O Malabarismo das Palavras

Rui Naldinho
Cartoon: Zé Dalmeida

Cartoon: Zé Dalmeida

Diz o nosso comentador que para ele “a coerência é uma coisa inestimável”.

Digo eu, “a realidade é que deve ser incoerente”. Caso contrário, aquilo que a Geringonça defende, e ele agora crítica, na prática é o mesmo que ele defendeu no passado, mas agora dito por outras pessoas.
Marques Mendes é useiro e vezeiro no malabarismo dos números e das palavras, tentando dar ao mesmo assunto um tratamento distinto, para que aquilo que é igual pareça diferente. [Read more…]

Se eu tivesse um sonho de merda…

… faria hoje um ano que morreu o JJ. Um ano redondo. Em rigor, mais um dia. Morreu, pois foi. Morreu. Ah, e se ele estivesse aqui, o que diria? Diria, olha, cá estou, morri! E di-lo-ia até morrer de secura. Diluía, pois. Era uma estragação de café e de whisky. Mas se não dissesse, era o mesmo. “O círculo aperta-se, primeiro fulano, depois beltrano, agora sicrano. Não sei porquê mas cheira-me”, até já o tinha dito e muito antes. E é verdade que ela agora fede como nunca. Até no cheiro dos meus colhões a sinto. E se fosse vivo? Ah, se fosse vivo… Se fosse vivo, fingia-se de morto e ela passava por ele como cão por vinha vindimada. Bem, a verdade é que ele não o faria. Chamá-la-ia armado em parvo, como se pudesse dar-lhe a volta ou insultá-la. Arrasá-la-ia no Aventar ou no Endrominus, como se o sonho comandasse a vida. E cairia no último momento – como sempre se cai! – depois de dar cabo dela, fodendo-a bem outra vez. Se eu tivesse um sonho de merda, seria assim.

Ao João

jjc
Sabes, ia escrever umas coisas sobre ti. Mas ao começar, li o post do Nabais e, com o meu velho complexo de inferioridade, decidi não escrever nada. Perante aquele poema, simplesmente não valia a pena.
Nunca te disse, mas era como me sentia sempre à tua beira: inferior. Falávamos todos os dias, várias vezes por dia, por SMS e por mail. A correspondência que trocámos era capaz de dar para publicar um livro.
Mas nas 2 ou 3 vezes por ano em que nos víamos ao vivo, calava-me. Não sabia o que te dizer. Se calhar nunca reparaste, éramos sempre muitos e nunca faltava com quem falar. Mas tu eras tu, eras o João José Cardoso, eu era apenas eu. Podia nascer 10 vezes que não chegaria ao teu nível, como é que havia de sentir-me ao teu lado?
E afinal, passado um ano, cá estou eu. Sobrevivi-te. É natural, mais 12 anos de boémia em cima fazem uma certa diferença.
Tenho pensado muito em ti neste último ano. No dia em que te conheci no 007 – Licença para Comer. No abraço que me deste, já bem bebido que estavas, na primeira vez que fomos almoçar ao Casino da Urca. Na noite em que me puseste a dormir no chão, mais a Noémia e a pequena Leonor, porque te esqueceste de ir buscar um colchão ao sótão e porque a cama da tua mãe, apesar de vazia, era sagrada. No dia em que alteraste os planos e mais uma vez propuseste o Casino da Urca, sabendo que eu queria ir ao Portugal dos Pequenitos com as miúdas. Na última vez em que nos encontrámos, na Estação de S. Bento onde tomámos café e na Serrana que nunca te mostrei.
Costumo dizer que não me arrependo de nada. Engraçado, há uns dias um amigo comum recordou-me um post terrível que em tempos escrevi e do qual me arrependo profundamente. Quanto a ti, também me arrependo. De nunca ter realmente conversado contigo. De nunca te ter olhado nos olhos para dizer que gostava de ti. Que te admirava. Que gostaria, um dia, de ser brilhante como tu eras. Chamei-te amigo, quase no fim, mas já estavas demasiado doente para responder.
Não faz mal. A tua ausência, no último ano, serviu-me de resposta. E a falta que me fazes também.

João José Cardoso (1959-2015)

Os 4052 posts do JJC.

JJC, não foste tu, certo?

Então é assim João, tu foste para outras paragens e nunca mais o mundo foi o mesmo.

Os “bifes” deram uma de anarquistas e “brexitaram-se” numa só penada. Já a tua esquerda alçou-se ao poder e a Mariana até já lança impostos. Nos “States” o Trump arrisca-se a ganhar e estamos todos, os minimamente lúcidos, que não nos cabe um feijão no cagueiro. Isso e o Erdogan ensandeceu, o Putin não toma os medicamentos e a banca alemã está de tal ordem que a nossa até parece de gente séria. Isso e hoje um taxista baralhou-se na TV e denunciou-se como um reles violador.

Fui levado a pensar que toda esta anarquia teria dedo teu e que estavas por aí a divertir-te à grande soltando o teu riso de eterna criança traquina. Contudo, uma luz fez-me ver que afinal não é coisa tua. É que o nosso Porto, o FCP, está como o mundo, de pernas para o ar. E isso eu sei que nunca seria coisa tua. Sabes que te digo? Foda-se, que saudades pá.

Mas…olha lá, toda esta confusão não é coisa tua, pois não???

Postal da Fortaleza de Peniche (muito atrasado)…

… ou das razões, seguramente confusas, por que não assino as petições

forte-2

(Fortaleza de Peniche, 2015)
No último ano tenho ido muitas vezes a Peniche, por razões que principalmente o coração conhece. Lembro-me de ir a Peniche algumas vezes em miúda com os meus pais. O motivo era geralmente ‘comer uma caldeirada’, coisa que animava os adultos e me desgostava bastante a mim. De qualquer maneira, aparte a questão da caldeirada, não tenho memórias particulares de Peniche, desses tempos.
No último ano tenho visitado Peniche muitas vezes e, naturalmente, visitei a Fortaleza em algumas dessas vezes. Peniche não é apenas a sua Fortaleza, mas é principalmente a Fortaleza. Claro que também há a Berlenga, a Nau dos Corvos, o Cabo Carvoeiro, a papoa, o Baleal, o Bairro do Visconde carregado de cor e de gatos, a tombar de cima das falésias, os restaurantes de peixe muito fresco e o mar o mar o mar a perder de vista porque, justamente, não é mar, é oceano. A ‘pérola do atlântico’ é muitas coisas além da Fortaleza. É também o cheiro das fábricas de conservas, o desemprego, os pescadores que pescam cada vez menos e um certo desordenamento urbano. É ainda o surf, as ondas de que é alegadamente a capital, as lojas de pranchas de surf, os surfistas e os hosteis e hoteis a nascerem como cogumelos, como – parece – recentemente acontece em toda a parte de Portugal.
Mas tudo isto que Peniche é tem a Fortaleza como pano de fundo e não poderia, creio eu, ser de outra maneira. A Fortaleza existe pelo menos desde o século XVII e a própria cidade se foi desenvolvendo em função dela. São muitos séculos de história, de histórias e de memórias. A Fortaleza teve muitas funções ao longo desses séculos, mas aquela de que nos lembramos melhor é a que está associada à sua conversão, em 1934, em prisão política de segurança máxima durante o período do Estado Novo. Nela estiveram presos muitos homens, quase todos homens bons, cujo o único crime foi a luta anti-fascista. Dela fugiram alguns desses homens, incluindo Álvaro Cunhal. E dela foram libertados todos os que estavam ainda presos, depois de 25 de Abril de 1974.

[Read more…]

Xeque-mate

xeque-mate

Marco Faria

Atribuir a eleição de Guterres ao esforço da diplomacia portuguesa é um exagero e é, sobretudo, desvalorizar o mérito 100% da responsabilidade do candidato. Afastou-se década e meia da vida política doméstica, venceu inequivocamente seis votações, teve as melhores prestações cara a cara com as representações dos 193 estados e para quem quis ver “on-line”, apresentou-se desde a primeira hora como um candidato com determinação e voz próprias (“Líderes e valores”), não tirou uma licença profissional de sete dias, não fez fretes a blocos ou países, não cedeu às pressões “last minute”, não entrou no circo de ver um estado a dividir-se entre o apoio a duas candidaturas, contrariou os supostos requisitos formais para a eleição (mulher e originária da Europa de Leste)…
Insisto: onde esteve a diplomacia de Portugal entre Junho de 2005 e Dezembro de 2015, quando Guterres liderava o Alto-Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR)? Basta acompanhar 5 minutos as cadeias internacionais para perceber que todos se referem às qualidades do candidato e não vi nem ouvi uma única vez falarem da diplomacia de Lisboa. Porque o que esteve em causa foram os atributos da pessoa. [Read more…]

Adivinha Quem Paga?

barragem_tua_edpmaat_edpExacto, não é António Mexia, não é a EDP.
É você, os seus filhos e os seus netos.
[via maquinistas]

À Atenção do Esquentador e do seu Antecessor

António Guterres aprovado no Conselho de Segurança da ONU. Sem vetos nem espinhas.

Nem tudo é a mesma merda

marinelepen-226x300

A Cour de Cassation de Paris deu provimento, na semana passada, ao recurso de uma decisão judicial que ilibava o animador Laurent Ruquier de ter cometido, no seu programa de televisão “On N’Est Pas Couché” (FR2), uma difamação, ao exibir, entre outros cartazes eleitorais imaginários publicados no Charlie Hebdo, um cartoon que comparava Marine Le Pen a um fumegante cagalhão (“étron”). Não obstante a decisão recorrida ter salientado que Ruquier, ao mostrar todos os cartazes e afirmando «c’est satirique, c’est Charlie Hebdo», se distanciara daquele cartaz específico – não tendo por isso cometido uma infracção penal, a mais alta instância judicial francesa considerou que os limites da liberdade de expressão do apresentador foram no caso ultrapassados, ordenando um terceiro julgamento, com recomposição dos juízes, pela Cour d’ Appel de Paris.

Noutro recurso antes interposto pela mesma senhora, a Cassação tinha reconhecido que o humorista Nicolas Bedos, ao tratar, num polémico apontamento de humor publicado no semanário Marianne, Marine Le Pen por “cadela fascistóide” (“salope fascisante”),  não ultrapassara os limites da liberdade de expressão. Le Pen contestava, bem entendido, apenas o uso do substantivo “salope”, no qual não se revê, e não do adjectivo “fascisante”.

[Read more…]

Entretanto, no MRPP…

20160925_174608

Lições dos protestos

Foto: Greenpeace

Enquanto para o governo do PS português o acordo de comércio e investimento com o Canadá (CETA) já estava mais que bem na sua actual forma – talvez por falta de paciência para ler as 1.600 páginas, em que nem uma única vez é referido o princípio da precaução, nem fica assegurado que os OGMs não serão permitidos na Europa – outros dirigentes europeus estão, com a comissão à cabeça, a ter de usar todos os cartuxos para o assinarem em Outubro – incluindo a promessa de anexarem ao texto declarações adicionais com valor jurídico para “melhorar” uns 3 ou 4 pontos dos que têm sido apontados como inaceitáveis pelo movimento de protesto europeu. Há especialistas a dizer que estas declarações não têm valor nenhum se não estiverem no próprio texto, mas o que é certo é que, com mais este coelho tirado do chapéu mágico, muita gente anda a engolir o isco. Segundo declarações no final do encontro de ontem em Bratislava, existirá já um consenso pró-CETA entre os ministros do comércio – pressuposta a inclusão das ditas declarações. Mesmo a Áustria e Bélgica, anteriormente candidatas ao veto, já se terão alinhado.
Ora bem, sem entrar nos detalhes dos problemas que persistem no acordo – e que são os principais – vejamos quais são as lessons learnt deste processo: [Read more…]

A gente que se ajeite, né?

Protestos contra o CETA e TTIP em Bratislava

Os ministros do comércio da UE estão reunidos em Bratislava para deliberarem sobre acordos de comércio e investimento da UE, em especial sobre o Acordo Económico e Comercial Global (CETA) com o Canadá.

Os executores das ordens do capital estão em grande azáfama para abafar as últimas vozes críticas que se fazem ouvir contra a assinatura do acordo que vai, definitivamente, selar a primazia dos grandes investidores sobre os cidadãos.

O contorcionismo e a pressão exercida neste processo foram abismais. Sigmar Gabriel, presidente do SPD com aspirações a candidato a chanceler nas eleições do próximo ano, usou de tudo – desde a ameaça de se retirar se o partido não alinhasse, passando pelo bombástico anúncio, em sintonia com o seu colega francês, de que o TTIP (acordo de comércio e investimento entre a UE e os EU) estava moribundo, até a promessas de adendas com valor jurídico ao acordo – para conseguir o sim do seu partido. A comissão ameaçava que um não ao CETA representaria o naufrágio da política comercial da UE; aos romenos foi feita a promessa de facilitação de vistos; e por aí fora. Em Bratislava, está a ser preparada, em panela de pressão, a assinatura do acordo a 27 de Outubro e foi para lá que Gabriel levou a sua cábula das correcções ao texto do tratado, que prometeu aos seus correligionários para que lhe dessem luz verde: melhorias quanto à independência dos tribunais arbitrais, defesa dos serviços públicos, leis de protecção dos trabalhadores, introdução do princípio da precaução e reforço da defesa dos consumidores. Veremos, promessas leva-as o vento. [Read more…]

Fezes de Coelho não chegam ao céu

besouro

Todos recorremos a mecanismos de negação para lidar com situações especialmente perturbadoras, é uma forma de defesa e pode preparar a consciência para o rebate. Eu uso a desvalorização para não soçobrar à realidade. Morreram 200 mas salvaram-se 500. E há dezenas de reconfortantes maneiras de chupar um seixo… Agora, insistir nas virtualidades da austeridade para a recuperação económica de um país e na eficácia dos seus resultados tendo à frente o resumo do estudo coordenado por Carlos Farinha Rodrigues, intitulado “Desigualdade do Rendimento e Pobreza em Portugal – As Consequências Sociais do Programa de Ajustamento”, já não pode ser negação, é perversão sexual. Saborear o produto defecado e insistir em servi-lo aos outros como uma iguaria não é senão uma forma de sado-masoquismo coprofágico.

São conhecidas as primeiras conclusões do documento: o “processo de ajustamento” teve profundas consequências na distribuição de rendimentos em Portugal. Entre 2009 e 2014, os 10% mais ricos sofreram uma quebra de 13% no seu rendimento enquanto os 10% mais pobres tiveram uma quebra de 25%, o que agravou o fosso entre ambos os extremos, ou seja, a desigualdade social.

É que, na verdade, como se refere no dito estudo, a forma como os custos do “processo de ajustamento” foram repartidos entre a população portuguesa constitui um elemento essencial para a caracterização das políticas seguidas neste período. O desemprego delas resultante tornou irrelevantes os paliativos fiscais para os rendimentos do trabalho mais baixos. E, citando, o recuo das políticas sociais (no Rendimento Social de Inserção, no Complemento Solidário para Idosos e no Abono de Família), tanto na sua abrangência como nos montantes atribuídos, alterou significativa e decisivamente as condições de vida das famílias mais pobres.

Ou seja, o discurso oficial da justiça distributiva da penalização dos rendimentos revela-se uma treta absoluta em todo o seu esplendor.

A pobreza disparou, mais cerca de 143.500 pobres – eram, em 2014, números corrigidos, 2,5 milhões de pobres, quase ¼ da população -, como cresceu a intensidade da pobreza e em números que rondam os 30%, atingindo este indicador o valor mais alto desde que há registos desta natureza (2002). O estudo não leva sequer em conta a situação dos 500.000 portugueses que tiveram de fugir de toda esta carnificina programada.

Foi assim, enojado e enjoado, que ouvi ontem o debate parlamentar. Que a política se pode tornar num alucinado exercício de retórica… Mas isto, em bom inglês, já é tomates.

 

 

Arremessos de lama à Correio da Manhã

cm

Em letras garrafais, esse baluarte do jornalismo sério que é o Correio da Manhã informa os seus leitores que Ferro Rodrigues, esse chupista de esquerda, se deslocou num transporte VIP a 190 euros/hora. Porém, para os 50% que não se ficam pelo título, é possível ler em baixo que o custo foi integralmente suportado pelo Estado luxemburguês, que de resto endereçou o convite ao presidente da Assembleia da República. São truques. Todos os dias há um novo.

Imagem via Os truques da imprensa portuguesa

Pulhices à moda do Correio da Manhã

otdip

Incansável na exposição dos mais variados esquemas de manipulação da opinião pública, a página Os truques da imprensa portuguesa apresenta-nos hoje um caso em que o Correio da Manhã procura enfiar Jerónimo de Sousa no mesmo saco onde pontificam as mais variadas sanguessugas do bloco central. A peça versa sobre políticos reformados antes do 50 anos, alguns dos quais, com menos de 40 anos, a receber subvenções vitalícias, grupo no qual não se inclui o líder do PCP, que ainda assim foi escolhido para ilustrar esta manifestação de jornalismo de sarjeta. [Read more…]

Postal da Festa do Avante (único)

Não há Festa como esta?

This slideshow requires JavaScript.

Quando era miúda e morava em Lisboa ia religiosamente à Festa do Avante. Era perto e dava para ir lá só umas horas, ver os concertos. Não me lembro de passar lá dias inteiros. E tinha boas memórias daquilo. Talvez porque não passei lá nunca dias inteiros. Há dois anos, talvez 25 anos depois da minha última ida ao Avante, voltei lá. Desde que estou em Aveiro confesso que nunca mais me ocorreu (ainda por cima a tão poucos dias de começar o 1º semestre e imediatamente depois das férias de verão) voltar lá.

No dia inteiro que passei na Festa do Avante há dois anos, choveu copiosamente. E lá fiquei eu, um dia inteiro, com os pés na lama, sem sítios para me abrigar, apenas um chapéuzito de chuva pequenino que, à cautela, levei comigo. Não foi uma boa experiência, confesso. Tenho um problema, talvez grave, gosto pouco de transpirar e menos ainda de me sujar. Talvez isso faça de mim uma ‘capitalista’, talvez apenas uma pessoa ‘da esquerda caviar’. Não interessa o que me chamem por causa deste meu problema grave. A verdade é que gosto pouco de me sujar, de sítios sujos, de transpirar e, exceção feita às manifestações, gosto pouco de grandes ajuntamentos. Também não sou comunista, quero dizer, comunista do PCP, e talvez isso ajude a que seja incapaz de compreender ‘o espírito’ daquilo. Principalmente, repito, a sujidade. Há dois anos, talvez por causa da chuva, não reparei tanto no lixo. Também não estava tanta gente como este ano. Como fui de boleia, não reparei igualmente no problema do estacionamento. Mas lembro-me bem da sujidade das casas de banho. Da água pelo chão, misturada com terra, das sanitas imundas, dos montes gigantes de papéis sujos. É preciso ser malabarista (e isso com um corpo funcionalmente diverso é bastante difícil, acreditem em mim) para se poder usar algumas daquelas casas de banho, naquelas condições. Se há dois anos foi fácil controlar a necessidade de ir à casa de banho… bebendo menos água, este ano isso foi impossível. Há dois anos ‘jurei para nunca mais’.

[Read more…]

A sério?

Os jotas do CDS/PP convidaram uma ex-ministra da educação de um governo do PS como palestrante numa espécie de Universidade de Verão daquele partido. Maria de Lurdes Rodrigues de seu nome, deixou-nos pesadas heranças, desde logo a Parque Escolar ( problema que Passos Coelho e Paulo Portas empurraram com a barriga). Os professores sabem quem é a personagem e conhecem bem o resto da herança.
Se os jotas do CDS/PP querem aprender como se fazem ajustes directos aos amigos, é lá com eles. Mas agora a propósito de declarações de Nuno Melo (CDS/PP) dizerem que foi “porventura a melhor Ministra da Educação desde o 25 de Abril” ?
Como dizia um ex-comentador da TVI na sua missa dominical “isto não lembra ao careca!”

E novidades?

Um subdirector-geral vai a uma jornada tipo Universidade de Verão partidária (jotas do CDS/PP) e profere declarações sobre assunto que ele próprio tutela, como se não tivesse nada a ver com isso. Formalmente António Filipe Pimentel é subdirector-geral da DGPC (entidade que tutela o Museu Nacional de Arte Antiga), e o MNAA tem um director. Mas é o subdiretor-geral que assume a pasta. A situação resulta de uma reestruturação efectuada pelo governo PSD/PP, reestruturação essa muito criticada, e que recuperou o que o último governo de José Sócrates tinha decidido mas não executado (já que caiu entretanto). Confuso? Sim, é mais uma trapalhada do governo José Sócrates/Gabriela Canavilhas , a que Passos Coelho/Paulo Portas/Francisco José Viegas/J. Barreto Xavier deram seguimento e executaram. O resultado está à vista. O actual Ministro é surpreendido pela situação.

Pafadas e geringonças, é o que é.

Pode repetir?

Hoje Dilma Rousseff foi deposta após votação no Senado (61 votos a favor e 20 contra). Este texto de Francisco José Viegas é esclarecedor sobre o estado a que o Brasil chegou.
O PCP classificou a destituição como golpe de Estado institucional, e segundo o mesmo comunicado o golpe agora consumado está incluído “numa ofensiva mais ampla do imperialismo norte-americano e das oligarquias latino-americanas visando recuperar posições perdidas, derrotar os processos progressistas em países como a Venezuela, a Bolívia, o Equador, a Nicarágua, destruir os avanços de integração solidária anti-imperialista que percorrem a América do Sul e Caraíbas”.

Percebe-se, a democracia para o PCP é uma táctica. Nada mais. Mas, processos progressistas na Venezuela? A sério?

Viana, vaidosa e formosa

santaluzia2Chegamos a Viana já noite cerrada, com o plano de visitar a cidade durante o dia seguinte e à noite seguir para Braga, onde já temos hotel reservado. Manhã cedo, saímos para a rua e começamos a cirandar. E, cirandando, sem dar por isso vamos ficando enredados em cada esquina que percorremos. Mais e mais aprisionados, a rendição total ao encanto ocorre no início da tarde. Anulamos a reserva em Braga, procuramos um local de pernoita nos arredores (na cidade está tudo esgotado) e dedicamos os 3 dias livres de que dispomos a Viana do Castelo e arredores.

Tal como uma mulher, uma cidade “tem que ter qualquer coisa além de beleza”. Mas ao contrário do que diz o poeta, não deverá ser “qualquer coisa de triste”, mas sim uma coerência e um magnetismo próprios. [Read more…]

Postcards from the U.S. #9 (New York)

‘One, A, triangle, blue, Mom’, the young girl said or «We’ll have Manhattan…»*

This slideshow requires JavaScript.

Diz-se que o melhor se guarda para o fim. Ou aconselha-se. Segui esse vago conselho e guardei o Central Park e o Guggenheim para o último dia em Nova Iorque. Ou seja, hoje. Embora amanhã ainda esteja aqui um bocadinho, não vou ter tempo para ver mais nada, a não ser o Empire State Building ali na esquina da 27 st East com a 5ª Avenida. Aliás, vi-o há pouco, iluminado, da esquina, pela última vez. Vinha a subir a 5ª Avenida, do Madison Square Park, mais exatamente do Eataly, que é capaz de ter sido o meu sítio favorito para jantar e para comprar comida. Se pudesse tinha provado tudo, mas aquilo é imenso e a comida e os produtos alimentares nunca mais acabam. Mas dizia eu que o melhor se costuma guardar para o final e que eu guardei para o final o Guggenheim e o Central Park. Passei o dia nestes dois sítios e se mais dia houvesse, mas tempo haveria passado, sobretudo no Central Park que é gigantesco e bonito e fresco e tinha o sol a brincar nas folhas das árvores, neste dia que foi de verão absoluto, incluindo um céu azul sem nuvens.
 
Saí do hotel não muito cedo, para apanhar o autocarro (M1, mas podia ter sido o M2 ou o M3) para o Upper East Side, onde fica, na 90ª st East com a 5ª Avenida, o museu. Apanhei o autocarro na Madison Avenue com a 30 st East. O autocarro demorou muito tempo a chegar à paragem e eu fui-me entretendo a ver as pessoas. Umas que trabalhavam, outras que, como eu, apenas passeavam. Pessoas de todas as cores e feitios e medidas, como se diz na canção do Sérgio Godinho ‘A Vida é feita de pequenos nadas’. Quando finamente o autocarro chegou, sentei-me porque a viagem era longa, atendendo ao trânsito que sempre há em Nova Iorque. Atrás de mim uma menina de uns 3 ou 4 anos brincava com a sua mãe. Esta perguntava-lhe ‘what’s your favorite number?’, ‘one’, respondia a criança. ‘What’s your favorite letter?’, ‘A’. ‘What’s your favorite form?’ ‘triangle’. ‘What’s your favorite color?’ ‘blue’. ‘What’s your favorite person?’… a criança gargalha mais e responde ‘you, Mom!’. Eu sorrio também, embora esteja de costas voltadas para elas.
 

[Read more…]

Postcards from the U.S. #8 (New York)

«My eyes could clearly see, the Statue of Liberty sailing away to sea…»*

This slideshow requires JavaScript.

Fui agora lá abaixo fumar um cigarro que ainda não será o último. Do outro lado da rua uma mulher sem abrigo preparava-se para dormir. Assisti, deste lado da rua, envergonhada, aos seus preparativos. Deste lado da rua passavam entretanto jovens bem vestidos, nos seus fatos armani ou boss, nos seus vestidos donna karan ou calvin klein, com os seus sapatos jimmy choo ou louboutin e as suas carteiras ferragamo ou louis vuitton. Não me senti envergonhada ao observá-los e isto faz-me pensar, como sempre, no facto de apenas a pobreza extrema nos intimidar quando a vemos, nós os ‘remediados’. No entanto, não sinto também qualquer desejo de ser como os jovens que passam deste lado da rua, ou seja, ter aquelas coisas. Comprá-las. Não há neste momento nada que deseje ter. Nada que deseje comprar. Isso tranquiliza-me. Sobretudo numa cidade como Nova Iorque, não querer nada, não desejar ter nada além daquilo que já se tem, é um paradoxo, quando tudo nos apela ao consumo, quando tudo é desenhado para nos despertar desejos.
 
Sei que muitas pessoas vêm a Nova Iorque fazer compras. Não penso comprar nada, além da comida, dos transportes, dos bilhetes para museus e sítios, de um ou dois presentes para quem está do outro lado do mar, e, bom, um ou dois livros e alguns maços de tabaco. Não desejo nada, além disto. É simples nada desejar. E, já o disse, é tranquilizadora esta dimensão de que nada, neste momento, nada material, me faz falta. Na verdade, bastam-me estas ruas, este skyline, estes clubes de jazz, estas pequenas livrarias, o céu, algumas nuvens brancas, ter olhos para reparar nas coisas e nas pessoas.
 

[Read more…]

Postcards from the U.S. #7 (New York)

‘Sun, Moon, Simultaneous’ or ‘It is all true’

This slideshow requires JavaScript.

‘The city that doesn’t sleep’, como cantou (entre outros) – e eu já o disse no postal número 2 – o Sinatra*, a cidade sobre a qual já vimos todos demasiados filmes, como diz Brendan Behan, no livro ‘Nova Iorque’, editado em Portugal pela maravilhosa Tinta da China, na coleção coordenada por Carlos Vaz Marques, de que sou absolutamente fã (mais da coleção, mas dele também, vá). A cidade que tem o dia e a noite ao mesmo tempo. Sun, Moon, Simultaneous, como no nome do magnífico quadro de Robert Delaunay que vi hoje no MoMa (Museum of Modern Art). Delaunay era, no entanto, francês e o quadro não se refere a Nova Iorque. Nova Iorque. É como uma feira de luxo. Mais que isso. É o ‘melting pot’ do mundo. Tudo isto é ainda Behan quem nos diz. E tem razão. As luzes e as sombras. A frenética atividade e todo o vagar do mundo. As misturas. As contradições. O sol e a lua em simultâneo.
 
De maneira que não é difícil fingir ser um ‘new yorker’. Aliás, mais do que não ser difícil é, muitas vezes, recomendável que atuemos como se fossemos daqui. Na verdade, somos todos daqui, de várias formas. Até aqueles que nunca aqui vieram. Sim, os filmes, demasiados, que já todos vimos sobre a cidade tornam-na tão nossa como se nossa fosse, tão familiar e dominável. Aconteceu-me hoje na Grand Central Station (a que se deve chamar Grand Central Terminal), mal entrei, essa familiaridade. Reconhecia tudo, ou quase tudo. O relógio, os candelabros, as bilheteiras, as escadarias este e oeste, as janelas, o teto azul como se fosse o céu. North by Northwest, de Hitchcock; Cotton Club, de Francis Ford Coppola; Amateur, de Hal Hartley; Revolutionary Road, de Sam Mendes, para citar apenas alguns dos meus preferidos.

[Read more…]

Postcards from the U.S. #6 (New York)

«In my life, I’ll love you more»* or «All you got to do is swing»**

This slideshow requires JavaScript.

Há um ano menos uns dias, escrevi um postal de Liverpool*** a que chamei ‘In my Life’*. ‘In My Life’ é uma canção dos Beatles. Saberão isso, certamente. Todos os postais de Liverpool, que escrevi então em Agosto de 2015, tinham como título uma canção dos Beatles. Fazia sentido, como é evidente. Recupero uma frase dessa canção, porque a ouvi hoje, quando passava em frente ao local onde John Lennon foi assassinado em 1980, a 8 de Dezembro. Ali perto fica o Strawberry Fields, uma área do Central Park que presta justamente tributo a John Lennon. É curioso ter sido ‘In My Life’ e não ‘Strawberry Fields Forever’# a música que ouvi ao passar por ali. E é curioso que um ano antes eu tenha escolhido esta mesma música para dar título a um postal em que falava dos sítios de que me recordo e que recordarei para sempre. É o mundo a fazer sentido, suponho eu, no meio do caos.
Por falar em música e em caos, hoje foi ‘Domingo no Mundo’## em toda a parte, exceto em Nova Iorque. Quando me levantei – tarde – e fui fumar um cigarro lá abaixo, parecia ser domingo também em Nova Iorque. Havia calma, um sol acolhedor e uma brisa que percorria suavemente a 27 st. East. Fumei o cigarro e reentrei no hotel. Falei com uma pessoa que não se compara a nenhuma outra, na minha vida (e sim, estou a citar de novo a canção dos Beatles) e quando voltei a sair, todo o domingo tinha desaparecido de Nova Iorque e, em vez dele, um dia qualquer da semana se tinha instalado, tal como o caos. Havia uma parada por ser o ‘Dia da Índia’. Tambores, música, carros alegóricos percorriam a Madison Avenue. O trânsito tinha-se tornado absolutamente indomável. Nada a fazer. O domingo tinha fugido para qualquer outra parte. Dele tinha apenas sobrado o sol e a brisa fina.

[Read more…]

Postcards from the U.S. #5 (New York)

‘What do you mean? «My people»?’… and ‘some of you call it jazz, but it is not jazz, it is blues’

This slideshow requires JavaScript.

Ontem à noite cheguei tarde a casa. A casa quero dizer, aquela que é a minha casa por 8 noites em Nova Iorque, o The Evelyn, um hotel bonito, limpo, extremamente bem localizado, mas cujo elevador demora dois dias a trazer-nos do átrio, onde há sempre excelente jazz, até ao nono piso, onde me encontro. O meu quarto é espaçoso. Na cama caberiam umas 4 pessoas como eu, à vontade e deve ser uma das mais confortáveis camas em que já dormi na vida. A vista, porém, não é grande coisa. Dá para um prédio, igualmente alto e isso faz com que , pelas grandes janelas, não entre muita luz.
 
Cheguei tarde porque fui ao Bar 55, na Christopher st. Um bar de Jazz & Blues, muito recomendado, onde tocam habitualmente nomes muitíssimo recomendáveis do jazz e dos blues. O Bar 55 – que fica sem surpresa na West Village, ou na fronteira entre este bairro e o Greenwich Village – ao contrário dos grandes bares de jazz que eram (e ainda são) famosos nos anos 50, como o Village Vanguard, o Birdland e o Blue Note, é um clube despretensioso, onde a cerveja custa 7 dólares, barata para os padrões nova iorquinos, portanto. Decidi que, por muito que gostasse, não tenho dinheiro para os bares de jazz que se tornaram agora lugares turísticos. O Bar 55 não é um lugar turístico e agradeço aos céus por isso. Fica numa cave, fresca, tem um ambiente absolutamente nova iorquino e, ontem pelo menos, eu devia ser uma das poucas turistas que lá estavam. Sweet Georgia Brown* foi a cantora de blues que ontem animou a minha noite. E de que maneira. A banda que a acompanhava era excelente e não se pode pedir mais de um clube de jazz & blues, se não isto. Hei-de experimentar, antes de me ir embora, o Smalls. Para ouvir jazz e não blues, como ontem à noite.
 

[Read more…]

Postcards from the U.S. #4 (New York)

‘It was like a mountain falling on us’… or… where were you on 9/11?

This slideshow requires JavaScript.

Visitei hoje o Memorial e o Museu do 11 de setembro. Passam, daqui a menos de um mês, 15 anos sobre os acontecimentos terríveis que o originaram. Independentemente do que podermos pensar sobre a política americana, sobre o modo como os Estados Unidos fazem política, penso que concordamos todos que os acontecimentos foram isso mesmo: terríveis. Lembro-me perfeitamente onde estava no momento em que as ‘torres gêmeas’ foram atacadas, com quem estava e o que estava a fazer. Lembro-me de ver as torres serem atacadas, de as ver cair. Provavelmente lembramos-nos todos. Não foi apenas o skyline de Nova Iorque que mudou, mas a paisagem de cada um de nós, suponho (sim, sei bem o que se pode dizer sobre outras paisagens e outros horizontes e estou de acordo com isso, mas não é disso que quero falar agora, neste momento em que escrevo este postal, à uma da manhã, no meu quarto de hotel, no coração de Manhatan).
 
O memorial é extraordinariamente comovente, com as duas ‘piscinas’ no lugar das torres, com as suas cascatas cujas águas se escoam para um buraco quadrado bem no centro de cada uma, como se escoaram as vidas dos milhares de pessoas que morreram naquele dia. Lembro-me das pessoas a voarem sem serem pássaros. E do desespero que tal deve ter representado para cada uma delas. Como Sylvia Pio Resta e o seu filho por nascer. Ou como Charles Vandevander. Ou Elsy Carolina Osorio. Podia continuar infinitamente. Como continuam os nomes inscritos no memorial. Infinitamente. Em alguns desses nomes há rosas brancas e é comovente. Tão comovente como a carta que George escreveu apressadamente à sua mulher e aos seus filhos, momentos antes de morrer na torre sul. ‘I always loved you, Barbara, and you, kids, be good and do always good things’.

[Read more…]

Postcards from the U.S. #3 (New York)

The truth and nothing but…

This slideshow requires JavaScript.

… about New York é que tudo parece familiar. Demasiados filmes do Woody Allen (entre outros), é o que é. Ontem à noite estava demasiado cansada para escrever o postal. Andei bastante, embora não tenha saído praticamente da 5ª Avenida, entre a 27 st e a 52 st., com uma incursão a Bryant Park e à Times Square. Vi, portanto bastantes das atrações mais populares de Nova Iorque. Resolvi despachar o folclore no primeiro dia: o Empire State Building, o Top of the Rock, a Times Square e, menos folclore, a NY Public Library e a Igreja de St. Patrick.
 
Saio do hotel, quase na esquina da 27 st com a 5ª Avenida – uma localização perfeita, limpo, confortável, arejado – para me dirigir primeiro ao Empire State Building que vejo mal dobro esquina. O edifício é imponente. As filas também. Mas compensa tudo quando se chega ao topo. A vista é sublime. Hei-de regressar depois das 11 da noite e é como nos filmes: quase esperamos ver um pedido de casamento ou um reencontro romântico entre dois amantes desencontrados. A lua quase quase cheia ajuda a criar o cenário. É sublime. Tenho pena que as fotografias noturnas – ainda tenho de aprender a mexer melhor na máquina – não façam jus ao que os olhos vêem.

[Read more…]

Shiny happy women laughing

 Catarina Veiga Miranda


Acabo de ler um artigo giríssimo sobre Chaunte Lowe, a atleta norte-americana, favorita em High Jump.

É a modalidade que Gosto de ver embora me tenha escapado olimpicamente desta vez. Nunca me interessou reparar na competição em altura. Estou a ver mulheres a voar e do sofá (ou da cama) parecem plena e finalmente felizes. Vê-las é uma Pedra.
Também sinto essa satisfação quando as vejo em desportos de equipa sobretudo futebol onde me emociono como no futebol (uma modalidade que passo o ano a detestar, literalmente, por estar em todo o lado sem qualquer alternativa)

Mas vejo-as libertas e a voarem.
A superarem-se a cada centímetro a mais que voam e sentem Prazer. Não me interessa o esforço, o sacrifício, o doping, ou as chatices…vejo-as só.
Haverá outras modalidades intelectuais que dão prazer (uma doce teima que tinha com d.)
Mas no Desporto nota-se muito. É físico.
Não há nada mais Giro e Compensador e Esperançoso do que ver mulheres felizes mesmo que sejam do Olimpo. Uma verdadeira inspiração para o comum de nós…de mim.
Elas dizem: “é Possível”

A lei? Olha quem fala…..

“As leis são boas consoante quem as aproveita”. E cumpri-las? Pois é, lembrei-me logo da Barragem do Tua!