O meu umbigo é melhor do que o teu

Celebrada por alguns, tomada como uma vitória sobre a poderosa Alemanha de Merkel, a mal sucedida cartada inglesa na cimeira de líderes europeus nada tem de europeísta, de defesa dos direitos dos europeus, ou de contributo para a ultrapassagem do impasse político com que a europa se debate. É apenas mais do mesmo e insistência no poderio desregulamentado dos mercados.

Cameron nada acrescentou (nem sequer tentou), excepto nacionalismo, liberalismo e autismo a uma conjuntura que sofre precisamente do excesso desses males. Louvá-lo é apostar no desmembramento da europa e na predominância dos mercados sobre os interesses dos povos e dos estados. Persistir nos erros que conduziram a este túnel cada vez mais apertado é estúpido e, na prática, não passa da outra face da moeda Merkozy. Não há nada a festejar quando as coisas são como estão.

Custa muito, mas é merecido

Obrigado velha Albion, não é que tenha resolvido alguma coisa mas tratando-se dos bárbaros do costume a França mete-se em Vichy e vale-nos a Inglaterra.

Custa-me mesmo muito, ainda por cima sendo a direita inglesa a única a afrontar a besta, mas as coisas são como são e não exactamente como fabricados em mitos gostaríamos que elas fossem.

Fiquem lá com uma grega a cantar um dos hinos ingleses, ó merkozis e seus provincianos súbditos locais, enquanto vejo a repetição do tempo. De uma forma ou de outra essa coisa da cee acabou e o que vem a seguir tende a ser a repetição do impensável. Daqui a 20 anos desconfio que a França, a velha colaboracionista, garantirá ter sido muito heróica na sua resistência.

Falha Felipe? (ou o Rei que sabia que não o queria ser)

No âmbito de uma apresentação oral (que está marcada para o final do semestre) para história moderna fui obrigada a acelerar os meus estudos em relação a Felipe II de Espanha e deixei para trás o Thomas More, com grande pena minha porque o tempo não dá para tudo.

Descobri então que a pergunta “política” mais óbvia que se faz em relação a Felipe, e que a mim sinceramente não me tinha passado pela cabeça, é: “Felipe é um falhanço? Falha nos seus objectivos? Falha para com o Império Espanhol?” Para responder a isto é necessário ter em conta certos factores.

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Transformemos Portugal numa nova Inglaterra (II)

Parece que não me fiz entender aquando do meu último post, «Transformemos Portugal numa nova Inglaterra», que tantos comentários motivou. Como tive oportunidade de explicar no post, esse texto tinha como título original «Transformemos Portugal numa nova Grécia» e foi escrito há 2 meses para uma nova revista, «The Printed Blog», numa altura em que as manifestações e a revolta na Grécia estavam no auge. Publicado em papel há uns dias, julguei oportuno publicar em blogue o texto, mas ainda mais oportuno adaptá-lo à realidade que então se vivia, a da Inglaterra.
Como é óbvio, não defendo as pilhagens, as destruições e os ataques a quem foi vítima inocente disto tudo. Mas defendo a forma pacífica como tudo começou, defendo as 500 mil pessoas que se juntaram há pouco tempo para lutar contra a austeridade e as políticas dos políticos ingleses. É esse tipo de revolta que gostava de ver em Portugal – que a população em massa saísse para a rua. A revolta que se começou a gerar na Grécia e em Inglaterra e não aquela em que infelizmente se transformou nas cidades inglesas.
Para além disso, mudei de ideias depois de ler os comentários dos amáveis leitores do blogue. São comentários muito oportunos e que, na maior parte dos casos, me fizeram ver que estava errado. Os argumentos são imbatíveis, sobretudo na forma como me qualificam: efeminado (afeminado no original), ignorante, idiota, grande estúpido, palhacito, burro, verdadeiro anormal, perfeito anormal, sem-vergonha, filho da puta, atrasado mental, imbecil, canalha, irresponsável, escumalha patética e mimada – «pode ser que te fodam a boca toda», terrorista, nojento, primata da linhagem dos símios, etc.
Ufa! Com argumentos deste calibre, fiquei convencido. Definitivamente. Os amáveis comentadores têm toda a razão. O terrorista sou eu.

Hooligans

-Tenho lido por aí algumas mentes um pouco mais exaltadas, certamente entusiasmadas pelo Verão, época do ano onde sempre se bebe um pouco mais para refrescar, tentando evitar delírios provocados pela subida de temperatura, que nos últimos dias tem afectado o território português. Em Portugal e não só, há quem pretenda ver no comportamento dos arruaceiros ingleses, sinais de uma revolução que tarda, mas lamento meus caros, não passam de um bando de desordeiros, vulgares ladrões, reles escumalha, que se julga no direito de possuir telemóveis topo de gama ou roupa de marca, sem terem de pagar. Por cá também existem alguns, como em qualquer outro país do mundo. Não vejo saques em padarias ou supermercados para matar a fome, aquilo é outra coisa, hooliganismo a fazer lembrar as temíveis claques de futebol nos anos 80, que após algumas vítimas foram colocadas na ordem pela senhora da foto e banidas dos estádios, permitindo ao futebol inglês ser hoje um lugar respeitável, local de festa, com a presença de famílias enchendo estádios, bem diferente do que se passa por cá. David Cameron nem precisa procurar muito longe inspiração para resolver a questão, bastará percorrer os quadros na sede do seu partido.

 

É a austeridade que gera a violência, acordem

Mesmo não concordando com a forma que o Ricardo resolveu dar ao seu texto, a indignação que por aí vai não passa de fumo tentado mascarar a realidade.

A realidade é simples. A Inglaterra precisou de imigrantes para se ocuparem das tarefas que os ingleses desdenhavam. Não pode agora deitá-los fora, são pessoas, não são lixo.

A Inglaterra (que tem uma crise económica pior do que a nossa à custa de sustentar banqueiros e se safa apenas porque não está no euro) virou-se para a austeridade absoluta do neo-liberalismo. E isso tem um  preço, o que hoje está nas ruas.

São actos de banditagem pura? pois são. Assaltam lojas de electrodomésticos e não padarias? pois assaltam. É a consequência lógica da raiva misturada com uma ideologia alucinadamente consumista. Não é a revolta que eu espero que ocorra em Portugal. Mas continuem a enterrar o vosso querido capitalismo com a austeridade, avancem com o aumento do IVA como hoje se anunciou, cortem no SNS, na Educação, nos apoios sociais, e vão ter o mesmo.

O que a direita hoje leva em desvantagem em relação ao PS, ou aos trabalhistas, é que estes sempre perceberam que o neo-liberalismo só se pode aplicar mantendo mínimos de decência entre os pobres, verdadeira razão porque foi criado o Rendimento Mínimo Garantido e coisa que os democratas-cristãos de toda a Europa estavam fartos de saber. Esta é a última oportunidade de os Camerons e Passos Coelhos deste mundo descobrirem o risco que correm. A seguir é o abismo.

Adenda: “os resultados indicam uma correlação positiva entre cortes orçamentais e instabilidade” gráfico via Ladrões de Bicicletas

Transformemos Portugal numa nova Inglaterra*


Aproveitemos as férias para descansar. Depois de Agosto, todas as forças vão ser necessárias para lutar. O Governo Passos Coelho / Portas já mostrou ao que vem e todos temos de estar preparados. A receita é a do costume: aumento de impostos directos e indirectos sobre os trabalhadores ao arrepio de todas as promessas eleitorais. É tão fácil ser forte com os fracos e tão difícil ser forte com os fortes! Aos poderosos, como os Bancos, os principais responsáveis pela crise, não se pede um cêntimo a mais e ainda se lhes reduz a Taxa Social Única. É por isto que urge transformar Portugal numa nova Inglaterra. Não porque gostemos de ver o nosso país a ferro e fogo nem porque sejamos adeptos da violência como solução para os problemas. Mas porque é essa a única forma de lutar contra tudo o que o Governo se prepara para fazer. Como alguém disse em forma de previsão para o futuro, nós não somos carneiros.

(* escrito para a edição de estreia de «The Printed Blog» com o título «Transformemos Portugal numa nova Grécia», daí a fotomontagem que pedi ao Jorge Fliscorno. Mas a realidade desta Europa em crise não pára, daí esta adaptação que faz todo o sentido. Publicado também no 5 Dias)

Afloat upon etheral tides…

Durante a sua longa História, Londres já sobreviveu a:

– Aos romanos.

– Às invasões dos saxões.

– Á conquista normanda

– A João Sem Terra

– Aos barões.

– À guerra das Rosas

– A Henrique VIII

– Á Revolta de Wyatt

– À armada de Felipe (Que não consegue entrar em Londres)

– Ao Gundpowder Plot

– À guerra civil

– Á morte do Rei.

– Ao Grande fogo.

– A uma revolução.

– Á Revolução Industrial.

– Á loucura do King George

– Ao Parlamento.

– A católicos

– A protestantes

– A várias pestes e doenças (the english sweating).

– Á extrema pobreza.

– A ser capital do Império.

– Á grande depressão

– Às bombas da 2º guerra mundial.

– A Margaret Thatcher.

Londres é uma das mais importantes cidades da História. Já viu de tudo. Westminster Abby já presenciou toda a espécie de temores. Já várias vezes durante a sua História se pensou que era o fim. Os saxões pensaram-no quando os normandos invadiram. Os católicos quando Henrique VIII decidiu separar-se da Igreja, Elizabeth quando sentiu a Armada a chegar, Charles quando viu que ia ser morto, Dickens quando viu em que Londres se encontra, as pessoas no metro que ouviram as bombas a cair-lhes por cima.

Nunca acabou. Continua lá de pé, firme, a antiga capital de um império, o berço de muitas convenções, boas e más. Tenhamos fé. A História é assim. Problemática, cheia de altos de baixos. Mas Londres com a sua sabedoria sabe que isto, tal como tudo o resto, vai passar.

London goes beyond any boundary or convention. It contains every wish or word ever spoken, every action or gesture ever made, every harsh or noble statement ever expressed. It is illimitable. It is Infinite London. – Peter Ackroyd, in London: a biography.

Da raiva em estado puro e da luta em estado de crisálida

Do rio que tudo arrasta se diz que é violento, mas ninguém diz violentas as margens que o comprimem“.  O poema de Brecht acordou desta vez em Londres. O desemprego, a miséria, a destruição do estado social pela direita no poder, um assassinato cometido pela polícia como motor de ignição, eis as margens deste rio de chamas. No meio uma mulher confronta os jovens: a lutarem que lutem por uma causa.

Nem ela sabe como é muito mais perigosa para Cameron que todos os motins espontâneos. Mesmo assim, a aflição é tão grande que no Insurgente adivinha-se o fim do socialismo: o humor britânico no seu melhor.

Se querem uma boa análise dos factos, procurem no Ladrão de Bicicletas.

Adenda: acabo de constatar um caso evidente de plágio (parcial, mas plágio é plágio) entre o que aqui escrevi e o que a Gui tinha escrito aqui. Na impossibilidade de provar que ela tinha adivinhado o que eu ia escrever, ficam as minhas desculpas, ou coisa que o valha.

Mas é que eu nem estou a ver bem

MP’s to vote on Death penalty – Vocês livrem-se de aprovar isto, meus anormais (Sendo que anormais são os que subscreveram esta petição). Façam lá o vosso referendo à permanência na UE mas o resto vão se lixar. Provem que são a mais “antiga Democracia do mundo”.

Agora para coisas realmente importantes


Disseram-me que saiu uma nova biografia do Felipe II escrita pelo Geoffrey Parker. É verdade? É? É que me disseram que tem 1000 páginas.

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Agora façam lá um vídeo para os ingleses

O vídeo What The Fins Need To Know About Portugal que o FMS aqui publicou é sem dúvida excelente. Sucede que além da Finlândia estar com pouca vontade de financiar os nossos banqueiros, agora temos a velha “aliada”:

O ministro das Finanças britânico, George Osborne, disse hoje que o Reino Unido está relutante quanto a ajudar financeiramente Portugal in Público

O político conservador afirmou mesmo que se o Reino Unido participar no resgate a Portugal será “a resmungar” já que nunca se comprometeu com essa ajuda. I

Querem um desenho?

Façam lá um vídeo para os ingleses, mas tirem aquela tolice de termos abolido a escravatura no séc. XVIII, na prática só o fizemos no séc. XIX e por pressão da Inglaterra que se tinha deixado dessas coisas.

Temos é uns números muito jeitosos de financiamento da Revolução Industrial britânica, em particular a curiosidade de em todo o séc. XVIII só num ano não ter havido mais navios ingleses do que portugueses nos nossos portos, fora o contrabando.

Mas a pérfida Albion quer lá saber da História. Já agora, àqueles que agora choram pela falta de solidariedade europeia, pergunto o que disseram quando contribuímos para o pacote de financiamento (na prática de enterramento, é certo) à Grécia. Estas coisas googlam-se, e têm por vezes muita piada.

Parabéns aos noivos

Because I have a voice!

A mim chateia-me aqueles críticos de cinema que acham que os filmes bons são aqueles em que, quando eles vão ao cinema, vão eles e mais meia dúzia de gatos pingados com cara de intelectuais do Bloco e com aspecto de quem não toma banho há 7 semanas, e saem de lá a reflectir que a vida é muito má, e ai os pobrezinhos e a condição humana, com vontade de espetar com o mercedes contra o primeiro poste que encontram porque a vida é sofrimento, e tristeza e desgraça, e tudo e tudo e tudo. Exemplo flagrante é o Jorge Mourinha do Público jornal que ainda não percebeu que não ganha nada em ter este senhor a trabalhar para eles. Despeçam-no e poupa-se um ordenado.

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A libertação de Assange e uma comparação com Vale e Azevedo

Vale e Azevedo, acusado de crimes de milhões em Portugal e com mais acusações em Inglaterra, anda há anos a fugir de uma extradição para o nosso país. Complacente, o sistema judicial de Sua Majestade esforça-se por não incomodar muito o cavalheiro que, de recurso em recurso, vai gozando os muitos milhões que roubou.
Com Julian Assange, a Justiça britânica foi bem mais eficaz. Prisão preventiva numa cela de isolamento, libertação passados uns dias sob caução milionária, obrigação de utilização de pulseira electrónica e audiência decisiva já no início de Janeiro. Tudo porque duas activistas políticas ao serviço dos Estados Unidos não conseguiram aguentar com o garanhão australiano.
Julian Assange assusta os terroristas deste mundo. É bom, mesmo sabendo que ele tem os dias contados. Vão matá-lo a sangue frio mais cedo ou mais tarde.

Novo Acordo Ortográfico Europeu (versão Inglesa)

COMO SE FORA UM CONTO

The European Commission has just announced an agreement whereby English will be the official language of the European Union rather than German, which was the other possibility.

As part of the negotiations, the British Government conceded that English spelling had some room for improvement and has accepted a 5-year phase-in plan that would become known as “Euro-English”. [Read more…]

Um dia a Inglaterra será uma democracia, já faltou mais

“Mesmo que vença, será difícil Clegg mudar-se para o nº 10 de Dowing Street. O sistema britânico, assente em 650 círculos uninominais a uma só volta,prejudica os partidos com apoio espalhado pelo país, como os lib-dens.”

Expresso, sem link que o Balsemão é do século passado

Uma das maiores aldrabices da história da Europa, é sem dúvida considerar a Inglaterra como uma democracia parlamentar, só porque tem um parlamento.

Podem dar muitas voltas ao texto mas a base da democracia é simples: quem tem mais votos ganha. Não é o caso, e ameaça suceder nas próximas “eleições” britânicas.

A isto somemos a ausência do primeiro dos direitos humanos, o princípio da igualdade, já que ali não se nasce livre e igual e uns são mais iguais que outros, estando a chefia do estado confinada a uma família de ladrões do erário público, cuja única qualificação passa por terem nascido assim.

Como se isto não bastasse o princípio da autodeterminação dos povos ainda ali não chegou, que de um império falamos.

Admito que a minha irritação peculiar com a pérfida Albion descende da minha francofilia, um bocadito anglófoba, confesso. Mas deve muito mais a saber que durante séculos Portugal foi uma autêntica colónia inglesa, com um auge da gamanço no séc. XVIII (durante o qual apenas num ano houve mais navios portugueses que britânicos oficialmente a navegar nos nossos portos, isto sem falar do contrabando), muito bem disfarçado com o mito da mais velha aliança do mundo.

Mas há que ter confiança no género humano, e acredito que um dia os ingleses construam um país com uma base democrática. Pode ser que um terceiro partido metido entre as duas máfias tradicionais para isso contribua. Espero bem que sim.

Os pequenos terroristas

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É um facto. Toda a gente sabe que as crianças são terríveis. Quem de nós não ouviu já alguns pais relativamente zangados comentarem com os amigos: “Ui, o meu mais novo é demais. Não pára. Sempre de um lado para o outro, faz-me cada uma”. Alguns vão até um pouco mais longe e lá admite que o miúdo é “um terrorista”. Normalmente não sabem a quem, pai ou mãe, é que o petiz saiu, o que pode ser um pouco preocupante. Estas expressões são mais comuns em pessoas que se esqueceram que também já foram crianças.

Certos indivíduos estão convencidos que sempre foram gandulos e essa coisa da infância passou por eles a correr e não parou. Deve ser o caso de certos dirigentes e agentes da polícia antiterrorista britânica, em concreto de West Midlands, perto de Birmingham, que têm visitado creches para “identificar crianças” que possam estar a ser “submetidas a uma lavagem cerebral por parte de radicais islâmicos”. Está tudo no jornal The Times.

Num email enviado a grupos comunitários, um oficial da polícia pede que alertem as forças da autoridade “acerca de pessoas, de qualquer idade, que pensem que possam ter sido radizalizadas ou vulneráveis à radicalização… Há provas que sugerem que a radicazalização pode acontecer desde os 4 anos”. Quatro!

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