Merci pour tout

The Charlie Hebdo' s cartoonist Luz shows a special edition of French satirical magazine Charlie Hebdo, on November 3, 2011 during an editorial conference at the Theatre du Rond-point in Paris, one day after the offices of French satirical magazine Charlie Hebdo have been destroyed in a petrol bomb attack last night. The edition of the paper published yesterday, which was called Charia Hebdo - a play on the Islamic word sharia, was intended to

O cartonista Luz do jornal Charlie Hebdo anunciou publicamente a sua intenção de sair do jornal após Setembro. Especula-se de uma forma oblíquia que a razão esteja ligada ás questões financeiras que estão agora a ser discutidas pela direcção do jornal. Mas é evidente que os motivos são muito mais profundos do que isso. Recorde-se que Luz não é só um dos históricos do jornal como foi das primeiras pessoas a chegar à redacção, ainda antes da polícia, e foi ele que encontrou os corpos dos colegas. Depois, forçou-se a si mesmo a trabalhar para chegar à famosa capa: “Tout est pardonné”.

Devo confessar que tenho um enorme respeito por este homem. Se dois fanáticos matassem os meus amigos em nome de uma ofensa imaginária, em nome do ódio e da babaridade pura, em nome de fosse o que fosse, eu nunca perdoaria. A capa de Maomé a chorar, o “está tudo perdoado” é um dos maiores exemplos de perdão. Eu não perdoaria. Mas eu também não sou Charlie. Na realidade, muito pouca gente o é. Muito pouca gente teria a coragem desinteressada para o ser. Muito pouca gente tem coragem para rir e para pensar – porque é disso que estamos aqui a falar. Luz teve-a e tem-na e pagou por isso. Agora é tempo de descansar.

Do problema sério que é o bullying

Eu pensei, ingenuamente claro, que das pessoas da blogosfera, o Rodrigo Moita de Deus fosse um dos que estivesse mais predisposto a simpatizar com o rapaz da Figueira da Foz. Afinal de contas, o Rodrigo há meses (anos?) anunciou publicamente no blog que ele e a família, nomeadamente os filhos, recebiam ameaças de morte por parte dos anónimos que vagueiam o 31. Portanto, não deixa de me espantar que o Rodrigo, face a receber este tipo de lixo que é apesar de tudo, uma forma de bullying psicológico porque nenhum pai devia ser posto perante uma situação de ameçada aos filhos mesmo que a ameaça seja anónima e online, não consiga encontrar em si uma reacção qualquer que não seja gozar com o rapaz. É uma pena.

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Chamem a PBS

socrates

Por razões várias dei por mim a ler o artigo da Wikipedia de José Sócrates e cheguei à conclusão que a Ana Maria Magalhães e a Isabel Alçada deviam por os olhos nisto. Somente esta lista era suficiente para mais 21 livros da colecção Uma Aventura. Mas em vez do Pedro, do Chico, das gémeas e do outro cujo nome ninguém se lembra, temos José Sócrates. “José Sócrates e a aventura do uso das línguas estrangeiras.” “José Sócrates e a aventura para controlar os meios de comunicação social.” José Sócrates e a aventura dos processos contra jornalistas”.

Isso ou uma nova temporada de F.R.I.E.N.D.S. Mas em vez de serem cinco amigos em Nova Iorque é José Sócrates, João Araújo e o motorista na prisão de Évora. The one with the Magalhães computer. The one with Correio da Manhã’s sexiest man. The one with all the gaffes. The one with the accusations made to his mother

Acabem com a infâmia

Já que aqui estou, o Rui Rocha chamou-me a atenção para este artigo em que um membro da Igreja Católica – Padre Gonçalo de Almada – acha que deve aproveitar a violação de uma criança de 12 anos para dizer que o Hospital estava errado, que o aborto é a privação de uma vida e as merdas do costume, um artigo que me dá, sinceramente, voltas ao estômago, um artigo que faz o possível para evitar usar a palavra “criança” para descrever a vítima (A real vítima) mas que aplica a mesma palavra para descrever o feto de cinco meses. Um artigo que usa toda uma série de argumentos para diminuir o drama e o horror ao qual esta criança foi sujeita com o simples objectivo de fomentar a agenda da Igreja em relação ao aborto, de continuar a fomentar estas ideias absurdas. Nem há a decência de se mantarem calados em relação a este caso. Só há – só pode haver – uma palavra para descrever este oportunismo sem vergonha: Nojo. Este artigo é nojento.

É nestes momentos que eu penso: Voltaire tinha razão. Écrasez l’infâme. Todos eles.

Pablo Iglesias e a retórica de Maximilien Robespierre

marat robespierre danton

Iglesias tem um vídeo e um artigo em que explica muito bem que a fundação da modernidade se encontra na Revolução Francesa. É verdade. É também verdade que a Guilhotina e a morte do rei tornaram-se um símbolo da Revolução, e quase mais importante, um símbolo da República. É obvio o que Iglesias está a dizer: Uma Revolução, especialmente uma Revolução como a francesa, que pretendeu – especialmente a partir de determinada altura – mudar por completo a sociedade em que se vivia, que pretendeu, na realidade, uma regeneração não só politica e social mas sim de valores e mentalidades, não se faz sem violência. Robespierre, tal como Iglesias aponta no vídeo, disse de facto que “castigar os opressores é clemência, perdoá-los é uma barbaridade.”

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A Simone e o Miguel

Senhores do Observador,

Eu sei que vocês são de Direita e eu até aplaudo a iniciativa e o site está muito giro do ponto de vista gráfico. Mas este tipo de artigos são escusados. Por um homem (Miguel Freitas da Costa) a debitar meia dúzia de lugares comuns sobre a Simone de Beauvoir e o feminismo, um homem que usa a expressão patriarcado entre aspas, é insultoso para a inteligência de quem lê o jornal. Eu sei que são de Direita mas têm mesmo de cair no erro de detestar intelectuais que não partilham das vossas opiniões políticas? Eu fui de Direita durante algum tempo e sempre gostei do Garcia Marquez. Agora que já não sou tanto de Direita continuo a gostar do Jorge Luis Borges. Pode-se ser de direita e gostar do Mário Cesariny. Não, a sério, juro que é verdade. Não estamos no século XVIII em que todos temos que imitar os philosophes. As percepções literárias mudaram e a forma como lidamos e experimentamos a literatura também.

E depois, meus amigos, vocês são os primeiros a queixar-se das pessoas que dizem, erroneamente, que não há intelectuais de direita. Haver há, nenhum escreve é para o Observador. O que é uma pena.

Adeuzinho e leiam mais livros, está bom?

Dois minutos para o jogo do tanso*

Leio no Público que a Igreja Católica quer que ver o Aborto a ser debatido na Campanha Eleitoral. Leio que: “Movimento de cidadãos defende que as mulheres que estão a pensar abortar devem ver antes as ecografias e pretende que os pais participem na decisão. “

Três comentários:

1- Eu acho muito bem porque assim como assim nunca ninguém vê um boi nas ecografias portanto esta medida parece-me tão estúpida quanto útil.

2- Eu acho óptimo que os pais participem na decisão até porque tenho a certeza que o puto de 17 anos que engravidou a namorada está cheio de vontade de ser pai e de explicar á familia dele e dela o que aconteceu. Aliás, não se fiquem por aqui. Se os paizinhos depois não demonstrarem qualquer interesse na criança devem ser multados e/ou presos. Ah, o quê, isto já não é chantagem emocional barata? Perdoem-me.

3- Eu percebo que a Igreja tenha que fazer este papel e eu nem lhes estou a pedir para serem a favor do aborto, ou da homosexualidade ou da ideia de que as pessoas têm direito de fazerem o que querem com o próprio corpo e que há algo chamado direitos individuais que têm que ser respeitados e que não cabe aos homens decidirem pelas mulheres ou heterossexuais pelos homossexuais ou brancos por pretos. Mas não deixo de me perguntar se a Igreja portuguesa não deveria dar ouvidos ao Papa e pensar que em vez de se dedicarem aos temas fracturantes, deviam começar a dar importância a outras coisas que se calhar não aparecem nos jornais mas que são mais úteis para a sociedade em geral.

*Título roubado a Cátia Rodrigues do Canal Q.

As pérolas do Henrique, número 24601

Eu concordo com o Henrique Raposo. Acho que chamar Ernesto ao filho é um disparate. Se é para dar nome de revolucionário a sério que chame Maximiliano à criança.

Uma nota final sobre o Charlie Hebdo

Após ler este texto e este conjunto de textos comecei a pensar que todos têm as suas pertinências, uns mais do que outros. Mas parece-me também trágico que Charlie Hebdo, um jornal que nunca pretendeu ser o símbolo da República francesa (lembro-me de Luz a dizer nesta entrevista “I didn’t go to the spontaneous rally on January 7th. People sang the national anthem. We’re talking about Charb, Tignous, Cabus, Honoré, Wolinski: they would’ve scorned this kind of attitude.” E que “I’m going to think about my dead friends, knowing they didn’t fall for France!” ) que não pretendia influenciar ou coagir, que não pretendia fazer dinheiro ou ser popular, que era, sobretudo, um jornal anti poder e anti-sistema se tenha tornado num argumento para esgrimir em discussões sobre a laicidade, ou o universalismo do republicanismo francês, a forma como lidam com o colonialismo, os limites da laicidade, da liberdade de expressão, ou pior ainda uma discussão sobre a sociedade de valores francesa. Não é que estas discussões não sejam válidas, não é que não se devam ter. Custa-me é ver este jornal que tem tão poucas pretensões, que nunca pretendeu ser um símbolo, ser dado como exemplo máximo de todas estas coisas (ou o exemplo contrário a todas estas coisas, dependendo do autor), como um ponto de partida essencial para todas estas discussões. Charlie Hebdo era só um jornal satírico que nem sequer tinha grande público (esteve praticamente à beira da bancarrota nos últimos anos). Custa-me ver no fundo, o jornal a ser instrumentalizado desta forma não só por políticos mas por intelectuais e activistas que de certeza que têm até as melhores intenções.

É difícil de ver isto porque não há ninguém para falar em nome do jornal, porque as pessoas que podiam falar sobre o jornal em si estão mortas. Parece-me óptimo que se debata estes pontos de vista, que se ponha em causa visões de sociedade mas acho um absurdo caírem no erro de atirar o jornal para todas estas discussões como se Charlie Hebdo fosse de repente um símbolo da França, como se estivesse para o regime como está Charles de Gaulle ou a Marselhesa.

Ao menos tenham a decência de ouvir um dos sobreviventes: ” Today, it seems that Charlie fell for the freedom of speech. The simple fact is that our friends died. The friends we loved and whose talent we admired so very much.”

Portugal a fazer rir

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Partiu uma excursão da Covilhã para Évora com o mui nobre objectivo de ir visitar Sócrates. Foram três autocarros e numa bela proporção só poderão entrar três pessoas. A minha parte preferida foi quando uma das senhoras disse que José Sócrates “não pode provar a inocência porque foi preso logo à saída do avião, na manga” (deve ser da pressão do ar nos ouvidos) e a outra que afirmou que “Porque ainda não disseram o porquê dele estar preso, os jornais dizem o que querem, as pessoas dizem o que querem” (pois o que é preciso é um Salazar em cada estação da CARRIS para acabar de vez com o Correio da Manhã e a Manuela Moura Guedes). E por fim, a mesma senhora da manga do avião acha que Sócrates está na prisão para o silenciarem. O porquê de o quererem fazer não se sabe mas claramente não resultou porque nós continuamos a ouvi-lo.

Ainda dizem que isto está ultrapassado

Para o D.Duarte com muito Amor e Carinho.

 

(É só para frisar que isto é uma brincadeira. O presente blogger não tem qualquer intenção de guilhotinar o D. Duarte. Hoje em dia é preciso avisar não vá alguém ser incapaz de distinguir as coisas. Infelizmente, a imbecilidade do D.Duarte é real).

Também eu falo de Charlie

Deixei passar esta semana para escrever sobre os acontecimentos de dia sete de Janeiro. Li bastante, várias opiniões, passei eu também por várias fases e agora cá estou.

Charlie Hebdo é uma revista satírica que faz parte de uma tradição humorística não só “muito francesa”, como se tem dito por aí, mas ainda mais relevante, uma tradição que deriva do Maio 68. Nem Deus nem mestres, como Wolinski dizia. Independentemente do que faziam ou escreviam ou desenhavam, nada, mas nada, mas mesmo – garanto-vos – nada justifica a morte de alguém. As pessoas civilizadas como eu e espero também como o leitor são contra a violência, são contra a morte de alguém em retaliação por ofensas reais ou imaginadas no cérebro de loucos.

Contudo, não foi a esta conclusão que muitas das pessoas chegaram. Temos agora debates sobre a liberdade de expressão. “Afinal eles provocavam…”. Foi-se desencantar a história sobre o Philippe Val e o Siné que foi despedido por antissemitismo. “Ai, afinal eles próprios não eram assim tão pela liberdade de expressão…”dizem as pessoas com uma desonestidade intelectual estonteante porque sabem perfeitamente que Val não estava no jornal desde 2009.

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Coisas que me ocorrem às 3 da manhã

Sabem o que é irónico? Irónico é pensar que ao longo dos anos, Oeiras tornou-se no alvo das piadas de humoristas, comentadores políticos, analistas e afins que abertamente criticavam ou gozavam com os eleitores do concelho que repetidamente votaram em Isaltino e nos seus sucessores. Irónico é perceber que não vimos nem metade das piadas, dos comentários sarcásticos, dos artigos tipo, “oh meu deus o povo é tão estúpido” quando Soares abraçou Isaltino e disse para toda a gente ouvir que o que lhe aconteceu foi uma injustiça. Não me lixem. A elite política de Soares a Portas (nem venham com a história dos partidos que não há paciência) e uma parte da elite “intelectual” portuguesa funcionam dentro da ideia de que há uma justiça para uns e uma justiça para outros. Funcionam assim porque no fundo, o povo, como os eleitores de Oeiras, eram ignorantes e atrasados enquanto Soares é o pai de Democracia e um iluminado que nós temos no mínimo de “respeitar”. A relação das classes “pensantes”, políticas, académicas, literárias etc. com o povo sempre foi má porque o “povo”- essa massa homogénea de pessoas que vota no Isaltino e vai aos saldos ao Pingo Doce no 1 de Maio – desaponta. Mas o povo também são eles.

Entretanto

Enquanto em Portugal andamos a por ex-primeiros-ministros em prisão preventiva e a queixarmo-nos muito do nosso sistema de Justiça, convém recordar que nos Estados Unidos, Darren Wilson, que deu seis tiros a um adolescente desarmado, não vai ser acusado.

Os pais de Michael Brown querem levar o caso ás Nações Unidas.

Michael Brown tinha 18 anos e tinha acabado o liceu. Era negro.

Também tenho coisas para dizer

Interrompo o meu retiro nos planaltos das Lowlands para dizer quatro coisas que me parecem fundamentais:

1- Sócrates, como qualquer cidadão de um Estado Direito democrático, é inocente até prova em contrário. O facto de ser arguído não é prova da sua culpa ou inocência. Não serve de nada, penso eu, voltarmos ao caso da licenciatura ou do Freeport porque não é disso que Sócrates está a ser acusado. Ir buscar isto ou aquilo para provar a sua culpa na praça pública é um erro que descredibiliza quem escreve.

2- Contudo, (e isto vai para a Clara Ferreira Alves com quem eu desde já assumo uma relação amor-ódio) faz-me “espéce” o argumento que muitas pessoas já assumiram: que o processo está descredibilizado porque Sócrates foi preso mal chegou a Lisboa (e de noite, ainda por cima!), ou porque a televisão estava lá (!) ou porque a Felícia Cabrita entrou em histeria no Sol ou porque o Correio da Manhã foi, enfim, o Correio da Manhã. Tudo isto é entrar por um caminho que não devia interessar minimamente. Quer queiram quer não, parece que estão a tentar desviar a atenção do que é importante, como se o Procurador e a Procuradoria não tivessem pensado nas coisas antes de irem deter um ex-primeiro-ministro ao aeroporto, como se o tivessem feito para se vingar de Sócrates (com que razão? Não se sabe porque nesta linha de pensamento fica-se sempre pela insinuação) como se nós, os bloggers, os jornalistas de serviço, comentadores e malta do facebook, soubessemos mais e melhor do que quem está de facto envolvido no caso.

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*Este post contém uma total ausência de empreendedorismo

 

Hoje ouvi o Ministro Pires de Lima na sic notícias a falar sobre os benefícios do empreendedorismo (fiquei sem perceber se isto é recente ou se é uma entrevista antiga mas para o caso não interessa muito). Porque foi a criação de novas empresas e negócios que ajudaram – e ajudam, assumo – Portugal a sair da crise, e que estes são os sinais de retoma da economia portuguesa. Passando à frente desta banalidade, Pires de Lima voltou à carga com a ideia maravilhosa de ter a disciplina de empreendedorismo nas escolas (no básico!). Porque é preciso incutir nos jovens a importância das potencialidades das novas tecnologias e indústrias, é importante estabelecer parceiros de negócio, é importante ensiná-los a construir uma empresa.

Não passa pela cabeça do Pires de Lima que a ambição de alguns jovens pode passar por outras coisas. Se calhar o que o João quer ser é xadrezista. Ou médico. Se calhar a Filipa quer ser cantora ou filósofa ou quer passar o resto da vida a resolver problemas complexos de matemática, e ambos têm zero interesse em construir uma empresa. Ao Pires de Lima nada disto ocorre. Também não lhe ocorre que nos países civilizados toda a gente sabe que estas “skills” que ele considera tão importantes, se aprendem – se é que se aprendem – num curso de três semanas. Não ocorre ao Pires de Lima que o importante é ensinar os jovens a fazer contas, a ler, a pensar, a falar outras línguas.  Não lhe ocorre que disciplinas como “empreendedorismo” terão tanto ou mais sucesso como Área de Projecto ou Formação Cívica – ou seja, formas de retirar tempo a discplinas válidas como Português, História, Matemática, Ciências.

Nada disto lhe ocorre. É uma pena.

 

Então e os outros?

 

O que eu acho verdadeiramente estranho é andarmos todos aqui a falar das causas para a derrota de Portugal e de quem é a culpa, e do Paulo Bento que podia ter posto o William Carvalho logo desde início e convocado beltrano e cicrano e não falamos daquilo que para mim é flagrante e que também merece ver-lhe atribuída a sua quota-parte de responsabilidade . Falo evidentemente, do papel da Comunicação Social.

A comunicação social, ou seja, a miríade de comentadores e jornalistas que nos informavam a cada momento das movimentações da Selecção, conseguiram convencer-se, a si próprios e ao país, de que Portugal era de uma forma ou medida, candidato a alguma coisa. Em primeiro lugar, gerou-se a ideia de que o grupo era fácil, com excepção da Alemanha, e que Portugal facilmente passaria. Não percebo como é que se chega a esta conclusão quando em 2010, o Gana chegou aos quartos e os Estados Unidos possuíam um treinador experiente que tinha levado a cabo uma enorme revolução na equipa. Não percebo igualmente como é que conseguiram convencer as pessoas de que Portugal, que não tinha ganho ao Luxemburgo, ia ganhar à Alemanha; a Alemanha cuja maioria dos jogadores fazem parte daquela que é a melhor equipa europeia. Mas mesmo assim havia muito boa gente convencida que no “mínimo era um empate”.

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O meu post de 25 de Abril

Demorei até escrever este post porque fui obrigada a pensar bem no que queria dizer. Nem sabia bem o que havia de escrever até que um sketch do Ricardo Araújo Pereira me iluminou.

A minha visão do 25 de Abril e do Estado Novo nem sempre foi aquela que é hoje. Desde muito cedo que tive opiniões e elas nem sempre foram as mais inteligentes, especialmente não o eram quando eram fruto de influências alheias. Felizmente, rapidamente me passaram, e hoje sou menos parva do que era há 6 anos. Ou há 6 meses, há 6 dias, há 6 horas. As pessoas devem, penso eu, evoluir.

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Vive la Révolution

Este artigo de Pedro Cardim é das coisas mais pertinentes que já li nos últimos tempos no que diz respeito à questão dos nacionalismos ibéricos. A questão da Catalunha é secundária, apesar de começar por ser a razão do texto. O que interessa verdadeiramente são as considerações do autor sobre o chamado “nacionalismo” português. Infelizmente, alguns comentários ao artigo são, como sempre, mostras de alguma ingenuidade e anacronismo.

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Finalmente, a praxe

Sendo que sou estudante e estou inserida no sistema de ensino superior português penso que tenho alguma legitimidade para falar sobre este assunto.

Devo confessar que – devido à  natureza e à história da minha universidade – até há relativamente pouco tempo eu achava que as praxes nas universidades públicas eram brincadeiras em que a malta era pintada e faziam flexões e todos bebiam cerveja por 50 cêntimos. Sabia que Coimbra era uma excepção mas sinceramente não fazia ideia que na maioria das universidades a praxe era tão divulgada e tão universal. Entretanto, comecei a ler umas coisas e a falar com pessoas e a desenhar algumas conclusões. Escusado será dizer que a minha faculdade não precisa de retirar legitimidade da “tradição académica”. Isto tudo para explicar que a partir do momento em que entrei para a faculdade nunca me foi incutido que a tradição académica era importante para avaliar o valor de uma universidade, seja ela qual fosse.

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Também não deixa de ser irónico que esta novela do Ronaldo alcançou o seu ponto máximo (com as declarações do governo) hoje. No dia em que se descobriu que este ano a emigração foi superior à Natalidade. É certo que daqui a 100 anos talvez já não haja Portugal, porque vai deixar de haver Portugueses mas ao menos defendemos o Ronaldo. Infelizmente, esqueceram-se do resto.

Quando se perguntarem, esta é a razão

Portugal: O país que aceitou a Troika, que aceitou o FMI, que aceitou a austeridade, que lê o Sócrates, que votou em Passos mas que pede a demissão de Blatter porque disse não sei o quê sobre o Ronaldo.

 

O problema de Sócrates

Demorei algum tempo até conseguir perceber porque razão é que este repentino protagonismo de José Sócrates me irritava de formas que só são comparáveis áquilo que sinto quando leio o Daily Mail.

E finalmente, acabei de perceber.

É esta atitude de homem que não deve nada a ninguém, não só de quem acha que não tem responsabilidade nenhuma, mas de quem pretende fazer um balanço e distanciar-se daquilo que fez, como a dizer que superou tudo e saiu a ganhar, como que saído de uma música do Sinatra ou da Edith Piaf. Esta superioridade moral de um homem descansado e de bem com a sua consciência que ele pretende mostrar. Esta distinta lata de dizer de forma nem disfarçada que foi para Paris enquanto o País está a arder e de regozijar-se pelo tempo que lá passou. Esta atitude de “agora sou um homem franco e honesto e ninguém pode tocar-me até porque não quero saber do povo” como se nunca tivesse mentido, inventado, como se não tivesse responsabilidade no estado a que isto chegou. É esta ausência de responsabilização, a dele e daqueles que lhe dão atenção, que me choca. Uma falta de dignidade, de gajo que nunca teve talento mas que continua a escrever livros.

É a falta não de qualidades democráticas, mas de dignidade, de saber sair de cena e estar calado porque só neste país é que continuamos a alimentar estes “pais da pátria” e corremos o risco de permitir que Sócrates – porque disse merda e chamou filho da mãe a um alemão – se torne mais um pai da pátria que andaremos todos a sustentar e a ouvir durante os próximos anos. Mas cada um tem as elites que merece, e nós, by God, nós merecemos.

A condição do académico

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Há uma semana fui ver o filme sobre a Hannah Arendt. Estava à espera de gostar e não saí desapontada. Hannah Arendt é uma filósofa e académica admirável e o filme demonstra algo que me é caro em vários sentidos. A coragem de um académico em publicar algo que vai ser polémico ou que pode constituir uma polémica é uma situação que hoje em dia tem vindo a ser diminuída porque chegou-se a este estado em que a polémica para ter dimensão tem que ser escandalosa. Actualmente, parece-me, é difícil existir polémica no mundo académico – e que esta passe para o mundo não-académico – sem um certo sensacionalismo.

 

Mas não é isso que acontece com Hannah Arendt. Arendt faz o seu trabalho como académica: ela tem um objecto de estudo, ela examina-o, estuda-o, pesquisa, pensa e chega a conclusões. Tenta fazê-lo com a maior honestidade intelectual possível e fá-lo sempre como académica, como alguém que foi treinada desde muito cedo a pensar e a raciocinar e a ser crítico. A academia é isto. Arendt no filme personifica aquilo que a intelectualidade e a academia têm de melhor. Não põe de lado as suas opiniões pessoais mas elas são suportadas. Não põe de lado a emoção porque é isso é necessário a um trabalho académico, mas utiliza a emoção para amplificar a qualidade da sua escrita e do seu trabalho.

 

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Coisas

Vamos lá ver se compreendemos uma coisa básica sobre Oeiras.

O facto de Oeiras ser o Concelho com maior número de licenciados não significa que todo o Concelho seja licenciado ou que todos os licenciados tenham votado no Isaltino/Paulo Vistas ou mesmo que os licenciados sejam uma maioria na população do Concelho.

Segundo, se devemos responsabilizar as pessoas que votaram no Paulo Vistas – e ainda bem que o fazemos – devemos pensar bem nesta coisa de colocar um homem que foi presidente da Câmara de Santarém durante anos como candidato à presidência da Câmara de Oeiras. É a mesma lógica Seara/Costa. Não faz sentido. A estratégia não resulta. O que não significa que as pessoas que votam em Oeiras não deviam ter vergonha na cara mas vergonha também devia ter o PSD que depois de 40 anos de Democracia devia ter um bocadinho mais de respeito pelos eleitores.

Silly Season mas não tanto

Gostaria que alguém me explicasse o que raio passou pela cabeça da VISÃO e do jornalista Luís Almeida Martins, para escrever um artigo laudatório sobre o Marquês de Pombal a comparar o que não é comparável (a situação do Portugal no século XVIII com a situação portuguesa hoje em dia) e repleto de todo o tipo de banalidades. Esperava-se mais da VISÃO, especialmente num artigo que faz a capa da revista (Nº1066, 8 a 14 de Agosto).

As banalidades sucedem-se e lamentavelmente verifica-se que o senhor jornalista não deve ter lido um único livro (para além do Memorial do Convento que é tão válido como a Hilary Mantel a escrever sobre o Thomas More) sobre o que está a escrever: O Convento de Mafra foi uma inutilidade, D. João V foi o pior rei que Portugal teve, o Marquês de Pombal salvou o país. O Marquês de Pombal salva o país porque há um para salvar  porque é D. João V que consolida a posição de Portugal na Europa depois do país ter passado 60 anos integrado numa Monarquia compósita porque se não fosse a política diplomática das embaixadas ao Papa, da construção do Convento de Mafra, num século onde a diplomacia se mistura com o poder absoluto dos monarcas, com o despotismo iluminado, com Luís XV e Versalhes, em que a política vivia das aparências e do poder não só que se tinha, mas que se devia parecer ter, era necessário o Convento de Mafra, tal como era necessário o Patriarcado (isto porque o Papado só reconheceu Portugal como reino independente da monarquia Hispânica vários anos depois de 1640). Tratar isto como um capricho de um rei para que a rainha ficasse grávida é de uma simplicidade estupidificante que fica francamente mal à VISÃO.

Depois vem a historieta de ai-ai a Inquisição do D. João V como se o Marquês de Pombal tivesse sido um revolucionário, um modelo de virtudes democráticas e defensor do Estado Social. E não há neste artigo uma única referência a um livro ou a um historiador. Não me admira. Eu sei que isto é Verão e a malta não aprecia ter muito trabalho no Verão mas isto faz capa. Já estou como dizia o David Starkey aqui há umas semanas a respeito do livro da Hilary Mantel: “ela escreve muito bem, eu é que não a consigo ler porque sou um historiador Tudor.”

É que é tudo mau

O que concluo desta entrevista de José Sócrates é que um curso de filosofia de dois anos em Paris não serviu para o senhor aprender coisas que pudessem modificar o seu discurso/maneiras/pensamento etc. Continua exactamente na mesma. É quase assustador. Anda uma pessoa a pagar propinas para isto.

Ainda sobre o vídeo de Camilo Lourenço

Comentário de Maria João Branco, professora de História Medieval na FCSH, Universidade Nova de Lisboa no Facebook:

“Também talvez alguém lhe devesse contar que, por exemplo, em Oxford consideram Economia o curso menos útil e mais estupidificante de todos. Até Gestão teve grande dificuldade em imperar, embora agora a Said Business School tenha bastante prestígio. O presidente de um dos colégios mais prestigiados era licenciado em Filosofia e foi o chefe do Tesouro da Thatcher durante vinte anos. Quando lhe perguntei como tinha feito para compreender as complexidades da Economias, olhou-me com espanto e disse-me: “- mas isso aprende-se em qualquer estágio de 3 meses, é uma idiotice passar anos a estudar uma coisa tão óbvia”. Os cursos mais valorizados para tudo, especialmente para o civil service, diplomacia o bolsa de mercados são, em primeiro lugar Clássicas e logo a seguir História, pela capacidade de compreender problemas complexos, equacionar dados múltiplos de forma crítica e produzir respostas e soluções inovadoras. Seria de pedir um comentário a este senhor, sobre esta e outras realidades de países com bastante tradição em eficiência e profissionalismo?”

Momentos em que eu me apercebo que o Eça tinha razão

Aparentemente há uns dias no Punto Pelota, um programa sobre futebol em Espanha, Josep Pedrerol (um catalão by the way) resolveu dizer que a razão pela qual Mourinho e Ronaldo são odiados/perseguidos pela imprensa é porque são portugueses. As pessoas que comentam no Record e em caixas de comentários semelhantes exultaram. Finalmente! O mundo não diz que o Messi é melhor que o Ronaldo porque de facto é assim. O facto de Ronaldo e Mourinho serem odiados em Espanha não tem nada a ver com os comportamentos que tiveram até agora. Não. É porque são portugueses. É uma explicação tão fácil que esconde todo o tipo de pecados. Um pensamento também muito português: a culpa nunca é nossa e se podermos culpar circunstâncias exteriores a nós, epá melhor ainda.

Curiosamente, (ou talvez não) os comentários do Record são eles próprios de uma xenofobia que faria Nick Griffin corar de vergonha. (E afirmações históricas à lá Ribeiro e Castro que me fazem acreditar que Vitorino Magalhães Godinho devia ser leitura obrigatória desde a primeira classe).

 

“If you had any HEART in you, you would be crying for the palestinians”

Não sei quem é o Sr. Gol. Desconhecia a sua existência até ontem quando me deparei com esta notícia. E tenho pena de não ter estado presente nesta conferência porque tenho quase a certeza que tinha dado uma de Norman Finkelstein.

A mim apetece-me dizer muitas coisas e mandar o Sr. Gol para muitos lados nomeadamente para o sítio de onde veio e não sair de lá. Pergunto-me até como é que um embaixador pode dizer estas coisas e como é que nós ficamos a ver. Mas claro que o nosso Ministro dos Negócios estrangeiros deve andar mais preocupado em sancionar membros do partido dele e está-se pouco borrifando para embaixadores ignorantes.

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