¿Y en lengua portuguesa?

lobo antunes

dpa / Erwin Elsne (http://bit.ly/lobo-antunes)

Expresso decidiu adaptar para português este pequeno excerto do testamento de Alfred Nobel:

en del den som inom litteraturen har producerat det utmärktaste i idealisk rigtning.

Aquele ‘idealisk’ é objecto de luminosa interpretação, neste comentário de Sture Allén.

O mote para a adaptação do Expresso foi uma entrevista de Horace Engdahl ao jornal La Croix, com a jornalista Sabine Audrerie a citar uma já conhecida tradução francesa (cf. Le Figaro e Le Point):

l’auteur de l’œuvre littéraire la plus remarquable d’inspiration idéaliste.

Aparentemente, a tradução inglesa consagrada

the person who shall have produced in the field of literature the most outstanding work in an ideal direction

terá servido de base à versão portuguesa do Expresso, pois

 

direcção

Efectivamente, denunciado o papel da letra consonântica c em ‘direcção’, era perfeitamente escusado, logo a seguir, dar-se cabo da qualidade grafémica do texto:

direção

Como sabemos, a excelência ortográfica está viva e recomenda-se.

Post scriptum:  “¿Y en lengua portuguesa?”, perguntava Winston Manrique Sabogal, há um ano. No dia 14 de Novembro, “le plus grand écrivain portugais vivant” andará por estas bandas. E amanhã? Amanhã, era um Nobel, sff. O Jerusalém, o Nonino e o Duke of Cocodrilos não chegam (a propósito de Duke of Cocodrilos, convém sempre regressar aos excelentes textos da Carla Romualdo).

Rocío

E enquanto George Bailey corre a cidade em desespero, e Rocío se encolhe no sofá, reconfortada na sua tristeza, eu penso como seria o dia de hoje na rua Preciados se Rocío nunca tivesse nascido, se não houvesse esta tarde em que coincidimos nos grandes armazéns e eu a deixei fugir para sempre sem saber que a inventei.

ler nas cousas lindas que a Carla Romualdo continua a escrever.