Desconversas em família

marcelo caetanoAguiar-Branco vem defender o direito de Passos Coelho a criticar o Tribunal Constitucional ou o Grupo Desportivo Leões da Agra. Congratulo-me com a preocupação que o ministro da Defesa revela com os direitos adquiridos, como, por exemplo, o direito a criticar.

É certo que foi o mesmo Aguiar-Branco a propor ao bispo das Forças Armadas que escolhesse “entre ser bispo das Forças Armadas e ser comentador político”, quando dom Januário criticou o governo. Seria importante que o ministro publicasse uma lista dos cargos que retiram ao respectivo detentor o direito a criticar instituições. O de primeiro-ministro, felizmente, não é um deles.

Voltando à vaca fria, concordo com Aguiar-Branco: o Tribunal Constitucional pode e deve ser escrutinado e criticado. E, sim, o primeiro-ministro tem direito a exercer esse escrutínio e essa crítica. Penso, ainda, que Passos Coelho não deve ser obrigado a escolher entre manter-se em funções e fazer comentário político.

Num país civilizado, no entanto, o primeiro-ministro que critica outro órgão de soberania deve fazê-lo de modo extremamente responsável. No caso dos acórdãos do Tribunal Constitucional, Passos Coelho tinha a obrigação de apontar os erros cometidos, explicar quais as falhas na interpretação dada à Constituição, tornando evidente a falta de bom senso dos juízes. Em vez disso, de acordo com a sua natureza, limitou-se à rábula do “aumento da factura” e apontou para o Ratton expiatório. Um dia, havemos de viver num país civilizado.

Pelo fim da subvenção

Pode ser demagógico, mas este é o momento do Governo mostrar que os tem no sítio. Querem cortar 10% nas reformas? Sugiro uma alternativa.

Quem foi político durante x anos tem hoje direito a uma pensão apenas por isso. Além da pensão de político têm ainda direito à pensão que resulte da sua actividade profissional normal.

Pois bem, com efeitos retroactivos, o governo corte a todos essa pensão, limitando a uma o número de pensões que cada um pode ter. Ajuste-se a pensão civil com um factor qualquer de ponderação mas é urgente que a classe política possa ser um exemplo.

Laranjinhas, será agora que os têm?

A podridão da política

Cortes nas reformas deixam políticos de fora

Cortes nos subsídios de desemprego e de doença

Um governo amigo do povo, em especial dos desamparados por falta de trabalho ou de saúde.

I’ve seen the future, brother, it is murder

Prótese retirada a um jovem que não podia pagá-la (notícia em castelhano).

FoderTugal

À medida da Hora, sons e batidas de 2003, para nosso enorme consolo.

Passos Coelho apresenta um corte de 4.8 mil milhões em 25 minutos

Trabalhar até morrer, trabalhar mais e ganhar menos. É este o plano do carniceiro que se encontra ao comando, sob a protecção da múmia de belém. Anuncia isto com mentiras (o défice não está a baixar; pensões e salários não são 70% da despesa do estado) e com ar sério. Uma brutal austeridade apenas baixou umas migalhas no défice e, agora se vai sabendo, há dinheiro estoirado pelo estado num valor que pode chegar perto dos 20 mil milhões de euros. É dito à boca cheia, a crise foi provocada pela corrupção, não pelos excessos. [Read more…]

Parar o país

bastaEste governo não vai parar a sua obra de continuar a usar o orçamento de Estado para pagar dívidas privadas. O país, tal como a nêspera, está quieto e calado, a ser comido pela velha.

Mais logo, Passos Coelho, bisneto de Soares, neto de Cavaco e filho de Sócrates, não vai querer desmerecer dos seus antepassados. Como todos eles, vai fazer uma declaração cujo subtexto será o de que está disposto a tudo para favorecer os seus vários parentes por afinidade, uns alemães, outros banqueiros, muitos laranjas e laranjinhas. [Read more…]

Revoltante sensacionalismo

02052013-jornal_i_detailÉ muito triste confirmar o sensacionalismo em que caem alguns jornais, como é o caso do i. Como é possível concluir que Vítor Gaspar será o responsável por destruir mais 208000 empregos até ao próximo ano? Tendo em conta que esses números derivam de previsões feitas pelo próprio ministro das Finanças, é evidente que o número será superior.

Senhores jornalistas, mais rigor, por obséquio. Pelo menos, acertaram no nome do responsável.

Saco de Gatos

Pode ser que agora cortem as unhas ao Gaspar.

Não é fechando o país

que se resolvem os seus problemas (António Nóvoa).

A pior política

“Não há pior política do que a política do pior”, António Nóvoa, reitor da Universidade de Lisboa.

Inédito

Vivemos num país cercado pelo governo.

O Primeiro-ministro fal(t)ou ao país

Passos Coelho anunciou que precisa de  ir buscar a outro lado o dinheiro que previa sacar ilegalmente aos portugueses. Sabia à partida que o orçamento não seria constitucional. Disso não há dúvidas, face à anterior decisão do TC.  Mas optando pelo mesmo caminho torna-se óbvio que o chumbo do TC foi um instrumento, jogado em antecipação,  para atingir um objectivo. Ficou com um pretexto para prosseguir a política que tem levado a cabo desde que foi eleito e completamente em oposição ao que prometeu enquanto oposição e em campanha eleitoral. Alega que tem a legitimidade da eleição mas só a teria se estivesse a cumprir o que disse que faria.

O Primeiro-ministro deste país faltou novamente à palavra e anunciou mais cortes na  segurança social, saúde, educação e empresas públicas. Podia ter anunciado que iria fazer um esforço para recuperar o dinheiro do BPN, cortar nas rendas do estado à EDP e às PPP, que iria mesmo fechar os governos civis e que iria impor contenção às obrinhas eleitorais das próximas autárquicas. Mas não era a mesma coisa, pois não?

Pânico

cm

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Atualização

SNS e Exploração Capitalista da Saúde (ECS)

A destruição do Serviço Nacional de Saúde (SNS) é um facto e pode considerar-se um crime de traição, um crime de lesa-Pátria que ficará na História deste Portugal de quase mil anos.

Tudo isto pela força-fraqueza de políticas de direita, muitas vezes ditas socialistas, ignorantes, insensíveis, medíocres, incompetentes e tantas vezes corruptas, e com a falta de moral e desprezo social indispensáveis ao dobrar de joelhos perante os poderes diabólicos que as comandam.

O embrião do SNS começou a gerar-se há meio século, quando Miller Guerra era Bastonário da Ordem dos Médicos. Posteriormente, o Relatório das Carreiras Médicas foi um passo gigante no caminho do que, uma década depois, se haveria de tornar num dos mais modernos serviços de saúde pública. Apresentado por António Arnaut, o diploma criador do SNS foi aprovado no parlamento. Em trinta anos, o SNS transformou a saúde em Portugal, conseguindo aproximar este país dos países mais avançados do mundo em termos de saúde pública. [Read more…]

A consciência dos sociopatas

Santana Castilho *

1. Annette Schavan, directora espiritual de Crato para o ensino profissional e até há pouco ministra da Educação da Alemanha, demitiu-se após ter sido acusada de plágio pela universidade onde se havia doutorado há 33 anos. Na origem do escândalo esteve a denúncia de um blogue. Schavan reclama inocência e vai pleitear a causa em tribunal. Mas a sua consciência disse-lhe que, neste momento, esse era o caminho. Curiosamente, a tese que escreveu (ou plagiou) estudava o carácter e a consciência. Antes de Schavan, Karl Guttenberg, ministro da Defesa, procedeu do mesmo modo, por motivo idêntico. E, antes dele, fora a vice-presidente do Parlamento Europeu, Silvana Koch-Mehrin: mesmo erro, idêntico padrão de comportamento e de consciência.

2. A Lusa questionou Nuno Crato sobre o relatório do FMI, que alude ao eventual despedimento de 50 a 60 mil funcionários do sistema de ensino, docentes e não docentes. Importa reter e comentar algumas afirmações do ministro, extraídas da resposta:

– “Nós não somos irresponsáveis. Isso não está em causa, de forma alguma.”

– “O Governo irá apresentar um conjunto de medidas … para a redução da despesa, algo que todos os contribuintes querem”.

– “Nós, até este momento, não fizemos nenhum despedimento na Educação … “ [Read more…]

Consequências dos cortes na saúde

Aí está o exemplo britânico, com 1200 mortes que podiam ter sido evitadas (em inglês).

Ir à frente

FMI – É melhor preparares medidas alternativas caso o Tribunal Constitucional roa a corda.
Passos – Capaz disso são eles.
FMI – É ires à frente.
Passos (com olhos de Gato das Botas) – Posso dizer que és tu que dizes?
FMI – Diz que é só um aviso. Melhor: diz que é uma sugestão.

O plano C

E depois de tudo correr mal, o governo tem um plano que é cortar o salário dos que que gravitam na política e no estado. Ah, desculpem, era a brincar.

Confirma-se: estamos a viver acima das nossas possibilidades

Palpita-me que vem aí mais um corte!

Os cortes no pré-escolar e as consequências para o seu filho

Sabia que 150 crianças podem passar parte do dia apenas com a supervisão de dois adultos?

Rentabilizar recursos significou desde logo que deixasse de existir 1 (uma) Assistente Operacional (auxiliar de educação) por cada grupo de Jardim.

Os infantários já começaram a ser refundados. Porque pior é sempre possível, o impossível vem já a seguir.

A ler.

 

Aguenta

A lambreta do Pedrinho

Parece que tem marcha atrás.

Cortemos na despesa onde ela é ilegítima

Já é recorrente, listar organismos do estado onde cortar na despesa. Não nego que muitos são inexistentes, o estado desperdiça os seus recursos  (gastos com estudos e pareceres orçamentados em 2012: 128,4 milhões de euros), parcerias público privadas (vd hospitais para não falarmos sempre de estradas) etc. etc.

Esta listagem de serviços e fundos autónomos é mais uma que delira: as universidades levam um corte de 20% porque são “serviços onde são sobejamente reconhecidas ineficiências”, e o resto é arrasar na educação e formação, ambiente e cultura, para poupar uns míseros 2857 milhões de euros.

Sim míseros: eu encerrava o Ministério dos Juros da Dívida. Poupança: 7164,4 milhões.  A bem dizer, cruzando com os dados deste gráfico, a coisa ficava quase toda entre fronteiras. O BCP, o BPI e o BES* iam à vida? que chatice,  problema deles. É o mercado, estúpidos.

*Não incluo a CGD, pelo simples facto de, esta sim, ter emprestado ao estado por ser gerida pelo estado. Os restantes bancos andaram à procura de lã. Que saiam tosquiados.

Vão morrer e vão, por isso que se fodam

Governo estuda cortes em tratamentos para o cancro e a SIDA

Diz que há funcionários públicos a mais

É fácil encontrar nas notícias os vários sinais da crise que o cidadão comum, eterno sísifo, suporta todos os dias. Hoje, apetece-me realçar este título: Segurança Social tem 154 técnicos para 37 mil casos de regulação parental. A leitura da notícia torna evidente a falta de recursos humanos num campo em que as resoluções tardias afectam a vida de milhares de crianças.

Entre actuais governantes, respectivos conselheiros e opinantes da mesma cor, fazem-se sempre umas contas muito simples e descontraídas: Portugal tem funcionários públicos a mais. Sem se perder tempo com estudos ou com planeamento, faz-se de conta que o conjunto de ordenados de profissionais qualificados é o mesmo que despesa e, levianamente, atira-se com a necessidade de despedir ou, no máximo, com a alegada benesse de baixar salários para evitar despedimentos.

Enquanto o país prossegue o seu naufrágio, comandado por roedores, é vê-los fugir em todas as direcções: Coelho vai em frente; Portas sai porta fora.

Leia e divulgue: as contas do Diário Económico sobre a TSU

Leia toda a análise aqui, em PDF: Diario Económico 2012-09-10

  • Descida da TSU não cria mais emprego
  • CDS assume “desconforto” e Seguro ameaça chumbar OE
  • Saiba o que Passos anunciou e o que falta saber
  • Austeridade não evita mais medidas para baixar défice orçamental
  • Consumo das famílias já caiu 5.9% desde que a ‘troika’ chegou
  • Inconstitucionalidade pode impedir entrada em vigor do OE em Janeiro

A função pública ganha mais e é só privilégios

Mas no privado é tão fácil contornar os cortes, que até dói. São as desigualdades constitucionais.

Cursos CEF e Profissionais – é urgente uma solução

Desde há uns anos que as Escolas Públicas (tal como algumas privadas) oferecem aos seus alunos a possibilidade de fazer um curso profissionalizante, algures ali pelo terceiro ciclo. Estes Cursos de Educação e Formação (CEF) destinam-se a alunos com o 6º ano concluído, tal como refere o IEFP:

“Face ao elevado número de jovens em situação de abandono escolar e em transição para a vida ativa, os cursos de Educação e Formação para jovens visam a recuperação dos défices de qualificação, escolar e profissional, destes públicos, através da aquisição de competências escolares, técnicas, sociais e relacionais, que lhes permitam ingressar num mercado de trabalho cada vez mais exigente e competitivo.”

 

Este texto parece saído dos discursos do Paulinho das Feiras, mas retrata, formalmente o que é um CEF  – alunos “complicados”,  em risco de abandono que são encaminhados para um curso onde aprendem uma profissão (pasteleiro, empregado de mesa,…). Naturalmente, pelas suas dificuldades, muitos destes alunos seguiam, depois, para um curso profissional ao nível do ensino secundário.

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