Fidelidade aos especuladores

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O caso das privatização da Fidelidade, companhia de seguros que pertencia à CGD, é todo um tratado da arte financeira. O grupo Fosun, especuladores chineses, comprou a companhia por 1100 milhões de euros. Depois foi ao capital da Fidelidade e sacou (por empréstimo, claro) o que lhe tinha custado, mais uns trocos (340 milhões, pelo menos). Entretanto quem tem obrigação de controlar as companhias de seguros em Portugal já foi passar umas férias à China, pago do próprio bolso, diz ele.

Assim é fácil: sem ganhar um chavo compra-se uma companhia de seguros, ainda lhe devem sugar algum, e depois que se lixe. Mas como sabemos, as companhias de seguros é que são de confiança e a Segurança Social é um perigo público.

O grupo Fosun é um sério candidato à compra do Novo Banco. O candidato perfeito, continuará a tradição de uma secular família de vigaristas.

Os gregos limpam as armas

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«Forçámos a beleza ao exílio, e os gregos limpam as armas para defendê-la (…)» Albert Camus, num texto de 1959, parcialmente transcrito aqui.

A culpa é dos gregos

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Samaris, o jogador do Benfica, está tramado: até pode ficar no banco, mas será responsabilizado por qualquer mau resultado da sua equipa. Porque é grego, claro, e o demónio na Europa passou a chamar-se Grécia.

Um Verão abrasador? chuvas torrenciais? nunca mais se falará do anticiclone dos Açores, a culpa é do ciclone grego. Trema a terra um bocadinho que seja e os dedos serão apontados a Hércules, que não deixa as colunas de Gibraltar em paz.

Estou a exagerar? não, estou a apenas a caricaturar o que por aí se diz sobre a Grécia e os gregos. Um governo com cinco meses é acusado de todos os males, obra e graça dos governos anteriores que combateu. Cinco anos de austeridade falharam, por culpa dos gregos, não da austeridade, embora a mesma receita tenha tido o mesmo efeito em Portugal, na Irlanda e na Espanha, milagrosamente transformados em países onde tudo correu bem, pese que só pela nossa parte tenha desaparecido meio milhão de empregos, fora o saque a que chamam privatizações. [Read more…]

“O Eurogrupo é um grupo informal que não está vinculado a Tratados ou a regras escritas”.

Jeroen Dijsselbloem, presidente do grupo informal.
Mais sobre como Varoufakis foi excluído da reunião de ontem, aqui.

Passos telefona a Obama: no worries, safes are full

Obama telefona a Merkel. É preciso evitar que a Grécia saia da zona euro

Syriza política alternativa contra Austeridade

João Pereira

Esta não é a Europa dos fundadores, é a Europa dos partidos mais conservadores, com os socialistas à arreata. Não terá um bom fim e, nessa altura, muita gente lembrará a Grécia.

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«O terrorismo de Estado formou a minha geração».

Peter Stein – a propósito da Grécia e da posição de Schäuble. Mais sobre isto, aqui.
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Peter Stein vem a Portugal agora, por ocasião do 32º Festival de Almada, que começa já no próxima dia 4.

EYPΩ

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As peças em movimento

Ministro das finanças austríaco diz que grexit é quase inevitável. Primeiro-ministro francês afirmou que BCE não deixará cair a Grécia.

Quo vadis Grécia? – II

Com posições extremadas dificilmente seria possível alcançar um acordo sem que alguém perdesse a face. A Grécia está como qualquer devedor obrigada a respeitar os compromissos assumidos ou entrará em incumprimento, com tudo o que isso acarreta para o futuro. A única janela possível para um entendimento futuro será uma vitória do SIM em referendo, que as primeiras sondagens parecem projectar, o que permitiria mesmo que falhem o pagamento ao FMI na próxima terça-feira, solicitar o retorno à mesa das negociações. Mas caso esse hipotético cenário se verifique, terá a Grécia governo no dia 6? É que um SIM implica aceitar austeridade, o que deita por terra o programa do Syriza, obrigando Tsipras, Varoufakis e seus pares a governarem com um programa diferente do que apresentaram ao eleitorado e com o qual não concordam. Uma eventual vitória do NÃO significa a saída da moeda única, mas agora legitimada pelos gregos. O que agradará a boa parte do Syriza. A convocação de referendo foi uma forma de resolver em definitivo o impasse, mas também uma jogada arriscada por parte de Tsipras que decide a sua carreira política e talvez até a sobrevivência do próprio Syriza.

A ousadia vai ser duramente punida

Lagarde critica manutenção do referendo e BCE fecha torneira. Que fique claro quem é que manda.

Depois de Paula Teixeira da Cruz, Pires de Lima

Isto ainda é pior do que se pensava. Depois de Paula Teixeira da  Cruz ter usado o estado a favor a favor do seu partido, ficámos a saber que não é caso único.

Desta vez foi o ministério da economia a ser usado para avaliar o programa do PS.

Isto vai parar onde? Depois de tanto discurso moralista e acusador de gastos no passado, eis que vemos que era conversa de hipócrita (como se já não soubéssemos).

Vá, moralistas de 2009, não se coíbam de falar. Deputado Carlos Abreu Amorim, estes ainda são os ministros que conhecia?

Democracia na UE: a nota de rodapé que diz tudo

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O texto do comunicado do Eurogrupo (excluída a Grécia, que não foi chamada para a reunião), numa tradução muito rápida:

«Desde o acordo de 20 de Fevereiro de 2015, relativo à extensão do actual programa de assistência financeira, ocorreram intensas negociações entre as instituições e as autoridades gregas, com o objectivo de alcançar uma solução satisfatória para a referida extensão. Atendendo ao prolongado bloqueio nas negociações e à urgência da situação, as instituições apresentaram uma proposta exaustiva sobre a questão dos condicionalismos políticos, recorrendo à flexibilidade prevista no actual acordo.

Infelizmente, apesar dos esforços empreendidos em todos os planos e do total apoio do Eurogrupo, a proposta foi rejeitada pelas autoridades gregas, tendo estas últimas abandonado as negociações unilateralmente a 26 de Junho. O Eurogrupo sublinha as significativas transferências financeiras e o apoio acordado à Grécia ao longo dos últimos anos. O Eurogrupo esteve até ao último momento aberto a ponderar a continuação do apoio ao povo grego através da prossecução de um programa orientado para o crescimento.

O Eurogrupo toma nota da decisão do Governo grego de avançar com uma proposta de referendo, com data prevista para Domingo, 5 de Julho, ou seja, posterior à expiração do programa. O actual programa de assistência financeira à Grécia expira a 30 de Junho de 2015, o mesmo acontecendo com todos os acordos a ele relativos, incluindo a transferência pelos Estados-membros de títulos de dívida e activos financeiros líquidos.

As autoridades da zona euro estão preparadas para fazer o que for necessário para assegurar a estabilidade financeira da zona euro.»

Portugal 5 – Alemanha 0


Angela Merkel atribui a derrota da selecção alemão à nacionalidade grega do árbitro. Passos Coelho não comenta.

Grécia/eurogrupo: fim de jogo

eurogrupo_grecia Numa clara retaliação ao anúncio do Governo grego de referendar mais austeridade para a Grécia, o Eurogrupo (sem unanimidade, naquela que será uma violação dos tratados europeus) anunciou a recusa de extensão do prazo para lá de dia 30 de Junho. Questionado sobre a hipótese de o povo grego dizer SIM a mais austeridade, Jeroen Dijsselbloem afirmou não reconhecer credibilidade ao actual Governo grego – todavia eleito pelo povo da Grécia, ao contrário das instituições que questionam a sua legitimidade. O comunicado do Eurogrupo aqui.

A farinha de que são feitos os euro-boys

Eurogrupo começa com críticas à “decisão lamentável” do referendo na Grécia. Presidente do Eurogrupo criticou o primeiro-ministro grego, que decidiu referendar as propostas dos credores. [DN]

Grécia obrigada a pagar antes do referendo

O poder estabelecido faz o seu movimento.

Dijsselbloem confirmou que o prazo final para o próximo pagamento é mesmo a próxima terça-feira, e disse que o Governo grego não tem credibilidade suficiente para prometer implementar o que os gregos decidirem em referendo. [P]

E a Europa da suposta união terminou oficialmente hoje.

Ministros das Finanças suspendem reunião e voltam a debater já sem a presença do ministro grego Yanis Varoufakis; [P]

E quais foram os grandes motivos da “discórdia”? Os credores não aceitam um imposto de 12% sobre lucros superiores a meio milhão de euros, querem menos 1% no aumento de IRC, recusam que as empresas paguem mais segurança social e querem que a restauração pague 23% de IVA.

Aqui está a barreira intransponível. A não ser que, como é óbvio, a agenda escondida seja outra.

Paula Teixeira da Cruz: não é erro o que foi propositado mas é profundamente errado

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Lembram-se da campanha eleitoral para as europeias de 2009 quando Elisa Ferreira, de visita ao  bairro do Viso, no Porto, afirmou que «pintaram os bairros sociais mas esqueceram-se de dizer que o dinheiro é do Estado, é do PS»? Eu recordo-me perfeitamente e também me lembro muito bem de quanto o PSD e o CDS cavalgaram esta afirmação durante a campanha.

Esta declaração, quando comparada com o caso de Paula Teixeira da Cruz,  que documenta preto no branco o uso do estado pelo PSD, sendo grave, torna-se uma coisa menor, face a quanto é errado mandar directores gerais estudarem o programa eleitoral de outro partido. [Read more…]

Abstenção

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Autoria desconhecida

A situação da Grécia numa curta frase

A intransigência dos credores face às pequenas diferenças das propostas gregas serve para quebrar a insurreição da Grécia face ao poder estabelecido. Pura consolidação do TINA.

Fundamentalismo fiscal

…penhora de “gambas panadas com molho de laranja à parte”, uma “salada verde”, um “bacalhau com espinafres gratinado”, um “cheesecake com coulis de frutos vermelhos” e “pãezinhos”.

Quo vadis Grécia?

Aqui chegados concordo em absoluto com a convocação de referendo na Grécia. Ainda que não subscreva o J.J.C. na verdade o jogo já cansa, caro Jorge, ninguém joga sozinho e haveria que colocar um ponto final em toda esta novela. O programa do Syriza apresentado aos eleitores significava o fim da austeridade. Essa promessa, Tsipras não poderá cumprir qualquer que seja o resultado do referendo. A formulação da pergunta não será indiferente, mas se os gregos optarem pelo sim ao acordo com os credores estarão a desautorizar os negociadores e passar um cartão, veremos se amarelo ou vermelho ao governo. Se votarem não, terão que assumir as consequências, saindo do Euro. Isto caso a consulta aos gregos anunciada para dia 5 venha mesmo a realizar-se, o que não é líquido ainda, mas um acordo de última hora que possa ser considerado aceitável por todas as partes parece agora estar fora de hipótese, apesar dos políticos europeus já terem por diversas vezes mostrado possuir coluna vertebral parecida com uma enguia, principalmente em questões europeias…

Discurso de Alexis Tsipras

A tradução deste discurso foi feita por Isabel Atalaia a partir da tradução não oficial para inglês de Stathis Kouvelakis. Em ambos os casos, as traduções foram feitas com grande urgência, por se entender prioritário difundir um discurso de importância fundamental. Por esse motivo, este texto será actualizado caso se verifique a necessidade de fazer qualquer alteração que salvaguarde a sua fidelidade ao original.

Compatriotas,
Durante estes seis meses, o governo grego tem travado uma batalha em condições de asfixia económica sem precedentes para implementar o mandato que nos foi dado, a 25 de Janeiro, por vós.

O mandato que negociávamos com os nossos parceiros visava acabar com a austeridade e permitir que a prosperidade e a justiça social regressassem ao nosso país.
Era um mandato com vista um acordo sustentável que respeitasse quer a democracia, quer as regras europeias comuns e que conduzisse à saída definitiva da crise.

Ao longo deste período de negociações, fomos convidados a executar os acordos concluídos pelos governos anteriores através dos memorandos, embora estes tenham sido categoricamente condenados pelo povo grego nas recentes eleições.

Apesar disso, nem por um momento pensámos em render-nos. Isso seria trair a vossa confiança. [Read more…]

Aprender mandarim ou o primado do empresarialês

top120charactersArriscando uma sociologia de bolso, diria que, desde os anos 80, pelo menos, o mundo está dominado pelo empresarialês, uma religião (e, portanto, uma linguagem) cujos seguidores proclamam que tudo no universo é uma empresa. Para os cultores do empresarialismo, cabe ao gestor dirigir o mundo, com a avaliação substituída por rankings, ou seja, por listas ordenadas (o gestor, apóstolo do empresarialismo, confunde avaliação com classificação, mas, como qualquer membro de uma seita, não admite argumentos).

Esta religião é seguida por todos os políticos do arco da governação, o que tem condicionado, evidentemente, as decisões sobre todas as áreas. Tudo é, portanto, economia, empresa, dinheiro, excel.

O mais grave é que esta mentalidade já se entranhou no resto da sociedade. Vejamos alguns exemplos, antes de chegarmos (ou voltarmos) à importância dada ao ensino do chinês nas escolas portuguesas. [Read more…]

A ideia foi sempre vender

Bruxelas confirma que Governo não invocou interesse nacional para estaleiros de Viana. Portugal à frente estorva aos negócios.

Referendo na Grécia

Tsipras vai submeter as propostas dos credores a consulta popular. Chama-se democracia e não costuma agradar ao regime. Que o diga Papandreou.

Almada, Barreiro e Seixal à venda

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Objectivo: fazer da Margem Sul «um oásis para o investimento», afirmou o Presidente da Câmara de Almada. O projecto, dito “de posicionamento global”, aqui. Sessões públicas de divulgação do plano de marketing no dia 29 em Almada (na Lisnave), e nos Paços do Concelho do Barreiro no dia 30.

“Isto não é um jogo.”

É uma criançada.

A tensão subiu na cimeira do Conselho Europeu, quando o seu presidente, Donald Tusk, voltou a dizer que “o jogo acabou”, a propósito das negociações com a Grécia. Alexis Tsipras respondeu dizendo que “a Grécia tem 1.5 milhões de desempregados, 3 milhões de pobres e milhares de famílias sem rendimentos que vivem da ajuda dos avós. Isto não é um jogo.”

“Nem você, sr. Tusk, nem ninguém deve subestimar o que um povo pode fazer quando se sente humilhado”, prosseguiu Tsipras, explicando que a Grécia apresentou propostas com medidas difíceis para um país em crise. Para o primeiro-ministro da Grécia, a mudança de posição dos credores durante a semana “reflecte infelizmente as posições mais extremistas do FMI e que não são diferentes dos anteriores programas”. [infoGrécia]

Eis um presidente sem autoridade mas com um ar de mandão.

A destruição que paira sobre Palmira

Primeiro vieram as minas, depois as explosões. Em breve não restará nada. Se houvesse petróleo para trocar por alimentos

 

E ganhou

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A fotografia foi esta.