Medina no Parlamento: nona dúvida do OE2024 por esclarecer

The tradition that Shun was buried in the ‘Mountain of Nine Doubts’ (九疑山) near the source of the River Xiang, and the Chu cult of Shun under his name of Chong-hua Ag were certainly ancient.
— David Hawkes, The Heirs of Gao-Tang (1984)

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Ao rol de oito dúvidas dos deputados, acrescento esta: acha que um documento com esta qualidade merece discussão?

Já agora, uma décima: leu o Diário da República de hoje?

Não é preciso requerimento.

No entanto, se insistir, pode preencher este modelo de anteontem.

Agradecido.

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Efectivamente, ninguém a pára

Not all these concepts are attested in every Oceanic language, but enough traces exist to enable linguists to follow the trail.
— Christina Thompson, Sea People

She can’t be stopped.
David Letterman

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Até o Expresso, esse paladino do Acordo Ortográfico de 1990, sabe que o dito cujo é ridículo.

Perante esta recaída, percebe-se que, com um bocadinho de coragem, decência e competência, o Expresso e a Lusa acabam com esta farsa num instante.

Exactamente.

Ninguém a pára.

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Outra oportunidade perdida

Depois de Santana Lopes ter vindo “esta quarta-feira afastar-se da corrida presidencial”, era ter atalhado imediatamente: «Já que fala nisso,  então “agora facto é igual a fato (de roupa)”»?”

Orçamento do Estado para 2024: o dia seguinte

It may be noted that in discussions of the tense/lax opposition in English vowels, differences in duration are often considered to be secondary to other differences (Hockett, ref. 31, p. 31; Chomsky and Halle, ref. 29, pp. 324- 325; Perkell, ref. 32, p. 64).
— Sibout Govert Nooteboom (1972)

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Efectivamente, tudo na mesma.

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Contra o Orçamento do Estado para 2024

Dich, teure Halle, grüss’ ich wieder,
froh grüss’ ich dich, geliebter Raum!
Elisabeth

I walk the valleys by the Cerne
on a path cut fifteen hundred years ago
and I know these chalk hills will rot my bones
PJ Harvey

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O espectáculo repete-se.

Efectivamente, continua tudo na mesma, com o poder político a sorrir, a encolher os ombros, a assobiar para o ar e a tapar o sol com a peneira. Por isso, não admira que o episódio de hoje seja idêntico aos anteriores, aquando dos textos apresentados para os anos de 20122013201420152016201720182019, 20202021, 2022 [1] e [2] e 2023. Os papéis são os mesmos e o enredo mantém-se. Os actores, sim, de vez em quando mudam. Os intervenientes de hoje, todavia, já vão na terceira representação desta cena.

Foto: Bruno Gonçalves (https://shorturl.at/fntM7)

E qual é o resumo do enredo? É muito simples: todos os anos, duas personagens sorriem, enquanto uma entrega um texto a outra. E por que motivo sorriem? Não faço a mínima ideia. Provavelmente, não conhecem o conteúdo do texto. Pior, no caso em apreço, desconhecerão o conteúdo das duas propostas anteriores: OE2022 (2/2) e OE2023. Se estes membros da classe política portuguesa lessem aquilo que todos os anos entregam e recebem, saberiam que há um problema. Um problema que se arrasta há imenso tempo. Um problema grave.

Vejamos, pois, uma pequeníssima amostra das pérolas que só não viu quem não leu o conteúdo do Relatório (pdf) que acompanha a Proposta de Lei n.º 109/XV/2 — Aprova o Orçamento do Estado para 2024: [Read more…]

A *seção (!!!) de vazão

Qu’est-ce que ça donne, ça, dans l’hypothèse où le candidat en question viendrait à l’emporter, qu’est-ce qu’on fait des traîtres, comment est-ce qu’on les traite ?
BHL

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Não sabeis o que é uma secção de vazão? É muito simples. Trata-se, nem mais nem menos, de

Fonte: Infopédia

A literatura que se debruça sobre a secção de vazão é abundante e, por exemplo, temos aqui esta belíssima divisão de uma secção de vazão em três subsecções:

Fonte: Câmara Municipal de Vila do Conde — Ponte sobre o Rio Este, em Arcos. Obra de Arte. *Projeto de Execução. Estudo Hidrológico e Hidráulico. Setembro de 2016 (pdf)

E há interrogações (“será a secção de vazão suficiente?”), há medidas preventivas (“prevenção das situações de risco de cheias, impedindo a redução da secção de vazão” pdf) e até existe sensatez (“não prejudicar nunca a respectiva secção de vazão” pdf).

“Não prejudicar nunca”, pois é. Não prejudicar nunca. Esta deveria [Read more…]

Foi você que pediu uma disseção?

We want to know how these things are organized.
Noam Chomsky

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Há 14 anos, fui ao Instituto Franco-Português (pdf) denunciar, entre outras coisas, estas transcrições fonéticas do Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea, publicado pela Academia das Ciências em 2001.

Nessa altura, e também mais tarde, chamei a atenção para (e de) autores de Vocabulários Ortográficos “ao abrigo do” AO90 que seguiram cegamente estas propostas (leia-se: imprecisões) de Malaca Casteleiro (1936-2020) & C.ª.

Como o “critério fonético (ou da pronúncia)” é vago e impreciso e a base são dicionários com transcrições fonéticas extremamente discutíveis (leia-se: sem critério), os autores de Vocabulários que seguem, adoptam e servem de base ao AO90 andam por aí ao-deus-dará e o resultado é aquele que acabámos de ver.

Obviamente, o “critério fonético (ou da pronúncia)” da base IV é meio caminho andado para estas aventuras. E, sabe-se lá porquê, subitamente lembrei-me do “agora facto é igual a fato (de roupa)“. Para Santana Lopes, como os jornalistas continuam a deixá-lo andar por aí e sem responder àquelas perguntas que sugeri há cerca de dois meses, tudo continuará a ser igual a fato (de roupa) e ao litro.

Hoje, tendo regressado por uns minutos à interessantíssima leitura da melhor montra do desastre ortográfico em curso, encontrei no Diário da República uma grafia muito mais atractiva do que fatos e contatos. [Read more…]

O Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa de 1990 só existe para inglês ver

Efectivamente.

Dois actualíssimos retratos de Portugal

We elicited four pairs of words for each of the two contrasts embedded in 16 response sentences in L2-Spanish (/e/-/ei̯/: maceta-aceite, pena-peina, reno-reino, vente-veinte; and /d/-/ɾ/: cada-cara, moda-moras, oda-oras, todos-toros) and the same in L2-English (/i/-/ɪ/: cheap-chips, feet-fit, seat-sit, sheep-ship; and /ʃ/-/ʧ/: shake-cheque, sheep-cheap, shows-chose, shops-chops). The task took 5–7 min to complete.
— Mora & Darcy (2023)

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Hoje, além deste testemunho n’O Jogo

É bom falar nesse assunto, porque na altura retratei-me lá [em Portugal], foi uma coisa totalmente inesperada. Só me retratei no momento, nunca falei sobre isso. Estávamos a comemorar o título lá nos Aliados, estávamos muito empolgados, a praça estava lotada e, ao chegar lá e ver aquilo… Era boné para cima, faixas, bandeiras… Antes do cachecol, eu já tinha aberto umas trinta. O meu erro foi abrir à frente da Imprensa. Não vi, não pensei. Até me lembro do rosto da pessoa que me atirou. Apanhei aquilo, levantei dois ou três segundos. Sou um rapaz que respeita as instituições, mas depois, como não estava com o telemóvel, vi que a Internet estava a bombar três horas depois. Recebi ameaças e tive de me retratar. Sou uma pessoa que gosta da rivalidade dentro de campo, faz parte do futebol, mas do outro lado também há profissionais, amigos. Senti-me mal com esse momento, não faz parte da minha pessoa. Não preciso de desrespeitar um clube para ser amado no meu. Não sei se em Portugal houve outro atleta a retratar-se com um clube rival, não sei se já aconteceu, mas eu fiz isso porque achei que era necessário.

temos este pitoresco episódio político [Read more…]

Alto e quê, Expresso?

OK. Muito bem.

Está tudo como dantes no sítio do costume?

For phonological similarity, for example, Flege (2003) concludes: “It will be necessary to study a wide range of L1–L2 pairs and L2 speech sounds in order to draw general conclusions regarding the nature of constraints, if any, on L2 speech learning” (p. 28).
— Schepens, van Hout & Jaeger (2020)

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Curiosamente, na semana em que voltei a ouvir uma entrevista dada por Richard Dawkins, apareceu-me no Facebook um vídeo publicado pela Universidade de Oxford, com uma apologia do envio de memes aos amigos. Dawkins é um celebérrimo oxoniano e criador do conceito meme original. Por isso, tão-somente curiosamente. Adiante.

Nessa entrevista, Dawkins cita Bertrand Russell. Já lá vamos. Pouco antes de Russell, Dawkins citara Mark Twain, dizendo:

I was dead for billions of years before I was born, and never suffered the smallest inconvenience.

Tudo bem. É uma simplificação, chamemos-lhe uma “citação livre” de um clássico das citações de algibeira:

I had been dead for billions and billions of years before I was born, and had not suffered the slightest inconvenience.

Não há qualquer problema. Aliás, a simplificação até tem piada e é riquíssima em dados para as minhas notas.

No entanto, depois disto, quando Dawkins cita Russell, cita-o assim: [Read more…]

Se tiver havido ocorrências de recepção em vez de recessão, agradeço que mas facultem

Corrigiram? Antes isso. Mas o mal já estava feito. Exactamente.

O que será

um “espetador médio”? E porquê?

Nem só de *fatos e *contatos se vive no Diário da República

Aucun énoncé pris en lui-même (sauf, bien sûr, s’il appartient à un metalangage) ne peut remplir la signification d’adverbes comme «aujourd’hui », «demain », « ici », de pronoms comme « je » et « tu », de formes comme le présent de l’indicatif, d’un verbe aux deux premières personnes.
— Michel Foucault (2023: 22)

L’histoire s’écrit désormais depuis la partie occidentale de l’Amérique, qui voit s’éloigner d’elle « l’Europe aux anciens parapets », pour la nommer avec les mots de Rimbaud, à la vitesse d’un corbillard emballé».
— Michel Onfray (2023: 377)

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Todos conhecerão o “agora facto é igual a fato (de roupa)” e saberão que o autor anda há anos a fugir com o rabo à seringa, ajudado pela conivência de uma comunicação social portuguesa apática, sorridente e serena. Alguns ter-se-ão mesmo aventurado pelos labirintos da veracidade dos fatos e dos contatos e do contato social (e outros contatos).

Por seu turno, a seção é um elemento igualmente presente no imaginário dos deputados portugueses (pdf), dos leitores do Aventar, dos leitores do Público e até, imagine-se, da comunidade portuguesa na Bélgicaefectivamente.

E hoje, dia 6 de Junho de 2023, tudo continua exactamente na mesma:

A culpa disto não é minha. A culpa é de quem anda há imensos anos a alimentar, a comentar, a perder-se em (e a fazer-nos perder tempo com) «“casos e casinhos”, “horas e horinhas”, e outros “inhos” deprimentes», em vez de:

  1. Assumir que criou um problema grave
  2. Resolver o problema.

Até breve.

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Com o AO90, até as consoantes mudas falam!

Recentemente, um aluno de nacionalidade portuguesa pronunciou a palavra “concepção” articulando o /p/. Aproveitei a circunstância e fiz uma pequena sondagem à turma – a maioria dos alunos, para meu espanto, declarou que pronunciava do mesmo modo.

Os três alunos brasileiros não estranharam, porque isso corresponde, em parte, à sua pronúncia, sendo que acrescentam um /i/ de ligação a seguir ao /p/.

Ao longo das últimas décadas, a palavra, em Portugal, foi sempre (ou quase sempre) pronunciada sem a articulação do /p/ (kõsɛˈsɐ̃w̃ – concèção), sendo que essa consoante tinha, entre outras funções, a de obrigar à abertura da vogal pretónica.

O chamado acordo ortográfico (AO90) estipulou a eliminação dessas consoantes mudas, em nome da unificação ortográfica. Assim, em Portugal, passou a escrever-se “conceção”, enquanto, no Brasil, se manteve “concepção”, de acordo com a regra estapafúrdia (porque limitada) de que devemos escrever de acordo com a pronunciação. Em resumo: graças ao esforço de unificação ortográfica, portugueses e brasileiros passaram a escrever a mesma palavra de maneira diferente, quando antes escreviam da mesma maneira. Sim, unificação ortográfica. [Read more…]

O Dia Mundial da Língua Portuguesa é o dia em que se assinala e se festeja a morte do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa de 1990

Feature theory is part of a general approach in cognitive science which hypothesizes formal representations of mental phenomena. A representation is an abstract formal object that characterizes the essential properties of a mental entity.
Bruce Hayes

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Depois da recente bandarilha espetada pelo Presidente da República, temos hoje o Primeiro-Ministro a dar a estocada final. No Dia Mundial da Língua Portuguesa. Efectivamente. Obrigado, caríssimo António Costa. Exactamente. Muito obrigado.

O PR e o PM nāo adoptam o AO90.

E você?

Adopta?

Porquê?

Desejo-vos um óptimo fim-de-semana.

Nótula: Os meus agradecimentos aos excelentes leitores do costume.

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Nótula sobre a “Nota” do Presidente da República

I hope that what I have been saying has made clear why I chose “Philosophy and the Mirror of Nature” as a title. It is pictures rather than propositions, metaphors rather than statements, which determine most of our philosophical convictions.
Richard Rorty

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Como sabereis, João Galamba apresentou a demissão, o Primeiro-Ministro não a aceitou e o Presidente da República (PR) reagiu negativamente.

Mas reagiu de uma forma que, para escrever as coisas como elas são, não é nem carne, nem peixe.

Se o PR efectivamente adoptasse o AO90, o terceiro parágrafo da Nota teria factos e perceção. Seria carne portuguesa podre, com certeza, mas seria carne.

Se o Presidente da República fosse o homólogo brasileiro, esse mesmo parágrafo teria fatos e percepção. Seria peixe brasileiro com qualidade, mas o PR não é o homólogo brasileiro.

Todavia, o PR reage com uma terceira via, com a ortografia que actualmente vigora em Portugal.

Reage com isto:

Se Marcelo Rebelo de Sousa quiser escrever percepção, contará sempre com todo o meu apoio. Mas deverá escrever infra-estruturas, dar ordens aos serviços para que se grafe Maio e, mais importante do que tudo isto, assumir explicitamente e de uma vez por todas que o AO90 não existe. E terá de fazer alguma coisa. Por exemplo, mexer-se.

Nótula: Os meus sinceros agradecimentos aos competentíssimos serviços secretos do Aventar.

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Mais uma oportunidade perdida

Mal Santana Lopes desse o flanco («a que eu tinha aventado»), aproveitava-se e atacava-se: «Por falar em aventado,  então, “agora facto é igual a fato (de roupa)”»?

Por onde anda o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa de 1990?

The SLM employs three criteria for classification. A preliminary step is to consider the IPA symbols used to represent the L1 and L2 sounds. This is followed by acoustic measurements and listeners’ perceptual judgments of sounds in L1 and L2. The SLM posits that interlingual identification occurs at a phonetic rather than a phonemic level, so the procedures operate on sounds (that is, phonetically-relevant phone classes).
— J. E. Flege (1992) (pdf)

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Devido a uma queixa-crime relativa a este capítulo (pdf), o Expresso voltou a adoptar momentaneamente a única ortografia que é óptima no acto de reflectir grafemicamente a actual realidade do português europeu.

Quanto ao Diário da República, [Read more…]

A “inacção do accionista” é grafemicamente

positiva e a *”inação do acionista” é extremamente negativa.

Mais um exemplo do processo de degradação do edificado

“Let them play jazz,” the second man said.
William Faulkner

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No sítio do costume e embrulhado numa redacção para encher chouriços, eis este magnífico exemplo do processo de degradação do edificado.

Já agora, acrescente-se o lado B.

Em Diário da República, há registo electrónico [Read more…]

Uma pequena lufada de ar fresco no jornal A Bola

Some argue that explicit instruction methods encourage children to view mathematics as a set of facts and procedures rather than a reasoning process.
— Fisher et al. (2012)

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Efectivamente, o excelente comunicado de Éder, o herói de Paris, é uma lufada de ar fresco n’A Bola.

Com carácter e adoptada, sim, mas também Outubro e objectivo.

 

A Bola, francamente, o herói Éder grafou Outubro e objectivo (alguém d’A Bola deu-se ao trabalho de traduzir — e mal , obviamente —  *outubro e *objetivo).

 

Exactamente.

Valha-nos o Éder.

No entanto, com o Diário da República… [Read more…]

Coitado do professor

O que se passa no Diário da República?

Some days you’re the windshield, some days you’re the bug.
J. R. Ewing

Sometimes you’re the windshieldSometimes you’re the bug
Mark Knopfler

Sometimes you’re the windshield, sometimes you’re the bug
Some days you’re the windshield, some days you’re the bug
Sometimes it all comes together baby, sometimes you’re a fool in love
Mark Knopfler & J. R. Ewing

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Portanto, onde é que íamos…?

Ah! Já sei.

Continuação de uma óptima semana.

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Uma inócua nótula sobre o ChatGPT e mais do mesmo no sítio do costume

Dear reader, we have a confession to make.
— Vogel & Hamann, JLL 12 (2023): 1–7 (pdf)

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Hoje de manhã, ao ler que Chomsky se pronunciara sobre o ChatGPT nos seguintes termos:

No fundo, é plágio de alta tecnologia e uma forma de fugir à aprendizagem,

lembrei-de vos recomendar cinco artigos importantes para este momento de reflexão:

Os dois últimos foram publicados nesta Nature (v. 613, n. 7945 ), com esta belíssima capa:

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Mudando de assunto, eis mais um maravilhoso exemplo da ortografia actualmente aplicada em Portugal: [Read more…]

Marçal Grilo escreve: “Os resultados da governação têm alguns aspetos muito positivos”

Discordo. Os *aspetos nunca são positivos.

Londres e São Paulo têm o mesmo tamanho e Lisboa e Paris também

According to Saito and Plonsky’s (2019) framework, L2 speech proficiency comprises: (a) the ability to perceive and produce novel (or partially acquired) consonantal and vocalic sounds in an L2 without deleting and substituting them for L1 counterparts (i.e., SEGMENTAL proficiency) […]
Kazuya Saito

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Têm o mesmo tamanho, sim. Todavia, por um lado, temos “London-sized iceberg” e “iceberg do tamanho de São Paulo” e, por outro, “um icebergue com uma área equivalente a 15 vezes a de Lisboa” e “un iceberg 15 fois plus grand que Paris“.

Efectivamente, muito interessante.

European Union/Copernicus Sentinel-2 Imagery/Processed by DG DEFIS/Handout via REUTERS

Já o outro fora interessantíssimo. Aquele do “As big as Delaware. The size of Bali. Four times the size of London. A quarter of Wales. Really, really, big“.

Todavia, ainda mais interessante é isto:

Extremamente interessante.

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Garantir a informação e o *contato com a comunicação social?

Sir To. Fie, that you’l say so! he playes o’ th Viol-de-gamboys, and speaks three or four languages word for word without booke, & hath all the good gifts of nature.
— Shakespeare, Twelfe Night, Or What You Will (Folio 1, 1623), aka La Nuit des Rois.

A century has passed since John Maynard Keynes called the gold standard — and by implication the idea that gold is money — a “barbarous relic”.
— Paul Krugman, The New York Times, 24 de Janeiro de 2023 (data da edição internacional, a que chega em papel a Bruxelas)

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Como é sabido, o Acordo Ortográfico de 1990 funciona como uma pedra de estimação, uma “pet rock”, como a mencionada por Krugman, no NYT, à qual alguns atribuem qualidades e defeitos inexistentes, tratando-a como se de um ente querido se tratasse. De facto, não tem valor, é uma fraude sobrevalorizada, uma “hyped-up fraud”. Mas, por aí, continuam acriticamente a dar palco aos promotores da fraude . E o palco não é o do S. Luiz.

Haja pachorra.

Efectivamente, ontem, ganhou força a teoria segundo a qual a proliferação de *fatos e *contatos na comunicação social que segue o Acordo Ortográfico de 1990 tem como origem a montra.

 

Exactamente.

Hoje, o espectáculo continua.

Hoje, de facto.

E amanhã? Previsivelmente, mais do mesmo.

Votos de uma óptima semana.

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Desejo-vos um óptimo fim-de-semana

Com o patrocínio da RTP.

No Linha da Frente transmitido ontem.

Exactamente.

Santana Lopes, o Wally e a República das Bananas

Antes de Pelé, 10 era apenas um número. Li essa frase em algum lugar, em algum momento da minha vida.

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Santana Lopes, apesar de aparecer imenso na comunicação social portuguesa, continua a não responder ao essencial, que tentarei resumir em três perguntas:

  1. Porque é que “agora facto é igual a fato (de roupa”?
  2. Porquê esta República das Bananas ortográfica? (*)
  3. Considera que 1. poderá explicar 2.?

Votos de um óptimo 2023.

(*) A actualíssima imagem vai sem as rodinhas do costume, para Santana Lopes descobrir o Wally.

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