Há sempre violência quando se participa num piquete de greve. É de uma violência enorme aguentar horas e horas durante a noite e o dia, depois das semanas que antecedem o dia da greve, com mais horas e horas de trabalho. É violento, mas é assim. E, se fosse fácil, qualquer lambe-botas do patrão, ressabiado com os sindicatos, preconceituoso em relação à democracia poderia participar nos piquetes. E pode, mas não o faz, porque é violento. [Read more…]
As consequências
São simples.
Não há reuniões de avaliação, não há notas e sem estas, as pautas não existem.
A primeira consequência é a inexistência de elementos que permitam tomar decisões sobre aprovações ou retenção, isto é, não vai ser possível saber quem passa ou não de ano. Sem esta informação não se poderão concretizar matrículas em novos anos ou até em novas escolas, tal como não será possível desenvolver o processo que levará à entrada na Faculdade.
Numa só expressão, se o ano lectivo 2012/2013 não termina, o que se segue não poderá começar e o arranque das aulas em Setembro começa a ficar realmente em causa.
O problema é sério, mas Nuno Crato e Passos Coelho parecem estar pouco preocupados com a situação que vai colocar em causa um sector vital da nossa economia – o turismo.
Pelo contrário, os Professores continuam muito preocupados e por isso estão disponíveis para continuar esta GREVE que já vai em 8 dias úteis. E as exigências são simples:
– a mobilidade especial (requalificação ou despedimento) não pode ser regulamentada;
– o aumento do horário de trabalho, a acontecer, deverá ser exclusivamente na componente individual (“trabalho de casa”);
– a direcção de turma tem que continuar a ser considerado serviço lectivo.
E, apesar dos números brutais da GREVE (sempre acima dos 90%), há ainda muitos professores que não fizeram qualquer dia de GREVE, ou seja, ainda temos muito caminho para andar. E, apesar da tradicional página em branco do Expresso ou dos posts de ocasião no Aventar, a gente vai continuar…
Mostruário dos tiques anti-professor (2)
Greve sim mas e daí é melhor não
Fazendo jus à pluralidade do Aventar, já antes discordei do meu caríssimo Carlos Garcez Osório e volto agora a fazê-lo. Não será, muito provavelmente a última vez, o que será sempre bom sinal.
Parece-me que o Carlos revela um estranho conceito de democracia: é coisa boa, se servir para eleger os nossos, e é detestável por trazer agarrada a si excrescências como o direito à greve. O governo que o Carlos apoia tem, ainda, sonhos lúbricos em que o Tribunal Constitucional desaparece numa enxurrada, arrastando, na voragem, a Constituição, apontada como a única razão para a ingovernabilidade do país, em substituição do bode expiatório, com a vantagem de cheirar melhor.
Ora, tal como o Carlos, também eu tenho alguns problemas com a democracia. Chateia-me, por exemplo, que a maioria da população insista em votar nos partidos em que eu não voto, sabendo-se, para mais, que são os responsáveis pelos vários desmandos que colocaram o país nesta encosta perigosa, porque nem sequer temos dinheiro para comprar um abismo a sério. Tenho de confessar que, em sonhos enraivecidos, chego a pensar que, se fosse eu a mandar, só deixava votar os eleitores que elegessem deputados do mesmo partido em que voto.
O problema é que isso iria dar origem a um partido único na Assembleia, o que seria recuar aos tempos da União Nacional. Aos tempos, já agora, em que as greves eram proibidas. [Read more…]
Greve: é para continuar
Ou seja, nada de reuniões, nada de notas, nada de avaliações… E o CAOS no país cada vez mais perto.
Mostruário dos tiques anti-professor (1)
Os malandros dos sindicatos
A época de caça ao professor abriu em 2005, com José Sócrates, e ainda não fechou. Os últimos dias, com reacções diversas de tantos ignorantes à contestação dos professores, teve o condão de acordar, dentro de mim, um estranho animal, cruzamento de semiólogo com observador de animais em estado selvagem. É como se Umberto Eco e David Attenborough tivessem casado e, tendo procriado, fosse eu o seu descendente.
A revolta dos professores surpreendeu um governo que acredita, à boa maneira salazarenta, que a maioria deve obedecer em silêncio à sua voz. Face ao atrevimento dos professores, os bandos de comentadores têm soltado a sua raiva.
Um dos animais que mais frequenta o habitat do comentário tudologista é o Raposo. O Raposo é uma subespécie do cronista domesticado, alimentado a grandes doses de preconceito contra tudo que seja público. Provavelmente, quando era cria, mostravam-lhe uma fotografia de um funcionário público e batiam-lhe logo a seguir, obrigando-o a regougar a revolta interior.
Para que não fique sozinho, Raposo recebeu a companhia de mais um triste exemplar de jotinha, esse estranho parasita que sobreviveu à custa da cola dos cartazes que andou a afixar em pequenino e que se alimentava das botas que conseguia lamber.
De que se lembraram estas duas magníficas criaturas? De tentar atingir os sindicatos, essa malandragem cujos membros não têm direito a protestar, porque são pessoas que não trabalham e porque alguns chegam mesmo a pertencer a partidos políticos, um crime hediondo, especialmente numa sociedade que não se quer democrática. [Read more…]
Nunca fiz greve e dizem que sou da direita
Quando aconteceu o 25 de Abril, eu era quase um puto. Ou melhor, tinha acabado de deixar de o ser, já que tinha quase 22 anos. Nos dia de hoje seria homem e com capacidade para votar e influenciar a vida das outras pessoas há já quase quatro anos, mas na altura não era assim. Naqueles dias deixei de ser um puto porreiro e amigo das pessoas, preocupado com o bem estar dos que eu conhecia e dos que, sem conhecer ouvia falar, e passei a ser, por via da minha simpatia confessa (naquela altura) pelo PPD acabado de criar, um gajo da direita, por vezes até um fascista. E vivi assim até aos dias de hoje, ouvindo pareceres sobre a minha pessoa, ora bons ora maus, apesar das minhas simpatias não mais terem tido nome. Mas as minhas antipatias sempre o tiveram, apesar da condescendência para com elas que sempre me prezei de ter!
Na minha meninice e na minha juventude (fazia parte dos meninos beneficiados pela sorte por pertencer a uma posição social média e com estudos), a educação que me deram os meus pais, os meus tios e os meus avós, baseou-se sempre no imenso respeito pela maneira de viver dos outros, em especial pelos que menos tinham, no imenso respeito pelas ideias alheias, mesmo que fossem completamente diversas das minhas, no cuidado extremo na forma de falar e no que dizer, por forma a não ofender fosse quem fosse, fosse de que maneira fosse, na solidariedade e na entreajuda. À minha custa, aprendi nos primeiros anos de adulto, que muitos outros não tinham sido educados da mesma forma. Ao longo destes já muitos anos que levo de vida fui batalhando contra essa minha ingenuidade intrínseca, confesso que sem muito proveito. [Read more…]
Especialistas e ignorantes
Se por eu mexer em moedas não faz de mim um economista, se por dar uns pontapés na bola não faz de mim um Mourinho e se por jogar o Singstar não faz de mim um cantor porque é que há gente que pensa saber falar de Educação só porque um dia passou pela Escola?
A greve de hoje e a “reforma” do Estado
Mais do que uma vez escrevi no Aventar sobre o subdesenvolvimento português, cuja verdadeira dimensão talvez só agora comece a ser plenamente visível. A greve que os professores fizeram hoje demonstrou a que ponto o debate está inquinado pelas retóricas que colhem sempre entre os ignorantes sensíveis aos bons sentimentos, e a que a maioria acaba por aderir: a ideia de que o futuro dos estudantes ficou ameaçado por esta greve é uma delas. [Read more…]
Um dia de GREVE é sempre um dia SIMPLES
Porque só há dois lados e o muro é coisa que não existe. Ou se está de um lado ou se está do outro.
Hoje há Educadores que não vão para o jardim de infância, Docentes Universitários que não vão nem dar aulas, nem tão pouco vigiar exames. Haverá certamente milhares, muitos, do 1º ciclo ao ensino secundário que não vão realizar as reuniões de avaliações e serão também muitas as escolas onde os exames de 12º ano não se realizarão.
A GREVE de hoje assume muitas formas e terá muitos rostos. Terá a forma e a dimensão que os Professores lhe quiserem dar.
Aos outros, aos que quiserem dar a mão a Pedro Passos Coelho, a Nuno Crato, a Vítor Gaspar e a Paulo Portas, espero que o arrependimento não chegue em Setembro – será muito tarde. E, claro, podem juntar o carimbo da traição ao vosso passaporte!
A quem, de fora das Escolas, olha para esta luta sugiro a leitura do texto de Pacheco Pereira e uma ideia que um amigo partilhava há dias: se vocês conseguirem vencer e continuar com 35h, nós, no privado ainda temos alguma esperança de lá voltar. Se perderem, não faltará muito para nos colocarem nas 45.
“Os professores estão muito divididos”
O título deste texto corresponde a uma afirmação de Nuno Crato, em mais uma tentativa de intoxicar a opinião pública e de semear a dúvida entre os professores.
A grande maioria das reuniões de avaliação marcadas para a semana passada não se realizou. A manifestação de ontem levou a Lisboa 80 000 professores, num universo de 100 000 profissionais.
A notícia de que os professores estão muito divididos é, portanto, manifestamente exagerada.
Nuno Crato utiliza tudo o que possa servir para demonizar os professores. Para isso, cultiva, com grande habilidade, as declarações e os silêncios.
Assim, não hesitou em afirmar que os professores transformaram os alunos em reféns e apelou a que não fizessem greve aos exames, depois de ter falhado a exigência dos serviços mínimos.
No que se refere aos silêncios, hoje, na SIC, recusou-se a dizer o que poderá acontecer aos alunos que possam ser impedidos de fazer exame, amanhã, em consequência da greve. Com esta atitude, tenta amedrontar os professores mais hesitantes, ao mesmo tempo que mantém os pais e os alunos sob tensão, lançando-os, mais uma vez, contra os professores. Bastaria que tivesse afirmado que os alunos que não fizerem exames não serão prejudicados, mas isso seria contrário ao maquiavelismo que norteia a sua actuação. [Read more…]
Do direito à futilidade
Ó Maria João, se eu mandasse, nunca me passaria pela cabeça retirar-lhe o direito a ser fútil e a julgar-se engraçada e educada, actividades que consegue praticar com grande autonomia. Já percebi, de qualquer modo, que, para si, discutir Política e Educação corresponde a comentar o verniz das unhas ou as camisolas da Catarina Martins e a fazer associações simplistas entre partidos e regimes políticos ou a chamar políticas socialistas à corrupção do Estado. Diante de si, estarei sempre em desvantagem, porque não tenho competências de “fashion adviser” que me permitam debater consigo, por exemplo, a Educação, esse tema que passa, sobretudo, pelo comentário à barba de três dias ou ao corte dos fatos de Nuno Crato. Ainda me lembrei de voltar a falar do conteúdo do texto da Inês Gonçalves, mas – lá está – não estou apto a escrever sobre as tendências da moda para este ano.
Também eu, Maria João, sou um ferocíssimo defensor do direito de todos nós à futilidade. É graças a essa prática continuada da futilidade que sou capaz de me divertir a ler o que escreve, porque é importante, também, lermos textos que não nos ensinem nada de importante, tal como é fundamental para o meu equilíbrio emocional ouvir os dislates de personagens como uma Paula Bobone ou um Cláudio Ramos. A Maria João é, no fundo, o gloss com que me mimo para não estar sempre sisudo a pensar em coisas importantes. [Read more…]
A greve, o presente e o futuro dos alunos
Santana Castilho
Em dia de manifestação de professores, em véspera da greve de tantas discórdias, permito-me lançar ao vento estas perguntas:
Não foi mau para o presente e futuro dos alunos cortar os planos de estudo dos ensinos básico e secundário?
Não foi mau para o presente e futuro dos alunos diminuir a carga horária de algumas disciplinas, sem que os respectivos programas tenham sido alterados?
Não foi mau para o presente e futuro dos alunos aumentar o número de alunos por turma? [Read more…]
O horror! Inês Gonçalves é do Bloco de Esquerda!
No princípio, era o verbo, ou seja, o texto. E o texto tinha uma autora. E a autora dizia que tinha 18 anos e que se chamava Inês Gonçalves. E o senhor Vítor viu que um texto daqueles não podia ser de uma rapariga de 18 anos.
Foi então que o senhor Vítor criou o homem de meia-idade com bigode. O homem de meia-idade com bigode era, afinal, o autor.
O senhor Vítor, mais tarde, descobriu que, afinal, existia mesmo uma Inês com 18 anos que era mesmo autora do texto que, durante uns minutos, fora da autoria de um homem de meia-idade com bigode.
A Inês, afinal, não era um homem de meia-idade com bigode, mesmo que possa haver algum homem de meia-idade com bigode que, à noite, goste que lhe chamem Inês, mas não temos nada com isso.
O senhor Vítor, aceitando que a autora se chamava Inês, não aceitava que uma rapariga de 18 anos se pudesse interessar por problemas próprios de homens de meia-idade com bigode. Há homens de meia-idade sem bigode, mas esses interessam-se por outras coisas, que um bigode faz muita diferença. Também há homens com bigode sem ser de meia-idade e, por isso, com interesses completamente diferentes dos dois anteriores.
O senhor Vítor encontrou, então, uma nova solução: como a Inês, por ter 18 anos, estava impossibilitada de formar opinião sobre temas próprios dos homens de meia-idade com bigode, tornou-se óbvio que o texto tivesse sido ditado à jovem autora por um homem de meia-idade com bigode. [Read more…]
2ª feira TODOS podem e devem fazer GREVE – é a última?
Ora aí está a confirmação que todos esperavam. Depois de nos ter sugerido trocar o exame de português pelo de matemática, Pedro Passos Coelho, seguramente o mais competente primeiro-ministro depois do 25 de abril, vem agora confirmar o que os sindicatos sempre disseram: a Lei não garantia a exigência dos serviços mínimos em educação. Confesso que não pensava ser possível ter um governante tão competente na convocação de uma Greve.
Aliás, pelo que se vai percebendo, a Direita está em pânico e de trapalhada em trapalhada caminha para o fundo de um buraco que parece não ter fundo. Então agora vão mudar a Lei da Greve?
Quer dizer, perdem o jogo, logo, ‘bora lá alterar as regras. Parece-me que o Glorioso Sport Lisboa e Benfica, a seguir o exemplo do Governo, vai exigir que na próxima época os jogos acabem mesmo aos 90 minutos.
Nuno Crato convocou os sindicatos para uma reunião ainda hoje (16h), mas só há um caminho para os nossos representantes: o MEC retira de cima da mesa a Mobilidade Especial e o aumento da carga horária e os Professores voltam às negociações. Tudo o que seja menos do que isso e a GREVE às avaliações é para continuar.
Quanto à GREVE de 2ª feira, Nuno Crato vai tentar, hoje, forçar os sindicatos à sua desmarcação e, caso o tiro volte a falhar (como tem sido habitual) terá que alterar a data do exame de Português porque há uma mensagem muito clara que todas as escolas estão a dar: segunda-feira a GREVE é mesmo TOTAL!
Todos podem (devem!) fazer GREVE, não há qualquer tipo de condicionamento formal e tudo o que um ou outro imbecil possam dizer para condicionar a GREVE, será uma… imbecilidade. Eu vou MESMO aproveitar, quem sabe não terei outra oportunidade de fazer GREVE.
A lindíssima voz de um professor
Crónica de uma greve lavrada em português suave – Manuel Fontão
Solidário com Cavaco
Estando eu em greve, é natural que me sinta ainda mais solidário com todos aqueles que desejem exercer esse mesmo direito. Como todos sabem, Cavaco Silva está em greve no que respeita às suas funções como Presidente da República, desde que o actual governo tomou posse. Não sei se o faz por não concordar com as reduções que a sua parca reforma sofreu, mas não me passa pela cabeça que qualquer outro cidadão, incluindo o Presidente da República, possa ter menos direitos do que eu.
É por isso que me vejo obrigado a concordar com a multa aplicada a um cidadão que mandou Cavaco Silva trabalhar, desrespeitando, assim, o direito à greve do mais alto funcionário público da nação.
Fico, entretanto, à espera que Passos Coelho e Nuno Crato sofram um castigo semelhante, uma vez que, nos últimos tempos, têm dirigido aos professores a mesma mensagem indecorosa. Faça-se justiça!
GREVE GERAL de Todos os Professores
Maria de Lurdes foi um marco! Como ela nunca haverá…
Ups! Calma! Correcção, afinal há e para pior.
Então agora o tribunal diz que não há serviço mínimos e suas excelências mandam um mero serviço técnico assumir uma ordem política que o Ministro teve receio em assumir?
A ordem é simples: todos os professores de todos os sectores de ensino estão convocados para ir vigiar o exame do 12º de Português, isto é, os educadores de infância de um Agrupamento vão ser chamados para estar na escola Grande, ficando, por isso, os mais pequenos em casa.
Não se trata de qualquer tipo de limitação: não são serviços mínimos e não se trata de uma requisição. É apenas uma oportunidade, agora alargada a todos, de participar na GREVE
A convocatória do MEC é Geral, mas a que convocou a GREVE também é. Segunda-feira, sem medos e sem qualquer tipo de limitações formais, é a nossa vez de ir a EXAME!
Ou fazemos ou não fazemos. Mas, pelo que vou vendo, vamos mesmo fazer!
Quanto a Nuno Crato, percebo a vontade de ganhar na secretaria, mas a sua história está escrita e agora é de tombo em tombo até à queda final! E aposto que é antes das férias!
Greve as avaliações: mais esclarecimentos
Os professores estão a ser muito afirmativos na concretização da GREVE às avaliações – os números apontam para adesões muito próximas dos 100% e, obviamente, com esta realidade a confusão nas escolas está instalada.
Na próxima semana temos o exame de Português (6º e 9º) e as escolas não sabem quem são os alunos que podem ou não ir a exame, o que equivale a dizer que os alunos e as famílias também não. Apesar disso, continuo a ficar surpreendido com algumas Direcções que teimam em estar do lado errado da história. Será que o comportamento vergonhoso no tempo de Maria de Lurdes não foi suficiente?
Estou a falar de duas coisas: da remarcação das reuniões e do desconto no salário dos Professores que aderirem à GREVE. [Read more…]
Recurso do MEC não tem eficácia
Nuno Crato apostou tudo nos serviços mínimos e perdeu. O Colégio Arbitral foi muito claro e até deixou uma sugestão:
– não há serviços mínimos;
– sugeriu que o MEC fizesse a data do exame deslizar para dia 20.
Ora, perante esta decisão, Nuno Crato decide avançar em frente, fazendo de conta, que nada aconteceu – se não surpreendia esta postura nas reuniões de negociação, onde o MEC não ouve nada nem ninguém, já é menos compreensível que siga a mesma lógica na relação com os tribunais.
Nuno Crato poderia ter colocado os alunos à frente dos seus interesses e adiado o exame para dia 20, mas preferiu continuar a guerra. Isto é, os problemas que acontecerem na segunda-feira são uma opção e uma escolha de Nuno Crato.
Mas, vamos imaginar que Nuno Crato até sabe o que está a fazer, digamos que, num momento criativo deste post.
Aqui vai:
– 4ª feira, 12 de junho: Nuno Crato recorre da decisão.
– 5ª feira, 13 de junho: feriado em Lisboa.
– 6ª feira, 14 de junho: o Colégio analisa tudo a correr e envia para a FENPROF.
– 2ª feira, 17 de junho: dia de exame.
Ou seja, não há qualquer tipo de eficácia na decisão de recorrer o que equivale a dizer que Nuno Crato decidiu que os alunos não vão poder realizar o exame na próxima segunda-feira.
E, nem coloco a questão da legalidade. É desnecessária.
Quanto aos Professores, é só continuar a lutar sempre acima dos 99%!
Greve dos professores
Como registo inicial de interesses, devo afirmar, desde já, que não compreendo que, nos dias de hoje, se continue a considerar a greve como um direito. Não entendo e, dificilmente, entenderei que se tenha por legítima uma acção cujo único propósito é causar prejuízo em grau tão elevado que leve o interlocutor a ceder e a acatar as reivindicações dos grevistas. Para mais, normalmente, os danos sobram, não para a contraparte negocial, mas para o público em geral.
Greve: as respostas para as tuas dúvidas
O movimento que os Docentes portugueses iniciaram é muito mais do que uma GREVE.
Se no reinado maioritário de Sócrates conseguimos, sozinhos, sair à rua contra tudo e contra todos, não será uma Tecnocracia Ditatorial que nos vai impedir de voltar a liderar a oposição às políticas deste bando que nos assalta.
A GREVE às avaliações está aí, na semana que antecede a MANIFESTAÇÃO em Lisboa – a propósito, já estás inscrit@?
Esta GREVE tem motivado uma enorme confusão nas escolas apesar do esforço que, desta vez, os sindicatos têm feito para esclarecer cada um dos professores. Destas dúvidas, destacaria duas: a que se relaciona com o desconto no salário pela não presença na reunião e o quórum para a realização ou não da reunião
– Qual é o desconto pela ausência numa reunião de avaliação?
A primeira ideia de alguns ignorantes é ir ao Estatuto pescar uma explicação que ajude a intimidar os menos atentos. Diz o Estatuto da Carreira Docente (pdf), no ponto 6 do artigo 94º
6 — É ainda considerada falta a um dia:
a) A ausência do docente a serviço de exames;
b) A ausência do docente a reuniões que visem a avaliação sumativa de alunos. [Read more…]
Vergonha: grevistas desprezam direitos de passageiros
Passos faz de Nogueira
Eu pensei que já tinha visto tudo, mas afinal não!
Então agora o sr. Coelho é que marca as lutas sindicais?
O Sr. Coelho é que faz a gestão da agenda dos Professores?
Valha-me Santo António. Esta gentinha perdeu completamente o tino!
Vamos lá ver se a gente esclarece de uma vez por todas o Sr. Coelho, o Sr. Portas, os seus boys e os imbecis que enchem as caixas de comentários de insultos:
– as Greves são marcadas pelas Direcções Sindicais, democraticamente eleitas pelos seus sócios. Se são no dia x ou no dia y, com ou sem exame, às avaliações ou às reuniões, são questões que só os Professores têm que avaliar.
Se defendem o direito à GREVE não podem e não devem questionar qualquer tipo de condição.
Se entendem que a GREVE deve ser limitada, então assumam essa postura ditatorial. Com Salazar não havia GREVES – se voltaram os exames da 4ª classe e a fome, talvez …
Ao governo compete negociar para levar à suspensão da GREVE ou, caso seja incompetente como no caso em apreço, gerir os danos.
E, para quem tinha dúvidas sobre a mobilização dos Professores, aqui ficam os resultados!
Ser governante é dizer umas graças
Quando Maria de Lurdes Rodrigues inventou as chamadas aulas de substituição, e tendo em conta que essa decisão tirava tempo individual de trabalho aos professores, alguém lhe perguntou se isso não afectaria a qualidade das próprias aulas de substituição. A impagável ministra respondeu que os professores podiam ocupar o tempo dizendo “umas graças” ou recitando uns poemas.
Os decisores políticos divulgam, frequentemente uma ideia, no que são acompanhados por muita opinião pública e publicada: ser professor consiste, basicamente, em dizer umas coisas durante cerca de vinte horas por semana e ficar de papo para o ar o resto do tempo. Terá sido também por isso que transformaram as licenciaturas em cursos acelerados, desvalorizando a formação científica dos alunos universitários, com reflexos inevitáveis, obviamente, na formação dos futuros professores. De qualquer modo, se dar uma aula é dizer umas graças, quase nem vale a pena tirar um curso superior. [Read more…]
Acordei em greve intermitente,
e a intermitência é um estado de greve tramado.
Enquanto se fala de um dia de greve ao exame de Português, começa hoje uma greve sucessiva às reuniões de avaliação que impede o ano lectivo de acabar.
Não luto de manhã, trabalho, à tarde combato, no dia seguinte logo se vê o turno que me calha. Isto eu, para eles NÓS estamos em greve permanente, com um custo mínimo e rotativo.
Eles estão tramados.
Crato: tens um dia!
A GREVE dos Professores começa amanhã!
Nuno Crato tem uma oportunidade, quem sabe a última de se aguentar com a cabeça de fora.
Na imagem que acompanha o post e que pedi emprestada ao Público podemos verificar a sequência do protesto docente:
– de 7 a 14 GREVE ao serviço de avaliações;
– dia 15: manifestação em Lisboa;
– dia 17: Greve de TODOS os professores (a todo o tipo de serviço).
Para além da habitual falta de chá dos Governantes – é uma imbecilidade que os Sindicatos conheçam um documento tão importante como o da Organização do ano lectivo através da Comunicação Social – fica patente uma completa incapacidade de gerir uma negociação. Focar o problema nos exames e dizer que a classe está a fazer mal aos alunos só ajuda à mobilização. [Read more…]









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