Postcards from the U.S. #2 (Washington D. C.)

‘Life is like a short movie and your smile is like a million dollars’, the ethiopian taxi driver told me

 

This slideshow requires JavaScript.

Devo sair do hotel às 11h da manhã, Não sei por que razão, mas o despertador não toca às 9h e meia… e eu acordo um bocado sobressaltada às 10h. Despacho-me e saio. Deixo as malas no hotel. Afinal ainda tenho algumas horas até ao comboio que me há de levar até Nova Iorque. Apanho um taxi em frente ao hotel para Georgetown, a viagem é curta e o preço é bastante barato. O taxista é falador e, venho a descobrir mais tarde, filósofo e poeta. Já não sei como a conversa começa, suponho que me perguntou de onde vinha eu. Disse-lhe. Ele não falou no Cristiano Ronaldo o que me pareceu logo um ponto a seu favor. Queria saber como era o país, a economia. Lá lhe contei resumidamente a situação. Perguntei-lhe de onde era. Da Etiópia, mas cidadão americano. Claro. Todos os taxistas, seja lá de onde forem originalmente,, me têm dito com orgulho que são cidadãos canadianos ou americanos, conforme o local onde me encontre.
Pergunta-me se gostei de Washington D. C., o que vi, etc. Fala bastante e é realmente simpático. Digo-lhe que vi isto e aquilo e aqueloutro e que agora queria dar um passeio de barco no rio Portomac e ver um bocadinho de Georgetown. Acha que faço muito bem. Que Georgetown é muito bonita e muitas pessoas importantes têm aqui vivido. Deixa-me junto ao porto. Pago-lhe (é bastante barato) e quero deixar-lhe uma gorjeta (aqui as gorjetas são quase obrigatórias): Além do que lhe paguei, só tenho 2 dólares, de dinheiro ‘pequeno’. Dou-lhos e digo que desculpe não ser muito mas que (como lhe expliquei) o meu país está numa situação económica complicada. Vira-se para mim e diz ‘a senhora’, assim em português e tudo, perguntando ‘lady is a senhora, right?’. ‘Right’. Continua dizendo que o dinheiro não interessa muito, que a vida ‘is like a short movie, you know’?. Que o que é importante é a saúde, a família, os amigos. Quando ele diz que a vida é como um ‘short movie’ rio-me’ e ele acrescenta à lista das coisas importantes: ‘your smile, you know? That is a million dollars’ smile’! Rio-me mais. E despeço-me. Ele pergunta como se diz em português ‘have a nice day’, digo-lhe ‘tenha um bom dia’ e ele repete.

[Read more…]

Postcards from the U.S. #1 (Washington D. C)

‘Freedom is not free’ and a ‘stone of hope’

This slideshow requires JavaScript.

De manhã, com o sol a entrar por entre as frestas dos estores das duas janelas do quarto, e depois de ter dormido algumas horas, o hotel parece-me muito menos mau que ontem à noite. No entanto, não é bom. É limpo e a cama é razoável e, já o disse ontem, tem ar condicionado. Chega para duas noites. Também não tem, como uma boa parte dos hotéis nos Estados Unidos, pequeno almoço incluído. Assim, saio do hotel e tomo o pequeno almoço no Starbucks mais próximo. Isto é um Starbucks em cada esquina, sempre idênticos, sempre com as mesmas coisas. O expresso é razoável, já o disse. E isso, por agora, tem de me chegar. Em frente ao hotel fica a Igreja dos peregrinos com uma torre muito alta e uma escultura bem bonita de Taras Shevchenko, poeta ucraniano. A estátua visa honrar o poeta que lutou pela liberdade no seu país. Porque está ali, não compreendo exatamente, mas, repito, é uma estátua bem bonita.
 
A área em redor do hotel, muito próximo de Dupont Circle, é afinal bastante agradável, com cafés e restaurantes e passeios largos e casas baixas. Aliás, os edifícios não são geralmente muito altos aqui. Batsante diferente de Toronto, a cidade e, seguramente, muito diferente de Nova Iorque. Basicamente a cidade vive de e para a política. Todas as instituições relevantes se concentram aqui: o tesouro, a casa branca, o banco dos Estados Unidos, o quartel-general do FBI, etc, etc, etc. Isso é dezenas de memoriais, a todos os presidentes mortos, a alguns senadores, a batalhas, a cientistas, a poetas estrangeiros como já se viu… Washington é a cidade da política e dos memoriais. Está visto.

[Read more…]

Postcard from between Niagara Falls and Washington D.C.

‘You are all set to go’ or ‘welcome to the land of the free and the home of the brave’

This slideshow requires JavaScript.

Levanto-me às dez da manhã em Niagara Falls, com a vista absolutamente delirante das American Falls, ali mesmo à minha frente. Tomo banho, constato que tenho cada vez mais borbulhinhas de que não sei bem a origem (alergia ao calor, provavelmente… nunca me tinha acontecido) e saio para tomar o pequeno almoço. Tenho de fazer o check out até ás 11h, por isso despacho-me e regresso ao hotel. Pago e fico um bocado no átrio, à espera que sejam horas do meu autocarro para Burligton, onde hoje apanharei o comboio para Toronto. Não havia comboios diretos à hora que pretendia regressar e esta foi a solução encontrada.
 
O taxista que me levou a mim e ao trambolho que me acompanha, agora já com muita roupa suja dentro, fez um caminho diferente do de ontem. Não me falou no Cristiano Ronaldo e conduziu em silêncio. Até que eu lhe disse que o caminho por onde seguíamos, junto ao Niagara Parkway primeiro e depois serpenteando o rio, era muito bonito. Disse que sim e que todos os dias fazia dezenas de viagens por ali mas que lhe era impossível não ficar embasbacado a olhar para as cataratas. É mesmo. São poderosas. Já o disse ontem. E maravilhosas. E torrenciais, como convém a cataratas.
 
Apanho o autocarro, em frente à estação de caminhos de ferro. A viagem dura cerca de uma hora. Em Burlington a estação está em obras e não é muito agradável. O comboio das 14h07 foi cancelado, anuncia uma voz mecânica aos passageiros da plataforma 3. Teremos de apanhar o próximo, às 14h37, para a Toronto Union Station. Para ali ficamos. Fumo uns dois ou três cigarros. Ninguém me recrimina. O tempo está agradável, sem estar muito calor. Corre mesmo uma vaga brisa na estação. O comboio chega. É diferente do que tomei ontem, o rápido para Nova Iorque. Mais tarde neste dia hei-de arrepender-me de não ter apanhado hoje esse comboio, ou amanhã. Mas agora ainda não. A viagem de comboio dura mais uma hora. É simpática. Sossegada. Dá para ir apreciando a paisagem. Adoro viajar de comboio, já se sabe. Lamentavelmente tomei uma decisão errada: voltar para trás, para Toronto e apanhar o avião para Washington D. C. no aeroporto Billy Bishop, no meio do lago.
 

[Read more…]

Postcards from Canada #7

‘A raging torrent of emotion, that even nature can’t control – Niagara’*

This slideshow requires JavaScript.

Há um filme de 1953, de Henry Hathaway, cujo trailer* começa assim… uma torrente de emoções que nem a natureza pode controlar… ao mesmo tempo que vemos as águas precipitando-se furiosa e descontroladamente formando as cataratas do Niagara. O filme tem, entre outros, Marilyn Monroe no papel de vilã. Há uma fotografia tirada durante a rodagem desse filme, no Tower Hotel, o mesmo onde estou. O restaurante do 26º piso chama-se também Marilyn.
 
Eu estou no 27º piso do Tower Hotel que basicamente parece um depósito de água. Uma coluna altíssima onde apenas existem os elevadores e no cimo dela 4 ou 5 andares, em redondo, formam o hotel. Quando reservei vi a torre, mas não me apercebi que o hotel era a própria torre. Reservei igualmente um quarto com ‘city view’, porque os com ‘falls view’ eram demasiado caros. Qual não foi, assim, o meu espanto, quando entrei no quarto, que é praticamente todo envidraçado, e dei de caras com as cataratas. Não as Horseshoe falls, as canadianas, mas as mais modestas (mas não menos impressionantes) American falls. Ganhei o dia e esqueci as vertigens. Passei longos momentos sentada no parapeito interior da janela a olhar para aquilo e a pensar ‘que maravilha’. É, de facto, uma maravilha a vista. Ainda há bocado as cataratas iluminaram-se de várias cores e eu estava feita parva, de boca aberta, do alto do depósito de água a olhar para aquilo e a sentir um misto de admiração e crítica.

[Read more…]

Postcards from Canada #6

‘One word isn’t all I am’

 
O Congresso acabou hoje. Da parte da tarde moderei as duas sessões do segundo grupo de trabalho que organizei com o Pavel que (creio que já o disse) não pode vir. A sessão é sobre os imaginários urbanos acerca do mundo rural e a forma como os mesmos moldam os territórios locais. Há apresentações da Irlanda, do Japão, da Islândia, dos Estados Unidos, da República Checa e a minha, de Portugal. É interessante observar que os processos e as dinâmicas de reconfiguração, por um lado, e as representações sociais (urbanas principalmente) sobre o rural, são idênticos em toda a parte. É a globalização, estúpida! Claro. Ou o McRural*, como eu gosto de lhe chamar. As apresentações são interessantes e a discussão, especialmente na última sessão, mais ainda. Fico contente com isto. Gosto do meu trabalho, e de trabalhar no que gosto, já se sabe. Gosto tanto que muitas vezes (talvez demasiadas, embora ultimamente menos) ocupo os meus ‘tempos livres’ a trabalhar.
 
A seguir ao fim do Congresso, resolvo vir a pé até ao hotel, com a desculpa de que, como hoje choveu em Toronto, está mais fresco e o passeio de cerca de 20 minutos far-se-á bem. De facto, choveu em Toronto e parece que se respira melhor nas ruas e que o ar não está tão pesado. Mas foi um erro vir a pé. Primeiro porque me enganei, por incapacidade de localizar o norte onde quer que me encontre. Quando dei por mim, tinha ido justamente para norte quando deveria ter caminhado para sul. Mal me apercebo do erro, uns 4 quarteirões depois, volto para trás pela Yonge st., passando novamente a Dundas Square e caminhando em direção à Queen st East. Quando chego a esta rua apercebo-me também do outro erro: não está mais fresco em Toronto. A humidade faz, juntamente com o calor, um efeito de sauna e estou a transpirar abundantemente (como, creio, nunca transpirei na vida). Sabe-se que não devemos estar numa sauna mais de 10 minutos seguidos, ao fim dos quais devemos tomar um duche frio. Pois. No meio da Queen st East não há, infelizmente, duches e a chuva parou de cair já há umas horas.
 

[Read more…]

Postcards from Canada #5

26 feels like 36, Art, Live Jazz, Cristiano Ronaldo and Spring Rolls

This slideshow requires JavaScript.

Está um calor insuportável em Toronto, desde que cheguei. Um calor com excessiva humidade que torna impossível caminhar sem nos desfazermos em água. O calor agrava-se perto dos edifícios, provavelmente por causa de tanto aparelho de ar condicionado. Sei que dificilmente se sobreviveria aqui sem ar condicionado mas é estranho pensar que aquilo que nos refresca contribui também para que as ruas se tornem mais quentes.
Toronto não é por muitas razões uma cidade agradável. Quero dizer, é uma cidade agradável mas contém (como todas as cidades) muitas contradições. As obras em muitas ruas, por exemplo. Os sem abrigo nos parques e nas ruas. O mau cheiro que se sente em demasiados sítios. As ‘traseiras’ de algumas ruas principais, com os seus parques de estacionamento, os seus espaços vazios, as suas casas em ruínas ou danificadas, que são como feridas abertas na modernidade ‘clean’ que sentimos ter a cidade, ao primeiro olhar.

[Read more…]

Era uma questão tempo até um oportunista tentar tirar proveito político da desgraça

Marco António Costa a insinuar que os fogos se devem a menos Marco António Costa fez parte de um governo que esteve envolvido num esquema de corrupção quanto aos meios aéreos, em investigação no DIAP de Lisboa e envolvendo Miguel Macedo, ex-ministro da Administração Interna. Agora insinua que os actuais fogos se devem ao um corte no orçamento da Protecção Civil. Quando o título da notícia é claro: “Meios aéreos na Protecção Civil permitem corte de 24 milhões nas despesas do MAI“. E, no próprio artigo citado por Marco António Costa, lê-se que “o corte mais significativo neste ministério ocorre na área da Protecção Civil, que regista uma poupança de 24 milhões de euros, a maior parte dela justificada pelo fim da Empresa dos Meios Aéreos que, pela primeira vez, não aparece no Orçamento do Estado.” Eis o oportunismo desmascarado, já anteriormente ensaiado pelos deputados Carlos Abreu Amorim e Duarte Marques.

[Read more…]

Postcards from Canada #4

The best is yet to come or my future life at Ikaria, in Greece

This slideshow requires JavaScript.

 
Hoje levantei-me ainda mais cedo que o costume. Eram 7 da manhã e estava eu a pé. Desculpem tantas menções à hora de levantar. Já se sabe que sou noctívaga e estas horas parecem-me tão absurdas que tenho de falar sobre elas. Claro que 7 da manhã aqui equivale ao meio dia em Portugal. Novamente, suponho que afinal os meus hábitos não tenham sofrido grandes alterações. Apenas mudei de localização e fuso horário.
 
Levanto-me a estas horas porque tenho hoje, a partir das nove, a responsabilidade de moderar uma das duas Sessões de Trabalho que co-organizei com o Pavel (que não está em Toronto). A outra será no sábado de tarde. As apresentações correm bem, pese embora a reduzida audiência. O Congresso Mundial de Sociologia Rural tem mais de 70 Sessões de Trabalho e diante de tanta oferta há evidentemente uma grande dispersão dos congressistas. Ao meio dia termina esta Sessão de Trabalho sobre os impactos do turismo rural nas comunidades locais e saio para o sol abrasador da Dundas St West. Caminho uns escassos minutos até à Dundas Square – aparentemente a Times Square de Toronto – e como por ali uma coisa qualquer até serem horas de voltar ao congresso.

[Read more…]

Postcards from Canada #3

Black squirrels, Real Utopias, the Best Country in the World and… Little Portugal

This slideshow requires JavaScript.

Também hoje o dia começa cedo. Acho que me habituei bem à diferença horária, devido ao facto de ser noctívaga. Finalmente encontrei uma parte do mundo onde poderia aparentemente ter horários como os das outras pessoas.
Assim, são 8 da manhã quando salto da cama. Depois do pequeno almoço rumo ao G for Gelato, um sítio aqui mesmo à beira do hotel, no cruzamento da Jarvis st com a Adelaide st East que descobri ontem à noite depois de me ter enganado na rua para onde queria ir. Há acasos felizes. Este foi definitivamente um deles. Um café expresso excelente em vez dos baldes de água suja que te servem noutros sítios, incluíndo no próprio hotel. Ontem maravilhei-me diante do anúncio do café e perguntei ao empregado: ‘is that real expresso?’. Ele tirou-me um e disse: ‘depois diga-me o que achou’. Bebi um gole e exclamei: ‘just perfect’. De facto. Tão perfeito que hoje lá voltei a saboreá-lo e palpita-me que nos próximos dias assim será. Saí do café, fumei um cigarro no banco que têm à porta e segui pela Jarvis st abaixo até reencontrar o St. Lawrence Market para voltar a apanhar o autocarro turístico (já que o bilhete era de 48 horas). Saio duas paragens depois no Distillery Historic District que me tinha ficado debaixo de olho no passeio de ontem.

[Read more…]

Jornal PÚBLICO adopta novo design

PUBLICO novo design

Parece que o objectivo consiste em colocar em sintonia o grafismo com o texto.

Respondendo aos deputados Duarte Marques e Carlos Abreu Amorim

duarte marques

Imagem de um tweet dos dois deputados em causa (original)

“O que aconteceria se esta notícia de primeira página tivesse sido há um ano?”, pergunta-se no tweet comentado (!) pelo deputado Carlos Abreu Amorim e retweeted pelo deputado Duarte Marques.

A resposta é simples, caros doentes de amnésia fulminante. Possivelmente teria acontecido menos alarido.

Assuntos aparentemente menores, que não ocupam grandes espaços da comunicação social, seja escrita ou audiovisual, e por isso têm pouco impacte na opinião pública, podem porém ser matérias da maior importância em termos de futuro, de longo prazo – aspectos de que as governanças portuguesas são pouco adeptas. O curto prazo é muitas vezes mais importante que uma decisão sábia de longo termo. E os fogos são exemplo disso.

A extinção dos Serviços Florestais levada a cabo pelo Governo PSD/CDS não levantou qualquer reacção pública; o afastamento entre os cidadãos e a res publica, desejado e promovido pelas derivas liberais daqueles partidos, conduziu ao encolher de ombros da maior parte das pessoas. [Fernando Santos Pessoa, PÚBLICO, 10/08/2016]

Para quem não esteja a par, a capa em causa é esta: [Read more…]

A lição islandesa em 37 segundos

via Abril de Novo Magazine@Youtube

Postcards from Canada #2

More than enough

This slideshow requires JavaScript.

Amanheço cedo demais. Ainda não são 8 horas e já estou de olhos abertos. Bem sei que em Portugal é uma da tarde. O meu relógio biológico adaptou-se, parece-me, bem às cinco horas a menos. Depende sempre tudo da perspetiva, evidentemente, e talvez eu tenha amanhecido tarde, afinal.
Mas para o Canadá e para os meus hábitos – não considerando a diferença horária – amanheço cedo. Tomo um pequeno almoço que não sei qualificar muito bem. Não é que seja mau, mas é apenas estranho. Para os meus hábitos, uma vez mais. Saio do hotel em direção ao St. Lawrence Market, descendo a Jarvis Street para encontrar a Front Street East. Era bom que eu soubesse sempre os pontos cardeais, mas não sei. Creio que aqui isso me trará alguns dissabores. Hoje não. Está uma manhã gloriosa. Um céu absurdamente azul, um calor que promete aumentar bastante (e assim acontecerá). Entro no mercado e está fresco. É muito organizado. Tem de tudo, como geralmente têm os mercados. Flores (girassóis a 10 dólares!), carne, peixe, fruta, pão… Ando por ali até serem horas do autocarro turístico. Apanho-o e vou por Toronto fora, quase sempre de pescoço esticado e cabeça para trás. É imperativo andar de cabeça para trás em Toronto, tal o tamanho dos edifícios. Pareço uma provinciana – sou uma provinciana – a pasmar-me incessantemente com aquilo tudo.

[Read more…]

Postcards from Canada #1

A room with a view on the 11th floor, in downtown Toronto

Cheguei ao Canadá há cerca de 3 horas e ainda vi pouco ou nada e fotografei menos ainda. Estou a pé há 18 horas, viajei não sei quantas mais, fumei poucos cigarros, perdi 5 horas a caminho, conheci uma açoreana – agora cidadã do Canadá – que me ajudou muito a passar o longo voo até aqui e a esquecer a nicotina, entre frases semeadas de inglês e pastilhas elásticas de morango… e a quem não perguntei sequer o nome (nem ela a mim, diga-se).

[Read more…]

A foto do dia

FB_IMG_1470764978327Roubada no Facebook de alguém. Desconheço o autor. Se alguém souber quem é, por favor avise. Merece ser conhecido.

O silêncio é de ouro versus conversa da treta

O que disseram o 1º Ministro António Costa e o líder do PSD Pedro Passos Coelho sobre o caso das viagens dos Secretários de Estado (deste governo) e dos deputados (do PSD)  ao Campeonato da Europa de Futebol?

E o que disseram Catarina Martins e  Jerónimo de Sousa?

Citando Arnaldo Matos “Isto é tudo um putedo!

Correio do saque

CM

Imprensa sensacionalista e manipuladora em todo o seu esplendor. Deontologia no caixote do lixo. Mais um dia normal na redacção do Correio da Manhã.

Lixo jornalístico via Os truques da imprensa portuguesa

Quem te manda a ti sapateiro tocar rabecão?

A questão da isenção do IMI no  Património Cultural continua na ordem do dia. Mais uma vez grassa a ignorância, a confusão, e claro, a incompetência. Sobre este assunto da isenção do IMI nos chamados Centros Históricos há que esclarecer o seguinte:

-a Lei dos Benefícios Fiscais não isenta qualquer Centro Histórico de IMI;  a lei determina que o Património Cultural (igrejas, castelos, palácios, casas senhoriais, quintas, centros históricos ) classificado como  Monumento Nacional  (muitos deles propriedade privada) estão isentos de IMI, e o Património Cultural classificado individualmente como de Interesse Público. Quer isto dizer que se porventura há um Centro Histórico que seja classificado como de Interesse Público, os bens situados nesse espaço não estão isentos de IMI, salvo se cada uma das parcelas (casas, terrenos) fosse classificada individualmente.  Pelo contrário, se há algum Centro Histórico que é classificado como Monumento Nacional, todos os bens (casas, terrenos) deverão ser, à face da lei, isentos de IMI; [Read more…]

O fumo, o fogo e o PÚBLICO

2016-07-24 publico-capa

Capa do PÚBLICO de 24/07/2016 (ontem), a destacar uma notícia que já tinha sido desmentida

A direcção editorial do Público pergunta “Bruxelas e Portugal: há fumo sem fogo?“. Nós não sabemos mas este diário parece ter um fósforo na mão.

“No sábado, uma carta assinada pelo vice-presidente da Comissão Europeia, o finlandês Jyrki Katainen, gerou uma onda de afirmações e desmentidos”, lê-se no PÚBLICO, sendo que este jornal apenas deu eco às afirmações. E regista que a carta “cumpriu o objectivo: manter a pressão e instalar um clima de nervosismo” e que o “cumpriu”. E, concordando com a observação, é legítimo acrescentar que o jornal foi um dos instrumentos primários dessa pressão. [Read more…]

A nova Praça do Império (otomano)

 

10_stalin_retoque

Foto retirada daqui

Notícias recentes dão conta da alteração dos jardins da Praça do Império. Não devemos ter complexos com a História e com o passado. Questionar o passado? Sim, sempre. Estudar o passado? Sim, sempre. Apagá-lo? Não. Isso é o que muita gente durante a História recente fez e continua a querer fazer. Seja de um passado recente (troika, austeridade, etc.) seja de um passado mais remoto. É triste.

Crónicas do Rochedo VIII – Nós não somos alemães.

Tenho para mim que Pedro Passos Coelho é um homem sério e um político que acredita piamente no seu conceito do que deve ser Portugal. O problema pode estar no “seu” conceito.

Olho para a sua entrevista mais recente com a devida distância de quem não estando muito longe também não está perto. Como não sou nem bruxo nem adivinho não sei nem faço a mínima ideia se ele está certo. Penso saber que está a falar com toda a convicção, de quem acredita que o caminho é aquele. O futuro dirá se a razão está do seu lado. Eu não o posso dizer. Por desconhecimento do futuro. O que sei é outra coisa. Nós não somos alemães. Para o bem e para o mal.

Hoje lido diariamente com alemães. E o que vejo é diferente daquilo que deles pensava, daquilo que deles nos é dado pela comunicação social e pelas “ideias feitas”. Trabalham mais que nós, portugueses? Não. São mais produtivos que nós? Não. Quando muito serão mais focados, mais pragmáticos e mais cumpridores do “by the book”. Neles não encontro o “desenrasca”. Não encontro o improviso. Nesse ponto são diferentes de nós. Mas… a realidade mostra que os alemães com forte poder financeiro gostam do nosso estilo de vida. Gostam do clima de Maiorca, do sul de Espanha, de Itália, da Grécia, do Algarve, de certas zonas de sul de França. Aqui em Maiorca chega-se ao ponto de serem donos de quase tudo na ilha – supermercados, restaurantes, bares, lojas, dos espaços de animação cultural, casas, hotéis médios e pequenos, jornais e rádios, entre inúmeros negócios. E fogem ao fisco. Que latinos que eles são…

[Read more…]

Respect! Nós somos os improváveis

portugalhoquei.artigo

Confesso que todas as conquistas portuguesas me enchem de orgulho, sejam elas no desporto, na ciência, na cultura, na literatura, nas artes. Em todos os campos. Embandeirei em arco com as conquistas do futebol, desporto-indústria de milhões; como do atletismo e do hóquei em patins, desporto de milhares; como das artes marciais, desporto de tostões; como do desporto adaptado e as dezenas de medalhas de Lenine Cunha, desporto sem soldo.
Adoro destruir bestas negras, nem que seja à custa de ridicularizar bestas-quadradas. No futebol, foi a França; no hóquei em patins, a Espanha e a Itália, ambas despachadas, a seu tempo, com chapa seis. [Read more…]

Golpada CETA? ou Não, a Comissão não quer aprender

malmström cetaFoto: EurActiv

Mas a que espectáculo estaremos nós a assistir??? – pergunta-se apreensivo quem estiver a seguir o processo que, segundo intenção determinada da Comissão, deverá levar à assinatura e celebração do CETA (Acordo Económico e Comercial Global) entre a UE e o Canadá.

Poucos dias após o referendo sobre o Brexit, Juncker e a sua Comissão declararam peremptoriamente o CETA como Acordo “EU only”, ou seja, da exclusiva competência da UE e, portanto, a ser decidido em Bruxelas, com ratificação no parlamento europeu.

Porém, devido aos fortíssimos protestos de uma larga camada de cidadãos esclarecidos que se opõem ao CETA – assim como ao TTIP e TISA – em países como a Áustria, França, Alemanha ou Luxemburgo, os seus governantes não quiseram arriscar o conflito. E foi uma catadupa de reacções contra o plano da Comissão, exigindo a ratificação do CETA pelos parlamentos nacionais. [Read more…]

O que é preciso para ser feliz?

wp-1468068692330.jpg

Amor, um peixinho na brasa e uma motorizada Sachs.

Jornal de referência…….

O Público de ontem trazia um extenso trabalho sobre o caso do Museu da Presidência da República. Nem uma palavra quanto ao facto do não cumprimento da lei no gasto dos dinheiros públicos.

À margem da lei

A semana passada soubemos que o Director do Museu da Presidência da República foi detido pela PJ. Em causa uma série de suspeitas de crimes de corrupção, peculato e participação económica em negócio. Ainda terá beneficiado algumas empresas na contratação de bens e serviços, lucrando directamente com esses negócios.
De 2006 a 2015 teve à disposição um montante anual significativo. Em média 1,3 milhões de euros por ano. Não é coisa pouca. Como o dinheiro foi gasto não sabemos. Mas deveríamos saber.
Todos os organismos da Administração Pública (Central, Regional e Local) são obrigados a publicitar no portal www.base.gov.pt a contratação de bens, serviços e obras, nomeadamente os montantes, o tipo de contratação e quem contratam. Essa obrigação permite aos cidadãos “fiscalizarem” onde o dinheiro público anda a ser gasto. A Presidência da República nunca o fez. Foi várias vezes inquirida e o caso denunciado publicamente pelo blog madespesapublica.blogspot.com .
O ex-Presidente Aníbal Cavaco Silva não cumpriu nem fez cumprir a lei. E o actual Presidente? A ver vamos, como diz o cego.

Crónicas do Rochedo VII – Europa

12465828_1648041548790859_7850511084316870101_o

Chovem pedras na vidraria

Estava aqui a olhar para esta vista e a pensar que ando a falhar ao treinos do Aventar. E a distância não é desculpa bastante. Entretanto um aventador casou e resmas de outros fizeram anos. E por estes dias o mundo, pelo menos aquele que nos é mais próximo, mudou e muito.

Em terras de Sua Majestade o povo falou. Escolheu seguir outro caminho. Tenho lido e ouvido muitas opiniões sobre este referendo. Que votaram sem saber bem o quê (tenho que tal até pode ser verdade no caso de uma pequena maioria mas não façam do povo estúpido), que a culpa é de Bruxelas e dos seus burocratas (lá ajudar, ajudou), e eu sei lá que mais culpados e razões encontraram. Uma coisa tenho como certa: independentemente do resultado, aplaudo o facto de terem feito um referendo. Assim ninguém vai ao engano.

O resultado só veio confirmar a enorme, gigantesca crise europeia. E não estou a falar de economia. Estou a falar de valores, de civilização. Em praticamente todos os países europeus cresce o extremismo. Tanto o de direita como o de esquerda. Fico espantado ao ver que até em Inglaterra se verifica uma clivagem perigosa entre gerações. Os mais novos dizem que foram os mais velhos que escolheram o caminho da saída. Os mais velhos afirmam que o problema é o desconhecimento e a falta de experiência dos mais novos. Vi, li e ouvi discursos inflamados de uns e outros, o mesmo género de palavreado que ouvi em Portugal sobre as reformas e a crise, a dívida e o futuro para as novas gerações. Cá como lá, uma divisão geracional destrutiva e estúpida. Estamos a assistir a um espectáculo dantesco: chovem pedras entre telhados de vidro.

[Read more…]

Não, os ingleses não foram aos magotes pesquisar no Google o que é a UE

brexit

Na sexta-feira, estava o abanão do Brexit ainda fresco quando o Washington Post escrevia que “muitos britânicos poderão nem saber em que é que votaram”, num artigo com um título desdenhoso afirmando “Os britânicos estão a pesquisar freneticamente  sobre o que é a UE, horas depois de votarem pela saída“.

No entanto, a notícia espalhada pelo Washington Post, e amplamente disseminada, é falsa. Este jornal baseou-se num tweet gerado pela ferramenta Google Trends, a qual analisa em tempo real o que é que as pessoas estão a pesquisar. [Read more…]

Brexit

wp-1466755739198.jpg
A direita e  a extrema-direita podem voltar a acreditar.

TDT – Televisão de Todos*

Estamos no ano de 2016 D.C. e toda a Europa tem uma política para a Televisão Digital Terrestre (TDT) que garante a distribuição universal de televisão a toda a população. Toda? Não. Há um país, povoado por irredutíveis portugueses, que resiste aos ganhos de cidadania, de coesão e de integração social, assim como à dinamização do mercado audiovisual, resultantes de tal solução.

tdt 1

fonte: Observatório Europeu do Audiovisual

Com 5 canais na TDT, olhamos para o quadro acima e espantamo-nos com os 118 canais da Itália (67 dos quais sem custos para o espectador), 85 da Inglaterra (81 são gratuitos), 43 da Alemanha (41 não são pagos), 40 da França (31 em acesso livre) ou com os 27 em Espanha (só um é pago). E verificamos que podem existir 39 canais na TDT austríaca (13 em aberto), 26 na checa (todos de acesso livre), 25 na eslovaca (13 free-to-air), 17 na cipriota (11 grátis), 13 na búlgara e na grega (esta com apenas 2 canais pagos), ou mesmo 10 na belga ou na irlandesa (todos de acesso livre), para falar de países com população e dimensão de mercado semelhantes ou inferiores ao nosso.

As razões para esta discrepância são, no entanto, muito claras: as políticas públicas para a comunicação social têm sido sucessivamente negligenciadas e a regulação sectorial encontra-se, nesta área crucial, capturada pelas conveniências do sector das comunicações e pelos interesses dos operadores de televisão instalados. Nunca é demais lembrar que a ERC não tem, como devia ter, competências decisórias em matéria de reserva e utilização do espaço hertziano pela comunicação social.

[Read more…]