Portugal a um jogo do purgatório ou do paraíso

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Portugal vai atacar a subida de divisão na sexta-feira, contra a Itália, vencedora do grupo B, depois de termos ficado em segundo no grupo A, atrás do País de Gales. Ou seja, podemos ficar confortáveis com o purgatório ou lutar pelo paraíso!

Capaz do muito bom, mas muitas vezes tentada pelo medíocre, já tivemos de quase tudo neste Europeu: o individualismo em vez do colectivo; as virtudes do colectivo, sublimadas pelas referências individuais; já nos passeámos em campo, na boa, como se fosse um passeio em cada um inventa uma brincadeira para se divertir sozinho; e já divertimos o público como equipa, como grupo, trocando a bola com mestria, rematando com estilo; já esportulámos golos fáceis e já fizemos golos de compêndio. [Read more…]

PORTUGAL À ESPERA DA SUBIDA DE DIVISÃO

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Itália e Turquia, da série B, abrem o Campeonato da Europa – Championship III – que se realiza em Portugal, no Complexo do Jamor, de 19 a 25 do corrente. Portugal, que jogará a série A, defronta, na estreia, o País de Gales. Os jogos realizam-se, respectivamente, às 16h30 e 18h45.

A prova tem a segunda jornada marcada para terça-feira, 21, com os jogos: Suécia – País de Gales (16h30) e Bielorrússia – Itália (18h45). [Read more…]

Jorge Jesus: o conforto e o risco

Jorge Jesus, em entrevista à SIC Notícias, explicou que trocou “o conforto pelo risco”. Não está só. Há cinco anos, o Expresso também trocou o conforto de uma ortografia adequada à realidade do português europeu pelo risco. Um dos resultados patentes é esta mistela:

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Como Jesus e como o Expresso, também o Governo decidiu trocar o conforto de uma ortografia adequada à realidade do português europeu pelo risco. Eis aquilo que acontece no sítio do costume:

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E eis a solução.

Continuação de uma óptima semana.

“Trânsito para em Lisboa esta sexta-feira à tarde para deixar passar Eusébio”?

Não. “Trânsito pára em Lisboa esta sexta-feira à tarde para deixar passar Eusébio”. Felizmente, o Público não se mete nessas coisas.

Portugal 5 – Alemanha 0


Angela Merkel atribui a derrota da selecção alemão à nacionalidade grega do árbitro. Passos Coelho não comenta.

Selecção dominou, mas Seleção venceu

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© EPA|Joel Ford (http://bit.ly/1cVJP11)

De facto, como podemos ler no Público de ontem: “Portugal dominou mas Brasil venceu nos penáltis por 1-3“. Por qualquer motivo, na redacção do jornal O Jogo há quem, apesar do título (Portugal eliminado pelo Brasil), creia que o Brasil perdeu: “A Seleção Nacional de Sub-20 perdeu“. Convém sempre recordar que ‘selecção’ ≠ ‘seleção’ — por exemplo, há pouco mais de um ano, selecção jogou com os Camarões e a seleção jogou com a África do Sul.

Também convirá, durante a tal “discussão mais focada sobre as matérias mais controversas“, explicar que, em português europeu, Contact Mechanics and Lubrication não corresponde exactamente a Mecânica do Contato e Lubrificação. Exactamente: hoje, no sítio do costume.

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Bruno de Carvalho 15 – 0 A Bola

O presidente do Sporting escreve: “o porquê de estarmos a pagar simultaneamente a 5 treinadores e respectivas equipas técnicas”. A Bola traduz: “o porquê de estarmos a pagar simultaneamente a 5 treinadores e respetivas equipas técnicas”. Ah! A silenciosa resistência!

A ética é uma bola

José Xavier Ezequiel

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[ 1ª parte — Moeda ao ar ]

1 — Sou do Sporting. Tanto quanto me lembro, apenas para contrariar um tio que queria que fosse do Benfica. Agora, já não há nada a fazer.

2 — Desde que sugeriu tirar o vermelho da bandeira portuguesa, considero o actual presidente do Sporting uma besta quadrada. Para mim há coisas mais importantes que a bola. Portugal é uma delas.

3 — Contra a doutrina dominante, não considero Jorge Jesus um grande treinador. Não são as estruturas que ganham os títulos, mas são as estruturas que compram os jogadores. E os treinadores, já agora. Pelas minhas contas, o investimento do Benfica, nos últimos seis anos, deveria ter rendido cinco títulos nacionais. O amadorense ganhou três, é certo, mas perdeu dois de forma claramente asinina. Fora o resto.

4 — Pelo facto de ter vindo para o Sporting, não mudei de opinião. Espero, sinceramente, que o futuro me obrigue a dar a mão à palmatória, mas não auguro nada de bom. Gastar seis milhões, daquilo que não se tem, só para fazer pirraça ao Benfica, parece-me infantil demais para ser levado a sério.

[ Intervalo — palestra do treinador: Prolegómenos para uma Ética Decorativa ]
Agora que passámos a bola ao árbitro, vamos lá então falar de ética. No mundo do futebol a ética está sempre fora-de-jogo. Basta olhar para a FIFA.

Por cá, idem: árbitros-de-baliza, fiscais-de-linha, pénaltes-inventados, foras-de-jogo ao milímetro, frutas-de-dormir, dinheiros-autárquicos, jogadores-sem-salário. Enfim, entretenham-se a completar a lista.

Só há uma ética no futebol — ganhar. Ao adversário. E, sobretudo, ganhar dinheiro com isso. Vale tudo. Sempre assim foi. Suponho que assim continuará.

Conheço pessoas sensatas. E cordatas. Quando entra o futebol viram logo a boneca. Ao contrário. Nem pestanejam.

No futebol, verticalidade só existe na expressão, hoje muito hipster — PASSE VERTICAL. A lateralização é para meninos. Ou italianos.

O futebol, ao arrepio das Constituições, tem uma coisa que se chama — JUSTIÇA DESPORTIVA. Não conheço instituto jurídico mais parecido com a Denegação da Justiça. Como isto se passa do outro lado do espelho, nem o professor-doutor Jorge Miranda quer saber.

Estou convencido que foi no mundo do futebol que se inventou o estonteante conceito de — VERDADE DESPORTIVA. Como se houvesse uma verdade para o comum dos mortais e uma ‘verdade’ para os gajos do futebol. [Read more…]

O bizarro e anedótico argumento do dress code

Marco Silva

Imagem@Expresso

De todos os momentos bizarros e anedóticos que a história do futebol português nos vem contando há vários anos, da penhora do WC do antigo estádio das Antas até à dupla venda do antigo guarda-redes do Benfica Roberto, um dos argumentos da direcção da SAD do Sporting para despedir por justa causa o treinador Marco Silva entra directamente para o top 3 do absoluto ridículo. Segundo tem vindo a ser veiculado pela comunicação social e confirmado pela direcção da SAD , um dos motivos que levou ao despedimento do treinador que conquistou este ano a Taça de Portugal, após 7 anos de jejum no que a títulos diz respeito, foi o facto de não ter envergado o fato oficial do Sporting no jogo das meias finais da competição contra o Vizela. Num acto de tremenda rebeldia, Marco Silva deixou o blazer e a calça vincada em casa e optou pelo fato-de-treino do clube. Fogo do Inferno para ele.

Teria sido mais digno, principalmente depois das notícias que confirmavam a transferência de Jorge Jesus para Alvalade, optar por um discurso honesto através do qual o presidente Bruno de Carvalho assumisse que a mudança de treinador era uma decisão estratégica sua, para a qual tem total legitimidade enquanto presidente da instituição, do que entrar nesta telenovela absolutamente patética do dress code. Depois da vitória histórica que foi “roubar” o treinador do Benfica, que sai do clube campeão para um Sporting hoje mais próximo do Sporting de Braga do que do grupo dos três grandes que actualmente são apenas dois, Bruno de Carvalho poderia ter dado uma saída limpa a Marco Silva e poupar-se a mais esta polémica que apenas contribuiu para criar instabilidade no clube que lidera. Tudo seria mais simples se o presidente do Sporting tivesse a coragem de dar a cara pela sua decisão. Assumia-a e ponto. Qualquer sócio que pretendesse contestar a decisão teria um bom remédio: ir à próxima assembleia-geral do clube e confrontá-lo com a decisão. Acima de tudo porque qualquer ignorante percebe que o único motivo por trás do despedimento de Marco Silva é à contratação de Jorge Jesus. O resto é palha mediática.

Então?!

Impressionante! Num alarde de insensibilidade política, a Assembleia da República passou ontem uma sessão plenária inteirinha sem abordar o magno problema da contratação de Jorge Jesus pelo Sporting. Pelo contrário, dedicaram-se a minudências como o desemprego, os anunciados cortes nas pensões e outros dramas sociais, que nem de longe têm a importância da comunicação de Luís Filipe Vieira ou das iniciativas de Bruno de Carvalho. É isto: a AR continua a não ter noção das prioridades!.

Como funciona o futebol moderno?

Está na cara que a transferência de que se fala não corresponde minimamente à realidade financeira do Sporting. A indignação de Dias da Cunha é muito justificada, melhor do que ninguém ele sabe que aquilo é um crime. Mas mais importante que dissertar aqui sobre a distracção colectiva do momento, dos detalhes sórdidos da transferência em si, peço a atenção do leitor para o cerne do problema. Para essa nova criminalidade que invadiu o futebol europeu que usa obscuros fundos de investimento, agentes de futebol sem escrúpulos, sites de apostas e resultados combinados. Estas modernices já aterraram em Portugal há alguns anos e não se restringem aos três grandes, quase todos os clubes da Primeira Liga participam nestes esquemas manhosos. Vejam com atenção a reportagem realizada em 2013 pela France 2 está lá tudo, até exemplos em Portugal.

O cliente apaixonado

10408658_10205319240275169_2119207126327187113_nO mercado do entretenimento futebolístico desconcerta qualquer pessoa que, como eu, o observe de longe. Do lado da oferta encontram-se funcionários principescamente pagos, jogadores e treinadores, que mantêm uma pura relação comercial com o seu ofício. Do lado da procura encontram-se milhões de aficcionados, os quais pensam viver uma relação afectiva com os primeiros.

O drama é inevitável. O amor não se compra — e o desporto é algo que ninguém pode fazer por nós.

Os dias que correm…

De repente toda a actualidade perdeu importância. Ninguém ligou ao programa eleitoral da maioria, as propostas do PS ficaram esquecidas, os restantes partidos bem podem agora berrar que não aparecem nos noticiários, porque os portugueses têm assuntos bem mais urgentes para prestarem atenção. Não estou a falar da privatização da TAP, do aumento do salário dos juízes ou do eventual Grexit, porque isso são assuntos que não interessam rigorosamente para nada na vida dos portugueses…

Importa saber qual será o salário de Jorge Jesus em Alvalade e se consegue levar com ele Maxi Pereira em final de contrato. Por sua vez como irá responder Luís Filipe Vieira? Manterá a intenção de reduzir custos ou conseguirá servir a vingança ao rival, contratando Nani ao Manchester United, numa eventual contrapartida da venda de N. Gaitan para Inglaterra? Que aquisições irá fazer Bruno de Carvalho e qual o futuro da Academia de Alcochete? Sabendo-se à partida que J.J. não aposta em jogadores da formação. E como reagirá o dragão a Norte? Noutros tempos Pinto da Costa já teria alguma na manga… [Read more…]

Obter ‘reações’

Aparentemente, o Observador tentou “obter reações“.

Reações?

Claro: «mas não foi possível chegar à fala com qualquer deles».

Experimentem “obter reacções”. Efectivamente, reacções.

Sim, reacções: r-e-a-c-ç-õ-e-s.

Mais um esforço.

Blatter demite-se

Notícia via Zeit Online. Declarações via Sky News.

FIFA: E caímos todos como patinhos…

fifa_corrupcaoCarlos Roque

Sinto-me afortunado, por, no meu tempo de vida, ter o privilégio de assistir em directo ao que pode ser uma das mais geniais e eficazes ofensivas diplomáticas de todos os tempos.
Os americanos nunca perceberam um boi de futebol — como todos sabemos — mas sabiam que é o desporto mais popular do mundo, sabiam que é um negócio bilionário à escala planetária e, para isso lhes ser de alguma utilidade, só lhes faltava saber algo mais — algo que, nós os que adoramos futebol, todos também sabemos — que o futebol, no mundo, é gerido por uma das organizações globais mais corruptas e estruturalmente frágeis de todos os tempos.
E a própria FIFA encarregou-se de os esclarecer nesse detalhe: pagou 27 milhões de dólares para fazer um filme que a promovesse — “Paixões Unidas”— com um elenco de luxo (Sam Neil, Gérard Dépardieu, Tim Roth…) em que o tom é o da abertura, do exaltar da fragilidade e das fraquezas do lado humano da organização, e das debilidades da própria organização em si. E claro, da vulnerabilidade da mesma à corrupção. [Read more…]

O manto protector

Exactamente: protector. Porque protector [pɾutɛˈtoɾ] ≠ protetor [pɾutɨˈtoɾ]. Aliás, a própria RTP percebe esta diferença. Efectivamente, se Luís Filipe Vieira pronuncia [ˌmɐ̃tu pɾutɛˈtoɾ], logo, “manto protector”. De facto, “manto protetor” [ˌmɐ̃tu pɾutɨˈtoɾ] não funciona em português europeu.

Are you following this, America?

manto protector

Aos meus amigos Benfiquistas:

Leonel Brás

sclmOntem tive um final de noite fantástico.
Duma vez por todas, vi esclarecido o mistério do ROUBO do Eusébio para o clube da Luz.
Numa mesa de café, com mais 4 amigos, todos benfiquistas (é raro eu ser o único, mas às vezes acontece; ontem, fiquei feliz), veio o tema do campeonato deste ano ser ou não disputado de forma legal.
Às tantas, foi questionada a guerra SCP/SLB e veio logo o tema Eusébio. É claro que dois dos meus amigos, ferrenhos benfiquistas, refutaram logo e disseram que ele veio sempre apontado ao SLB.
Pois bem, um dos outros dois, Homem dos seus setenta e tal, serenamente voltou-se para um deles, e disse.
– Meu amigo Mor****, sabe bem que isso NÃO é verdade!
Afinei logo as orelhas, claro.
Continuou: essa ‘estória’ vivia-a eu na PRIMEIRA pessoa, como o amigo sabe! Custa-me, mas o Eusébio era do SCLM, onde JOGAVA COMIGO! Foi indicado pelo SCLM para o SCP e paga a sua viagem. X, tratou de tudo (por sinal, um familiar do mesmo contador). O que aconteceu a seguir, foi que o Eusébio foi levado ao indivíduo da Agencia de Viagens, meu amigo, para se encarregar da viagem até Lisboa. [Read more…]

Benfica-Porto

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As áreas de serviço da A1 estão hoje repletas de patrulhas da GNR. Imagino que no anterior Porto-Benfica tenha sido semelhante. Aliás, o cenário de forças policiais em trabalho reforçado por causa da bola é recorrente. Este aparato policial deve ficar caro aos clubes. Porque são eles que o pagam com as receitas de bilheteira e dos diversos contratos associados, não são?

A ameaça azul que paira sobre o reich

Sim, eu sei: estamos habilitados a chegar a Munique na próxima Terça-feira e sermos atropelados pela Blitzkrieg alemã. Mas quantos acreditavam, há três dias atrás, que recambiaríamos o Bayern para casa com três balázios na cabeça? Pois, em 87 também ninguém acreditava. A verdade é que, tal como os nazis do video em cima, o nervosismo parece ter tomado conta do adversário do FC Porto e as críticas vão chovendo. Até o médico com quase 40 anos de casa se pôs a andar.  Força Porto, faz aos alemães do futebol aquilo que devíamos fazer aos alemães da política. Fá-los engolir a arrogância. Para abanar o rabo já cá temos o primeiro-ministro e a senhora das Finanças.

O leão, a bola, o ser e o nada

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Olhai, jogadores do glorioso Sporting Clube de Portugal! Hoje, falo para vós. E por ponderosas razões. É que protagonizais, não sei se um mistério, não sei se um equívoco, já que há coisas que de tal modo se nos colam aos olhos que a elas nos tornamos cegos. Eu explico. Olhai, nesta foto, a solidão do pequeno guarda-redes frente à sua gigantesca baliza. Olhai como entre o ser dos postes e do próprio jogador se estende o nada, o vazio. Largo, imenso. Ora, é aqui que me interrogo: porque será que vós, artistas e atletas de fino recorte e ilustre condição, insistis, num alarde de arte – difícil e refinada, sim, mas inútil, um verdadeiro mergulho no niilismo futebolístico – em acertar com invejável rigor, no guarda redes, no poste direito, no poste esquerdo, na trave. Sei que o primeiro está ali para defender e, por vezes, o diabo do homem não para quieto. [Read more…]

Lost in translation

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O senhor Fontelas, Presidente da APAF, mais conhecido por José Gomes, tem um ar inteligente, que logo se adivinha, só de olhar. Mas não é muito afeito a traduções.

Eu ajudo: Lopetegui, em entevista ao Porto Canal, afirmou: “Os árbitros não vão ganhar ou perder campeonatos, e não o devem fazer, porque isso têm de fazer as equipas. O trabalho dos árbitros é equilibrar as coisas. Mas, naturalmente, vão acontecer erros, como os cometem treinadores e jogadores. Num campeonato, os erros devem equilibrar-se, por lógica. Só respondi a perguntas sobre erros que estavam tremendamente desproporcionados. Não de forma voluntária, mas estavam. E só respondi a perguntas que são factos, nada mais”.

Fontelas concluiu: “Tanto a Comissão de Inquérito como o Conselho de Disciplina devem atuar perante estas declarações, que são públicas. Para que este tipo de situações não aconteçam, terão que existir sanções pesadas”.

E concluiu: “Competência e incompetência existem em todas as atividades. A arbitragem não é exceção, mas não pode ser a arbitragem a causa do insucesso de cada um. Não vale a pena estar a atirar pedras e não se olhar para a própria casa primeiro”.

Com tanto tradutor desempregado, fazia bem à APAF contratar um, mesmo a meio-tempo.

E já agora, um consultor de imagem!

JOSE GOMES PRESIDENCIA DA APAF

«Se quiserem, posso falar em latim…»

diz Lopetegui. Por mim, tudo bem. Lopetegui merece outra oportunidade.

Respetivo, direto, afetado, reação, atualizado e contatos

Respetivo, direto, afetado...? Sim. E contatos? Exactamente: e contatos.

contatos

 

“Excusatio non petita, culpabilita manifesta”?

Caro Julen Lopetegui, não é “excusatio non petita, culpabilita manifesta“. Poderia ser ‘culpabilitas’, sim, com ‘s’, mas não é. “Excusatio non petita accusatio manifesta”. Assim, sim. Claro, vem nos livros.

«Comprei cinco bilhetes a uma pessoa

afeta ao Super Dragões». Não percebo: “uma pessoa afeta“? E o ‹s› de ‘aos’ não é pronunciado? Sendo pronunciado, quem é o Super Dragões? A Bola procurou uma reação? Uma [ʀjɐˈsɐ̃ũ̯]? Que grande confusão.

SDragões

Testa de ferro…

Um cidadão português apresenta amanhã candidatura ao lugar de Chairman da empresa multinacional FIFA, entidade sediada em Zurique, operando sob as leis do direito suíço, detentora dos direitos de organização e imagem da indústria futebol. O local escolhido será o mítico estádio de Wembley, verdadeira catedral na velha albion, pátria do desporto-rei. Um acto simbólico que será correspondido e explorado à exaustão pela imprensa portuguesa, com a dita de referência rivalizando com a cor de rosa, para entusiasmar os parolos do costume em Portugal e também os amigos do Santiago Barnabéu, mais discretos, que desagradados com Blatter, esperam ganhar influência nos bastidores colocando alguém da sua confiança no organismo. Não será fácil e desejo sinceramente que o Real Madrid não consiga levar por diante os seus propósitos de hegemonia do futebol europeu e mundial, com a estratégia de colocar muchachos em lugares chave.

Sagres, só o promontório

Para quê perder tanto tempo e indignação com aquela água chilra holandesa que dá pelo nome de Sagres? Coitados dos homens, eles têm lá cerveja bem melhor e aquilo é a mijoca que fazem para os portugueses. E como patrocinam o Benfica, devem ter acreditado naquela treta dos 6 milhões, o que faria da sua publicidade merdosa um bom negócio. Marimbem-se nesta cena. E saia uma Super Bock! Ou uma Budweiser.

Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa de 1990?

Ou seja, “para no próximo sinal amarelo” e “em risco para o clássico”? Ah! “pára no próximo sinal amarelo” e “em risco para o clássico“. OK. Siga.

Figo

Os ridículos devaneios patrioteiros a propósito da candidatura de Luís Figo à presidência da FIFA são intragáveis. O homem que se candidate ao que quiser, fazendo o frete a quem lhe apraz, ou satisfazendo a sua necessidade de aparecer, mas não acrescente mais lixo ao debate público, trate da vidinha e deixe-nos em paz. É que depois do seu pequeno almoço socrático, dispensamos bem o espectáculo do caricato apoio do governo actual – que não perde uma oportunidade para se agarrar a tudo o que mexe, como as carraças -, só pelo facto de ser português.

Figo é bom de pés mas severamente limitado noutros aspectos, designadamente habilitações literárias e carácter. A sua candidatura, ao contrário do que a nossa excitada imprensa alardeia, não vale um caracol, a não ser que venha a servir de passadeira a outras, o que é provável. Esta tendência de apoiar gente desta só por ser portuguesa não nos proporcionou já suficientes vergonhas internacionais? Agora, até na bola? Ora bolas!
Nota e declaração de interesses: sou sportinguista, sim; e depois?