Utilizador/Pagador – fatal como o destino

As parcerias público/privadas vão ter que ser pagas e entre 2010 e 2013 já se vão fazer sentir e de que maneira, embora ninguem saiba bem quanto. Para além de 2013 ainda mais vão pesar e aí é que ninguem mesmo é capaz de arriscar, já não digo um número, mas uma ordem de grandeza.

Pese embora uma maior progressividade nos escalões do IRS  que poderá pesar contra a regra do “utilizador/pagador“, empurrando-a o mais tempo possível para a frente, mais cedo que tarde vamos ver a regra ser aplicada em domínios como a Saúde, a Educação, os Transportes , as Autoestradas…

É assim, quem pode paga, quem não pode não paga! Com este déficite, com esta dívida e as taxas de juro cada vez mais elevadas que o país vai ter que pagar, a questão é quando. Acrescente-se o fraquíssimo crescimento do PIB que as autoridades internacionais revêm constantemente em baixa, e temos aí o quadro.

Mas a má notícia vai sendo adiada ! O PEC não a contempla a regra “utilizador/pagador, como não contempla muitas outras coisas que vamos todos ter que pagar!

A prenda de feliz aniversário do Aventar

Já fomos várias vezes citados em jornais e em programas radiofónicos, não é para nós surpresa, mas não deixa de ter piada sermos hoje, logo hoje, abundantemente citados na secção “Blogues em papel” no Público.

E somos citados propondo uma série de medidas políticas que de tão óbvias, só ainda não foram implementadas por irem contra o interesse de quem verdadeiramente manda neste pobre país. O diagnóstico está há muito feito é só preciso ter coragem de andar para a frente, implementar medidas tendo como horizonte o interesse nacional.

Nessas sugestões falamos da autonomia da escola, da política do medicamento, do papel do Estado na economia, na Justiça na dependência da Assembleia da República e do Presidente e, apontamos o dedo à chantagem dos nossos gestores e empresários que passam a vida a dizerem que se vão embora do país, como se encontrassem algum lugar na terra onde os mercados sejam tão protegidos e o Estado distribua tão generosamente ajudas financeiras, fiscais e outras menos “on shores…”

Como Passos Coelho se reuniu agora, de várias pessoas para concretizarem o seu programa de governo, talvez leiam o que aqui escrevemos. É que ouço falar destas medidas há vinte anos…

Faltam 424 dias para o Fim do Mundo:

Hoje na revista Fugas (Público) Pedro Garcias escreve um comentário que merece o devido destaque (é pena não o encontrar no site do Público):” Montréal en Lumiére e a cegueira de quem decide apoios em Portugal”. Resumidamente: a 11º edição do Festival Montréal en Lumiére – um dos mais importantes eventos internacionais de gastronomia e cultura – teve Portugal como país convidado. Um evento com mais de 750 mil visitantes e uma montra mediática fantástica. O Turismo de Portugal não apoiou e não fosse o empresário Carlos Ferreira, dono de um dos mais conceituados restaurantes de Montréal, e os nossos empresários dos Vinhos, a coisa teria sido uma vergonha monumental. Incompetência pura, uma vez mais, do Turismo de Portugal!

Entretanto, Pacheco Pereira lembrou a necessidade de se saber quem financia as campanhas dos candidatos e Manuel Godinho jura que nunca pagou a ninguém para obter favores. Pode não parecer à primeira vista mas as duas notícias relacionam-se. Pelo caminho, é leitura obrigatória esta posta de José Manuel Fernandes no Blasfémias, sobre o PGR.

Finalmente, o fim do mundo não seria o mesmo sem este vídeo de estudantes nus a apresentar notícias terminando a coisa a pedalar rumo a casa e daí a importância de pedir à mãe para o namorado dormir em casa. Eu que tenho uma filha já preparo o pedido de licença e porte de arma…

Se alguém me disser Bom Dia e eu não achar esse cumprimento importante, então não respondo


O Aventar no Público!

Faltam 425 dias para o Fim do Mundo:

Hoje o Público faz 20 anos, o que nos faz lembrar como o tempo passa tão depressa. Passadas duas décadas estamos a discutir as estranhas relações do sector empresarial do Estado e a tentativa de silenciamento da comunicação social. E a assistir ao penoso caminho de um cadáver adiado embrulhado nas suas tricas internas. Outras autópsias já estão a ser feitas e pode não parecer mas está tudo ligado…

Precisa-se de Blogger socialista: Uma explicação


Ainda a propósito do anúncio que publicámos no «Público» de hoje.
A verdade é que, depois de um «post» do Luis Moreira com alguns meses, não apareceram candidatos. Sendo um blogue plural, com elementos à Direita do CDS e à Esquerda do Partido Comunista, não temos no entanto qualquer elemento da área da Governação, o que é chato.
Não foi por falta de tentativas.
Ao longo dos meses, convidámos umas 10 pessoas e todas recusaram. Ou nem sequer responderam, o que mostra bem a educação de algumas delas. Dos que recusaram de forma gentil, lembro-me do Rui Herbon, da Ana Paula Fitas, do José Reis Santos ou do Tomás Vasques, a quem agradeço a simpatia de uma resposta.
Mas como não queremos continuar sem socialistas, logo agora que eles estão a passar um mau bocado, decidimos colocar um anúncio no jornal, porque parece não haver outra hipótese.
Isto é a sério: estamos desesperados por um socratista. Os socratistas é que parece que não querem…

José Leite Pereira censurou o Aventar (Mário Crespo II)


O anúncio hoje dado à estampa no «Público» ia ser publicado inicialmente no «Jornal de Notícias» do último Domingo.
Acontece que o Director do JN, José Leite Pereira, censurou o Aventar. Este mail é a prova de que José Leite Pereira, demonstrando que os amigos são para as ocasiões, proibiu que o anúncio fosse integrado na edição de Domingo, apesar de já estar paginado pelos serviços do jornal e de já estar pago. «Vejam lá que anúncios andam a pôr», ter-lhe-á dito o «amigo Joaquim» em tempo oportuno.
Será que, apesar de não ter sido contactado pelo Director do JN, posso considerar-me um segundo Mário Crespo?

Ensino privado e ensino público: a crise e a falta de alunos… no Público

Em tempos de crise os pais têm menos dinheiro disponível e por isso recorrem mais à Escola Privada que à escola Pública.
Esta frase poderia ser verdade não fosse o facto de nos últimos 20 anos ter havido gente no Ministério da Educação a fazer o caminho… Da privatização do Ensino Público.
E aqui a Esquerda e a Direita têm visões diferentes.
Para esta última, as ofertas são similares, colam-se no mesmo plano: é isso que tem feito o governo de Sócrates (rankings, concursos de professores, contratos com colégios, etc…). Neste aspecto, como noutros a Direita tem conseguido levar a água… às suas escolas!

Faltam 431 dias para o Fim do Mundo

Enquanto lá fora vamos conhecendo a realidade económica nacional, nós por cá continuamos a discutir casos judiciais. Não que estes sejam menos importantes que aqueles mas a situação está a ficar negra, muito negra e a verdade é só uma:

Os nossos dirigentes máximos não são capazes de governar o país. Se isto fosse uma empresa privada e um país civilizado, já estavam todos ou em casa ou na cadeia…

Faltam 432 dias para o Fim do Mundo…

# A relação deste governo com a Comunicação Social merece um estudo académico aprofundado. Começou por ser uma relação profissional ao ponto de a oposição considerar que Sócrates era bom, apenas e só, na forma como “comunicava” e lidava com ela. Hoje, após tantos e tantos choques, verifica-se o oposto: Sócrates lida mal com a imprensa e quer implementar uma verdadeira censura selectiva. De Manuela Moura Guedes, passando pelo Público e terminando em Mário Crespo, fica a questão: O que mudou?

# Nos últimos anos e de forma recorrente, a denominada “noite do Porto” enche páginas e páginas de jornais, abre noticiários televisivos e inunda fóruns de rádios. Do crime sem castigo, passando por actos de verdadeiro terrorismo e terminando na condenação de Bruno Pidá, tudo serve para mostrar que algo vai mal na noite do Porto e que muitos se julgam acima da Lei e a viver em total impunidade. Até quando?

# A Bolsa ou a Vida podia ser o título de um filme português. Vi na cara de um amigo o pânico típico do jogador de bolsa em dias tristes e cinzentos como o de hoje. Será que ninguém, a começar pelos homónimos de terras do Tio Sam, aprendeu com a recente crise bolsista?

O Público e os links

O Público foi o primeiro jornal português a entender uma coisa óbvia: se os blogues linkavam para o Público iriam fazê-lo com muito mais vontade se recebessem uma ligação em troca, e ainda ganha o leitor de ambos, já que dispõe de um lado de um comentário à notícia e do outro de caminho directo para a notícia que está a ser comentada.

Utilizando o Twingly rapidamente se destacou dos seus concorrentes. Outros como o Maisfutebol e o Ionline seguiram-lhe o exemplo. Este gráfico publicado pelo António Granado mostrava o impacto da troca de hiperligações entre o Público Online e os blogues.

 

Sucede que desde a remodelação do Público Online o sistema de trocas deixou de funcionar. Embora lá esteja a indicação de que funciona, é fácil de ver que tal só acontece muito de vez em quando, tudo leva a crer que por via de uma dificuldade técnica, que se arrasta desde início de Outubro.

Agora gostava de ver os gráficos correspondentes para este final de 2009. Aceitam-se apostas para uma subida do Ionline para onde se vão mudando as ligações perdidas pelo Público.

 

 

A Fugas do Público

É um exemplo de bom jornalismo.

Sandra Costa, Directora da Fugas (Suplemento de Sábado do Jornal "Público")

Feito por gente boa que todos os sábados me surpreende.

O dinheiro, ou a ausência dele nunca me deu muitas oportunidades para viajar e conhecer outros mundos. Com a Fugas, todos os Sábados (o únido dia da semana que não termina em A  em que compro o jornal) sonho em sair daqui! Fico a saber mais sobre comida, sobre os vinhos que não bebo, sobre os carros que não gosto… Mas é sempre um prazer ler.

Obrigado pelo vosso trabalho!

Bárbara Reis e a entrevista à TSF

Bárbara Reis começa por falar da mudança do paradigma do «Púbico» – ficou para trás a fase dos textos curtos, porque os leitores não tinham tempo para ler, e regressaram os textos mais longos e específicos. Os jornais impressos vão ter de encontrar os seus nichos, as suas minorias.

Mudança a partir de hoje: eliminar a percepção pública de que existe no jornal, actualmente, um excesso de carga ideológica.

Depois de dizer que o facto de ser mulher nada tem de relevante, porque as pessoas conhecem-na há mais de 20 anos, recorda os seus inícios do «Público» na Somália e em Nova Iorque. Fala várias vezes de Vicente Jorge Silva, o primeiro director do «Público», e do interregno nas Nações Unidas. Quando se fala de Sérgio Vieira de Mello, o silêncio, que na rádio ganha uma dimensão maior, é sepulcral.

Duas notas pessoais: tive pena que Carlos Vaz Marques não explorasse a frase relativa ao excesso de carga ideológica do «Público». Penso que Bárbara Reis se referia à forma como o jornal se posicionou, nos últimos tempos, relativamente ao Governo, mas o jornalista não sou eu.

Outra nota: a voz de Bárbara Reis é muitíssimo sensual, típica de uma voz da rádio. Não devia ter ido ao Google procurar a sua cara. 

Há escola para além do ruído

Tudo parece estar limitado à guerra dos sindicatos com o ministério, mas não é assim, há muito mais, e muito mais importante. Vejam:

"Prefiro ter um carro pior e tê-los aqui. É seguro e não há professores a faltarem" -José, pai.

"Os professores acompanham os que têm maiores dificuldades em regime de voluntariado." –  Alexandra,mãe.

"Quero que os meus filhos estejam numa escola com jovens de todas as classes sociais.Não os quero numa redoma de vidro" -Ana paula,mãe.

"O Ministério não teve a iniciativa de nos ajudar a melhorar.E nós precisamos de ajuda! "José Bruno -Director de Escola

"Muitas vezes as notas são o menos importante. A escola é essencial para eles terem ao menos uma boa refeição por dia." Cristina ,vice-directora de escola.

A Turquia

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A propósito da visita do Presidente da República à Turquia vou ressuscitar uma posta que coloquei em tempos na blogosfera sobre a pátria de Ataturk – foi a 14 de Maio de 2007 e como resposta a um Amigo. Por acaso desconheço a posição do nosso PR sobre a matéria. Aliás, desde a sua célebre declaração aos portugueses sobre o Estatuto dos Açores pouco sei das suas opiniões sobre o que quer que seja.

Meu caro Amigo,

As últimas eleições francesas foram disputadas por dois candidatos, Segolenè Royal e Nicolas Sarkosy. A primeira representava a esquerda francesa e o segundo, a direita. Isto em termos muito simplistas pois, como bem sabes, Segolenè não representava assim tanto a esquerda socialista tradicionalista (que a detesta, profundamente, por a considerar demasiadamente liberal) nem Sarkosy representa certas franjas mais moderadas da direita francesa. Era o que tinham e a mais não estavam obrigados.

O Povo francês, de forma esmagadora, decidiu votar e com o seu voto fez uma escolha clara: Sarkosy. Como já escrevi antes, espero que não se arrependa. Entendo o voto francês: a insegurança que se vive nas grandes cidades francesas (que eu próprio sou testemunha no caso de Paris ou Marselha); o “papão” Europa provocado por aqueles que não querem respeitar o “Não” francês à Constituição Europeia e o desemprego crescente dos licenciados (lá como cá), sem esquecer alguma intolerância religiosa da comunidade Árabe residente em França. A tudo isto se soma a intranquilidade provocada por uma certa esquerda radical que não sabe respeitar a vontade da maioria – como, aliás, se viu posteriormente. Foi um voto profundamente “nacional”. O que se entende.

Contudo, desconfio muito das intenções de Sarkosy. Desde logo, porque entendo que violência gera mais violência e não resolve problemas de segurança. Temo que se resvale da “força da autoridade” para a prática do “autoritarismo”. A seguir, não esqueço que Nicolas Sarkosy não nasceu ontem, esteve no governo francês nestes últimos anos – mais dedicado a cimentar uma posição forte como candidato da inevitabilidade do que a governar. Mas, mais grave, considero perigoso (no mínimo) a sua posição face a uma integração da Turquia na UE. Como bem sabes, Sarko, é completamente contra. O que, a meu ver, é uma estupidez e um erro trágico para a segurança da Europa e do Mundo.

Não sendo um “turcófilo”, como se afirma Pacheco Pereira num lúcido artigo de opinião do Público (Sábado, 12 de Maio), considero a Turquia como um país europeu. Mais, é fundamental para a Turquia e para todos nós, um forte apoio da Europa aos enormes movimentos “pró-europa” existentes nas classes intelectuais e nas elites turcas. Os povos Árabes sofrem às mãos de tiranos sem escrúpulos, refugiam-se no verdadeiro ópio do povo que é o fundamentalismo religioso (todo ele, seja qual for a crença) e vivem desgraçadamente – experimentem visitar um qualquer país árabe, mesmo aqueles aqui ao pé da porta como o Magrebe e facilmente compreendem esta minha afirmação, basta olhar-lhes nos olhos. Os povos Árabes só se vão libertar deste ofensivo colete-de-forças quando, tal como nós, tiverem acesso a liberdade de expressão. Quando conseguírem ter aquilo que nós temos e que nem sempre sabemos valorizar. Ora, a Turquia, não é apenas uma das portas da Europa, é também uma importante porta na Ásia e nos países Muçulmanos. Com o desenvolvimento económico que uma entrada na UE acarreta (como connosco antes e agora nos países do leste), a Turquia seria um motor de desenvolvimento e uma alavanca democrática para todo o Mundo Muçulmano. Sabes porquê, meu caro PJ, porque todos nós, queremos o melhor para os nossos filhos e os Árabes (como antes os Russos, pegando numa célebre canção de Sting) também amam os seus filhos.
É esta a tragédia de uma certa direita quando na mão dos “Sarkos” deste Mundo.

Pode ser que eu esteja enganado. Deus queira.

Julgo que, agora, percebes melhor as minhas profundas reticências e até alguma rejeição a Sarkosy. A mesma que tenho para com certas franjas da nossa direita, agora entretidas com a “perseguição” aos estrangeiros que querem vir trabalhar para Portugal (cuja resposta dos Gatos Fedorentos foi absolutamente genial), que não entendem a importância desta força de trabalho e acréscimo cultural. Não entendem hoje, como ontem e nunca entenderão. É preciso conhecer Mundo, compreender a natureza humana e não confundir casos de polícia com problemas de segurança (que sempre existiram). Como não entenderam (nem reconhecem) a importância “dos de fora” na nossa epopeia dos descobrimentos – o período mais áureo da nossa história. Coincidência? Não me parece.