Abstenção, brancos, nulos e representatividade

Almada, CDU: abstenção=59,5% brancos=4,6% e nulos=4,1%
Arcos de Valdevez, PSD: abstenção=49,1%, brancos=4,2% e nulos=1,8%
Aveiro, PSD/CDS: abstenção=51%, brancos=5,3% e nulos=2,8%
Braga, PSD/CDS: abstenção=40,1%, brancos=3,2% e nulos=1,8%
Bragança, PSD: abstenção=45,4%, brancos=2,7% e nulos=2,4%
Calheta (Madeira), PSD: abstenção=47%, brancos=0,8% e nulos=3,2%
Castelo Branco, PS: abstenção=49,3%, brancos=4,2% e nulos=3,1%
Chaves, PSD: abstenção=46,2%, brancos=3,7% e nulos=2,9%
Coimbra, PS: abstenção=50,6%, brancos=5,4% e nulos=2,8%
Elvas, PS: abstenção=52%, brancos=2,9% e nulos=2,4%
Évora, CDU: abstenção=50,3%, brancos=3,8% e nulos=2,3%
Faro, PSD/CDS: abstenção=56,3% brancos=5,6% e nulos=3,4%
Fundão, PSD: abstenção=45%, brancos=4,9% e nulos=2,7%
Guarda, PSD/CDS: abstenção=40,5%, brancos=3,6% e nulos=4,6%
Ílhavo, PSD: abstenção=59,9%, brancos=6,7% e nulos=3,7%
Leiria, PS: abstenção=50,2%, brancos=8,4% e nulos=5,1%
Lisboa, PS: abstenção=54,9%, brancos=4% e nulos=2,9%
Mafra, PSD: abstenção=50,3%, brancos=6,6% e nulos=3,9%
Moimenta da Beira, PS: abstenção=45%, brancos=4,3% e nulos=2,7%
Montijo, PS: abstenção=60%, brancos=5% e nulos=3,2%
Olhão, PS: abstenção=58,4%, brancos=5,4% e nulos=2,8%
Ponta Delgada, PSD: abstenção=54,1%, brancos=2,1% e nulos=1,2%
Porto, Indep. R.Moreira: abstenção=47,4%, brancos=2,5% e nulos=1,9%
Santarém, PSD: abstenção=48%, brancos=4,8% e nulos=3%
Setúbal, CDU: abstenção=61,3%, brancos=4,6% e nulos=3,2%
Viana do Castelo, PS: abstenção=46,7%, brancos=5,1% e nulos=2,8%
Vila Real, PS: abstenção=40,8%, brancos=2,5% e nulos=2,1%
Viseu, PSD: abstenção=52%, brancos=5,4% e nulos=4%
Fonte da amostra: Público

47,36%

abstiveram-se de votar (resultados ainda provisórios).

O Portal do Eleitor

e o serviço informativo via SMS para o 3838 nada informam sobre a secção de voto a que devemos dirigir-nos no Domingo. «O local específico da sua mesa de voto poderá ser consultado na Junta de Freguesia da sua área de residência.» Para quando o voto electrónico?

Outra vez o voto em branco

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Imagem daqui.

O apelo ao voto em branco, como forma de protesto (!), prossegue. Para quem não tem cabeça para ir ler (e interpretar, pois não não está claro, de forma alguma) o que está escrito no site da CNE, aqui vai:

Se num universo de 100 votos 90 forem em branco (oh fantasia saramaga), e apenas 10 nos candidatos, imaginando que um deles consegue 5 votos, um outro 3 e o restante mais votado 2, o candidato com 5 votos é eleito, apesar dos 90% de votos em branco.

Os votos que valem são apenas aqueles que o sistema eleitoral (tal como está construído) considera válidos, por muitos votos em branco e abstenção que haja. Merecia um boneco do Antero!

Voto branco e nulo = abstenção

A dolorosa a visão do país político que as autárquicas desvendam, as estradas de repente minadas de outdoors com engenheiros anafados a prometer mais do mesmo, a criatividade bacoca, as frases-feitas e os lugares-comuns acordizados, os discursos da obra feita em que não cabe o povo que agoniza na miséria do desemprego e da carência mais abjecta: o país real. Mas há mais mundo, cidadãos por Coimbra e outros por outros lugares, e haverá sobretudo mais País se não entregarem os pontos e forem votar. Não em branco, que não serve de nada (e nem mesmo se os milhões que se abstiveram nas últimas eleições votassem em branco), mas em alternativas ao marasmo corrupto e liberalíssimo de quem pensa a política como uma escada de ascender ao poder de subjugar todos os outros. Vão votar. A vossa abstenção não pune ninguém senão vocês próprios (sois masoquistas porventura?) e premeia os que conseguirem juntar mais votos, tanto menos necessários para serem vencedores quanto mais cidadãos se abstiverem de votar – assim funciona o sistema eleitoral.

Tutorial eleitoral

Nem vale a pena ir votar que a Merkel resolve tudo

<> on November 14, 2011 in Leipzig, Germany.

«Uma campanha mortiça, não por acaso, mas por tacticismo: Angela Merkel tem conseguido convencer todos de que a situação não tem saída, e muito menos requer visão prospectiva, isto é, políticas. A cultura política que foi construíndo ao longo dos últimos oito anos não deixa espaço para a crítica nem para o debate. Fá-lo apresentando todas as suas grandes decisões como sendo actos involuntários, movidos pela necessidade. E todos os seus erros como problemas sistémicos. (…) Os eleitores alemães não estão a receber informação suficiente, nem fazem ideia alguma sobre o futuro. Isto aplica-se a tudo. Assim vamos: dirigentes que estão na disposição de governar sem o envolvimento do povo, nem têm tempo para debates nem novas ideias.»
Um texto de Juliane Mendelsohn, aqui.

Nem Demagogia, Nem Populismo, Nem Excitações Parlamentares

salárioCom a abstenção, na votação, o PS tenta acertar noutra.

Estarão desesperados?

Cavaco e Passos representam quantos portugueses?

cavaco_passos

Presidenciais 2011 (maior abstenção de sempre em eleições para a Presidência)
2.231.956 votaram em Cavaco Silva, representando 23,32% do universo de eleitores inscritos. Abstenção+Brancos=5.164.859, representando 56,63% do universo de eleitores inscritos. Cavaco ganhou com 52,95% dos que votaram.

Legislativas 2011 (maior abstenção de sempre em eleições para o Parlamento)
Dos 9.624.354 eleitores inscritos, abstiveram-se 43,88%, ou seja, 4.039.725 não votaram, 2.159.181 votaram no PSD (22,62%) e 653.888 votaram no CDS-PP (6,85%).

(num apanhado rápido, usando esta fonte, que entretanto se ‘fornece’ na Comissão Nacional de Eleições)

O problema das “estigmativas”

Duas mulheres na casa dos quarenta anos a conversar na rua sobre as respectivas facturas da EDP. Uma: Eles fazem o que querem com o nosso dinheiro. A outra: É para isso que eles usam as estigmativas. A outra: É tudo uma roubalheira. E ainda querem eles que a gente vote. Abeirei-me delas e meti-me na conversa para dizer que a contagem que vem numa factura serve para ser confrontada com aquela que o contador exibe. E assim vamos, com esta gente que não conhece as palavras da Língua que fala, nem é capaz de interpretar o que está escrito numa factura de consumo eléctrico doméstico. São eles os que não votam, acreditando ser esse o procedimento virtuoso do cidadão que não quer participar da ruina do sistema democrático – paradoxalmente contribuindo para a eleição dos governantes que não nos representam. Ou será que representam, e andamos aqui a falar de um país prevalecente imaginário? Sempre essa dúvida.

Votar numa lavandaria

Só mesmo nos EUA.

Ontem, em Chicago, os eleitores podiam votar em escolas e igrejas, quartéis de bombeiros e esquadras policiais, centros de dia e blocos residenciais. Mas também numa lavandaria self-service, ” a melhor montra para ver a democracia americana em acção”, lê-se no PÚBLICO de hoje. Explicação para o «fenómeno»: “não só porque aumenta o universo de possibilidades dos eleitores, mas também porque torna o voto mais prático, menos solene, mais próximo do dia-a-dia das pessoas”. Todos os estabelecimentos comerciais podiam receber uma mesa de voto, excepto os locais que vendem bebidas alcoólicas.

É caso para dizer se Maomé não vai à montanha, vai a montanha a Maomé. Não acho muita piada… Há locais próprios para tudo e misturar alhos com bugalhos não me parece ser grande ideia, não obstante ter que admitir que os americanos «mexem-se» e têm ideias loucas que lá terão resultados, pelo menos quantitativamente. «Não deixe de votar, mesmo que não tenha pensado nisso ou refletido muito»,  «É fácil, barato e muito cool».

Imagino a senhora com seus filhos na dita lavandaria: um olho neles, um olho na roupa a girar na máquina e outro no voto, numa pressa, ouvindo ainda o desabafo político tendencioso dos restantes utentes do estabelecimento…

A abstenção em Portugal ficava resolvida se em cada canto e esquina houvesse uma mesa de voto?

Democracia = comodidade = banalidade?

A jornalista K. Gomes afirma algo que me deixa de boca aberta: “Talvez não haja nada mais democrático que votar numa lavandaria”. E esta hein?

New York Times concorda com Januário Torgal Ferreira

Portugueses são os mais ‘complacentes’ com austeridade, diz New York Times

O PS e o orçamento: vai formoso e Seguro

“Abstenção do PS vai ser violenta mas construtiva”, garante Seguro

Ser responsável, de acordo com o discurso político dominante, é prosseguir o caminho do empobrecimento ou da retirada de direitos aos trabalhadores, é impor a quem não se pode defender uma austeridade considerada corajosa, é, ainda, não ter vergonha de afirmar uma coisa e fazer outra. Passos Coelho, já se sabe, andou dois anos a prometer o contrário do que está a fazer. Seguro assegura que o PS mantém a coerência, fazendo de conta que é contra o orçamento, mas decidindo, na realidade, ser responsável.

Seguro consegue, a propósito do orçamento, inventar uma abstenção violenta e construtiva, filha dessa indecisão de um partido que tem os genes de esquerda escondidos no fundo de uma gaveta. Agora, como é um partido responsável, já não pode usá-los.

Primeiros resultados eleitorais

Para já ganha a abstenção.

Os políticos que ouvi comentar estes números falam apenas de eleitores fantasma. Daqui a pouco falarão do tempo. Perceber que as pessoas estão fartas desta classe política e desta forma de fazer política não lhes entra nas cabecinhas. Não aprendem, está visto.

O que eles querem é que não votes

A abstenção, o voto em branco e o voto nulo são o seguro de vida dos que nos (des)governam. Queres apoiar PS/PSD/CDS? fica em casa. A troika agradece.

Presidenciais: Cavaco passa à segunda volta

Três glosas sobre a expressão “segunda volta”

Glosa primeira: Cavaco ao ataque

Em termos futebolísticos, a segunda volta é a segunda parte do campeonato, a parte em que tudo é, ainda, matematicamente possível, mesmo quando já se sabe, no fundo, qual será o clube vencedor, porque o possível é, tantas vezes, improvável. Cavaco passou, então, à segunda parte do campeonato e já prometeu mudanças tácticas e estratégicas: se, na primeira volta, jogou à defesa, com dois trincos e três centrais numa magistratura de influência, a partir de agora, vai prescindir de um central e de um trinco e passará a jogar com três pontas de lança, num exercício de maior intervenção. Cavaco acredita, portanto, que é possível recuperar a desvantagem que tem no fim da primeira volta e não duvido de que o seu habitual calculismo lhe traga frutos: mantendo-se aliado aos mais poderosos, garantirá a vitória no campeonato, ao mesmo tempo que continuará a contribuir para a já esperada despromoção dos mais pequenos. [Read more…]

Abstenção

abstenção

 

O Pedro disserta aqui no Aventar sobre as razões da abstenção. Concordo e acrescento que a insistência em não se discutir o que vai a votos não convida a que a atitude seja diferente.

Apesar de tudo isto, os temerários que ainda assim se deslocam à assembleia de voto puderam presenciar nesta eleição ao choque do país real com o país virtual dos simplexes. Com as mudanças do local de voto trazidas, por exemplo, com o cartão do cidadão, muitos eleitores ficaram impedidos de votar, seja por não saberem o número de eleitor, seja por não saberem a que local de voto se dirigirem.

O presidente da CNE não sabia que se poderia obter o número de eleitor com um SMS. Ou que o site do recenseamento eleitoral poderia dar dar esta informação. Poderia! Pois estes serviços deixaram de funcionar logo que o nível de utilização subiu, colocando a nu o amadorismo da sua implementação. Valham-nos alguns serviços menos usados ainda funcionam.

No país de Sócrates, os simplexes funcionam. O problema é que a votação não ocorre no Second Life, onde pelo menos uma acção de campanha decorreu, mas sim num local físico. Onde as pessoas têm problemas reais que os perfeitos mundos virtuais não resolvem.

Tem um cartão de cidadão ou perdeu o cartão de eleitor? está tramado, a incompetência pode não o deixar votar

burroVirados para a parede, de castigo, com orelhas de burro, é o que merecem os responsáveis pela vergonha que hoje se está a repetir: eleitores impedidos de votar, porque desconhecem o seu número de eleitor.

Basta ler os comentários que os nossos leitores vão escrevendo nos textos onde tentei ajudar quem procura as indicações para poder votar, porque tem um cartão de cidadão ou perdeu o cartão de eleitor.

O cartão de cidadão contém o número de eleitor, mas para ser lido é preciso um terminal.

A página do recenseamento eleitoral não aguenta os acessos, os sms não funcionam, há portugueses impedidos de votar, falseando os resultados eleitorais. Imaginem que uma segunda volta se decide por um pequeno número de votos como sucedeu nas últimas presidenciais.

Logo à noite vamos ouvir muitas queixas e leituras dos paineleiros do costume sobre a elevada abstenção. Duvido muito que os responsáveis por esta abstenção forçada sejam chamados ao quadro. [Read more…]

As razões da abstenção

Para uns são os mortos, para outros o frio, para outros o desinteresse.

Tudo isso contará um pouco, mas a verdade é que a tendência para o aumento da abstenção resulta de um divórcio, de uma má relação, de uma falta de confiança, de um descrer.

Independentemente dos poderes do PR (as outras eleições enfermam do mesmo) os portugueses não crêem que o ato de votar valha a pena, não acreditam que traduza a manifestação da sua vontade, que mude a situação. Por outras palavras: não se sentem representados e vêem o voto como inútil.

Outros, muitos, sentem-se ultrajados. Entendem que mereciam melhor, que o país mereceria outra coisa. Mereceria melhores cidadãos? Claro, mas sobretudo melhores políticos, mais ética, menos vileza. Políticos mais responsáveis, menos mentirosos, menos imediatistas, menos vendidos.

A abstenção resulta principalmente da descrença absoluta nesta classe política medíocre, sem grandeza nem clarividência, incapaz de cativar o cidadão para a coisa pública, para o interesse colectivo (a que outros chamam nacional). O cidadão, aliás, não acredita sequer que a dita classe esteja, ela própria, cativada pela coisa pública ou pelo interesse colectivo ( ou nacional). Daí ao divórcio vai um passo.

E o passo foi dado numa campanha sem chama, sem ideias, sem rasgos, sem algo ou alguém em que crer. No entanto, hoje à noite, a classe política que nos desmotiva será perguntada sobre as razões da abstenção. As respostas serão os mortos, o frio, o cartão de eleitor e outras menoridades e malabarismos.

Ora, a abstenção deve-se, precisamente, a esse tipo de respostas.

Presidenciais: o direito à abstenção

A campanha  das presidenciais tende a subjugar os portugueses à fatalidade de uma escolha simplificada: ou Cavaco ou o caos. É uma espécie de versão do provérbio “Outono, ou a seca das fontes, ou saltas as pontes”. Portanto, ou viveremos, como já acontece, sob a inclemência de uma seca também alimentada por Cavaco, ou sob o dilúvio de águas da agiotagem de juros de dívidas mais elevados, ‘Aníbal dixit’. Vários anos outonais nos aguardam.

O desfecho eleitoral seja ele qual for, com ou sem Cavaco, não evitará a continuidade da pior das crises económicas e financeiras da História de Portugal, e em particular no período pós 25 de Abril; induzida também, diga-se, pela crítica situação internacional. E, se historiadores e analistas objectivos e independentes investigarem com rigor todo o processo democrático do período pós-revolucionário, convergirão, entre outras, nas seguintes conclusões:  Cavaco, enquanto PM, impôs ao País  um modelo de destruição das capacidades produtivas na agricultura, nas pescas e na indústria; Guterres, mais dócil e popular, prosseguiu com o despesismo das grandes obras públicas. Durão Barroso, ajudado por Portas, comprou os submarinos e, à semelhança do antecessor, evadiu-se para cargo bem remunerado no estrangeiro; depois, a roleta do bloco central ofereceu-nos Sócrates, cuja prestação, tão negativa e contestada, dispensa comentários.  [Read more…]

A quem serve a abstenção?

É fácil prever uma subida da abstenção nas eleições presidenciais. Os motivos são vários e óbvios, começando pelo desencanto com a situação do país e com a classe política, acabando nestes candidatos e nesta paupérrima marcha sem ideias nem propostas de futuro a que erradamente se chama campanha eleitoral.

Os meus colegas do Aventar -blogue pluralista, importa repetir – foram aqui deixando a sua opinião e análise.

Nem sempre é possível prever quem ganha com a abstenção numas dadas eleições. É frequente o candidato ou partido mais bem posicionado temer uma elevada abstenção, receando que o eleitorado se desmobilize ao dar por certa a vitória. Nesse cenário os adversários dão, sem o dizerem expressamente, a abstenção por bem vinda.

Mas também acontece o contrário: o candidato ou partido menos bem colocado recear que a interiorização da derrota leve à desistência do ato de votar, confirmando não só os temores como, também, erodindo a base de apoio e os equilíbrios representativos que em função dela se estabelecem, até nas presidenciais (Alegre deve o apoio do PS ao resultado que obteve nas eleições anteriores, por exemplo).

Nestas eleições, para ser claro, penso que a abstenção [Read more…]

Vai votar ou vai deixar outros decidirem por si?

Vai a campanha eleitoral a meio, ou muito provavelmente a um quarto, já que cheira-me a segunda volta, e o que sabemos sobre o que tenciona fazer o próximo presidente? E quanto do anterior mandato já foi escrutinado?

Muito se tem falado de espingardas e de venda de acções mas quando, daqui a uns meses, não mais for possível esconder a ruína das contas públicas, o que vai o presidente fazer? Soubemos que o governo vendeu à China, na semana passada, títulos da dívida soberana, sem que tenha sido tornado público a taxa de juro do empréstimo nem que outras condições foram negociadas. O que pensam os futuros presidentes de uma plausível venda de soberania? Preocupá-los-á mais uma temporária incursão do FMI ou compromissos não publicitados que tenham sido estabelecidos com outras nações?

Estas e outras questões laterais, como insistir em iniciativas de carácter legislativo numa eleição presidencial, têm saltado das campanhas eleitorais para as parangonas. E no entanto, surpreendem-se os candidatos com a abstenção que se prepara para, novamente, ganhar as eleições. O que será uma pena, pois não votar é delegar nos outros a pouca voz que cada português ainda tem na condução deste país. Contrariamente às outras eleições onde o eleitor não tem voto na matéria quanto à escolha dos deputados, dos ministros e dos autarcas, nas respectivas eleições, a eleição presidencial é a única verdadeiramente democrática. Onde o eleitor elege de facto quem se apresenta a votos, em vez de votar em listas de pessoas escolhidas pelos partidos.

Não votar na próxima eleição é renunciar à democracia, somando poder à partidocracia. Mesmo quem não se reveja em nenhum dos actuais candidatos, continuará a ter duas outras, o voto nulo e o voto em branco. É por esta razão que no próximo domingo não deixarei de exercer o meu direito de voto.

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