Vive la Révolution

Este artigo de Pedro Cardim é das coisas mais pertinentes que já li nos últimos tempos no que diz respeito à questão dos nacionalismos ibéricos. A questão da Catalunha é secundária, apesar de começar por ser a razão do texto. O que interessa verdadeiramente são as considerações do autor sobre o chamado “nacionalismo” português. Infelizmente, alguns comentários ao artigo são, como sempre, mostras de alguma ingenuidade e anacronismo.

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Finalmente, a praxe

Sendo que sou estudante e estou inserida no sistema de ensino superior português penso que tenho alguma legitimidade para falar sobre este assunto.

Devo confessar que – devido à  natureza e à história da minha universidade – até há relativamente pouco tempo eu achava que as praxes nas universidades públicas eram brincadeiras em que a malta era pintada e faziam flexões e todos bebiam cerveja por 50 cêntimos. Sabia que Coimbra era uma excepção mas sinceramente não fazia ideia que na maioria das universidades a praxe era tão divulgada e tão universal. Entretanto, comecei a ler umas coisas e a falar com pessoas e a desenhar algumas conclusões. Escusado será dizer que a minha faculdade não precisa de retirar legitimidade da “tradição académica”. Isto tudo para explicar que a partir do momento em que entrei para a faculdade nunca me foi incutido que a tradição académica era importante para avaliar o valor de uma universidade, seja ela qual fosse.

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Também não deixa de ser irónico que esta novela do Ronaldo alcançou o seu ponto máximo (com as declarações do governo) hoje. No dia em que se descobriu que este ano a emigração foi superior à Natalidade. É certo que daqui a 100 anos talvez já não haja Portugal, porque vai deixar de haver Portugueses mas ao menos defendemos o Ronaldo. Infelizmente, esqueceram-se do resto.

Quando se perguntarem, esta é a razão

Portugal: O país que aceitou a Troika, que aceitou o FMI, que aceitou a austeridade, que lê o Sócrates, que votou em Passos mas que pede a demissão de Blatter porque disse não sei o quê sobre o Ronaldo.

 

O problema de Sócrates

Demorei algum tempo até conseguir perceber porque razão é que este repentino protagonismo de José Sócrates me irritava de formas que só são comparáveis áquilo que sinto quando leio o Daily Mail.

E finalmente, acabei de perceber.

É esta atitude de homem que não deve nada a ninguém, não só de quem acha que não tem responsabilidade nenhuma, mas de quem pretende fazer um balanço e distanciar-se daquilo que fez, como a dizer que superou tudo e saiu a ganhar, como que saído de uma música do Sinatra ou da Edith Piaf. Esta superioridade moral de um homem descansado e de bem com a sua consciência que ele pretende mostrar. Esta distinta lata de dizer de forma nem disfarçada que foi para Paris enquanto o País está a arder e de regozijar-se pelo tempo que lá passou. Esta atitude de “agora sou um homem franco e honesto e ninguém pode tocar-me até porque não quero saber do povo” como se nunca tivesse mentido, inventado, como se não tivesse responsabilidade no estado a que isto chegou. É esta ausência de responsabilização, a dele e daqueles que lhe dão atenção, que me choca. Uma falta de dignidade, de gajo que nunca teve talento mas que continua a escrever livros.

É a falta não de qualidades democráticas, mas de dignidade, de saber sair de cena e estar calado porque só neste país é que continuamos a alimentar estes “pais da pátria” e corremos o risco de permitir que Sócrates – porque disse merda e chamou filho da mãe a um alemão – se torne mais um pai da pátria que andaremos todos a sustentar e a ouvir durante os próximos anos. Mas cada um tem as elites que merece, e nós, by God, nós merecemos.

A condição do académico

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Há uma semana fui ver o filme sobre a Hannah Arendt. Estava à espera de gostar e não saí desapontada. Hannah Arendt é uma filósofa e académica admirável e o filme demonstra algo que me é caro em vários sentidos. A coragem de um académico em publicar algo que vai ser polémico ou que pode constituir uma polémica é uma situação que hoje em dia tem vindo a ser diminuída porque chegou-se a este estado em que a polémica para ter dimensão tem que ser escandalosa. Actualmente, parece-me, é difícil existir polémica no mundo académico – e que esta passe para o mundo não-académico – sem um certo sensacionalismo.

 

Mas não é isso que acontece com Hannah Arendt. Arendt faz o seu trabalho como académica: ela tem um objecto de estudo, ela examina-o, estuda-o, pesquisa, pensa e chega a conclusões. Tenta fazê-lo com a maior honestidade intelectual possível e fá-lo sempre como académica, como alguém que foi treinada desde muito cedo a pensar e a racionar e a ser crítico. A academia é isto. Arendt no filme personifica aquilo que a intelectualidade e a academia têm de melhor. Não põe de lado as suas opiniões pessoais mas elas são suportadas. Não põe de lado a emoção porque é isso é necessário a um trabalho académico, mas utiliza a emoção para amplificar a qualidade da sua escrita e do seu trabalho.

 

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Coisas

Vamos lá ver se compreendemos uma coisa básica sobre Oeiras.

O facto de Oeiras ser o Concelho com maior número de licenciados não significa que todo o Concelho seja licenciado ou que todos os licenciados tenham votado no Isaltino/Paulo Vistas ou mesmo que os licenciados sejam uma maioria na população do Concelho.

Segundo, se devemos responsabilizar as pessoas que votaram no Paulo Vistas – e ainda bem que o fazemos – devemos pensar bem nesta coisa de colocar um homem que foi presidente da Câmara de Santarém durante anos como candidato à presidência da Câmara de Oeiras. É a mesma lógica Seara/Costa. Não faz sentido. A estratégia não resulta. O que não significa que as pessoas que votam em Oeiras não deviam ter vergonha na cara mas vergonha também devia ter o PSD que depois de 40 anos de Democracia devia ter um bocadinho mais de respeito pelos eleitores.

Silly Season mas não tanto

Gostaria que alguém me explicasse o que raio passou pela cabeça da VISÃO e do jornalista Luís Almeida Martins, para escrever um artigo laudatório sobre o Marquês de Pombal a comparar o que não é comparável (a situação do Portugal no século XVIII com a situação portuguesa hoje em dia) e repleto de todo o tipo de banalidades. Esperava-se mais da VISÃO, especialmente num artigo que faz a capa da revista (Nº1066, 8 a 14 de Agosto).

As banalidades sucedem-se e lamentavelmente verifica-se que o senhor jornalista não deve ter lido um único livro (para além do Memorial do Convento que é tão válido como a Hilary Mantel a escrever sobre o Thomas More) sobre o que está a escrever: O Convento de Mafra foi uma inutilidade, D. João V foi o pior rei que Portugal teve, o Marquês de Pombal salvou o país. O Marquês de Pombal salva o país porque há um para salvar  porque é D. João V que consolida a posição de Portugal na Europa depois do país ter passado 60 anos integrado numa Monarquia compósita porque se não fosse a política diplomática das embaixadas ao Papa, da construção do Convento de Mafra, num século onde a diplomacia se mistura com o poder absoluto dos monarcas, com o despotismo iluminado, com Luís XV e Versalhes, em que a política vivia das aparências e do poder não só que se tinha, mas que se devia parecer ter, era necessário o Convento de Mafra, tal como era necessário o Patriarcado (isto porque o Papado só reconheceu Portugal como reino independente da monarquia Hispânica vários anos depois de 1640). Tratar isto como um capricho de um rei para que a rainha ficasse grávida é de uma simplicidade estupidificante que fica francamente mal à VISÃO.

Depois vem a historieta de ai-ai a Inquisição do D. João V como se o Marquês de Pombal tivesse sido um revolucionário, um modelo de virtudes democráticas e defensor do Estado Social. E não há neste artigo uma única referência a um livro ou a um historiador. Não me admira. Eu sei que isto é Verão e a malta não aprecia ter muito trabalho no Verão mas isto faz capa. Já estou como dizia o David Starkey aqui há umas semanas a respeito do livro da Hilary Mantel: “ela escreve muito bem, eu é que não a consigo ler porque sou um historiador Tudor.”

É que é tudo mau

O que concluo desta entrevista de José Sócrates é que um curso de filosofia de dois anos em Paris não serviu para o senhor aprender coisas que pudessem modificar o seu discurso/maneiras/pensamento etc. Continua exactamente na mesma. É quase assustador. Anda uma pessoa a pagar propinas para isto.

Ainda sobre o vídeo de Camilo Lourenço

Comentário de Maria João Branco, professora de História Medieval na FCSH, Universidade Nova de Lisboa no Facebook:

“Também talvez alguém lhe devesse contar que, por exemplo, em Oxford consideram Economia o curso menos útil e mais estupidificante de todos. Até Gestão teve grande dificuldade em imperar, embora agora a Said Business School tenha bastante prestígio. O presidente de um dos colégios mais prestigiados era licenciado em Filosofia e foi o chefe do Tesouro da Thatcher durante vinte anos. Quando lhe perguntei como tinha feito para compreender as complexidades da Economias, olhou-me com espanto e disse-me: “- mas isso aprende-se em qualquer estágio de 3 meses, é uma idiotice passar anos a estudar uma coisa tão óbvia”. Os cursos mais valorizados para tudo, especialmente para o civil service, diplomacia o bolsa de mercados são, em primeiro lugar Clássicas e logo a seguir História, pela capacidade de compreender problemas complexos, equacionar dados múltiplos de forma crítica e produzir respostas e soluções inovadoras. Seria de pedir um comentário a este senhor, sobre esta e outras realidades de países com bastante tradição em eficiência e profissionalismo?”

Momentos em que eu me apercebo que o Eça tinha razão

Aparentemente há uns dias no Punto Pelota, um programa sobre futebol em Espanha, Josep Pedrerol (um catalão by the way) resolveu dizer que a razão pela qual Mourinho e Ronaldo são odiados/perseguidos pela imprensa é porque são portugueses. As pessoas que comentam no Record e em caixas de comentários semelhantes exultaram. Finalmente! O mundo não diz que o Messi é melhor que o Ronaldo porque de facto é assim. O facto de Ronaldo e Mourinho serem odiados em Espanha não tem nada a ver com os comportamentos que tiveram até agora. Não. É porque são portugueses. É uma explicação tão fácil que esconde todo o tipo de pecados. Um pensamento também muito português: a culpa nunca é nossa e se podermos culpar circunstâncias exteriores a nós, epá melhor ainda.

Curiosamente, (ou talvez não) os comentários do Record são eles próprios de uma xenofobia que faria Nick Griffin corar de vergonha. (E afirmações históricas à lá Ribeiro e Castro que me fazem acreditar que Vitorino Magalhães Godinho devia ser leitura obrigatória desde a primeira classe).

 

“If you had any HEART in you, you would be crying for the palestinians”

Não sei quem é o Sr. Gol. Desconhecia a sua existência até ontem quando me deparei com esta notícia. E tenho pena de não ter estado presente nesta conferência porque tenho quase a certeza que tinha dado uma de Norman Finkelstein.

A mim apetece-me dizer muitas coisas e mandar o Sr. Gol para muitos lados nomeadamente para o sítio de onde veio e não sair de lá. Pergunto-me até como é que um embaixador pode dizer estas coisas e como é que nós ficamos a ver. Mas claro que o nosso Ministro dos Negócios estrangeiros deve andar mais preocupado em sancionar membros do partido dele e está-se pouco borrifando para embaixadores ignorantes.

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O sentido de Britishness

As aberturas dos Jogos Olímpicos foram sempre uma celebração de alguma coisa, nomeadamente do país que os organiza. Não há duvida que este ano foram uma celebração daquele sentido de Britishness. Do que é ser britânico. Estava, sinceramente, à espera de algo muito mais nacionalista com armadas espanholas e Henriques V. Mas afinal não. Os britânicos, espertos, celebraram o que têm de melhor. O humor, o fair play (os sex pistols a tocar o God Save the Queen), a literatura, a fantasia, a diversidade. Sim, o Reino Unido que se mostra nestes Jogos não é o Reino Unido que o BNP (British National Party) gostaria que fosse. O que sópode ser uma coisa boa. É uma entidade que mais do que nunca celebra a junção entre o tradicional e o moderno. Entre o antigo e o novo. E mais nenhum país no mundo consegue fazê-lo com tanta mestria e com tanto sucesso, independentemente das tensões que surgem.

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Coisas que na realidade são óbvias mas parece que não são

Vamos lá ver se a “gente” se entende quanto ao Relvas e isto vai para os meninos e meninas de direita/PSD que populam a blogosfera. Parece-me que no fundo esta questão/discussão é muito semelhante àquela que ocorreu há um par de anos sobre a licenciatura duvidosa de José Socrates. Os protagonistas mudam, as universidades são diferentes e sem dúvida o modos operandi também é diferente. Isso não interessa nada. O que verdadeiramente interessa é o âmago da questão e, como sabemos, se há coisa que os portugueses gostam de fugir é ao âmago das questões.

Como já referi quando se tratou do caso de Sócrates é me completamente indiferente se o senhor “engenheiro” e agora o “Dr.” Relvas têm a quarta classe ou o doutoramento em Oxford (aliás esta história do uso indiscriminado “títulos” académicos em Portugal só porque fica bem dá me cabo dos nervos. Quem tem uma licenciatura não é doutor de coisa nenhuma). Evidentemente que o que aqui está em causa é o princípio. Sabem, aquilo que devia regular a política e só alguém desonesto é que o pode negar. E o princípio aqui é que dúvidas pertinentes foram colocadas quanto ao percurso académico de um ministro, percurso esse que deixa transparecer irregularidades.

Posto isto, as meninas e meninos da blogosfera que tão lestos foram em exigir esclarecimentos e provas a Sócrates há dois anos têm que ter a mesma postura agora com Relvas.

É que não é preciso tirar um curso para perceber isto.

Acho que até o Relvas lá chega.

Pensamento do dia

Independentemente da derrota da Selecção, ontem sobressaiu novamente um traço muito fincado daquilo que é o “ser português”: as vitórias morais. O português é um individuo que, seja no que for, nunca perde. Seja no futebol, seja na política, seja na lotaria, seja nos concursos de televisão, seja num concurso literário, os portugueses nunca perdem. Não. Os portugueses são dignos na derrota e como “jogaram” tão bem são vitoriosos moralmente.

 

Ainda ninguém percebeu exactamente o que é uma vitória moral. No fundo, é uma compensação pela tristeza de se ter perdido. Um “pronto mas ao menos…”. Um “ao menos não se perdeu tudo”. Saímos vitoriosos moralmente ontem. Portugal fez 3 ataques contra uma Espanha que jogou mal e teve menos dois dias de descanso, mas aparentemente jogámos bem e foi uma vitória moral. Ou seja, isto nem sequer é uma questão de dignidade. Dignidade tiveram os irlandeses. Isto é uma questão de recusa da derrota. Não faz parte do “ser português” admitir derrotas.

 

Talvez o que faça realmente falta a Portugal é uma derrota forte e decente sem hipótese sequer para moralidades, para começarmos a perceber que quando se perde há que mudar alguma coisa para se ganhar no futuro.

 

E não. Isto não é um post sobre futebol.

 

Mas nunca!

O que vale é que os Isrealitas nunca desapontam. 

Podemos sempre contar com eles para encarar de frente as pequenas ironias da vida e da História. Ou as grandes ironias:

“(…)alguns responsáveis políticos israelitas, incluindo o primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, terem insultado os imigrantes como “um cancro no nosso corpo”, “uma praga nacional”, “uma ameaça, por serem muçulmanos – a doença mais terrível que há no mundo”, “um vírus que pode explodir a qualquer momento”.

Se este discurso saísse da boca da Ângela Merkel ou do Sarkozy ou de Cameron era uma escandaleira e havia manifestações e ai ai que vêm aí os nazis. Mas como é da boca de alguém que sofreu ás mãos dos nazis ninguém liga nenhuma.

Está certo.

 

 

Eu que sou das intrigas…

Samuel de Paiva Pires acusa Rodrigo Moita de Deus de ser um “Abrantes”. Rodrigo e mais uns senhores, incluindo o Jacinto Bettencourt, dizem que não são “Abrantes” e por alguma razão acusam Samuel Pires de ser pouco patriota. (Ui, o medinho, A acusação mais usada nos nossos dias: não ser patriota logo em vésperas da Selecção jogar. Já disse que sou pela Holanda? Senhores, eles falam do Felipe no hino! Do Felipe!)

Eu não sei bem quem tem razão até porque como diz e bem o Rodrigo eu não sou de intrigas. Mas sei que alguém me devia explicar qual a diferença entre isto e isto.

PS: Miguel Relvas deve demitir-se. E já. Isso sim seria zelar pelos interesses da “pátria” na medida em que se começava a instituir regras e a tentar imbuir os nossos governantes de princípios. Sabem, aquilo do exemplo. Só que em Portugal o exemplo devia vir de baixo. Isso sim era de valor.

Barsa per sempre

Independentemente da bola de ouro ou não, qualquer pessoa que gosta do Barcelona – e percebe a filosofia inerente áquela equipa – estaria mais preocupada com a equipa, como eu estou, do que com este ou aquele jogador em particular. Equipa que está obviamente a atravessar uma fase má. O próprio Messi pensa assim. Faz parte da filosofia da equipa e do que incutem nos jogadores. O Messi já ganhou três bolas de ouro, acho que já está mais que afirmado que é um dos melhores jogadores de sempre e parece-me muito provável que vá ganhar outra, mesmo que não seja este ano será para o próximo ou próximo. Só tem 24 anos afinal de contas. Mas o que interessa na realidade é a equipa. Preocupa-me tanto o facto do Messi não vir a ganhar a bola de ouro como o facto do Villa estar lesionado, do Piqué ter ido para o hospital ou do Abidal continuar a jogar.

Eu, em resposta a um colega que perguntou no facebook “onde estão todos aqueles que apoiam o Messi?”. Estão aqui e estarão sempre.

Um furo

Hoje a televisão portuguesa teve um dia em cheio. De uma assentada, bateram no Rei de Espanha, nos católicos existentes em Portugal e agora nos jovens portugueses devido à suposta ignorância. Isto é um furo, um furo.

Dos Piquetes em dia de greve

Os Piquetes são a forma mais cobarde de coacção à greve. É uma prática anti democrática que viola um principio básico da Democracia: A Liberdade. Para fazer greve, para não fazer, para ir trabalhar, para ficar em casa. Para concordar com a greve, para a repudiar. Aparentemente, os que montam piequtes apoiam a Liberdade desde que isto implique que todos concordem com eles.

Somente Braudel

Fernand Braudel nasceu em França em Agosto de 1902. Ele é na minha modesta e insignificante opinião, o melhor historiador do século XX. O que quer dizer que ele é o melhor Historiador da História, se tivermos em consideração o que hoje em dia entendemos por História. É de sublinhar, contudo, que este tipo de classificações valem o que vale, o que é “melhor” ou não é muito relativo quando falamos de Ciências Sociais, ou cientistas sociais. Mas se tivesse que haver um melhor seria Braudel. Ele queria ser médico mas o seu pai não concordou e então ele tornou-se professor depois de estudar História. Depois de ensinar em algumas escolas de Paris e depois de conhecer Lucien Febrvre, um dos fundadores dos Analles, foi para o Brasil onde ajudou a fundar a Universidade de São Paulo.

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A pergunta

Como se pode achar que C. Ronaldo é melhor que Messi? É que esta discussão está desactualizada. A pergunta já não é se Messi é o melhor do mundo. Isso é indiscutível. A pergunta é: será que ele pode ou não ser o melhor da História?

A Justiça Portuguesa

A Justiça para os portugueses é sinónimo de alcançar o veridicto que os “populares” querem. E enquanto assim for continuaremos a ser um país de terceiro mundo. Com crise ou sem crise, a verdade é inegável: no fim de tudo, o que faz um país não é o terreno, não é o clima, não é a História. O que faz um país é a sua população, são as pessoas. No nosso caso, são os portugueses. E os portugueses à porta do tribunal da Lousada o que estão realmente a pedir, embora provavelmente não o saibam, é o regresso da Inquisição. O Cardeal D. Henrique ficaria orgulhoso. Orgulhoso. E não me venham falar de emoções. Como dizia a Margaret Thatcher no filme, as pessoas sentem demais. Hoje em dia, só se sente, só os sentimentos interessam. Pensem mais. E pensam mais pela cabeça e menos pelo que dizem na televisão.

O homem que gostava das mulheres

As minhas férias acabaram há uns dias. E para gastar os últimos cartuchos passei as últimas três semanas a ler os livros do Stieg Larsson, a saga Millennium. Li, nesse espaço de tempo, cerca de 1900 páginas. Normalmente não critico livros. Mas a verdade é que nos últimos dias a minha vida revolveu à volta desta colecção. E tenho sem dúvida algumas coisas a dizer.

Os livros de Stieg Larsson não são seguramente literatura da primeira linha, uma obra de genialidade como as que saem da pena de Garcia Marquez ou Thomas Mann. Sublinho isto porque já sei que os intelectuais do costume gostam de olhar para este tipo de livros com o sobrolho franzido e com ar de “estás a ler isso? Com a tua idade lia Dostoievski!”. Ou o sexto melhor poeta bielorrusso. Descansem. Stieg Larsson não é um génio da História da Literatura. Mas se tivesse que descrever a obra dele há uma expressão que me parece muito apropriada: São francamente bons. Estão bem escritos, bem construídos e extremamente bem pensados. Estão bem relacionados. Quem escreve ou já tentou escrever ficção, sabe que uma das coisas mais difíceis de conseguir fazer é estabelecer ligações, ou seja, fazer com que tudo bata certo, com que tudo faça sentido. Larsson faz isso na perfeição. É óbvio que há um ou outro pormenor que escapa, uma ou outra coisa que seria muito difícil de acontecer na vida real. Mas mesmo assim, para a quantidade de personagens que são criadas, para os vários enredos que coexistem é fantástica a maneira como ele consegue conjugar tudo isto. Este é um dos muitos factores que explicam o sucesso desta colecção.

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Thatcher: O filme e não só

Este vídeo do PUBLICO que conta com o comentário de Teresa de Sousa contém tudo aquilo que eu penso sobre Thatcher. Teresa de Sousa consegue fazer uma análise a roçar o perfeito na medida em que enquadra Thatcher, em que a coloca no seu devido lugar, no seu tempo. Ainda não fui ver o filme mas espero bem que ele demonstre tudo isto. Que explique precisamente quais as condições à volta da sua chegado ao poder e porque razão é que elas são tão extraordinárias. Espero bem que ele demonstre tudo isto. É ver, meus amigos, é ver.

Eu, futura emigrante supostamente qualificada me confesso

Diz Bruno Faria Lopes, neste texto, algo que eu já tinha percebido mas que aparentemente vai contra tudo aquilo que as nossas “elites” querem transmitir. Ou seja, que Portugal é um país de pequenos génios que não tendo apoio suficiente são obrigados naquilo que é considerado um esforço hercúleo a deixar o país e ir para ambientes tão hostis como Inglaterra, Suíça, Alemanha etc.

E cito:

E assim chegamos ao segundo mito: sem a crise económica não perderíamos a nossa “geração mais qualificada de sempre”. Não é verdade. Sem crise Portugal teria menos emigração jovem qualificada, mas mesmo assim sofreria uma taxa significativa de “brain drain”. Joana Azevedo, investigadora do CIES/ISCTE, explica que em inquéritos feitos a jovens portugueses na Irlanda (alguns a trabalhar, por exemplo, na Google) percebeu que o desemprego não foi a causa principal de saída. O motivo foi a procura de uma cultura de trabalho mais centrada no talento, menos hierárquica e com mais gente boa, onde se pode aprender mais e ganhar um salário mais alto. As pessoas com mais impacto potencial na economia (o que restringe a definição do termo “cérebro”) saem não tanto por falta de oportunidades em Portugal, mas por falta de oportunidades boas, criadas não só pela economia mas também pela cultura laboral e de gestão. Não há suficientes chefias boas a ensinar. A gestão é hierárquica e motiva pouca participação. Os salários são baixos e mal distribuídos face ao topo. As gerações que educaram os jovens com um foco excessivo na auto-estima dominam um ambiente de trabalho que hostiliza as expectativas emocionais e profissionais desses mesmos jovens [Ler mais ...]

O que eu acho dos Globos de Ouro, dos Óscares, dos Bafta e disso tudo

A mulher que pode fazer o discurso mais confuso de sempre, dizer merda ao vivo e a cores, (O Gervais disse Fuck, mas é o Gervais) mas ninguém quer saber. Porque ela é a melhor actriz viva.

A Arte de não quererem saber

Depois dos britânicos se terem recusado a tomar parte no acordo que foi elaborado ontem pode-se adivinhar a reacção de toda a Europa. De facto, ingleses pobre e mal agradecidos que nem o euro têm, ai ai que chatice. Pois. Isto é um acordo económico e eles nem o euro têm. Sinceramente, se eu fosse ao David Cameron nem lá tinha posto os pés porque no fundo não é nada com eles. Vamos pensar, agora. Cameron fez isto para consumo interno.Sarkozy não gosta, Passos lamenta-se? Pois, mas basta olhar para as headlines dos jornais ingleses para saber qual a opinião. Aliás enquanto os jornais europeus (veja-se o público que nas primeiras linhas desta notícia) tratam o resultado como se este tivesse sido uma derrota de Cameron, os jornais ingleses tratam isto como uma corajosa tomada de decisão por parte do PM britânico. Ainda não fui à caixa de comentários do Telegraph mas não preciso porque já estou mesmo a imaginar.

Remember, remember…

Se há coisa que aprecio nas manifestações, para além das pessoas que levam os filhos, são as máscaras do V for vendetta. É um excelente filme com uma excelente mensagem, sem ironias nem sarcasmos. “Government should be afraid of the people”. É verdade.

O que não deixa de ser fantástico é que para a maioria dos manifestantes – os que agora estão em Lisboa e todos os outros que se apropriam do símbolo, os “indignados” – a máscara é apenas sinónimo do V for Vendetta. Mas a ironia do Destino é que aquela máscara simboliza um homem que tinha pouco de revolucionário. Guy Fawkes e os seus conspiradores queriam o regresso a uma “antiga ordem” (para sermos dramáticos). Católicos que queriam rebentar com o Parlamento inglês e com o Rei porque este era protestante. Católicos que queriam que Inglaterra regressasse ao catolicismo. E uma conspiração que serviu, em termos muito práticos, para aumentar o ódio em relação aos “papistas”.

Tenho muitas dúvidas em relação à liberdade dos católicos ingleses. Não o eram. Mas também tenho a certeza que um homem que queria o regresso ao catolicismo não é propriamente a personificação que os indignados almejam. Guy Fawkes e os restantes conspiradores não eram uns revolucionários. Eram homens do século XVII inflamados pelas lutas religiosas, influenciados pelas intolerâncias da altura. Não se enganem e que não vos suba à cabeça. Embora, talvez seja apropriado. As máscaras estão como os protestos, claramente. Os “indignados”, os grevistas, as CGTP’s etc. não são revolucionários.

Falha Felipe? (ou o Rei que sabia que não o queria ser)

No âmbito de uma apresentação oral (que está marcada para o final do semestre) para história moderna fui obrigada a acelerar os meus estudos em relação a Felipe II de Espanha e deixei para trás o Thomas More, com grande pena minha porque o tempo não dá para tudo.

Descobri então que a pergunta “política” mais óbvia que se faz em relação a Felipe, e que a mim sinceramente não me tinha passado pela cabeça, é: “Felipe é um falhanço? Falha nos seus objectivos? Falha para com o Império Espanhol?” Para responder a isto é necessário ter em conta certos factores.

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