O debochado e miserável futebol português

casos do Sporting-Belenenses

Lance do penalti do 1.º golo do Sporting

Sou do Belenenses. Desde miúdo. Mantenho-me sócio em homenagem à memória do meu Pai. Continuarei belenense até ao fim, mas distante do futebol. Utilizo-o por humor com amigos, embora neste caso seja por revolta.

Vítima  do sistema criado, pelas mãos de um bando de bárbaros invasores, o futebol doméstico e internacional é um antro de espúrios interesses que me repugnam – na qualidade de sócio de lugar cativo, este ano apenas assisti a um único jogo (Belenenses-Olhanense), uma reminiscência de juventude, e certamente não presenciarei outro esta época.

O futebol português como base de mesquinhas e irracionais rivalidades entre Lisboa e Porto, num país de meia-dúzia de km quadrados; o futebol português transformado em albergue de luxo para uns tantos que sacam centenas de milhares de euros a dirigir clubes da sua paixão ou é utilizado como refúgio, inclusivamente o meu clube, por quem teve sucessos materiais na vida inexplicados  – Vale de Azevedo é a excepção; o futebol português, cada vez mais debochado e miseravelmente manchado pela falta de ética e de verdade desportiva, cria-me náuseas e expulsou-me há muito tempo do grupo de seguidores. Resta-me a selecção nacional e nem sempre. [Read more…]

Apesar de não ser do Glorioso

Esta fotografia é muito boa. Se fosse do Glorioso, seria excelente. 

O Pai Natal existe?

Existe, claro que existe!

AVC na cabeça dos outros é refresco

logo_logifarma

João Luís Pinto defende a “liberdade” de uma empresa farmacêutica portuguesa (a Logifarma, que entretanto limpou o seu Facebook de críticas) reter um medicamento anticoagulante utilizado na prevenção de AVC. A ausência deste medicamento nas farmácias pode provocar mortes, mas provavelmente a Logifarma preferia o lucro acrescido de uma exportação.

Agora ficou indignado por eu ter sugerido que a ausência desse mesmo medicamento colocasse a sua própria vida em perigo. Para a turba de idiotas neoliberais  o facto de a indústria farmacêutica ter um procedimento criminoso é legitimo e normal, mandá-los provar do seu veneno é coisa do Maduro (sim, esse mesmo que acabou de ganhar eleições municipais na Venezuela, depois de combater a típica especulação e açambarcamento com que reage o grande comércio quando as coisas lhe correm politicamente mal).

Estamos esclarecidos. É mesmo de uma ideologia de assassinos que se trata.

21 razões

para considerar o Uruguai caso decidam seguir o “conselho” do primeiro-ministro…

“Ça ne va pas”, disse Schulz em ‘Avril au Portugal’

Martin Schulz, sabe-se, é membro do SPD (Partido Social-Democrata Alemão) e presidente do Parlamento Europeu. Participou no XIX Congresso do PS em Abril passado. Valeu-se, então, de uma ideia célebre de Thomas Mann e repetiu-a:

Queremos uma Alemanha europeia e não uma Europa alemã

Divagou por percurso retórico sintonizado com esta frase e a referência ao fosso económico e social entre o Centro e Norte da Europa (a Alemanha, em destaque) e os Estados periféricos.

Com jactância, proclamou um “Ça ne va pas” (“Isto não vai”). Em francês ou português, é frase de sujeito indeterminado (o pronome ‘Ça’ ou ‘Isto’) e de complemento omisso (não vai  fazer o quê, onde?…).

Quando muito, podemos esmiuçar que Schulz terá pretendido dizer: “a falta de solidariedade europeia tal como a vivemos não levará a Europa dos 28, e menos ainda os 17 da Zona Euro, à coesão socioeconómico e de desenvolvimento integrado que percursores e anteriores líderes europeus publicitaram” – de Jean Monet e Schumann a Delors, Willy Brandt, Helmut Khol, François Mitterrand e muitos outros. [Read more…]

Emprego – Eurostat, Pordata/INE, divergências e significados das estatísticas

O Eurostat publicou números favoráveis ao governo. Para a sociedade portuguesa no todo, tenho dúvidas da valia muito positiva da notícia – há a considerar efeitos de sazonalidade e o trabalho precário incluindo o utilizado pelo próprio Estado.

O acréscimo no 3.º T de 2012 fixou-se em +1,2% no número de empregados, relativamente ao trimestre anterior; este já registara um aumento de +0,8%. Todavia, ao analisar o somatório dos acréscimos citados, extraio facilmente duas conclusões:

  1. Os 2% totais ficam aquém da quebra de -2,2% registada no 1.º T do ano;
  2. Comparado com o período o homólogo, o resultado +1,2% não invalidou que no final do 3.º T de 2013, na população portuguesa, se tenha agravado em -2,4% o contingente de empregados.

O Eurostat, para efeitos da informação estatística do emprego, considera o conceito: ‘Emprego cobre empregados por conta de outrem e trabalhadores por conta própria nas unidades de produção internas do país”. [Read more…]

Variação sobre um tema conhecido: *contatar/*contatando

Se lerem atentamente o Diário da República de ontem, alguns defensores, promotores e amigos do Acordo Ortográfico de 1990 terão a oportunidade de verificar o estado a que isto chegou e, provavelmente, irão reflectir acerca de determinados aspectos que, porventura, nunca lhes terão merecido a devida atenção.

Claro que não se trata do já conhecido *contato — nesta altura do campeonato, toda a gente conhecerá o *contato: aliás, ontem, houve mais três ocorrências. Infelizmente, o *contato já não impressionará ninguém. Hoje, por exemplo, não há qualquer *contato, mas temos a “eventual responsabilidade civil ou criminal emergente dos *fatos praticados”. Actualmente, os “fatos praticados” só poderão surpreender aqueles que fazem da distracção uma forma de vida.

1312

Contudo, aquilo que deve(ria) ou pode(ria) impressionar quem encolhe os ombros perante o espectáculo da página 6 são as ocorrências de *contatar

1312a

e a ocorrência de *contatando. Sim, *contatando. Apesar dos ‘contactos’.

1312b

Sim, ontem, no Diário da República.

Aproveito o tema ‘variação’, para vos desejar um óptimo fim-de-semana, na companhia do centenário Britten.

Uma foto do Juvenil, quem a tem?

Se a internet é facilitadora de tantas maravilhas – encontros entre familiares perdidos há décadas, casamentos entre pessoas que de outro modo jamais se encontrariam, amizades a uma distância geográfica impossível – eu acredito que ela pode trazer-me o que eu tanto gostava de receber: uma fotografia da parede inexistente do café Juvenil. Pensem bem: não conhecerão alguém que possa ter uma? Já coisas mais improváveis aconteceram.

Eu explico.

Toda a gente tem a sua Casa da Mariquinhas. Regressamos a ela para descobrir que “o tempo cravou a garra na alma daquela casa” e que está tudo tão mudado que não vemos nada, nada do que ainda recordávamos. A mim, que ando a acertar contas com o meu passado, deu-me para regressar à rua da minha infância. [Read more…]

Obcecados por Daniel Oliveira

Daniel Oliveira SIC

(Daniel Oliveira numa rara aparição sem a sua temível barba)

De cada vez que o Daniel Oliveira dá um peido, há um bloguer da direita liberal-católica-conservadora que vem em socorro da moral, dos bons costumes, da mão invisível e do darwinismo social. Chega a ser hilariante verificar o contraste entre a demência que lhe é atribuída e importância que lhe é dada por estas pessoas. Não digo que não devem ou que não tenham o direito de o criticar, é claro que têm e devem! Mas a constante chacota e desprezo pelo trabalho do “perigoso radical barbudo” torna-se difícil de compreender à luz das frequentes publicações, quase diárias, dedicadas ao homem em blogues como o Blasfémias ou O Insurgente.

[Read more…]

Dar o Que se Tem

O pito, por exemplo

Se *tivéssemos pior

Através de Rafaela Mota Lemos.

O hipócrita   incompetente

Aquele que dizia querer ir além da troika e que agora justifica o falhanço dizendo que o programa estava mal desenhado.

A entrevista de Passos Coelho

Pedro Passos Coelho está dar uma entrevista a Judite de Sousa e Paulo Baldaia, na TVI. Está a falar de cenas e coisas, com a grande vantagem de dizer e contradizer o que já disse e contradisse. A grande vantagem dum estadista que não tenha compromisso com o que tenha dito é ter todas as possibilidades em aberto e ninguém, sequer, se lembrar de lhe dizer que ele não tem palavra e que melhor faria emigrando, como recomendou aos portugueses que não enxameiam o estado.

Entretanto, aqui fica a linha argumentativa até ao momento: sair com segurança e programa cautelar. Nada melhor do que traçar esta ideia.

Condom_gun

Gajos que merecem um AVC

João Luís Pinto, de preferência sem Varifene no mercado.

Ingratos

A direita que tanto apreciou o exílio no Brasil, não quer acolher sírios. Tá mal, nunca se sabe quando voltam a precisar.

Pontapé na bola

Unknown

O FC Porto e o Benfica estão fora da Champions League. Um e outro não foram eliminados por nenhum dos colossos do futebol europeu. Nem Real Madrid, nem Barcelona, nem BM ou MU.

Aconteceu o mesmo a outros: a Juventus, o Ajax ou o Tottenham. O futebol é assim mesmo.

 

Banqueiros

Os maiores compradores de acções dos CTT foram o Goldman Sachs e o Deutsche Bank. Lembro-me, mais uma vez, das palavras do “consigliere” em O Padrinho, referindo-se a banqueiros que tais: “Nós (mafiosos) somos apenas bandidos. Estes tipos são carniceiros”

Coerências de um resgate

lagarde2

Já não é a primeira vez que acontece. Andamos todos para aqui a protestar com os excessos da austeridade, chamam-nos radicais, somos confrontados com um governo que afirma com convicção e suposta legitimidade que não existem alternativas e depois aparece a senhora Lagarde a dizer que ai e tal isto afinal não está bem calibrado.

Fico sempre perplexo com falta de sintonia entre o governo de Portas/JSD e os “representantes dos nossos credores”. Eles querem “ir além da Troika”, falam de recuperação mas não conseguem ver o país a despedaçar-se pela janela do gabinete. Bons velhos tempos em que até o Moedas da Goldman dizia que a reestruturação da dívida era o único caminho que nos restava. Pena ter vendido a sua opinião à pandilha do grande aldrabão.

O Único de Que Se Lembra

Cavaco e o falecimento de Mandela.

Parabéns, Manoel de Oliveira!

105 anos? Não é todos os dias, nem é para todos.

Daniel Oliveira explica

porque é que o merceeiro se deveria dedicar à mercearia e ficar por lá.

Oh Lagarde…

Outra vez???

Uma vénia ao “Mandela” da acção social portuense

Enquanto a humanidade se continua a desdobrar em homenagens a Nelson Mandela, homenagens essas que já nos proporcionaram alguns momentos verdadeiramente épicos como o beijo de Graça Machel e Winnie Mandela ou o histórico aperto de mão entre os actuais líderes cubano e norte-americano, foi hoje homenageado, na Assembleia da República, um outro grande homem com uma vida dedicada a ajudar os outros.

José António Pinto (JAP) é um assistente social da envelhecida freguesia de Campanhã, onde tem desenvolvido um trabalho de proximidade e apoio às populações aparentemente sem precedentes. Digo aparentemente porque até agora ainda não consegui encontrar informação sobre o seu trabalho que vá noutro sentido mas estou certo que não terá sido por alinhamento político que a AR o distinguiu. Pelo que pude perceber pela reportagem da RTP no telejornal das 13h, JAP tem sido um exemplo de dedicação junto dos mais desfavorecidos, encontrando soluções onde só existem problemas, algo que e facilmente perceptível pelos testemunhos emocionados daqueles para quem o seu trabalho tem sido um benção, recolhidos pela RTP em zonas mais “deprimidas” desta freguesia do Porto.

[Read more…]

A regularidade do *contato

Depois de ontem termos ficado com uma imagem bastante nítida da forma como o Acordo Ortográfico de 1990 tem “entrado inteiramente” no “sistema nacional de educação”, regressemos ao Diário da República.

Na Imprensa Nacional-Casa da Moeda, “solicita-se” a quem envia actos (reparem na barra de endereço: exactamente, actos) para publicação o “melhor empenhamento” no cumprimento da  RCM n.º 8/2011. Fiquei igualmente a saber, por exemplo, que a “grafia nova” de ‘dáctilo’ é ‘dáctilo’. Admito que não fazia a mínima ideia.

dáctilo

Como sabemos, o “empenhamento” não é suficiente, principalmente quando a opacidade das regras nem permite que os promotores as compreendam.

Quando tudo se resume à leitura de algumas sínteses do AO90, pedindo-se depois o “melhor empenhamento”, o resultado é este e a actualização lá se vai fazendo, com episódios lamentáveis como o de hoje (sim, hoje, terça-feira, 10 de Dezembro de 2013). As ocorrências de *contato, essas, sim, vão “entrando inteiramente” no “sistema”.

contato regular

Eu (não) quero sair – Rui Unas

Épico. Passos Coelho explicado às crianças: “teu desrespeito foi como vires ao cu a mim“.

Carla Olas

Mais fotos aqui.

O imparável *contato

Acabo de saber, através dos Tradutores Contra o Acordo Ortográfico, que o Jornal de Notícias decidiu perguntar, há cerca de um mês, se “faz sentido que Portugal continue a liderar o Novo Acordo Ortográfico ou estamos a falhar os objetivos [sic] e o Acordo deveria ser suspenso?”.

É absolutamente extraordinária a resposta dada por Joaquim Azevedo, “diretor [sic] da Escola das Artes da Católica Porto”:

O Acordo deve prosseguir o seu rumo, é um processo imparável, mormente por ter entrado inteiramente em todo o sistema nacional de educação.

Convinha que Joaquim Azevedo se debruçasse sobre alguns dos textos escritos na instituição que dirige, para se pronunciar com alguma exactidão acerca das actuais condições ortográficas do “sistema nacional de educação”.

UCP

O insignificante mercado interno

Da forma mais simplificada possível, o que é a política de austeridade? Eu que não sou académico vejo a coisa assim: o estado reduz drasticamente o investimento na economia interna, aumenta os impostos, corta nos salários, pensões e apoios sociais e despede trabalhadores para ter dinheiro para cobrir o défice e reequilibrar as contas públicas. Sim, eu sei, é uma explicação muito limitada, mas é aquela que a maior parte das pessoas conhece.

Acontece que as contas continuam fraquinhas e isto não está com aspecto de melhorar. Se calhar a austeridade não funciona. Já há algum tempo que andam por ai uns perigosos radicais de esquerda (que até têm uns prémios Nobel), que dizem mesmo que a boa da austeridade ainda piora a situação. Mercado interno, espiral recessiva blá blá blá… Fundamentalistas. Incitam-nos a dizer não a mais austeridade!

Mas os gajos que mandam nisto insistem que é mesmo por ai. Austeridade para a frente! E no meio de tudo isto, o “insignificante” mercado interno vai desaparecendo nas brumas da espiral recessiva. Ficam os hipermercados e as exportações. God save PSI-20 and the Netherlands!

Viva Matic!

Sim, conseguiu. Agora, força e encore.