A melhor de ontem

O Prémio 1 de Abril 2011 vai com toda a justiça para Vítor Dias:

Neste sentido, o Partido Socialista, o Partido Social-Democrata e o Partido do Centro Social-Partido Popular dirigem um crucial e fundamental apelo aos portugueses para que, nos próximos dois meses, jamais percam de vista que a única atitude que verdadeiramente serve o interesse nacional é olhar de frente a real e dramática situação em que o país se encontra e as exigências que coloca, (…)

Carrapatoso, o desatador do IRS

António Carrapatoso parece ser uma das estrelas do passismo. Googla-se e ele é menos estado, menos impostos, e outras bojardas.

O Carlos Fonseca já aqui nos falou da personagem:

Qual o significado do genial Carrapatoso, em menos de 3 anos, ter ocupado seis cargos de topo de outras tantas pirâmides empresariais? À cabeça, pode esclarecer-se que os primeiros cinco dos ditos cargos, a começar por Administrador da Quimigal, foram exercidos em simultâneo. A generosa nomeação do então Ministro da Indústria de Cavaco, Mira Amaral,  foi decisiva, mas a destreza, o eclectismo e a sabedoria do polivalente gestor completaram o milagre da multiplicação de funções. (…) O pior é saber-se que, obedecendo ao gabinete de Amaral, e este, por sua vez, ao de Cavaco, António Carrapatoso alienou a favor da Colgate-Palmolive as empresas Sonadel, Uniclar Unisol, integradas na Divisão de Óleos e Sabões da Quimigal. Tinham a missão de produzir e comercializar “detergentes, produtos de limpeza e de higiene pessoal”, no país e no estrangeiro (exportação). O nosso homem foi parte activa no processo de desindustrialização do país.

Estamos conversados quanto ao menos estado. Quanto ao menos impostos, estamos perante um homem com sorte: 740 000 Euros de IRS prescritos, porque umas repartições de finanças se desentenderam, um funcionário se enganou, azar para o estado, sorte adivinhem para quem.

Ora aqui está o homem certo para negociar a dívida externa: pode ser que caduque, uns funcionários se enganem, tudo uma questão de sorte, é claro. E ficaria o nó desatado.

Continuar a enganar Portugal

Apareceu-me isto no Facebook. É de um tal “Movimento Civil de Apoio ao Portugal que estamos a renovar desde 2005.” Linkam para o Serviço Nacional de Saúde, que foram destruindo, a Segurança Social que foram descapitalizando, o Subsídio de desemprego que retiraram a milhares, o Ensino Público que massacraram, a Caixa Geral de Depósitos onde continuaram a colocar os seus Varas.

O PS começa a propaganda eleitoral com um vídeo de Miguel Portas, e armado em esquerda. O partido de José Sócrates mente, não é novidade. Se tivessem cara diria que nela não têm, nem nunca tiveram, um pingo de vergonha. O PS começa a campanha eleitoral de uma forma baixa, outra coisa não seria de esperar a seres rastejantes.

Os discursos de Paulo Futre

Também me ri um bocado, mas já chega.

Paulo Futre teve vários discursos geniais na carreira, por exemplo esta conversa com o Bayern de Munique:

Mas já antes falava assim aos sportinguistas: [Read more…]

Com muito orgulho

na minha universidade, que tem as suas coisas, mas também tem destas:

lula honoris causa coimbra @arturcouto

Lula da Silva, doutor honoris causa pela Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra

E depois uma aragem de ironia deve ter varrido a Biblioteca Joanina, obra superior do nosso barroco-com-o-ouro-do-Brasil, quando os presidentes agora a visitaram. Espero que nenhuma das lâminas do ouro com que Manuel da Silva por ali ornamentou se tenha desfolhado das madeiras, rindo à gargalhada.

fotografia Artur Couto

No mar os enterraremos, o mar nos espera

Parabéns Aventar, obrigado aventadores e leitores, por me lerem, aturarem e também pelo resto.

Las tierras, las tierras, las tierras de España,
las grandes, las solas, desiertas llanuras.
Galopa, caballo cuatralbo,
jinete del pueblo,
al sol y a la luna.
¡A galopar,
a galopar,
hasta enterrarlos en el mar! [Read more…]

Sem palavras

21 de março, dever cumprido, e comprido

não fiz nem li versos, quanto mais poemas, não plantei nem beijei nenhuma árvore, embora as ame a quase todas, e só não fui discricionário com uma raça qualquer  porque, azar,  hoje não me cruzei com cães, gatos e os humanos não são raça nenhuma.

que alívio.

1965 .- Collection MONDRIAN and POLIAKOFF. Suede coats with knitted sleeves. Mink coats with “Cire”. Single color coats. Two colors knitted tunics and dresses. Dresses homage to Mondrian and Poliakoff. Backless dresses, or belly exposed dresses.

Volta a Portugal em Blogues: A Vida Vista de Anadia

Um blogger que se estreou no Aventar, como convidado, avança com o seu A Vida Vista da Anadia. Em 3 dias já conseguiu que vários democratas se tenham queixado ao Blogger, acusando-o de conteúdos impróprios para crianças. Uma atitude infantil, e a medalha que certifica mais um blogue sem medo de afrontar os poderzinhos locais.

Invasões imperialistas, o caso Salerno

Não esquecer Salerno. A 3 de Setembro de 1943 a operação Avalanche, comandada por ingleses e americanos, resultou no desembarque em Salerno, uma vil intromissão nos assuntos internos da Itália invocando a tanga humanitária, um caso claro de ingerência estrangeira num país soberano. Ainda por cima a abertura de uma frente oeste resultou das pressões de Estaline. Que horror! Talvez por isso a invasão da Itália, uma clara agressão imperialista,  não teve  o apoio do BE.

Parece que Mussolini se fartou de protestar. Um pouco mais alto do que Gadafi fez hoje.

Líbia, as contradições


– Reconheço o som dos aviões franceses!
– Salvos!
– Sim, pois, mas Gadafi também tem aviões franceses.

Entretanto o ditador anunciou um cessar-fogo, e declarou que aceita a resolução da ONU. Anunciou, mas os bombardeamentos continuam:

Tradução de algumas frases:

Caíram 6 obuses… eles parecem conhecer as nossas posições… eles sabem onde estamos… atiram às cegas sobre a manifestação improvisada após o anúncio da zona de exclusão aérea… uma manifestação festiva…

via Le Monde

Benghazi, crónica de um massacre anunciado

O ditador líbio cita Franco, comparando a entrada deste em Madrid à tomada de Benghazi. Sem capacidade militar para se defender da aviação, da artilharia e das tropas de elite de Gadafi, a população de Benghazi aguarda o massacre, enquanto muitos tentam a fuga. Gadafi ameaça:

“Estás son las últimas horas de esta tragedia, llegaremos esta noche y no tendremos compasión

Os resistentes preparam-se para morrer como os republicanos espanhóis, sabem que o gritar Não Passarão de pouco lhes servirá.

Entretanto o Conselho de Segurança da ONU aprovou uma zona de exclusão aérea. Ver ingleses, franceses e americanos a intervir num país estrangeiro traz-me as piores recordações. Mas ver morrer os resistentes de Benghazi seria sem dúvida o pior dos pesadelos.

Neste conflito se decide a sorte das revoltas árabes que enfrentam ditaduras sanguinárias. A Arábia Saudita já invadiu o Bahrein. Esta é a última esperança de que evitando um banho de sangue os revoltosos de toda a região ganhem o alento necessário para a sua luta.

O que faz a ganância, ou o poder do dinheiro

Sampaio Nunes, ex-responsável pela área da energia nuclear na Comissão Europeia e ex-secretário de Estado da Ciência, afirma que o sismo e o tsunami do Japão corroboram, ao invés de porem em causa, a segurança das centrais nucleares. Dos 15 reactores na zona mais exposta ao tremor de terra, houve problemas em quatro e, por ora, sem libertação significativa de radiaoactividade. “A conclusão é que resistiram bem a um sismo de magnitude 9,0 e a um tsunami com ondas de 10 metros”, afirma. “Não há situação pior do que esta”. in Público

Sampaio Nunes para o Japão, já.

O desertor

Dedicado ao presidente dos outros portugueses, na sequência de uma discussão ontem por aqui havida. Circulava no facebook, e vem mesmo a propósito.

O demitido

Sócrates anunciou a sua demissão, para o dia em hora em que o PEC 4 for votado na Assembleia da República. Essa foi a boa notícia.

A má notícia: vai-se recandidatar.

Resta esperar que dentro do PS alguém lhe diga: já basta.

O presidente de todos os colonos

“Importa que os jovens deste tempo se empenhem em missões e causas essenciais ao futuro do país com a mesma coragem, o mesmo desprendimento e a mesma determinação com que os jovens de há 50 anos assumiram a sua participação na guerra do Ultramar”, afirmou o chefe de Estado, Aníbal Cavaco Silva.

Há todo um dejá vu nesta notícia, amplificado pelo cuidado com que o jornalista recuperou a hoje inconstitucional expressão “chefe do Estado” (já agoram chefe era com maiúscula).

Há todo um apelo à mais pura infâmia, à cobardia dos que não desertaram e partiram para matar, à determinação salazarista que levaria Portugal à catástrofe colonial. Salazar é sem dúvida o herói deste Cavaco, que lhe segue os passos no que pode, e nós deixamos.

 

Nuclear, sim, muito obrigado

Onde anda o Mira Amaral? Alô, Mira Amaral? Chama-se Mira Amaral à cabine de som.

Ó engenheiro Mira Amaral, deixe lá as calças do Patrick Monteiro de Barros, o dr. Passos Coelho quer debater o nuclear consigo.

No cabaz de compras de todos os portugueses


roubado à gui

Evolução linguística pós 12 de março

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Já não se diz: “vão trabalhar malandros! a minha política é o trabalho!

Agora berra-se: “vão mas é criar uma empresa, seus calaceiros, moinantes; querias subsídio de desemprego! Toma!”

Líbia: a solução passará pelo Egipto?

Depois de a Liga Árabe ter avançado com a zona de exclusão aérea, desenha-se agora uma intervenção militar terrestre do Egipto.

É uma boa solução. Os militares egípcios gozam, por enquanto, de boa fama, pela sua não intervenção contra os manifestantes no Cairo.

E alguém tem de travar o canalha gadafiana, que esmaga o seu próprio povo em armas.

Por outro lado o maior país árabe coloca-se deste modo como seguro de vida das revoltas árabes, e para os lados sauditas não devem achar muita graça à ideia.

Não gosto de intromissões estrangeiras num país soberano, mas há excepções. Tal como em Timor, ocupado, eu sei, na Líbia, onde o regime se defende com mercenários estrangeiros, é a desproporção de forças entre o povo, mal armado e sem treino militar, e a canalha que tem gasto o petróleo para seu proveito próprio. Espero que venha o dia em que o petróleo líbio seja mesmo dos líbios, todos.

 

Prova blogocoisa dos 9 sobre o sucesso da manifestação de hoje

O blogue do governo, nem pia. A direita sonha com o voto dos que agora começaram a votar com os pés na rua. À esquerda nasce a aflição de para a semana não serem tantos na manife da CGTP.

 

Lindo.

Em Coimbra, a maior manifestação em décadas, agora, é deixá-los mesmo à rasca

P3120245 No início, na Pr. da República, contei umas 400 pessoas. Eu e alguns jornalistas. Não sei contar manifestantes numa praça, estando no meio deles. Mas como a manifestação, ao contrário do previsto, se meteu avenida abaixo, fazendo-me o favor de passar debaixo da minha varanda, onde conto manifestantes desde a década de 70, posso dizer que foi a maior manifestação generalista desde essa mesma década. Generalista, porque entretanto houve algumas de estudantes com mais gente, já para não falar de situações como Timor.

Pormenor: saíram autocarros para Lisboa, com 250 estudantes.

Número: digo 1000 manifestantes.

É a vez dos que mandam ficarem à rasca. Até porque hoje apenas se venceu a lei da inércia, agora é não deixar parar o movimento.

Abertura. Também achei que éramos poucos, mesmo que bons.

sos
fotos: Margarida Az e Tz

12 de março, a rua é nossa

Quando tinha 14 anos houve um golpe militar e depois uma revolução. Bem, uma pequena revolução. Mudou-me a vida.  Não mudou a nossa vida como gostaria que tivesse mudado; as mesmas 20 famílias voltaram para tomar conta do país que é sua propriedade desde o séc. XIX; a política que por uns tempos se alimentou de sonhos passou a ser a carreira com que alguns sonhavam, e não estando tudo agora como estava, tem estado cada vez pior.

Quando houve essa pequena revolução passei mais tempo nas ruas que em casa. A rua era nossa. Depois voltei para casa. Nestes 30 anos poucas vezes fui à rua. A rua agora às vezes tem manifes formatadas. Uns tipos de megafone na mão gritam palavras de ordem como se fossem ordens, o pessoal repete como se estivesse num filme militar americano. Não faz o meu género.

Hoje volto à rua. Porque não houve formatação nem nasceu de organizações formais, e gosto da informalidade. Porque se o tema é uma geração o problema é de todas as gerações. Porque já não via tanta força e espontaneidade desde os idos de setentas. Porque estarei a caminho da senilidade mas ainda sei distinguir uma revolta de um ritual. Porque estamos fartos.

Porque, 123, acredito que hoje a rua volta a ser nossa.

Tudo o que quer saber sobre as manifestações de 12 de março e não tem vergonha de perguntar

1. A manifestação é pela demissão de toda a classe política?

Não. Existe um manifesto, onde em parte alguma se fala de tal coisa. Leia-o.

2. Mas então quantas manifestações estão convocadas?

Várias, nas principais cidades portuguesas e mesmo junto a algumas das nossas embaixadas. Houve uma confusão com o grupo “1 milhão na Avenida da Liberdade pela demissão de toda a classe política”, o qual já emitiu um comunicado, esclarecendo não estar “de forma alguma ligado à organização do protesto “geração à rasca. Enquanto movimento livre e espontâneo de cidadãos, este grupo desde a 1ª hora se solidarizou com o protesto, divulgando e incentivando os seus membros participarem da manifestação do dia 12 de Março”

3. E o mail que por aí circula com uma série de reivindicações?

Circula por iniciativa de quem o escreveu. Não foi subscrito pelos organizadores das manifestações.

4. Os partidos políticos foram convidados e vão participar?

Os promotores dirigiram uma Carta aberta a todos os Cidadãos, Associações, Movimentos Cívicos, Partidos, Organizações Não-Governamentais, Sindicatos, Grupos Artísticos, Recreativos e outras Colectividades, e irá quem quiser participar. No meio da confusão gerada, era o mínimo que poderiam fazer até para se demarcarem da ligação com a tal demissão de toda a classe política.

5. É verdade que a extrema-direita está envolvida na manifestação?

No facebook aparecerem convocatórias para várias manifestações, e concentrações, algumas claramente conotadas com a extrema-direita. Têm um apoio irrelevante.

6. A manifestação é para que idades? [Read more…]

Façam surf, mas em casa

Os órfãos de Bush andam desesperados. A ameaça de vários países árabes se democratizarem sem uma invasãozinha, uns bombardeamentos, umas empresas privadas de segurança, deixa-os em desespero total. Isso e a perda de aliados, a começar pelo egípcio que tem apaparicado o neo-nazismo israelita.

Por um lado há um estranho silêncio sobre o Dia da Raiva no Iraque: sim, no Iraque também há manifestações pela democracia que a guerra não trouxe.

Por outro apela-se a que Obama repita os disparates dos seus antecessores, bombardeando a Líbia. Sendo desejável uma intervenção da Liga Árabe ou da UA, eles sabem perfeitamente que um tiro disparado pelas Natos arrasaria os processos revolucionários árabes num instante. Como vale tudo, um tipo qualquer, esquecendo que a liberdade de expressão acaba quando se inicia, por exemplo, a apologia do crime de guerra, chama o Coronel Kilgore. Perdoa-lhes Coppola, eles nem sabem o que dizem, quanto mais o que fazem.

Gadaffi tem razão: o mundo droga-se

Depois de Daniel Ortega, chegou a vez de Fidel Castro aparecer em apoio de Gadaffi. Nada de espantar: Fidel prestou-se ao envio de Che Guevara para a Bolívia a mando de Brejnev, e as suas canalhices em nome da revolução que conduziu Cuba ao capitalismo de estado, sob a habitual regência do seu clã familiar são por demais conhecidas.
A argumentação é clássica:

Una persona honesta estará siempre contra cualquier injusticia que se cometa con cualquier pueblo del mundo, y la peor de ellas, en este instante, sería guardar silencio ante el crimen que la OTAN se prepara a cometer contra el pueblo libio.

Mais delirante ainda, no Irão, um exemplo de humor muito negro:

Ahmadinejad está chocado: “Como é que alguém pode bombardear e massacrar o seu próprio povo?

Gadaffi tem razão em duas coisas, como qualquer velho relógio parado. Uma: anda por aí muita droga, e andam a  tomá-las sem saber. A segunda quando choramingou: “A rainha Isabel II de Inglaterra governa há mais tempo que eu e ainda não foi derrubada”. Com duas revoluções em meio século temos de convir que em relação aos ingleses os líbios levam vantagem.

Adenda: como o dono latiu, os cachorrinhos amestrados para os lados do PCP, já levantam a patinha no ar. Quando há uma revolução na Líbia os traidores do costume olham para a América. Não é de estranhar, falamos de velhos amigos de Gadaffi.

Com os alemães ficamos sempre a ganhar, ai pois é

O ministro alemão, Karl-Theodor zu Guttenberg, que fez, descobriram agora, um doutoramento plagiado, pediu, arrependidíssimo, e a universidade enganada retirou-lhe o doutoramento cópipaste.

Com este escândalo Karl-Theodor zu Guttenberg que já era o ministro mais popular do governo alemão subiu 5 pontos na consideração das sondagens locais.

Conto isto por causa daquele mal português em nos amesquinharmos perante o dono estrangeiro, hoje mais o alemão que o inglês, provincianismo que também já tivemos com a França.

Estas coisas são dos ministros, não são dos países que os têm, são mesmo da condição de ministros, primeiros ou não. Acontecem em toda a parte.

A única diferença é que por cá a universidade enganada não aceitaria, nem a pedido, retirar um título académico obtido fraudulentamente. O que é sempre consolador, pensando na nossa superioridade em matéria de tenacidade, mentira e coerência, convenhamos.

Diz-me com quem comemoras

Na hora da verdade para a Líbia faltava um pormenor, aqui por estes lados: Gadaffi foi em tempos um “revolucionário”, e os seus petrodólares espalharam-se por muita causa de esquerda. Ora a nossa direita anda muito caladinha, ainda ninguém bateu à porta de Otelo Saraiva de Carvalho (diga-se que com toda a razão), ou do PCP, já que a Líbia teve stand na Festa do Avante (onde em tempos obtive o célebre Livro Verde).

O problema do Ceausescu do deserto é que dava para os dois lados. Nos últimos tempos deu mais para a direita. Olhem quem, o ano passado,  foi comemorar a revolução líbia para a sua embaixada…

print screen do blogue Família Real Portuguesa

Nota: convém não exagerar muito quando se ataca a opção governamental pelos negócios com os ditadores árabes. É ver Ângelo Correia presidindo à Câmara do Comércio e Indústria Árabe Portuguesa, onde não podia faltar o impagável (que palavra tão desadequada) José Lello, é claro.

Quando os canalhas massacram o seu próprio povo

Da Líbia as notícias que agora chegam são as piores: ataques aéreos contra manifestantes, mercenários disparando sobre tudo o que mexe. Telefones cortados.

Nesta altura, exige-se uma intervenção firme dos governos que ainda tenham vergonha, sim, os mesmos que têm feito acordos com o clã Gadaffi. Os que tremem com o fim do tampão que tem largado no deserto os africanos que tentam emigrar para a Europa. Os que pensam no seu interessezinho estratégico, ou se borram com medo de uma religião igual à sua. Tenham vergonha, ou pelo menos lembrem-se que as revoltas bem podem atravessar o Mare Nostrum. Muito mais depressa do que imaginam.

Libiartação à vista?

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Com centenas de mortos, começou a guerra civil que levará à Libiartação. O povo está quase a triunfar onde Reagan falhou: derrubar Gaddafi.

Quando o ditador cair, e não vai ser fácil, aguarda-se a intervenção de Sócrates, congratulando-se pelo papel que os magalhães que vendeu à Líbia tiveram na eclosão das revoltas. Aposto.