O homem mais rico de Portugal vai à manif.
À Bastilha
A Revolução Francesa deixou-nos duas prendas: o capitalismo, ao arrasar o Antigo Regime e abrir portas e janelas à burguesia e seus negócios, e luta pela liberdade e igualdade, que o capitalismo se vai esforçando por impedir.
A Carmagnole, uma letra de guerra escrita em 1792 sobre uma dança vinda de Itália, aqui em recriação.
Marcelo Rebelo de Sousa e o BES
Para o mentiroso mais bem pago de Portugal isto no BES está uma chatice porque o governador do Banco de Portugal não aparece a garantir que está tudo bem. O potencial buraco é no máximo metade do que já se sabe. Quer dizer, há uma crise no BES mas não há bem uma crise no BES, e o banco vai salvar-se, o resto do império é que está mais complicado.
Esta defesa, tímida, é certo, que a coisa vai correr mal, não mereceria uma linha, estamos habituados ao Marcelo, mas teria merecido uma frase, a velha declaração de interesses, coisa pouca, que informasse os telespectadores sobre o infímo detalhe de a sua namorada, Rita Amaral Cabral, ser a presença feminina que foi reforçar o conselho de administração do BES em 2012. Não sei se lá fica, nem me interessa, nem com quem dorme Marcelo, com quem passa férias Marcelo, nada temos que ver com a vida privada do Marcelo, mas já com a ética profissional da própria TVI que o permite já temos um bocadinho. Que diacho, isto de um gajo ser enganado em directo por um vendedor de banha da cobra escusava de ser durante um espaço noticioso, sérios a sério foram logo a seguir Ricardo Araújo Pereira e Bruno Nogueira que juntos e ao vivo nem sequer largaram uma boa piada.
Fonte.
O estranho caso da cisão que antes do ser já o era
A saída da Política XXI que agora se chama Forum Manifesto do Bloco de Esquerda é uma anedota à portuguesa. A dita associação era simultaneamente uma das tendências do BE, chamem-lhe corrente, e espaço de intervenção política onde estão, por exemplo, Daniel Oliveira e Rui Tavares. Este exemplo sui generis de um partido que tem uma corrente onde estão militantes de outro partido tem agora o seu fim: a maioria dos presentes numa Assembleia decidiu sair depois de alguns dos presentes já o terem feito, conseguindo assim a assinalável proeza de saírem duas vezes. É obra. Acrescente-se que chamar a isto o segundo funeral de Miguel Portas não é descabido de todo.
Não tenho muito a acrescentar ao que aqui escrevi quando Daniel Oliveira saiu, sozinho. Tem para mim o detalhe de agora incluir gente que muito prezo (caso do Nuno Serra que tantas vezes concordou comigo em críticas ao funcionamento interno e também por isso não incluo no leque dos que só se começaram a queixar quando lhes tocou) e apresenta-se como mais um episódio da decadência do Bloco, o que é discutível, o peso público de quem sai é muito superior ao que tem internamente. [Read more…]
Lembram-se da Tecnoforma?
As empresas que olham mais aos amigos do que à competência pagam um preço por isso.
– diz Passos Coelho, um especialista em abertura de portas, mas do estado.
Reestruturar? nunca
Assumo
Perante isto, declaro: quero que o BES se foda. Todo. De preferência com a família na prisão. Eu e milhões de vítimas de Hitler e Pinochet.
Um povo oprimido por alguns
Quando a imagem da Rainha Santa Isabel entra na cidade de Coimbra é recebida com um discurso de saudação, lido pelo responsável da paróquia de S. Bartolomeu. Tal como há dois anos, o padre António Jesus Ramos não se esqueceu de que a rainha santificada é padroeira da cidade mas também dos pobres. E não, não foi de caridade que falou, mas dos que andamos “vergados ao peso da opressão de alguns que se julgam donos do mundo“. Como isto se passa na minha aldeia não é notícia nacional. Ora leiam com atenção:
Dona Isabel de Portugal! Rainha Santa!
É com olhos carregados de espanto que todos observam esta enorme multidão que aqui se juntou, espontaneamente, vinda de todos os bairros da cidade, das vilas e aldeias das redondezas, e muitas de tão longe, que podem chamar à sua caminhada uma verdadeira peregrinação. Por isso é natural que nos façamos a pergunta sobre a razão de tão vasto ajuntamento, reconhecendo, à partida, que figura pública alguma, das que hoje por aí se pavoneiam em busca de algum aplauso que satisfaça a sua vaidade mal dissimulada, será capaz de fazer reunir. [Read more…]
Oração
Não acreditando na tua existência pode parecer um abuso, mas na forma como os homens te criaram, infinitamente bom e misericordioso, escutarás o pedido de um descrente da tua existência como se fosse a de um devoto, sei.
Agora que antes da final um dos teus papas já ganhou a copa e demonstrado de vez não seres brasileiro, garantindo tratamento igual para todos os povos, podias pensar num deles, teu crente, numa parte do planeta onde ainda tens teocracias, que está a levar com os maluquinhos de outro povo, igualmente teu crente, a matar pessoas todos os dias, e a malta já nem repara, nem dá importância, bombardeamentos em Gaza mal é notícia.
Mas devia ser; tal como judeus e ciganos no século passado foram amuralhados antes do extermínio final, agora temos os palestinianos, mais pós-moderno mas o mesmo gueto, os muros, o mesmo apartheid, mas com muito mais dinheiro espalhado pelo mundo para comprar a tolerância com o invasor, a propaganda, para adquirir o silêncio dos mortos.
Também podia dizer umas coisas sobre essa insistência em deixares os teus fanáticos divididos em religiões que se isarael-ó-palestinizam umas às outras, um pouco por toda a parte, mas era abuso, um ateu conhece os limites, fico, caro Deus, por Gaza. Obrigado.
imagem: Prisioneiros ciganos no campo de Belzec, Polónia, 1940.
Hoje o dia de Filipinho Scolari começou assim
Melhor negócio, só o das armas
O ministro da Médis diz que a greve dos médicos é política (como se não o fossem todas) e corporativa. Ora em defesa da sua corporação, a da medicina enquanto negócio, os números são evidentes.
Trocar o direito à saúde pelos lucros fáceis da burguesia encostada ao estado foi a política deste governo. Melhor negócio só o das armas, como afirmou a primeira escolha de Passos Coelho para o ministério da Saúde. Não falamos só de canalhas, mas de canalhas homicidas. Tal como os da indústria de armamento.
Fonte: estudo de Eugénio Rosa (em pdf).
7 – Luís Filipe Scolari -1
Tinha de ter uma alegria neste mundial, escusava era de vir da Alemanha.
Coisas de banqueiros
Compreendo perfeitamente que a concorrência se esmifre por herdar os clientes do BES. Se neste momento só um tolinho lá guarda o seu, consumado o assalto pelo PSD, com o banco entregue àquele amigo de Cavaco Silva, o Oliveira Costa, perdão, o Vítor Bento, só um grande tolo ali deixará depósitos (e alguns tolinhos precoces parece que já arranjaram chatices na Suiça, o que me dá um gozo tão grande como me deu o da canalha que andou nos idos de 70 a delapidar o património português e ficou sem ele, entregue a algum terrorista menos benemérito para passar a fronteira).
Mas chegados a este ponto:
Fico com o José Simões:
Um castanheiro [?] um carvalho [?] que dá laranjas [?] pêssegos [?], uma família que contra as mais elementares regras de segurança, ensinadas às crianças logo nos primeiros anos de ensino, face a uma colossal tempestade se abriga debaixo de uma árvore. O logro, a mentira, a irresponsabilidade do sistema financeiro que colocou os Estados debaixo da maior crise dos últimos 90 anos e aos cidadãos sacrifícios e privações de que já não havia memória, e que voltará a colocar, porque a árvore, passada a tormenta, torna a dar frutos, tudo explicado em 01:05 minutos num spot publicitário do BPI [Banco Português de Investimento]. Muito obrigado senhor Ulrich pela sessão de esclarecimento.
O Cavaco e o Carmo
Os portugueses do presidente da república andam numa azáfama: que um prémio agora atribuído a Carlos do Carmo não vale nada, é irrelevante, não merecendo portanto cavaco presidencial.
Tenho uma falência, de pequenino, com o cantor Carlos do Carmo. Irrita, até me coço na testa com o fado canção onde se afirmou, não há anti-histamínico que me sossegue quando entra pelos ouvidos e por razões socais não posso mudar o disco. Sou insuspeito mesmo sendo de esquerda, portanto.
Mas fosse a Kátia Guerreiro a ganhar um Grammy, pequenito e latino que seja sempre é um prémio votado pela indústria, portanto o mercado, era uma festa em Belém e poupavam uma trabalheira a desvalorizar a homenagem ao artista que tem tudo de pop latina (esse pequeno nicho do castelhano, português e portunhol, coisa pouca, o segundo do planeta), não era?
Estado do governo da nação

Vai um governado à página do governo e o google avisa não ser este o site que procuro, que procurava aceder a http://www.portugal.gov.pt, mas, em vez disso, acedi a um servidor que se identifica como a248.e.akamai.net.
Isto poderá dever-se a uma configuração incorreta no servidor ou a algo mais sério.
Diz o Google.
Um utilizador mal intencionado na sua rede poderá estar a tentar levá-lo a visitar uma versão falsa (e potencialmente maliciosa) de http://www.portugal.gov.pt.
Ora mais malicioso do que gov.pt não há, no Google são uns exagerados com a segurança.
Sem vergonha nem perdão
A pior ministra da educação da República voltou em forma de livro e entrevistas. Nomeada pelas suas competências em sociologia das profissões, vulgo ciência de capatazes, iniciou a privatização da escola pública em curso criando um modelo empresarial de gestão enquanto aumentava o financiamento ao ensino privado, colocou os professores no pelourinho, cuspiu e regressa hoje no Público onde afirma que temos “um défice de qualificação de adultos de todas as idades“. Pois temos. E estamos pior desde que ela própria fechou o ensino recorrente e ordenou a passagem rápida de diplomas a quem os solicitasse.
Há gente que não tem vergonha nenhuma na cara, admitindo que têm cara, o que neste caso é muito discutível.
Contribuições para um debate sobre o estado da nação
A Oeste nada de novo
Adaptação do romance de Erich Maria Remarque, por Lewis Milestone. Legendado. Ficha IMDB.
Quando o Brasil sabe a México
Antes do jogo, não acreditando embora desejando um milagre, fica aqui a minha declaração de voto: Paulo Bento conseguiu um lugar ao lado do grande Torres no memorial do futebol português, pedestal enormes jogadores, péssimos seleccionadores.
O erro é o mesmo: colocar relacionamentos pessoais acima do óbvio, joga quem está a jogar melhor, e quem se arma em parvo (o que no caso do Torres nem foi bem assim, os jogadores até tinham razão) fica em casa.
Fica isto publicado às 16h do dia 26 de Junho de 2014, com uma vaga esperança de ao fim do mesmo voltar aqui assumindo a minha idiotice, falta de patriotismo, crença, visão da Portugal como terra de milagres a começar no do Ourique que ninguém sabe onde foi. Era porreiro pá.
Hossana
Após 5 anos de existência, o Aventar tem a honra de ter a Zazie entre os seus comentadores. Custou, mas foi.
Coimbra é uma lição
Outono de 1570: o jovem rei Sebastião viaja até Coimbra, entra numa aula, e é recebido com uma enorme pateada. De imediato mete a mão à espada mas é serenado: tratava-se de uma tradição académica de reverência a sua majestade, uma honraria rara, uma praxe, dir-se-ia tempos mais tarde, e o rei sorriu, agradeceu, e segundo um cronista voltou todos os dias repetindo-se o enxovalho.
Verão de 2014: numa comemoração os governantes são interrompidos por
um grupo de estudantes repúblicos, empunhando cartazes e interpelando e interrompendo os oradores, recorrendo a linguagem rude e até a insultos.
As “provocações” estudantis fizeram-se sentir com particular intensidade durante a intervenção do presidente da Câmara de Coimbra, Manuel Machado. Neste contexto, o orador seguinte – o secretário de Estado da Cultura, Barreto Xavier – recusou-se a falar.
A enxovalhar governantes desde o séc. XVI, isto é que é uma tradição académica, centenária, património da Humanidade. Mai nada.
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Temos campeão
Final da última etapa da Volta à Suiça, terceira vitória de Rui Costa, preparando-se agora para o Tour.
É este ano, acredito, que o 3º lugar de Joaquim Agostinho em 1978 e 79 merece ser atacado, o nosso recorde mundial no ciclismo de estrada pela pedalada do agora campeão mundial.
Há desportos, populares, onde até somos campeões do mundo, o que há é menos gente a dar por isso.
Não há dinheiro
Crise tirou 3,6 mil milhões aos salários e deu 2,6 mil milhões ao capital.
Erro no exame de Português
O dono do IAVE ainda não foi demitido. Compreende-se: mentir, ser insolente e cometer erros, é a cara deste governo.


















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