Com estes resultados, que o Aventar divulgou em primeira mão, o PS sem coligações não chega até ao fim da Legislatura. Cai entre Abril e Setembro de 2010. Senão vejamos: até 27 de Março de 2010, a Assembleia não pode ser dissolvida. A partir de Setembro de 2010, também não, porque entramos nos últimos seis meses de mandato do Presidente da República. E com o caos que se vai viver, ninguém vai querer esperar por Março de 2011. Por isso, tem de cair entre Abril e Setembro de 2010.
Querem apostar?
Governo Sócrates cai entre Abril e Setembro de 2010
Resultados oficiais
Ou chegam ao Público via Presidência ou então tem mesmo que ser na CNE.
PS fará aliança com CDS-PP
Como se previa, e de acordo com os dados que o Aventar já divulgou, o PS ganha com 38% a 39% dos votos, não alcançando assim a maioria absoluta. Pessoalmente, continuo a pensar que José Sócrates fará mais depressa uma aliança com Paulo Portas do que com um dos dois Partidos da Esquerda. Afinal, está mais próximo ideologicamente do CDS-PP do que do BE ou do PCP.
A DESELEGÂNCIA DO PRESIDENTE
Este presidente é de facto de se lhe tirar o chapéu, ou o barrete, como se queira. Não satisfeito com as suas constantes caneladas na laicidade do Estado, resolve pôr o carro à frente dos bois, e anunciar, em primeira mão, a visita de Bento XVI à prodigiosa terra onde o sol dançou e a virgem aterrou em cima de uma azinheira.
Milagre dos milagres, esta suprema quinta aterragem de um papa neste santo aeroporto de Portugal (segredo diplomático), esta divina presença do representante de deus na terra, sobretudo nesta maternal terra a poucos quilómetros de Leiria, (ainda assim bastante longe de Boliqueime!), onde uma senhora guardou tantos anos três segredos, entre eles um que viria a ser a sorte de João Paulo II, (era tão jovem e já estava no segredo dos deuses!), onde tantos peregrinos esfolam os joelhos para capitalizar os bancos do espírito santo, (não falamos do BES), este verdadeiro exemplo, não da pobreza da doutrina de Cristo (onde é que se ouviu isto?), mas da projecção teológica e pastoral da alta finança, impeliu irresistivelmente o presidente Cavaco para uma precipitação nada diplomática da Presidência da República, levando-o a não se conter e a antecipar-se a tudo, e de punho no ar gritar: UHAAAAAAAAAU!!!!! Diz a igreja que o presidente foi deselegante. Tadinho!
Legislativas – Sondagens Boca das Urnas 19:30
Aqui vai o resumo:
PS – 38 a 39
psd – 29 a 31
BE – 9 a 12
CDS – 8 a 10
CDU – 7 a 9
O Aventar já tem os resultados das sondagens
Caríssimos leitores, o chat do Aventar já está aberto. Venham todos – tal como as televisões, também já temos neste momento os resultados das sondagens à boca das urnas. Querem saber os resultados?
Sócrates entrou com cara de «poucos amigos»
Se é certo que Rodrigo Guedes de Carvalho já tem na mão a sondagem à boca de urna, os Partidos também o terão certamente. E José Sócrates entrou com cara de «poucos amigo» para o local onde vai acompanhar a noite eleitoral e falar aos portugueses.
Isso quer dizer o quê? Que já sabe os resultados e que não são aquilo que ele esperava? Parece.
A ver vamos daqui a uns minutos.
Eleições: Uma premonição

Em tempos, tivemos feudalismo e burguesia como classes dominantes. Dominantes do quê? Do que mais tarde Karl Heinrich e Jenny Marx, com o apoio de Friedrich denominariam a exploração do povo pela capital, definida por eles em todos os seus textos, especialmente no escrito da Baronesa Prussiana Johanna von Westphelen, na base das ideias de Karl Heirich e Friedrich Engels, por nome O Manifesto Comunista, Que a Baronesa, com título renunciado e mulher de Karl Heinrich desde 1844, surpreendera ao seu marido, a quem secretariava, no dia seguinte ao debate sobe o quê seria o texto, pensaram amanhã o escrevemos e Jenny, mãe de quatro garotas, redigiu essas 21 páginas: Um espectro ronda o mundo…..a burguesia treme….as antigas religiões já não são o que eram…..o cristianismo é a salvação de quem nada tem….
Assaltaram-me estas ideias enquanto o povo português ainda anda nas urnas a escolher quem os governe. De manhã cedo, fui a minha mesa de voto, a amabilidade dos vogais foi avassaladora, gentil, companheira. Nem quem soubessem quem era eu. A seguir, fui falando com pessoas. Os outros maiores como eu, comentavam que Portugal não podia continuar assim, a andar pelas ruas da amargura de crise em crise, de acusação em acusação. Como bom investigador etnopsicólogo, nada comentei: a minha frase habitual: vi, ouvi e calei, como faço com as crianças que analiso. Para que nos governa, somos essas crianças: nada entendemos, nada sabemos, nem de escutas nem de alianças feitas pelos representantes do povo, sem o povo e às costas do povo.
Quando vi ao nosso re-fundador nacional, Mário Soares votar com essa querida mulher, tremi. Esse Mário Soares membro da Assembleia Constituinte de 1976 que redigiu a primeira constituição pós fascista que definia: ARTIGO 2.°
(Estado democrático e transição para o socialismo)
A República Portuguesa é um Estado democrático, baseado na soberania popular, no respeito e na garantia dos direitos e liberdades fundamentais e no pluralismo de expressão e organização política democráticas, que tem por objectivo assegurar a transição para o socialismo mediante a criação de condições para o exercício democrático do poder pelas classes trabalhadoras….frase retirada mais tarde, a Constituição de 2001, que é comentada, assinala na página 37 que a frase tinha sido retirada.
De qual tipo de governo falamos? Qual, o socialismo? A burguesia já não é a classe revolucionária que derrubou a aristocracia na Revolução francesa.
Que não desejo que os meus concidadãos possam realizar as tarefas que a História define para a burguesia? É evidente que não. Antes todos burgueses que luta de classes. Como hoje existe. Antes todos burgueses, antes de ter que pensar para onde votamos em prol de justiça social. Antes todos burgueses, para cumprir as definições bauvesianas de 1785, citadas por mim em outro sítios do nosso Aventar. Definições revisitadas por Jenny Marx e companheiros, no Manifesto Comunista. Nunca cumpridas como podemos ver. Que Portugal é mais poderoso? Que Portugal pela mão de Soares entrou na União Europeia e se fez respeitar pelo Vaticano ao negar-se a assistir ao Vaticano por Wojtila dizer: O Senhor Presidente Jorge Sampaio apenas, sem consorte. Presidente que teve o valor de desdenhar o convite, Wojtila mandou desculpas e esse nosso grande Padre da Pátria e Senhora, foram ao Vaticano. Quando o vi votar hoje de manhã, a admiração crescia por ele e a Senhora Dra. Maria José Rita.
Porque recordações, enquanto o povo anda a votar? Porque o salientar a valentia de quem sabe fundar e defender sem temor os princípios que todos apoiamos? Princípios nascidos de uma revolução que ainda não aconteceu. Os princípios foram lançados em 25 de Abril de 1974, como os de Allende em 4 de Novembro de 1970. Porque tenho uma premonição.
Essa premonição diz-me que o povo vota pelos ricos porque riqueza atrai riqueza. Seja verde ou laranja quem triunfe – vermelho está muito ultrapassado e procura votos, como os antigos socialistas revolucionários, com os que tenho colaborado. A burguesia , é a minha premonição, será quem governe o país: a cultura dos Doutores. Vários colegas da academia, ao dizer-lhes termos perdido investigadores, respondem-me: por quê? Eu gosto da cá estar, posso mandar. O socialismo científico definido por Marx como baseado no cálculo económico, nas definições da mais valia apropriada pelos que têm meios – e quem governa ou tem ou os adquire em detrimento do povo trabalhador que não poupa, não pode, apenas aforra cêntimos. O sonho do 25 de Abril fica em mãos de quem saiba gerir a pobre riqueza da República. Não sou homem de fé, mas haja Deus que se lembrem dos princípios do 25 de Abril, de todos eles.
Noite eleitoral em directo no Aventar
O Aventar vai acompanhar, já a seguir, a noite eleitoral com o seu chat do costume (já está aí na barra lateral). É só entrar e começar a opinar sobre os resultados, o futuro, os cenários pós-eleitorais e tudo o que mais quiserem.
Quando as emissões da televisão acabarem, continuaremos por aqui. Estão todos convidados!
Legislativas – Resultados sondagens:
O Aventar antecipa as televisões e aqui vai resultados provisórios “boca das urnas” às 16h:
PS – 39,9%
PSD – 29,9%
BE – 9,1%
CDS – 8,8%
CDU – 7,9%
FutAventar – FCP#7 – Falcon
Esta ave de rapina continua a provocar estragos no seio da mouraria. Desta feita, despachou os lagartos sem grande esforço.
Faltou à lagartagem a tranquilidade tão apregoada pelo risca ao meio que, uma vez mais, provou que não serve para treinador de um grande. Um Porto a meio gás chegou e sobrou. Uma arbitragem razoável mas de forte tendência verde. As expulsões foram sem espinhas!
Próoooooximo!
Verdades inevitáveis
0 actual sistema de Segurança Social vai ter que acabar por assentar em várias utopias que se vão desmoronando.
O actual sistema do Serviço Nacional de Saúde vai soçobrar por assentar em várias utopias não sustentáveis a médio prazo.
O capitalismo de desastre não cria valor e tira partido da destruição das condições de sustentabilidade que ele próprio promove. A prazo vai colocar em xeque o próprio sistema capitalista.
Os elevados níveis de violência e banditismo que assolam o Algarve vão colocar em causa a indústria do Turismo naquela região.
O TGV não pode ser decidido sem uma prévia estratégia de desenvolvimento para Portugal. Dizer que se faz ou não porque é moderno é uma imbecilidade.
A economia e com ela o investimento privado só crescerão se a Justiça for célere e transparente.
A Justiça só será célere e transparente quando o poder e o dinheiro estiverem interessados nisso.
O Estado e a burocracia são um impecilho para os sectores mais dinâmicos da economia, como os tecnológicos.
Os produtos portugueses são largamente penalizados nos mercados estrangeiros por não termos conseguido criar uma marca forte lá fora.
A empresa estava bem de mais para ser amparada pelo IAPMEI e demasiado má para ser financiada pela banca. É uma PME concerteza.
O nível de fiscalidade é penalizadora da iniciativa empresarial e do esforço individual.
Os níveis de fiscalidade actuais estão muito próximos do nível de fiscalidade potencial ( limite)
Tudo isto porque o crescimento esperado da economia portuguesa nos próximos anos é anémico, um dos mais baixos do mundo.
Reflicta ! isto tem responsáveis e vai-lhe cair em cima!
FUTAventar – Meireles merecia cartão vermelho
Ontem houve um roubo de igreja no estádio do Dragão. Raul Meireles devia ter apanhado com o cartão vermelho directo numa falta que fez sobre um jogador do Sporting. A bola já não estava jogável e a falta aconteceu, mas mesmo que assim não fosse devia ter levado com o segundo amarelo e consequente encarnado.
Toda a gente percebeu que o árbitro não íria puxar pelo cartão tal como veio a acontecer, mas não se coibiu de mandar dois jogadores do Sporting para a rua com faltas muito menos evidentes. O primeiro amarelo para o Miguel então é de bradar aos céus tal foi a batota.
Assim não vale a pena, os árbitros têm demasiada influência nos resultados dos jogos e isso tira credibilidade ao futebol.
Entretanto para o lado das águias é uma fartura de penalties, cada jogo seu penalti, outra batota.
Ao menos não comecem a prejudicar o Braga com medo que venha a ganhar o campeonato!
Sondagem FMSá
Já a tinha feito AQUI e na altura muitos ficaram surpreendidos com os valores atribuídos ao PS. Duas semanas depois começaram a surgir números parecidos nas sondagens profissionais. Este é o meu palpite que não altero. Um palpite. Tipo Zandinga…
PS – 39,5 a 41,5%
PSD – 33 a 35%
Bloco – 10 a 12%
CDU – 8 a 9%
CDS – 7 a 8%
(FMSá em 12 de setembro)
Eu quero lá saber a que horas Cavaco votou
Durante 15 dias, não se fala de outra coisa: as eleições. E de repente, acordamos no Sábado de manhã, ligamos a rádio e o que temos? Notícias sem qualquer interesse e os jornalistas a fingir que nada aconteceu nas duas semanas anteriores. Os grandes comícios de véspera não existiram, O PS e o PSD não encheram Lisboa, a CDU não encheu Braga. Nada, nada aconteceu.
E no dia das eleições, temos de suportar, durante todo o dia, as notícias sobre as horas a que os líderes foram votar. Hoje, primeiro foi Cavaco e depois Portas. Mas eu quero lá saber a que horas Cavaco foi votar! Foi votar cedo? É porque não tinha nada de interessante para fazer na cama. Por favor, poupem-me…
Se quisessem ser mesmo coerentes, à meia-noite em ponto do útimo dia da campanha obrigavam todos os Partidos a retirar os milhares de cartazes que andaram a espalhar nos últimos meses. Aí sim, é que podíamos reflectir à vontade sem ter de levar com aquelas carantonhas por todo o lado.
Este campeonato é vermelho, está pouco azul e não vai ser encarnado
Declaração imediata de facciosismo: Domingos Paciência foi um dos jogadores que mais idolatrei, um avançado como eu gosto, inteligente e eficaz.
Como treinador colocou a Académica na primeira metade da classificação. Praticamente com a mesma equipa, hoje está em último. O mesmo, mas ao contrário, se pode dizer do Braga.
Há tipos que têm estrelinha de campeão, que somam ao talento. Domingos tem, aquele “estou habituado a vencer” que tantas vezes repetiu a época passada, a parte mágica que pertencendo ao domínio da fé e do irracional não deixa de marcar o golo decisivo no último minuto do jogo.
Ontem vi um Porto que começou bem, podia ter vencido por mais, mas é uma equipa Hulk-dependente, e o moço agora desperdiça golos porque deve ter um campeonato particular na secção das assistências. Tenho muita pena, mas assim arrisca-se a disputar o segundo lugar.
Também bocejei assistindo a um bocado de outro jogo. Os bebés de Matosinhos lá perceberam que esta temporada quem vai ao colo são os meninos da luz, e fui acordar para outro lado. No próximo dia 1 de Novembro (mais um menos outro) Jesus vai a Braga ver todos os santos. Depois conversamos sobre o Natal.
Poemas com história: Ar condicionado

António de Oliveira Salazar! Estávamos obcecados pelo ódio a um ditador que, ainda por cima, medíocre e tacanho, não parecia ser digno dessa obsessão. Nuns versos que a polícia apreendeu em minha casa, designava-o o por o cão. Ao contrário do que eu pensava o «poema», salvo erro um soneto, não me custou espancamentos nem acréscimo de tortura. Apenas um inspector, um torcionário famoso pela sua ferocidade, andou à minha volta a declamar os versos com ar grandiloquente e comentando para o estagiário que me guardava: – «Qual Camões, qual carapuça – isto é que é poesia!». Embora olhando para a janela e simulando não estar a ouvir, fui sempre esperando que ele chamasse o piquete que estava no corredor e me desabasse uma tormenta de cassetetes em cima. Mas não, leu, declamou e depois rasgou o papel. Sinal de que não queria utilizar aquilo como prova. O estagiário, um ex-seminarista, quando o inspector saiu só me disse: «o senhor inspector estava muito irritado, que eu bem o conheço – e acrescentou, abanando a cabeça reprovadoramente «- Também o senhor, chamar cão ao senhor Professor. Déspota, ainda vá, mas cão?» Mal saí do presídio, repus o stock e escrevi estes versos menos directos, um pouco mais subtis. Não voltei a ser preso e em 1970, quando publiquei A Poesia deve ser Feita Por Todos, já Salazar tinha sido substituído por Caetano, incluí este poema. O livro foi apreendido, mas não terá sido só por causa do Ar condicionado que aqui vos deixo:
Ódio, mesquinhez, mediocridade,
num rosto de branca estearina,
em mãos de apodrecida crueldade,
o futuro imediato se destina
moldado em velhos fósseis do passado.
Alquimia do medo, chantagem do terror,
ácido queimando as raízes do amor,
eis o segredo
em redomas de silêncio conservado.
O gesto humano se consome e se corrói
no cadinho da fome e da ignorância.
Suprema elegância entretanto faz
do teatro lusitano a triste fama
cantada na soberba do cartaz
– nos seus desertos corredores circula
A última palavra em ar condicionado.
Noite eleitoral em directo no Aventar
O Aventar vai acompanhar a noite eleitoral com o seu chat do costume (já está aí na barra lateral). É só entrar e começar a opinar sobre os resultados, o futuro, os cenários pós-eleitorais e tudo o que mais quiserem.
Quando as emissões da televisão acabarem, continuaremos por aqui. Estão todos convidados!
Primeira sondagem à boca da urna… do Aventar
Tal como os meus colegas aventadores, também quero deixar aqui a minha sondagem à boca da urna do Aventar para os resultados de logo à noite:
PS – 31%
PSD – 26%
BE – 14%
CDU – 13%
CDS-PP – 9%
Outros – 4%
Sabem por quê? Porque eu confio nos leitores do Aventar – e foram estes os resultados da sondagem que fizemos.
30 anos dos Xutos
Como escrevi há tempos, os Xutos são a banda da minha vida! Sou da geração XUTOS!
“Nós”, a Geração Xutos, estivemos ontem no Restelo a celebrar os 30 anos da Maio Banda do (meu) Mundo!
Em dia de eleições deixo o hino Sócrates dos Xutos:
Sócrates merece a herança…
A situação do país, que mal conhecemos, é muito má, bem pior do que o governo bem gostaria, vamos voltar à crise e aos seus efeitos quando tiver que aumentar impostos, cortar subsídios e benefícios.
Nesse ponto de vista é bem feito que seja Sócrates a receber a herança que ele próprio criou. Por muitos anos este país vai viver mal, bem pior do que até aqui, não foram criadas as condições para que o tecido empresarial respondesse agora com eficácia e rapidamente às necessidades de criação de postos de trabalho, substituição de importações e aumento de exportações.
Não podemos esquecer as responsabilidades do PS, que está há 11 anos no governo nos últimos 14, que vai voltar a alijar responsabilidades, como fez agora com a crise, com as dificuldades dos outros, sem cuidar de saber que os outros estão com dificuldades mas estão em níveis de bem estar mais elevados do que nós.
Preparem-se vem aí o discurso de que os outros tambem estão em dificuldades, tambem tiveram que cortar benefícios, não somos só nós.
É uma trampolinice que dá resultados mas que morrerá nos bolsos vazios dos portugueses!
Cavaco: Um anjo na terra
Cavaco é um verdadeiro anjo na terra. Hoje, na comunicação ao país, garantiu que respeitou o compromisso de isenção ao longo da campanha. «Escrupulosamente», não se esqueceu de dizer.
Lançar para a opinião pública, via assessores, a ideia de que estava a ser escutado pelo Governo deve ser aquilo que Cavaco entende como escrupulosa isenção. Da mesma forma que demitir o assessor em plena campanha, no dia em que a candidata a primeira-ministra dá o exempo das escutas como asfixia democrática, é também a mais pura das imparcialidades.
Cavaco Silva é o verdadeiro anjo na terra. Melhor mesmo, só o seu antecessor Jorge Sampaio, que simplesmente dissolveu a Assembleia da República e entregou a maioria absoluta a Sócrates no momento em que mais jeito lhe dava. Mas convenhamos que Jorge Sampaio, ao contrário de Cavaco, de anjinho não tem nada.
FUTAventar – S. L. Benfica #6
1,2,3,4,5,6,7,8,9,10,11,12,13,14,15,16,17,18,19,20,21.
São já 21 os golos do Glorioso – este destaque é feito a pensar no Ricardo que apesar de ver os jogos do seu clube não vê “o” golito…
Ora vai daí, o Jesus, leitor em permanência do Aventar pensou: temos que ajudar o Ricardo – em dia de reflexão, vamos ajudar o “Portista lá do Aventar” a perceber o que é futebol.
E está feita a explicação – usar os noventa minutos do jogo para procurar o Golo sem parar. É tudo uma questão de atitude – o jogo é uma arruada em permanência, onde o apelo ao golo só tem um objectivo: a goleada!
Do adversário – uma vergonha a forma como se apresentou para o jogo. Valia tudo menos tirar olhos: é por atitudes destas que alguns treinadores nunca deixarão de ser pequeninos.
O MEU PRIMEIRO DIA EM PORTUGAL: Em dia de reflexão pré-legislativas
Um contributo metafórico para o dia da reflexão…
Era 3 de Maio de 1981. As aulas da minha universidade britânica, em Cambridge, tinham acabado. Fui convidado pelo ISCTE, hoje IUL (Instituto Universitário de Lisboa), para dar aulas de Antropologia. O ano académico em Portugal acabava quando acabava. As horas de aula eram infinitas. O mínimo era uma hora e meia. Era uma canseira, principalmente para quem estava habituado a ler aulas de, exactamente, 45 m, por outras palavras, 15 páginas. Estava habituado ao metro de Londres – em Cambridge andávamos de bicicleta – metro no qual, devo confessar, sempre me perdia. Cambridge é pequena, Londres imensa e Lisboa um quarto dessa cidade de doze milhões de habitantes.
Estava à minha espera uma querida amiga, a hoje Professora Doutora Karin Wall, uma grande amiga até ao dia de hoje. Dava aulas em minha representação, enquanto eu chegava. A seguir ao aeroporto, fui acolhido por um casal muito amigo, anglo-lusitano. Não tinha que me esforçar a falar apenas com consonantes, as vogais eram comidas. A minha primeira aula foi numa terça-feira, 4 de Maio, às 10 da manhã. Aula escrita, mal acabei de ler convidei os discentes para um debate no meu gabinete, quatro, por vezes, quinze minutos cada. Entre a língua galega, que bem conhecia por causa do meu trabalho de campo, o francês, base do meu ensino em Paris e o obrigado inglês, a minha língua mãe, fui falando com eles. Em quatro idiomas. A minha sorte foi que os estudantes estavam bem preparados para entender este Doutor que conseguia explicar-se de um modo cansativo, mas certo.
Foi o dia em que inaugurei os debates de gabinete ou tutorias. Bem sabia eu que mais de 45 m era impossível para qualquer um fixar a atenção e lembrar. Reiterar as ideias em debate, com base nas folhas escritas com a síntese da aula, como costumava fazer em Cambridge, operou o milagre tipo Adágio de Beethoven, Für Elisa. Os discentes eram capazes de ler antes, sintetizar numa folha, debater e provar as suas hipóteses.
Desse primeiro dia, duas situações caricatas fazem-me lembrar a importância de nós, docentes estrangeiros, ensinarmos a aprender. Os discentes tinham por hábito dizer que não acreditavam na leitura feita, perguntava-lhes qual o motivo e o autor lido para comparar e provar tal hipótese. Começaram, como consequência, a ler sempre dois autores que escreviam de forma diferente sobre a hipótese da aula, matéria para o debate em tutoria. Os meus colegas do, nesse tempo, pequeno ISCTE, ficaram curiosos e falaram de imediato comigo para se inteirarem de como se operava esse milagre dos estudantes lerem.
Expliquei de forma sintética: é uma conversa com livro na mão, de 15m, que pode ser repetida em tempo e hora que o estudante necessitar, com um espaço de dois dias entre aula em sala e tutoria em Gabinete. As ideias germinaram e, até ao dia de hoje, é praticada esta forma de processo de ensino – aprendizagem, como tenho escrito em vários textos meus. O problema era que não havia Biblioteca. Fundámos uma desde esse primeiro dia. Ao terminar o dia tão cheio de curiosidades, sai à rua, como habitualmente, às 17 horas. Os meus horários britânicos eram sagrados. Karin Wall estava à minha espera para me ensinar o percurso do Metro, que devia medir 20 metafóricos centímetros, comparado os meus hábitos de Londres e Paris. Era um metro de brincar ao longo das três linhas que usava.
Foi também nesse primeiro dia que aprendi que os portugueses andavam pelas ruas da amargura. Todos os docentes cumprimentavam, perguntavam como estava e a minha resposta habitual, até hoje, era, muito bem, muito obrigado – uma tradução do meu britânico: I’m well, thank you. Um colega que mais tarde examinei para as suas provas de Agregação, disse-me que era uma péssima má educação. Em Portugal, quem estivesse bem, corria o risco de ganhar a inveja dos outros que andavam sempre doentes, ou ser-lhe solicitado empréstimos e outras explicações que não entendi pela falta de hábito. Na Grã-Bretanha, bem ou mal, é natural dizer-se que se está bem. As nossas vidas eram privadas e não uma forma pública de entregar as tristezas aos outros, que mal conhecíamos. O meu costume era para eu optar, sem a colaboração de mais ninguém: era a minha vida de adulto.
A rua pecava pelos 40º de calor do dia, imenso para quem vem de 0º graus, normalmente, excepto nos verões, onde os 15º eram sufocantes.
E foi assim que a pouco e pouco me fui adaptando à língua e hábitos lusos: muita gentileza pública, muito dizem por ai que, mas só nas costas do coitado de quem falam.
Suficiente para um dia de reflexão pré-eleitoral. Bach e Beethoven cantam para mim, enquanto espero pelo dia e hora de sufragar.
Com lembranças, como eu me enganava desde esse primeiro dia para dizer com licença, deixo o leitor pensar nos avatares de um cidadão que transporta em si mais do que cinco nacionalidades e seis línguas.
Paulo Bento e as cenas tristes do costume
Pareceu-me uma vitória justa, apesar das confusões que se geraram no final. O Porto entrou a ganhar, com um golo que não vi, e parece-me que esteve aí a chave da vitória. Nos minutos seguintes, podiam ter entrado mais golos na baliza do Sporting.
Na segunda parte, a equipa de Alvalade entrou ao ataque, chegou a dominar em alguns períodos mas nunca criou grandes oportunidades de golo. Nem o Porto, à excepção do «penalty» justíssimo que Falcao acabou por falhar. Jesualdo diz que a partir daí o jogo mudou. Não percebo por quê.
Até ao fim, o Sporting continuou sem criar oportunidades. Com a expulsão de Miguel Veloso, num momento em que já não havia grande coisa a fazer, Paulo Bentou entrou em campo e desatou a fazer as cenas do costume. O próprio palavreado, pelo que foi possível ler nos lábios, também foi o do costume.
Ou muito me engano ou o eterno segundo arrisca-se a ser este ano o terceiro ou o quarto…
Gargantas Fundas
Linda Lovelace foi a primeira e a melhor de todas ou pelo menos a mais autêntica. Nas garras da Mafia que naquela altura controlava a pornografia, e que se calhar continua a controlar, com um filme de baixo custo (20 000 dólares) facturou milhões e deu milhões a ganhar, com um enredo simples como uma anedota bem contada.
Depois tivemos gargantas fundas que trouxeram para a ribalta casos e factos, com enredos muito complexos e importantes e que ajudaram a uma sociedade mais livre e a um jornalismo mais responsável. Desde Watergate à Mónica do Gabinete Oval há de tudo, a maioria não passa de crimesinhos rasteiros de interesses, de manipulação de quem lê, mostrando pouco para esconder muito, criando factos que servem primeiras páginas.
Agora temos “trombones” dentro do “fosso da orquestra” a tocar ao arrepio da partitura, em vez da indicação de sinais, de evidências para iniciar o caminho, entregam-se pseudos factos, dossiers, que podem ter a leitura que se lhes quer dar. Para uns são crimes de deontologia para outros direito de informar.
Não levantam o rabinho da cadeira, tudo se resume a uns faxes, a uns e-mails que a verdade não merece mais, contactos prévios nem pensar que se podem perder as “notícias” tão laboriosamente conseguidas e, na véspera, tudo tentou para contactar mas não conseguiu, está aí a secretária a confirmar.
E depois a garganta canta ossanas no momento certo, tudo coincidências, tudo jornalismo.
É no que dá o dia de reflexão…
POEMAS DO SER E NÃO SER
O jardim que eu fiz para ti
tinha água sonhos e sol.
O jardim que eu fiz para ti
tinha noites de lua cheia
não tinha palavras carnívoras
nem ratos comedores da razão.
Os dedos tocavam as flores…
sem perigo.
O dia nascia de ti
e da noite vinha uma promessa de eterno deleite.
A lua deitava-se suavemente no teu regaço
como desejo contido
que sempre haveria de florir
no jardim que um dia fiz para ti.
Os dedos tocavam as flores
que se abriam de prazer.

(adão cruz)
ETICA E EDUCAÇÃO (14)
ETICA E EDUCAÇÃO (14)
Considerações sobre Ética e Educação para além da Escola
Educar para o desenvolvimento e para a mudança obriga à aprendizagem da comunicação, da arte de se fazer ouvir e entender. Muitas pessoas com grandes responsabilidades pedagógicas não sabem falar, não sabem escrever, não sabem sentir nem comunicar correctamente e acham que isso é de somenos importância. Creio que já disse isto no Aventar, mas aquando de uma reunião médica na Corunha, foi-me oferecido um livro intitulado “El artículo científico en Biomedicina” da autoria do Dr. Hernandez Vaquero, professor de ortopedia e traumatologia em Oviedo, grande investigador, galardoado com vários prémios. Ao iniciar a leitura do livro, deparei com um capítulo intitulado “Los errores e horrores del lenguage”. Aí ele diz que a linguagem é de fundamental importância e que o conhecimento das suas regras é dever do médico, do investigador e do professor. Reconhecendo que a clareza deve tomar o lugar da retórica e do hermetismo, denuncia o pouco valor dado pelos autores, editores, investigadores, médicos e professores à correcção na comunicação oral e escrita. E conclui dizendo que a exigência de qualidade não é uma questão parcelar. Quem não é rigoroso na forma de comunicar não pode ser rigoroso na forma de investigar, na forma de sentir e na forma de ensinar. A corrupção da língua e do pensamento, a negação da expressão e do arranjo linguístico como factor importante da nossa própria estrutura, são parte integrante da mediocridade. São de bradar aos céus, como todos sabem, as constantes calinadas de locutores, apresentadores e jornalistas, para quem a linguagem é o seu instrumento de trabalho. É muito grave esta espécie de desatenção à palavra que invadiu e domina o nosso tempo, esta total falta de desejo de elevação com que a usamos. O culto da palavra é, de facto, um indispensável caminho educativo. (Continua)

(manel cruz)






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