-se a tudo o mais e a todos os verdadeiros valores que estão subjacentes e deveriam merecer prioridade máxima, é a obstinação à volta da legalização desse absurdo que é o chamado “casamento gay”, relativamente ao qual, neste mesmo espaço, veio já a propósito abordar e a que importa, uma vez mais, consistentemente, repudiar.

 

Tendo presente toda uma série de condicionalismos políticos e sociais, importa recordar a Declaração de Princípios do Partido Socialista, aprovada no XIII Congresso de 2002, pela qual o PS se comprometeu a defender e a promover os direitos humanos e a respeitar a Declaração Universal dos Direitos do Homem, adoptada e proclamada pelas Nações Unidas, igualmente publicada no Diário da República Portuguesa e a que também faz menção a nossa Constituição (art. 16º e 36º). De tudo isso decorre e está preceituado, que o homem e a mulher têm o direito de casar e de constituir família, sem restrição alguma de raça, nacionalidade ou religião, isto é, de contrair casamento, no estrito respeito dos direitos dos cidadãos. Sem pôr em causa a opção sexual que um qualquer cidadão pode tomar é aceitável, pode admitir-se que exista entre duas pessoas de sexo feminino ou de sexo masculino, um acordo ou contrato, nos moldes das chamadas "uniões de facto", porventura mais bem regulamentado, mas sem nunca "rotular" de casamento. O casamento só é admissível e possível entre duas pessoas de sexo diferente, como escrevi e mantenho, não estando o PS legitimado, para legislar contra a grande maioria dos 78% dos Portugueses que lhe não deram o seu voto. Se, de nova manobra socrática de diversão, para dispersar a atenção do País dos problemas reais e ganhar “embalagem”, então, tal como o “casamento gay”, também isso é de repudiar.

Uma pergunta para a qual sei a resposta

 

O bispo do Porto, D. Manuel Clemente, defendeu um referendo sobre a questão dos casamentos homossexuais. Diz que é uma das formas de promover um debate alargado “e sem pressas” na sociedade portuguesa sobre o tema.

 

Das duas uma, ou D. Manuel Clemente andou muito distraído nos últimos dois anos e perdeu um interessante debate – sem pressas – acerca do tema ou apenas que ver o assunto adiado ao longo do tempo, nada resolvendo.

 

Até desconfio de qual seja a resposta certa.

 

 

Privatizações e casamento gay

Eis o que vai ser posto em prática pelo novo Governo, segundo o Programa hoje apresentado na Assembleia da República. Um Programa que, ao que parece, vai ser igual ao Programa apresentado em campanha eleitoral – e qualquer Governo devia ser obrigado a cumprir um Programa igual ao que apresentou ao eleitorado.

Seja como for, a receita do PS vai ser aquela que já se esperava: governar à Esquerda e à Direita conforme as conveniências. À 2.ª e 4.ª, vai acelerar as privatizações e dar apoios chorudos aos Bancos. À 3.ª Feira, vai propor o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Sempre deixando claro que todos têm a responsabilidade de deixar o Governo fazer o seu trabalho – logo que uma das suas medidas for chumbada, lá virá o choradinho das forças de bloqueio, o «esticar da corda» e, em breve, a apresentação de uma moção de confiança.

Pois, pois – governar à Esquerda e à Direita ao mesmo tempo é capaz de ser difícil. Será que a Oposição vai cair no logro?

O matrimónio homossexual, direito mínimo a liberdade de amar

Bem sabido é que dedico vida, tempo, e pesquisa a analisar crianças, os seus sentmentos, ideias e formas de aprendizagem. Como é sabido também, o meu eterno comentário: estudar crianças é uma investigação muito difícil. Inclui não apenas os mais novos, bem como os adultos que os acompanham.

Há imensas opiniões sobre o seu cuidado e o seu crescimento, desde as mais doutorais até às mais simples. De todas as opinões, há uma que jamais é tratada, especialmente com meninas, a da sexualiade, o seu desenvolvimento e o desejo que não conseguem imaginar de onde vem, na, ainda, mente sem conceitos.

Não entenderiam se os adultos falassem com eles sobre a paixão ser uma força da natureza. E, no entanto, o desejo sexual começa em nós desde o 5º mês de gavidez da mãe, como tem sido provado pelo psicanalista britânico Wilfred Bion em várias das suas obras, especialmente do seu texto Learning from experience, 1962, Karnac Londre e Nova Iorque 

(texto inspirado no ensaio da sua professora Melanie Klein Envy and Gratitude, primeira aproximação na Hungria de 1924, publicado em língua inglesa em 1946 e1957, já refugiada em Londres, por causa de guerra, e traduzida para o luso- brasileiro, professora e discípulo, em 1991 a primeira e em 1998, o segundo, Imago Editores, Rio de Janeiro).

O que no entanto interessa é esse saber doutoral, escrito, desenvolvido e provado em várias línguas. Interesa saber que lein comçara a interessar-se pela inveja ao descobrir que aparecia na criança bebé pela voracidade mostrada por ela ao ser amamentada ou voracidade oral endereçado ao seio bom, esse que acaricia e nutre com doçura e serenidade, afastando outros enquanto é alimentada, ou chorar se não consegue a sua satisfação.

Bion repara que a criança no seio materno, dentro do líquido amniótico do qual se alimenta, começa, pelo quarto mês de gravidez da mãe, a mexer ao sentir que um corpo estranho está a roubar-lhe o alimento: o pénis do pai ou de um outro qualquer. Esses movimentos do bebé dentro do útero não é uma simpatia de se depreguiçar do não nato, é uma luta encarniçada pela sua subsistência.

Crianças todas, que na medida do seu crescimento e do prazer obtido do seio bom, começam a sentir inveja de pessoas que acarinham a mãe. Conhecida é a frase dos pequenos que debatem com o pai ou outra pesoa, de quem é a mãe: a vitória é sempre deles, porque não há adulto que tenha a audácia de confrontar a reivindicação dos pequenos sobre a pertença da mãe. Caso aconteça essa negação, a criança fica mais perto da mãe para a defender e fazer dela uma pertença.

Primeira ideia qua aparece na minha mente ao tentar experimentar as bases da homossexualidade. Bases que talvez nem precisem de explicações doutorais. Há os que a denominam aberração, como Freud em 1906, aberração criada por ele ao reparar que estava apaixonado pelo irmão da sua mulher e por um dos seus discípulos, como consta da autopsicaánlise do autor em praticamente todos os seus textos que tratam de como a libido manda nos nossos sentimentos e racionalidade e sinterizada por Didier Anzieu no seu texto de 1958, traduzido ao luso portugês em 1970 Edições 70.

O sentimento homossexual do fundador da psicanálise fica provado, sentimento conhecido, pela sua filha Anna Freud e intuído por especialistas. Aliás, é o próprio Freud quem no seu texto de 1923 Das Ich und das Es, Internationaler Psycho-analytischer Verlag, Leipzig, Vienna, and Zurich. traduzido ao inglês como The Ego, the superego and the Id, e a nossa língua como O ego, o superego e o id, sendo o ego o que aparentamos ser, o superego o que queremos ser o Id o travão entre hábitos e costumes éticas e estéticas e os nossos namoros segredos.

Nas minha análises, tenho observado que o desejo pelo género semelhante ao nosso começa cedo na vida. Há várias formas de exprimir essa bivalência sexual – note bem, bivalência, não ambivalência.

Uma delas, a mais usada, é a inteligência de amar em quem acorda em nós sentimentos de admiração e emotividade, Se a libido comanda o nosso comportamento e aparece em frente de nós uma pessoa do nosso género de quem gostamos e essa outra pessoa gosta de nós, existe, por lei, a liberdade de optar entre o nosso apetite sexual e a nossa acção. Se existe a liberdade de amar e mudar de sentimentos após um tempo, deve também existir a liberdade de se apaixonar por quem nos acorda um sentimento libidinal.

Têm existido imensas interptretações sobre a base da existência da homossexualidade. Uma delas é a classe social: é sabido e conhecido que o rei inglês que perdeu as colónias americanas, George III Hannover, tinha a sua mulher e aos seus jóvens amantes masculinos. E outros seus descendentes mais recentes, que, por conveniência de serviço, não menciono.

A libido manda na nossa racionalidade e se essa libido não é libertada, acaba por danificar a quem sofre por amar em segredo, e não ao contrário. A homossexualidade foi sempre uma acção exisitente, que era punida, justamente, por existir.

É verdade também que o nosso bivalente Freud defendia o desejo proibido pela cultura, ao definir o conceito de sublimação ou manter sempre no Id, o nosso desejo. Aliás, até o concílio de Trento da confissão romana, era elegante ter mulher e um jovem amante.

A partir desa reunião de Bispos, muito prolongda,apareceu o matrimónio entre seres de diferentes sexos, uma cadeia que levara aos piores sintomas de luta dentro de família ou ente amigos que convertiam o amor em rijas de galo. Sabemos hoje em dia que o matrimónio homossexual dentro da forças armadas europeias e norteamericanas,é uma reivincação ganha.

O amor não satisfeito é desesperante e é capaz de endoeicer os frustados, que punem as suas famílias porque eles são punidos. Razão tinam Passolini e Fassbinder nos filmes feitos sobre o amor homófomo e esses ocultamentos das indústrias cinematográicas sobe profecias
se
xuais por causa do lucro que deixariam de dar actores como Humprey Boggart, Orson Wells, esses começos de Lawrence Olivier, os de Marlon Brando e o ocultamento de outros actores que fazem a delicia do público feminino

Para acabar, porque há muito pare dizer, o matrimónio homossexual é um remédio santo para as depressões, essas que fazem parte do pais. Que não podem criar filhos? Por acaso as crianças precissam modelos masculinos/femininos se passam a maior parte do tempo fora de casa? E em casa não é o jogo preferido das crianças ou no matrimónio ou do doente e o médico? E a masturbação colectiva, como tenho observado entre jovens e adultos, à noite, em dias de festa?

Se assim não fosse, porque Karol Woitila ia dictaminar em 1991 as palavras que consinadas nos artigos 2331 a 234 do seu catecismo, ao permitir a homossexualiade e a masturbação?

Tenho falado até este minuto apenas do amor entre homens. É evidente que há um imenso amor entre homes e mulheres, paixão, diria eu, que são punidas pela lei e pela doutrina cristã e muçulmana como adultério. Suficiente. Apenas dizer que a maior punição é a entregue pelo grupo social que ainda pensa que estes actos são condenados, apesar de que entre os proletários, como tenho observado, acontecem com muito frequencia. Fica para outro aventar, Hoje, é a lei do matrimónio o que mais nos importa e a salvaguarda da paixão de seja de quem com quem.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Valentin Louis Georges Eugène Marcel Proust (Auteuil, 10 de Julho de 1871Paris, 18 de Novembro de 1922) foi um escritor francês.

A homossexualidade é tema recorrente em sua obra, principalmente em Sodoma e Gomorra e nos volumes subseqüentes. Trabalhou sem repouso à escrita dos seis livros seguintes de Em Busca do Tempo Perdido, até 1922. Faleceu esgotado, acometido por uma bronquite mal cuidada.

 

Diário da Assembleia – 2.ª Sessão

José Manuel Pureza quis mostrar ao que vinha logo de início. O novo líder do Grupo Parlamentar do Bloco de Esquerda apresentou uma série de diplomas, entre os quais a regulação do casamento entre pessoas do mesmo sexo. Vai ser engraçado ver qual vai ser o sentido de voto do Partido Socialista. E vai ser interessante ver quem é realmentre de Esquerda no Parlamento… 

O Bloco, o PS e o casamento «gay»

Hoje, no Jugular, o deputado do PS Miguel Vale e Almeida faz aquilo que parece ser uma ameaça ao seu Grupo Parlamentar e ao Governo: ou se aprova o casamento entre pessoas do mesmo sexo, se possível ainda em 2010, ou vai haver problemas. «Temos muitos caldos entornados» é a expressão utilizada.

Nem de propósito, no editorial do «JN» de hoje, José Leite Pereira diz que Jaime Gama é o Presidente da Assembeia ideal, porque vai conseguir promover consensos e afastar da agenda temas que podem provocar clivagens e fracturas num Parlamento dividido. Para quem não tenha percebido, diz mais à frente que é um bocado despropositado o agendamento do casamento «gay» por parte do Bloco de Esquerda, quando havia temas bem mais sérios para discutir, como a Regionalização.

Resta saber o que fará o PS quando a proposta for votada no Hemiciclo. Miguel Vale de Almeida, como é óbvio, votará a favor. E os restantes deputados?