Catroga disse que a negociação do programa de ajuda externa a Portugal “foi essencialmente influenciada” pelo PSD e resultou em medidas melhores e que vão mais fundo do que o chamado PEC IV. [daqui]
O acordo é meu! Não, é meu!
Confesso: não gosto de humor inteligente. O humor inteligente obriga as pessoas a esperar demasiado tempo para se poderem rir, porque é preciso ouvir a piada, pensar sobre a piada, debater a piada com os amigos em tertúlias demoradas e, dois dias depois, rir da piada, já sem muita vontade, porque quem muito pensa ri pouco.
Por isso, uma das minhas anedotas preferidas é uma daquelas que qualquer cidadão de qualquer país pode usar para fingir que é superior ao de uma nação vizinha. Reza assim: um espanhol e um português andavam à caça e dispararam, simultaneamente, contra o mesmo pato. Discussão, caído o bicho, o pato é meu, el pato es mío, e é meu, es mío, e torna e deixa. O português propõe: “Sodomizemo-nos um ao outro. Quem gemer perde o pato!” (Não tem piada nenhuma contar anedotas por escrito, especialmente em blogues respeitáveis, com crianças ainda acordadas. Como devem calcular, nunca ouvi nem utilizei o verbo “sodomizar” em anedota nenhuma.) O espanhol aceita e, com valentia, suporta sem um ai. Quando se preparava para exercer o contraditório, o português afastou-se, dizendo: “Ó pá, eu nem gosto de pato!” [Read more…]
Jar Jar Binks, o estadista que teve uma ideia

“Quer dizer que até tivemos, por acaso, uma intervenção que ajudou a desbloquear o problema”, disse Passos Coelho. Todos os que já fizeram noitadas de trabalho sabem que há a hora siga!, aquela onde interessa mais despachar o assunto do que nele propriamente pensar. Não sei se terá sido o caso, mas não vejo onde esteja o motivo de orgulho quando é aceite uma sugestão de enterrar na banca metade dos 50 mil milhões de euros de um fundo.
Depois do bloqueador activo, eis o suposto desbloqueador.
Assim de repente lembra-me a personagem Jar Jar Binks no filme “O Ataque dos Clones”, quando, ao procurar as luzes da ribalta no Senado Galáctico, toma como sua uma conversa que ouvira, dela fazendo o discurso que daria ao Chanceler Palpatine vastos poderes de emergência, os quais ultimariam o domínio deste sobre o Império Galáctico.
Ofensa? Mas é preciso mandar-lhe o vídeo “2010-2011: Pedro Passos Coelho em campanha”?
Estado da Nação: Acusado pelo PS de mentir, Passos lamenta recurso à ofensa. E foram só os primeiros 6 meses.
Só uma dúvidazita
Passos Coelho e Paulo Portas subscrevem as palavras de Schäuble? E Nuno Melo e Paulo Rangel, que passaram a semana com azia?
Mas além mentir com semântica, PPC mente factualmente.
“Governo aumenta IVA para 23,25% e agrava TSU aos trabalhadores“. Notícia de 30 Abril 2014. Que se saiba, passar de 23% para 23.25% é um aumento.
É que o objectivo é também isso
“Quando chegarem as subconcessões [dos transportes públicos] acabam-se as greves”, PPC hoje no Parlamento.
Da série “vamos atingir a meta do défice sem medidas adicionais”
Vender a TAP à pressa, vender o Oceanário sem razão válida, vender imóveis em 2 dias. Vender a Carris, Metro, CP Carga e Emef até Agosto. Topam porque é que o sr. Silva adiou as eleições?
A questão é se haverá tótós para acreditarem nas garantias do sr. Passos
Passos garante que não vem aí mais austeridade. E já agora, como isto está tudo tão bom, quando é que baixa a carga fiscal?
O Homem que Não Se Lembra de Nada
Uma sentida homenagem a Passos Coelho e Aníbal Cavaco Silva
De olhos na cultura

“Nós na nossa vida precisamos de mais do que de ciência. Precisamos de poesia, precisamos de arte nas suas mais variadas expressões” (Passos Coelho!!!!). Visto isto, meus irmãos e irmãs que andais a exigir apoio à cultura, podeis descansar. Isto foi dito esta semana e não passa pela cabeça de nenhum de nós que o (ainda) 1º ministro esteja a mentir, já que tal não lhe está no hábito. Pelo contrário, parece denunciar um sério empenho na matéria. Outra coisa não seria de esperar de um homem que – diz ele- leu os clássicos do marxismo-leninismo (sic) em criança e, pelos 14 anos, lia Thomas Mann e, logo a seguir, os existencialistas – ” Sartre, Camus, Russell (…) como é próprio dessa idade” (sic). Temperava essas leituras com Sócrates e Nietzsche! Declarou ainda, na passada, o seu amor pela poesia de Herberto Hélder o que, se fosse afirmado há uns meses, poderia tirar o poeta do seu recatado silêncio (mérito de que poucos se podem gabar embora, no caso,com imprevisíveis consequências). [Read more…]
O maior, diz ele

Já aqui publiquei esta foto acompanhada da notável legenda de João Vale “Querida, encolhi Portugal“. Não é, porém, demais, sublinhar a surpreendente metáfora que esta imagem convoca. Esta é a imagem que Passos Coelho tem, realmente, não só das Universidades propriamente ditas – as verdadeiras, digamos assim -, mas também do próprio país. Evidencia também o que parecem ser traços idiossincráticos do 1º ministro, e do modo como ele vê a sua estatura junto à mesquinha realidade. Passos Coelho é egomaníaco e mitómano. Encantado consigo próprio e receoso de que os outros não lhe reconheçam a grandeza que ele próprio se atribui, não hesita em mentir repetida e patologicamente, esperando disso um benefício imediato, como a admiração e a atenção de que carece. Ele é um gigante. A realidade não o acompanha. Pior para a realidade. Há mesmo imagens que valem mil palavras. Pelo menos.
Passos: “Precisamos de poesia”
Então vamos lá dizer isto em verso, que estamos aqui é para servir.
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Ó Passos, que passas tantos dias a mentir, Não sejas piegas e deixa a tua zona de conforto. Arranja trabalho para onde te possas sumir, Mas evita o tacho onde ex-político faz de morto. |
Apanhado na mentira, Passos Coelho introduz uma diversão
Na passada segunda-feira, o sr. Passos procurou refazer o passado quanto ao que disse sobre ter incentivado os portugueses a emigrarem. O registo de vídeo não engana e aí está para quem quiser ouvir.
Apanhado na mentira, qual foi a estratégia de Passos Coelho? Negar até ao fim, tal como nega o marido apanhado de calças na mão e a dizer “mas querida, só estamos a falar”.

Ontem, o sr. Passos voltou a negar e, para lançar a dúvida, puxou de uma suposta citação que lhe atribuiriam sobre a refundação do estado. [Read more…]
Noutros tempos, uma mentira destas passaria. Hoje, há memória digital.
“Há uns quantos mitos urbanos, um deles é que eu incentivei os jovens a emigrar. Eu desafio qualquer um a recordar alguma intervenção ou escrito que eu tenha tido nesse sentido”, disse Passos Coelho ontem.
Ao minuto 2:10. E se houver dúvidas quanto ao sentido, que se ouça do início.
A ideia de mandar os portugueses emigrarem foi transversal ao governo e não um episódio isolado.
Senhor dos passos
Numa pomposa e um tanto apatetada discursata, Passos Coelho atamancou umas bacoradas que pretendem ser as linhas mestras do seu programa eleitoral.
É-me indiferente o que diga. O 1º ministro não é só um homem de direita a propor políticas de direita. É mesmo má pessoa, incapaz de empatia ou sensibilidade social e, como bem sabemos, um mentiroso compulsivo.
Diga o que disser, espere-se sempre que faça o pior.
Concordo.
Passos defende que se deixe “para trás das costas os fatalismos” [P]
Comecemos pela coligação. Não há fatalismo se não for reeleita.
O problema é que se sabe o que esperar da coligação
“Nós temos, portanto, de dizer às pessoas quais são as nossas prioridades, o que é que queremos fazer; com o resto, não se preocupem, as pessoas sabem com o que contam do PSD. Por isso é que nós não temos pressa de apresentar programas, nem medidas, nem ideias, porque temo-las apresentado consistentemente ao longo destes anos, e as pessoas sabem com o que é que contam da nossa parte“, afirmou Pedro Passos Coelho.
E o que se pode contar da parte desta gente é austeridade eterna.
Mais cortes nas pensões e mais cortes nos salários. Quanto às pensões, o governo ainda não explicou, e nem vai explicar, como se constata pelas declarações de Passos Coelho, de onde vêem os 600 milhões que a ministra das finanças disse serem precisos. É o programa escondido, para ser revelado depois das eleições. Quanto a salários, Cartoga, o ideólogo do programa deste governo, afirmou na passada semana, em duas ocasiões, que se devia ter cortado mais nos salários. Se é isso que devia ter sido feito e não o foi, está claro o que é que a coligação vai fazer se voltar a ser governo. Novamente, o programa escondido, esse mesmo que Passos Coelho diz que não precisa de apresentar, porque os portugueses sabem o que esperar.
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É melhor perguntar aos portugueses o que é eles dizem
“Passos diz que Portugal é considerado um país rico no mundo” [SIC]
A metáfora abjecta
Para construir uma mentira à volta do que foi a sua governação, o PSD inventou a metáfora do xarope – deve ter dado conhecimento ao CDS por SMS, a forma oficial para a coligação comunicar.
“O objectivo que temos é o de vencer a doença, não é o de perguntar se as pessoas durante esse processo têm febre ou têm dor ou se gostam do sabor do xarope ou se o medicamento que tomam lhes faz um bocado mal ao estômago ou qualquer outra coisa, quer dizer, se os efeitos secundários de todo o processo por que se passa valem ou não valem a cura” [Passos Coelho]
A acção é concertada, isto é, não se trata de mais um improviso de PPC. A ministra das finanças já usou os mesmos termos e a caixa de ressonância Observador e respectivos blogs que fazem pandā vão justificando a sua razão de ser papagueando a propaganda.
Eis, portanto, a mensagem infantilizada que o governo pretende usar para comunicar com os portugueses até às eleições. É uma metáfora abjecta, baseada em mentiras repetidamente desmontadas, que procura mover a discussão do plano sério, onde seria impossível esconder os danos causados ao país, para o imaginário da fantasia e da realidade alternativa.
É uma forma de fazer política que dá asco e que procura tratar os portugueses como crianças. Cabe a estes fazer-lhes o que se fazia às crianças que se portam mal: um par de estalos e orelhas de burro.
Nota: Em vez de seguir esta estratégia comunicacional para contra-argumentar (o tal remédio que mata), acabando por a validar ao jogar no campo do inimigo, devia a oposição mostrar que os portugueses não são crianças. Afinal de contas, ninguém gosta de ser rebaixado e o argumento virar-se-ia contra os próprios, tornando-se inútil a propaganda associada. Mas isto digo eu, que não sou pago para ser cabecinha pensadora.
Pilotos, Responsabilidade e Cerveja
Meditações na Cervejaria
(com a devida vénia à Ana Cristina Pereira Leonardo e ao seu blogue “Meditação na Pastelaria”)
Tenho andado a ponderar bastante sobre o tema da Responsabilidade, no sentido ontológico-ético-político-geográfico e cheguei à seguinte conclusão sustentada (pelo menos tão sustentável como as conclusões do Passos Coelho, do Pires de Lima – ministro da Cerveja – e restantes apêndices do Governo; da Helena Matos, do João Vieira Pereira, do José Manuel Fernandes e do Camilo Lourenço):
– A responsabilidade pela presente situação que o país atravessa é integralmente imputável aos Pilotos!
– Aos Pilotos da TAP? perguntarão alguns de forma enfática. [Read more…]
Queima das Fitas, 2015
Uma coligação harmoniosa
Foto@O Jumento
Andava o irrevogável por terras de Aljustrel, e eis que surgem uns quantos repórteres que o questionam sobre os contornos polémicos da sua “demissão”, presentes na biografia autorizada do parceiro de coligação. Irónico, Portas afirmou:
O SMS de Costa e os sonhos húmidos da situação
Suspiram de prazer com o potencial crescendo do caso. Mas depois aparece o Melty Man.
Decidamente, temos um lunático à frente do governo
Não foi gafe e não foi factor-surpresa, como ainda ensaiou a opinião da situação. Foi premeditado, tal como se confirmou hoje ontem no Parlamento.
Passos Coelho voltaria a insistir nos elogios ao antigo ministro social-democrata. “Espero que ele não se sinta visado nem ultrapassado por eu ter suposto que, com o que viu no mundo e com a experiência que adquiriu, partindo de Aguiar da Beira, que não é por se viver no interior, que hoje não podemos, graças às muitas renovações tecnológicas, graças a muito trabalho de transformação da economia portuguesa, vencer na vida e ter negócios bem-sucedidos”, defendeu o chefe do Governo. [P]
Eis o que o chefe do governo acha que é um exemplo a seguir. Alguém que causou milhares de milhões de euros de prejuízos e que, bacocamente, foram nacionalizados, que é como quem diz, sacados aos bolsos dos portugueses.
Se este é o exemplo que Passos Coelho defende para os negócios, é perfeitamente legítimo interrogarmo-nos sobre o que é que não sabemos quanto a todas as privatizações que foram feitas nestes quatro anos. E sobre a transferência de dinheiro do estado para o estado-paralelo, expandido pelo PSD/CDS deste governo e composto pelas IPSS, saúde privada, perdões fiscais ao ex-BES, colégios privados e testinhos de inglês para… inglês ver. Ah e também ajuda a perceber porque é que este governo se prepara para fazer o favor ao lobby do sr. Letria e c.ia criando um esquema de alimentar alguns artistas à mama do comércio a retalho.
Desculpem lá, ó gente da oposição, se isto não é motivo para moção de censura, mesmo que a meses das eleições, vou ali e já venho.












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