Hoje é Dia de Pesagens

 

Retomamos a rambóia habitual dentro de momentos.

 

Dia de reflexão na Madeira IV

-Já reflectiste?

-Estou indeciso, não sei de que é que me hei-de mascarar este ano.

Dia de reflexão na Madeira III

-Já vês luz ao fundo do túnel?

-Não, mas acho que vejo outro túnel pronto a inaugurar ao fundo deste túnel.

Dia de reflexão na Madeira II

A culpa é dos cubanos

Dia de reflexão na Madeira

Bandex: Cambalacho Pt 1 (estão falando da Madeira)

A vergonha das eleições da Madeira

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O texto de António Fernando Nabais, poético e calmo, revela-nos o frenesi de Alberto João Jardim, que parece querer ser rei da Madeira. É-me impossível não dizer que este é um grande perdedor, porque vai perder votos, estou certo. Pensa tanto em si que compara a sua criminologia, provada como está pelos desvios de dinheiro cinco mil milhares de euros, e as dívidas em que fez entrar a ideologia que nos governa, muito diferente a minha, como é evidente, mas sinto pena do Primeiro-Ministro contar nas suas filas um homem que mente, desvia dinheiro, dá má reputação ao nosso país, e tem apoio… porque paga esse apoio. Crimes como os dele, mereciam for retirado da sua candidatura e despedido do seu partido. Bem sei que tem feito da Madeira um jardim que enche de dinheiro as arcas… de quem?

Senhor Passos Coelho, se tolera no seu partido um homem dessa laia, envergonho-me de si. Ou será que há mais deste tipo de lisura dentro do seu partido? Já vendeu o país à troika, parecia justo e necessário, mas com um político criminoso nas suas fileiras? Se eu for assim, da sua ideologia, primeiro era expulsar o grande mentiroso… O pior é que vai ganhar… [Read more…]

O Nobel da Literatura e Alberto João Jardim

Aqui está um texto sobre Tomas Tranströmer, o Nobel da Literatura de 2011. No final do artigo, temos direito a um poema intitulado “Funchal”, da autoria do poeta sueco agora nobelizado. Alberto João Jardim já manifestou a sua indignação pelo facto de a Academia Sueca estar a querer imiscuir-se na campanha eleitoral, tendo criticado especialmente a parte em se pode ler “todos falam, fervorosos, na língua /estranha“, o que terá sido entendido como uma referência menos elogiosa ao sotaque madeirense. Como retaliação, os madeirenses estão proibidos de importar móveis da IKEA.

Quem o Ouvir Não é Mouco

“O pecado da Madeira foi saber aproveitar a autonomia de quem quis continuar a ser português”

Jardim entende que “o pecado da Madeira foi saber aproveitar a autonomia de quem quis continuar a ser português” no processo depois do 25 de abril.

“Porque não optámos pela independência, mas por ser portugueses, embora com autonomia própria”, frisou, acrescentando que, “se calhar, Lisboa ficou aborrecida com isso. Se pudesse queria entregar tudo. Ia a Madeira, Açores e as Berlengas”.

“Angola tem petróleo, ouro e diamantes, mas Lisboa continuou a mandar-lhes dinheiro e a pagar dívidas”

Para Jardim, “o pecado da Madeira foi primeiro ganhar autonomia política, quando as antigas colónias romperam com Lisboa”, acrescentando que o Estado português “continuou a mandar-lhes dinheiro de graça”.

Mencionou que “Angola tem petróleo, ouro e diamantes, mas Lisboa continuou a mandar-lhes dinheiro e a pagar dívidas”.

Referiu mais uma vez que decidiu aumentar a dívida da Madeira para evitar que a região parasse, destacando que esta “tem património. Tem ativos. Não comeu e bebeu o dinheiro. Não gastou em subsídios. Não está como as empresas públicas, que só têm coisas velhas no seu património”.

“Por que é que o Estado português continua a esconder a quantidade de dinheiro que direta e indiretamente dá às colónias desde 1974”

O candidato do PSD-M questionou “por que é que o Estado português continua a esconder a quantidade de dinheiro que direta e indiretamente dá às colónias desde 1974 e só fala da Madeira?”, justificando a pergunta com o argumento de que o Governo Regional “pôs tudo clarinho cá fora”: onde estão as dívidas e onde gastou o dinheiro.

“Onde está a dívida direta do Estado?”, interrogou.

In Expresso 2/10/2011

Outras contas da Madeira

Ouvi ontem na TSF o autor do livro Suite 605, João Pedro Martins, explicar muito bem explicadinho que o paraíso fiscal madeirense entra no PIB jardinista embora lá não deixe impostos, como é bom de ver. Desta forma a situação económica da Madeira é inflacionada, explicando-se assim porque é oficialmente a 2ª região mais rica de Portugal. Consequência: uma região com 30% da população a viver abaixo do limiar de pobreza ficou excluída dos fundos europeus, perdendo milhões todos os anos.

Tem toda a lógica: não paga a Europa, pagamos nós. Siga o bailinho.

Na Madeira as eleições são a fingir

Tem andado a atarantada direita a proclamar que Alberto João Jardim não passa de um “socialista” (eles pensam que o PS é socialista, e o CDS provavelmente centrista), que fez por lá o mesmo que se fez por cá.

Deixando de lado o ridículo da comparação, este negacionismo parte do pressuposto que a Madeira sendo território português vive sob a alçada da Constituição da República. Não é verdade.

Na Madeira nunca houve 25 de Abril: Alberto João Jardim, empurrado pelo bispo local, tomou o poder e manteve a ditadura, com chapeladas eleitorais, uma rede de clientelas e negócios, típica de qualquer oligarquia. Desde a comunicação social que controla (e nós pagamos), ao futebol que sustenta (idem aspas), passando pela dependência do estado, empregador mor da coutada, digamos que fez por ali o que Marcelo Caeteano talvez tivesse feito por cá, não fosse a questão colonial.

Os sucessivos governos, poder judicial e presidentes deixaram andar. Uns por medo, outros por acordo tácito, todos com receio de perderem votos. No caso do poder judicial (e policial) nunca percebi, mas como todos os fenómenos deve ter uma explicação.

A última prenda vem na forma do “falei de mais” de hoje.  Chego a pensar que Passos Coelho faz destas para aparecer publicamente como um homem que assume erros, o que não é despiciendo, tendo em conta o que nos habituámos durante 6 anos. Foi o primeiro ajoelhar, outros se seguirão.

A Madeira não vai pagar a sua dívida e vai continuar a chular o continente. Ponto final. É quanto queiram apostar, e aqui se começará a provar que a troika apenas vai meter na ordem os direitos do trabalho. Parágrafo.

Pensar sem palas

Santana Castilho *

1. Eles serão fortes enquanto formos fracos e a indignação for só dalguns. Só pararão quando estivermos secos como os gregos e apenas nos restar o coiro, esbulhado todo o cabelo. Nas últimas semanas, depois do Instituto Nacional de Estatística e do Banco de Portugal terem “descoberto” o que muitos sabiam há anos, a degradação da política expôs-se em crescendo. Dum lado, reclama o PS contra o escândalo da Madeira. Do outro, grita o PSD que a responsabilidade pelo buraco do continente é do PS. Os dois têm razão. Porque os dois são culpados. Os notáveis do costume, alguns deles outorgantes da impunidade que protege a política, emergiram do ruído pedindo leis que sancionem os que gastam o que não está autorizado. Como se o problema fosse da lei, que existe e é ignorada, e não fosse dessa espécie de amnistia perpétua que decretaram. É, assim, fácil prever como terminará o inquérito que o Procurador-Geral da República determinou. O destino dos mesmos é o de sempre: sem o mínimo incómodo, muito menos de consciência, uns, eles, continuarão a dizer aos outros, nós, cada vez mais sufocados, que temos que pagar o que (não) gastámos.

Sobre a Madeira, um notável de Bruxelas mostrou surpresa. Estava em Wroclaw, na Polónia, com todos os ministros das finanças da Europa. Foram para decidir sobre a Grécia, que se afunda e arrastará com ela a Europa e o euro. Não sei quanto gastaram, mas foi muito. Sei que decidiram coisa nenhuma. Sobre a Madeira, outro notável, o presidente da nossa República, disse com ar grave: “Ninguém está imune aos sacrifícios”. Estava nos Açores, onde teve a oportunidade de apreciar o “sorriso das vacas” e verificar que “estavam satisfeitíssimas, olhando para o pasto que começava a ficar verdejante”. Não sei quanto gastou, mas não terá sido pouco. Disse-me Rita Brandão Guerra, deste jornal, que Sua Excelência se fez acompanhar de 30 pessoas, 12 seguranças, dois fotógrafos oficiais, médico e enfermeira pessoais, dois bagageiros e um mordomo inclusos.

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Se Portugal Fosse a Espanha…

Este senhor não estaria acusado de incitamento ao separatismo? Mas, afinal, ele não queria dizer o que disse. É o diz que disse. E Portugal é o sítio certo para gente equivocada com as palavras. Em Espanha quer-me parecer que tratam estes assuntos de forma diferente.

O caruncho (2)

(Continuando)

Cada vez mais, o país precisa de um Tribunal de Contas munido de efectivos poderes punitivos.

É preciso, também, o enquadramento como crimes de lesa-pátria as decisões políticas que agravam o endividamento público e nos tornam mais dependentes do financiamento externo com a consequente perda de soberania e dependência de agências de notação financeira.

Hoje, face a mais descalabros de défice público nas contas da Madeira, é um imperativo nacional que, de uma vez por todas, se exija dos responsáveis políticos e gestores públicos, responsabilidades pessoais pelos ilícitos cometidos no exercício das respectivas funções.

Urge, também, alterar a contabilidade pública de modo a se contabilizar não apenas o que é devido em certo ano mas sim a totalidade do compromisso assumido. Bem como submeter todos os organismos estatais ao Plano Oficial de Contabilidade Pública.

Pedir continuamente sacrifícios ao povo, aumentando impostos sobre os rendimentos do trabalho, aumentando o custo de bens essenciais, diminuindo às prestações do Estado-social para depois se permitir a impunidade de quem é responsável, é a negação do Estado de Direito Democrático consagrado na nossa Constituição.

Mas se as decisões quanto a distribuir os sacrifícios são políticas, a impunidade já é matéria de foro criminal. E aí, é obrigação do Ministério Público investigar e acusar nos termos preceituados pelas leis penais e processuais penais.

Não se pode apenas exigir medidas ao Governo e omitir o Procurador-Geral da República.

(Publicado no jornal semanário famalicense “Opinião Pública” a 21/09/2011)

buraco 2

O Comboio de Alberto João Jardim*

Foto © Nuno Morão (clique)

Alberto João Jardim, o inimputável e democraticamente eleito presidente do Governo Regional da Ilha, admite que a dívida que o deixaram contrair é de “cinco mil milhões de euros“. Ora, por altura de 1998, aquando da aquisição da frota de comboios Alfa Pendular da CP, cada um terá custado aproximadamente *2,5 milhões de euros*.

Como a minha máquina de calcular é modesta, tive de pedir ajuda a um amigo para que traduzisse em “comboios” o montante da dívida insular (para me conseguir localizar um pouco melhor). E concluímos que, a valores originais de 1998, AJJ poderia dispor hoje de uma frota de quatrocentos comboios Alfa Pendular (a CP dispõe de 10). Como cada um tem cerca de 159 metros de comprimentos e uma lotação de 301 lugares, o buraco de AJJ equivale groso modo a uma frota de:

2,000 Alfa Pendular x 159 metros = 318 km

2,000 Alfa x 301 lugares = 602,000 passageiros.

Por outros termos, 318 km = ± Lisboa-Espinho ou Lisboa-Algarve – 318 km = 2,1x perímetro da ilha da Madeira; 602,000 lugares = 2,2 lugares por habitante da ilha

*Rectificação: 2,5 milhões de CONTOS foi o preço preço aproximado de cada Alfa Pendular. Em euros: 12,5 milhões de euros. Equivaleria dizer:

400 Alfa Pendular x 159 metros = 63,6 km, grande comboio. Pelo menos tão longo como Lisboa-Setúbal, Lisboa-Azambuja, Porto-Guimarães, Porto-Aveiro, Guarda-Covilhã

400 Alfa Pendular x 301 lugares = 120,400 lugares (para metade da população da ilha).

E falamos do valor do buraco. Não falamos de todo o orçamento “normal” para o funcionamento daquele paraíso. É mesmo o paraíso. Só há coisas boas. As dolorosas são pagas pelos patêgos do Contenente.

Não Te Deixes Enganar!

Também no feicebook.

 

ser ou não ser um buraco

O Jardim impede que se veja o matagal

Nos últimos dias, e justamente, Alberto João Jardim tem estado na berlinda, e, na sua fuga em frente, usa o voto dos eleitores como garantia ética, à semelhança do que fez o sr. Silva quando ganhou as eleições. Aqui, no Aventar, não conseguimos fugir a tão candente tópico. Carlos Moreno, entretanto, vem lembrar que há muitos outros buracos orçamentais, tantos que já caímos dentro deles e ainda não nos avisaram.

Com a rapidez do costume, as anedotas sobre a Madeira já nasceram. Olhem em volta: se virem algum presidente da câmara a rir muito alto é porque deve ter alguma coisa a esconder. Os ansiosos por mais austeridade disfarçam o mais que podem e agradecem, também eles, a Jardim.

O último a saber

O “desvio colossal” das contas da Madeira escondido pelo PSD regional estava, pelos vistos, no segredo dos deuses. No caso, da santíssima trindade Jardim-Cavaco-PGR. O marido, que é como quem diz o pagante contribuinte, foi, como sempre é, o último a saber.

(Manuel António Pina, JN 20Set2011)

O cidadão Aníbal, segundo a imprensa, já sabia do enorme buraco ilhéu, antes de convocar as eleições que deram a maioria à Direita. Calou-se, cometendo o crime de ocultação; estará o cidadão Aníbal acima da Lei, não vindo a ser punido pelo crime? E o representante do Ministério Público junto da secção regional madeirense do Tribunal de Contas, que também se calou perante um crime de denúncia obrigatória, também sairá impune?

Decididamente, a república das bananas estende-se já do arquipélago ao Terreiro do Paço. Cavaco junta mais uma mancha às nódoas que já lhe conhecíamos – ele, que deveria ser uma referência nacional; a Justiça, na vertente MP, carrega mais um episódio de descrédito, a somar ao imenso labéu que a cobre.

Resta aos cidadãos manifestarem a sua revolta, por todos os meios. A desobediência civil ganha todos os dias novas justificações morais.

Carlos de Sá


Acabou-se a Teta*, Alberto João Jardim

Diz a Visão esta terça-feira que se acabou a teta na Madeira; pelo menos é o que me parece estar escrito: “detetado“, que é como quem tira a teta a um mamão.

Só espero que largar a mama assim de repente não traga complicações a Alberto João Jardim e o faça bolsar jarros de pesporrênciap’ra fora.

* Post inspirado aqui; as minhas desculpas ao usurpado leitor.

Passo a Citar: “Uma Imagem Péssima da Madeira”

Uns bastardos, uns filhos-da-puta, isto dá muito má imagem da Madeira, “o partido não tem vergonha”.

Portugal é, definitivamente, um prostíbulo.

As hipocrisias nacionais

Na Madeira mente-se em legítima defesa, significando isto que se pode gastar dinheiro sem para isso se ter legitimidade. Na verdade, isso nem é exclusivo da Madeira, bastando olhar para os ajustes directos para se perceber que a prática tem historial. A Parque Escolar, por exemplo desdobrou obras para caberem nos ajustes directos, em clara violação da lei. Tal como na Madeira, as diversas autoridades vieram sacudir a água do capote com o habitual “fomos enganados, de nada sabíamos”.  A diferença limita-se à arrogância com que AJJ vem declarar que foi de propósito e como passa pelos pingos de chuva sem se molhar: ganha votos na Madeira, onde passa por herói e talvez um dia lhe seja aplicada uma multa simbólica. Neste buraco madeirense, apenas uma coisa me intriga. Tendo a Madeira 267.938 habitantes (dados Censos 2011) e atendendo a que não se fez uma fogueira com notas de euro, para onde foram os 1,11 mil milhões de euros gastos para além das restantes transferências autorizadas (as quais, só por si, já foram uma pipa de massa)?

Quanto às hipocrisias nacionais, contava Ana Sá Lopes no último Contraditório (minuto 15:50) o episódio de, no último orçamento, estar Teixeira dos Santos no Plenário a atirar-se aos gastos da Madeira quando, ao mesmo tempo, estava Jorge Lacão a negociar com Guilherme Silva a introdução de mais despesa. Tudo isto é muito vitoriano: desde que não seja público não faz mal. Só que agora é preciso justificar aumento de impostos e há contas a pagar… Quantos casos destes haverá por este país fora? Sobre este mesmo tema, transcrevo ainda o editorial do Público de hoje. Tal como nele se escreve, «a repetir-se, esta farsa só ressurgirá como tragédia».

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Legítima Defesa

Isto é um assalto…

…mas é em legítima defesa.

Keynesianos e liberais, quando convém…

-Não me surpreende que os madeirenses possam eleger para novo mandato Alberto João Jardim. Eu próprio se trabalhasse na Madeira e pagasse lá os meus impostos, talvez votasse também no homem, afinal quem não gostaria que as medidas difíceis que todo o país tem de enfrentar, lhe passassem ao lado? Um político que afirma com o maior desplante, ir continuar a política despesista que conduziu a região ao desastre financeiro, com graves consequências para todo o país, só poderia ter uma resposta à altura do governo da República, isto se tivéssemos governantes à altura, que pelos visto não temos, era ver imediatamente fechada a torneira das transferências financeiras entre o Estado e a Região até que o resultado fosse 0 cumprimento das metas a que o governo regional está obrigado. Mas o PSD já se prepara para ajoelhar uma vez mais diante do mais despudorado caciquismo, procurando agora no governo justificar o que durante anos, com razão, criticou aos governos socialistas, a utilização de dinheiros públicos ao serviço do interesse partidário, sem atender à realidade do país. Estranho e lamento que alguns liberais, possam pactuar com políticas keynesianas no arquipélago, em tudo semelhantes às que combatem no continente. Ou será que para eles a opção pelo investimento público como modelo de desenvolvimento, indiferentes a derrapagens e compadrio é aceitável se o governo for da cor e beneficiar amigos?

Madeira, um caso de polícia

Mais um buraco nas contas do governo de Alberto João Jardim, desta vez  por dívidas que não foram registadas, pagas ou comunicadas às autoridades estatísticas. O bailinho leva a inscrever mais 1681,3 milhões de euros nos défices de 2008 a 2011.

Das duas uma: ou há leis em Portugal para estas coisas (e não sou defensor da penalização jurídica do que deve ser castigado politicamente, mas para tudo há fronteiras e limites), ou não havendo, tem de haver. Se somarmos a todo este regabofe o offshore madeirense, por onde se escoam milhões todos os dias, a solidariedade com o todo territorial de um país acaba aqui. O governo é de Portugal, o presidente da República é de Portugal, a Procuradoria Geral é de toda a República, ou actuam sobre a Madeira ou isto nunca mais pára.

Versão sem petróleo mas com bananas

Não vos faz lembrar uma célebre foto do antigo ditador iraquiano?

A chapelada

Foram-se pondo cruzinhas em boletins de voto e descarregando nos cadernos eleitorais. (…) Temos uma absenção de 40% portanto é fácil. As pessoas que vão para as mesas residem na área territorial dos eleitores e facilmente sabem quem está e quem não está a votar, quem vota e quem não vota.
Em 1980 todas as mesas do concelho do Funchal alteraram a votação. Em todas as mesas Eanes tinha ganho e em todas as mesas Soares Carneiro passou a ganhar. E não estamos a brincar. A chapelada foi grande. Não foram 10 ou 15 votos por mesa; foram 300 a 400, preenchidos em nome de votantes que não foram votar.
Presenciou essas alegadas adulterações?
Presenciei.
Fazia parte de alguma mesa de voto?
Sim. Fazia.

António Fontes, na altura militante da JSD/Madeira, em entrevista ao DN de 13.09.2011.

Histórias das eleições na Madeira fui ouvindo ao longo de anos, até porque tive vários colegas madeirenses. Delegados de partidos afastados de mesas de voto com uma arma apontada à cabeça, por exemplo. Fica este registo, dirigido a quem insiste na bondade democrática das vitórias eleitorais sucessivas de Alberto João Jardim. As bruxas não existem, mas lá que votam, votam.

 

 

Os caminhos de Alberto João Jardim

Nem com um GPS isto se resolve.

Roubado no Facebook.

 

Tudo em família

Vital Moreira tem umas crónicas giras no Público e a de ontem, terça-feira, foi mesmo engraçada, lançado para o imaginário socialista uma série de dicas de argumentação:

  1. Todo o país, salvo a Madeira, anda em contenção;
  2. O buraco da Madeira é uma das razões por Passos Coelho ter sido “enigmático” quanto ao tal “desvio colossal” (não importa a VM a inexatidão da citação…);
  3. Houve “uma verdadeira conspiração de silêncio em relação ao desvario financeiro de Jardim”;
  4. O governo escondeu esta “informação durante várias semanas”.

Vital Moreira termina em grande com este parágrafo:

Imaginemos só que os protagonistas desta lamentável história eram respetivamente Carlos César e o Governos de Sócrates! Tudo é diferente quando as coisas se passam dentro da família política…

Tudo muito giro. Cavalgando a onda, factual, do desvairo financeiro que AAJ sistematicamente pratica com elevada arrogância, Vital Moreira, num passe de mágica, iliba os governos socialistas da sua qualidade de maiores financiadores da falta de vergonha na Madeira (lembram-se de Guterres e do perdão da dívida à Madeira?) e, em simultâneo, faz de conta que os Açores são mares de rosas.

Há o pequeno detalhe da falácia:

Transferências para  as Regiões Autónomas da Madeira e dos Açores Transferências para  as Regiões Autónomas da Madeira e dos Açores

Fonte: MF/DGO (republicado)

Acontece que José Sócrates e Carlos César são também os protagonistas desta lamentável história. O primeiro pelo aumento das transferências para a Madeira e para os Açores e o segundo por ter beneficiado de um aumento de 54% nas verbas transferidas. Mas lá está, dentro da mesma família política, tudo é diferente.

Para memória futura, aqui fica a crónica em questão.

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