Os partidos valem zero a partir do momento em que constroem meticulosamente uma vida tão própria que se impermeabiliza ao clamor das gentes. Há muito que as aspirações das pessoas [mais participação directa e consequências imediatas dos nossos debates e das nossas escolhas] e a lógica ronceira dos partidos nada têm a ver. Muito por culpa da agenda medíocre destes últimos, das lutas intestinas pela escada e a chave do Poder interno ao fraccionamento interminável das suas facções e fracções: ironicamente, o carunchoso statu quo governativo ora PS ora PSD favorece o ganha pão prosaico e funcionarizado dos demais partidos, sem excepção, representados na AR, pelo que o facto de a contestação na rua visar virulentamente um membro do sistema representa na verdade uma séria ameaça ao sistema como um todo. [Read more…]
Daniel Oliveira, o demorado
Estive a ler a carta de despedida do Daniel Oliveira, que sai agora do Bloco de Esquerda em cuja fundação ambos participámos.
Tem razão nalgumas críticas: o funcionamento interno do que supostamente seria um movimento inovador é mesmo assim: regime geral de cooptação, amiguismo e fidelidade, quotas a dividir entre as três organizações maternas e quem perante elas não se porte mal. Sectarismo interno, portanto, precisamente a razão porque ali deixei de militar há vários anos. [Read more…]
Eu também suspirei de alívio
Não foram só os «eurocratas e a senhora Merkel». Afinal, já não tenho que apressadamente levantar do banco os meus escassos euros.
Para NÃO Acabar de Vez com a Cultura
Nem sempre concordo com Daniel Oliveira. Esta é uma das vezes em que concordo absolutamente e assino por baixo.
Não há indústria do calçado, do têxtil ou do mobiliário que sobreviva sem bons designers. E não há bons designers sem bons artistas plásticos. Não há desenvolvimento das telecomunicações, dos novos media e do entretenimento sem conteúdos. E não há conteúdos sem desenvolvimento das artes. Não há turismo competitivo sem atividades culturais. E não há atividades culturais, incluindo as do puro entretenimento, sem cinema, teatro, literatura. Não há cinema comercial sem o experimentalismo do cinema de autor. Não há marketing sem publicidade, não há publicidade sem realizadores e guionistas.
Já Sabem Onde Podem Enfiar o Manifesto
Está na moda a impunidade feliz. Ex-políticos vivem regalados depois de anos de Roubo, mas um Roubo naturalmente destinado à impunidade dos deuses. A impunidade das preciosas e douradas mãos de suas excelências intocáveis, os políticos, comparados connosco, a ralé que bem pode perder o 13.º e o 14.º e imputar a perda não à gestão danosa dos Governos de Saque Socratista, mas ao manso Passos. E no entanto, a impunidade vai toda para os políticos das licenciaturas instantâneas, os políticos do poder de aprovar o tal outlet em zona protegida de flamingos e o poder de aprová-lo à última da hora pantanosa, certamente sem luvas no processo. [Read more…]
Parque Escolar: tanto por saber
A revolução levada a cabo pela Parque Escolar teve intuitos meramente eleitoralistas, uma vez que a Educação nunca foi uma prioridade de José Sócrates. Reconstruir escolas constituiu, para o actual exilado parisiense, uma ocasião de inaugurar, mostrando obra.
A avaliação completa do impacte de toda essa revolução continua por fazer e deverá incluir referências ao aumento brutal dos gastos energéticos graças a opções delirantes, como as de criar salas sem luz natural, para além do recurso a materiais importados mais caros do que outros de qualidade similar produzidos em Portugal ou a aquisição de equipamentos cuja manutenção poderá estar além dor orçamentos depauperados das escolas.
A reflexão sobre todo este processo não pode, evidentemente, descurar a importância do investimento público e, sobretudo, a necessidade de que os edifícios escolares estejam em condições, no mínimo, dignas, o que não é o mesmo que dizer que era fundamental transformar tantas e tantas escolas em estaleiros, que serviram, muitas vezes, para que arquitectos ignorantes impusessem projectos irrealistas, ao arrepio dos pareceres de quem conhece o terreno, prática habitual.
No entanto, se o processo da Parque Escolar, tal como foi conduzido por Sócrates, constituiu um disparate, a iminente extinção da empresa não deveria significar o fim das obras nas muitas escolas em que elas são necessárias.
Portugal, no entanto, é um caso de bipolaridade governativa, em que, por ausência de planeamento ou por opções ideológicas, se faz a mais ou a menos, fugindo-se, sempre, à medida justa.
Daniel Oliveira, advogado da Parque Escolar, contraria aqui os números apresentados por Nuno Crato, a propósito da auditoria da Inspecção Geral de Finanças. A ser verdade o que diz o primeiro, por tendencioso que seja, continuamos perante um derrapagem orçamental, o que é grave, e é igualmente grave que o Ministro da Educação se possa ter enganado tanto nos valores dessa derrapagem.
Os interessados em ler as conclusões da auditoria podem fazê-lo aqui.
Já agora, falando de lambe-botas…

Num normalizado artigo de encher pneus em que requenta a sua expressa opinião do costume, o balsemado valentão-anti-cobardes Daniel Oliveira espuma por Passos Coelho não ter aderido ao documento glosado por David Cameron. Em boa verdade, muito daquilo que lá está escrito poderia ser suficiente para o governo português assinar de cruz, como aliás habitualmente tem feito desde há mais de trinta anos. Mas simplesmente não pode agora fazê-lo de ânimo leve. Porquê?
O sistema que pariu e tem mantido os danieisioliveiras, é precisamente aquele que hoje se encontra em apuros e sob o fogo cerrado dos mesmos eternamente irados danieisoliveiras. É o esquema do subsídio à farta para o mau cinema votado às moscas, para os grupos teatrais do rebola no chão e bate na lata, o subsídio para resmas e resmas de ilegíveis opúsculos de e para amigos, das fundações e gabinetes de comparsas, etc. O dinheiro acabou e isso parece insuportável, urgindo recorrer à chantagem para que o caudal volte ao leito a que se habituaram. Tarde demais, é impossível. [Read more…]
Quem não sabe é como quem não vê
Deixando de lado a questão de fundo com que já se entreteve o Paulo Guinote, há no artigo do Daniel Oliveira agora republicado no Arrastão um detalhe de somais importância, este:
O fim da Formação Cívica bate certo com tudo o resto. A escola não forma cidadãos, forma amanuenses. E nada como cidadãos ignorantes dos seus direitos e deveres para continuarem a aceitar tudo de braços cruzados.
que me toca profissionalmente. Tento não escrever sobre educação no Aventar, onde no activo estamos quatro professores (bem regressado sejas João Paulo, espero que não te eclipses outra vez quando o teu Sport Lisboa chegar à páscoa), mas há limites.
A dita Formação Cívica começou por ser uma Formação Pessoal e Social alternativa para os alunos que não tinham Religião e Moral, à mesma hora, como era de bom tom. Caiu o Carmo, a Trindade e deve ter ajudado a cair alguém no governo, íamos na década de 90.
Quando entrou em vigor, leccionada por quem estivesse mais à mão, acompanhou a genial ideia de cortar tempos e tempos lectivos à Geografia e à História. Como era previsível transformou-se num passatempo entre a prevenção rodoviária e o complexo mundo do civismo, que dá para tudo e não serve efectivamente para nada.
Os cidadãos, Daniel Oliveira, como deves ter percebido quando andaste na escola, formam-se enquanto tal aprendendo História e Geografia, que foram as vítimas de serviço ao anabenaventismo que tanto te comove. No caso da História ficámos com a mesma História da Humanidade para ensinar, mas com menos umas 70 aulas no 3º ciclo o que naturalmente se traduz em mais memorização e muito menos importância dada ao perceber porquê.
Que isto tenha tido uma maternidade supostamente de esquerda (e nem estou a pôr em causa que os seus responsáveis o sejam na sua vida quotidiana), tem de ser visto à luz do papel dos mestrados da bosta (calão docente da década de 80), vulgo Boston, e das ESE’s onde inventaram o eduquês, a cretinização do ensino que ainda sobrava de Magalhães Godinho.
A Formação Cívica serviu para formar amanuenses, à conta da ignorância no saber social e humano das disciplinas fundamentais. Esta é a realidade, sobre a qual podia recolher várias anedotas, mas nisso sou muito corporativo e fico muito caladinho.
Quem é o Luís Fazenda?
Uma frase descontextualizada do Luís Fazenda, que começou uma explicação com uma pergunta, provocou grande efervescência no clube de amigos do Daniel Oliveira. Alguns responderam com esta pergunta. Penso não cometer nenhum inconfidência se lhe der uma resposta.
Luís Fazenda foi o tipo que, enquanto secretário-geral da UDP, um belo dia telefonou a um tal de Fernando Rosas, solicitando-lhe que intermediasse um encontro com a direcção do PSR. Obteve da direcção do PSR resposta afirmativa e a sugestão de, já agora, nesse mesmo encontro participar a Pollítica XXI.
E assim nasceu o Bloco de Esquerda. Na sua convenção fundadora, deu nas vistas, pelos piores motivos, acho eu, um tal de Daniel Oliveira, esse sim, personagem de que nunca tinha ouvido falar (está bem, sou da província, mas ando nisto há muitos anos). Mas isso é outro filme.
Entendidos?
A Isabel Moreira disse que o Primeiro-Ministro não é mentiroso
Em resposta ao Daniel Oliveira, ainda sobre o Wikileaks, a Isabel Moreira disse que o Primeiro-Ministro e o Ministro dos Negócios Estrangeiros não são mentirosos.
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A sério, disse mesmo. Mas ainda não consegui parar de rir.
Mini carta aberta a Daniel de Oliveira
Caro Daniel de Oliveira,
Não nos conhecemos e ainda bem. É que eu sou do Porto, região, e do Porto, clube. Não creio que um homem do seu calibre se dê com bárbaros. Mesmo daqueles que não fazem parte da direcção do clube que tanto despreza. Bem sei que no seu texto faz um esforço para separar as águas, mas pareceu-me apenas uma tentativa ténue para se justificar perante um ou outro amigo da área dos bárbaros.
O seu texto teve o condão de me colocar a pensar qual dos ditados portugueses deveria adoptar neste caso. Se aquele que diz que “quem não se sente não é filho de boa gente” ou aquele que advoga que “vozes de burro não chegam ao céu”. Optei pela segundo.
P.S. Faça o favor de ser sempre contra o FC Porto. Pode ser que estes resultados sejam mais frequentes.












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