De Moçambique, de Angola, de Portugal, do Benfica.
Cachecóis do Porto e do Sporting é que não. (© FB)
Eusébio é de Todos
Príncipes de Portugal, suas grandezas e misérias *
Nos últimos dias, por motivo da morte de Eusébio, falou-se muito no Panteão Nacional. A Presidente da Assembleia da República, vários partidos (PS, PSD, CDS, principalmente), vários políticos, o presidente do S. L. Benfica, etc.
Todos estes intervenientes no sentido de serem transladados para o Panteão Nacional os restos mortais de Eusébio.
A comunicação social, na generalidade, deu grande destaque ao tema. Mas deu-me a impressão de que a maioria das pessoas que falou sobre o assunto não sabe o que é isso do Panteão Nacional. E ainda a qual deles se estava a referir. Confusos? A questão é simples. O Panteão Nacional, seja ele o da Igreja de Santa Engrácia, Lisboa, seja ele o do Mosteiro de Santa Cruz, Coimbra, não é um monumento, é um estatuto, uma função. Em 1916, essa função foi atribuída à Igreja de Santa Engrácia, em Lisboa. E aí estão os restos mortais de escritores e ex-presidentes da República. As excepções são Amália Rodrigues e Humberto Delgado. Por outro lado, em 2003, foi atribuído ao Mosteiro de Santa Cruz, em Coimbra o mesmo estatuto/função, o de Panteão Nacional. Esta decisão foi fundamentada pelo facto de aí estarem sepultados D. Afonso Henriques** e D. Sancho I. Outros monumentos há, que também poderiam ter essa função/estatuto. Por exemplo o Mosteiro dos Jerónimos, Lisboa, onde estão os restos mortais de Luís de Camões, de Vasco da Gama ou de Fernando Pessoa.
Quanto à eventual trasladação de Eusébio, e estando uma discussão em aberto, a questão deve ser muito bem ponderada, com a razão e não com o coração. Eusébio foi e será um dos maiores futebolistas de sempre? Sem dúvida! Esse estatuto foi obtido com a camisola da selecção nacional? Não me parece, apesar do Mundial de 66. Foi com a camisola do Benfica que Eusébio se mais notabilizou em todo o lado. E isto não é coisa pouca. O Benfica teve, na altura, uma das melhores equipas do mundo, e em alguns períodos foi mesmo a melhor equipa do mundo!
Mas na altura Portugal era outro país, que felizmente acabou e ao qual não quero regressar.
Se eu fosse adepto do Benfica quereria que ele fosse sepultado no Estádio da Luz.
*Título de um livro de Aquilino Ribeiro (também ele está no Panteão Nacional,Santa Engrácia, com alguma polémica à mistura), cuja leitura recomendo.
**Não há a certeza. Relembro que a investigação prevista sobre esta matéria foi proibida, isto é, não foi autorizada a abertura do túmulo e consequente análise ao seu interior por partes de investigadores da Universidade de Coimbra. Episódio onde pontuaram, entre outros, pela negativa, José Sócrates, 1º Ministro, Isabel Pires de Lima, Ministra da Cultura, Elíso Sumavielle, Director-Geral. Todos de triste memória para a nossa Cultura e para nosso Património Cultural.
“as redes”, diz o SLB
É ainda referido que “todas as insinuações publicadas nas redes sociais não fazem o menor sentido, principalmente depois de tudo quanto vivemos nos últimos dois dias”. A terminar, o Benfica salienta que “a universalidade de Eusébio será sempre preservada” – Comunicado do Benfica.
A polémica do dia nas redes sociais (sobretudo no facebook) foi uma fotografia de um segurança do Estádio da Luz a retirar artefactos do Sporting (sou levado a pensar que os do FCP também tiveram a mesma sorte).
Um coro enorme de protestos. E a coisa foi de tal ordem que o Benfica se viu na necessidade de enviar um comunicado. Reparei com a devida atenção neste pormenor: “…todas as insinuações publicadas nas redes sociais…”.
A comunicação está a mudar, habituem-se. E a que velocidade. A da luz…
Também não é preciso exagerar
Votem em Manuel Pereira
Portugal tem muita gente boa.
Somos bons em muita coisa e nem sequer estou a falar de todos os que Passos e Portas empurram pelas fronteiras.
Falo de homens que são bons naquilo que fazem. Temos um, Manuel Pereira, que nos tem trazido títulos, uns atrás dos outros. Está na hora de retribuir. Votem!
A lição do Eusébio
Ainda sou do tempo em que vi jogar o Eusébio, essa ruptura geracional que ontem dividiu a pátria. Uns viram, outros não, e quem não viu não percebe, olham para o homem como se fosse um Ronaldo em versão cota, no tempo em que o futebol era fácil e não prestava para nada.

Nessas duas ou três vezes a Académica perdeu, o que somado ao enxovalho na escola em Benfica, conimbricense exilado e isolado perante a turba de alfacinhas, não são exactamente boas recordações. Mas a esses jogos, semente do meu anti-benfiquismo primário, não tinha ido só pelo meu clube numa das suas três visitas anuais mas também para ver jogar o Eusébio, esta parte toda a gente percebe, o Futre e o Figo também conseguiram que os putos os quisessem ver jogar mais do que uma vez por ano na televisão, em diferido.
Porque antes há o jogo da Coreia. Tinha seis anos, é o primeiro jogo que me lembro de ver, o nosso primeiro campeonato do mundo, o único com Eusébio.
O jogo da Coreia ensinou-me umas coisas. [Read more…]
Eusébio da Silva Ferreira
Morreu Eusébio, porventura o melhor jogador de futebol do mundo de todos os tempos. Prisioneiro das circunstâncias do seu tempo, Eusébio não beneficiou da luz dos projectores que iluminaram as carreiras de outros jogadores. Eu, sportinguista desde berço, fui algumas vezes ao Estádio da Luz só para o ver jogar – bem como, reconheço, uma grande equipa, o Benfica do tempo. Questionado sobre a comparação de Eusébio com Pelé, um velho decano do jornalismo desportivo brasileiro respondeu que, “nos seus melhores dias, Pelé é quase tão bom como Eusébio”. Concordo.
O debochado e miserável futebol português
Lance do penalti do 1.º golo do Sporting
Sou do Belenenses. Desde miúdo. Mantenho-me sócio em homenagem à memória do meu Pai. Continuarei belenense até ao fim, mas distante do futebol. Utilizo-o por humor com amigos, embora neste caso seja por revolta.
Vítima do sistema criado, pelas mãos de um bando de bárbaros invasores, o futebol doméstico e internacional é um antro de espúrios interesses que me repugnam – na qualidade de sócio de lugar cativo, este ano apenas assisti a um único jogo (Belenenses-Olhanense), uma reminiscência de juventude, e certamente não presenciarei outro esta época.
O futebol português como base de mesquinhas e irracionais rivalidades entre Lisboa e Porto, num país de meia-dúzia de km quadrados; o futebol português transformado em albergue de luxo para uns tantos que sacam centenas de milhares de euros a dirigir clubes da sua paixão ou é utilizado como refúgio, inclusivamente o meu clube, por quem teve sucessos materiais na vida inexplicados – Vale de Azevedo é a excepção; o futebol português, cada vez mais debochado e miseravelmente manchado pela falta de ética e de verdade desportiva, cria-me náuseas e expulsou-me há muito tempo do grupo de seguidores. Resta-me a selecção nacional e nem sempre. [Read more…]
Apesar de não ser do Glorioso
Esta fotografia é muito boa. Se fosse do Glorioso, seria excelente.
Pontapé na bola
Cristiano Ronaldo quer representar a selecção brasileira
Merkel, Blatter e Ronaldo, aliás, Rolando
Num encontro privado com estudantes na Universidade da Baviera II, Angela Merkel não se coibiu de comentar o caso que envolve Joseph Blatter e Cristiano Ronaldo.
Para activar as legendas, clique no rectângulo do canto inf. direito.
Rimos por último, rimos melhor. E que tal virar as baterias para quem realmente merece?
Voo TP 917 Zurique – Porto, massivamente ocupado por emigrantes de visita ao seu país natal. Chega a hora do lanche e as hospedeiras de bordo da TAP começam o desfile com os seus carrinhos de comes e bebes. Entre refrescos e petiscos, a infame Pepsi figura entre as bebidas…
– Para beber? – pergunta a hospedeira de bordo
– Para mim uma Coca-cola light por favor. – responde uma passageira
– Desculpe mas não temos Coca-cola, só Pepsi…
– Pepsi? PEPSI??? Mas vocês ainda não arrumaram com essa porcaria anti-Portuguesa?
Pepsi Cola Killer
Como uma imagem (e foram três) trucidou uma marca em Portugal.
(clique para aumentar e parabéns aos criativos portugueses não identificados)
O L’Équipe: efectivamente, o melhor jornal desportivo português

© Gustavo Bom/Atlantico Press/Corbis (http://bit.ly/1dCxHNM)
Não é novidade, mas a vitória de ontem frente à Suécia veio mais uma vez provar que, hoje em dia, para se encontrar ortografia portuguesa europeia na imprensa desportiva, só recorrendo a jornais franceses.
De vez em quando, claro, além de se compreender que o Acordo Ortográfico de 1990 é um instrumento inadequado, percebe-se que nem a hipocrisia ortográfica é um exclusivo do Expresso, nem a grafia à escolha do freguês é uma coutada do Diário da República.
Obrigado, L’Équipe.
Continuação de um óptimo fim-de-semana.
Provavelmente, o melhor golo do ano
O excelente golo de Matic, marcado ao F.C. Porto, durante a 14.ª jornada da época passada, é um justíssimo candidato ao prémio Puskas deste ano.
No dia 9 de Dezembro, serão divulgados os três finalistas. A ver, a rever e, principalmente, meu caro Matic, a repetir daqui a dois meses.
Post scriptum: Infelizmente, a organização chefiada pelo Sr. Blatter não permite que este golo seja apreciado directamente no Aventar.
Lido no facebook:
O governo que ponha os olhos no Jesualdo. Aumentar a idade da reforma não é uma boa medida! (via Carlos Varajão Borges, adepto do SCBraga)
(antes que venham os comentários fica o aviso, é humor. Sabem porquê este simples aviso? porque foi o que fiz no post sobre o Lou Reed e alguns não perceberam a coisa)
Futebolices e antifutebolices
Os vários canais de televisão não se cansam de ruminar sobre os lamentáveis acontecimentos ocorridos antes do jogo Porto-Sporting e perpetrados por um destacamento de “Casuals”, abominável movimento que, como uma espécie de acne pré-fascistóide, tem erupções por toda a Europa.
Jornalistas e comentadores sortidos não se cansam de, à falta de outros argumentos, referir alegadas ligações ao Sporting. Não sei se isso é verdade ou não .
O que sei é que não é esse o centro da questão. Sejam quem forem, devem ser detidos, julgados e, se for feita prova, exemplarmente punidos. E, se forem filiados em algum clube, espero que este os expulse imediatamente sem contemplações nem mansas justificações. Temos de respirar aqui e já basta o que basta.
O Pinóquio e Joseph Blatter
Hoje, Neil deGrasse Tyson teve um daqueles momentos. Ainda bem. Realmente, no universo do Pinóquio, a pergunta “o que aconteceria ao nariz do Pinóquio, se ele declarasse: ‘o meu nariz está prestes a crescer’?” não tem resposta.
A pergunta “Ronaldo ou Messi?”, em princípio, digo eu, muito subjectivamente (desconheço parâmetros para aferir objectivamente esta matéria, mas admito que existam) não tem resposta objectiva no planeta Terra. Prefiro Ronaldo, mas a minha condição de português, provavelmente, toldar-me-á o discernimento. Contudo, na Oxford Union e alhures, estar-se-ão nas tintas para as minhas predilecções acerca deste assunto. Porquê? Porque não sou o presidente da FIFA. Não sei o que toldará o discernimento de Blatter.
E a Aldeia explicou
A rapaziada da capital do império sempre veio à Aldeia.
Como sempre, o entusiasmo levou-os a cometer alguns excessos. É natural. São rapazes novos, pouco dados a visitar a província e claro, nada habituados a estes momentos. Vieram em estado de euforia. Como sempre acontece. Beberam do fino, comeram comida caseira feita por mãos experimentadas e, sobretudo, levaram que contar. [Read more…]
Nós, a malta da aldeia:
Obrigado, muito obrigado pelo reconhecimento.
Sim, nós aqui somos uma aldeia. Aliás, uma espécie de aldeia do Asterix. Claro, a malta entende a vossa estranheza. Não é normal, sobretudo para quem vive numa espécie de capital do império, compreender os motivos de sermos (e gostarmos de ser) uma aldeia.
Como toda a aldeia, sabemos receber quem nos visita. Quem o faz com educação, simpatia e amizade, é tratado como um rei. Quem nos visita com tiques imperialistas, arrogância e de forma malcriada, é tratado a pontapé. Somos assim, uns orgulhosos aldeolas.
Muito senhores do nosso nariz, de antes quebrar que torcer e, sobretudo, citando um dos nossos maiores vultos, “se na nossa aldeia há muito quem troque o B por V, há muito pouco quem troque a liberdade pela servidão”. É a grande diferença entre nós e os meninos do cartaz.
Aplausos para o Benfica
Por ter feito a viagem até Cinfães (ou lá perto) de comboio. Só por isso? Sim, só por isso.
Elas também jogam
Portugal é um país com futebol a mais e desporto a menos. E, no feminino a situação, pelo menor protagonismo do futebol,
é mais delicada. Um olhar pela Comunicação Social, mais ou menos tradicional, mostra uma ausência da prática desportiva pelas mulheres, o que está longe, muito longe, de corresponder à realidade.
Nos últimos anos tenho vindo a acompanhar com atenção o Campeonato Nacional de Voleibol e este ano voltarei aos pavilhões, nomeadamente aos do Grande Porto. [Read more…]
André Almeida e Cédric vão jogar na selecção brasileira
Segundo estes títulos do jornal A Bola, André Almeida e Cédric terão sido convocados para a ‘seleção’. Assim sendo, Felipão está de parabéns: trata-se de dois jovens muito promissores e que, obviamente, não podendo jogar na selecção, merecem uma oportunidade alhures.
Desconhece-se o que terá levado A Bola a abandonar a excelente prática de pôr entre aspas palavras criadas pelo AO90.
Aliás, para quem andar distraído, talvez valha a pena indicar que ‘dececionado’ não existe em português do Brasil.
Bem-vindos ao fabuloso mundo da “unidade essencial da língua portuguesa“.
Desejo-vos um óptimo fim-de-semana.





















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