a amizade é uma relação cultivada

as mãos do Joquer quem toma conta de mim

… para Joker, quem me tem curado…dedico este reedição…

Escrever sobre um sentimento, não precisa citações. A amizade é uma   afeição recíproca entre duas pessoas que cultivam boas relações. É a sinceridade entre essas duas pessoas que sabem partilhar sentimentos e calar. Em uma palavra, é a confiança mútua entre pessoas de qualquer idade que sabem tomar conta uma da outra, sem entrar pela vida privada do outro. É um sentimento de nunca abandonar a pessoa por quem se sente afectividade Os gregos clássico definiam a amizade como Aristóteles Assim como os motivos da Amizade diferem em espécie, também diferem as respectivas formas de afeição e de amizade. Existem três espécies de Amizade, e igual número de motivação do afecto, pois na esfera de cada espécie deve haver afeição mútua mutuamente reconhecida.
Aqueles que têm Amizade desejam o bem do amigo de acordo com o motivo da sua amizade; desse modo, aqueles cujo motivo é a utilidade não têm Amizade realmente um pelo outro, mas apenas na medida em que recebem um bem do outro.
Aqueles cujo motivo é o prazer estão em caso semelhante: isto é, têm Amizade por pessoas de fácil graciosidade, não em virtude de seu carácter, mas porque elas lhes são agradáveis. Assim, aqueles cujo motivo da Amizade é a utilidade amam seus amigos pelo que é bom para si mesmo; aqueles cujo motivo é o prazer o fazem pelo que é prazenteiro a si mesmo; ou seja, não em função daquilo que a pessoa estimada é, mas na medida em que ela é útil ou agradável. Essas Amizades são portanto circunstanciais: pois que o objecto não é amado por ser a pessoa que é, mas pelo que fornece de vantagem ou prazer, conforme o caso. A fonte de esta ideia é o livro Ética a Nicômaco de 333 antes de nossa era, versão francesa de 1992, Presses Pocket, Paris.
Texto que define não apenas uma intimidade entre duas pessoas, bem como o interesse ou despertar a simpatia de outra pessoa sobre nós, e de forma recíproca da outra pessoa sobre nós, que não nos abandona e não espera nada de nós, excepto essa mutua confiança

. Falar de amizade tem muitas palavras para serem usadas, é todo um tratado como os dos filósofos ou o interessante livro de Marguerite Yourcenar:  O tempo, esse grande escultor, de 1994 a primeira edição, 2006, a segunda, publicada por Difel, Paris e Lisboa. Defende a ideia que serve de entrada a este curto texto.

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A escrita

(adão cruz)

 

(Texto de Marcos Cruz)

A escrita 

 Uns dias bem, outros mal. Quão mentiroso é o horizonte! Quão aliciante e persuasivo se nos mostra naqueles dias, quão angustiante e negro se nos revela nestes. A paz é das montanhas e dos vales, dos medos e dos amores, ela habita toda a forma. Para ser minha também, falta que eu com ela aprenda essa adaptabilidade, essa renúncia infinita. Sentir, eis a questão. Sentir tudo. Abrir o peito às flores e às balas, deixar que o destino penetre a carne e a queime de toda a sensação, permitir que o corpo seja o altar onde a dor e o prazer juram e geram amor eterno. Fazer a parte que me compete, usar bem o meu testemunho, abrir caminho para quem vem depois. Viver no paradoxo como se fosse chão firme, que o é, afinal. [Read more…]

Influências do Português na Darija Marroquina

Musicos de rua em Essaouira

Músicos de rua em Essaouira

A Darija Marroquina é o dialecto Árabe Magrebino falado correntemente em Marrocos. Apesar de apresentar algumas diferenças regionais, fruto da grande diversidade cultural e geográfica do país, a crescente normalização do modo de vida e a progressiva influência dos média tendem a contribuir para a sua uniformização.

A Darija Marroquina é um dos muitos dialectos falados no Mundo Árabe, com as suas especificidades, resultantes de factores históricos e geográficos. O relacionamento entre as populações dos actuais territórios de Portugal e Marrocos deixou inevitavelmente a sua marca no dialecto Árabe falado em Marrocos, mas a sua percepção não é clara nem se encontra devidamente esclarecida, fruto da falta de um estudo científico e rigoroso sobre o assunto. [Read more…]

A EDP Zelará Por Todos os Portugueses

Esse dia há-de chegar; entretanto:

“No próximo dia 18 de Setembro irá decorrer em Lisboa uma Vigília em defesa da Linha do Tua. Esta iniciativa, enquadrada na “Semana Europeia da Mobilidade”, visa reafirmar perante o poder central o direito das populações transmontanas à mobilidade e o importante contributo que esta linha férrea, cujo valor patrimonial de excepção é inegável, deu desde a sua inauguração há 123 anos atrás, para essa mesma mobilidade e para o desenvolvimento do Vale do Tua. [Read more…]

O Saldanha em betão


O escabroso, atinge as raias do ridículo. Quando há mais de um ano foram colocados os conhecidos painéis camarários com o já clássico “projecto em avaliação”, pensei que o Saldanha decerto perderia mais um conjunto de edifícios construídos na passagem do séc. XIX para o séc. XX. Pelos vistos, não me enganei.
A somar-se ao abjecto “Monumental novo”, ao suburbano Atrium Saldanha e à ignóbil miséria que é o edifício riscado por Taveira, a Câmara Municipal de Lisboa prepara-se para mais uma intervenção digna de ser classificada como simples banditismo urbanístico. As duas fotos, valem a revolta.
No local destes dois prédios, erguer-se-á uma montanha de betão, feia, do traço mais vulgar que possamos imaginar e que se destina a ser um hotel ao estilo do horrível Sana, na Fontes Pereira de Melo. Pobre Fontes, se soubesse para que serve o seu nome! Mais a poente, no Largo do Rato, voltará à discussão o famoso projecto do “mamarracho da esquina”, obra ao estilo da Organisation Todt, digna das defesas alemãs na Normandia. É a completa, intencional e criminosa descaracterização da Lisboa do liberalismo. Não apresentarem tal feito como contributo à centenária, já é por si, uma originalidade. Ou será esquecimento?
Dinheiro, dinheiro, dinheiro, mais ignorância, mau gosto e estupidez. Que gente…

António Costa surpreende-nos positivamente

ANTÓNIO COSTA SURPREENDE-NOS POSITIVAMENTE
 
O gabinete de António Costa, Presidente da CML, vai mudar, durante dois anos, dos Paços do Concelho para o Largo do do Intendente.
A proposta, inovatória e inesperada,  foi aprovada na sessão da  passada  quarta-feira, embora o PCP,  um vereador eleito nas listas do PS e o vereador Sá Fernandes, tivessem votado contra esta proposta inclusiva. A notícia não mereceu relevo nos media, é natural, provoca pouca controvérsia e é positiva.
O objectivo desta medida  é a requalificação da zona , que vai passar, tal como a Almirante Reis, a estar sob video-vigilância, tema sobre o qual Costa avança algumas reservas, pois pode estar a estigmatizar-se  o Largo do Intendente.
Recorde-se que o largo deve o seu nome  ao facto de ali ter tido palácio e vivido o intendente Diogo Inácio de Pina Manique,1733-1803, que foi no tempo de D.Maria I, um antecessor de António Costa, na governação de Lisboa.
Pina Manique foi intendente geral da polícia, 1780, e nesse papel  perseguiu as ideias jacobinas, em voga na época, por causa da “perigosa” Revolução Francesa, mas foi também o promotor da iluminação pública da cidade, então às escuras, da célebre Casa Pia, para a protecção de menores, da construção do Teatro de S.Carlos e do que viria a ser a Direcçao Geral das Alfândegas, para cobrar impostos.
Um espirito  criativo e empreendedor  como convém à cidade.
O Largo do Intendente, de local sério, de prestígio  e seguro, devido ao seu ilustre morador, foi, com o tempo, degradando-se e tornando-se, paulatinamente, num local de prostituição barata, de consumo e tráfico de drogas, de ladroagem e outras vilanias. De exclusões e excluídos.
Os tempos de hoje já não são de perseguições, como no tempo de D.Maria. Pelo contrário, os poderes públicos actuais  estão atentos  ás inclusões sociais e é, nesse sentido, que navega este Presidente da Câmara, numa política de pequenos, mas decisivos passos.
 
Há dias, foi  a abertura dos edifícios camarários para oficiar casamentos civis. Hoje, é ele que muda os seus paços para integrar um zona central, desprestigiada, da sua cidade, nos passos da Cidadania.
Esperemos que não se fique por aqui, porque em Lisboa há ainda muito para fazer,no resto do seu mandato, pela inclusão das minorias! Mas vai no bom caminho. Siga em frente!
Tem luz verde!
 
António Serzedelo
 
 

O melhor cabrito do mundo

O melhor cabrito do mundo

Não foi só o cabrito. Outros factores houve que nos fizeram deslocar do Porto, de Amarante, de Marco de Canaveses, de Setúbal, de Sever do Vouga, de Vale de Cambra, embora todos sejamos naturais de Vale de Cambra, com raras excepções. E o mais forte de todos foi a amizade que vem dos tempos da juventude. O outro foi a Serra. A magnífica e deslumbrante Serra da Gralheira, estendida pelos seus três contra-fortes, Freita, Arestal e S. Macário. Quem não conhece estes caminhos da Freita, Merujal, Castanheira, Mijarela, Albergaria da Serra, Salgueiro, Manhouce, Cabreiros, e tantos outros tem obrigação de cá vir pois não sabe o que perde. [Read more…]

"Memórias de Moçambique"


Pintura documental, na qual se retrata as derradeiras décadas da soberania portuguesa em Moçambique: a vida administrativa, económica, familiar, usos e costumes de colonos e populações nativas.
Exposição a ser inaugurada a 11 de Setembro, pelas 16.00h no Palácio dos Aciprestes, Fundação Marquês de Pombal, em Linda-a-Velha
Av. Tomás Ribeiro 16

“Ana Maria (Plácido Castelo Branco Graça Ferreira) nasceu no povoado Errego, sede da circunscrição do Ile, Província da Zambézia, na então colónia portuguesa de Moçambique, a 27 de Abril de 1933. É filha de Arlindo Dias Graça, por sua vez filho de um brasileiro, proprietário, de Ouro Preto (Minas Garrais) e de uma portuguesa de Valadares (Vila Nova de Gaia); a Mãe, Alice Augusta Castelo Branco, nasceu em S. Miguel de Seide (Famalicão) naquela que é hoje a Casa-Museu Camilo Castelo Branco sendo, por esta via, bisneta de Camilo Castelo Branco e de Ana Plácido. O Pai, funcionário administrativo, era um curioso amante das artes e na família materna há vários artistas amadores, quer de Pintura, quer de Escultura.
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Linha do Tua – ex-maravilha?

Hoje terça-feira, à meia-noite, termina a votação para as “Ex-maravilhas de Portugal”.
É a nossa última oportunidade de votarmos na “Linha do Tua“, como forma de protesto pela ameaça da construção da barragem do Tua, que destruirá a Linha e o Vale do Tua. Temos que usar todos os meios para divulgar e impedir este crime patrimonial e ambiental.
Mesmo tendo votado nos últimos dias…pode votar de novo! Contamos consigo!
O Rio Sabor e a Praia dos Cavacos disputam o primeiro lugar, bastante distanciados dos seguintes. No entanto, faltam pouco mais de 500 votos para que a Linha do Tua se encontre entre as três candidaturas mais votadas. Vote na Linha do Tua!
Incentive os seus amigos a conhecer a causa do Tua e a votar igualmente “Linha do Tua”.
Obrigada pela participação na defesa da Linha e do Vale do Tua!

Talvez seja miopia

(adão cruz - pormenor)

(Texto de Marcos Cruz)

Talvez seja miopia, ilude-me o coração.
A razão, que a pouco e pouco se esvazia, ainda me faz crer que eu nem com visão te via.
Dá-lhe jeito, ou não fosse ela a prisão de que fugiste e de que eu mesmo, a bem do peito, fugiria.
Se eu persisto na vigia é porque a ilusão não dorme e nada mais me concilia com a razão de ser da fome, sem a qual eu não vivia.
Assisto, cada dia, à erosão da forma, pensando que outra forma não haverá de chegar a ti.
Aí, se eu já não sentir, contentar-me-ei com a nossa ausência, eu e tu fora de tudo e de nós, mas nós.
Um lastro sumido entre o amor vazio e o único silêncio que, de viva voz, não fere o ouvido.
Um astro, um suspiro, um gemido.
A beleza em si.
Até lá não sou mais do que dúvida, mesmo se só respiro pela certeza de te querer aqui.
Tem sido essa a minha natureza, o ser e não ser de uma essência tesa, vincada, que por isso mesmo, e talvez por ti, nunca e sempre deu em nada.
Sou irmão gémeo dos sonhos que tenho.
Começo e acabo a meio.
Resta-me pensar que, no fim, me unirei a ti.
Daqui, olhando em vão, vejo que nada nos juntará, um dia.
Mas, desilude-me a razão, talvez seja miopia.

Viram esta carrinha? chamem a polícia

É uma Mercedes Sprinter tem a matrícula 82-13-XH. Foi roubada, o que não seria notícia, mas já o é porque no seu interior estavam todos os instrumentos dos Xutos & Pontapés. Ora roubar os instrumentos aos Xutos, ou o acordeão a um cego, faz parte dos crimes de lesa-majestade em que não me metendo na parte jurídica sou muito solidário na sua recuperação (é suposto que o idiota que gamou nem sonhava com o que lá estava dentro).

Se a localizarem contactem com Roberto Ferreira: 919 192 405.

Já agora, e não resisto, alguém no Público anda a precisar de um mapa de Portugal. Os Xutos iam tocar, ontem a Montemor, sim senhor. Mas Montemaiores em Portugal temos dois: o Velho, e o Novo. Sim, há mundo a norte do Tejo, e estas tolices fazem-me pensar se ter decorado serras, rios e estações de caminho-de-ferro na instrução primária foi uma idiotice tão grande como ainda acho.

25 anos de Carvalhesa – não há festa como esta


Mesmo que já conheçam a música, vejam o vídeo. É que não há festa como esta. E quem já foi um dia à Festa do Avante sabe-o. Sendo comunista ou não.

o crescimento das crianças (introdução)

a escola era uma sala da paróquia.Vilatuxe cresceu, e escola também

Introdução

 

1 Durante os anos 1995, 1996 e 1997, fiz trabalho de campo entre os Picunche do Valle Central do Chile. Do que fica dos Picunche. Hoje são a memória de costumes que não têm explicação para eles. E não se denominam Picunche, eles próprios: ou são proprietários, ou inquilinos, ou pessoas habilitadas pelos seus estudos superiores, como se pode ver das genealogias que construí no trabalho de campo. Conheci aos Picunche em criança, de forma diferente a como os conheci em adulto, ou em criança adulta. Eram para mim, pessoas habituais. Até para mandar em elas. Anos mais tarde, saí do Chile e não voltei durante trina e três anos. Em 1994 fui oficialmente convidado a visitar o País e dar cursos e conferências. Retornei á terra que conhecia no Valle Central, terra na qual tinha vivido por dois anos e meio em 1971, até esse Setembro trágico de 1973, que me devolveu á Inglaterra. Ver essa terra outra vez, foi uma emoção. Visitei o Concelho de Pencahue, da Província de Talca e encontrei um arquivo deixado pelos espanhóis, que se tinham apoderado do País em 1542. E a minha visão mudou. A minha visão ia já mudada. E entendi aos Picunche, como nunca o tinha feito antigamente. Resultado de esse entendimento, sã as notas que escrevo em este texto. Em conjunto com as notas que fiz de Vilatuxe, a aldeia Galega que tinha estudado a partir dos anos setenta. Fui vinte e cinco anos depois.  E entendi Vilatuxe de forma diferente, como o digo em estas notas. Os anos mudam ás pessoas. As políticas mudam os contextos. Entretanto, não abandonei Vila Ruiva, em

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os filhos e as suas mães

...tempos em que o Manuel era bebé...com a sua mãe a acaricia-lo

para Manuel Melo…

Deve ser a primeira vez que falo contigo. Deve ser a primeira vez que me endereço a ti. Nunca nos temos visto, jamais olhado uma foto tua. Mas atrevo-me a endereçar-te estas palavras. A ti, enquanto penso na tua mãe. Bem sei que já és quase um menino que oferece presentes à mamã. Tomas conta dela, te enterneces quando a vês aparecer, como eu próprio, avô como sou agora, gritava de alegria quando estava coma mãe que me dera a vida

Não há ternura maior, que dar a vida a outro, cria-lo, amamenta-lo, lutar para ser ela quem trate de ti.

Bem sabes que nem sempre pode estar contigo, mas faz todos os esforços possíveis para sair cedo de casa e tornar cedo e estar contigo. Cansada do trabalho, acaba por se encostar um pouco em casa para ouvir-te, tratar dos teus trabalhos, ou brincar comigo.

Penso que a tua mãe não te mima, é apenas carinhosa e gosta que andes limpo e vestido como pensas. Como a minha mãe fazia comigo: se descalço, sem sapatos pois, se nadar, ir para a praia, pois, se andar com amigos, uma tarte esperava por nós, pois.

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A cultura de Marcelo(2)

Não creio que tenha dado a ideia de maniqueísta, essa forma simplista de pensar, em que o mundo é visto dividido entre o bem e o mal. Sabemos que a simplificação pode ser uma forma primária de pensamento, reduzindo os fenómenos humanos a uma relação de causa e efeito, certo e errado.
Mas não é disso que se trata. Deixei bem claro que há patamares de cultura, graus de cultura, profundidades de cultura, “qualidades“culturais que não se podem comparar. Não quero dizer com isto que os mais cultos e os menos cultos não mereçam o seu devido respeito e não tenham o seu merecido valor. O que me dá comichão é tentarem vender-me gato por lebre. Marcelo tem o valor que tem, ninguém lho tira, mas não tem aquele que tentam mostrar que tem. A sua actividade como comunicador da televisão não deve ser confundida com incultura,  mas  também não deve ser confundida com cultura, pelo menos no sentido da cultura que eu creio que Marcelo Rebelo de Sousa não tem. Não penso que Marcelo possui uma cultura sólida. Não o conheço suficientemente bem, mas penso que não tem nenhuma cultura especial para além da que lhe é necessária como comunicador privilegiado pelas circunstâncias e não pelo valor. Posso estar enganado mas nada me faz chegar à conclusão de uma cultura sólida. Se nele eu me apercebesse de que valia a pena ouvi-lo, sou suficientemente humilde para o confessar. Gostava de o ver, por exemplo, na TV, comentar, mas de forma convincente, o fenómeno da vida, o sentido da existência, o materialismo e o espiritualismo, ler e comentar de forma que valesse a pena ouvir “O espectáculo da vida” de Richard Dawkins, “Razão e Prazer” de Jean Pierre Changeux, “A alma está no cérebro” de Eduardo Punset (como ele, advogado), e não apenas a mostrar a sua habilidade histriónica no manejo de um enciclopedismo balofo.

Inteligência cognitiva e emocional

(adão cruz)

Apesar do termo “inteligência emocional”, isto é, segundo Goleman, a capacidade de identificar os nossos próprios sentimentos e os dos outros e de gerirmos bem as emoções dentro de nós e nos nossos relacionamentos, e embora as definições tradicionais enfatizem os aspectos cognitivos como a memória e resolução de problemas, para mim a inteligência é só uma, dentro da sua complexa neuronalidade. Para mim, o auto-conhecimento emocional, o controle emocional, a auto-motivação, o reconhecimento de emoções em outras pessoas, a habilidade nos relacionamentos inter-pessoais, considerados como atributos da inteligência emocional, não são características que permitam separar a inteligência em peças. Sempre fui contra esta académica e artificial dicotomia, dado que a emoção é um fenómeno permanente e indispensável ao mais pequeno gesto vital, seja a emoção exógena seja a emoção endógena.
Tenho muita dificuldade em dissecar os sentimentos (diferentes de pessoa para pessoa) isto é, em definir as incomensuráveis formas e manifestações dos sentimentos, até porque antes dos sentimentos há as emoções (diferentes de pessoa para pessoa), que lhes dão origem, e antes das emoções (diferentes de pessoa para pessoa) há as imagens (diferentes de pessoa para pessoa) resultantes dos estímulos que as provocam e aos quais cada pessoa reage de forma muito diferente, conforme o seu padrão neural.
Assim sendo, os sentimentos constituem um mundo tão vasto de diferenças que me parece podermos incorrer em algum grau de estultícia, ao pretendermos dissecá-los, dimensioná-los, fraccioná-los, escaloná-los, hierarquizá-los, atribuir-lhes uma cronologia e uma metodologia intrínsecas, fora do campo neuro-científico. E muito menos separá-los, por exemplo dentro do cesto da inteligência, em cognitivos e emocionais, como se de fruta se tratasse.
Há um único contexto em que me parece legítimo atrevermo-nos a abordar parcialmente e de forma particular os sentimentos e com eles lidar como matéria, contexto esse que se situa apenas no campo da arte. No seio do contexto poético, literário e musical, por exemplo. Mesmo assim, com a prudência de nos contentarmos apenas com a plumagem, as cores, a luz e o som.

A cultura de Marcelo

 

(adão cruz)

Em minha opinião, a cultura faz parte integrante da estrutura do ser humano. Mas entre os diferentes graus de cultura, da sua solidez e profundidade, da sua autenticidade e verdade, da sua sábia natureza intrínseca, pode haver diferenças abismais. A cultura constitui-se através da vida como qualquer um dos mecanismos de adaptação, enriquecendo o conhecimento e o saber nos emaranhados mecanismos fisiológicos e neurobiológicos da criatividade.

A verdadeira cultura, a cultura do saber autêntico, a cultura do percurso, a cultura do ser, transparece, muitas vezes, no homem verdadeiramente culto, de forma natural, no olhar, no fácies, na postura, no ser, na primeira amostra de comunicação. Nada em Marcelo Rebelo de Sousa me faz sentir que ele não é vulgar e que a cultura é o cerne da sua estrutura.

Tudo isto é um pouco como a nossa língua, que, como todos sabemos, não deve ser considerada um mero instrumento de comunicação, mas uma parte inseparável do todo que somos e da riqueza anímica que construímos através da vida. Um bom perfume deve ser sentido como parte integrante da personalidade de uma mulher e não como um cheiro. Uma boa decoração deve ser sentida pelo bom ambiente, pelo conforto e bem-estar que cria e não dar nas vistas apenas pelo estilo, pela forma e configuração dos objectos. Ao contrário do que hoje se vê em todos os lados, a cultura não é um enfeite, uma cosmética, uma roupagem mais ou menos vistosa.

Esta cultura do saber, a verdadeira e profunda cultura, nada tem a ver com a cultura-espectáculo, com a cultura-folclore, com a mais que ridícula cultura política, com a cultura do enciclopedismo superficial dos tagarelas, onde, e esta é a minha opinião, incluo, parcialmente, Marcelo Rebelo de Sousa.

as crianças, essa pequenada que nos faz rir e manda em nós

as crianças gostam reir e mandam em nós

Excerto da Introdução do meu livro O imaginário das crianças. Os silêncios da cultura oral, 1ª edição, Escher, Lisboa 1997, 2ª edição, Fim de Século, Lisboa. Para alegrar a vida após tanto debate sobre política educativa…

“Olá padrinho!”, diz a pequena quando lhe telefono para saber dela. Uma voz entusiasta que me cumprimenta com um carinho que, certamente, aprendeu dos seus pais e avós. Pais e avós que, por seu lado, aprenderam o entusiasmo pela vida e pelas pessoas dos seus próprios pais, bem como de toda a sua ancestralidade. [Read more…]

Certidão de óbidos

(adão cruz)


(Texto de Marcos Cruz)

CERTIDÃO DE ÓBIDOS

Tenho uma amiga que não sabe de onde veio, ou de quem veio, mais precisamente. Veio ter comigo assim, de repente, do nada, como terá vindo ter com ela mesma. Depois de algumas conversas, e percebendo que, embora perdidos na encruzilhada de sentidos que a vida nos aponta, ambos vivíamos em nós mesmos, e por isso nos entendíamos, confidenciou-me que o segredo da sua génese lhe fora sonegado desde que mostrou curiosidade sobre ele. Fê-lo, claro, porque faltavam cartas na mesa. Desorientada, naturalmente, disparou em todos os sentidos, como uma mãe que procura um filho desaparecido, tocando nos ombros de cada oportunidade, à espera de que ela se vire e a cara lhe sorria. Desenvolveu a fé. Falhou, falhou, falhou. Foi aprendendo, por razões de sobrevivência tão intimamente ligadas a quem tem algo de fundamental para encontrar, mesmo não sabendo o que seja ou não tendo pistas sobre onde esteja, a retirar de cada falhanço a ilação certa, o aspecto bom. Reverteu em amor o que para quase todos seria medo e ódio, uma vida amarga, um mar de espinhos. Como a roda de um carro, ou talvez de uma bicicleta, dada a sua propensão, de raiz dedutível, para as coisas mais transparentes, menos engenhosas, foi acima e abaixo, ao oito e ao oitenta, e entre ambos chegou a deixar de rodar, por uns tempos. Ou seja, tentou tudo. O aconselhável e o impensável, o sensato e o louco, a diluição no colectivo e o radicalismo individual. E os tons do meio, tantos quantos pôde, até hoje, coleccionar. Quando, numa dessas vagas, deu comigo, era como se quase não lhe faltassem peças do puzzle mas não soubesse onde as pousar, como se não tivesse chão. Propus-lhe um uso incerto do meu, algures entre a realidade e a fantasia, um meio conto. Parecia decidida a ficar, a permanecer, mas acabou por deixar o meio conto a meio, não sem antes se fazer valer da experiência acumulada na sua busca pessoal para me desbloquear uma veia criativa, uma via construtiva, e acender mais uma luz no sentido da minha vida, ironia de um destino que ela, então, não reconhecia como tal, ou não reconhecia de todo. Foi para casa, para Óbidos, a terra onde nasceu. Ter-se-ão passado dois meses. Hoje recebi uma carta dela. Lá dentro, li que não lhe importava já outro sentido na vida do que estar bem e em paz, e sorrir, com dignidade, esteja onde estiver, faça o que fizer, seja qual for o desafio que lhe aparecer pela frente. A questão terá deixado de ser descobrir o sentido da existência para passar a ser existir em todos os sentidos. Nos dela e nos dos outros, como existe, de facto, no meu. Pensando nisto, aliás, perguntei-me se o verdadeiro sentido da vida dela, por paradoxal e até algo triste que enganadoramente se afigure, não seria ajudar os outros a encontrar o sentido da vida deles. Varrendo com uma mão os pensamentos e já quase a guardar, com a outra, o envelope, estremeci de surpresa quando, ao passar os olhos pelo remetente, li: Rua do Cemitério. Então, não me perguntem porquê, tive a certeza de que a minha amiga estava bem, como que renascida. Aquela carta era uma certidão de nascimento. E, pelo que não deixa de ser outra ironia do destino, uma certidão de Óbidos.

Ilhas de bruma

 

(adão cruz)

ILHAS DE BRUMA

Malas no cais
bom tempo no canal
o Pico envolto
num xaile de nuvens brancas.
O baleeiro espreita o boi do mar
a saudar a terra negra.
Vinhedos de currais
e o mar a beijar
as rugas da lava.
O sol esgueira-se
por chaminés e crateras de vulcões
a descansar em lagoas
de verde e azul.
Hortênsias abraçadas
às rocas de velha
e o mar
enlaçando os montes
em namoro eterno.
Impérios de crenças
erguidos ao mistério
Espírito Santo do medo
que passou
ou há-de vir.
Festas do bravo e da chamarrita.
Sabores a queijo
de vacas mansas
sopa de alcatra
massa sovada
e o arroz doce apetecido.
Vinho verdelho ou de cheiro
angélica e licor de amora
de terras do dragoeiro.
Furnas e fumarolas
borbulham para o ar
raiva da terra
por não ser mar.
Malas no cais
embarque e desembarque
num vaivém de espuma
nostalgia das ilhas de bruma.

EVA CRUZ
Viagem aos Açores – Agosto 2005

gracinha

minha maria da graça

As Três Graças, de Carle Van Loo (1763)

….para Graça Pimentel Lemos…

Todos sabemos que existe, na mitologia grega, três deusas chamadas Graças.

As Graças (Cárites na Mitologia Grega) são as deusas da dança, dos modos e da graça do amor, são seguidoras de Vênus e dançarinas do Olimpo.

Apesar de pouco relevantes na mitologia greco-romana, a partir do Renascimento as Graças se tornaram símbolo da idílica harmonia do mundo clássico.

Graças, nome latino das Cárites gregas, eram as deusas da fertilidade, do encantamento, da beleza e da amizade. Ao que parece seu culto se iniciou na Beócia, onde eram consideradas deusas da vegetação. O nome de cada uma delas varia nas diferentes lendas. Na Ilíada de Homero aparece uma só Cárite, esposa do deus Hefesto.

Este meu saber sobre os mitos gregos, adquirido aos sete anos de idade, estava baseado nos originais em língua inglesa, nos escritos de Homero, citado antes, e em Flávio Josefo.

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médico

el trabajo más abnegado y sacrificado del mundo

….para Joker….

Este substantivo adjetivado, es siempre atribuido a una persona masculina. Pero, por las nuevas leyes que nos rigen, médico puede ser masculino o femenino. Nos curan, saben de nosotros más do que lo que nosotros de ellos, la conversación es siempre la misma: como está nuestra salud, como nos sentimos, si estamos alegre  o no, si seguimos sus orientaciones para mejorar nuestros males, si…si…, tantas interrogaciones, que nos sentimos pequeños, casi bebés, aun cuando seamos adultos mayores. [Read more…]

A Banda a Tocar

Na estação de Viana do Castelo nas Festas da Senhora da Agonia no ano de 2010.

Zooey Deschanel

UMA VOZ FANTÁSTICA

Esta senhora é a irmã da “Bones”

la amistad es una relación cultivada


…para Sérgio Aurélio, que me ensina informática, com paciência e simpatia….

Acabo de volver a mi país, después de una ausencia prolongada. El motivo no era ni ferias ni paseo, era reunir datos para mi nuevo libro, que acabé hoy en la tarde. Libro dedicado a una querida amiga quién, para mí, es la Reina de Galicia. Comencé a escribirlo en el sitio en que me hospedé, su casa, que también es mi casa: los considero parte de mi familia. Esa familia Medela, el pastor de cabras y ovejas y agricultor a la antigua, que no sabía que era primo del Conde de Lemos y de la Duquesa de Alba, hechos descubiertos por mí en otro viaje de feliz memoria, al final de los años 90 del siglo pasado. [Read more…]

Veleiro não entra!


Aqueles que extensivamente utilizam a subversão armada no sudeste asiático e exploram mão de obra semi-forçada ou em semi-escravatura, recusaram a entrada em Macau, ao navio-escola Sagres.

A primeira questão a colocar, consistirá saber se tecnicamente sendo um navio de guerra, o Sagres fica sob a mira do articulado legal chinês que proíbe navios militares estrangeiros de atracar na “região especial”. Assim sendo, as autoridades de Pequim terão o Direito do seu lado.

A segunda interrogação, talvez de mais difícil resposta, reportar-se-á aos meandros diplomáticos e neste momento, não podemos vislumbrar se por detrás desta decisão aparentemente extemporânea e até ridícula, se esconderá qualquer quid pro quo luso-chinês. Mais tarde ou mais cedo se saberá.

A terceira questão, poderá ter uma certa relação com a situação interna em Macau, onde afinal, os iniciais entusiasmos pelo “regresso à pátria mãe” terão esfriado ao longo dos anos. Pois isso está mesmo a acontecer. A presença do Sagres III em Macau, trará à memória, os tempos em que para todos os efeitos a cidade era praticamente independente, gozava de uma grande prosperidade e a liberdade de expressão não era mera retórica para colocar olhos em bico. O que terão agora os decisores de vontades alheias – aqueles que em Lisboa entregaram Macau sem consulta popular – para dizer em público? Provavelmente nada, pois nem sequer saberão apontar no mapa, a situação geográfica do antigo território sob administração portuguesa.

Preferimos acreditar na primeira hipótese.

No fim de contas, os pequineses fizeram mais um grande “negócio da China”. Como no dia do hand-over dizia um atónito locutor da televisão tailandesa, no século XVI os chineses entregaram um lugarejo numa praia vazia e receberam-no de volta, transformado uma bela cidade pujante de vida e de riqueza. Com aeroporto, além de tudo e mais alguma coisa.

A águia, o milhafre e a borboleta

(Recebi dois mails muito interessantes, que resolvi transformar em posts, com a devida autorização da Andreia. Este é o primeiro. As reticências significam que suprimi algum texto. Amanhã publicarei o segundo).
Dr. Adão:
 
Sou a Andreia, de Arouca,  bióloga e trabalho com águias de Bonelli. Estive no seu consultório em Julho passado e fiquei de lhe enviar fotografias das belezas que vou vendo nesta nossa encantadora Natureza. Peço imensa desculpa por só agora o fazer, mas como ando sempre a saltar de terra em terra, tinha deixado o seu contacto em Arouca.    (…) e já me sinto muito melhor. Estou cheia de energia para lutar e rapidamente voltar a estar apta a subir montanhas e fazer a minha vida normal.
 
Em anexo envio uma foto de uma águia de Bonelli que capturámos em Maio para colocação de um emissor/GPS. Pode ver o site do projecto em http://www.ceai.pt
 
Um milhafre-real que fotografei nos Pirinéus no ano passado, mas que existem também em Portugal. Eu estava num abrigo de um alimentador artificial de abutres e o milhafre apareceu para se alimentar também.
 
Por último, uma borboleta que fotografei em Fornos de Algodres. Foi a 2ª que vi, tendo sido a primeira observação no Gerês, onde trabalhei alguns anos. É uma “pavão-diurno” que põe os ovos nas urtigas.
 
Espero que aprecie.
 
Um abraço e até breve,

Andreia
P.S. Comprei e já estou a ler o livro ” O espectáculo da vida ” de Richard Dawkins e é realmente fascinante. Obrigada!

(Águia de Bonelli)

(Milhafre real)

(Inachis io)

O Décimo Túnel da Linha do Minho

Já circulam os comboios no 10º túnel da Linha do Minho e respectiva nova estação da Trofa. Abriu ontem.

O Xarajib de Silves

Santi Palacios

Uma visão das “Mil e Uma Noites”. foto Santi Palacios

“O palácio do Xarajibe, de Silves, foi, no Ocidente, uma autêntica visão das “Mil e uma Noites”. Cantaram-no os poetas com o mais alto requinte, adornaram-no os artistas com obras de estranho lavor, celebraram-no os historiadores, como encantadora residência principesca. Dessa harmonia chegam até nós os ecos apagados, num suave murmúrio…E o Xarajibe esplende, de novo, rebrilhando em vivos fulgores. Ficaram célebres as suas noites de festa e de música, de poesia e de dança, de encantamento sem par; as suas tardes suaves e mornas, de doces afagos, de reflexos violetas e de branda penumbra; os seus dias claros e ardentes de tragédia e de luta, em que os pátios e os mosaicos das salas se tingiram do sangue da vingança e do crime; as suas madrugadas de terrores, de suspeitas e de alucinações; as suas manhãs de iluminura, aureoladas pela esperança de novas e felizes alianças; as suas horas de fogo e de guerra, em que tudo se joga e tudo se ganha ou perde. Evocar o Xarajibe é evocar uma época, um estilo de vida _ a época e o estilo de vida dos luso-árabes.”

In “Atlântico” por José Garcia Domingues (DOMINGUES, 1997, pág. 155) [Read more…]

Adeus, Estação da Trofa…

A partir de dia 15 deste querido mês de Agosto de 2010, os comboios deixaram de passar na patrimonial e mais-que-centenária estação ferroviária da Trofa. A nova abre no dia seguinte. É o fim de um ciclo e de uma certa cidade.