De Tanto Olhar

De tanto olhar

Tanto olhar

Olhos perdidos

Na lonjura das águas

Vejo-me nos tempos idos

E recordo as minhas mágoas

.

De tanto olhar

Tanto olhar

.

(Poema e fotografia da exposição “Água e Palavras”)

.

Mr Phelps Morreu

Fez parte da minha juventude.Durante alguns anos, muitos, Mr Phelps, o chefe da “Missão Impossível” entrava-me pela casa dentro e eu adorava aquela personagem. Mais tarde foram as reposições, e ainda hoje em dia elas vão aparecendo, de vez em quando, para fazerem as delícias dos mais velhos e também dos mais novos.

Peter Graves morreu hoje, aos oitenta e três anos. O cinema está mais pobre e só nos restarão as reposições dos seus filmes e séries.

Descansa em paz.

Leça da Palmeira

Em exposição no Espaço Fénix

Ponte Luís I

Em exposição no Espaço Fénix

FCPorto – O Diagnóstico da Doença

O Clube FCPorto está doente. A sua equipa de futebol profissional sofre os efeitos.

Depois dos últimos resultados da equipa profissional de futebol do FCPorto, reuniram-se em assembleia muitos dos responsáveis pelo clube.

Nessa reunião, foi decidido que seria preciso saber das razões que levavam a que, a equipa que milita na 1ª liga de futebol, estivesse a ter tão fracos resultados.

Para tal, entraram em contacto com professores, empregados indiferenciados, médicos, engenheiros, balconistas, advogados, trolhas, políticos e demais profissionais da nossa praça, para que em conjunto e cada um por si, determinassem as causas que afligem aqueles profissionais.

Durante algumas horas, trabalhando afincadamente, todos os contactados exprimiram a sua opinião. Depois foi só reuni-las (às opiniões), catalogá-las, e tirar conclusões.

Dissecaram-se as razões. Avaliaram-se os resultados de todas as equipas das várias modalidades. Esmiuçaram-se os títulos, verificaram-se as taças e as medalhas, emitiram-se opiniões.

O diagnóstico chegou finalmente. [Read more…]

Poesia – Não Tenho Princípio Nem Fim

Não tenho princípio nem fim

Não principio nem acabo

.

Sou o rumor das pétalas a abrir

Sou o grito das cores berrantes

O vestígio de beijos a florir

A noite a cair em instantes

Sou o sangue a correr em mim

Sou vida e morte por um bocado

.

Sou o som da semente a nascer

Sou o que sou, de minha autoria

Volto amanhã se hoje morrer

Sou o rumor do nascer do dia

.

Não tenho princípio nem fim

Não principio nem acabo

Anseio por ser eterno,

Ao fim e ao cabo.

8 de Março, Dia da Mulher

O DIA QUE NÃO DEVERIA CONTINUAR A EXISTIR
.

É amanhã o dia que, mundialmente, se consagrou ser o da Mulher.

Na realidade não deveria existir tal dia, uma vez que o facto de existir, por si só, coloca a mulher numa posição de inferioridade.

Existe o dia da árvore, o dia do doente disto e da doença daquilo, da protecção deste e daquele aspecto, e por aí fora num chorrilho de dias consagrado a este ou aquele. Existem esses dias dedicados, desde que se viu que seria preciso proteger alguma coisa.

A Mulher não deveria precisar de um dia destinado a lembrarmo-nos dela. Não há um dia dedicado ao Homem. Não é preciso. [Read more…]

Poesia – Vem Por Aqui

.

.

Vem por aqui

Desenhar meus pés

E derrubar obstáculos

Vem para aqui

Apreciar as marés

E curar meus cansaços

.

Vem amar o longe

A minha loucura

A minha ironia

E o mundo a que subi

Faz de mim um monge

Deseja-me

Como à fruta madura

Enche-me de amor e sabedoria

Vem comigo

Não vás por aí

.

.

Pobres e Cultos

Estavam os três sentados numa das mesas, a mais afastada da entrada, e o único que tinha barba, pêra e bigode, razoavelmente cuidada, falava mais que os outros, como que dando uma aula. A espaços era interrompido com perguntas ou comentários. Falavam da dificuldade em arranjar emprego remunerado, que trabalho todos iam tendo de uma maneira ou de outra.

Distraí-me, a conversa dos outros não me diz respeito, e quando por acaso voltei a prestar atenção, já a conversa versava sobre política internacional. E o que ouvia era bem dito e com conhecimento de causa. Achei estranho já que os três indivíduos me tinham parecido, à primeira vista, “uns pobres coitados”, e comecei a prestar um pouco de atenção. Mais tarde ainda falaram de fotografia, melhor dito, um falou, e bem, e os outros ouviram, como seria de se esperar já que estavam num local que promovia exposições e mostras de fotografia, e acabaram a falar de música clássica e da sua mistura com a música ligeira. Algo parecido com o que aqui vos mostro.

Todos mostravam uma cultura acima da média e uma forma de falar cuidada, com o homem da barba a comandar e reger a conversa
Tudo aquilo era um pouco estranho para mim. A letra não condizia com a careta.
Aos poucos, com o evoluir do que fui ouvindo, fiquei a saber que eram três “sem abrigo”, todos na casa dos cinquenta anos, sendo um de Coimbra, e dois da área do Porto.
Quando reparei que tinha esmorecido a conversa, fui falar com eles.

Com alguma dificuldade lá me confidenciaram que um tinha uma licenciatura em gestão, outro tinha ficado pelo terceiro ano de medicina e o terceiro tinha o antigo sétimo ano do liceu e tinha estudado alguns anos de piano no conservatório. Todos a viver na rua, sem emprego, sem família, sem amigos. E no entanto, cultos e interessados pelas coisas da vida e do mundo.

E eu que julgava que “esta gente” mais não era que um bando de desgraçados, bebedolas, que se tinham entregado às dificuldades da vida, desistindo de viver.
Como a gente se engana!

Ribeira em Dia de Chuva

Ontem – era o sr Pinto de Sousa, Hoje – estou muito agradecido ao sr Primeiro Ministro

E depois toda a gente sacode a água do capote:

– “se ribeiras não fossem canalizadas teria sido muito pior”

– “a pressão demográfica é que obrigou a toda esta construção”

– ” a mim não chegaram estudos”


Vila Nova de Gaia, Vista do Porto

Como Se Fora Um Conto – O Sr Joaquim Lavadeira

O Sr Joaquim Lavadeira

Ainda não tinha um mês de vida, e já eu frequentava a praia de Gondarém. Uma grande parte das chamadas boas famílias da Foz da altura, frequentavam esta praia ou a do Ingleses. Eram quase como umas praias de elite, e também toda a minha família paterna o fazia, embora quase exclusivamente na de Gondarém.

Tínhamos uma barraca, das grandes, invariavelmente situada, ano após ano, no mesmo sítio da praia. Era a terceira, à direita de quem olha para o mar, a seguir à primeira abertura entre barracas, logo a seguir ao fim das escadas em redondo, e em frente à rampa. Se nã me engano, tinha o número 29. Não tinha que enganar.

Os vizinhos de um lado e do outro eram sempre os mesmos. Ao fim de uns anos, eram como que da família.

Os donos, concessionários em parceria com o sr Francisco, e que detinham a parte melhor e maior da praia, eram [Read more…]

Voar aos Pares

Klu Klux Klan

Ainda Os Polvos

«Meia tonelada de polvos mortos foram recolhidos entre as praias do Canidelo e de Valadares, na região de Vila Nova de Gaia. Desconhece-se a razão pela qual tantos polvos deram à costa, mas é pouco provável que tenham sido atirados ao mar ou que tenham sido afectados por poluição».

Notícias de última hora informam que estes polvos, encontrados mortos há algumas semanas, mais não eram que  polvinhos descartáveis, já sem préstimo algum, queimados e sem telemóveis, que somente teriam servido para certos controlos menos recomendáveis.

Aos donos/patrões dos ditos, detentores de enormes apêndices não segmentados e geralmente flexíveis, só restava mesmo o seu descarte durante a noite, antes que o sol nascesse e se visse tudo.

Para mal dos seus (deles) pecados, o sol tudo vê e tudo encontra, e pelos vistos não teme as queimaduras das ventosas dos tentáculos. O sol tudo trata , o sol tudo sara, mesmo que à força das palavras, e da divulgação de escutas que ninguém quer que sejam ouvidas.

O Novo Pastorzinho

Minha Nossa Senhora, isto está complicado, ajudai-me e dai-me mais um ou dois apêndices não segmentados, geralmente flexíveis para resolver de vez estas chatices.

Como sabeis, minha Nossa Senhora, tudo isto não passa de uma cabala contra mim. São tudo mentiras ditas por meia dúzia de garotos!

Vá lá, ajudai-me, safai-me desta que eu prometo não falar mais ao telemóvel.

Ao nascer, o Sol também deveria ser para mim, mas não desta maneira.

Polvo Malandrinho

Coza o polvo em abundante água com uma cebola descascada dentro.

Escorra-o e reserve a água.

Corte os tentáculos e o capuz em pedaços pequenos.

DEPOIS, DEITE TUDO FORA….. NÃO COMA NADA.

ELES JÁ COMERAM TUDO.

Foz do Rio Douro – Porto – Garças

Adeus Victor, Obrigado Ângela

.
ADEUS VICTOR
.
Uma boa notícia para Portugal :

Imprensa Alemã garante que a nomeação de Victor Constâncio será assegurada por Berlim

.

Cantareira – Foz – Porto

Foz do Douro

Como Se Fora Um Conto – A Sra D. Hortélia

O RIO À MINHA FRENTE, CORRE CALMO, E EU ESTOU PREOCUPADO COM A SRA D. HORTÉLIA

O rio à minha frente corre calmo, muito calmo, entrando suavemente no mar.

Espalhados pela margem, meia dúzia de pescadores esperam pacientemente que algum peixe se digne morder a bicha e ficar preso ao anzol. Lá mais longe, à minha direita, o farol velho, agora sem utilidade prática e o outro, recente, ainda com as cores de novo, orgulhoso das suas riscas vermelhas e brancas.

De vez em quando, entra na barra uma traineira. Vem da faina nocturna, e se tiver corrido bem, estará carregada de peixe para vender na lota da Afurada.

Lá fora, estou sentado no banco do passageiro do meu carro, está fresco. Não chega a ser frio. São oito da manhã e estão cerca de sete graus centígrados. O Inverno não vai ainda a meio, e nem tem sido rigoroso. Está um dia bonito.

Do local onde me encontro, consigo ver o mar, lá ao fundo. Não se notam quaisquer ondas. Não há vento. O céu, carregado de nuvens de um cinzento claro, não pronuncia chuva. Por entre elas, [Read more…]

As Pombinhas da Praia do Molhe

São Jacinto – Ria de Aveiro

A Culpa é Minha, Devo Estar a Ver Muito Mal a Coisa

.
OS ALUNOS DO ENSINO BÁSICO E DO ENSINO SECUNDÁRIO REALIZAM DIA DE “LUTA NACIONAL”
.

Devo começar por dizer que nada me move contra a juventude Portuguesa, e muito menos contra os estudantes em geral, e então se forem dos mais novos, tenho por eles um carinho muito especial, uma vez que dos meus filhos, um ainda está no ensino básico e outro acabou de sair do secundário. Tenho ainda dois sobrinhos no ensino secundário. Devo ainda acrescentar que entendo que todas as pessoas têm o direito a manifestarem as suas opiniões e o seu descontentamento.

Nesta primeira quinta-feira de Fevereiro, os putos de seis, sete, dez, doze, dezasseis anos etc., que frequentam as escolas básicas e secundárias de Portugal, estão em luta.

Cheios da sua (deles) razão, os miúdos e miúdas querem um estatuto de aluno “inclusivo”, seja lá o que isso quer dizer, e querem mais investimento nos estabelecimentos de ensino. Têm nesses pontos a minha total solidariedade. Se se não reivindica, o governo que nos tem desgovernado, e os que o antecederam em nada foram diferentes, nada fazem, assumindo que tudo está bem e de perfeita saúde.

Mas não se ficam por aqui, embora o devessem, pois que já seria bastante para poderem protestar e estar em luta. Os meninos e as meninas das escolas do ensino básico e do ensino secundário querem também o fim dos exames nacionais, e já agora também o desaparecimento da figura dos directores, exigindo ainda a “efectiva aplicação da educação sexual nas escolas”. Aqui, já não entendo a posição destes jovens. Fim da avaliação nacional porquê? Fim da figura da autoridade porquê? Efectiva aplicação da educação sexual nas escolas porquê? Sem avaliação e sem autoridade não se vai a lado algum, e quase não há professor algum capacitado verdadeiramente para ministrar educação sexual, pelo que a sua implementação é o que se vê e seria um total e completo desastre.

Não são pecos a pedir, nem tão pouco a reivindicar ou a exigir. Os putos pensam que sabem bem o que querem, tendo nascido já com todas estas capacidades de luta. A juventude é assim, eu sei, mas esta, só se mostra desta forma por falta de orientação, sempre necessária na formação de qualquer jovem. E os pais e encarregados de educação, de uma maneira geral, deixaram já há bastantes anos de orientar ou de o querer fazer (dá realmente muito trabalho e cerceia a liberdade de cada um), desligando-se da boa formação dos seus educandos.

E já agora, com um pouco de sarcasmo, não poderiam também, na delegação nacional de associações que promove esta luta, incluir os alunos dos infantários?

E se a gente lhes ralhasse? E umas puxadelas de orelhas, e umas sapatadas no rabo, não?

Ai se o ridículo matasse, ou aleijasse, ou se pelo menos se notasse à primeira vista!

Realmente eu devo estar a ver muito mal a coisa.

Rochedos

Porto

Ribeira de Gaia

De Novo A Ameaça de Demissões

.
ESTA TRAMPA JÁ ME CANSA

Eu já estou cansado disto tudo, e como eu, o País também estará. Já ninguém se importa. Eles, que são os nossos mandatários, que trabalhem e façam por merecer o salário de ricos que recebem.
De facto, na classe mandante, entre o governo, a Assembleia e os partidos, ninguém se entende entre eles, e o pior é que ninguém se quer entender.

O Orçamento de Estado para 2010, aprovado na generalidade com os votos a favor do partido do governo, já sofre condicionamentos, por tudo e mais por causa da Lei das Finanças Regionais. Ninguém quer ceder, e até já há ameaças de demissões. Ele é o ministro, ele é o Dialogador, ele, são as pressões.
Já falam em aumentos de impostos, em redução de salários, em tudo e mais alguma coisa, para assustar e condicionar.

O Conselho de Estadode de hoje irá provocar algum esclarecimento, ou ajudar a resolver alguma coisa? Ou no fim, e por fim, os que devem não cedem, e os que não devem vão meter o rabo entre as pernas, como tem sido de costume?