Confesso: sou (também) um mau socialista

O texto é do Manuel Alegre e está no Público de hoje. Penso que vale a sua partilha integral:

O bom socialista é aquele que em diferentes circunstâncias diz as coisas sensatas que a direita gosta de ouvir: que é preciso rever a Constituição, fazer um pacto de regime, negociar um consenso com o Governo sobre as medidas de austeridade.

O bom socialista defende que “ o arco da governabilidade” se restringe à direita e ao PS.

O bom socialista revela abertura para um eventual governo de coligação com os partidos da direita, ou só com o CDS, ou uma reedição do “bloco central”.

O bom socialista é sensível, atento e moderno quanto à necessidade de imprescindíveis cortes e mudanças na Saúde, na Educação e na Segurança Social, tendo em vista diminuir o peso do Estado e dar lugar aos privados com apoio público.

O bom socialista aceita as “reformas” que tendem a transformar em assistencialismo a garantia de direitos sociais pelo Estado.

O bom socialista colabora em medidas que desvalorizam o trabalho em nome de um pretenso aumento da competitividade.

O bom socialista dá prioridade à estabilidade financeira em prejuízo do desenvolvimento económico e da coesão social.

O bom socialista aceita o aumento das desigualdades como consequência inevitável da globalização e considera que não há alternativa.

O bom socialista pensa que a divisão entre esquerda e direita não passa de um arcaísmo. [Read more…]

A idade é um posto

cratinicesPor Henrique Monteiro

Imigrantes escolares

Vitor Cunha defende a catástrofe sueca na educação medida pelo PISA com o aumento da imigração. Migram directamente para o 10º ano, é claro.

Música, vídeo e cultura

Imaginem uma vacaria ser palco de um concerto acústico de uma banda de hip-hop, os “sessentaeum”. Ou uma banda de música experimental, The Model, a tocar numa serralharia…

É um projecto novo que está a ser desenvolvido no concelho da Trofa (numa primeira fase) e que pretende a curto/médio prazo alargar a toda a região Norte e à Galiza. Chama-se “SpinSuave by Correio da Trofa“.

Um projecto que junta bandas, um jornal local e uma empresa. Onde todos ganham e se promovem. Promovendo, igualmente, a cultura e o respectivo concelho. Para já está a acontecer na Trofa. Em breve noutras paragens. Serviço público.

Aqui fica o último vídeo, lançado hoje:

Restaurante com vista

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E no meio de tanta sordidez política e tanta maldade, é bom encontrarmo-nos uns com os outros, abraçarmo-nos e, durante umas horas, percebermos que, como diz a canção, «é muito mais aquilo que nos une do que aquilo que nos separa».
Foi (mais) um excelente almoço do Aventar. Pena nem todos terem podido estar presentes. É que aqui, ao contrário do que acontece noutros locais, quem não vem faz falta.
Num belo restaurante com uma vista fantástica para o Douro. Valbom, Paris e Londres.

Ironicamente

a derrota.

Crato e os Agarrem-nos Que Fazemos Greve

Nuno Crato é, consabidamente, um homem com severas limitações intelectuais. E morais. Do alto do seu vão saber, governa, servindo os interesses que lhe dão corda, com a competência de uma alforreca e a arrogância de um garnisé. No caminho, vai esgrimindo a sua esperteza saloia, mas não vai só.

Nas dificuldades tem, como é habitual, a mão amiga do costume. Embrulhado nas teias do seu absurdo exame de avaliação destinado a provocar e tentar humilhar os professores contratados (os medíocres têm esta necessidade patológica sempre que provam o poder -“se queres conhecer o vilão põe-lhe o cajado na mão…”), Crato, perante a disposição de luta dos professores, repetiu uma táctica já velha e bem nossa conhecida: disse ai-ai e logo acudiu, mansa e sonsa como de costume, a FNE (UGT), pronta para a habitual estratégia do salame e oferecendo-se, ao levantar a sua participação na greve à prova, para ser a fia fatia que sempre foi.

Em troca de umas festinhas e de uma concessão que, por completa ausência de sentido, torna tudo ainda mais absurdo. Quantas vezes já nos foi servido este prato requentado? Quantas vezes já vimos estes senhores e senhoras falar alto e grosso para logo amansar à ordem do dono? Desta vez, à ordem do Crato, prior desta desordem.

A pergunta

de Crato!

Foram Novamente Enganados

Já aqui escrevi quase tudo sobre a prova.b&w1 (2)

Na altura certa coloquei algumas reservas ao domínio laranja sobre a FNE. Sim, do PSD. Porque se a FENPROF é acusada de ser um braço do PCP, creio que as práticas sindicais da FNE não deixam muitas dúvidas sob o farol que a guia.

Entre os Professores, um pouco por todo o país, crescia a indignação contra a Prova. Sentia-se, em cada escola, um conjunto de sentimentos muito semelhantes aos que apareceram no tempo da Ministra Maria de Lurdes.

Parece-me que a palavra recuar estava escrita nas estrelas porque a Maioria (que nos rouba diariamente) não está em condições de aguentar uma guerra longa com a única classe que verdadeiramente luta contra os diferentes poderes.

A UGT e a FNE, como sempre, estavam ali à mão de semear e uma reunião entre militantes na São Caetano permitiu encontrar uma saída. A prova já não é para todos – é só para alguns, para os que não têm 5 anos de serviço. Confesso que não fiquei surpreendido porque não tenho qualquer tipo de expectativas sobre as práticas sindicais da área da UGT.

Não há meias lutas, nem tão pouco meias vitórias.  Na luta contra a prova só há uma vitória, que até pode chegar pela decisão de um tribunal. Com o acordo de hoje, entre os sociais democratas, até parece que o MEC sai bem na fotografia, que a FNE salva o seu governo, mas, caramba, quem se lixa são sempre os mesmos…

Agora a questão é simples: a prova era um erro ontem e é um erro hoje, seja para quem tem pouco tempo de serviço, ou para quem leva anos disto.

Logo, só nos resta continuar.

Como?

Indo a Lisboa, ao Parlamento, na próxima 5ª feira.

Nota: confesso que me apetecia escrever mais qualquer coisa, por exemplo, questionando o que estiveram a fazer nas ruas do Porto no sábado de manhã, quando à hora de almoço já se sabia que ia acontecer isto, mas…

Dia Internacional das Pessoas com Deficiência

APD

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A Associação Portuguesa de Deficientes, porque nada tem para festejar, decidiu assinalar o dia 3 de Dezembro, Dia Internacional das Pessoas com Deficiência, com a realização de uma vigília frente à Assembleia da República, das 19h00 às 22h00.
As medidas de austeridade não afetam somente as pessoas com deficiência mas, pelas suas condições particulares, são estas que mais sentem os cortes nos vencimentos, pensões e apoios sociais. Para lançar este alerta, a APD enviou o convite a um conjunto de organizações para se associarem à vigília que irá realizar, no dia 3 de dezembro, das 19h00 às 22h00, frente à Assembleia da República, uma ação contra as políticas que estrangulam a vida dos portugueses e põem em causa a soberania nacional.
– Queremos os professores ao nosso lado, porque está em causa a escola pública e a educação dos alunos com NEE;
– Queremos os alunos do nosso lado, porque a degradação das condições nas escolas atinge todos sem exceção;
– Queremos os trabalhadores do nosso lado, porque, tal como os trabalhadores com deficiência, estão também a ser vítimas de roubos nos seus salários;
– Queremos os reformados/pensionistas do nosso lado, porque há uma quebra de contrato intolerável por parte do Estado que afeta todos os cidadãos.
– Queremos os trabalhadores precários do nosso lado, porque a precaridade é um problema que se coloca também aos trabalhadores com deficiência;
– Queremos as organizações que lutam pelos direitos dos cidadãos do nosso lado, porque estão em causa direitos fundamentais dos cidadãos.
– Queremos todos os portugueses do nosso lado, porque nós todos sentimos nas nossas vidas as consequências brutais das medidas de austeridade.
Outras soluções são possíveis para resolver os problemas do país e é por elas que temos de lutar.

Lisboa, 2 de Dezembro de 2013

Analogia

Fazia-se uma reportagem sobre golfe, na tv. “O objectivo dos jogadores é aproximar a bola do buraco e metê-la lá dentro“, explicava a jornalista. A seguir veio uma reportagem em que Passos Coelho explicava, em inglês (?), a sua estratégia para o país. Segundo percebi, era a mesma do golfista.

Leitura de Domingo, 1 de Dezembro de 2013

As Cartas a Marina por causa do galego, do Fernando Venâncio ou os séculos de castelhanização contados pela língua.

Quanto ao 1º de Dezembro

Uma longa distância entre a ficção e a realidade histórica. Propagandas.

Pior do que um hipócrita, só um hipócrita como primeiro-ministro.

Passos lamenta que jovens qualificados tenham de emigrar. Mas é de recordar que foram vários os governantes a dizer «emigrem».

NASA poderá vir a resolver problema de desemprego em Portugal

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How NASA might build its very first warp drive

Com uma coisa destas é que era emigrar à velocidade da luz (para além dela, até).

Leituras:

20 de Abril de 1974

foz-do-tejoFronteira ferroviária de Barca d’Alva, Linha do Douro. © George Woods.