Aprendi a gostar de ciclismo com o avô, mais depressa que a andar de bicicleta, assunto que nunca correu bem. A Volta é no Verão, pela rádio e pelo Século seguíamos o desporto que era muito dele não apenas pelas vitórias do seu Sporting: violento, duríssimo, mas simultaneamente reservado ao sucesso de gente com grande cabecinha a pedalar.
Ciclismo é desporto do povo mais do que popular, do povo que tinha na pasteleira o que é hoje um Clio e entretanto foi uma Casal, mais rural que urbano, camponês e operário. Com os meus amigos das férias na aldeia construíam-se pistas em terra batida a sacho e à mão, com pontes de fazer inveja ao Edgar Cardoso, prémios da montanha de primeiríssima categoria, onde as caricas convenientemente vestidas com nas cores dos clubes em papéis afanosamente procurados, escritos os nomes e os números dos nossos heróis, faziam à conta de calos no dedo médio a simulação possível; sim, fomos nós que inventámos os jogos de computador muito antes de alguém imaginar sequer que um dia haveria um tal de spectrum. [Read more…]





















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