Camila Cabello no “The Tonight Show” de Jimmy Fallon

Camila Cabello é a nova estrela do palco virtual, tendo sido a primeira artista a chegar ao topo do Apple iTunes em 100 países com a música do video aqui partilhado – não esta versão (aqui está o original), mas acho-a mais interessante.

Há uma indústria que não há-de estar nada, mas mesmo nada, satisfeita com este sucesso. Adivinham qual é? Dou uma pista: é a mesma de criou coisas como a SPA, que nos sacam dinheiro por cada cartão de memória comprado para a máquina fotográfica.

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Nazaré, 2017

Esta é a paisagem exacta, grandeza com medida de gente, beleza feita de natureza e povo. Num só olhar enchemos a alma. Há mar, serra, céu, casas que sobem as colinas com uma doçura ancestral. Nada é infinito e esmagador, nada é insignificante. Nada fica inatingivelmente longe, nada é intrusivamente perto. Nada é abismal no que é natural, nada é desmesurado no que é humano. E algo tem de haver nas coisas em si para que surjam tão belas aos nossos olhos. Não sei o que é. Sei que tudo tem a exacta distância, a rigorosa dimensão. Até a neblina se espalha sobre a paisagem como se cuidasse manter as proporções do conjunto. Sentimo-nos no preciso ponto a meia distância entre o céu e a terra. Tudo está no seu lugar. Só o voo das gaivotas pode desenhar livremente sobre a paisagem, mas nem ele transgride os seus limites; como se elas soubessem.

Discos (ou K7) Revelações Nacionais 2017

Francisco Sousa Barros

1- LOT – Mother Board
2- Greengo – Dabstep
3- Black Zebra – Nonsquare

Discos Nacionais do Ano

Francisco Sousa Barros

1- 10.000 Russos – Distress Distress
2- Orelha Negra – Orelha Negra 2017
3- Surma – Antwerpen

Podcasts – Governo Sombra

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Governo Sombra (RSS; sítio do programa) é um programa semanal da TSF e TVI com João Miguel Tavares, Pedro Mexia, Ricardo Araújo Pereira e coordenação de Carlos Vaz Marques, onde se discute a actualidade politica de uma forma menos ortodoxa. Já aqui, no Aventar, foram destacados alguns episódios, mas não podia deixar de incluir este podcast nesta série. E o último episódio de 2017 é um bom pretexto para este fim.

Arnaldo Matos foi o convidado desta edição, o que a tornou particularmente interessante por diversas razões. Independentemente se se concorde ou não com o seu discurso, é refrescante ouvir alguém falar dos conceitos no seu sentido original, como por exemplo do socialismo e do marxismo, em vez da habitual balada do socialismo, seja por parte dos partidos que assim se designam, seja por parte dos restantes que, da mesma forma, vivem do Estado.

Outro aspecto merecedor de atenção, foi Arnaldo Matos, à boleia do caso Sócrates, ter dado uma valente coça a João Miguel Tavares no que respeita direitos humanos, sem que este tenha percebido o que estava em causa. E era uma coisa simples: primeiro acusa-se e depois é que se prende. (Uma nota para os distraídos: visitai os meus posts do tempo de Sócrates para perceberem que não estou a vestir a pele de guarda pretoriana.)

Por fim, sendo um programa de humor, é preciso não o esquecer, teve graça e foi um momento de boa disposição.

Um excelente 2018

Surma – O Silêncio como Inspiração

Francisco Sousa Barros

Cruzei-me com a Surma pela primeira vez no Walk&Dance 2017. Pelos ouvidos já me tinham passado alguns temas e fui até Freamunde com o propósito de confirmar em palco os atributos.

No fundo de uma serena e distinta viela estava montado o palco. O público foi-se sentando no chão, entre paralelos e carpetes. O ambiente, quente, de fim de tarde primaveril, com o sol a diluir-se entre as paredes das casas, começava a parecer perfeito aos primeiros sons vindos do palco. Ao fim de pouco tempo já estava completamente conquistado e passei o resto do concerto apenas a apreciar as abstratas pinceladas sonoras que aquela mulher, sozinha com a sua voz singular, no meio de guitarra, baixo, teclados, pedais, samples, ou seja lá mais o que for, ia traçando. [Read more…]

Feliz Natal


A todos que escrevem, comentam ou lêem o Aventar.

Podcasts – Quarenta e cinco graus

Quarenta e cinco graus” é um novel podcast de José Maria Pimentel (RSS; sítio), contando com seis episódios actualmente, onde se tem falado de “política e de políticas, de Portugal e do Mundo, do passado e do futuro, de economia e de gestão, do ser humano e da sociedade, de ciência e de cultura”. A sonoplastia é de Luís Ferreira.

Neste episódio, o autor conversou com com Arlindo Oliveira, “presidente do Instituto Superior Técnico e autor do livro The Digital Mind, lançado este ano e cuja edição em português, com o título Mentes Digitais, foi lançada na semana passada”.  Foram abordados “vários temas ligados ao futuro da Inteligência Artificial, ou, nas palavras do convidado, ao surgimento das mentes digitais”. Escreve ainda o autor do podcast que “ao usar esta palavra – ‘mente’ – Arlindo Oliveira transporta deliberadamente a discussão da Inteligência Artificial actual, independentemente dos seus avanços inegáveis, para um futuro mais ou menos longínquo, em que poderemos ter Inteligência Artificial equivalente – e, portanto, superior – à humana”.

Shaolin, meu amor

Entre os meus escassos talentos conta-se o de fingir que falo mandarim na perfeição. É um talento apenas conhecido de um reduzido grupo de eleitos que têm aplaudido as minhas actuações com inexcedível simpatia, chegando mesmo a fingir um entusiasmo que eu reconheço não poder ser genuíno. Evidentemente, não falo uma palavra do autêntico e legítimo mandarim, excepto as que se podem aprender nos restaurantes chineses. Mas finjo que falo e o meu fingimento é credível. Na verdade, é mais uma performance multidisciplinar porque também gesticulo de forma lenta e cerimoniosa e uso uma panóplia de expressões faciais que me parecem muito adequadas.

Fingir que falo mandarim é uma habilidade que está ao meu alcance apenas porque vi, numa idade por assim dizer tenra, um número considerável de episódios de “Os jovens heróis de Shaolin”. Para quem não sabe, nessa série produzida em Hong Kong contavam-se as empolgantes aventuras de Hung Hei Goon, Fong Sai Yuk e Wu Wai Kin, e os seus árduos treinos no templo de Shaolin, na China do século XVIII, para virem a tornar-se mestres de Kung Fu. Estes três haveriam de converter-se em heróis, recordados durante séculos, na luta contra a Dinastia Ching, dos Manchu, que havia derrubado a Dinastia Ming, dos Han.  [Read more…]

Postcards from Greece #30 (Thessaloniki)

Potentially violent demonstrations

(fotografias tiradas daqui e daqui)
era o que estava aparentemente anunciado para hoje, embora eu não o soubesse antes de a Giota me ter vindo bater à porta do gabinete, por volta das 3 da tarde. Disse-me que devia sair antes das cinco porque ia haver manifestações e muito provavelmente confrontos entre os anarquistas e a polícia. Perguntei-lhe porque razão. Explicou-me que hoje se assinalava o aniversário da morte de Alexandros Grigoropoulos, um jovem estudante de 15 anos que foi morto em 2008 pela polícia.
 
A área da Universidade era, uma vez mais, uma zona a evitar depois das cinco horas, disse-me a Giota, coisa que confirmei com o segurança do edifício da faculdade, embora ele me tivesse dito que a partir das quatro fechava tudo. Arrumei as coisas e vim para casa. Apanhei o autocarro 16, o que dá uma volta bestial pelo centro e enquanto estava na paragem reparei na enorme quantidade de pessoas que saiam apressadas da Universidade. Reparei igualmente na escassez de trânsito, numa cidade que tem muito tráfego dia e noite. Saí uma paragem antes da Agios Dimitrios, à procura de uma papelaria específica que acabei por não encontrar e fui a pé para casa, depois. A rua estava estranhamente calma.
 

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O pesar do ministro e a morte do artista

Fernando Relvas morreu no passado dia 21 de Novembro. Esperava, há mais de dois anos, por um “subsídio de mérito cultural”, que nunca chegou. Em vez disso, recebeu, a 23 de Novembro, uma inútil e descabida “nota de pesar” do ministro da Cultura. Uma atitude que, enquanto amigo de quase 40 anos de Fernando Relvas, agradeço, por boa educação, mas declino, por indignação. E foi isto mesmo que fiz questão de dizer ao sr. ministro, na carta que a seguir se reproduz e lhe foi enviada no final da semana passada. Porque palavras amáveis quando morrem os artistas de pouco servem, se quem as profere deles não fez caso enquanto vivos.  [Read more…]

Postcards from Greece #28 & #29 (Thessaloniki)

‘We are not lucky, it is a right…’

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disse-me o jovem estudante de Economia Agrária, quando eu referi que tinham sorte em não pagar propinas, nem na licenciatura, nem no mestrado nem sequer no doutoramento. Evidentemente fiz o comentário apressadamente e evidentemente o rapaz tinha (tem) absoluta razão. O ensino, em qualquer nível, deve ser gratuito. A educação deve ser gratuita. Ponto. Não é sorte, de facto, é um direito que todos deviam ter. A conversa teve lugar numa sala de aula pequena e pouco equipada da AUTH (Aristotle University of Thessaloniki para os mais esquecidos ou para os que só agora chegaram a estes postais) onde fui terminar o Seminário que aqui há uns dias havia dado noutro edifício, afastado da cidade – a quinta da Faculdade de Agricultura onde, supostamente – porque nada vi nesse sentido – os estudantes terão as aulas práticas de Agronomia. Portanto, eu estava ali na sala pequena da AUTH para terminar a discussão havida nesse outro dia. Quando entrei na sala, a Maria conversava com os estudantes sobre uns seminários e defesas de teses de mestrado e doutoramento a que deviam assistir. Os estudantes, aparentemente – porque a discussão era em grego – estavam incomodados por ter de assistir a cerca de 10 desses eventos.

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Postcards from Greece #25 & #26

Uma missa ortodoxa e um dia perdido

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o dia perdido foi hoje. A missa ortodoxa também. E não há qualquer relação, entre uma coisa e outra, mesmo porque a missa ortodoxa terá sido, provavelmente, a melhor parte do meu dia (e é uma agnóstica que vos escreve o postal).

Ontem fui dar um seminário/aula ao Alexander Technological Educational Institute of Thessaloniki, na Escola de Agricultura onde trabalha a Roula. Choveu todo o dia, tal como hoje, embora não esteja frio. O seminário correu bem, com estudantes muito interessados e participativos. O instituto é ainda mais antigo que a AUTH, ou pelo menos parece, porque tem um ar mais degradado. Ou então foi por causa da chuva que fez com tudo parecesse um pouco mais desolador e triste. Refiro-me aos edifícios e ao campus em geral, não às pessoas. No fim, quase duas horas depois, os estudantes agradeceram-me e um deles, vejam bem, ofereceu-me, assim ‘out of the blue’, uma garrafa de sangria grega. Tinha experimentado e gostado e resolveu trazer-me, ainda que não me conhecesse de lado nenhum, nem nunca me tivesse visto. A φιλοξενία (filoxenía ou amizade aos estranhos, sobre a qual já escrevi noutro postal). Outro estudante disse-me, enquanto fumávamos um cigarro no hall as escadas, dentro do edifício (‘pode-se fumar aqui, sim, e em todo o lado. Na Grécia somos democratas, se queres fumar, porque é que não hás de fazê-lo?’. Pois, nada, a mim parece-me bem) que tinha feito Erasmus em Portugal, no IP de Santarém. Sabia dizer ‘bem vindos’, ‘obrigada’ e ‘de nada’. Disse-me ainda que os portugueses também têm φιλοξενία e eu concordei. Talvez não tanto como os gregos, mas sim, somos hospitaleiros que chegue e os estranhos despertam a nossa simpatia.

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Postcards from Greece #21 (Thessaloniki)

«Se um dia alguém perguntar por mim…»

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ouvi hoje, passava pouco das 10 da manhã, no café ‘Os Piratas’, aqui na esquina da rua de São Nicolau com a Rua de São Demétrio. Chovia torrencialmente e mal saí de casa fui beber um café antes de apanhar o 16, por causa da chuva, para ir para a AUTH. Lá dentro estava quentinho e o café era menos mau. A senhora ao balcão estava com cara de poucos amigos e bebericava qualquer coisa. A música estava baixa e era variada. Vi um cinzeiro em frente da senhora do balcão e pedi um para a mesa. A senhora tira o vaso das flores de dentro de um potezinho verde alface, que estava a enfeitar a mesa e diz-me para por a cinza ali.

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Inhos

Conhecendo, como conhecemos todos, o amor dos portugueses pelos diminutivos, julgava que já nenhum poderia surpreender-me. Uma ingenuidade pouco justificável na minha idade, devo reconhecer. Bastou cruzar-me na rua com uma simpática vizinha a quem vou perguntando pela saúde familiar para que ela me confessasse que anda preocupada com uma das filhas, a fumadora, porque não há maneira de deixar o vício, apesar de já ter tido um “AVCzinho”. Atentai, leitores, na delicadeza desta construção: um AVCzinho. [Read more…]

Postcards from Greece #20 (Metéora)

Suspended between the earth and the sky

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ou, simplesmente, no meio do céu. Eis o que quer dizer Metéora, uma área formada por rochas gigantes e nuas, uma paisagem com mais de 60 milhões de anos por acção do vento e da chuva e de diversos fenómenos geológicos e, talvez seja apropriado, pelo desejo de algum deus. Uma paisagem que deve ser única no mundo. Nunca vi nada assim e creio ser difícil que volte a ver alguma coisa assim. Metéora fica na Grécia central, 237 km a sul de Salónica, quando a planície de Tessália acaba e, provavelmente, o céu começa. A área serviu de refúgio contra os invasores, serviu de lugar de oração a muitos ermitas, nas cavernas e fissuras das rochas. A partir de meados do século XIV foi construída a maior parte dos 24 mosteiros que existem até hoje, embora alguns em ruínas. Hoje apenas 6 dos mosteiros são habitados, 4 por monges e 2 por freiras*.
 

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Postcards from Greece #19 (Thessaloniki)

Πόλη / Póli/ Cidade

 

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Há uma estátua, que eu considero muito bonita, na praça Agias Sofias, chamada Cidadãos. Ou Πολίτες/ Polítes. É do escultor Manolis Tzobanaki e mostra três pessoas que lêem o mesmo jornal. A estátua homenageia os cidadãos de Salónica, uma cidade que é grega apenas há 105 anos. Antes era turca e isso nota-se muito, nos monumentos, nos mercados, nos jardins, entre outros aspectos que por serem resultado de uma observação mais subjetiva, não vou mencionar, à exceção do estilo de vida que me parece mais descontraído do que o da generalidade das outras cidades europeias que conheço. De qualquer modo, voltando à estátua dos Cidadãos, ela ergue-se mesmo em frente ao portão da igreja de Agias Sofias, ou Santa Sofia que muitos dizem ser anterior à sua homónima de Constantinopla ou Istambul, conforme preferirem. Não conheço (ainda) esta última. A de Salónica conheci-a hoje, apesar de já a ter visto ao longe muitas vezes, quando passava na Egnatia, uma das principais avenidas da cidade. Gostei da igreja, que é, aliás, património mundial da humanidade, mas confesso que preferi a estátua aos cidadãos. Agias Sofia não é muito diferente de muitas outras (e são realmente muitas outras) igrejas de Salónica e como muitas delas tem claramente um estilo bizantino e foi convertida em mesquita, depois da conquista da cidade pelos turcos. A estátua de que gosto muito apenas existe desde 1987.

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Postcards from Greece #16 (Thessaloniki)

Remember that the revolution is what is important, and each one of us, alone, is worth nothing’

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traduziu-me a miúda, do grego, a partir de um cartaz feito à mão por cima da banca da KNE (Juventude do KKE) no átrio de entrada da Faculdade de Agronomia da Aristotle University of Thessaloniki (AUTH). Do outro lado da banca do KKE (Partido Comunista da Grécia) estava a banca do EAAK (Movimento Independente Unido de Esquerda), um movimento que representa a união de organizações estudantis (universitárias) de esquerda. Quando hoje entrei na faculdade deparei-me com estas duas bancas, uma de cada lado cheias de cartazes. Identifiquei, naturalmente bem o KKE, mas o EAAK nem por isso e presumi que se tratava de eleições para a associação de estudantes ou coisa assim.
 

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Studying fake news about Voltaire, spread by the New York Times

Un calife autrefois, à son heure dernière,
Au Dieu qu’il adorait dit pour toute prière :
« Je t’apporte, ô seul roi, seul être illimité,
Tout ce que tu n’as pas dans ton immensité,
Les défauts, les regrets, les maux, et l’ignorance. »
Mais il pouvait encore ajouter l’espérance.

Voltaire

O projeto-piloto da Comissão, que visa assegurar a correta aplicação da legislação da UE por parte dos Estados-Membros, sem o recurso a processos de infração, é objeto de um inquérito estratégico que teve início em maio.

Relatório Anual 2016 do Provedor de Justiça Europeu

***

1. É no mínimo curioso — e paradoxal q.b. — que, numa notícia sobre ‘fake news’ espalhadas por Voltaire, o New York Times espalhe ‘fake news’ sobre Voltaire.

Os leitores do Aventar conhecem o caso ‘Voltaire vs. S.G. Tallentyre/Evelyn Beatrice Hall’, logo, sabem que Voltaire nunca escreveu em francês — «Je déteste vos idées mais je suis prêt à mourir pour votre droit de les exprimer»— aquilo que em inglês — «I disagree with what you say, but will defend to the death your right to say it.» — o New York Times apresenta como dado adquirido:

 

2. Mudando de assunto, segundo o Público,   [Read more…]

Postcards from Greece #15 (Thessaloniki)

Hoje ouvi os sinos da igreja de São Demétrio

aqui mesmo, da sala, ali do outro lado da janela. Eram quase 6 da tarde, devia ser a hora da missa. Um dia destes vou assistir a uma missa ortodoxa. Assisti uma vez, creio que em Bucareste, a um bocadinho de uma. Mas com a igreja de São Demétrio aqui mesmo à mão, seria um pecado não assistir a uma inteira. Nos postais da Roménia, especialmente daqueles escritos de Cluj e de Bucareste, falo da estranha dança que os fiéis ortodoxos fazem diante de deus e dos santos (ou ídolos, como lhes quiserem chamar). Aqui também a fazem. Tal como também se benzem as pessoas cada vez que passam por uma igreja. Benzem-se com gestos largos e com a mão esquerda.
 
Salónica está cheia de igrejas e igrejinhas. Há praticamente uma em cada esquina. Os quase 800 000 habitantes da cidade têm, assim, se quiserem, muitos espaços onde ir dançar diante de deus. Como escrevi no postal de ontem, o padroeiro da cidade é justamente São Demétrio, o mesmo em honra do qual se ergueu esta igreja aqui defronte da janela, de que hoje ouvi tocar os sinos eram quase seis da tarde. Foi um toque solene e curto.

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Dmitri Hvorostovsky (1962-2017)

Postcards from Greece #14 (Thessaloniki)

Gazing at a World Heritage

mais exatamente esta igreja, chamada de São Demétrio que se avista da minha nova casa, de todas as janelas. Na verdade o que se vê são as traseiras da enorme igreja, mas ainda assim é digno de se ver. As janelas dão para a uma praceta grande o meio da qual se ergue, então, esta igreja que é parte dos sítios classificados como Património Mundial da Humanidade.
 
A igreja que chegou aos nossos dias decorreu da reconstrução feita no século VI. A primeira igreja existente neste local foi construída no século IV, mas sucessivos incêndios foram impondo também sucessivas remodelações e alargamentos. Já a visitei por dentro e é igualmente bonita. Até acendi umas velinhas, acho que contei num outro postal, que lhe acrescentaram beleza. Pelo menos, momentaneamente, à minha vida acrescentaram, tal como acrescenta esta vista.

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Postcards from Greece #12 & #13 (Thessaloniki)

‘I don’t know if I will ever learn how to fly, but I am sure I will never crawl’

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estava escrito numa parede na rua Egiptou, na zona de Ladadika. Foi um rapaz de um bar, em frente ao grafiti e às palavras que me traduziu do grego. Aliás foi ele que me chamou a atenção para o grafiti, depois de eu ter fotografado a fachada de um bar vizinho e de reparar que ele fazia pose.Tirei-lhe uma fotografia e depois ele disse-me que devia tirarà parede e traduziu do grego para o inglês ‘não sei se alguma vez aprenderei como voar, mas de certeza que nunca rastejarei’. Gostei da frase. Bastante. Embora o rastejar me tenha recordado os meus ‘amigos’ rastejantes que alegadamente me picaram o pescoço e (descobri depois) uma orelha, o queixo e as pernas.

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“À séria”

João Miguel Tavares faz parte do grupo dos que dizem “à séria”, tendo saído a pérola enquanto dissertava sobre os professores. Podia ser pior, como, por exemplo, se estivesse a dizer alguma coisa de jeito. Parafraseando um ditado, assim só se estraga uma fala.

(ao minuto 31)

Postcards from Greece #10 (Thessaloniki)

Estou há dois dias fechada em casa…

porque tenho uma grande constipação. Ainda bem que trouxe os cêgripes de Portugal. Sinto-me melhor, um bocadinho pelo menos.
 
Apesar de estar há dois dias fechada em casa, quando vou ali à varanda tenho o mundo inteiro, ou quase, à minha frente. Apesar de estreita, a rua Evripidou é movimentada, frequentada por gatos e pessoas de todos os feitios e medidas, que me entretenho a observar. Já sei quem mora ali em frente e hoje uma das rapariguinhas acenou-me. Já sei que gatos se dão melhor e quais nem se podem ver e já conheço também as preferências do senhor da loja das motas aqui defronte, no que se refere aos gatos. É sobretudo ele que os alimenta.

Postcards from Greece #8 & #9 (Thessaloníki)

Aγροτική κοινωνιολογία, política e uma grande constipação

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αγροτική κοινωνιολογία, quer dizer ‘agrotikí koinoniología’, ou seja sociologia rural. Foi a Maria que é também uma ‘agrotikós koinoniológos’ ou socióloga rural, que me ensinou a escrever isto e, mais importante, a pronunciar. É certo que poderia ter ido ao google tradutor (e acabei por ir, para copiar para o postal a expressão) mas preferi que ela me ensinasse. Rural diz-se αγροτικές ou ‘agrotikés’ e parece mesmo uma língua. Que eu e a Maria falamos. Quanto ao grego, o meu é praticamente inexistente, se descontarmos os habituais kalimera, kalispera, kalinýchta, efvaristó e parakalo. Já consigo ler relativamente bem os caracteres para me orientar num sítio qualquer, mas não vou muito além disso. Ao contrário do ‘agrotikés’, o grego é mesmo uma língua difícil.

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Postcards from Greece #7 (Thessaloniki)

Os gatos de Salónica

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Nunca vi tantos gatos em toda a parte, numa cidade, como aqui em Salónica. Os gatos parecem ser omnipresentes. Bem tratados pelos residentes, como estes aqui da rua, a quem vários vizinhos colocam comida e água, são amistosos e amáveis e deixam-se acariciar. Ou pedem mesmo carícias. Gostam de pessoas, por estranho que pareça, e querem – na maior parte das vezes – apenas mimo.
 

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Podcasts – Informação (In)útil

“Num minuto, coisas que não interessam a ninguém, mas vai gostar de saber. Curioso, Nuno Miguel Martins procura histórias que fogem à rede das notícias.” Assim é descrito o podcast Informação (In)útil (RSS; sítio).

Neste episódio disserta-se sobre a identidade de Banksy. Noutro, o assunto é o “autor que ninguém conhece do quadro que todos conhecem.” De segunda a sexta na TSF, num formato agradável sobre pequenas coisas embaladas num tema musical.

Postcards from Greece #6 (Thessaloniki)

‘As you are Portuguese, we have to take good care of you’…

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foi o que disse a rapariga grega trazendo um vinho do Porto à mesa da esplanada onde eu comia a melhor tarde de chocolate do mundo, acompanhada de um café cheio. A esplanada pertence ao Portogalo*, um wine bar na rua Komninon, mesmo à beira da Praça Liberdade (Plateia Eleftherias), numa das zonas mais bonitas e movimentadas da cidade. Tinha passado lá ontem à noite, debaixo de chuva, depois do jantar no Coquille e, naturalmente, achado graça ao bar/restaurante chamado Portugalo e que exibia vinhos portugueses na montra. O vinho do Porto foi oferecido. Assim, sem mais nem menos, depois de eu ter dito que era portuguesa. ‘Se é portuguesa, temos de cuidar de si’. O Porto foi oferecido com a mesma generosidade e simpatia que se encontra em praticamente qualquer grego, já o disse um destes dias. E o Porto soube bem e ficou a promessa de voltar lá para um jantar como deve ser, quando sentir saudades de Portugal.
 

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