
Tuttle Creek Rd., Lone Pine, Califórnia, EUA, Junho de 2025
(a propósito de tudo sobre o excelente Bad Day at Black Rock, por causa do Spencer Tracy)
Expor ao vento. Arejar. Segurar pelas ventas. Farejar, pressentir, suspeitar. Chegar.

Tuttle Creek Rd., Lone Pine, Califórnia, EUA, Junho de 2025
(a propósito de tudo sobre o excelente Bad Day at Black Rock, por causa do Spencer Tracy)
I asked one of these girls once what she found so attractive about J.D., and she told me it was his terrific sense of humor: something he’d lost track of this particular night.
— Sam Shepard, Cruising Paradise
***
A minha resposta imediata e sem filtros a esta pergunta

é muito simples: nem uma coisa (senso), nem outra (*censo).
Repito: nem uma coisa (senso), nem outra (*censo).
Procuremos sentido.
Ei-lo: em alemão, em inglês, em espanhol, em italiano, em francês e em grego — (ainda) não há dados nem em neerlandês, nem em tétum, nem em chinês.

Houve senso? Há senso? Claro que não houve senso, claro que não há senso.
O multilinguismo (há vida além do inglês, fyi) é maravilhoso, sim, mas também extremamente útil para pôr determinados pontos nos ii.
Desejo-vos um óptimo fim-de-semana.
***
–Looka there… They don’t care…
— Frank ZappaMe and Tim Ford stole a car once in San Bernardino. One of those early Austin Healeys with red leather tuck and roll and wire wheels.
— Sam ShepardL’arc aboli de tristesse élancée
Dans une lutte imperceptible, ultime
Se raffermit conjointement, minime ;
Les dés sont à demi lancés.
— Michel Houellebecq
***

Embora, como sabemos, haja quem não saiba.
Apresentada mais uma excelente recaída do Expresso, resta-me desejar-vos a continuação de uma óptima semana.
***
Na passada sexta-feira, dia 24 de Abril de 2020, ao fim da tarde, enviei para publicação o meu artigo de hoje no Público. Nos anexos, incluí algumas imagens. Entre essas imagens, encontrava-se esta:

Trata-se de uma imagem deste texto de 19 de Abril de 2020, protagonista do meu artigo de hoje. Como vêem, lá está o vêem de Vital Moreira na quarta linha.
Aumentado, para aqueles que não o vêem bem:

Como refiro hoje, aquando do envio para publicação deste meu outro artigo no Público que tanto incomodou o ex-eurodeputado, adoptei exactamente o mesmo procedimento.
Eis a imagem da discórdia, do texto de 17 de Abril de 2020: [Read more…]
Breathe the pressure
Come play my game, I’ll test ya.
— Prodigy
***
O meu destaque da semana podia ser esta magnífica foto dos heróis do Dragão.

© Global Imagens [https://bit.ly/2TrZPkT]
No sítio do costume, continuam a chumbar nos testes ortográficos da norma que eles próprios criaram e impuseram.

Já agora, é engatar e não enganar (efectivamente, é uma discussão interessante).
***
Keith Flint (1969-2019)

Foto: Francisco Miguel Valada (Endee, NM, a menos de uma hora de Tucumcari), 11 de Agosto de 2006)
Crows swoop down into the empty bandstand. I don’t know what they could be looking for.
— Sam Shepard“Cow that went into them boots musta had the measles, huh? What kinda hide you call that?”
“That’s belly ostrich, sir.”
“Belly ostrich. I’ll be. Ostrich ain’t even a cow, is it?”
— Sam Shepard
***
Duvido que Ricardo Araújo Pereira tenha pronunciado o correspondente a correto, ou seja, [kuˈʀetu]. Muito provavelmente, pronunciou [kuˈʀɛtu], ou seja, correcto. Aliás, Araújo Pereira tem razões para estar irritado com o «politicamente correto», mas contente com Barreto [barrete+o], forreta, carbureto, jarreta, cloreto, coreto e correto, perdão, correcto. Exactamente. Atenção aos ataques ramificados: porque o ‘coreto mais correcto’ funciona, mas o ‘coreto mais concreto’, variante do título, ou até «os teus segredos mais secretos», dos Rádio Macau, nem por isso. Porque, como os crows no coreto e a cow que não é avestruz, «there are more things in heauen and earth Horatio then are dream’t of in your philosophie».

O coreto mais correcto: o da minha infância (http://bit.ly/2G2EO9B). Foto via mapio.net: http://bit.ly/2FUZ0XX
No sítio do costume, já se sabe, não há problemas, é tudo facultativo:

***
Now… I actually changed my mind, just about a year after saying this particular dumb thing.
— Paul Krugman‘Health of the economy’ is defined in such a way that the economy can be extremely healthy while just about everybody is starving to death. Those two things are uncorrelated.
— Noam ChomskyI’d rather ride a horse than drive a car.
— Sam Shepard
***
Quanto ao país parecido com a Emma Watson, efectivamente, o país é… Portugal!
Há cerca de uma semana, Emma Watson «usou tatuagem com erro ortográfico».
No outro dia (muito obrigado ao extraordinário leitor do costume), o jornal A Bola voltou a impressionar-nos com questões de alfaiataria, confrontando o porta-voz do FCP com um fato a usar.

Sim, porque o original da revista Sábado não tem fatos.
No mesmo jornal, também houve estes aborrecimentos com uma grafia (‘factor’) problemática em traduções, como sabemos desde os “human fator issues”:

Hoje, temos o panorama habitual, no sítio do costume.

To talk of Nicaragua as a security threat [to the United States and to the hemisphere] is a bit like asking what security threat Luxembourg poses to the Soviet Union.
— Noam ChomskyThese beings seem completely indifferent to my progress. In fact I might just as well not be here at all as far as they’re concerned. I’ve tried talking them into banishing me entirely—then at least I’d be rid of them. Excommunication. But they don’t speak my language. They don’t speak no language at all. They just hover and moan. Water and blow. Like I’m not here at all.
— Sam Shepard, “The One Inside” (p. 141)
***
Há quase dois anos, indiquei o tratamento dado pela Assembleia da República à ortografia como um excelente exemplo de assimetria entre a vontade do eleitor e a atitude do eleito. Felizmente, no dia em que o Projecto de Resolução do Partido Comunista Português estava a ser discutido, encontrava-me já longe de Chicago, estrada fora, a conduzir na América profunda, em direcção a Bloomington, Indiana, para apresentar uma comunicação numa conferência de Fonologia. Assim, para minha imensa alegria, andei a ouvir a WASK, a WBPE, a WLIT (*) e a WBOW e a abastecer-me de víveres no excelente Pilot Travel Center de Remington.

US Highway 24, Remington, IN, 22 de Fevereiro de 2018
Por isso, fui poupado quer a mais este acto, quer às consequèncias que advêm deste acto e de actos semelhantes a este.

Efectivamente, ovação de pé para o PCP, para o PEV e para Filipe Lobo d’Ávila e Ilda Araújo Novo, deputados do CDS-PP. Exactamente: “um atoleiro“.
***
(*) Curiosamente, ao chegar à estação de serviço de Remington, era esta a canção que a 93.9 Lite FM transmitia — vai já para a lista da 66. E a Ann Wilson (cf. AiC) cantou imenso este clássico:
THE OLD MAN: I am actually married to Barbara Mandrell in my mind. Can you understand that?
EDDIE: Sure.
THE OLD MAN: Good. I’m glad we have an understanding.
— Sam Shepard, “Fool for Love“
***
Poderíamos reproduzir (ou adaptar) esta conversa entre o Eddie (o Sam Shepard deixou-nos há poucas semanas) e o The Old Man (o Harry Dean Stanton deixou-nos hoje, soube há pouco pelo nosso António Fernando Nabais), com o AO90 a servir de Barbara Mandrell (coitada da Mandrell), da seguinte forma:
A PESSOA QUE ESCREVE NO SEXTA ÀS NOVE DA RTP: Eu escrevo segundo o AO90. Percebe?
UMA PESSOA QUALQUER QUE TENHA LIDO E PERCEBIDO O AO90: Claro!
A PESSOA QUE ESCREVE NO SEXTA ÀS 9 DA RTP: Ainda bem que estamos de acordo.

Para banda sonora, se não houver L’idiot, se não houver City of New Orleans e se não houver os meus dilectos Ao Soldado Desconfiado ou The Phoenix, então pode ser o Comboio ou então o Noutro Lugar. Não escolham o Depois de ti, mais nada, sff. Obrigado. Adaptações? Start Me Up é fixe, mas prefiro Love Removal Machine.
Agora, vamos àquilo que interessa:
Quem te não viu anda cego
— Zeca AfonsoDOC: Symptoms, ma’am, symptoms.
SALEM: Symptoms!
SONNY: Things that show on the outside what the inside might be up to.
— Sam Shepard, “La Turista”O penalty é penalty.
— Rodolfo Reis. 27/8/2017
***
Durante as férias, depois dos arredores de Putzu Idu, algures em Portugal, porque era efectivamente sábado e se calhar havia vento de Gibraltar,

Algures em Portugal, Agosto de 2017
apareceu-me este texto de Vítor Serpa, director do jornal da irresponsável resistência silenciosa.
En passant, acho deliciosa a avaliação “excelente”,

feita pelo director do jornal A Bola, de um trabalho “apresentado com rigor”, [Read more…]
-— Ecco l’America — disse il signor Melfa.
— Leonardo Sciascia, “Il lungo viaggio”… down to Tucumcari, picking up 40 West, paralleling the fabled and long-abandoned Route 66—the highway he grew up on. The highway that shaped his youth.
— Sam Shepard, “Williams, Arizona (Highway 40 West)”On the sixth take, I burst in the door; discover the corpse; pause for a second; cross to the radio; pause again; then I smash the radio to the floor with my fist. I just cold-cock the sonofabitch.
— Sam Shepard, “Winging It” (*1)There is a little handmade cardboard sign hanging over the steaming chicken wings that reads: LIFE IS WHAT’S HAPPENING TO YOU WHILE YOU’RE MAKING PLANS FOR SOMETHING ELSE.
— Sam Shepard, “Living the Sign” (*2)
***
A decisão sobre o aspecto deste texto começou a ganhar forma durante a semana passada, algures na strada provinziale 66, ao volante de um Fiat Panda, na direcção de Putzu Idu, a caminho dos arredores de Sa Rocca Tunda.

Dois dias antes, ao chegar ao hotel, ligara o telemóvel e respondera ao Dario: estava sem condições técnicas para escrever e publicar sobre Passchendaele, ele que tratasse disso. De repente, algures nas notificações, a notícia do Público. Dois dias antes, ligado ao Feicebuque, precipitara-me e prometera um texto para o fim-de-semana. Dois dias antes de este texto começar a ganhar forma, algures na strada provinziale 66, ao volante de um Fiat Panda, na direcção de Putzu Idu, a caminho dos arredores de Sa Rocca Tunda. Acabou por ser adiado para terça-feira. Exactamente: para hoje. There were more urgent emergencies than mine (*3), citando o Shepard.

© Bruce Weber (http://bit.ly/2wyXcia) Sam Shepard with his Hermes typewriter, in New York City
Para o Shepard, tudo começou aos 19 anos em NYC. Para mim, começou também mais ou menos por essa idade, na mesma latitude, mais coisa menos coisa, mas num consultório médico, no Porto, mais concretamente, na rua Arquitecto Marques da Silva.
— Boa tarde, consultório médico. Com certeza, dê-me só um minutinho — disse a Fernanda, que conhece a minha familia desde que o Dr. Mena Matos tratou a minha bisavó — Sim, sim, só um bocadinho, não desligue — virando-se para mim — Miguel, hoje, o senhor doutor tem muitos doentes e isto é capaz de demorar. Se calhar, em vez de ficar aqui a apanhar seca, ia ali abaixo, tomava um cafezinho… [Read more…]

© Rui Gaudêncio (http://bit.ly/2dhUUdi)
Well I keep seeing this stuff and it just comes a-rolling in
And you know it blows right through me like a ball and chain— Robert Allen Zimmerman, “Brownsville Girl“
***
Eis um Governo que sorri e encolhe os ombros, enquanto “aguarda serenamente“, mas depois é apanhado a entregar documentos de duvidosa qualidade técnica. Aliás, na senda daquilo que aconteceu com o OE2012, o OE2013, o OE2014, o OE2015 e o OE2016.
Antes de passarmos ao Relatório do Orçamento do Estado de 2017, debrucemo-nos muito rapidamente sobre exemplos da Proposta de Lei: [Read more…]

Photo: Alamy (http://bit.ly/1X7qfUl)
HALIE. Language! I won’t have that language in my house! Father I’m—
— Sam Shepard, “Buried Child”
STANLEY: In Laurel, huh? Oh, yeah. Yeah, in Laurel, that’s right. Not in my territory. Liquor goes fast in hot weather.
— Tennessee Williams, “A Streetcar Named Desire”
CORA–(teasingly) My, Harry! Such language!
— Eugene O’Neill, “The Iceman Cometh”
***

There were more urgent emergencies than mine.
***
Esta imagem, do Prós e Contras de ontem, merece três breves comentários (*):
A nova ortografia só se estenderá a todos os textos do jornal, respectiva primeira página e manchete, caro Leitor, quando já ninguém estranhar a palavra “facto” escrita sem cê.
Continuação de uma óptima semana.
(*) O ‘contra-natura’ da frase de Ribeiro é extremamente interessante, mas neste momento há “more urgent emergencies”.

© 2006 La MaMa production (http://bit.ly/toothofcrime1)
Hoss: How could this happen? — Sam Shepard, The Tooth Of Crime
***
– Explique-me, por favor: quem é que intervém directamente na avaliação do desempenho dos docentes do ISCTE-IUL?
– É muito simples. Na avaliação do desempenho dos docentes do ISCTE-IUL, intervêm directamente quer o Avaliado, quer…
– O Avaliado intervém directamente na avaliação do desempenho?
– Sim, o Avaliado intervém directamente na avaliação do desempenho. Leia o Regulamento de avaliação do desempenho dos docentes do ISCTE-IUL e perceberá: “Intervêm directamente no processo de avaliação do desempenho: a) O Avaliado; b) O Diretor do Departamento…”…
– O Diretor?
– Exactamente: o Diretor.
– Está a insinuar que o Diretor do Departamento intervém directamente na avaliação do desempenho? O Diretor intervém directamente? Desde quando é que um Diretor intervém directamente? Qualquer dia, temos [Read more…]

Um longo monólogo, com muitos gestos e fundo musical E o colega com bichinhos carpinteiros. As perguntas que já não se fazem, colocam-se. Uma confusão de pessoas e de nomes. No afã de interromper e de falar por cima, quase saía um cinquenta por cento, em vez de trinta.

O governo da República Portuguesa publica uma nota sobre Educação utilizando uma fotografia de um suposto professor em suposto ambiente de suposta sala de aula com um quadro e giz.
Há quantas décadas desapareceram os quadros e giz das salas de aula na república portuguesa…?
Efectivamente, na KEXP.
Por acaso, já agora… Um dia, estava eu no Castle Howard, a recordar, reviver e revisitar, mas num ambiente pop, quando me apareceram de surpresa. Amanhã, em Bruxelas, voltarei a vê-los e ouvi-los. Com novidades, anunciadas há meses por Alexis Petridis, como “alien offshoot mushroom, going the gym to get slim“, “my dream house is a negative space of rock” ou “when I was a child I wanted to be a horse, eating onions, carrots, celery“. Em princípio, será isto. Veremos.

Segundo EUA e Israel, o Irão está militarmente obliterado. Na realidade, há mísseis iranianos a atingir localidades de Israel (que tem das melhores defesas aéreas do mundo), além da península arábica.
Falta pouco para Trump dizer que acaba esta guerra com um telefonema.
Subida exponencial do preço do petróleo, aumento da inflação e das taxas de juro, perda de poder de compra, perigo de incumprimento nos créditos bancários, tudo em ambiente de forte especulação e de bolha imobiliária. Onde é que eu já vi isto?!
diz Santana Lopes. Pois. Mas só uma pessoa escreveu «agora “facto” é igual a fato (de roupa)». Uma.
Vinícius Jr. “incluiu a Seleção Nacional no lote de favoritos à conquista do Mundial 2026“. Lembrete: ‘selecção’ ≠ ‘seleção’.
Efectivamente, no Expresso: “Enfermeiro nomeado para coordenador da Estrutura de Missão para as Energias Renováveis deixou o cargo quatro dias depois da nomeação ter sido publicada“.
É possível lermos, num artigo de Jorge Pinto, “um partido que defende a política assente na ciência e nos dados” e a indicação “O autor escreve segundo o acordo ortográfico de 1990“? É.
“uma constatação de factos“. Factos? Com /k/? Estranho. Então e o “agora facto é igual a fato (de roupa)“?
“o nosso sentimento e as nossas condolências para com as famílias daqueles que não evitaram a trágica consequência de perder a vida”. Sacanas das pessoas, culpadas de não terem evitado morrer.
Não é Trump always *chicken out (00:31). O verbo é to chicken out, conjugado na terceira pessoa do singular (presente do indicativo), logo, aquele s faz imensa falta. Oh yeah!
Por lá, pó branco, só se for gelo. Como sabemos, o combate à droga é a motivação destas movimentações. A libertação de Hernández foi uma armadilha extremamente inteligente para apanhar os barões da droga desprevenidos.
Oferecer um calendário ou uma agenda a Mourinho. O jogo é na terça…

« Mais vous avez tout à fait raison, monsieur le Premier ministre ! » (1988). Mas, prontos. Voilà. Efectivamente.
Existe uma semelhança entre as pianadas do Lennon no Something e do Tommy Lee no Home Sweet Home.
Moreira, mandatário de Mendes, admite que avanço de Cotrim o levou a não ser candidato a Belém. Júdice, mandatário de Cotrim, votará Seguro na segunda volta.
O “cartel da banca” termina com um perdão de 225 milhões de euros aos 11 bancos acusados de conluio pelo Tribunal da Concorrência. Nada temam!
Recent Comments