Não há festa nem festança, assembleia, conferência ou contradança, em que as donas constanças cá do pedaço, abespinhadas, se dispensem de censurar rudemente os cânticos e protestos dos estudantes o outros cidadãos, sempre que lhes entra em casa um dos ministros deste governo. Nos Assembleia e entre dois passos perdidos, nos salões da Tia Batata entre dois golinhos de champanhe, no Eleven entre duas garfadas delicadas, por todos os perfumados lugares por onde se roçam os eunucos políticos, reina o escândalo. Aiiiiii, a compostura democrática! Aiiiiii, a liberdade de discurso! Aiiiii, a cortesia que se deve às visitas finas! Aiiii, a sensibilidade do Relvas! Aiiiii, a honra da Nação!
Queria lembrar algumas evidências às rematadas e adultas bestas que se alcandoraram em nossos governantes e mandantes. Eles não sabem a sorte que têm. Eles não percebem a grandeza do povo que governam. Eles não entendem que as pessoas não os vêem como simples protagonistas de políticas de que se discorda. As pessoas vêem-nos como vigaristas que traíram todas as promessas e propostas com que enganaram incautos. Vêem-nos como abusadores ilegítimos do poder. Que, ao serviço, convicta ou desonestamente – o efeito é o mesmo -, dos bandidos do capital financeiro, trapaceiam, sorvem-nos a vida, enriquecem mais os ricos, empobrecem mais os pobres, comprazendo-se com a fortuna rapinada do banqueiro e com a caridade que podem ostentar com o pobre. E para chegar aos seus propósitos, todos os habituais truques servem. Dividir para reinar, manipular consciências, mentir por sistema, aprovar leis que tornem legal o que era corrupto. Consciência, já a venderam há muito. E contra tudo isto, o que faz o povo? O que faz à raiva que lhe vai na alma? Em que transforma a dor que o martiriza? Sublima-a em palavras! Em cânticos! E quando um ministro consabidamente bronco, refrescado pela última festa no Copacabana na companhia de bandidos politicamente aposentados, se permite orar num clube de pensadores ou numa escola de ensino superior, o que faz a parte ofendida dos anfitriões? Não o atiraram pela janela. Cantaram-lhe Grândola Vila Morena. Os tartufos políticos indignam-se. As pessoas decentes orgulham-se. Mas também pensam que um dia a música e as palavras podem não chegar. E pode-lhes ocorrer a fala do poeta : ”que o castigo seja igual ao crime!”.
E eles cantam
Manobras de diversão
O Relvas contratou o Pedro Lixo Machado para o pessoal se distrair a insultar outro, não foi?
Procura-se especialista em Excel
Ministério das Finanças
Procura-se (M/F)
Especialista em informática com detalhados conhecimentos de Excel.
Para desempenho de funções relacionadas com a reparação de fórmulas Excel que teimam em não funcionar da forma pretendida.
Conhecimentos de economia, seja macro, média e mini, constituem mais valia. Parece que aqui só há conhecedores de economia de papel.
Dá-se preferência a quem não tenha uma visão distorcida da realidade. Para isso já cá temos um.
Oferece-se remuneração compatível com as funções. O chefe gosta de cortar nos outros mas nos dele faz questão de mostrar apreço.
Respostas para Ministério das Finanças
Ex-Praça do Comércio (as lojas fecharam todas)
Ao cuidado do Vítor
Olha, o NIF da Bardamerda-BESta
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Encontrei o NIF da BESta: 508677688.
Está onde e como lhes convém: em letras minúsculas, marginal e discreto para não ser e-registado pela vítima final.
Deveria estar bem visível com o Logo.
1964: Zeca e Paredes em Grândola, Alentejo

«(…) aquele concerto em Grândola foi uma data marcante para José Afonso. Foi ali que conheceu Carlos Paredes e se impressionou com o seu talento.. (…)» Mário Lopes, no Público em 2010
Voltaire
A propósito do episódio no ISCTE e para defender o direito de Miguel Relvas se pronunciar, houve quem atribuísse a Voltaire uma frase que Voltaire não escreveu. É um clássico. Recentemente, um leitor do Aventar caiu nessa armadilha. Quando se discute a liberdade de expressão, Voltaire vem à baila. Há quem prefira Chomsky. Com a vantagem de a referência estar correcta. Não, não foi Voltaire. Não, não foi. Não é só em Portugal, é verdade. Não, não é só com Voltaire. Acontece frequentemente com Brecht. Um dia, falaremos sobre Brecht. Hoje, não.
Metereologia

Previsão meteorológica para 2 de Março: céu limpo, tempo muito frio.
O ideal para o aconchego no calor humano de uma manifestação provocando uma tempestade muito forte sobre o governo. Alerta vermelho, portanto, com possibilidade de terramoto, epicentro em Belém.
Valha-nos S. José
Zita Seabra vai proferir na paróquia de S. José, em Coimbra (na minha rua…), uma comunicação integrada no ciclo de Conferências Quaresmais cá do sítio.
Temei, ó crentes da minha Freguesia! É que o discurso da ilustre oradora intitula-se “De Marx a Cristo”. E tendo a Zita formado o seu marxismo na leitura ligeira de um básico catecismo estalinista (ler Marx dá uma trabalheira…), tudo leva a crer que constituiu a sua representação de Cristo a partir de um daqueles catecismos que tiravam o sono às crianças e imbecilizavam os adultos na primeira metade do século passado (dá uma trabalheira ler os evangelhos e aqueles teólogos complicados…). Assim, movido por um sentimento de misericórdia para convosco exorto-vos, caros paroquianos meus vizinhos, a que, depois de ouvirdes a oradora, lhe rezeis pela alma. Se lha encontrardes, claro.
Kevin Ayers, RIP (1944-2013)
Notícia. Ver também um programa de televisão com Kevin Ayers.
Qual é o problema de interromper o Relvas? (3)
Assim como assim, não ia dizer nada de jeito. Nunca diz.
Isto anda tudo ligado
Conduzido pela memória da Ana Matos Pires, então isto é assim: o Relvas, coitadinho que não o deixaram falar, é o mesmo Relvas que afirmou em 2008 sobre Augusto Santos Silva:
O senhor ministro tem que perceber que a barricada da liberdade, desta vez, não está do lado do PS, mas do lado dos professores e não tem que ficar indignado que estes se manifestem e reclamem os seus direitos.
Isto porque o então ministro despejou uma enormidade de insultos sobre os professores que o vaiavam em Chaves:
o mesmo Augusto Santos Silva, agora ex-ministro, que ocorre em defesa da liberdade porque o ora ministro foi vaiado. Sobre a defesa da liberdade de expressão em Augusto Santos Silva, basta ouvi-lo, é uma espécie de sindicalista dos pobres ministros do rotativismo, ofendidos pelos ultrajes da populaça; dessa parte e da sua defesa acérrima da pré-privatização da escola pública pelo governo anterior não me tinha esquecido. O Relvas e o seu governo umas vezes são, outras nem pensar nisso.
Coerentes ou incoerentes, sobre ministros de Portugal, estamos conversados.
Qual é o problema de interromper o Relvas? (2)
“Parece que estamos a voltar ao tempo dos ‘catadores de lixo’, uma situação própria de países do Terceiro Mundo.” [Vale a pena ler a notícia e descobrir que é importante multar quem esteja na miséria]
Esta mensagem autodestruir-se-á ao primeiro acorde de Grândola Vila Morena…
Não escrevo este texto para defender o tão aclamado Ministro, nem para partilhar lugares-comuns como o de que cada individuo tem o direito de expressar livremente a sua opinião. Escrevo estas linhas apenas porque não acredito em muros ideológicos ou respaldos de moral que sirvam de desculpa para quaisquer actos. Acredito na democracia, acredito na república, e não acredito em qualquer forma de contenção da liberdade. O Governo que temos foi eleito por nós. Por todos nós. Não concordamos com as suas políticas então manifestemo-nos fazendo uso dos instrumentos, locais, e tempos próprios que nos são dados por lei para demonstrarmos o nosso desagrado.
Não defendo que o Ministro não se deva demitir mas não quero viver numa democracia platónica em que qualquer fim justifica o meio, em que qualquer acto é permitido. O direito à indignação é tão inalienável como o direito à liberdade mas exactamente como o direito à liberdade, o nosso direito de indignação acaba quando o infligimos ao próximo.
E sobre a Grândola Vila Morena, partilho uma estrofe de que gosto particularmente:
Em cada esquina, um amigo
Em cada rosto, igualdade
Grândola, vila morena
Terra da fraternidade
Relvas dasafinado
Relvas cantou a Grândola de forma claramente desafinada. Mas esteve bem – para quem canta uma música pela primeira vez.
A democracia abalroada
“Não há democracia se os representantes legítimos do povo, por estes eleitos directa ou indirectamente, forem impedidos de expressar o seu pensamento” Luís Montenegro
Certo, mas. Mas não há democracia quando os candidatos a deputados prometem uma coisa e fazem outra depois de eleitos. Não há democracia quando a promessa eleitoral tem valor zero. De contrário, como é que se escolhem os legítimos representantes dos cidadãos? Com base na cor do cabelo?
O facto é que os “representantes legítimos do povo, por estes eleitos directa ou indirectamente”, como Montenegro disse, foram eleitos com base num programa eleitoral. Mas esse programa eleitoral não está, nem de longe, a ser cumprido. Assim sendo, estes deputados são ilegítimos representantes do “povo”. A democracia foi abalroada, sim, mas pelo governo e pelos deputados que o suportam.
Les beaux esprits…
Luís Montenegro, na Assembleia da República, elogia a grandeza de figuras como António Barreto e Santos Silva que, tal como ele, verberaram o “comportamento anti-democrático” dos cidadãos que nas fuças do Relvas cantaram a “subversiva” Grândola Vila Morena.
Dizem as eminentes criaturas que tal é uma limitação à liberdade de expressão.
Francisco de Assis, não se ficando e na passada, defendeu uma aliança do PS com o PSD e CDS. Tão fofos, tão queridos! Chiça, que isto cada vez está mais parecido com uma telenovela mexicana
Coca Cola nas veias
Nos dias que correm tenho-me lembrado de uma alta patente militar, da oposição ao regime de Salazar, com quem tive uma conversa antes de 1974. Tinham ocorrido manifestações de estudantes que, pela primeira vez, partiram à pedrada montras de bancos para os lados da Escola Politécnica. O militar estava contra e achava incivilizado. Eu, subscrevendo Gondi quando afirmou que “quando os que mandam perdem a vergonha, os que obedecem perdem o respeito”, respondi enxutamente que preferia ver as pedras atiradas à cara dos governantes e que me nauseava uma oposição de opereta que não passava de cartas clandestinas e abaixo assinados que a Pide valorizava prendendo os seus signatários. Ele achou, escandalizado, que eu sugeria um desconchavo. Ficámos desentendidos. Mas não havia nada a fazer com um homem que acreditava no Pai Natal e na amantíssima esposa, uma que lhe fazia inenarráveis cenas de ciúmes e o deixou cego e paralítico com umas doses de arsénico quando se apaixonou por outro mais novo. Voltei a encontrá-lo depois do 25 de Abril, muito eufórico e a querer saber se a coisa tinha sido a meu gosto. Ficou fulo quando lhe respondi que tinha preferido uma revolução com grande fartura de pancadaria e contas ajustadas, mais me parecendo aquilo um golpe de floristas a prometer muita cobardia e confusão. Infelizmente, não me enganei. Aquilo que mais abominei no regime de Salazar foi a hipocrisia e a perfídia com que castrou o povo. Quando dali a pouco se cometiam as maiores tratantadas, vi com desgosto que ninguém tinha estaleca para pegar em democratas do 26 de Abril pelos fundilhos e atirá-los de janelas altas, pondo tudo na conta da “justiça revolucionária” propagandeada pelos arautos dos amanhãs que afinal não cantaram. Com isso tinham-se evitados grandes crimes sobre o corpo martirizado da Pátria, porque há uma gentinha neste mundo que só percebe e acorda à estalada. É uma perda de tempo a gentileza e as boas maneiras com tal gentinha.
Na minha geração houve muitos adeptos do politicamente correcto que é como quem diz, muitos com coca cola nas veias, sendo que a coca cola é a água suja do capitalismo. Que a terra lhes seja leve. Felizmente, quase 40 anos depois, há uma geração que se borrifa no politicamente correcto e trata os políticos desavergonhados como eles merecem ser tratados.
Afinal, há motivos para esperança. Bendita juventude!
Núncio Atafulha Cu de Viegas
… com o facto de 2,7 milhões de contribuintes terem indicado o respectivo NIF nas facturas comunicadas à Autoridade Tributária e Aduaneira, pouco preocupados com o aval da Comissão Nacional de Protecção de Dados. Coube ainda, no apertado recinto do Francisco, a introdução do mangalho adicional: 300 mil consumidores finais que já inseriram voluntariamente as facturas no portal e-fatura.
O acto metafórico-sexual, bastante civilizado, por sinal, foi exercido esta manhã, durante a audição da equipa governamental do Ministério das Finanças na Comissão Parlamentar Ordinária de Orçamento, Finanças e Administração Pública. Civilidade é cumprir deveres. Nunca se saberá até que ponto a ‘delação’ fiscal dos Povos do Norte, tão tardiamente aplicada nesta republiqueta de bananas, poderá salvar vidas e impedir suicídios.
Para que o metafórico cu de Viegas não tome hiperbolicamente no respectivo em vão [nem mande tomar!], Núncio explicou ainda que só do sector da restauração já estão inscritas mais de 11,6 milhões de facturas, logo no primeiro mês.
Este volte-face só vem provar que quem com o cu mata, com o cu morre e assim sucessivamente. [Read more…]
“Se tiverem bom senso, arrepiam caminho”
Boaventura Sousa Santos comenta os protestos contra o governo.












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