a guerra é a guerra. Aqui muito bem explicada aos indignadinhos do costume.
Esta é a banha da cobra, que estica mas não dobra
Faixa de Gaza em Agosto

Parece Hiroshima em 6 de Agosto de 1945.
A Humanidade tende para a monotonia à medida que a História se repete.
Uma País, Duas Leis
E quando se consegue adivinhar o teor de uma notícia pelo seu título apenas?
Ou o título é muito bom ou, infelizmente, a realidade confirma as suspeitas: Portugal é um país com dois tipos de Lei a aplicar conforme a tipologia dos cidadãos.
Santana a presidente?
O PS dos negócios apoia quem?
António José Seguro, o da engenharia eleitoral, afirmou que o “PS associado aos negócios e interesses é apoiante de António Costa“. Pode ser que sim, mas nesse caso será um também.
Luís Vilar era um funcionário bancário quando Manuel Machado lhe descobriu competência para ser vereador do Município de Coimbra. Mas tinha outras, no ramo dos negócios:
Vereador do PS na Câmara de Coimbra entre 1997 e 2009, Luís Vilar ficou na história de dois dos maiores casos de corrupção julgados nas últimas décadas na cidade dos estudantes. Em ambos acabou condenado. Primeiro, em 2010, a três anos e meio de prisão (com pena suspensa) , por corrupção passiva para ato lícito, abuso de poder, angariação de fundos não identificados para campanha eleitoral e tráfico de influências, no processo Bragaparques, em que estava acusado de favorecer a empresa nos negócios da construção de um parque de estacionamento e um edifício de escritórios, na Baixa da cidade. Já este ano, recebeu nova condenação (quatro anos de prisão, com pena suspensa, por corrupção passiva), por ter servido de intermediário no negócio de venda irregular do edifício dos CTT de Coimbra (que no mesmo dia fora comprado pela empresa Demagre por 14,8 milhões de euros e vendido por 20 milhões…)
Quando António José Seguro decidiu que Manuel Machado era o seu candidato nas eleições do ano passado, que ganhou por uma unha negra, valha-nos que Luís Vilar também fora condenado à pena acessória de proibição do exercício de funções como titular de cargo político, pelo que não constou da lista. O actual presidente da câmara, promovido pelo PS a líder da ANMP, retribuiu sendo mandatário de António José Seguro. Quanto a Luís Vilar, entretanto dado a negócios falhados no ensino superior privado, não foi expulso do seu partido, e adivinhem quem apoia na actual palhaçada interna do PS.
Postcards from the Balkans #06
Sarajevo: 1425, 159, 329, 11000
ou o mesmo céu sob o qual vivemos
Dizem aqui que se nunca vieste a Sarajevo, nunca foste a lado nenhum.
Sarajevo. O lugar que reúne 4 das casas de deus. O mesmo deus a quem se pedem desejos. Os mesmos desejos. Dizem aqui que se pedires a deus o mesmo desejo nas suas 4 casas (mesquita, sinagoga, igreja ortodoxa e igreja católica romana) obterás o que procuras. Não experimento, no entanto. Os meus desejos são simples e terrenos. Mais do que de deus – a existir seja em que casa for, ou em toda a parte – os meus desejos dependem de mim. Dos Homens, que vivem todos debaixo do mesmo céu. Qualquer que seja o deus – mesmo nenhum – em que acreditam. Os meus desejos são poucos, está bem de ver.
Sarajevo é um símbolo de multiculturalidade étnica e religiosa. Os sinos das torres das igrejas ouvem-se quase ao mesmo tempo que o chamamento (tão belo) para a oração dos muçulmanos. Os homens amam mulheres de outra religião. As mulheres amam esses homens. Como se a religião não importasse, num lugar onde importa tanto. Os mortos são, em muitos cemitérios (e há tantos cemitérios em Sarajevo!), enterrados debaixo da mesma terra. Com o mesmo céu por cima. Há beleza bastante em tudo isto. Há humanidade bastante em tudo isto.
Se vens a Sarajevo não é possível que não saibas, ou que não queiras saber, o que é, o que foi, o que há-de ser Sarajevo. Não é possível que não perguntes onde estava deus há quase 20 anos. Se escondido dos Homens, numa das suas 4 casas ou acima do céu sob o qual vivemos, o mesmo é dizer em lugar nenhum. [Read more…]
Elogio da pobreza (Osso Vaidoso)
Osso Vaidoso, do disco Animal (2011). A letra é da Regina Guimarães.
E segue…
O Marinho largou a advocacia para ser parlamentar europeu; vai largar o cargo de parlamentar europeu para se candidatar a parlamentar na Assembleia da República; posteriormente, deixará este cargo para se candidatar à presidência da República.
Vamos lá Marinho, pá, ousa o golpe de asa final e candidata-te à coroa do Reino Portugal. Mal podemos esperar por um debate entre ti, o Duarte Nuno e o fadista Câmara.
Crime e sem castigo
Esquecendo os considerandos, é consensual entre os portugueses que a família Espírito Santo merece castigo, tal como todos estamos de acordo sobre a impossibilidade de isso suceder, mais depressa passa o Camilo Lourenço pelo buraco de uma agulha do que um rico muito rico vai em Portugal dormir na cadeia.
Nas nossas leis e procedimentos judiciais houve sempre o cuidado na redacção de deixar uma vírgula, um parágrafo que remete para outro e outro, trabalho dos melhores escritórios de advogados que ali redigiram enquanto deputedos. É verdade que o Isaltino e o Lima já lá foram, mas não são ricos, novo-rico é outra coisa, começou por baixo, pode descer.
E depois somos um país de branduras e muito perdão, roubaram mas foi sem mão armada, aquilo até foi sem querer e pela salvação das empresas e empregos, etc. etc. Ora só vislumbro uma saída: a financeira, pois claro. É avisado que até à conclusão de um processo desta envergadura todos os bens sejam sequestrados, mas já é sabido que o Ricardo, por exemplo, nada tem em seu nome. Haja portanto a coragem de um juiz lhes decretar o rendimento mínimo, e apurada vigilância para que não possam despender nem mais um cêntimo, proibição de esmolas incluída, isto até que esteja concluído o julgamento, no próximo século. Nessa altura, uma vez expulsos da casta e brincando aos pobrezinhos em versão mendicidade, sempre quero ver se Fernando Ulrich (nunca mais chega a vez do BPI) insiste em que não bate nos que estão na mó de baixo. Duvido que se aguente.
OZ
– “Finalmente, criadas salsichas de peixe que sabem a carne” (anúncio patrocinado pelo IPMA, dando conta de porfiadas investigações). Pronto. Agora já sabem o que o Crato entende por “investigação útil”.
– “Se reduzirmos as consultas para um máximo obrigatório de 15 minutos, deixa de haver falta de médicos de família” (declaração proferida, levantando o focinho das folhas de cálculo, pelos contabilistas do Tribunal de Contas). Pronto. Agora já sabem com resolver este grave problema e vislumbrar, seguindo este raciocínio até às últimas consequências, como se configura a solução final.
– “Ricardo Salgado não tem em seu nome um único bem; nem uma casa, nem um simples automóvel” (noticiam os jornais). Pronto. Agora, quando, para as bandas de Cascais, virem passar um homem de meia-idade, com um fatinho de 20 000 euros e acessórios personalizados, circulando de patins, já sabem: é o sr. Ricardo Salgado.
Postcards from the Balkans #05
‘Nasci solo muori solo, il resto è un regalo…’*
ou ‘It was terrible, terrible… still it was good’**
ou ainda Este é o (meu) sangue
Fotografia: Tarik Samarah
Este postal começa ao contrário. A ordem das fotografias também está ao contrário. O mundo esteve (está) demasiadas vezes ao contrário, tornando-se o mal banal. A indiferença também. Afinal não é assim tão diverso.Eu hoje chorei. Porque vi o mal e me lembrei que o esquecera. Este mal. Sei que agora mesmo há outros, semelhantes, até nas razões. Sei também que muitas vezes, de forma mais ou menos (in)voluntária os vejo com distância, ou com indiferença, não sendo o mesmo, é. Eu hoje chorei e isso, na verdade, pouco tem de assinalável.
A mão aberta, com uma gota de sangue no dedo anelar pertence a uma mulher. Viva. Que testemunhou o mal como eu, vocês, ou seja, como a maior parte de nós nunca há-de testemunhar. A gota de sangue desta mulher serviu para determinar o dna dos corpos encontrados em valas comuns perto de Srebrenica e as relações familiares com os vivos. Mais de 8000 mortos, homens entre os 12 e os 77 anos. Arrancados às suas mulheres e mães, que uma década ou mais passada estendem as suas mãos, as suas gotas de sangue nos seus dedos anelares, em busca do único conforto possível: enterrar os seus filhos, maridos e pais. [Read more…]
Música da semana – IV
Novo álbum do músico de Bristol será colocado à venda no próximo dia 08 de Setembro.
Professor de Inglês, Mandarim, Matemática, Alemão, Espanhol e Francês
Alcabideche/Estoril
Procurasse Professor/a para lecionar em horário laboral, pós-laboral e ao sábado.
Pretendesse Profissional responsável, com experiência e disponível.
Deverá indicar o valor hora pretendido, pois sem esse dado não será considerada a sua candidatura.
Agradecemos o envio da candidatura com fotografia para:
Postcards from the Balkans #04
‘The objects in the mirror are closer than they appear’

de Ljubljana para Sarajevo à hora do almoço. Despeço-me da cidade e das pessoas do Hotel Macek, que são tão simpáticas. Se alguma vez forem a Ljubljana ou lá voltarem e se gostam de coisas simples (e bonitas, para mim é mais ou menos o mesmo), fiquem neste pequeno hotel à beira do Ljubljanica.Apanho um táxi para o aeroporto. O comboio demoraria 10 horas ou mais. Não que não gostasse de fazer a viagem de comboio, mas o voo dura apenas 50 minutos e 10 horas, às vezes, são muito tempo. Perco muito, já o sei de outras longas viagens de comboio, em preferir o avião, mas ganho mais umas horas em Sarajevo, onde chego pouco passa das 3 da tarde. Recolho a mala, levanto marcos bósnios e vou à procura de um táxi. São 12 km até ao centro e não consta (o meu guia assim o diz, tal como as pesquisas que fiz no google) que vá encontrar um autocarro. O meu guia diz que negoceie o preço. Assim, pergunto ao senhor, de ar extraordinariamente simpático, quanto me leva. 10 €. Vamos. Vou abrir a porta de trás e ele pede-me que me sente à frente. Hesito uns segundos, seria má educação recusar e entro para o banco da frente.
O taxista pergunta de onde sou. Portugal. Ah, Portugal, futebol, Portugal, Cristiano… Ronaldo, termino eu. E rimo-nos. Depois, o senhor – que fala pelos cotovelos – pergunta-me coisas, fala do calor, responde às minhas perguntas sobre a Bósnia e Herzegovina (doravante, carinhosamente BiH). Pergunto sobre a vontade dos cerca de 4 milhões de habitantes em fazer parte da União Europeia. Entusiasticamente diz que muitos querem a adesão, incluindo ele mesmo. Mas, depois, cabisbaixo, como que a reconhecer o (que daqui a nada há-de ser, para mim) óbvio: nem em 10 anos. Pela janela vou vendo os subúrbios de Sarajevo. Feios, quase tenebrosos, com os seus prédios mal construídos ou, talvez mais adequadamente, reconstruídos, as suas oficínas, o seu lixo, o seu trânsito infernal…
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TAP (memória)
![1969 Amália Rodrigues[4]](https://i0.wp.com/aventar.eu/wp-content/uploads/2014/07/1969-amc3a1lia-rodrigues4.jpg?w=640)
1969: Amália Rodrigues embarcando num Boeing 727-282 da TAP – Transportes Aéreos Portugueses
Pobrezinho…
Com esta situação económica, julgo que deveria solicitar atribuição de RSI…
Fé económica
Postcards from the Balkans #03
‘Strawberry cakes forever’ e outras revelações
Os lugares perfeitos não têm história. Um pouco como as pessoas, se as houvesse perfeitas. No entanto, estou quase certa que Ljubljana não é uma cidade perfeita. Tenho pouco tempo para o saber. Praticamente não vou além do centro e perco-o, de certeza, ao centro. Das coisas. Das estórias, quero dizer.
Mais do que faço nos lugares imperfeitos, ponho-me aqui a reparar em tudo, muito bem. Nas pessoas, nas janelas, nas paredes, nos parques, nas ervas e nos pequeníssimos malmequeres. Ljubljana é uma cidade cheia de parques e jardins, do grande Tivoli e da colina do castelo aos pequenos recantos, cheios de árvores e sombras. Não está demasiado calor, no entanto. De manhã decido ir à procura do quarteirão do parlamento, onde estão também os ministérios, as embaixadas e – o que mais me interessa – os museus, especialmente a Galeria Moderna.
Atravesso a ponte dos Sapateiros, viro à direita e logo à esquerda e estou de novo no parque Zvezda. Aqui, do lado esquerdo de quem sobe, um magnífico edifício da Universidade de Ljubljana. Meto pela rua Vegova cheia de escolas e cabeças de eslovenos ilustres. Uma rua muito sossegada e verde. Encontro ao fundo um monumento, escrito em francês, uma homenagem ao ‘soldat sans nom’. Há umas galerias de arte, pequenos museus, um teatro de verão, com um belo pátio. Sento-me na esplanada de uma praça. Os pardais voam muito depressa e, de repente, pousam por longos segundos nas mesas e nas cadeiras. Vários me visitaram a mesa. Foi por causa deles que levantei a cabeça, para acompanhar o voo e prever a próxima visita, e dei de caras com o nome da praça: Francoske Revolucije. Está então explicado o ‘sous cette pierre/ nous avons deposè tes cendres/ soldat sans nom‘. [Read more…]
Visto por outro lado…
Henrique Granadeiro aguentou-se até hoje sem se demitir da PT. É obra do Espírito Santo.
A grande evasão do Novo BES para a CGD
vai fazer encerrar balcões e levar ao despedimento de muitos trabalhadores – não se iludam. Carlos Fonseca, no seu último texto sobre o caso BES.

















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