Ontem, Cristiano Ronaldo tornou-se simultaneamente

o melhor goleador de selecções e o melhor goleador de seleções. Parabéns, CR7. Como sabemos, selecções ≠ seleções.

Foto: ©INPHO/Ryan Byrne

PSD pede impugnação da candidatura de Pedro Santana Lopes à Câmara da Figueira da Foz?

No entanto, quando Pedro Santana Lopes escreveu «agora facto é igual a fato (de roupa)», o PSD ficou quietinho.

Hoje, fui ajudar a minha mãe nas compras

e fiz publicidade gratuita ao Pingo Doce (nada contra, mas não sou cliente, moro no estrangeiro), ao leite Matinal (não bebo leite) e à Hoffen (desconheço a marca, só conheco o conceito, porque falo alemão). Por uma boa causa. Boa? Óptima!

Uma aparente recaída

It was a little melody I had, and I started writing words. They seemed to be very simple and very corny, but they seemed to fit. There was no way I could make them more grammatical. Girl I love you so bad-ly…it had to be Girl I love you so bad.
Paul McCartney

Shut up and listen. And learn.
Mike Patton

***

Hoje, durante um intervalo para tomar café e depois de ter respondido às mensagens de amigos preocupados com a situação na Bélgica (e na Alemanha), li isto:

Aparentemente, mais uma recaída do Expresso. No entanto, não. Trata-se, isso sim, de uma honestíssima transcrição da informação veiculada pelo excelente Público, onde a diferença entre susceptível [suʃsɛˈtivɛɫ]  e *suscetível [suʃsɨˈtivɛɫ] é conhecida.

Expresso está de parabéns.

***

Efectivamente, exactamente

Como diz o excelente leitor do costume, «Dupond & Dupont, perdão, os inspectores e os inspetores».

Desejo-vos um óptimo fim-de-semana.

***

Fome de vencer II

A fome podia ser muita, mas os acentos lá se safaram. Exactamente. Efectivamente.

Foto: Francisco Miguel Valada (28/06/2021)

Efectivamente, Selecção

«Les Bleus concèdent le nul contre la Selecção». Exactamente, ‘selecção’ ≠ ‘seleção’.

Foto: UEFA EURO 2020

O extraordinário caso do *externado com notas *inflaccionadas

Duh-dih-dih-dah-duh-dah-duh-dih-dah-dah-dah-dah.
Flea

***

Trata-se de um caso extraordinário, extremamente curioso e, como outros, merecedor de distinção. Mesmo assim, cá entre nós, prefira-se *inflaccionadas a *inspeção (aliás, entre *inspeção e *externado, venha o diabo e escolha). Há razões que explicam a hipercorrecção *inflaccionadas. Nada explica *inspeção. Nada.

Os *fatos também têm explicação.

Continuação de uma óptima semana.

Nótula: João Mendes, obrigado pela notícia.

***

Como diria o outro, é que isto é mesmo assim

É exactamente como diz RSP (aka CFA): «O Expresso, a SIC Notícias, o Observador e outros publicam a notícia como a recebem. Provavelmente sem sequer lerem. Como fazem tantas vezes». Efectivamente, só não sabe quem não vê/lê.

Há ambiguidades e ambiguidades

As que podem ser evitadas («Bloqueio nos fundos da UE para proje[c]to de milhões na área do regadio») e aquelas que não («Gonçalo Ramos e Darwin viram jogo na Choupana»).

Lembrete: em português europeu, Abril não é abril

Em português europeu, Abril é Abril. Efectivamente, sempre.

António Costa não está em Lisboa

Está numa localidade que desconheço: está em direto (com minúscula ???).

A Operação Marquês e os obcecados pelas selfies

Fonte: Rui Rocha.

O fim-de-semana é óptimo

La la la la la la la…
John Frusciante

Aber eine Maschine kann doch nicht denken!—Ist das ein Erfahrungssatz? Nein. Wir sagen nur vom Menschen, und was ihm ähnlich ist, es denke. Wir sagen es auch von Puppen und wohl auch von Geistern. Sieh das Wort “denken” als Instrument an!
Wittgenstein (cf. Noam Chomsky)

***

Sendo certo que estamos há muito habituados a exercícios cosméticos, como rectificações no Diário da República ou este “pain in the ass” visto, apesar do “heart of glass” ouvido,

também não é menos verdade que, infelizmente, já temos como adquirida a ortografia corrompida no Diário Oficial da União… perdão, no Diário da República, uma montra daquilo que todos vêem no “portuguez lingua escripta” desde Janeiro de 2012.

Desejo-vos um óptimo fim-de-semana.

***

Problema n.º 4: António Oliveira

Como prometido, eis-nos de volta, passados alguns meses, com o problema n.º 4.

Portanto, resolvidos os problemas n.º 1, n.º 2 e n.º 3, descubra agora, sff, os elementos com os quais é nitidamente perceptível que, na redacção do Expresso, se escreveu este texto com os pés.

Mais um minutinho.

Já está?

OK.

SOLUÇÃO: [Read more…]

Brevíssima apreciação da aplicação do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa de 1990

J’ai seul la clef de cette parade sauvage.
Rimbaud

Es ist nach Disposition der Sätze (von denen der gewöhnliche I. Satz erst an 2. Stelle kommt) schwer möglich von einer Tonart der ganzen Symphonie zu sprechen, und bleibt, um Mißverständnissen vorzubeugen, lieber eine solche besser unbezeichnet.
Mahler

***

Ontem, ao serão, um amigo enviou-me uma mensagem, na qual referia as denúncias que aqui amiúde faço acerca do aspecto da montra. Nessa missiva electrónica, o meu amigo mencionava concretamente a 2.ª série do Diário da República como fonte dos meus exemplos. Efectivamente, privilegio a 2.ª série, em detrimento da 1.ª, mas por meras razões de conveniência, devido à natureza dos actos, ao tratamento dos mesmos ou à dimensão dos diplomas. Todavia, com efeito, essa selecção de actos da 2.ª série pode dar aos leitores do Aventar a impressão errada de a 1.ª série ser extremamente virtuosa, digamos, uma espécie de paraíso do A090, no qual os fatos e os contatos não entram, em contraponto com o inferno da 2.ª série, e, lá está, lasciate ogne speranza, voi ch’intrate. Não é verdade. Um excelente exemplo do caos na 1.ª série foi dado através daquele que é, provavelmente, um dos diplomas mais marcantes do ano passado: a Resolução da Assembleia da República n.º 77/2020, de 6 de Outubro, com a apreciação da aplicação do estado de emergência, declarado pelo Decreto do Presidente da República n.º 17-A/2020, de 2 de Abril (pdf).

De facto, nessa apreciação, publicada na 1.ª série, encontramos vários o fato de

Mas não só.

Também encontramos diversos [Read more…]

O Acordo Ortográfico de 1990 é mais difícil de executar do que o scherzo da Nona de Beethoven

Kein Crescendo.
 H. von Karajan

***

O scherzo da 9.ª Sinfonia de Beethoven tem um tempo muito rápido, é molto vivace – presto, sendo a execução extremamente difícil. Como não estamos nos Sons do Aventar, convém esclarecer que “tempo” aqui é entendido na acepção de «unidade de medida da pulsação rítmica, geralmente correspondente a cada uma das partes de um compasso musical». E “muito rápido”, salvo melhor opinião, é mesmo a designação mais correcta, pois rapidíssimo é o prestissimo. Portanto, o melhor é ficar pelo muito rápido e evitar superlativos sintéticos. Ao escutar este scherzo, sou imediatamente transportado para as margens do Mosela, quando entra na Alemanha, terminados os percursos francês e luxemburguês. Depois, o Mosela acaba por desaguar no Reno. Mas esse é outro assunto. Voltando àquilo que actualmente nos ocupa, como é sabido, apesar de difícil, a execução do scherzo da Nona é viável. Ou seja, é possível que isto

etc.

se traduza nisto [Read more…]

Hoje, obviamente, não há *contatos no sítio do costume

Das Älterwerden ist in der Tat eine Erfahrung, die man nicht vorwegnehmen kann und wahrscheinlich ist das Sterben erst recht auch eine solche Erfahrung, die man nicht vorwegnehmen kann.
Hans-Georg Gadamer

We’ve seen it hard, we’ve seen it kind of rough.
Clinton/Worrell

More specifically, all training conditions that included the visual modality lead to more on-target productions than the audio-only training.
van Maastricht, Hoetjes & van der Heijden (2019)

***

A razão para não haver *contatos no Diário da República de hoje é simples e conhecida: ao sábado, não há Diário da República. Ontem, porque hoje é sábado, foi sexta-feira e, além disso, não foi feriado em Portugal. Por isso, houve Diário da República. Quando há Diário da República, a possibilidade de aparecerem espécies invasoras é extremamente elevada.

E essa possibilidade não tem a ver, note-se, com características concretas do Diário da República. O Diário da República mostra a quem quiser ver (há quem não queira ver) que o Acordo Ortográfico de 1990 afectou de forma negativa a consciência grafémica dos escreventes de língua portuguesa. Efectivamente, o Diário da República reflecte aquilo que actualmente acontece nas escolas de todos os graus de ensino, nas instituições de Ensino Superior, nas instituições de formação, nas instituições de investigação, nas empresas privadas, no sector público, nos partidos, nas agremiações, nas associações, na vida privada, enfim, em todo o lado. E o Diário da República, de facto, é uma montra. No entanto, como sabemos, uma montra não reflecte correctamente aquilo que se passa no armazém. O aspecto da montra é sempre óptimo e o espaço da montra é exíguo, sendo mostrada uma diminuta quantidade e uma reduzida variedade dos artigos que se encontram no armazém. O armazém, acreditai, é bem pior.

***

Mark Twain e a unificação ortográfica

The report of my death was an exaggeration.

Mark Twain

Era uma vez a ideia de que era necessário unificar as ortografias dos países de língua portuguesa. Dizia-se que ninguém percebia ninguém, que era sempre uma confusão nas reuniões da lusofonia, cada um a escrever em ortografias diferentes.

Inventou-se, então, no pior sentido da palavra, o chamado acordo ortográfico: ia haver edições únicas, textos únicos, palavras iguaizinhas como gotas de água. Depois, foi aquilo que não se viu, até hoje.

Não se viu ortografia: a confusão aumentou, a escrita das consoantes articuladas tornou-se hesitante, equívocos relativamente a clubes que ninguém pára ou clubes para os quais não virá ninguém, editoras que adoptam mais ou menos o acordo ortográfico, articulistas que são relativamente a favor do acordo ortográfico, jornalistas em busca de um “padrão ortográfico”.

Na wikipédia em português (ou em portugueses), há, segundo parece, um confronto ortográfico entre editores dos diferentes países lusófonos “em parte, devido às tentativas mútuas de imposição das diferentes variantes da língua portuguesa.” Mas, então, estes problemas não iriam desaparecer no mundo da escrita em português?

Confirma-se, portanto, que a notícia de que há uma unificação ortográfica é muito exagerada. Note-se: Mark Twain utilizou um eufemismo de ‘mentira’. Nem ele tinha morrido, nem a unificação ortográfica nasceu – as pessoas brincam aos acordos e quem se lixa, com vossa licença, é a ortografia, transformada numa moamba de cozido à portuguesa com cobertura de moqueca de camarão de Moçambique e pudim de abade de Priscos.

«Quero dar um sinal positivo, vamos ter verão»

Todavia, Henrique Oliveira não chegou a dizer se vamos ter verei, verás, verá, veremos e vereis.

Mencionar um fato: this never happened to Pablo Picasso

I loved all sorts of English language experimentation.
John Cale

In fact, comparing previous research on UG principles in L2 phonology vs. L2 syntax, and pointing out the relatively little work in this area by L2 phonologists, Young-Scholten (1995, 1996) argued that there is, nevertheless, reason to believe that interlanguage phonologies do not violate the principles of UG, because they often correspond to natural languages (a point first made by Eckman, 1981), and because learners can often reset phonological parameters, instead of being stuck with the L1 values.
Öner Özçelik & Sprouse (2016)

***

Há quem tente adoptar o AO90 e escreva fatos e contatos, em vez de factos e contactos. Nunca grafei nem fatos em vez de factos, nem contatos em vez de contactos. Ao não adoptar o AO90, estou automaticamente protegido da base IV e de interpretações abusivas (eufemismo para ‘erradas’) dela feitas, como o famoso “agora facto é igual a fato (de roupa)“. Neste contexto, jamais me ocorreria, por exemplo, mencionar um fato.

Mencionar um fato, em vez de facto? Homessa! Como cantam os Modern Lovers (e o Cale e o Bowie e o White), this never happened to Pablo Picasso.

Continuação de uma óptima semana.

***




Cuidado!

In fact, theories such as direct realism suggest that perception and production are not just closely tied, but rather that production gestures are the basis of speech perception (Best, 1995; Fowler, 1986).
Baese-Berk & Samuel (2016)

Some people get a freak outta me
Some people can’t see what I can see
Some people wanna see what I see
Some people put an evil eye on me
Franz Ferdinand

***

Efectivamente, como me disse o excelente leitor do costume (já tinha saudades de o mencionar):

Cuidado! São espetáveis!

 

Obviamente, segui o conselho.

Entretanto, houve outro leitor, um autor com quem simpatizo imenso, a almejar que uma pérola, sobre a qual conversávamos há dias, viesse desaguar no Aventar. Detectei-a, por suspeita, à margem da preparação de reunião sobre occisões (exacto, é a vida, como diria o actual SG da ONU). Trata-se de forma invasora, ocorrida nove vezes no sítio do costume: três entre 1985 e 2008 e seis entre 2017 e 2020.

Só três antes de 2008? E seis, só entre 2017 e 2020? Ora, tendo o AO90 começado a ser aplicado em Janeiro de 2012… Portanto, noves fora nada… Contas feitas, este aumento das ocorrências de *ocisão deve ser por razões que a literacia de cordel explicará.

Quanto à edição de hoje do Diário da República, tudo como dantes.

Continuação de uma óptima semana.

***

2021 será melhor do que 2020?

I hate calling him die… It’s dice. It’s a dice!
Paul McCartney

… to be able to induce him… oh! induct!
Paul McCartney

***

A ver vamos se 2021 será melhor do que 2020. Francamente, não sei.

Pelas amostras hoje recolhidas, diria que não. O terrível ano de 2020 repercutir-se-á em 2021. E o de 2021 em 2022. E o de 2022 em 2023. E o de 2023 em 2024. E o de 2024 em 2025. E o de 2025 em 2026. E o de 2026 em 2027. E o de 2027 em 2028. E o de 2028 em 2029. Em 2030, veremos se há uma repercussão do provavelmente pavoroso ano de 2029.

Portanto, em suma e em princípio, como os culpados continuam a fingir que nada se passa, apesar de muito estar a acontecer, teremos em 2021 exactamente mais choldra igual à reinante desde Janeiro de 2012. Em princípio, repito. Pode ser que, entretanto, algum dos conhecidos culpados saia do armário onde toda a gente o viu entrar e se assuma publicamente, levando à reversão do processo.

Continuação de uma óptima semana.

Efectivamente.

***

Acordo ortográfico e consoantes: a brincar às escondidas

Com as criancinhas, há um jogo que só é possível enquanto não atingirem um mínimo de inteligência – tapamos a cara e dizemos “Não está cá!”; a seguir destapamos a cara e dizemos, com um sorriso alarve: “Está, está!” (Mais propriamente “Tá, tá!”). Nunca experimentei fazer esta brincadeira com adolescentes, mas imagino a preocupação que causaria a alunos, encarregados de educação e chefias escolares relativamente à minha sanidade mental ou ao meu evidente consumo de álcool e/ou estupefacientes.

O chamado acordo ortográfico (AO90) faz o mesmo com a sociedade. Somos tratados como crianças ou como adultos com baixíssimo quociente de inteligência. [Read more…]

Em Portugal, há quem seja condenado por fatos

Music with classical colours and a jazz touch, but fundamentally using the structure of pop music. (1)
A chord is made up of a tonic, a “third” (3 notes above the tonic) and a fifth. It’s the third that determines if it is major or minor. A tonic and a fifth is an “open” interval, like my two favorite notes C and G (also my initials) , a sound that is neither major nor minor. If the third is raised (E), it’s major. If it is lowered to the left (E flat), it is minor. Move your finger back to the right, and it’s major again. Left -minor. Right – major. Right-wing politics, left-wing politics… it’s all there. (2)
Chilly Gonzales

***

Efectivamente, em Portugal, há quem seja condenado por fatos relativos à prossecução dos seus objectivos e, como é sabido, há quem se esteja a marimbar para isso, nomeadamente quem nos meteu neste sarilho.

Que sarilho? Não sabeis?

Ei-lo:

Por vezes, em momentos destes, apetece-me fazer como Chomsky e dizer:

You just took me from the middle of a long article on new technical work to try to extend what’s called the Minimalist Program, which is an effort to provide genuine explanations for linguistic phenomena, by reducing them to elements so elementary that they satisfy conditions of evolvability and learnability, which are very narrow and strict empirical conditions. So it’s basically trying to show that, to put it kind of fancifully, that mother nature designed language as a perfect system for expression of thought – not very good for communication. That was not a consideration. But it’s very well designed for expression of thought. And it may, in fact, constitute thought- traditional view – which is not implausible, which, if correct, means that people like you are the only organisms with thought in the entire history of life and maybe in the entire universe.

Os meus votos de muita saúde, com Óptimas Festas e um Espectacular 2021.

Até para o ano.

***

Nótula de fim-de-semana: a culpa é deles

When I say that there is nothing like “household pet”, I don’t mean, you know, that your cat doesn’t exist.
Noam Chomsky

Given that we cannot control for all possible learning variables and individual differences, we take a “big data” approach to examine the putative benefits of explicit instruction and HVPT as they pertain to a wide range of adult nonnative Mandarin learners.
— Wiener, Chan & Ito (2020)

***

As ocorrências por mim aqui frequentemente trazidas de fato e contato, em vez de facto e contacto, são uma mera amostra da actual adopção do Acordo Ortográfico de 1990 em português europeu. Mesmo assim, convém sublinhar: há vida além da superfície, ou seja, do Diário da República. E o panorama é francamente assustador.

Por exemplo, este empregador de “gestores comerciais” escreve fator e proativo, não aceita candidatos falantes de português não-europeu, mas faculta contatos (exactamente, contatos), tornando-se assim um belíssimo exemplar do desaste e uma prova da vitória da doutrina “agora facto é igual a fato (de roupa)” e afins (sim, há afins).

O mal está de facto feito e os responsáveis são efectivamente conhecidos.

Continuação de um óptimo fim-de-semana

***

Águia ganha. Pára o susto.

Exactamente, é possível. E repete-se.

Um professor diz que “é a cereja no topo do bolo”

Efectivamente: «Setor diz que “é a cereja no topo do bolo” para acabar de vez com a atividade».

O *Eletric e os seis *fatos de ontem no sítio do costume

I hate what computers have come to represent in a certain form of music.
Atticus Ross

In fact, learners may need instruction regarding particular sound sequences in the second language in order to overcome phonological bias that is transferred from their first language.
— Kilpatrick & Pierce (2014)

In fact, the study of electrical contacts has led to important conclusions in the theory of friction.
— Jones (1947)

***

Uma das consequências do Acordo Ortográfico de 1990 diz respeito ao impacto negativo na capacidade de falantes/escreventes de português europeu se exprimirem em determinadas línguas estrangeiras, quer oralmente, quer na escrita. Há muitos anos, a propósito do célebre “One Diretion“, receei que em português europeu o Having trouble with my direction /Upside-down, psychotic reaction dos The Cult pudesse ser transcrito como Having trouble with my diretion/Upside-down, psychotic reation. Ora, há dias, descobri que o álbum desta extraordinária canção foi vítima em português do Brasil deste fenómeno nada inesperado. Efectivamente, alguém grafou Eletric (em vez de Electric), o que é perfeitamente compreensível e só surpreenderá quem andar por aí muito distraído.

Os que andam por aí distraídos, dizendo aos quatro ventos que isto está a correr bem, não terão também reparado [Read more…]

Os meus agradecimentos ao excelente leitor do costume

… address the short term attention span syndrome that seems to have infected the world.
Trent Reznor

After learning about identical vowels in contact, learners could identify word boundaries in the phrases que el and va a acabar, which are monosyllabic and trisyllabic phrases, respectively, in fluent speech.
— Kissling (2018)

***

O excelente leitor do costume, a quem agradeço de novo do fundo do coração, enviou-me mais dois excelentes exemplares da naturalidade com que, em português europeu, se vai escrevendo contato em vez de contacto e fato em vez de facto.

Efectivamente, há quem tire o cê medial ao contacto e ao facto com o mesmo à-vontade com que o tira a actuar, à selecção, à redacção, às respectivas e às selecções. Curiosamente, como é do conhecimento geral (aventado e publicado), contato e fato são incompatíveis com respetivas. Mas há quem teimosamente (‘teimosamente’? Onde é que eu já li isto? Ah! Já me lembro) a querer à fina força tirar o cê medial a tudo e a mais alguma coisa: à redacção, a actuar, à selecção, às selecções, às respectivas, ao facto, ao contacto, enfim, vai tudo a eito.

E a culpa disto e daquilo, garanto-vos, não é nem minha, nem do excelente leitor do costume.

Votos de uma óptima semana.

***